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Opinião

Edição especial

Aracaju/SE 2012

Reviver

Aprendo a cada dia uma nova lição s vezes precisamos usar da humildade para ver a grandeza das coisas. A prova desta tese pode estar ainda nos primórdios. Pontuemos a sabedoria, por exemplo. Um dos mais sábios homens da história da humanidade, o filósofo grego, Sócrates que teria nascido em meados dos anos 469 a.C. é apontado como dono de uma das frases mais épicas de todos os tempos. Isso dito por pensadores da época, que teriam ouvido de Sócrates um dos homens tidos como mais cultos a seguinte declaração: “Só sei que nada sei”. Embora, está seja uma frase centenária, muitos estudiosos e pensadores contemporâneos admitem ver nesta colocação do uma das mais sábias frases. Isso comprovaria que cabe ao ser humano ter a humildade e sapiência de perceber que a cada dia estamos aber tos a novos aprendizados. Essas lições podem vir com erros e acer tos. O impor tante então não seria saber quem cometeu o erro ou acer to. E sim, como poderemos tirar proveito destes aprendizados, nos tornando pessoas mais capazes e melhores. Afinal de contas, essa deveria ser a tendência maior da existência humana enquanto vivenciamos a nossa passagem na terra. Pois os defeitos vistos de longe, podem parecer aos mais desatentos, meros problemas individuas

ou até coletivos de certas pessoas ou grupos específicos. Aos mais cuidadosos, onde vemos problemas, surgem novas oportunidades de melhorar tudo que nos propomos a fazer. Ressurgir significa surgir de novo; ressuscitar, reviver, renascer. Foi desta forma que as centenas de profissionais que presenciaram e vivenciaram a rebelião no Compajaf encarraram os dias

seguintes, para a retomada do funcionamento pleno e absoluto da unidade. Algo que com o esforço e determinação de todos, foi possível em pouco mais de 70 dias. Após a unidade prisional ter tido 95 por cento das suas instalações totalmente destruídas pelos internos. Uma ação que comprova que a unidade e a determinação de todos, sempre será maior e mais

Informativo Reviver

forte que qualquer maldade que se possa programar. Que a união, é algo essencial aos que buscam o sucesso e o êxito profissional e pessoal. Como ouvimos do diretor presidente da Reviver, o senhor, Odair Conceição, os internos não tiveram durante a rebelião do Compajaf qualquer reclamação quanto ao tratamento, exceto sobre o rigor natural que deve ter uma revista de um Presídio de Segurança Máxima, como é o caso do Compajaf. Em seus reclames, busca por privilégios e não direitos. Pois os direitos, os quais são preconizados na Lei de Execuções Penais, esses são todos devidamente garantidos. Sem, falar dos muitos programas e projetos desenvolvidos, na busca incessante pela ressocialização, daqueles que são por nós custodiados nos mais variados estados e cidades, onde a Reviver em parceria com os estados administram pelo Sistema de Cogestão. A tentativa de inviabilizar a funcionalidade do Compajaf, graças aos seus diretores, gestores, colaboradores e apoiadores foi fracassada. O que aconteceu foi um processo inverso. A unidade que há muito se tornou uma referência no Brasil e por que não no mundo. Ressurge ainda mais for te, e mais estruturada. Pois o diferencial alcançado após o susto, não poderá ser apagado por nenhum problema que por ventura sejamos obrigados a enfrentar no futuro.

Reviver Ø poss vel

Boletim informativo da Empresa Reviver | faleconosco@reviverepossivel.com | www.reviverepossivel.com Jornalista ResponsÆvel. Marcos Borges | Designer grÆfico. Décio Santos | GrÆfica. J. Andrade | Tiragem. 2.000


Entrevista

Edição especial

Aracaju/SE 2012

Reviver

Manuel Lœcio Neto| DIRETOR DO DESIPE

Manuel Lúcio fala da rebelição no Compajaf Diretor do Desipe revela detalhes das conversas entre as inúmeras forças de segurança que trabalharam em conjunto na rebelião

