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Agricultura Familiar Ministério da Educação

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1 Agricultura Familiar Identidade, Cultura, Gênero e Etnia

Caderno Pedagógico Educadoras e Educadores ProJovem Campo - Saberes da Terra

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Coleção Cadernos Pedagógicos ProJovem Campo-Saberes da Terra

Agricultura Familiar Identidade, Cultura, Gênero e Etnia

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Ministério da Educação

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Ministério da Educação/SECAD Esplanada dos Ministérios Bloco L - Edifício Sede 2o andar - sala 200 CEP 70.047-900 BRASÍLIA - DF

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Coleção Cadernos Pedagógicos ProJovem Campo-Saberes da Terra

Agricultura Familiar Identidade, Cultura, Gênero e Etnia

Caderno Pedagógico Educadoras e Educadores

BRASÍLIA | DF | 2010

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Ministério da Educação

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©2010. SECAD/MEC Ministério da Educação Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade Diretoria de Educação para a Diversidade Coordenação Geral de Educação do Campo Coordenação Armênio Bello Schmidt Sara de Oliveira Silva Lima Wanessa Zavarese Sechim Equipe Técnica Pedagógica – SECAD/MEC Eduardo D’Albergaria de Freitas Eduardo Góis de Oliveira Gilson da Silva Costa João Staub Neto José Roberto Rodrigues de Oliveira Lisânia de Giacometti Michiele Morais de Medeiros Delamôra Oscar Ferreira de Barros Equipe Técnica Pedagógica - UFPE/NUPEP João Francisco de Souza (In Memorian) Zélia Granja Porto Karla Tereza Amélia Fornari de Souza Rigoberto Fúlvio Melo Arantes Maria Fernanda Alencar Almeri Freitas de Souza Equipe Técnica Pedagógica - UFPA Jaqueline Cunha da Serra Freire Evandro Medeiros Romier da Paixão Souza Evanildo Estumano Editoração de comunicação Dirceu Tavares de Carvalho Lima Filho Projeto gráfico Adrianna Rabelo Coutinho Ilustração Henrique Koblitz Essinger Revisão Antônio Neto das Neves

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Centro de Informação e Biblioteca em Educação (CIBEC) Agricultura familiar: identidade, cultura, gênero e etnia: caderno pedagógico educadoras e educadores / Coordenação: Armênio Bello Schmidt, Sara de Oliveira Silva Lima, Wanessa Zavarese Sechim.– Brasília : Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, 2010. 140 p. il. - (Coleção Cadernos Pedagógicos do ProJovem Campo-Saberes da Terra). ISBN 978-85-7994-056-9 1. Educação popular. 2. Agricultura familiar. 3. Educação de Jovens e Adultos. 4. Educação no Campo. I. Brasil. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. II. Schmidt, Armênio Bello. III. Lima, Sara de Oliveira Silva. IV. Sechim, Wanessa Zavarese. CDU 374.71

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Sumário APRESENTAÇÃO DO CADERNO

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CARTA AOS EDUCADORES E ÀS EDUCADORAS

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1. TEMPO ESCOLA DE ACOLHIDA 1.1. Ementa 1.2. Objetivos 1.3. Aprendizagens desejadas 1.4. Tempo formativo 1.5. Jornadas Pedagógicas 1.5.1. Acolhimento do Eu, do Outro, de Nós 1.5.2. Estudando o Ambiente da Escola 1.5.3. Conhecendo a Turma de Educandos/as 1.5.4. Construção de Acordos Coletivos e Organização de Grupos de Estudo e Trabalho 1.5.5. Propondo a Construção do Plano de Pesquisa 1.5.6. Produzindo a Síntese do Tempo Escola de Acolhida

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2. O EIXO TEMÁTICO I - Problemática - Ementa - Questões de Pesquisa - Aprendizagens Desejadas - Círculo de Diálogos - Jornadas Pedagógicas - Integração de Saberes

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3. SUGESTÕES DE ROTEIRO PARA PLANEJAMENTO DAS JORNADAS PEDAGÓGICAS - Sugestões de Outras Possíveis Jornadas Pedagógicas - Construindo Identidades da Agricultura Familiar - Para Ler, Refletir e Debater

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Argilácqua Costurando nossas histórias Entre o Campo e a Cidade Mandalaô Culturalidades: os “Brasis” da gente Mapeaculturando Cultura Midiática Generalizando Um problema que não é genérico! Etnicidades “Pajelança” Jornaça Conclusividade Avaliação Processual e Sistematização

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5. ANEXOS Anexo 1. Proposta de Roteiro para Entrevista

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Anexo 2. Questões de Pesquisa

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Anexo 3. Definição dos Procedimentos de Pesquisa

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Anexo 4. Relacionando os Saberes Integrados

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NOVA CULTURA NO CAMPO BRASILEIRO:

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Apresentação do Caderno

a Agricultura Familiar Sustentável A

Coletânea CADERNOS PEDAGÓGICOS está organizada em cadernos para a Educadora e o Educador, bem como para as Educandas e os Educandos, com o objetivo de oferecer subsídios para que cada segmento do ProJovem Campo – Saberes da Terra, no Tempo Escola e no Tempo Comunidade, avance, respectivamente, na sua formação docente e na qualificação social e profissional com elevação da escolaridade (conclusão do Ensino Fundamental).

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Essa coletânea deseja contribuir para um processo de estudo produtivo e agradável. Claro que, enquanto subsídios pedagógicos, os Cadernos não dão conta de todas as questões do processo pedagógico do ProJovem Campo – Saberes da Terra nas salas de aula. Possibilitam, contudo, uma metodologia de estudo e, portanto, de construção de saberes. Metodologia que, lançando mão dos Cadernos, do Acervo Bibliográfico de cada escola e do Laboratório, sendo este a vida da comunidade e do entorno, possibilitará o desenvolvimento das habilidades intelectuais (elevação da escolaridade), profissionais (técnicas necessárias ao manejo das diferentes ocupações do Arco Ocupacional Produção Rural Familiar) e socioambientais (intervenção na comunidade e na sociedade) para a autoformação e a transcendência social de todos os sujeitos educativos no seu crescimento humano pessoal, profissional e coletivo.

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14 A esse conjunto de procedimentos didáticos se denominou PERCURSO FORMATIVO, que contempla a base conceitual e metodológica estruturante do Programa a fim de subsidiar os sujeitos educativos do campo engajados na construção da caminhada do ProJovem Campo – Saberes da Terra no Brasil. A proposta é que, ao ser vivenciado, seja mediado pelas idéias, pelas concepções, pelos valores, pelas experiências, pelas competências, pelos desejos dos sujeitos educativos envolvidos na sua dinamização. A intenção deste Caderno Pedagógico é, portanto, criar condições para a compreensão, interpretação e explicação das contradições, das ambigüidades, dos conflitos e das possibilidades dos problemas que envolvem o Eixo Articulador, Agricultura Familiar e Sustentabilidade, por meio de cinco eixos temáticos, os quais se propõem construir respostas às suas problemáticas. Os Eixos Temáticos são: 1. Agricultura Familiar: identidade, cultura, gênero e etnia. 2. Sistemas de produção e processos de trabalho no campo. 3. Cidadania, organização social e políticas públicas. 4. Economia solidária. 5. Desenvolvimento sustentável e solidário com enfoque territorial.

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No caso deste Caderno, a primeira tarefa à qual se propõe é que cada segmento (do/a educador/a e do/a educando/a) identifique os problemas que o Eixo Temático 1, como uma dimensão do Eixo Articulador, apresenta para os sujeitos educativos, a comunidade, o território, a região e o Brasil, por meio dos conhecimentos que já possuem sobre o assunto, conhecimentos que a mídia, as autoridades, as instituições, os Movimentos Sociais, as Ciências difundem sobre esses problemas. Dessa forma, será possível a construção de um saber mais amplo, consistente e útil sobre os problemas e as possíveis soluções deles. A segunda tarefa é construir uma síntese geral a partir das sínteses elaboradas individual ou coletivamente em cada passo do estudo do Eixo Temático. As sínteses dos estudos constituem um processo analítico a partir de investigações de campo e bibliográficas (estudando e fazendo ciências humanas, sociais, da natureza e agrícolas: conteúdos educativos) que irão sendo documentadas por meio dos conteúdos instrumentais (linguagens verbais, artísticas e matemáticas) ao tempo que se aprende a elaborar projetos de intervenção social (conteúdos operativos) para oferecer saberes e sugestões de ação que possibilitem uma vida decente a todas e a todos. Portanto, objetiva possibilitar avanços na construção de nossa humanidade à família, à comunidade, ao entorno territorial e regional, bem como ao país, para que possamos viver uma democracia expansiva.

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15 Foto Arquivo Cetap/Curso de Alimentação 13/11/2006

As sínteses de cada passo do estudo do Eixo Temático (escritas, cantadas, pintadas, calculadas...) servirão de matéria-prima para a construção da síntese final de cada eixo. Esse será o novo conhecimento produzido coletiva e individualmente sobre a problemática representada pelo eixo temático. A síntese de cada eixo temático servirá de matéria-prima na elaboração da síntese final do Eixo Articulador. Dessa forma, pretende-se contribuir com a construção de uma NOVA CULTURA NO CAMPO BRASILEIRO: a Agricultura Familiar Sustentável. Essa síntese geral final expressará o conhecimento produzido no processo investigativo, vivido didaticamente pelos sujeitos educativos. Uma nova cultura pode avançar nos campos brasileiros!

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Entende-se CULTURA como a interrelação entre as condições materiais, associativas e simbólicas da existência humana; a orientação axiológica (teorias que explicam a questão de valores) do pensar, do sentir e do fazer humano e seus produtos (artefatos culturais). Condições materiais que só podem ser produzidas associativamente (organizadas ou institucionalmente) com justificativas éticas, estéticas, legais e intelectuais (condições simbólicas). Ter-se-ão duas sínteses gerais no final do processo de construção dos saberes do ProJovem Campo – Saberes da Terra: uma de cada estudante e outra que represente as conclusões coletivas de cada escola. Além destas, haverá uma síntese dos/as educadores/as como Monografia de Conclusão do Curso de Especialização ou Extensão Universitária. Esses novos saberes poderão ser publicados como contribuição do Programa ao equacionamento e à potencialização da Agricultura Familiar no Brasil.

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Todas as sínteses, desde as parciais de cada Jornada Pedagógica até a final do Eixo Articulador, constituirão informações necessárias aos PROCESSOS AVALIATIVOS tanto das aprendizagens individuais como coletivas, ao longo da execução do ProJovem Campo – Saberes da Terra, bem como das aprendizagens do educando, do educador e do próprio Programa. OS CADERNOS PEDAGÓGICOS propõem UM PROCESSO METODOLÓGICO que garante a construção dos CONTEÚDOS PEDAGÓGICOS simultaneamente: 1ª: CONTEÚDOS EDUCATIVOS a partir do/da estudo/discussão da realidade confrontada com as ciências humanas e sociais, com as ciências naturais, agrárias e suas tecnologias; 2ª: CONTEÚDOS INSTRUMENTAIS: nas linguagens verbais, artísticas e matemáticas e em suas tecnologias; 3ª: CONTEÚDOS OPERATIVOS: elaboração de projetos, planos e programas e suas tecnologias.

