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verdade. O evangelho não é algo parcial ou fragmentado; ele envolve a vida inteira, toda a história, o mundo inteiro. Ele nos fala sobre a criação e sobre o julgamento final, e tudo que está entre os dois. É uma visão completa da vida, e muitos são infelizes na vida cristã porque nunca compreenderam que esta maneira de viver trata da totalidade da vida do homem, e cobre cada aspecto de sua experiência.. Não há um aspecto da vida sobre o qual o evangelho não tem algo a dizer. A totalidade da vida deve estar debaixo da influência do evangelho porque ele mgloba tudo; o evangelho deveria controlar e governar tudo em nossa vida. Se não compreendemos isso, mais cedo ou mais tarde nos encontraremos numa situação infeliz. Muitos estão destinados a ler problemas porque se entregam a estas dicotomias não-bíblicas e prejudiciais, e só aplicam seu cristianismo a certos aspectos de suas vidas. Tais problemas são inevitáveis. Essa é a primeira coisa que vemos aqui. Devemos compreender a grandeza do evangelho, a sua vasta e eterna dimensão. Precisamos enfatizar muito mais as riquezas destes grandes absolutos da doutrina, e desfrutarmos delas. Não devemos permanecer apenas nos quatro Evangelhos; é onde começamos, mas temos de ir em frente; e quando virmos isto em operação, e colocado dentro do seu grande contexto, compreenderemos o verdadeiro poder do evangelho, e como a nossa vida toda deve ser governada por ele. , Isso nos traz ao segundo ponto, o qual é que como falhamos muitas vezes em compreender a grandeza e a amplitude da mensagem, também falhamos em compreender que o homem deve estar envolvido nela, e por, ela, de forma total — "viestes a obedecer de coração à forma de doutrina a que fostes entregues". O homem é uma criatura maravilhosa; ele é mente, coração e vontade. Estes são os três principais elementos que constituem o homem. Deus lhe deu mente, coração e vontade pela qual ele pode agir. Ora, uma das maiores glórias do evangelho é esta: que ele envolve o homem todo. De fato eu vou ao ponto de afirmar que não existe outra coisa que faça o mesmo; somente este evangelho, esta visão completa da vida, da morte e da eternidade, é suficientemente grande para envolver o homem por completo. É devido não compreendermos isso que surgem muitos dos nossos problemas. Nós é que somos parciais na nossa resposta a este grande evangelho. Deixem-me sugerir alguns detalhes para confirmar e fortalecer o meu ponto de vista. Há pessoas que parecem colocar em uso somente a cabeça — o intelecto, o entendimento. Elas nos dizem que estão tremendamente interessadas no evangelho como um ponto de vista, como uma filosofia cristã. Elas estão sempre falando sobre a perspectivas cristã, ou, usando a gíria atual, as "percepções cristã". É algo puramente filosófico, coisa inteiramente intelectual. Eu acho que concordariam que há muitas pessoas tomando esta posição hoje em dia. Para elas o cristianismo é um assunto de tremendo interesse, e acreditam e proclamam que se este ponto de vista cristão fosse aplicado na política, na indústria e em todos os outros círculos, todos os nossos problemas seriam resolvidos. Este é o ponto de vista e atitude inteiramente intelectual. Há outros, talvez não tantos quanto no passado, cujo único interesse no evangelho é a teologia, a doutrina, a metafísica, os grandes problemas, argumentos e discussões. Eu falo de dias passados, dias que se foram. Eu não quero defendê-los, mas eles eram infinitamente preferíveis àqueles que assumem a posição do presente acima mencionada. Havia pessoas então cujo único interesse no evangelho era relativo a problemas teológicos, e argumentavam e discutiam sobre eles. Suas mentes estavam muito envolvidas; este era o seu interesse e seu passatempo intelectual. Contudo, a tragédia é que tudo se limitava a esse interesse, e seus corações nunca tinham sido tocados. Não havia somente a ausência da graça do Senhor Jesus Cristo nas suas vidas, mas havia também frequentemente a ausência dos princípios elementares da bondade humana, Aqueles homens discutiam e quase brigavam por causa cie certas doutrinas, mas eram difíceis de serem abordados. Nunca leríamos ido a eles com algum problema, pois teríamos sentido que eles não iriam entender nem se compadecer. Pior ainda, a verdade pela qual tanto se interessavam não era aplicada às suas vidas; era algo confinado aos seus gabinetes pastorais. A verdade não modificava a sua conduta ou comportamento em nada, pois estava confinada à mente apenas. Obviamente, mais cedo ou mais tarde, seu destino era cair em dificuldades e em confusão. Já tiveram a oportunidade de ver um homem desse tipo enfrentando o final da sua vida? fá o viram quando ele não pode mais ler, ou quando está à beira da morte? Eu já vi um ou dois, e não quero ver outro. É terrível quando o homem chega ao ponto em que sabe que vai morrer, e o evangelho sobre o qual tanto discutiu, argumentou e até "defendeu", parece não ajudá-lo, porque na verdade nunca se tornou parte da sua vida. Era apenas um passatempo intelectual. No entanto há outros casos em que o evangelho parece afetar somente o coração. Estes são mais comuns hoje em dia. São pessoas que tiveram uma libertação emocional; passaram por uma crise emocional. Não quero menosprezar isto, mas há um perigo muito real em ter uma experiência unicamente emocional. Estas são pessoas que talvez tenham algum problema em suas vidas; talvez lenham cometido algum pecado específico. Tentaram esquecê-lo, mas não conseguiram libertar-se. Enfim ouvem uma mensagem que parece libertá-las desse pecado, e aceitam e tudo fica bem. Mas param nesse ponto. Queriam uma libertação desse problema em particular, e a conseguiram. Ela pode ser obtida mediante uma apresentação incompleta do evangelho, e leva a uma experiência parcial e incompleta. Tais pessoas tiveram uma experiência emocional e nada mais, porque foi isso mesmo que desejaram. Ou pode ser que essas pessoas tinham um interesse natural pelo misticismo e por fenômenos místicos. Algumas pessoas já nascem místicas; parece que há algo diferente nelas, algo. "do outro mundo", e elas se interessam pelo misticismo. Há um grande interesse por esses assuntos hoje em dia; nos fenômenos psíquicos, em experiências extra-sensoriais. Sempre houve gente interessada nesse tipo de coisa. São místicos naturais, e sentem-se atraídos por algo que parece estar oferecendo alguma experiência espiritual ou mística. Aproximam-se das Escrituras porque sentem que nelas encontrarão satisfação para este desejo por tal tipo de experiência. Procuram isso, e o encontram. E não conseguem mais nada. Ou pode ser que certas pessoas estão nesta posição, simplesmente porque são comovidas esteticamente pela apresentação do evangelho, pela atmosfera da igreja, pelos vitrais coloridos, pelos monumentos, pelo ritual, pelos hinos cantados, pela música, pelo sermão — por qualquer uma ou por todas estas coisas. A vida tem sido dura e cruel, e elas se tornaram amargas devido às circunstâncias. Mas vão a um certo culto, e de alguma forma sentem-se confortadas e aliviadas, e se satisfazem e se contentam com isso. É tudo que elas queriam.

Depressão Espiritual - D. M. Loyd Jones  

livro evangélico

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