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seus propósitos tanto quanto nos deprimir e abater, e dar a impressão que essa exaltada salvação c apenas um fruto da imaginação, e que nós que cremos nela temos crido em "fábulas astutamente inventadas". E que melhor modo de fazer isso do que nos levar a uma condição em que damos a impressão de estar sempre deprimidos, abatidos e miseráveis? Vimos como o diabo procura nos deprimir, fazendo com que concentremos nossa atenção no passado, de modo que, remoendo o passado, fiquemos abatidos. Entretanto, se isso falha, podemos estar certos de que ele mudará completamente a sua estratégia, fazendo com que passemos a olhar para o futuro. Isto é exatamente o que ele faz, e é do que trata este versículo que estamos considerando agora. Vamos examinar o caso daqueles que estão sofrendo de depressão espiritual porque têm medo do futuro — eles temem o futuro. Esta, novamente, é uma condição muito comum, e é realmente extraordinário notar a maneira em que o inimigo muitas vezes consegue causar a mesma condição fundamental nas mesmas pessoas, através desses métodos diametralmente opostos. Quando a gente consegue corrigir a atitude dessas pessoas a respeito do passado, elas imediatamente começam a falar sobre o futuro, e como resultado estão sempre deprimidas no presente. Eles receberam satisfação a respeito do perdão dos pecados — sim, até mesmo daquele pecado particular, que era tão excepcional. Foram cientificados que, embora tenham desperdiçado anos, Ele pode "restituir os anos consumidos pelo gafanhoto". E então dizem: "Ah, sim, mas. . .", e começam a falar sobre seu temor a respeito do futuro e do que está por acontecer. As Escrituras estão cheias de ensinamentos a respeito disso, mas creio que estou certo ao dizer que o supremo exemplo desta condição é, sem dúvida, o jovem Timóteo, a quem Paulo escreveu esta epístola, bem como a anterior. Foi indubitavelmente seu problema peculiar, e com certeza o apóstolo escreveu ambas estas cartas por causa disso. Ele dependia muito de Paulo devido seus temores a respeito das dificuldades e perigos por vir, e o objetivo das duas epístolas foi corrigir a atitude de Timóteo quanto a esse problema de enfrentar o futuro. Ora, não devemos gastar todo nosso tempo com Timóteo — eu o cito apenas como um exemplo de alguém que estava espiritualmente deprimido por causa do seu medo do futuro. Quais são as causas dessa condição? Por que é que as pessoas temem o futuro? Quais são as razões que dão para esse temor? Quais são os aspectos particulares dessa dificuldade, e quais são os problemas que tende a produzir, e sobre os quais suas vítimas estão sempre falando? Bem, não há qualquer dúvida de que, antes de tudo o mais, devemos mencionar o temperamento — a formação da pessoa. Todos nascemos diferentes. Não há duas pessoas exatamente iguais. Temos nossas características particulares, nossas virtudes, nossos defeitos, nossas fraquezas e nossas imperfeições. A pessoa humana tem um equilíbrio muito sutil e delicado. Fundamentalmente todos temos as mesmas características gerais, mas as proporções relativas variam tremendamente de caso para caso, assim como nossos temperamentos variam e diferem. É muito importante que mantenhamos isso em mente. "Mas, ah", alguém dirá, "somos cristãos agora, e quando uma pessoa se torna cristã, todas essas diferenças são apagadas". Ora, essa é a falácia essencial a respeito de toda esta questão. Não há mudança mais profunda no universo do que a mudança descrita como regeneração; porém regeneração — a obra de Deus na alma, em que Ele planta a vida divina e espiritual dentro de nós — não muda o temperamento de um homem. Seu temperamento ainda permanece o mesmo. O fato de você ter se tornado cristão não significa que deixou de viver consigo mesmo. Você terá que viver consigo mesmo enquanto estiver vivo, e sempre será você mesmo, e não outra pessoa. Paulo era essencialmente o mesmo homem depois de ser salvo e convertido que era antes. Ele não se tornou outra pessoa. Pedro ainda era Pedro, João ainda era João, em temperamento e em suas características essenciais. É nisso que vemos a glória da vida cristã. É como a variedade na natureza e na criação. Olhem para as flores. Não há duas idênticas. É na variedade dentro da unidade fundamental que Deus demonstra as maravilhas dos Seus caminhos. E é exatamente o mesmo na Igreja Cristã. Todos somos diferentes, nossos temperamentos são diferentes, todos somos nós mesmos. Essa é uma das grandes glórias da Igreja. Deus distribui Seus dons através do Espírito Santo de diversas maneiras, ainda que nossa personalidade essencial continue exatamente a mesma que era antes de nossa conversão. Por personalidade quero dizer nosso temperamento, a forma peculiar em que fazemos as coisas. Fazemos as mesmas coisas, mas de forma diferente. Como cristãos lodos devemos fazer as mesmas coisas essenciais, mas a forma como as fazemos é diferente. Pensem na diferença com que diferentes pregadores pregam o mesmo evangelho e a mesma vida cristã; sua maneira de apresentação é diferente, e deve ser diferente. E Deus usa essas diferenças para espalhar o evangelho. Ele pode usar um homem para fazer com que a mensagem apele a um certo tipo de pessoa, enquanto que outro pregador não poderia ser usado daquela maneira. Apresentações diferentes apelam para tipos diferentes de pessoas, e está certo, e Deus usa a todos. Então, antes de tudo colocamos o temperamento; e há pessoas que, por temperamento, são nervosas, apreensivas, temerosas. Paulo mesmo era, eu creio, um exemplo disso. Ele era um homem nervoso, sem autoconfiança, no sentido natural. Ele foi a Corinto "em fraqueza e temor e grande tremor". Era por natureza um homem timorato — "por fora combates, temores por dentro". Assim era ele por natureza. E isso também era verdade a respeito de Timóteo, e há pessoas que nascem assim. Existem outras pessoas que são auto-confiantes e seguras. Não têm medo de nada; enfrentam qualquer coisa; levantam-se em qualquer lugar. Nem conhecem o significado de "nervos". Esses dois tipos de pessoas são cristãos, e contudo quanto a isso são diferentes, vital e fundamentalmente diferentes. Há alguns cristãos que somente com grande dificuldade podem ser persuadidos a falar em público, e há outros que são exatamente o oposto. Essa questão do temperamento é, portanto, muito importante em nossa consideração sobre as causas dessa forma particular de ansiedade e depressão. Há também outras coisas que emergem quando consideramos o caso de pessoas que temem o futuro. Vocês podem perceber que elas estão sempre preocupadas com a natureza da tarefa que desafia o cristão. Têm um conceito muito alto da causa cristã (a julgar pelas coisas que dizem), e têm uma idéia exaltada da vida cristã. Essas pessoas entendem que não é fácil ser um cristão, que não é apenas uma questão de se converter e então nadar num mar de rosas o resto da vida. Não, elas o vêem como uma alta missão, uma batalha de fé; estão conscientes do caráter superior dessa vida; sabem que significa seguir a Cristo. Elas lêem o Novo Testamento, e sendo invariavelmente pessoas inteligentes, estão conscientes da grandeza da tarefa e da chamada. Mas isso,

Depressão Espiritual - D. M. Loyd Jones  

livro evangélico

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