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Cada Caderno Pedagógico estará assim estruturado: * Problemas/ objeto de saberes a serem construídos no Eixo Temático; * Ementa; * Aprendizagens; * Questões de pesquisa; * Círculos de diálogo: - Construção coletiva dos saberes pela integração de saberes populares, científicos e técnicos por meio de Jornadas Pedagógicas e de outras técnicas didáticas. - Plano do Tempo Comunidade (Pesquisas e Partilha de Saberes). Este Caderno Pedagógico do Eixo Temático Agricultura Familiar: Identidade, Cultura, Gênero e Etnia quer ser o primeiro passo na efetivação dessa tarefa pelos conhecimentos e documentos que irá formular para a construção de uma concepção de agricultura familiar mais forte e para a formação social e profissional com elevação da escolaridade dos/as jovens da Agricultura Familiar. O Eixo Temático pretende garantir também, portanto, o Arco Ocupacional Produção Rural Familiar por meio da capacitação profissional para as Ocupações a ele relacionadas e que são prioritárias no Programa: Sistemas de Cultivo, Sistemas de Criação, Extrativismo, Aqüicultura e Agroindústria.

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Num lado da lista a gente escreve como pai mais mãe e vó mais vô curam os bichos. No outro lado apontamos como o veterinário explicou como a ciência trata os animais.

Os saberes a serem produzidos nesse Eixo Temático resultarão do confronto de saberes dos/as educandos/as e de suas famílias com os saberes científicos e tecnológicos sobre a diversidade de agriculturas familiares, culturas, identidades, gênero e etnias do Brasil, objetivando refletir sobre a realidade existente, as potencialidades e possibilidades de reinvenção do campo, o fortalecimento das ações e dos vínculos de pertencimento de trabalhadoras e trabalhadores do campo, buscando construir um novo saber humano sobre a Agricultura Familiar Sustentável, sua importância e a dignidade de seus sujeitos.

17 A gente vai discutir o que? Qual dos dois é mais caro ou mais barato para cuidar da criação?

Tem gente que eu conheço, que vai querer saber o que vai dar menos trabalho para ele.

Entende-se esse novo saber, um saber humano, conformado pelas dimensões cognitivas, políticas, éticas, estéticas e técnicas, como será explicitado na Carta aos Educadores e às Educadoras. Desejamos que este Caderno Pedagógico contribua, na sua diversidade de concepções pedagógicas e de atividades, com o processo de organização do trabalho pedagógico e com o diálogo de saberes entre os sujeitos educativos.

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esejamos que este Caderno Pedagógico contribua com o processo de organização do trabalho pedagógico e com o diálogo de saberes com as Educandas e os Educandos.

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A reinvenção da Escola e da Agricultura Familiar

As educadoras e educadores do Saberes da Terra, ao ensinar a dialogar com a tradição, o saber popular, a identidade nacional, etnia e gênero, também estão se formando para serem cidadãos e cidadãs de uma nova cultura mais solidária, ecológica e sustentável para o Brasil e o Mundo.

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Carta aos Educadores e às Educadoras do PROJOVEM CAMPO – SABERES DA TERRA Caríssimas e Caríssimos

para as trabalhadoras e os trabalhadores brasileiros

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abemos que o mundo atual representa para todos nós um grande desafio devido às suas contradições, aos conflitos, às ambigüidades e a falta de oportunidades para muitos, mas também muitas possibilidades. Isso é verdade especialmente para as jovens e os jovens do campo brasileiro. Por isso, queremos apresentar-lhes nossos cumprimentos por terem aceitado o chamado para esse trabalho. O ProJovem Campo – Saberes da Terra é uma oportunidade que vocês terão para contribuir com o equacionamento desse amplo desafio ao tempo que, trabalhando com a juventude rural, também continuarão seu próprio processo de formação pessoal e profissional. Para as jovens e os jovens, trata-se de um processo formativo de qualificação social e profissional com elevação da escolaridade no Ensino Fundamental. Realizar essa tarefa será para esses jovens e para vocês mesmos uma contribuição inusitada na reinvenção da escola para as trabalhadoras e os trabalhadores brasileiros, bem como na reinvenção da Agricultura Familiar.

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O Currículo da Formação O

Texto: Educação Popular, Educação do Campo e Projeto PolíticoPedagógico: João Francisco de Souza. 1

Texto: Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental: CEB/CNE. 2

Texto: Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos: CEB/ CNE. 3

Currículo da Formação tanto do/a educador/a quanto do/a educando/a está alicerçado na Educação Popular como uma Pedagogia enquanto uma Teoria Crítica Geral da Educação1. Será desenvolvido a partir de um Eixo Articulador e de cinco Eixos Temáticos que serão trabalhados num amplo processo investigativo e formador do/a educando/a e do/a educador/a durante os dois anos nos quais vocês trabalharão na qualificação social e profissional com elevação da escolaridade do jovem, concluindo o Ensino Fundamental2 na modalidade Educação de Jovens e Adultos3. Desejamos, ao final de dois anos, duração do Curso do ProJovem Campo – Saberes da Terra, contar com jovens concluintes do Ensino Fundamental e com uma formação profissional inicial ao tempo que teremos construído uma nova concepção de Agricultura Familiar Sustentável que contribuirá para a transformação do campo brasileiro, permitindo-nos argumentar consistentemente a favor de sua expansão e consolidação. Contaremos, também, com profissionais formados em Cursos de Especialização ou Extensão universitária – formação continuada - a serem oferecidos por Instituições de Ensino Públicas para atuar nesses processos político-pedagógicos.

Pôxa, em dois anos acaba-se o Fundamental! Aprendem-se novas técnicas agrícolas. E no futuro dá pra pensar em ir para a Universidade.

Tempo: 2 anos Objetivos: l concluir o ensino fundamental l jovens tecnicamente preparados para agricultura familiar sustentável l nova cultura agrícola e humanista l aptos a ingressar em curso de formação em nível médio ou técnico profissionalizante

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21 EIXO ARTICULADOR E EIXOS TEMÁTICOS DA FORMAÇÃO O ProJovem Campo - Saberes da Terra, enquanto um projeto político-pedagógico de qualificação social e profissional com elevação de escolaridade na modalidade EJA, em sua execução, terá como Eixo Articulador as questões da Agricultura Familiar e da Sustentabilidade. Os Eixos Temáticos que se destinam a responder a essas questões e construir uma nova concepção de Agricultura Familiar Sustentável e uma nova atuação profissional na mesma, com níveis crescentes de autonomia das Famílias, são os seguintes: 1. Agricultura Familiar: identidade, cultura, gênero e etnia. 2. Sistemas de Produção e Processos de Trabalho no Campo. 3. Cidadania, Organização Social e Políticas Públicas. 4. Economia Solidária. 5. Desenvolvimento Sustentável e Solidário com enfoque Territorial. Esses Eixos serão trabalhados didaticamente por meio de processos e atividades investigativas. Será uma grande pesquisa sobre o que está sendo e poderá ser a Agricultura Familiar Sustentável do âmbito local ao nacional; portanto, uma ampla investigação de possibilidades de melhoria da qualidade de vida das famílias e formação de seus/suas jovens.

Não basta aprender como plantar. Vai ter que perder a vergonha de cantar as músicas do Balaio de Saberes. O Balaio não é teste pra desafinado. É pra pensar através da arte o que vai fazer na vida.

Vamos fazer com vocês uma reflexão que promova uma primeira aproximação à problemática central da pesquisa a ser realizada ao longo dos dois anos. Essa reflexão poderá ser aprofundada por meio da leitura de textos sugeridos no Balaio de Saberes, do que dela se diz no Projeto Político-Pedagógico, assim como por meio da busca pela ampla bibliografia e pelos documentos disponibilizados, inclusive na Internet, pelos Ministérios do Governo Federal. Aqui queremos apenas indicar o problema de pesquisa / objeto de saber do Programa.

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22 ASPECTOS DA AGRICULTURA FAMILIAR NO BRASIL A SEREM PESQUISADOS E POTENCIALIZADOS A Agricultura Familiar no Brasil se apresenta como uma possibilidade de vida, produção e realização de inúmeras pessoas que vivem no campo e do campo brasileiro (cerca de 30,8 milhões). Ainda se debate, no entanto, com obstáculos para assim se concretizar, entre eles, o problema da sustentabilidade. Muitos agricultores e agricultoras familiares enfrentam problemas com as condições da propriedade, com a baixa produtividade, com a impossibilidade de superar uma situação de apenas sobrevivência. Entende-se que é preciso superar esses problemas para que essas pessoas possam, contentes e satisfeitas, viver mais dignamente e suas crianças e jovens possam encontrar na Agricultura Familiar horizontes econômicos, políticos e de realização pessoal, dando continuidade a esse sistema produtivo e cultural, mas que essa continuidade possa ocorrer em condições crescentes de humanização. Para que o Programa atinja sua finalidade e seus objetivos, é necessário que consideremos o seu Eixo Articulador como um problema de ordem acadêmica, tecnológica e socioambiental, numa palavra, cultural, sobretudo para os integrantes da Agricultura Familiar, mas também para toda a sociedade brasileira. Portanto, um problema que exige ser equacionado do ponto de vista do conhecimento (acadêmico), do ponto de vista de seu manejo produtivo e comercial (tecnológico e profissional) e de sua inserção na dinâmica econômica nacional e mundial e das condições de vida e crescimento humano de seus membros (socioambiental). Numa palavra, repetimos, cultural. Enquanto um problema complexo, desafiador e decisivo para milhares de pessoas, deve ser tomado como objeto de conhecimento de um programa que se propõe qualificar social e profissionalmente a juventude da Agricultura Familiar ao tempo que são criadas as condições da elevação de sua escolaridade (Conclusão do Ensino Fundamental) e assume o compromisso com a transformação cultural do sistema produtivo do campo brasileiro.

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23 A questão da Agricultura Familiar Sustentável tem todas as condições de ser transformada em PROBLEMA/ OBJETO DE CONHECIMENTO no ProJovem Campo – SABERES DA TERRA, articulando, durante a sua realização, todos os estudos e garantindo a certificação de Ensino Fundamental na modalidade da Educação de Jovens e Adultos e Formação Profissional Inicial. Isso significa tomála como conteúdo educativo do Programa (compreender, explicar e interpretar a vida humana em suas situações concretas e possibilidades a partir das condições da agricultura familiar), ao tempo que garante os conteúdos instrumentais (o desenvolvimento das linguagens artísticas, matemáticas e verbais, essas duas últimas na variação oficial) e os conteúdos operativos (qualificação social: habilidades de elaborar planos, programas e projetos para melhoria das condições para intervenções técnicas e sociais na comunidade e no entorno), além da qualificação profissional do Arco Ocupacional Produção Rural Familiar, contemplando a formação nas Ocupações a ele relacionadas que são prioritárias no Programa: Sistemas de Cultivo, Sistemas de Criação, Extrativismo, Aqüicultura e Agroindústria. Isso significa tomar o Eixo Articulador Agricultura Familiar e Sustentabilidade como problema de estudo (objeto de saber) e objeto de profissionalização (qualificação social e profissional da camada juvenil4 das trabalhadoras e dos trabalhadores da Agricultura Familiar), tendo em vista sua realização humana (profissional, pessoal, política, econômica e existencial).