O

nosso entrevistado desta edição é a maior autoridade técnica na área do Sistema Prisional do estado. O diretor do Depar tamento do Sistema Prisional da Secretaria de Estado da Justiça, Cidadania e do Direito do Consumidor, Manuel Lúcio Neto. Um dos responsáveis diretos em toda a ação desde o início do motim dos internos, e retomada do comando do presídio. Até a finalização das obras de reconstrução da unidade, após os 74 dias de árduo trabalho. Na entrevista exclusiva ao Informativo Reviver edição especial, Manuel Lúcio revela detalhes das conversas entre as inúmeras forças de segurança que trabalharam em conjunto na rebelião. Dá também informações sobre a ordem direta do governador, requerendo cautela nos diálogos com os presos, mas, sem que a ordem fosse um dos pilares nas negociações para a soltura dos reféns e manutenção da disciplina. I.R Qual foi a primeira impressão ao chegar ao presídio no dia da rebelião? M.L Não há como negar que foi uma das mais assustadoras impressões a primeira vista que tive durante todos esses 10 anos de atividade no sistema prisional. Confesso que cheguei a temer que o crime organizado tivesse efetivamente organizado na tomada da unidade e que com isso, nós tivéssemos sérios problemas para contornar a situação. I.R Teve algum momento que considerou ser mais critico nas quase 28 de rebelião? M.L Depois que os primeiros procedimentos foram iniciados com a técnica do gerenciamento de crise, passei a perceber que os internos, embora estivessem com o poder físico da unidade, não estavam organizados de fato. Então vimos que restabelecer a ordem seria uma questão de tempo e paciência. I.R O COMPAJAF desde a sua inauguração é considerado um dos presídios modelo do país, tanto pela segurança, quanto pela capacidade de custodiar presos de altíssima periculosidade. Mas, ainda assim, foi vitima de uma ação violenta dos internos. Quais lições puderam ser tiradas do episódio? M.L Acredito que a política implementada pelo Governo do Estado e pelo secretário Benedito Figueiredo por meio dos próprios investimentos e modernização, já comprovariam o comprometimento e preocupação com o sistema prisional. No entanto, atos como o da rebelião nos mostram que não

podemos esmorecer na busca pela excelência do serviço prestado. E isso, incluiria segurança para quem trabalha nas unidades, qualificação profissional que envolve também investimentos em equipamentos e maior segurança das unidades. I.R O governador Marcelo Deda foi rígido após a divulgação da rebelião em rede nacional, ao afirmar que as negociações estariam caminhando, mas que o Estado não iria se dobrar a reinvindicações dos presos. Como tais palavras ajudaram nas negociações em si? M.L Para quem está na frente no momento de uma crise é sempre importante saber que o seu superior maior também apoia o seu trabalho. Porque as palavras serviram de motivação para que o norte escolhido fosse mantido e tudo resolvido sem maiores danos. I.R Foram toneladas de entulhos e uma destruição sem tamanho. Ainda assim o Desipe e a direção da unidade resolveu manter os presos custodiados na própria unidade, isso é algo inédito? M.L Embora várias partes tenham sido destruídas os pavilhões não ficaram tão comprometidos quanto outras áreas. E isso facilitou o nosso trabalho. Além do que, a somação de esforços de todos os colaboradores do Desipe tanto da unidade quanto de outros presídios que também se mostraram solidários com os colaboradores do COMPAJAF. Pessoas que se tornaram essenciais para a continuidade das atividades. E mesmo com tudo que aconteceu os funcionários ao serem motivados pela direção não baixaram a cabeça e seguiram com suas tarefas, ainda mais determinados e focados. E isso foi uma das principais imagens que ficou guardada em minha memória.

Manuel Lúcio Neto

I.R Embora 90 por cento da unidade do COMPAJAF tivesse sido destruída pelos internos durante a rebelião. Após 74 dias a unidade foi reinaugurada. Como você descreveria as condições do presídio atualmente? M.L Acredito que pela própria experiência vivenciada por pessoas que já trabalhavam com o Sistema Prisional, após a rebelião a meta foi fazer uma análise criteriosa do que aconteceu e verificar os pontos de vulnerabilidade. A par tir daí o diretor da unidade, Ricardo de Oliveira Manhães e toda sua equipe passaram a estudar algumas mudanças e melhorias. E hoje não tenho dúvida alguma ao afirmar que todas as alterações implementadas no presídio após a rebelião ajudaram a tornar o COMPAJAF um dos presídios de maior segurança do país.


