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São Paulo, 28 de julho de 2014 - j o r n a l P r o P a g a n d a & m a r k e t i n g 11

Mercado Ranking “Global Innovation Index” aponta que Rússia subiu 13 posições (49ª) e China (29ª), seis; Brasil (61º) subiu apenas três

Brics ganham destaque em inovação p o r C l a u d i a Pe n t e a d o

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s países que constituem os Brics ganham destaque no novo ranking global de inovação “Global Innovation Index”, em especial a Rússia, que subiu 13 posições e ocupa o 49º lugar e a China, atual 29ª colocada no ranking geral e que subiu seis posições no último ano. O Brasil, apesar de ser a oitava maior economia do mundo, subiu apenas três posições e ocupa a 61ª posição revelando sua fragilidade na área ao manter-se abaixo de países como Barbados, Chile e Panamá (veja tabela nesta página), mas está entre as nações consideradas de maior potencial de crescimento nessa área, segundo os analistas envolvidos no estudo, nesse jogo de dimensões globais chamado inovação. A Suíça é – pelo quarto ano consecutivo – o país de economia mais inovadora do planeta, segundo o raking que pesquisa 143 países produzido pela Cornell University, pela escola de negócios Insead e pela WIPO (Organização Mundial de Propriedade Intelectual). Os países mais inovadores, segundo o ranking, são aqueles que conseguiram criar ecossistemas inovadores em que o capital humano é combinado a infraestruturas inovadoras, contribuindo para altos índices de criatividade. Rússia e China são, por sinal, os países mais surpreendentes do ranking, próximos de diversos países de economia altamente desenvolvida, pois têm claramente investido forte em ecossistemas inovadores e monitorado a qualidade de seus indicadores de inovação. Na América Latina e Caribe, considerada no ranking uma só região, o Brasil aparece em quinto, sendo que os quatro primeiros colocados são Barbados (41º no ranking geral), Chile (46º ), Panamá (52º) e Costa Rica (57ª).

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MElHoRIas Entre as economias menos desenvolvidas, a região da África ao sul do deserto do Saara – que inclui Quênia, Congo, Zâmbia, Uganda, Senegal, Nigéria, entre outros – foi considerada a que apresentou melhoria mais significativa nos índices do estudo. A Costa do Marfim, por exemplo, subiu 20 posições, sendo que Maurício assumiu a liderança da região, em 40º lugar no ranking. Bruno Lanvin, diretor executivo para Índices Globais da Insead e coautor do relatório, diz que como a inovação se tornou um jogo global, um número crescente de economias emergentes está sendo confrontado com questões bastante complexas, em que o chamado “ganho cerebral” (Brain Gain) só se conquista através de um delicado equilíbrio entre a saída e a entrada de talentos – buscando formação fora, por exemplo, e retornando com novas ideias, abrindo empresas e criando empregos, e contribuindo para ampliar a competitividade do país. “No mundo inteiro encontramos sinalizadores encorajadores de que isso vem de fato ocorrendo”, disse Lanvin. Há no estudo outro ranking, que se refere à qualidade da inovação – como a performance de universidades, o alcance de artigos acadêmicos e a dimensão internacional de aplicação de patentes. Nesse ranking os Estados Unidos lideram entre as economias desenvolvidas, seguidos de Japão, Alemanha e Suíça, embora no ranking geral os Estados Unidos apareçam na sexta posição, seguidos de Cingapura, Dinamarca, Luxemburgo e Hong Kong. O relatório geral trabalha com a média de dois subíndices. O primeiro é chamado Innovation Input Sub-Index, e combina elementos da economia de cada país a atividades de inovação baseadas em cinco pilares: instituições, ca-

pelo ranking, estão capital humano e pesquisa – e estes consideram, por exemplo, o ranking Pisa de educação mundial, em que o Brasil se mantém no 38º lugar e cujas primeiras posições são dominadas pelos asiáticos – Cingapura, Coreia do Sul, Japão e China.