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Para caracterizar as questões da juventude da agricultura familiar, ver, no Caderno do/a Educando/a, o Texto Via Rural de Ulisses Freitas. Ainda pode ser buscado um resumo com acréscimos da pesquisa de Eliza Guaraná de Castro (2005) (acessar pelo site http://www.alasru.org/ cdalasru2006/ 02%20GT%20Elisa%20 Guaran%C3%A1%20 de%20Castro.pdf), Entre ficar e sair: uma etnografia da construção social da categoria jovem rural, contribuições para o debate. E a Pesquisa Nacional da Educação da Reforma Agrária (PNERA) (2005), DF: MEC/INEP/MDA/INCRA/ PRONERA. Acesso www. inep.gov.br

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conteúdo educativo

conteúdos instrumentais

conteúdos operativos

Compreender, explicar e interpretar situações concretas de vida e propor novas possibilidades a partir da Agricultura Familiar.

Desenvolver linguagens artísticas, matemáticas e verbais, inclusive na variação oficial.

Elaborar planos, programas e projetos, para intervenções técnicas e sociais na comunidade e no entorno.

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24 Sendo um problema amplo, complexo e desafiador do qual depende a vida digna de milhões de brasileiros, pensamos que esse desafio pode ser desdobrado em cinco eixos temáticos, para ser equacionado adequadamente, a partir de sua compreensão, explicação e intervenção. Portanto, entende-se ser necessário conhecê-lo em suas contradições, conflitos, ambigüidades e possibilidades, criando as condições de expressar esse conhecimento nas diversas linguagens para potencializar a vida e garantir as condições de uma existência cada vez mais humana na Agricultura Familiar brasileira. Pensamos, dessa forma, dar conta da complexidade e da importância do mesmo. Cada um desses Eixos Temáticos será estudado em suas problemáticas acadêmicas, tecnológicas e socioambientais. Essas dimensões serão identificadas e estudadas pelo/a educador/a e pelo/a educando/a, no Tempo Escola e no Tempo Comunidade, garantindo os conteúdos pedagógicos (educativos, instrumentais e operativos) e desenvolvendo condições mais amplas e consistentes de humanização. A proposta do Percurso Formativo do ProJovem Campo – Saberes da Terra realiza-se por meio de processos investigativos e de atividades de Pesquisa (de campo e bibliográfica), tanto do/a educador/a como do/a educando/a, a qual estamos denominando de PESQUISA DIDÁTICA.

Problemas da agricultura familiar Pouca terra, Baixa produtividade, Como superar a mera agricultura de sobrevivência?

Pôxa será que a gente vai dar conta de entender de cultura, gênero, etnia, sistema de produção, políticas públicas, economia solidária e desenvolvimento sustentável?

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A Pesquisa no Processo Didático ou Pesquisa Didática N

o âmbito dos processos investigativos, distinguimos a pesquisa didática, docente e discente, como meio de realizar os processos de ensino e aprendizagem da pesquisa profissional, aquela realizada pelos cientistas para fazer suas teses doutorais ou produzir tecnicamente um novo conhecimento. Essas diferentes formas de pesquisa não são idênticas. Uma coisa é a pesquisa profissional de cientista para produzir tecnicamente novos conhecimentos. Outra é a pesquisa didática para ensinar e aprender em conjunto, por meio da Práxis Pedagógica (articulação entre teoria e prática).

Todas essas modalidades de pesquisa (didática e profissional) têm, no entanto, elementos ou características comuns. Todas são atividades acadêmicas na busca por novos conhecimentos e pelo aprofundamento de um determinado conhecimento. Assim, a pesquisa profissional e a pesquisa como instrumento didático tanto da formação do/a educando/a como da formação do docente podem ser aproximadas do que, na América Latina, é denominado de Pesquisa-Ação Participante5. Arf, arf, arf... Sustenta Edu que a gente chega lá... Vou meter esse girassol em quem fala e não pedala.

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Indicação de leitura: Epistemologia e pesquisa participante: Constrói-se o conhecimento em cooperação? Emilio Luis Lucio-Villegas Ramos. 5

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Entendi que pesquisar é fazer um monte de perguntas... Mariinha me ama? Pois ela vive me maltratando...

Perguntas? Hummm... Dá pra trabalhar no campo e vender na cidade? Por que quando uma lavoura produz muito o seu preço cai?

Perguntas? Vamos perguntar coisas sérias. Se dá tanto trabalho fazer rotação de cultura... porque os técnicos a aconselham?

Em que se aproximam? Em que se afastam? E por que são maneiras de realizar pesquisas? A base comum de quaisquer formas de pesquisa é a busca, a indagação, a procura, a reprocura, a curiosidade pelo desconhecido ou pouco conhecido, a constatação, a intervenção, a comunicação, a busca de outras formas de explicação, de interpretação e de compreensão do que acontece com cada um de nós, com os outros, com nossas relações, com o universo, a Terra, a cultura, as instituições, entre outros desejos que temos. Enfim, o objetivo de qualquer pesquisa é produzir saberes sobre nossos relacionamentos (FREIRE, 1996). Arquivo: Revista Agriculturas experiências em Agroecologia Mulheres do semi-árido do Rio Grande do Norte constroem uma cisterna, realizando um trabalho tradicionalmente masculino.

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A pesquisa didática e a construção dos conteúdos pedagógicos Consideramos a pesquisa didática necessária ao processo de ensino-aprendizagem do/a educando/a e do/a educador/a e de sua formação no plano pessoal e profissional. A pesquisa como meio de formação permanente dos/as educadores/as torna-se processo de autoformação. O/a educador/a, para ensinar, tem que pesquisar sobre o conteúdo que vai ensinar e sobre as melhores formas de trabalhá-lo com o/a educando/a. Para ensinar, precisa pesquisar sobre o que vai ser objeto do ensino: os conteúdos, os programas, os temas, os problemas... Isso porque as informações que se têm do senso comum certamente não serão suficientes para o bom desempenho docente. A ciência está sempre progredindo, os problemas se complexificando e os/as educandos/as chegando aos centros de aprendizagem cada vez mais inquietos/as ou desinteressados/as. Além do conteúdo do objeto de ensino, o/a educador/a ainda tem que pesquisar sobre as melhores formas de trabalhar o objeto de conhecimento com o/a educando/a para que este(a) tire o maior proveito dos processos de ensino e aprendizagem e se aperfeiçoe pessoal e profissionalmente, amplie sua cultura e a compreensão de si mesmo, dos outros e do mundo. A pesquisa docente, portanto, não se pode reduzir apenas à busca pelos conceitos científicos para a explicação do tema, a solução do problema ou o esclarecimento do centro de interesse dos/as educandos/as e do processo educativo. Foto Arquivo Cetap/Curso sementes César 13/11/2006

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Na construção dos conteúdos pedagógicos, não são suficientes a ciência ou os conceitos. É necessária uma cognição plena, embebida de ética, estética, política e técnica. Os conteúdos pedagógicos têm, portanto, que garantir as condições da construção da sabedoria e não apenas de conhecimentos. Os conteúdos pedagógicos aqui são entendidos como conteúdos educativos, instrumentais e operativos, dimensões que lhes são intrínsecas. Os conteúdos educativos dizem respeito a tudo o que implica a compreensão, a interpretação, a explicação da existência humana em sua diversidade, nas contradições, ambigüidades, conflitos e possibilidades. Esse processo é uma exigência fundamental para nossa conformação como humanos. Cria as condições de nossa formação humana. Os conteúdos educativos, sozinhos, não são suficientes para nossa formação. Necessário se faz expressar, documentar a compreensão por meio das linguagens verbais, matemáticas e artísticas para garantir a comunicação entre nós. Sem comunicação interpessoal e coletiva, não avançamos na nossa humanização. Sendo assim, o domínio dos conteúdos instrumentais é o desenvolvimento da capacidade de sua documentação por meio das linguagens verbais, artísticas e matemáticas que são, também, imprescindíveis. Quando falamos em conteúdos instrumentais, estamos nos referindo às linguagens humanas (verbais, matemáticas e artísticas), inclusive utilizando os instrumentos mais modernos das tecnologias da informação e da comunicação.

Arquivo MEC/Piauí

Não basta compreender, interpretar, explicar e expressar a realidade natural, cultural, nossas relações e a nós mesmos. É preciso, pois, desenvolver a capacidade de fazer projetos para transformar aqueles aspectos que, segundo nossos valores humanos, são identificados como negativos e impedem nosso crescimento. Igualmente, é fundamental o desenvolvimento da capacidade de elaborar projetos pessoais e coletivos de ação transformadora (conteúdos operativos) que garantam as condições de mudanças qualitativas na sociedade no sentido de que ela proporcione as condições de nosso crescimento humano individual e coletivo. Esses projetos, programas e planos podem ser oferecidos à sociedade local, municipal, estadual e nacional para que todos, inclusive as autoridades, possam agir no sentido de nossa humanização.

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Edu não basta tecnologia, tem que ter sabedoria! Oh, Deusa das Águas posso me transformar num cara mais fortão?

Realizar o Processo de Ressocialização do/a Educador/a A pesquisa docente, na busca pelas idéias, pelas noções, pelas concepções, pelos conceitos, analisa suas implicações éticas, políticas, estéticas e técnicas. Estamos propondo um processo de recognição6 desses conceitos, idéias, categorias, concepções ou noções a fim de que possamos vê-los de outra forma. Estabelecida uma outra compreensão, realizado um processo de recognição, poderemos lutar pela reinvenção da práxis pedagógica escolar para que ela contribua com a reinvenção das relações sociais, das culturas e de nós próprios.

Cognição: s.f.1 processo ou faculdade de adquirir um conhecimento (HOUAISS, p.754).

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Reinventando a práxis pedagógica da Educação do Campo, poderemos contribuir, portanto, com outra práxis social na medida em que nossos/as educandos/as serão profissionais, políticos, trabalhadores, não apenas para respondermos aos seus desejos pessoais, mas à necessária transformação da sociedade em que vivemos como condição de realização de seus desejos. Estaremos dando nossa contribuição para termos uma vida digna e vivermos bem, alegres e expansivos.

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Foto: Nina Fideles - Arquivo MST Dia Internacional da Mulher - Fora Bush na Avenida Paulista 09/03/2007

Essa nova cognição (processo de recognição) poderá resultar em outras formas de fazer e de sentir o nosso trabalho docente, de nos fazermos, enquanto educadoras e educadores, mais humanos na atuação profissional, social e nas nossas relações com o nosso meio natural e cultural. Isso conformaria um processo de reinvenção. Se acontece uma reinvenção permeada por uma recognição, configura-se a ressocialização. Constitui-se um novo saber. Deu-se a ressocialização. A ressocialização, então, situa-se no campo da sabedoria (gnosiologia7). Não se está a afirmar que esse novo saber seja necessariamente um saber melhor que os anteriores. É diferente. O desejo, porém, é que seja mais amplo, mais completo e mais consistente para a ação de cada um como pessoa, como profissional. Portanto, atingir-se-ia um saber melhor. Se assim for, dar-se-á um processo de aprendizagem, acontecerá a educação encarada positivamente. E pensamos que falar de ressocialização só tem sentido nessa direção.

Gnosiologia: FIL teoria geral do conhecimento humano, voltada para uma reflexão em torno da origem, natureza e limites do ato cognitivo. HOAUISS, p.1461.

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Pode, entretanto, se dar o contrário, ou seja, pode acontecer uma educação negativamente, ou uma deseducação, pois duas outras atitudes são possíveis diante de novas informações: a rejeição pura e simples da nova informação, ou a adesão cega às novas informações. Essas duas formas não as consideramos como aprendizagem.