Odair Conceição

Edição especial

Aracaju/SE 2012

Reviver

Após cair é preciso saber levantar Não foi a destruição que nos assustou, foi o poder de reação dos colaboradores

O

diretor presidente da Reviver Administração Prisional Privada LTDA, Odair Conceição reconheceu ter ficado abismado ao tomar conhecimento da tomada do presidio por parte dos internos, ainda mais por terem conseguido tornar reféns três dos colaboradores da empresa, diante da pratica de procedimentos tão eficientes, na busca da segurança dos colaboradores. Contudo passado o momento da negociação e a efetiva retomada da unidade, era hora de começar a tomar conhecimento da real destruição promovida pelos rebelados. Uma ação que tinha a nítida intenção de tonar inviável a funcionalidade do COMPAJAF. O diretor presidente reconhece que todos da empresa ficaram extremamente apreensivos durante a rebelião, sobretudo, pela existência de reféns em poder dos internos. “Acredito que não houve um só colaborador da Reviver que tivesse conseguido segurar a emoção ao ver os nossos companheiros sendo soltos pelos presos, saindo com suas próprias pernas, caminhando, acenando para todos os demais colaboradores e demonstrando que estavam bem”, lembra. Odair Conceição diz que ao tomar conhecimento da proporção da destruição, a primeira sensação foi a de indignação. Não apenas pela ação deliberada dos presos de buscar destruir boa parte da estrutura da unidade. Mas, por perceber que algumas áreas essenciais apenas para os internos também foram destroçadas apenas por pura maldade. Ainda no dia em que a rebelião foi encerrada, não por iniciativa da direção ou da gerencia da unidade, mas por iniciativa dos próprios colaboradores, um mutirão foi iniciado para que os destroços pudessem começar a serem retirados. A frenética entrada e saída de caçambas para levar os entulhos retirados diuturnamente pelos colaboradores geraram toneladas de destroços, o que poderiam representar para alguns, sinônimo de destruição. Porém, para os que acompanharam todo o

Eles tentaram nos destruir, mas nos tornaram mais fortes processo inicial da reconstrução, pudemos ver que significou uma assombrosa aula de superação e fortalecimento coletivo. Na mesma proporção que os dias se passavam, percebíamos uma força e determinação incomum brotando de todos os colaboradores da unidade e de alguns funcionários advindos de outras unidades. Todos unidos e em prol de um único objetivo, a retomada das atividades no padrão Reviver. Após 74 dias de árduo e incessante trabalho de pessoas de várias esferas conseguimos chegar ao que muitos talvez duvidassem a entrega de um COMPAJAF completamente recuperado. E fizemos isso não apenas reconstruindo as partes destruídas na rebelião. Mas, tornando o que era bom ainda melhor.

Sem esquecer da preocupação de tornar a unidade que sempre teve a sua segurança como um dos seus pilares, algo ainda mais funcional. O diretor presidente da Reviver também falou das mudanças existentes nos procedimentos realizados. Segundo o dirigente sempre que uma crise é instaurada, é preciso reavaliar tudo que é feito na unidade. Analisando desde os procedimentos praticados até as causas do que teria provocado à existência do problema. “De uma coisa acho que ninguém presente na reinauguração do COMPAJAF tem dúvida. A unidade que apresentamos a sociedade sergipana há cerca de três anos, foi visivelmente abalada, contudo, conseguimos recriá-la de forma ainda mais forte e segura”, finalizou Odair Conceição.


Benedito Figueiredo

Edição especial

Aracaju/SE 2012

Reviver

Temos em Sergipe uma unidade modelo para o sistema prisional brasileiro

Secretário lembra que Compajaf é referência no país Durante a solenidade de reimplantação na unidade o secretário elogiou a parceria com a Reviver