Escola

Tyson disse em Cannes que Ásia, Brasil e outros emergentes tornam-se mais criativos cientificamente

pital humano e pesquisa, infraestrutura, sofisticação de mercado e sofisticação de negócios. O segundo subíndice é o Inovation Output Sub-Index e considera a produção de cada país em conhecimentos e tecnologia e criatividade.

EfIcIêncIa Os critérios do GII são bastante rígidos e complexos, o que justifica a posição do Brasil ainda pouco representativa. Mas há otimismo no fim do túnel, apesar dos problemas enfrentados para evoluir (veja matéria abaixo). É interessante observar que o país, em 2011, encontrava-se na 47ª posição, em 2012 na 58ª, e caiu para a 64ª no ano passado, recuperando-se um pouco este ano. Segundo o estudo, a recuperação maior foi em eficiência, e no ranking específico

Posição

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por Keila Guimarães

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Power Collector, desenvolvido pela Peralta: registro levou 4 anos

“No mundo de hoje, as ideias surgem muito rápido e não queríamos correr o risco de investir tempo e dinheiro em algo que alguém já estivesse desenvolvendo. Além disso, queríamos poder negociar e transformar essa ideia em receita”, explica Alexandre Peralta, fundador e CEO da empresa. O processo foi demorado: ao todo, levou quatro anos para ser concluído. De acordo com Mariana Hamar Valverde Godoy, sócia do escritório Valverde Advogados, especializado em propriedade intelectual, patentear produtos é uma forma das agências garantirem receita futura com seu protótipo. “Ela deve se preocupar com o registro para ter exclusividade no uso do produto ou tecnologia e receber royalties por isso [se decidir comercializá-lo]”, explica. Apesar de moroso e caro, o processo é importante como proteção. “É difícil, demorado e tem custo. Mas não é impagável. Um processo judicial posterior com certeza sairá mais caro [que o registro]”, aponta.

Inovação Um dos destaques do Cannes Lions deste ano foi a FCB Brasil, que apresentou ideias de negócio para seus clientes e correu atrás de tecnologias para viabilizá-

Segundo o relatório, nenhuma das cinco principais economias da América Latina avaliadas conseguiu pontuação suficiente para ingressar no que eles denominam “Aprendizes de inovação” (Innovation learners). São economias de médio porte que conseguem superar, no PIB, em pelo menos 10% os demais países de sua região e apresentam níveis de inovação crescentes. Estão neste grupo, por exemplo, China, Malásia, Tailândia, Uganda, Moçambique, Ruanda, Mongólia, Índia e Vietnã. Se a inovação é um fator fortemente dependente de pessoas e qualificação profissional, entre as nossas mazelas estão, certamente no topo da cadeia, a educação – o maior influenciador no atraso da inovação. Entre as maiores fraquezas apontadas

Líderes em Inovação

Cresce preocupação com patentes entre as agências m dos indicadores considerados pelo estudo da WIPO (Organização Mundial de Propriedade Intelectual) sobre inovação é o registro de patentes. No levantamento da organização, o Brasil está em segundo lugar entre as economias de renda média que mais registraram patentes. O número coloca o país atrás da China, mas à frente da Índia. De acordo com a WIPO, os registros no país estão em evolução: eles cresceram 64% de 2005 a 2012. O volume é maior que a média global, que acelerou 37% no período. Uma surpresa é que a preocupação com patentes não é mais somente da indústria de ponta. Ao procurar novas fontes de receita, agências estão entrando no terreno da pesquisa e desenvolvendo tecnologias e produtos. Com isso, cresce também a preocupação com o registro do trabalho. A Isobar Brasil é um exemplo. Ela patenteou a tecnologia por trás de Fiat Live Store, produto criado para a Fiat, que simula um test drive no ambiente virtual. O trabalho ganhou o primeiro Leão de Innovation Lions do Brasil no Cannes Lions deste ano. “Ser relevante é saber que nossas ideias podem e devem ser patenteadas. Não é um processo fácil, especialmente no Brasil, mas totalmente irreversível para nós”, diz Fred Saldanha, chief creative officer da Isobar Brasil. Outra que se dedicou à criação de um produto inédito foi a Peralta. A agência criou um dispositivo para o solado do tênis que acumula energia do movimento e que pode ser usado para carregar o celular. O protótipo, chamado Power Collector, começou a ser desenhado em 2010 e a empresa decidiu registrá-lo para não perder oportunidades de negócio.