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Arquivo MST

O que vamos fazer? i Quemevnaar? coord Lista de material

Quem a Qua vai puxar no Sã drilha o Joã o?

Certamente, por isso, afirma Freire (1996, p. 32 e 33): A curiosidade ingênua, de que resulta indiscutivelmente um certo saber, não importa que metodicamente desrigoroso, é a que caracteriza o senso comum. O saber de pura experiência feito. Pensar certo, do ponto de vista do professor, tanto implica o respeito ao senso comum no processo de sua necessária superação quanto o respeito e o estímulo à capacidade criadora do educando. Implica o compromisso da educadora, do educador com a consciência crítica do educando cuja “promoção” da ingenuidade não se faz automaticamente.

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32 Parece-nos evidente que a direção mais correta na construção do saber é a pesquisa como elaboração crítica de saberes. A pesquisa é a fonte do saber. Não é, contudo, apenas a pesquisa docente a fonte do saber. As outras formas de pesquisa não deveriam fugir dessa perspectiva. Tanto a pesquisa enquanto processos específicos de produção de conhecimentos/ sabedorias, a pesquisa do investigador profissional, como a pesquisa enquanto instrumento didático para as atividades em sala de aula e da autoformação da educadora e do educador. Será importante que cada educadora, cada educador, bem como o coletivo docente de cada escola do ProJovem Campo – Saberes da Terra, desenvolva processos de reflexão que explicitem como têm sido vividas a pesquisa docente e a pesquisa na formação contínua, no cotidiano escolar, bem como a pesquisa discente. De modo especial, escrevam os resultados desses processos reflexivos. Habituemse, portanto, a escrever diariamente a crônica de suas descobertas e ações. Escrevam o seu Diário Etnográfico, um caderno de acompanhamento das aprendizagens no qual vão sendo documentadas as construções, as dores, os desejos e os avanços de cada um/a. Teremos, no final, o mapa cultural de cada educadora e de cada educador. Além de uma matéria-prima excelente para trabalho final (a monografia: síntese final do crescimento intelectual) de cada docente. Vão elaborando e documentando. Caso contrário, não se ultrapassa a barreira das boas declarações.

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Arquivo MST

Produção de Síntese, Elaboração de Desenhos e Produção de Texto da Turma no Mato Grosso do Sul, professor Florisnaldo 10/08/2007.

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33 Foto: Leonardo Melgarejo Arquivo MST

Concepção de saber ou sabedoria Temos utilizado as palavras saber, sabedoria, saberes. Que poderão elas significar? Na concepção de um filósofo francês chamado JeanFrançois Lyotard (1990), o saber ou a sabedoria é uma síntese da cognição, da ética, da estética, da técnica e da política. O saber é uma formulação que implica todas essas dimensões. Sua concepção se aproxima da idéia do que afirmamos quando dizemos: “Fulano é um sábio”. A sabedoria inclui o conhecimento (idéias), porém é mais ampla do que o conhecimento. Pois, além da dimensão cognitiva (cognição, idéias, conceitos, noções, categorias, concepções), inclui os aspectos éticos, estéticos, políticos e técnicos. O conhecimento (cognição) é uma dimensão da sabedoria que segue procedimentos específicos na sua produção (epistemologia8). A ciência é apenas um tipo de conhecimento. Um discurso que poderá vir a ser uma tecnologia. A forma mais ampla da intelecção humana é a sabedoria, em seguida o conhecimento. Entre as diferentes formas de conhecimento, há um, o conhecimento científico ou a ciência, que tem muito prestígio no mundo atual porque pode se transformar numa tecnologia produtiva, militar, social ou das comunicações.

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Epistemologia: FIL reflexão geral em torno da natureza, etapas e limites do conhecimento humano; teoria do conhecimento. HOUAISS, p.1180. 8

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34 Arquivo Saberes da Terra/Maranhão

Pedagogicamente, quais as implicações dessas distinções? Para nós, talvez, a primeira e mais importante implicação será a idéia de que na Educação Básica temos de produzir sabedoria e não apenas informar aos/as educandos/ as retalhos de conhecimentos científicos. O objetivo da Educação Básica não é formar historiadores, cientistas, matemáticos, entre outras ilusões que temos a respeito da função da Educação Básica. É, principalmente, produzir com os/as educandos/as saberes que contribuam com a sua construção como humanos e a nossa própria humanidade como docentes. O objetivo da Educação Básica é construir saberes que contribuam com a construção do humano dos seres humanos, inclusive saberes que apóiem a decisão das crianças e dos jovens quanto ao seu futuro profissional e pessoal. Assim, é intuição muito fecunda aquela que afirma: A PESQUISA É UMA FONTE DE SABER. Saber é mais do que conhecer. O conhecer diz respeito apenas à cognição: a formulação lógica e coerente de uma explicação sobre determinado fenômeno natural ou cultural. Ou explicação das relações da natureza e da cultura, bem como de sua importância. O saber implica, além da explicação (cognição, idéias, lógica), a técnica, a política, a ética e a estética. É interessante notar que Paulo Freire se refere ao desenvolvimento da CURIOSIDADE EPISTEMOLÓGICA para garantir OS MOMENTOS DO CICLO GNOSIOLÓGICO. Podemos interpretar essa perspectiva como sendo a de que o conhecimento é apenas um dos momentos do ciclo (o cognitivo) da construção do saber necessário à existência humana: o viver bem, o crescimento humano de todas e todos. Então, o conhecimento científico (epistemologia) está subordinado à construção da sabedoria ou do saber (gnosiologia) nas suas cinco dimensões: a cognitiva, a técnica, a política, a ética e a estética inter-relacionadas. Mas essa construção tem que ser formulada como um todo: sabedoria. A pesquisa docente para o ensino e para sua autoformação como pessoa e profissional, assim como a pesquisa enquanto metodologia de ensino que garante a construção de saberes pelos/as educandos/as é a perspectiva que se assume no ProJovem Campo – Saberes da Terra.

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35 A Pesquisa, inclusive aquela utilizada como recurso didático, exige capacidade de confrontar saberes, de manejar argumentos, de raciocinar logicamente, tirar conclusões e elaborar textos que expressem os resultados dos processos investigativos por meio das linguagens verbais, matemáticas e artísticas. Construção de textos que envolvam, simultaneamente, essas diferentes linguagens de forma competente e na sua versão oficial da língua e das matemáticas. Ultrapassar os limites da curiosidade ingênua e atingir a curiosidade epistemológica. Historicizar, comparar, relacionar, discordar, elaborar novas possibilidades e assumi-las na prática. Pesquisar para construir o muito que temos para saber... Todos esses processos são fundamentados na Educação Popular enquanto uma Pedagogia como Teoria Crítica Geral da Educação que se transforma numa Proposta Pedagógica9. No caso do Programa, a Proposta Pedagógica fundamenta-se na Educação do Campo e adquire corpo por meio de um Projeto Político-Pedagógico10. O ProJovem Campo – Saberes da Terra tem uma proposta em construção que respeita as diversidades do Campo e se recria nas realidades locais em suas práxis pedagógicas nas Escolas ou nos Centros Educativos. Equipe da UFPA e da UFPE

Arquivo Saberes da Terra/Piauí

Referência FREIRE, Paulo. (1996). Pedagogia da autonomia. Rio de Janeiro: Paz e Terra. LYOTARD, Jean-François. (1990). A condição pósmoderna. Rio de Janeiro: José Olympio Editora. SOUZA, João Francisco. (2000). E a educação: que?? A educação na sociedade e/ou a sociedade na educação. Recife: NUPEP/UFPE; Edições Bagaço.

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Compreensão do Projeto Político Pedagógico

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Tempo Escola de Acolhida

1

do Programa ProJovem - Saberes da Terra

O

Tempo Escola de Acolhida marca o início do processo formativo no Programa ProJovem Campo – Saberes da Terra. É o momento de acolher os/as educandos/as e suas famílias na escola para dialogar sobre o Projeto Político Pedagógico, confirmar as matrículas, definir acordos coletivos, orientar as atividades educativas, entre outras. É o primeiro contato e reconhecimento da turma por parte da equipe dos/as educadores/as.

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O Tempo Escola de Acolhida representa o início do Percurso Formativo em que se buscará organizar o primeiro plano de pesquisa que será desenvolvido no Tempo Comunidade. E está estruturado de forma semelhante ao desenvolvimento dos Eixos Temáticos na perspectiva de familiarizar os/as educandos/as e as famílias com a dinâmica cotidiana do Programa. São elementos constitutivos do Tempo Escola de Acolhida: Ementa, Objetivos, Aprendizagens, Tempo Formativo, Jornadas Pedagógicas. Vale lembrar que esses elementos são conceituados no Percurso Formativo.

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1.1. EMENTA Estudo da Escola e da Educação. Concepções e práticas de Educação Popular e Educação do Campo. Estudo da relação entre educação, autonomia político-cultural, desenvolvimento humano e sustentabilidade. Juventude e educação do campo no Projeto PolíticoPedagógico do Programa ProJovem Campo - Saberes da Terra.

1.2. OBJETIVOS • Proporcionar o acolhimento dos/as jovens educandos/as no Programa; • Debater coletivamente o Projeto Político-Pedagógico do Programa; • Construir de forma participativa os acordos de convivência humana e pedagógica;

1.3. APRENDIZAGENS DESEJADAS • Compreensão do Projeto Político-Pedagógico do Programa ProJovem Campo – Saberes da Terra; • Compreensão das concepções e práticas educativas de Educação Popular e Educação do Campo; • Compreensão do Percurso Formativo do Programa e dos elementos que o compõem.

1.4. TEMPO FORMATIVO O Tempo Escola de Acolhida tem seu tempo formativo flexível em termos de Carga Horária, cuja definição é autônoma para cada experiência local do Programa.

• Diagnosticar a realidade dos/as educandos/as; • Planejar participativamente o ano letivo, a organização do trabalho pedagógico e as atividades a serem desenvolvidas; • Construir coletivamente as propostas de atividades do primeiro Tempo Comunidade.

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JORNADAS PEDAGÓGICAS “ACOLHIMENTO DO EU, DO OUTRO, DE NÓS” Arquivo Comissão Pastoral da Terra

OBJETIVO Promover a discussão sobre a história da escolarização e as utopias dos/as educandos/as e da comunidade sobre o papel da escola, possibilitando à equipe de educadores/ as mapear as expectativas iniciais dos/as educandos/ as, dos familiares e da comunidade sobre o Programa.

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QUESTÕES DE PESQUISA São elementos do conjunto do processo pedagógico que permitem visualizar o foco central do processo de formação:

? ? ?

Quem são os meus colegas de turma? Seus interesses são iguais aos meus?

ATIVIDADES PARA INTEGRAÇÃO DE SABERES Momento em que se realizam atividades que possibilitem às/aos educandas/os expressar as concepções e os conhecimentos que se têm sobre a importância da escola na vida da comunidade.

Que conhecimentos eles têm que eu não tenho e que conhecimentos eu tenho que eles não têm?

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Atividade 1

Atividade 2

Ao som da música “E vamos à luta”, as pessoas irão dançar e se apresentar/ cumprimentar/reconhecer...