O

secretário da Justiça e de Defesa ao Consumidor, Benedito de Figueiredo que representou o governador do Estado, Marcelo Déda na solenidade de reimplantação do Complexo Penitenciário Antônio Jacinto Filho, Compajaf, localizado no Bairro Santa Maria, em Aracaju fez questão de elogiar a atuação da Reviver na reestruturação do presídio em tempo recorde. Levando em consideração a grande destruição provocada pelos internos durante a rebelião ocorrida no dia 15 de abril deste ano. Durante o discurso, o secretário também enalteceu a importante participação do governador Marcelo Déda nas negociações durante a rebelião. Mostrando pulso firme ao reconhecer como positiva a manutenção da ordem e do rigor do funcionamento da unidade de segurança máxima. Benedito de Figueiredo fez uma menção especial aos secretários da Segurança Pública, João Eloi de Menezes, do adjunto da SSP, João Batista, do agora comandante geral da Polícia Militar, coronel Mauricio Iunes, do diretor do Depar tamento do Sistema Penitenciário, Manuel Lúcio Neto, do diretor do presídio Ricardo Manhães, do vice-diretor do Desipe, Marcelo

Victor, além dos funcionários da Sejuc e Reviver, considerados pelo secretário essenciais para a conquista do atual momento. Segundo o secretário da Sejuc com o ato de indisciplina os internos, muitos integrantes de facções criminosas, não apenas tentaram destruir com um formato funcional de uma unidade prisional que ao longo dos anos vem sendo copiado por diversos estados brasileiros. Mas, também enfraquecer o próprio sistema prisional do estado. Fatos que acabaram sendo mal sucedidos. Graça a força conjunta das forças de segurança do Estado. Que uniu Secretaria de Segurança Pública, Justiça e Cidadania em prol da resolução do problema. “Em pouco tempo conseguimos não apenas reconstruir a parte física do Compajaf. Mas, mostrarmos que a força e determinação da equipe que trabalha nesta unidade, não se rendem e não desisti de conquistar os seus objetivos”, lembrou Benedito de Figueiredo. O ponto alto do discurso do secretário foi dirigido aos membros da imprensa sergipana que compareceram em bom número. De acordo com Benedito de Figueiredo durante toda a rebelião que durou mais de 24 horas, toda a cobertura dos veículos de comunicação foi

voltada a ação dos presos e a destruição dos compartimentos da unidade. E tão logo a situação foi retomada, os noticiários novamente se mostraram preocupados com a conta e o destino de onde o dinheiro viria para a reconstrução. Agora com a unidade sendo retomada ao seu funcionamento normal, com visíveis melhorias na sua estrutura de funcionamento, as noticias seguem sem que qualquer preocupação com o sentido humanitário com os colaboradores e familiares dos quase 200 funcionários que exercem suas funções na unidade prisional é demonstrada pela imprensa. “É preciso lembrar que em nenhum momento houve queixa de maus tratos comprovadas ou de descumprimento dos direitos dos que são custodiados no Compajaf. Ainda assim, os internos se sentiram no direito de destruir com algo que foi construído e implantado para dar-lhes uma melhor condição de cumprir com a pena, a qual é determinada pela Justiça”, disse o secretário questionando aos membros da imprensa em quantas unidades os internos possuem consultório odontológico, médico, psicológico, terapeuta ocupacional, assistente social, setor jurídico, lavanderia, biblioteca, oficinas diversas, fábrica de corte e costura.


João Eloy

Edição especial

Aracaju/SE 2012

Reviver

SSP faz balanço positivo após rebelião João Eloi se mostrou entusiasmado com toda a reforma realizada na unidade em apenas 74 dias

D

urante o episódio de rebelião dos internos do Complexo Penitenciário Advogado Antônio Jacinto Filho, o Governo de Sergipe se mobilizou para retomar o controle da unidade e preservar a integridade de todos os envolvidos - uma operação única no estado, devido à sua complexidade. A Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) se uniu à Secretaria de Estado da Justiça e da Cidadania

(Sejuc), especialmente, por meio da Polícia Militar, para realizar a proteção dos funcionários da Sejuc, da Reviver Administração Prisional Privada LTDA. e dos familiares dos custodiados, tomados como reféns, além da população em geral que se deslocou até a unidade. O secretário de Estado da Segurança Pública, João Eloy de Menezes outra etapa fundamental desse processo de negociação e retomada do presídio aconteceu quando