desse índice o Brasil aparece na oitava posição na América Latina – abaixo ainda de Venezuela, Panamá, República Dominicana, Costa Rica, Argentina, Paraguai e Guianas – na frente do Uruguai e do México. A pontuação brasileira em ambos os subíndices citados anteriormente – Input e Output – se mantém praticamente estagnada desde 2011. Mas a performance brasileira é sensivelmente melhor no subíndice de Output (que considera produção de conhecimento e tecnologia e criatividade) do que no Input. Algumas outras forças apontadas no Brasil, em especial, são a qualidade das três melhores universidades, força no cenário da internet, absorção de conhecimento e pagamentos de royalties e licenciamentos, entre outros.

A Times Higher Education divulgou recentemente o ranking das melhores universidades do mundo – no qual oito americanas estão entre as dez primeiras, sendo que lideram a Harvard, o Massachusetts Institute of Technology e a Stanford University, seguida das britânicas Cambridge e Oxford. A única brasileira entre as 100 – a Universidade de São Paulo – aparece entre a 80ª e a 90ª posição. Outras fraquezas apontadas são a dificuldade de iniciar novos negócios, altos impostos, baixos índices de graduação em ciência e engenharia, entre vários outros. A baixa cooperação entre a iniciativa privada e as universidades, por exemplo, também prejudica o Brasil – basta lembrar que algumas das maiores empresas da atualidade, como Google e Facebook, nasceram nos domínios de universidades americanas. No Cannes Lions deste ano, o astrofísico “pop” Neil deGrasse Tyson disse que, embora os países desenvolvidos ainda sejam aqueles onde a ciência é mais criativa, a tendência aponta para mudanças importantes: Ásia, Brasil e outras regiões emergentes tornam-se mais criativos cientificamente. O segredo, segundo ele, está em valorizar a resolução de problemas e correr mais riscos. É necessária certa “cultura da irreverência”. “É preciso continuar errando para buscar o acerto. Sem errar não se vai além. Nunca se ultrapassa os limites já conquistados”, disse.

-las. Com “Anúncio Protetor” e “Speaking Exchange”, a agência conquistou 17 Leões. O primeiro trabalho, para Nivea Sun Kids, era um anúncio de revista que podia ser destacado e virava uma pulseira. Capaz de se comunicar com o smartphones, ele permitia aos pais controlar o quanto os filhos se afastavam na praia. Com o produto, a FCB Brasil levou o GP de Mobile, a primeira agência do país a arrematar esse prêmio. Para Pedro Gravena, diretor de criação digital da FCB Brasil, Cannes 2014 mostrou que agências precisarão buscar novos processos para inovar. “Algo que usamos aqui para esse produto foi o pensamento de startup. A ideia precisa nascer planejada, para não morrer. Pensamos nas etapas desde o início, depois em como escalar. Estamos agora nesse processo”, explica. A agência não patenteou o produto. “Não registramos porque não havia novidade na tecnologia usada. O que fizemos foi casar tecnologias já existentes e aplicá-las a uma ideia”, diz Max Geraldo, diretor-executivo de criação da FCB Brasil. “Nosso negócio não é tecnologia, é ideia. O principal ingrediente para inovar é estar atento à necessidade do cliente e correr atrás do que for necessário para viabilizá-la.”

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Segunda, 28 de Julho de 2014  
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