Circular uma sacola com símbolos que se repetem para que cada participante retire o seu, a fim de formar grupos a partir da repetição dos mesmos. Cada grupo elege palavras ou expressões sínteses respondendo à seguinte questão:

E VAMOS À LUTA Gonzaguinha Eu acredito é na rapaziada Que segue em frente e segura o rojão Eu ponho fé é na fé da moçada Que não foge da fera e enfrenta o leão Eu vou à luta com essa juventude Que não corre da raia a troco de nada Eu vou no bloco dessa mocidade Que não tá na saudade e constrói a manhã desejada Aquele que sabe que mesmo couro da gente Que segura a batida da vida o ano inteiro Aquele que sai do sufoco de um jogo tão duro E apesar dos pesares ainda se orgulha de ser brasileiro Aquele que sai da batalha E entra num botequim Pede uma cerva gelada E agita na mesa logo uma batucada Aquele que manda um pagode E sacode a poeira suada da luta E faz a brincadeira Pois o resto é besteira (Nós estamos pelaí) A partir da música, estimular: Comentários e debates acerca da letra da música e dos objetivos da Jornada de Acolhida.

u

Qual a Escola que temos? • As tarjetas com as palavras eleitas serão afixadas na parte externa de uma caixa. Os grupos farão a socialização de suas produções, debatendo suas relações e implicações políticas e pedagógicas. • Em seguida, os participantes se reagruparão formando quatro grupos com a proposta de responder à questão:

Qual a Escola que queremos? Expressarão suas idéias transformando um dos lados da caixa, que aqui representa a ESCOLA, utilizando os materiais que estiverem dentro e as respostas registradas anteriormente do lado de fora. • Socialização da produção. Dando continuidade, serão lançadas aos participantes novas perguntas. É importante garantir o registro, podendo afixar as respostas (expressões ou palavras sínteses) em mural para que os grupos visualizem suas produções. Perguntas: Como viabilizar a escola que queremos?

? ?

Que ações seriam pertinentes a essa proposta?

TECER PROPOSTAS DE TRABALHO Educador(a)_1_final_16_03_10.indd 40

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Atividade 3

Atividade 4

• Apresentação e discussão sobre o Programa à comunidade e sua relação com a história da escola;

Sensibilização ambiental e visita aos ambientes da escola: reconhecimento e problematização das características dos espaços, da forma de ocupação, organização e uso social dos ambientes e representação gráfica da percepção dos educandos sobre os ambientes da escola; pesquisa de caracterização e reflexão sobre o ambiente, a organização e o funcionamento da escola, como demonstra o exemplo abaixo:

• Mapeamento das expectativas dos educandos, familiares e comunidade sobre o Programa, seus desafios e possibilidades, por meio da utilização de perguntas que estimulem a construção das idéias:

TECER PROPOSTAS DA ESCOLA Será importante garantir a leitura e discussão de textos sobre ESCOLA, EDUCAÇÃO POPULAR e EDUCAÇÃO DO CAMPO.

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SÍNTESES PROVISÓRIAS

Para concluir esse momento, sugerimos que cada educando expresse oralmente seus sentimentos e impressões a respeito de como vislumbra sua participação no Programa a partir dessas primeiras reflexões.

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42 Arquivo Saberes da Terra/Piauí

“ESTUDANDO O AMBIENTE DA ESCOLA” OBJETIVOS u Organizar, analisar as informações provindas da atividade de observação (caminhada pela escola) e realizar debates que permitam o aprofundamento das reflexões sobre as relações e práticas existentes no ambiente escolar. Promover a reflexão sobre a relação entre o uso, a conservação e a sustentabilidade em perspectiva ampla, discutindo o papel da escola e seus sujeitos nesses processos.

u

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PROBLEMATIZAÇÃO Que aspectos positivos e negativos observamos na organização do espaço da escola?

? ?

Por que avaliamos tais aspectos como negativos ou positivos?

?

Quais possíveis ações poderiam ser realizadas para superar os aspectos negativos? Propor aos educandos a reflexão sobre o espaço geográfico da escola e sua transformação ao longo do tempo, sobre o meio ambiente natural e social da escola.

Integração de Saberes - Momento em que se realizam atividades de diálogo para construção de Saberes Integrados em que poderão ser discutidas noções de cartografia, produção de quadros estatísticos e plantas baixas, noções de ecologia, introdução à divisão social do trabalho e produção textual escrita, com o intuito de responder aos problemas estudados. Em seguida, sugerimos que os/as educandos/ as sejam organizados em grupos para aprofundar as atividades referentes ao estudo do espaço geográfico da escola e de seu entorno, do meio ambiente natural e social da escola.

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43 Atividades de organização dos dados sobre o espaço geográfico da escola:

Atividades de organização dos dados sobre o meio ambiente natural da escola:

Atividades de organização dos dados sobre o ambiente social da escola:

1. Desenho do mapa do local (escola e seu entorno), atentando para o registro das dimensões e distâncias observadas e a proporcionalidade em uma escala pré-definida;

1. Levantamento e descrição da vegetação (tipo, quantidade, características);

1. Organização de organograma e cronograma do funcionamento da escola;

2. Elaboração de texto escrito sobre a história do lugar, organizado a partir da conversa com os/as trabalhadores/as mais antigos/as da escola e os moradores do seu entorno;

2. Caracterização do solo (perfil do solo; microfauna; cobertura vegetal);

2. Produção de gráficos com representação da divisão social do trabalho na escola, observado o percentual de participação de homens e mulheres.

3. Desenho do croqui dos prédios escolares, observando iluminação natural e ventilação dos mesmos (posicionamento em relação ao sol e à direção principal do vento); 4. Organização de quadro com descrição das instalações físicas (prédios) e dos equipamentos da escola.

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3. Levantamento e descrição dos animais existentes na escola; Observação: caso a escola não possua espaço com área verde, buscar desenvolver a atividade num bosque, terreno próximo à escola, vizinhos, etc.

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44 Atividade de socialização, problematização e debate sobre os dados organizados Agora, em plenária, sugerimos que os/as educandos/as socializem as produções dos grupos e realizem debates, problematizando a compreensão sobre espaço geográfico, ambiente natural e ambiente social escolar. Abaixo apresentamos algumas questões para orientar o debate:

?

Como analisamos o ESPAÇO GEOGRÁFICO DA ESCOLA e sua transformação ao longo do tempo?

? ? ?

O que será preciso transformar neste espaço?

SÍNTESES PROVISÓRIAS Para concluir este momento, sugerimos que cada educando/a produza um texto escrito, tomando as questões do debate como referência e respondendo às seguintes questões:

? ?

Que relações percebemos entre as três dimensões estudadas?

Qual é a nossa compreensão do papel do ser humano na transformação e conservação do ambiente?

?

Como envolver todos e todas no compromisso de conservação do ambiente escolar?

Que ações poderemos organizar neste sentido?

Que responsabilidades/tarefas assumimos para contribuir neste processo? E sobre o MEIO AMBIENTE NATURAL DA ESCOLA, que análises fazemos? (Sugerimos trabalhar as mesmas questões, ou novas, de acordo com o interesse do grupo).

?

Que análises fazemos sobre o AMBIENTE SOCIAL ESCOLAR e o funcionamento da escola?

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45 Arquivo: Revista Agriculturas - experiências em Agroecologia

“Conhecendo a turma de educandos/as” OBJETIVOS u Conhecer o perfil social, cultural e econômico da turma, as características dos saberes dos/as educandos/as e as motivações que os fizeram aderir ao Programa; Identificar interesses e expectativas relacionadas à formação;

u

Provocar entre os/as educandos/as processos de reflexão e de autocrítica sobre suas comunidades e famílias.

u

Organizada em forma de jornada pedagógica, a realização do diagnóstico visa também propiciar aos/às educandos/ as o contato com metodologias e instrumentos desse tipo de pesquisa.

QUESTÕES PARA REALIZAÇÃO DO DIAGNÓSTICO A proposta de diagnóstico aqui apresentada é de ser uma atividade de pesquisa dos/as educadores/as sobre o perfil da turma de educandos/ as, constituindo-se num importante instrumento para coleta, sistematização e análise de dados com vistas a (re)conhecer os múltiplos aspectos que caracterizam cada um dos/as educandos/as.

?

Qual a condição sócioeconômica dos/as educandos/as e de suas famílias?

? ?

Que elementos caracterizam a cultura dos/as educandos/as e de suas famílias?

Que responsabilidades os/as educandos/as assumem junto às suas famílias e comunidades?

? ? ?

Que idéias os/as educandos/as constroem sobre si mesmos e suas famílias? Quais as características dos saberes já construídos pelos/as educandos/as?

Quais os interesses e expectativas dos/as educandos/as em relação à formação a ser oferecida pelo Programa?

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46 Arquivo: Revista Agriculturas - experiências em Agroecologia

INTEGRAÇÃO DE SABERES – A realização do diagnóstico dos/as educandos/as pode contribuir com o reconhecimento do grupo, além do aprendizado sobre como organizar diferentes tipos de diagnósticos (a depender do interesse dos participantes): a entrevista como recurso de pesquisa; o questionário como instrumento de entrevistas; caracterização da comunidade e da família; as expressões artísticas como forma de representação de idéias, sentimentos e identidades em diferentes realidades. Sugerimos que para realização da atividade seguinte, em conversa com os/as educadores/as, cada educando/a possa, de próprio punho, preencher um questionário dando informações de si e de sua família.

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DIAGNÓSTICO DE APRENDIZAGENS Fundamental para o processo avaliativo, o diagnóstico de aprendizagens objetiva: identificar e perceber principalmente questões sobre o domínio da leitura, da interpretação, da escrita, da elaboração crítica e sobre o desenvolvimento do pensamento lógico-matemático dos/as educandos/as. Sugerimos que esse diagnóstico seja realizado a partir da análise do próprio questionário preenchido pelos/as educandos/as e por meio de atividades pedagógicas diversificadas, tais como produção de textos, resolução de problemas, produção artística, etc. Apresentamos no Anexo 1 uma PROPOSTA DE ROTEIRO PARA ENTREVISTA.

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47 PARA LER, REFLETIR E DEBATER

Elogio ao aprendizado

Bertold Brecht

Aprenda o mais simples! Para aqueles cuja hora chegou Nunca é tarde demais!¬ Aprenda o ABC; Não basta, mas aprenda! Não desanime! Comece! É preciso saber tudo! Você tem que assumir o comando! Aprenda, homem no asilo! Aprenda, homem na prisão! Aprenda, mulher na cozinha! Aprenda, ancião! Você tem que assumir o comando! Freqüente a escola, você que não tem casa! Adquira conhecimento, você que sente frio! Você que tem fome, agarre o livro: é uma arma. Você tem que assumir o comando! Não se envergonhe de perguntar, camarada! Não se deixe convencer Veja com seus olhos! O que não sabe por conta própria, não sabe! Verifique a conta, é você que vai pagar. Ponha o dedo sobre cada item Pergunte: o que é isso? Você tem que assumir o comando!

SÍNTESES PROVISÓRIAS A análise das produções dos/as educandos/as, desde o questionário preenchido até a produção artística, deve subsidiar o trabalho dos/as educadores/ as na construção de mapas de dados da turma, que se constituem em material para subsidiar o processo avaliativo. Esses produtos podem ser: Quadro dos dados pessoais dos/ as educandos/as identificando, no conjunto da turma, sexo, etnia, níveis de escolarização, condição socioeconômica, etc.

u

Mapa de aprendizagens dos/as educandos/as para identificar os níveis de aprendizagem como domínio da escrita, leitura e expressão oral, artística e matemática.

u

Parecer individual e geral sobre o diagnóstico da aprendizagem elaborado pelos educadores após a análise do resultado das atividades.

u

Para concluir as atividades dessa jornada, sugerimos a organização de um evento de confraternização em que os/as educandos/as, individualmente e/ou em grupos, socializem produções como poemas, músicas, pinturas, etc. É um momento em que os/as educadores/as poderão identificar também os diferentes saberes que os educandos possuem.