João Eloy imputou a união das forças o sucesso das negociações

da contenção dos mais de 500 rebelados, que estavam tensionados e alguns deles, armados com lâminas retiradas da cozinha e espingardas subtraídas dos guardiões, e drogados, sob efeito de medicamentos retirados da enfermaria. A Polícia Militar mobilizou durante os dois dias mais de 200 integrantes da tropa especializada, e manteve esse efetivo para um iminente pronto emprego, em caso de necessidade maior. Mas a serenidade e a firmeza da equipe de negociadores do Grupo de Gerenciamento de Crises e Conflitos garantiu um diálogo apaziguador e responsável com os líderes, intermediando o contato com representantes do Poder Judiciário e da própria Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania. Vale ressaltar, o trabalho integrado com os setores de inteligência da Polícia Civil, equipes de resgate e combate a incêndio do Corpo de Bombeiros e também pilotos e operadores do Grupamento Tático Aéreo, dentro do âmbito da SSP; assim como com gestores e agentes do próprio Depar tamento do Sistema Penitenciário da Sejuc, e servidores do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) da Secretaria de Estado da Saúde. O preparo operacional, o aparato técnico, o equilíbrio emocional e a experiência profissional dos servidores ali aplicados foi de fundamental importância para um desfecho pacífico e sem baixas, com o reestabelecimento da ordem dentro do presídio e a manutenção da segurança pública no estado. - Estivemos acompanhando tudo de perto desde o início e sabemos que este foi um momento que desejamos que não mais ocorra em Sergipe, mas que serviu para mostrar que neste estado se trabalha com firmeza, dedicação e responsabilidade. Durante a entrega da reconstrução do Complexo Penitenciário Advogado Antônio Jacinto Filho, João Eloy se mostrou entusiasmado com as mudanças realizadas na estrutura da unidade e todas as alterações nos procedimentos que passaram a ser feitos no atendimento e funcionamento do presídio. Segundo o secretário é indiscutível que o cuidado, o zelo, e a conduta com a qual o Estado em parceria com a empresa privada Reviver administra o COMPAJAF, fazem da unidade uma referência no país.


Mauricio Iunes

Edição especial

Aracaju/SE Aracaju/SE 2012 Julho de 2011

Reviver

Técnica e a combinação dos procedimentos nos levaram ao êxito Tivemos uma das maiores crises já vistas no Estado, mas que conseguimos controlar sem uma única vítima

Cel. Iunes, atual comandante da Polícia Militar

U

ma das peças mais importantes durante o processo de instauração da negociação da Rebelião, sem sombras de dúvida foi o então Comandante do Grupamento Tático Aéreo - GTA, Mauricio da Cunha Iunes. Que cerca de um mês depois da rebelião seria anunciado como novo Comandante Geral da Polícia Militar do Estado de Sergipe. Embora, a rebelião no COMPAJAF não tenha sido a sua primeira experiência a frente de um gerenciamento de crise. O próprio coronel admite que as peculiaridades existentes na rebelião do COMPAJAF lhe trouxeram inúmeras lições. A principal,

que todo aprendizado serve para engrandecimento e fortalecimento do homem. Segundo Mauricio Iunes ao se deparar com mais de 450 internos rebelados, armados e com colaboradores e familiares na condição de reféns, a primeira atitude foi voltada a não mais permitir que outros se tornassem parte das vitimas dos rebelados, iniciando os procedimentos para contenção do problema. Nas 36 horas que se sucederam entre negociações e retomada do presídio, teriam sido aplicadas as mais diversas e eficazes técnicas de gerenciamento de crise. Daí o porquê o atual comandante Geral da Polícia Militar do Estado de Sergipe, se volta a afirmar sem medo

