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Vamos passar agora para o ponto seguinte: eles estavam avaliando o seu trabalho. Também estavam avaliando o trabalho dos outros, e registrando cuidadosamente tudo que fizeram e' quanto tempo tinham trabalhado, bem como quantas horas eles mesmos haviam trabalhado e quanto haviam feito — "a fadiga e calor do dia". Tinham observado tudo em detalhe e registrado tudo cuidadosamente. E essa é a primeira declaração do Senhor sobre estas pessoas. Vamos pausar aqui por um momento, e permitir que isso penetre em nós profundamente. Nosso Senhor está censurando essa atitude. Ela é fatal no reino de Deus. Ele a detectou na declaração de Pedro: "Nós tudo deixamos e te seguimos; que receberemos?" A sugestão de barganha e exigência está implícita aqui. A atitude fundamental está tão errada, e tão antitética à esfera do Espírito e do reino como veremos; mas aí está, e essa atitude errada certamente acabará causando problemas, como aconteceu no caso desses homens. O que é tão patético e trágico a respeito disso, é que traz problemas ao homem no exato ponto em que o Senhor é mais bondoso em seus tratamentos. O que torna esta parábola tão terrível é que esses homens demonstraram o que realmente eram, e o terrível espírito que os dominava foi revelado justamente quando o senhor da vinha, em sua benevolência, deu aos últimos exatamente o mesmo que aos primeiros. É aí que esse espírito se revela e causa problemas. Olhem para esses homens. Por causa da sua atitude inicial errada, por terem se esquecido dos princípios da graça, esperavam receber mais do que os outros, pois achavam que mereciam mais. Naturalmente eles eram perfeitamente lógicos eram muito consistentes consigo mesmos. Partindo dos seus princípios e da sua atitude, seria a conclusão lógica. Por isso digo que começar dessa forma inevitavelmente leva a essa posição. Eles sentiam que tinham o direito a mais e deviam receber mais; esperavam receber mais, e porque não o conseguiram, ficaram ressentidos. Então lemos que eles começaram a murmurar. Sua alegria e felicidade se foram completamente, e aqui os encontramos murmurando porque não receberam algo extra. Isso não é uma coisa terrível? Mas é um fato que cristãos podem ser culpados dessa atitude que o Senhor retrata aqui — essa tendência de murmurar como fizeram os filhos de Israel no passado, e como esses homens fizeram aqui, sentindo pena de si mesmos, sentindo que não receberam tudo que tinham direito, sentindo que de alguma forma receberam tratamento injusto. O Novo Testamento coloca muita ênfase nessa questão. O apóstolo Paulo dirige uma palavra sobre isso aos filipenses. Ele os lembra de que devem "resplandecer como astros no mundo": "Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas; para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo; retendo a palavra da vida" (Filipenses 2:14-16). Que coisa trágica que cristãos possam ser miseráveis e murmuradores, em vez de se regozijar em Cristo Jesus. É um resultado do fato de que se esqueceram que tudo é pela graça. Eles se esqueceram deste grande princípio que permeia a vida cristã toda, do começo ao fim. Mas isso não é tudo. Isso nos leva a outra coisa — desprezo por outros, e ao mesmo tempo a um certo grau de inveja. Os homens na parábola dizem: "Estes derradeiros trabalharam só uma hora, e tu os igualaste conosco, que suportamos a fadiga e o calor do dia". É o princípio do irmão mais velho na parábola do filho pródigo, e é ilustrado em muitas outras passagens do Novo Testamento. Essa tendência entra e ataca cristãos que têm sido fiéis em seu testemunho e que têm realizado um excelente trabalho. Vem em formas muito sutis, e os torna miseráveis porque eles sentem que outros receberam uma recompensa maior do que eles. Todos aqueles que leram o relato de Hugh Redwood sobre os anos que passou desviado, vão perceber que esta era exatamente a causa do seu problema. Uma mudança de oficiais no Exército de Salvação levou-o a sentir que já não era o favorito. Outra pessoa foi promovida e colocada em lugar de proeminência, e ele começou a sentir pena de si mesmo, e voltou ao seu pecado. Leiam o seu livro "Deus nas Sombras" e encontrarão ali a história em detalhes. É isso que está ilustrado aqui. Estes homens sentiam um desprezo por outros, tinham inveja daqueles que haviam recebido tanto quando tinham feito tão pouco.. Toda a sua atitude era de egoísmo e egocentrismo. Todavia acima de tudo, e isto é o mais sério e mais terrível de tudo — eles sentiam em seus corações que o senhor da vinha era injusto. Nessa condição eles se convenceram que esse homem não era justo na maneira como os havia tratado. Estavam absolutamente errados, não havia qualquer base para tal atitude, mas eles sentiam isso. Assim, o cristão é tentado pelo diabo para sentir que Deus não está sendo justo. O diabo se chega a ele e diz: "Veja só quanto você fez, e o que está recebendo em troca? Olhe só para esse outro, ele não fez nada, e olhe só para o que ele está ganhando". Isso é o que o diabo diz, e essas pessoas lhe dão ouvidos. "Nós suportamos a fadiga e o calor do dia, e estamos recebendo o mesmo que esses outros que só trabalharam uma hora!" Esse é o espírito, e o que torna isso tão sério é que, nessa condição, se o cristão não for cuidadoso, ele logo estará atribuindo injustiça a Deus. Ele vai começar a sentir que Deus não é justo com ele, que Deus não está lhe dando aquilo a que ele tem direito, que ele não está recebendo o que devia receber. Que coisa miserável, feia e indigna é a natureza humana! Todos somos culpados disso, cada um de nós, de alguma forma ou outra. O diabo vem a nós, e nós lhe damos ouvidos, e começamos a duvidar se Deus realmente é justo na maneira que nos trata. O nosso "eu" precisa ser exposto pelo que realmente é. O pecado, em toda a sua feiura e podridão, precisa ser desmascarado. Não é de surpreender que nosso Senhor tratou desse espírito errado da forma como o fez nesta parábola. É o maior inimigo das nossas almas, e nos leva à miséria e ao desespero. É este o seu resultado. É completamente errado, e nada pode ser dito em sua defesa. Isso então me leva à cura. Qual é o tratamento? É entender o princípio controlador do reino de Deus. Esse princípio parece tão óbvio, mas somos tão propensos a esquecer os seus detalhes. O Senhor o apresenta aqui de uma vez por todas. Estou simplesmente colocando o que Ele disse em outras palavras. O princípio é que no reino de Deus tudo é essencialmente diferente de tudo em qualquer outro reino. Na verdade. Ele diz que o reino de Deus não é como aquilo que vocês sempre conheceram, é algo completamente novo e diferente. A primeira coisa que precisamos entender é que "se alguém está em Cristo, nova criatura é (é uma nova criação); as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo". Se tão somente compreendêssemos como devíamos, que estamos numa esfera em que tudo é diferente! Todas as bases são diferentes, não têm nada a ver com os princípios da nossa velha vida. Precisamos examinar isso em detalhe, mas primeiro quero salientar novamente esse novo princípio. Precisamos dizer a nós mesmos, cada dia de nossas vidas: "Agora eu sou um cristão, e porque eu sou um cristão estou no reino de Deus, e todo meu pensamento tem que ser diferente. Tudo aqui é diferente. Não devo trazer

Depressão Espiritual - D. M. Loyd Jones  

livro evangélico

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