ATIVIDADES - Sugerimos que, após a leitura e o debate do poema de Bertold Brecht, cada educando/a produza um texto escrito relacionando o poema com o significado de seu ingresso no Programa. - Propor, em seguida, que os/as educandos/as expressem artisticamente que expectativas ou sonhos desejam realizar no Programa.

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48 Caro educador e cara educadora: Como resultado do diagnóstico, este material se constituirá em um primeiro inventário sobre a realidade em que vivem os/as educandos/as, em uma caracterização das aprendizagens (escolares) apropriadas pela turma. Uma nova reflexão dos/as educadores/ as sobre os mapas de dados deve ajudar a gerar uma síntese que aponte as necessidades de aprendizagens do grupo. Seu processo educativo deve promover a (re)construção e os elementos da pesquisa (questões de investigação e metodologia) a serem desenvolvidos durante o processo formativo. A cada etapa do diagnóstico, constituindo-se como elementos de um processo contínuo, as avaliações realizadas e as sínteses produzidas ajudarão a dar o direcionamento da formação e da pesquisa, a partir das demandas de cada turma. Resultam desse processo a definição local dos objetivos, a seleção contextualizada dos saberes necessários e dos procedimentos metodológicos que devem compor o processo formativo. Ou seja, o diagnóstico contribuirá para os/as educadores/as (re)construírem a proposta apresentada pelos Cadernos Pedagógicos do Programa ProJovem Campo – Saberes da Terra. Dessa forma, possibilita a construção e inclusão de novas proposições, que contemplem as questões próprias de cada contexto, consolidando assim um processo pautado pela pesquisa e estudo da realidade dos sujeitos educativos, sugerida pelo Programa originalmente, o que se coloca como objetivo fundamental dos Cadernos.

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“CONSTRUÇÃO DE ACORDOS COLETIVOS E ORGANIZAÇÃO DE GRUPOS DE ESTUDO E TRABALHO” OBJETIVOS u Realizar um momento coletivo de discussão com a turma para a construção de acordos de convivência ética, humana e pedagógica. Organizar grupos de estudo e trabalho que permitam dinamizar o processo educativo na escola.

u

PROBLEMATIZAÇÕES Que comportamentos e relações podemos desenvolver, individual e coletivamente, para conviver dignamente?

? ?

Que acordo devemos firmar para referendar nossos compromissos com uma convivência ética, solidária e humana?

?

Como devemos nos organizar para afirmar uma convivência ética, solidária e humana durante o processo de formação proposto pelo Programa?

?

Que responsabilidades devemos assumir, individual e coletivamente, para dinamizar o processo educativo na escola?

?

Como contribuir com uma estrutura que democratize a gestão pedagógica da escola? A escola precisa ser entendida como sujeito-coletivo através do qual se desenvolva um processo pedagógico dialógico, que estimule vivências e aprendizagem de saberes para ajudar homens e mulheres a (re)educar o seu modo de pensar-sentir-agir, individual e coletivamente, na perspectiva da sua afirmação como sujeitos éticos, solidários e comprometidos com uma vida digna para todos.

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ATIVIDADE • Divisão da turma em pequenos grupos para discutirem e responderem às problematizações. • Socialização das produções. • Debate para escolha das prioridades do grupo.

Assembléia Geral da Escola: construção de Acordos de Convivência Momento para realizar dinâmicas e vivências pedagógicas para que possam ser debatidas e respondidas pelo grupo as questões propostas, como, por exemplo:

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Como devemos organizar os tempos e as tarefas cotidianas (rotina diária) da escola para assegurar uma convivência digna dos sujeitos educativos no ambiente escolar? u Como deveremos agir, individual e coletivamente, diante dos fatos que venham ferir tal acordo e prejudicar tal convivência? u

O grupo poderá eleger outras perguntas, de acordo com seus interesses e necessidades. Em seguida, redigir o ACORDO COLETIVO DE CONVIVÊNCIA. Integração de Saberes – Este é um momento que envolve Saberes Integrados relacionados à ética e relações humanas; organização social e pedagógica; diversidade cultural e de gênero; cidadania, direitos e deveres; democracia participativa e auto-gestão; divisão social do trabalho, etc.

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Organização dos Grupos de Estudo e Trabalho Sugerimos a composição de grupos com média de seis educandos, que podem ser organizados reunindo diferentes sujeitos por sexo, idade, religião, origem étnica, experiência de vida, comportamentos, aprendizagens, etc. Tal organização objetiva promover entre os/ as educandos/as o diálogo de saberes, a colaboração no estudo e o encontro, o reconhecimento, a compreensão e o respeito para com as diferenças e a diversidade cultural que caracterizam a sociedade humana. Propomos que os grupos se constituam na base de organização, a partir da qual os/as educandos/as se organizem para desenvolver em conjunto suas atividades de estudo (leituras, pesquisas, etc), trabalhos escolares (seminários, produção de relatórios, etc), trabalhos práticos (manutenção do espaço da escola, produção agrícola, etc), a avaliação do processo e a auto-avaliação (crítica e autocrítica). Ao longo do Programa, cada grupo elegerá coordenadores para um determinado período, sendo substituídos por outros, dando chance, assim, de todos atuarem na coordenação.

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Assim, a organização dos grupos pode também promover entre os/as educandos/as experiências e construção de saberes, que lhes permitam, futuramente, planejar, organizar e coordenar atividades pedagógicas, políticas, culturais, etc, em seus assentamentos, associações, sindicatos etc. Sugerimos, também, que cada educador/a assuma alguns grupos de educandos/as como referência, por um determinado período, contribuindo na orientação das atividades, na avaliação da aprendizagem, etc, buscando assim uma melhor aproximação, diálogo e acompanhamento do desenvolvimento da aprendizagem dos/as educandos/as. SÍNTESES PROVISÓRIAS Exposição dos documentos construídos coletivamente a partir da assembléia: o Acordo de Convivência; o Organograma da Rotina Escolar; a lista de composição dos grupos e de seus/suas educadores/as.

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51 Arquivo: Revista Agriculturas - experiências em Agroecologia

“PROPONDO A CONSTRUÇÃO DO PLANO DE PESQUISA” Ao assumir a pesquisa da realidade como o ponto de partida do processo de formação, qualificação social e profissional, é preciso compreender que as questões de pesquisa são elaboradas tendo como referência cada Eixo Temático e o diagnóstico do perfil da turma, que determinam o enfoque central do estudo a ser construído ao longo dos Tempos Formativos. A discussão sobre a Pesquisa como Princípio Educativo foi conceituada e detalhada no item 2.2. do Percurso Formativo, entendida como um dos elementos estruturantes do Programa ProJovem Campo – Saberes da Terra, aliado à organização dos Tempos Formativos (Tempo Escola e Tempo Comunidade).

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Vale ressaltar que o exercício da pesquisa tem em si uma dimensão formativa relacionada ao aprendizado que integra diferentes saberes, pois mobiliza a seleção, o uso e a produção de conhecimentos de diversas áreas, necessários à própria materialização da atividade de pesquisa. A seguir, serão abordadas orientações metodológicas para apoiar o trabalho docente na construção do plano de pesquisa, a partir de um exercício demonstrativo sobre o Eixo Temático Agricultura Familiar: identidade, cultura, gênero e etnia.

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52 1. Definindo as Questões de Pesquisa A definição das questões de pesquisa (questionamentos que fazemos sobre a realidade em estudo) e a organização do plano de pesquisa no Tempo Escola de Acolhida nortearão a organização das atividades do primeiro Tempo Comunidade de estudo sobre o Eixo Temático 1. A definição das questões de pesquisa deve ser baseada na Ementa do Eixo Temático, articulando-as ao Eixo Articulador, ao Arco Ocupacional e aos demais Eixos Temáticos e considerando a síntese do diagnóstico sobre os educandos/as. Propomos, no Anexo 2, algumas questões de pesquisa. 2. Construindo o Plano de Pesquisa A construção do plano de pesquisa requer definição e organização do roteiro de atividades de pesquisa e exige a articulação de conhecimentos sobre o uso de instrumentos de coleta de dados, sobre a produção de relatórios, tabelas, gráficos, sobre a elaboração de análises críticas, etc. Destacamos que todo o processo formativo vivenciado no Tempo Escola de Acolhida, através das jornadas pedagógicas, busca a construção de saberes integrados, com a intenção da aprendizagem de saberes necessários à pesquisa.

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3. Elaboração do roteiro de atividades da pesquisa O roteiro de atividades da pesquisa consiste na organização e sistematização das questões formuladas e na definição das metodologias e dos instrumentos de pesquisa, coerentes com a investigação a ser realizada e articulada, a partir de determinados saberes integrados que ajudem na produção de reflexões e soluções sobre as questões-problema elaboradas. 4. Definição dos Procedimentos de pesquisa (metodologias e instrumentos) Os planos de pesquisa, além de apresentarem as questões de pesquisa, devem contemplar a descrição das metodologias e instrumentos a serem utilizados, que referenciem o exercício investigativo a ser desenvolvido a cada Tempo Comunidade, observando as propostas e as aprendizagens a serem construídas pelos sujeitos educativos. No ANEXO 3 propomos um quadro com sugestões de procedimentos que poderão contribuir na sistematização, com a organização e a análise das informações coletadas, constituindo a operacionalização do roteiro da pesquisa. Sem determinar, porém, a quantidade de alternâncias entre Tempo Comunidade e Tempo Escola, necessárias à realização dos mesmos. Essa definição caberá a cada escola do Programa, de acordo com as condições locais e as características próprias de seu funcionamento (calendário escolar, número de alternâncias, etc).

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Relacionando os saberes integrados Considerando cada Eixo Temático, é fundamental que a seleção de saberes, integrados em cada período de formação, seja realizada juntamente com a elaboração do Plano de Pesquisa, pois permite aos/às educadores/ as organizarem o planejamento das atividades educativas do próximo Tempo Escola. Essa seleção deve ser coerente com a Ementa, as Aprendizagens, as Questões de pesquisa do Eixo Temático e interrelacionadas ao Eixo Articulador, ao Arco Ocupacional e aos demais Eixos Temáticos. Considerando as questões de pesquisa apresentadas, as metodologias e instrumentos propostos, organizamos, no ANEXO 4, algumas sugestões para integração de saberes afins com o Eixo Temático “Agricultura Familiar: identidade, cultura, gênero e etnia” que possibilitam organizar o planejamento da pesquisa em várias dimensões, como, por exemplo: pesquisa sobre histórias da vida dos/as educandos/as, de suas famílias e comunidades, sobre relações sociais e produtivas no processo de ocupação e transformação do ambiente, sobre manifestações culturais das comunidades e das famílias dos/as educandos/as.

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Construindo e registrando a organização das propostas locais Como afirmamos inicialmente, o objetivo central do Caderno Pedagógico dos/as educadores/as é estimular o processo de planejamento e fortalecer a organização do trabalho educativo no cotidiano dos Tempos Formativos (tanto na escola como na comunidade). Propomos um Percurso Formativo que pretende se materializar na formação escolar dialogando com os diferentes contextos nos quais estão inseridos os sujeitos educativos que participam do Programa. Assim, sugerimos que cada educador/a elabore questões de investigação, defina procedimentos de pesquisa e selecione saberes integrados para constituir a proposta pedagógica local. Essa iniciativa pretende garantir a materialização de um processo educativo que atenda às demandas e aos anseios dos/as educandos/as que participam do Programa em cada região do país, em diálogo com as necessidades e especificidades das comunidades de Agricultores Familiares das quais fazem parte.