de errar, que nosso estado temos uma das policias mais bem preparadas do país. Durante toda a negociação que teve a frente o próprio Mauricio Iunes que geriu as ações do negociador direto, o capitão Marcos Carvalho. Foram às técnicas e procedimentos que permitiram, diante dos internos liderados por presos ligados a facções criminosas do sul e sudeste do país, contornar a crise, mesmo diante de um quadro visivelmente até então preocupante. Mauricio Iunes lembra que embora desgastante todas as medidas foram calculadas dentro de um objetivo de evitar uma possível ação tática. Apesar de reconhecer a mega estrutura mobilizada com quase 180 homens, entre membros das unidades policiais, viaturas, cavalos, motos, helicóptero. “Nós tínhamos durante a rebelião vitimas que eram reféns de homens perigosos, com armas e munições. Por isso, nós precisávamos ter bastante cautela, paciência e inteligência ao negociar a liberação de todos os reféns, incluindo os familiares dos próprios internos. A nossa técnica e as táticas acabaram se sobrepondo a qualquer desvio de conduta tentado pelos rebelados, e isso comprovou a força da segurança que o Estado tem”, enfatizou Iunes. Realmente fiquei impressionado com a rapidez com que o presídio acabou sendo reconstruído, diante do tamanho da destruição causada durante a rebelião. Contudo, uma unidade que desde a sua criação era referencia no país, mostrou que poderia ficar ainda mais forte e mais segura. “Uma coisa a sociedade pode ter certeza. Independente de quem tente criar um problema ou fazer o mal em nosso estado, não há divisão ou preocupação com quem irá resolver. O trabalho será sempre em conjunto na busca de garantir a segurança da sociedade e a paz de todos que moram em nosso estado”, finalizou Mauricio da Cunha Iunes.


Jirlene e Alcimar

Edição especial

Aracaju/SE 2012

Reviver

A unidade do trabalho ajuda a alcançar o sucesso

Jirlene diz que ver a reconstrução foi ainda mais emocionante

Alcimar acredita que tudo precisou ser revisto e não apenas para o trabalho na Reviver O trabalho junto a uma unidade prisional exige daqueles que o exercem, disciplina, comprometimento, atenção, espírito de equipe, honestidade, equilíbrio e principalmente cumprimento dos procedimentos. Durante ás 26 horas em que os internos do Complexo Penitenciário Advogado Antônio Jacinto Filho – COMPAJAF permaneceram rebelados dentro do estabelecimento, mantendo visitas e colaboradores da empresa co-gestora sob seu domínio, depredando de forma avassaladora o patrimônio público, por um único motivo “falta de regalias”, ficou perceptível a necessidade contínua do trabalho em equipe, aperfeiçoamento dos procedimentos, comprometimento, postura e seriedade na labuta diária. Embora, seja perfeitamente compreensível que muitas vezes diante da rotina diária de procedimentos, sejamos acometidos do efeito aprisionamento e deixemos de perceber o que está diante dos nossos olhos. A retomada do controle da unidade nos fez refletir sobre pontos vulneráveis que se mostraram ainda existentes durante o movimento, ainda que tivéssemos a ideia de termos na construção do COMPAJAF, erguido uma estrutura forte e compacta, a ponto de não ser abalada, mesmo diante de tamanha depredação praticada pelos internos. O que nos fez ver que sempre haverá possibilidades de novas melhorias, sejam estas na estrutura predial ou nos investimentos tecnológicos, pessoal na qualificação dos colaboradores. Dentro desta mentalidade foi exatamente o que foi feito durante os 70 dias de reconstrução da unidade. Muitas foram às mudanças, mas, nada que pudesse ser tão valoroso quanto à preocupação com a qualificação do material humano, o aperfeiçoamento dos homens e mulheres colaboradores em exercício diário no COMPAJAF. Diante de todos os fatos, só não me resta uma dúvida, a de que saímos fortalecidos de mais essa batalha e convictos de que precisamos buscar diuturnamente a perfeição dos nossos serviços prestados no trabalho diário. Pois só isso nos dará a certeza de que sendo verdadeiros guerreiros teremos ao final a plenitude da agradável sensação de dever cumprido.

“Jamais imaginei passar por algo assim” Foi sem dúvida a maior emoção vivida por mim, em todos os esses anos em que trabalho na área do sistema prisional

A

o receber a notícia no dia 15 de abril de 2012 que no COMPAJAF estava ocorrendo problemas me desloquei até a Unidade e lá chegando percebi que estava acontecendo uma rebelião de grandes proporções, os internos haviam tomado toda a Unidade e mantinham como reféns os familiares de alguns dos detentos, bem como 03 dos agentes de disciplina. Inicialmente fui tomada pela incredulidade, ao tentar entender porque os internos destruindo uma unidade, que se tornou exemplo e modelo aos demais no país. Passado o susto inicial, ações e decisões precisaram ser tomadas e assim iniciamos o trabalho de retaguarda, montando a estrutura para receber a equipe de negociação do Estado, as autoridades que chegavam gradativamente para tomarem ciência da situação, além de todas as polícias de Sergipe e a imprensa, que deu ampla cobertura ao fato. As horas se passavam e a angústia aumentava, afinal de contas durante o meu tempo de Reviver nunca tinha presenciado uma rebelião com tamanha proporção. A apreensão se tornou alívio quando as negociações foram finalmente encerradas e os agentes e demais reféns foram finalmente libertados e os internos entregaram as armas. No momento da libertação dos colaboradores, confesso as lágrimas me vieram compulsivamente, não por angustia, mas sim em forma de agradecimento a Deus. Porque naquele instante percebia que seria possível ajuda-los a reconstruir suas vidas, independente de qualquer coisa que tivessem passado, pois todos estavam vivos. Após a retomada da unidade, em um trabalho formidável da Polícia Militar e de todas as forças

policiais envolvidas, tivemos então a chance de perceber o real tamanho da destruição. Foi então que nós enquanto gestores da unidade, tivemos a oportunidade de perceber que a Rebelião e toda aquela destruição tinham como único objetivo inviabilizar o funcionamento do COMPAJAF. Contudo, embora tivéssemos retirado toneladas de lixo, em um fabuloso trabalho que contou com o comprometimento e união de todos os colaboradores, em pouco mais de dois meses, conseguimos reerguer o presídio. Dando ao COMPAJAF reais condições não apenas de funcionalidade, mas de se manter como uma das principais unidades prisionais do país.


Karla e Balbino

Edição especial

Aracaju/SE Aracaju/SE 2012 Julho de 2011

Reviver

A destruição foi pequena diante da união Acho que nunca imaginei que veria cenas tão marcantes quanto às vividas durante esse processo

P

ara quem acompanhou tudo desde os primeiros momentos, o susto foi apenas a primeira parte dos acontecimentos. As horas de espera para a liberação dos reféns, a incerteza pela vida dos envolvidos, são fatos que ficaram marcados, na mente de todos os que estiveram no COMPAJAF durante a rebelião. As negociações foram se encaminhando e mesmo diante do cansaço, nos mantínhamos atentos em busca de acompanhar as novidades. Ao final da rebelião, já no entardecer do dia, pudemos entrar pela primeira vez dentro da unidade e nos deparar com o tamanho da destruição. Mas, nenhuma imagem foi tão marcante, quando ao perceber dos colaboradores a predisposição de iniciar imediatamente a retirada dos escombros e entulhos deixados pela destruição promovida pelos internos. E dia após dia essa foi a rotina encontrada dentro do COMPAJAF. Embora quase que toda a unidade estruturalmente tivesse sido destruída pelos internos durante a rebelião. Estava ainda mais visível que a união de todos os colaboradores no intuito de ajudar na reconstrução da unidade. Foram longos e desgastantes dias de muito trabalho que serviram para aprendizados importantes e também incomuns. Mesmo sendo uma gestora de profissão, confesso que houve momento em que fiquei extasiada

A gerente administrativa relembra emocionada das inúmeras ofertas de ajuda diante da destruição provocada pelos internos, sobretudo, em área que foram implantadas na unidade com único objetivo de atender e a servir de forma mais eficaz os próprios presos, a exemplo de cartório, enfermaria, consultório médico e odontológico, atendimento psicológico,

assistente social, lavanderia entre tantos outros. Talvez por isso, o processo de reconstrução tenha sido para todos os colaboradores da unidade, um momento de êxtase. Não só tivemos a oportunidade de refazer e melhorar o que foi destruído pelos internos. Mas de comprovar a força que a união pode representar em situações extremas. Hoje não temos dúvida de que além do COMPAJAF ter sido reconstruído em toda a sua estrutura, nós conseguimos erguer uma unidade ainda mais firme, no que se refere ao comprometimento e dedicação dos seus colaboradores. Temos hoje um quadro funcional ainda mais compacto e motivado, o que nos manterá nos trilhos rumo à busca pela excelência do serviço prestado.