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54 Fotos Jefferson Rudy Arquivo MinistĂŠrio do Meio Ambiente 11-03-2007. Rio Acre. Local: Acre/Rio Branco

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“PRODUZINDO A SÍNTESE DO TEMPO ESCOLA DE ACOLHIDA”

OBJETIVO Resgatar, sistematizar e apresentar em diversas linguagens as reflexões produzidas e os saberes integrados (re)construídos no Tempo Escola de Acolhida. PROBLEMATIZAÇÃO Qual o papel da escola na formação dos sujeitos, considerando as relações do ser humano em sociedade e na transformação e conservação do ambiente?

?

ATIVIDADE Considerando o conjunto de atividades vivenciadas ao longo do Tempo Escola de Acolhida, as reflexões produzidas e os saberes (re)construídos, sugerimos que os/as educandos/ as elaborem SÍNTESES em diversas linguagens, individualmente ou coletivamente produzam textos escritos, desenhos, poemas, músicas, pinturas, etc, que possibilitem identificar e ressignificar o conjunto de saberes (re) construídos no período.

SÍNTESES PROVISÓRIAS O grupo deverá planejar e organizar a pesquisa a ser desenvolvida no primeiro Tempo Comunidade. A partir da análise das sínteses produzidas, definirão as prioridades e problemas a serem trabalhados e estudados pelos sujeitos educativos.

Educador/a: A partir da análise das produções dos/as educandos/as, poderão ser elaborados pareceres avaliativos, os quais deverão compor o material que constituirá parte do portfólio da turma.

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As diferenças de gênero, idade, etnia que

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EIXO TEMÁTICO 1

Agricultura Familiar: Cultura, Identidade, Etnia e Gênero

singularidades criam em nossa comunidade?

A

problemática de pesquisa sobre a Agricultura Familiar Sustentável, que é o conceito que se deseja construir, de acordo com o Eixo Articulador do Currículo (Agricultura Familiar e Sustentabilidade) do ProJovem Campo – Saberes da Terra, vai começar a ser elaborada pelo estudo do Eixo Temático 1- Agricultura familiar: identidade, cultura, gênero e etnia. No Tempo Escola de Acolhida, foi elaborado um plano de pesquisa a ser realizado no Tempo Comunidade relativo a esse Eixo Temático (Anexo 1). Vamos retomar a problemática que determina as questões de pesquisa, a ementa e as aprendizagens para o Tempo Escola. Essas aprendizagens serão elaboradas nos Círculos de Diálogo como dinâmica da construção coletiva de saberes por meio das Jornadas Pedagógicas ou de outras técnicas didáticas. Vamos construir saberes do Eixo Temático como uma das dimensões do Eixo Articulador. Será a primeira síntese do Eixo Temático 1 a ser construída no Tempo Escola de acordo com a programação de trabalho de cada turma: há um ou vários Tempos Escola.

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58 Foto: Arquivo do MST

Identidade neste eixo é vista especialmente nas dimensões de gênero, de geração e de etnia, bem como nas relações entre o campo e a cidade.

A problemática a ser pesquisada no Eixo Temático 1 será a identidade cultural da Agricultura Familiar, das agricultoras, dos agricultores familiares e dos jovens membros dessas famílias. Identidade, nesse eixo, é vista especialmente nas dimensões de gênero, de geração e de etnia, bem como nas relações entre o campo e a cidade. Dimensões da configuração cultural da Agricultura Familiar e de seus membros. Superar a desvalorização do campo perante a cidade e a própria imagem das jovens e dos jovens rurais como desinteressados pelo meio rural contribui para a visibilidade da “categoria como formadora de identidades sociais e, portanto, de demandas sociais” (CASTRO, 2005, p. 1). Mas parece que esse jovem rural se apresenta longe do isolamento, dialoga com o mundo globalizado e reafirma sua identidade como trabalhador, pequeno produtor familiar, lutando por terra e por seus direitos como trabalhadores e cidadãos. Assim, jovem da roça, juventude rural, jovem rural são categorias aglutinadoras de atuação política. Essa reordenação da categoria vai de encontro à imagem de desinteresse dos jovens pelo meio rural. Apesar dessa ‘movimentação’, esse ‘novo ator’ é pouco conhecido e ainda muito negligenciado pelas pesquisas sobre o tema juventude. Juventude rural também não se apresenta como foco prioritário para as políticas públicas de juventude (CASTRO, 2005, p.2).

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O jovem na roça está antenado com o mundo globalizado. Ele vê o jornal na TV, ouve música da moda, se veste igual ao jovem da cidade, e quer ter celular, computador e internet e dirigir uma moto. Deseja conhecer o mundo e ser feliz na sua terra natal produzindo alimento para o Brasil. Que questões a educação deve propor para o ajudar a ser um jovem no campo que supera os desafios da globalização?

Possivelmente, o ProJovem Campo – Saberes da Terra contribuirá para a visibilização do jovem rural, já que, além de uma política pública, se propõe garantir condições de sua afirmação como sujeito (identidade) do saber, portanto capaz de desenvolver idéias, lutar por terra, por justiça e democracia. Que jovem do campo revelou o levantamento do Tempo Comunidade? Alguns estudos sobre jovem nas comunidades rurais revelam que “um dos pontos centrais são as relações hierárquicas que envolvem a definição de velho e jovem. Só se tornam adultos e, portanto, respeitados nessas comunidades aqueles que assumem a pequena propriedade da família”. Isso acontece na sua comunidade? Os debates sobre juventude, no Brasil, são recentes, arrancam nas décadas de 1980 e 1990, chamando a atenção sobre a diversidade do meio juvenil. Não vêem a juventude como algo homogêneo. Então, um aspecto importante é descobrir essa diversidade. Mesmo entre os jovens e as jovens da Agricultura Familiar deve haver muitas singularidades. É importante identificá-las em nosso estudo. Que singularidades criam em nossa comunidade as diferenças de gênero, idade, etnia? Quase sempre as questões da juventude estão relacionadas com os problemas da escolarização, sobretudo no meio rural, mas também com as questões do lazer. Pensa-se a juventude como jovens que “estão em processo de formação e que ainda não têm responsabilidades, principalmente por não estarem inseridos no mercado de trabalho”. Por isso, afirma Castro no seu estudo sobre jovens de um Assentamento: O peso da transitoriedade aparece como uma ‘marca’ recorrente nas definições e percepções sobre juventude nos mais diferentes cenários e contextos. Podemos afirmar que juventude é uma categoria social que, via de regra, relega aqueles assim identificados a um espaço subordinado nas relações sociais. Paradoxalmente jovem é associado a futuro e à transformação social” (2005, p. 6).

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60 No campo dos meus sonhos tem metrô, carro de boi, helicóptero, pescaria, computador, faculdade, motocicleta e fogueira de São João...

Outro aspecto importante da juventude é a migração. Hoje se constata inclusive que as jovens migram mais que os jovens. A autora acima citada demonstra “que ser jovem rural carrega o peso de uma posição hierárquica de submissão, em um contexto marcado por difíceis condições econômicas e sociais para a produção familiar” (p. 7). E arremata: “os problemas enfrentados pelos jovens são antes de tudo problemas enfrentados pela pequena produção familiar, e suas muitas formas de reprodução, como as difíceis condições de vida e produção. Neste contexto, algumas dificuldades atingem de forma mais direta os jovens rurais” (p. 8). O problema do futuro também se coloca de forma quase dramática, pois, pelo menos no Assentamento estudado por Castro no Rio de Janeiro, “a tendência para esses jovens é uma inserção em condições precárias no mundo do trabalho, para filhos de assentados, ex-assentados, morando ou não no assentamento, ou mesmo ‘jovens urbanos’, sejam homens ou mulheres” (p.9). Será que essa falta de horizonte leva o(a) jovem ao desinteresse pelo meio rural, além dos estigmas de “matuto”, “caipira”, “tabaréu”? Por outro lado, apareceram, também nos últimos anos, muitas “manifestações de organizações de juventude rural cada vez mais presentes no cenário nacional. Juventude rural é hoje uma categoria acionada para organizar aqueles que assim se identificam nos movimentos sociais no campo. ... a presença cada vez mais massiva de organizações de juventude aponta para um fenômeno em movimento” (p. 10)”.

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61 Como andam, em sua comunidade e no território, os processos organizativos dos jovens e das jovens da Agricultura Familiar? Para a autora, “as demandas apresentadas por essas formas de organização revelam muito sobre como esses jovens se percebem. Se, por um lado, reforçam questões consideradas específicas, como acesso à educação e à terra, por outro, constroem essas demandas no contexto de transformação social da própria realidade do campo” (p. 10-11). As identidades da juventude, dos jovens e das jovens estão sendo construídas pela circulação desses jovens em diferentes espaços percebidos como ‘urbanos’ e ‘rurais’, assim como por relações de autoridade e hierarquia, tanto na família quanto nas esferas coletivas de organização do assentamento e das comunidades rurais. A tese confirmou, por um lado, a tensão entre ‘ficar e sair’ do meio rural. Por outro, demonstrou que essa ‘saída’ é diferenciada e varia de acordo com processos de socialização no meio rural, gerando os mais diversos arranjos dos filhos com o lote da família (p. 11). Eu acredito é na rapaziada Que segue em frente e segura o rojão Eu ponho fé é na fé da moçada Que não foge da fera e enfrenta o leão...

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62 Vocês encontram casos parecidos com esses em sua comunidade, no território? Outro aspecto importante na construção das identidades da juventude rural é a pressão das “mudanças e crises da realidade do campo. A realidade cotidiana que atinge a pequena propriedade familiar recai fortemente sobre os ‘jovens rurais’. Mas, também, ‘ser jovem’ no campo implica enfrentar ‘antigos’ problemas, como o peso da autoridade paterna. Essas relações são reveladoras das construções e disputas de significados da categoria juventude rural e da posição que os assim identificados ocupam na hierarquia das relações sociais” (p. 11). A juventude, paradoxalmente, é encarada, ao mesmo tempo, com uma certa desconfiança por adultos e por outros como a salvadora do mundo, o seu futuro. Como tratar essa contradição? De um lado, reforça-se a imagem de jovem trabalhador (a) e estudioso(a) no discurso, mas, na prática, não há confiança para que ele e, principalmente, ela, possam circular autonomamente. Se os rapazes são controlados quanto aos locais que freqüentam fora do assentamento, principalmente à noite, as moças não têm autorização para circularem sozinhas, têm que estar sempre em companhia de algum parente do sexo masculino. Embora a violência seja um Arquivo do Cetap Mudas de Cebola

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63 Arquivo do MST

elemento concreto na região (Baixada Fluminense) e reconhecido por todos, o controle dos pais vai muito além da preocupação com a exposição à violência urbana. Envolve a escolha de namorados e mesmo a proibição do namoro. Isto não é apenas característica de um período, uma idade específica. O controle é exercido enquanto o ‘jovem’ estiver vivendo com os pais, principalmente no caso das filhas, o que reforça a ‘saída’ de casa e do assentamento como forma de alcançar autonomia (CASTRO, 2005. p. 12). Mas há, também, outra imagem desses jovens: como capazes de transformar, de criar o novo. Que imagens predominam entre os/as educadores/as, autoridades e os adultos de sua comunidade sobre a juventude? Em entrevistas com jovens, Castro identifica que as relações de autoritarismo não se restringem ao âmbito doméstico, estendendo-se para contextos coletivos do assentamento. Os jovens entrevistados afirmam que são tratados com descaso por parte dos adultos em determinados espaços, principalmente nos espaços de decisão política do assentamento, como assembléias e reuniões da associação. Essa ‘queixa’ não é localizada, pois a encontramos nos relatos dos jovens do acampamento pesquisado, e mesmo em relatos em outros contextos, como nos eventos nacionais e regionais já citados, e, ainda, na fala de lideranças reconhecidas de movimentos sociais rurais” (p. 12).