Situações difíceis exigem aprendizado rápido Não há como negar que a vivencia do episódio da rebelião para muitos representou uma experiência única e inesquecível. Impressionismo que atingiu não apenas aos mais novos e inexperientes colaboradores do Sistema Prisional. Mas a muitos que estiveram como testemunhas presenciais dos inúmeros e incontáveis atos de vandalismo e violência praticados pelos quase 500 presos rebelados. De acordo com o relato do gerente de operações do COMPAJAF, Balbino Oliveira, mesmo com toda a experiência adquirida ao longo da carreira nos presídios da Reviver (alguns como o CPS de altíssima periculosidade), jamais imaginou ver tamanha barbárie. Segundo Balbino Oliveira ao ver alguns dos seus comandados em poder dos internos, por alguns instantes reconhece ter temido pela vida dos colegas, e pela continuidade do trabalho sério e dedicado na unidade. Já que desde o início das negociações com os presos, ficou evidenciada nas reinvindicações que a intenção primária dos rebelados, era a inviabilidade do funcionamento do COMPAJAF. Oliveira diz que não acreditou ao ver a destruição

Oliveira reconhece que por alguns instantes temeu pela continuidade da unidade

provocada pelos internos em setores que essencialmente existem para única e exclusivamente atender e melhorar o atendimento aos custodiados. Ainda assim, revela que independente das dificuldades enfrentadas a unidade conseguiu ser erguida com uma estrutura ainda mais forte. Aprendi durante a rebelião que momentos de extrema dificuldade exige rápida recuperação. E foi assim, que todos os colaboradores do COMPAJAF conseguiram por meio da união à ampla e completa recuperação da unidade, em apenas 74 dias de árduo, dolorido e desgastante trabalho. Contudo, para uma tarefa que não há preço ou valor a ser colocado, no objetivo de descrever tamanha satisfação de todos os envolvidos. Para o gerente operacional. Uma coisa ficou evidenciada após a rebelião. “Nada e ninguém é capaz de parar aqueles que acreditam que são capazes de alcançar os objetivos traçados. Pois desistir é fácil, o difícil mesmo é seguir em meio a muitos obstáculos e barreiras. Pois felizes são os que conseguem enxergar além do muro da vida, que vez por outra, se forma em nossos caminhos”.


Geral

Edição especial

COM A PALAVRA

Aracaju/SE 2012

Reviver

Diego Farias Eiterer

Michelle Patricia Santos Felix

Ingrid Oliveira Daboit

Terapeuta Ocupacional

Almoxarife

Psicóloga

Maria de Lourdes Pedagoga

T nia Cristina de Almeida Advogada

Zedequias Horebe Gomes dos Santos Auditor

Marlucia Santana Guimarªes Assistente Social

Ana Carla Fontes Moreira Farmácia

Ismael dos Santos Técnico de enfermagem

Jess ca Nayara Batista dos Santos Agente Feminina

Arlene Lussanda Vieira Santos Alves RH


Geral

Edição especial

COM A PALAVRA

Aracaju/SE 2012

Reviver

Ronaldo Melo Feitosa

Elna Maria Aguiar Avila Soares

Jacqueline Santos de Oliveira

Oficial de manutenção

Médica

Secretária

Carlos Vivente Ferreira dos Santos

Alisson Britto Mendes

Ivete Oliveira Gama Filha Professora

Agente de Disciplina – cinófilo

Escolta Operacional

Eliane dos Santos Lavandeira

AndrØ Henrique da Costa Albuquerque Programador de Informática

AmurÆbia Lucio Suassuna Enfermeira

Silvia Vieira de Souza Telefonista

Genisson de Menezes Santos CRC


Geral

Edição especial

Aracaju/SE 2012

Reviver

DESTRUI˙ˆO E REESTRUTURAÇÃO Antes

A visível destruição promovida pelos internos do Presídio do Santa Maria provocou uma sensação de indignação em boa parte da sociedade sergipana e por que não brasileira, já que o episódio ganhou proporções nacionais. Talvez esse sentimento tenha sido decisivo para que ao longo de cerca de 70 dias colaboradores da própria unidade e de outras instituições se unissem em busca da reestruturação do presídio. Algo que encheu de orgulho a todos os envolvidos. E novamente o Complexo Penitenciário Advogado Antônio Jacinto Filho COMPAJAF pôde voltar a funcionar de forma a garantir a tranquilidade e a ordem a todos os que por decisão da justiça são custodiados na unidade.

Depois


Reviver - Informativo 13