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64 A gente só toma café depois de dar milho pros bichos. Só pode fazer o que pai e mãe querem! Mas, a gente pode dirigir o trator, ter um dinheirinho pra festa...

Beto lembra pra tua mãe também me levar pra festa, viu? Por que senão eu não vou poder ir.

Ah, ah, ah. Vou perguntar se eu e Edu já temos idade para irmos sozinhos. Ah, ah, ah...

E mais, os que são identificados como jovens carregam uma imagem marcada pelo descompromisso e desinteresse, associada à falta de legitimação como produtor rural. Recai sobre eles uma construção ainda mais complexa das percepções dominantes sobre ‘ser rural’ em um mundo urbano. São estigmatizados em espaços urbanos através de identificações como a de roceiro e, em casa, são tratados como ‘muito urbanos’ para terem interesse pela terra. Esse fator reforça a deslegitimação social da atuação dos que são identificados como jovens em espaços de representação e organização nos assentamentos e acampamentos. As jovens sofrem ainda mais com a forte presença da autoridade paterna, e se a atuação dos jovens em espaços de direção e/ou decisão é conflituosa para os homens, para as jovens é inexistente (CASTRO, 2005, p. 12). Comparem essas informações científicas com as informações dos seus educandos. O que eles próprios pensam? E o que pensam deles(as) as famílias, os religiosos, as autoridades do lugar?

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65 E a questão da organização de grupos formais de jovens na comunidade, na sede do município, no território, como anda? Há grupos de jovens das igrejas? Dos partidos? Grupos culturais? A autora afirma que a intensa atuação dos mesmos indivíduos em outros contextos, em que a categoria é materializada em grupos formais, como em grupos de jovens de igrejas, permite a leitura que reforça a auto-identificação e apreensão da identidade jovem como categoria social, configurando ações e representações sociais. Os espaços religiosos ou organizados por agentes religiosos observados no processo etnográfico se apresentam como espaços que permitem mais autonomia para aqueles que se organizam sob a identidade de juventude do que nos espaços organizativos dos assentamentos e acampamentos (p. 13-14). A partir da identificação dessa problemática complexa e diversa do Eixo Temático 1, foi possível determinar a ementa (caracterização do que vai ser estudado no eixo temático), as questões de pesquisa no Tempo Comunidade (aspectos a serem observados e diagnosticados na família, na comunidade, na sede do município), as aprendizagens (aspectos que deveremos aprofundar e sobre os quais formular nossa compreensão). Foi possível também determinar o que vamos fazer nos Círculos de Diálogo por meio das Jornadas Pedagógicas ou de outras técnicas didáticas para que construamos nossos saberes sobre as implicações das questões étnicas, de gênero, de gerações na identidade e na cultura da agricultura familiar e de seus membros adultos e jovens. Foto: Cristiane Passos Enterro simbólico do agronegócio. Arquivo CPT

E a questão da organização de grupos de jovens na comunidade, na sede do município, no território como anda? Grupos de jovens das igrejas? Dos partidos? Grupos culturais?

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Ementa Estudo das relações sociais no processo histórico de produção econômica e cultural da Agricultura Familiar. Seus problemas e potencialidades culturais nas dimensões de gênero, etnia, geração e identidade. Estudo das ocupações e transformações do ambiente, das diferentes concepções de Agricultura Familiar e das relações campo-cidade.

Neste eixo temático, desejamos estudar/ pesquisar/intervir a/ na Agricultura Familiar considerando a cultura - especificamente nos aspectos de gênero, de geração, de etnia que conformam sua identidade coletiva e as identidades de seus membros - produzida ao longo do processo histórico brasileiro – e como hoje elas se configuram. E suas relações com a cidade.

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Os estudos deverão ser feitos sempre a partir da compreensão das agricultoras e dos agricultores familiares sobre a história da agricultura familiar e das histórias de vida dos/ as educandos/as. Vamos denominar esses saberes de saberes populares. É preciso elaborar uma síntese desses saberes. Ela vai ser muito importante na construção de novos saberes.

Desse confronto deve surgir um novo saber sobre a cultura da Agricultura Familiar, sua identidade, sua composição etária, étnica e de gênero. Devemos construir uma síntese final desse novo saber produzido no processo de pesquisa como instrumento didático (pesquisa docente e pesquisa discente). Esse saber será uma contribuição para a construção da concepção de Agricultura Familiar Sustentável.

Vamos pesquisar sobre as mesmas questões nas ciências humanas sociais, agrícolas e nas tecnologias. É preciso construir também uma síntese dos saberes científicos e tecnológicos para fazermos um confronto com as sínteses dos saberes populares das quais falamos no parágrafo anterior.

Esperamos, nessa síntese, compreender as relações sociais e produtivas no processo de ocupação e transformação do ambiente, valorizando as Manifestações Culturais das comunidades e de suas famílias e fornecendo elementos para a formulação de Projetos de vida das educandas e dos educandos.

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Questões de Pesquisa É reapresentado, no Anexo 1, um conjunto de questões de pesquisa que pode ter sido objeto do diagnóstico da comunidade (agricultura familiar) para as informações que ajudarão na construção do nosso entendimento sobre o Eixo Temático I. O ideal é que sejam trabalhadas a partir da história de vida dos/as educandos/as e de suas famílias no confronto com a contribuição dos diversos saberes científicos (das ciências humanas sociais: história, geografia, economia, sociologia) e tecnológicos (as formas de trabalhar

a terra, a produtividade, a preservação e a promoção do meio ambiente) para construir uma compreensão alargada e aprofundada da Agricultura Familiar: identidade, cultura, gênero e etnia, bem como os saberes das ocupações que possam ser construídos a partir do Eixo temático 1. Não esqueçam, porém, que, na última Jornada Pedagógica do Tempo Escola desse Eixo, devem ser elaboradas as Questões de Pesquisa do Eixo Temático 2: Sistemas de produção e processos de trabalho no campo.

Ontem o tema foi história familiar. Todo mundo contou como seus pais e avós mudavam a lavoura que não estava dando certo, para ter o sustento e assim não pediam empréstimo no banco.

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Aprendizagens Desejadas No final do processo investigativo do Eixo Temático 1 (Tempo Escola, Tempo Comunidade), deveremos ter avançado na construção da compreensão das seguintes idéias (recognição) para aprofundar nossas práticas (reinvenção): A construção da identidade coletiva e dos indivíduos no processo histórico (econômico, político, técnico), conformando as culturas e suas implicações na atual organização social e do trabalho na Agricultura Familiar. u

Os papéis dos sujeitos coletivos nas relações e organizações sociais de classe, de trabalho, de gênero, de geração e de etnia na perspectiva de intervenções humanizadoras. u

u As relações de trabalho na Agricultura Familiar, considerando suas especificidades de produção, geração de renda e possibilidades de sua reorganização para a construção da sustentabilidade solidária. Arquivo do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome-

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69 Arquivo: Comissão Pastoral da Terra

Retirada do site observatório jovem http://www.uff.br/obsjovem/mambo/ images/stories/Jovens%20Pastoral %20rural%20em%20BSB.jpg Juventude rural: entre ficar e sair Por Raquel Júnia 26/11/2006

Círculo de Diálogo O Círculo de Diálogos descrito no Projeto Político-Pedagógico será realizado por meio de Jornadas Pedagógicas, podendo-se usar também outros procedimentos (Anexo 3), na medida em que se revelarem necessárias ao aprofundamento e à resposta à problemática do Eixo Temático. As Jornadas Pedagógicas no Tempo Escola, a serem realizadas pelas educadoras e pelos educadores com os/as educandos/as, permitirão a construção de diversos saberes que contribuirão para a construção do novo conhecimento sobre o Eixo Temático em estudo. Para isso, além do levantamento dos saberes que já possuem os/ as educandos/as e os/as educadores/as, há sugestões de leituras e atividades a serem realizadas coletivamente (pesquisas de campo), além daquelas que cada educador(a) e cada realidade local exija, bem como de estudos individuais e exploração do acervo contido no Balaio de Saberes, na perspectiva de contribuir e subsidiar a organização do trabalho pedagógico da educadora e do educador, assim como de educandas e educandos do Programa.

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Jornadas Pedagógicas Arquivo Cetap/Sementes

Arquivo Cia. de Dança e Cultura Popular Macambirais (Passa e Fica – RN) Foto retirada do site oficial do Festival de Folclore Olímpia/SP. Atração 2007

Arquivo Cetap/Curso de Mulheres

O foco das Jornadas Pedagógicas é o diálogo de saberes, que busca a produção de novos saberes construídos a partir dos sujeitos educativos que vivem essa realidade e pesquisam nos livros e nas tecnologias atuais tanto no trabalho de campo (Tempo Comunidade) como nos computadores. O objetivo, portanto, é a construção de um novo saber humano em suas múltiplas dimensões (cognitiva, política, ética, estética, técnica) para cada aspecto estudado no Eixo Temático. Na organização das Jornadas Pedagógicas, apresentamos um conjunto de atividades que ajudarão a discutir Identidade, Cultura, Etnia, Gênero, Gerações, no caso do Eixo Temático 1. Essa dinâmica estará sempre relacionando saberes populares (resultados da pesquisa sobre o saber dos alunos e o levantamento dos saberes de seus familiares e do entorno feito no Tempo Comunidade. Saberes da experiência feitos, como gostava de denominá-los Paulo Freire) e saberes científicos (ciências humanas sociais, da natureza e tecnologias) previstos para o Ensino Fundamental e para a Formação Social e Profissional (inicial) na produção de um NOVO SABER sobre as questões estudadas nesse eixo temático. Na Jornada Pedagógica ou em quaisquer outras técnicas didáticas, deve ser garantida a integração de saberes (populares, científicos, técnicos e tecnológicos, religiosos, entre outros) na construção do NOVO SABER que nos ajude na compreensão e na transformação das condições de vida e de trabalho na Agricultura Familiar.

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71 Foto: Jefferson Rudy/MMA 13-11-07. Ministra Marina Silva com Secretário Geral da ONU Ban Ki-Moom, durante visita ao Brasil. Líderes da comunidade ao pé da Samauma. Belém-PA.

Integração de Saberes Na Jornada Pedagógica ou em quaisquer outras técnicas didáticas, deve-se garantir a integração dos saberes. Essa integração será feita por meio do confronto dos saberes dos/as educandos/as e de suas comunidades, dos saberes dos/as educadores/ as com os conteúdos das disciplinas do Ensino Fundamental (ciências, história, geografia e outras – ver Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental e a Educação de Jovens e Adultos – de acordo com as necessidades e os requerimentos da compreensão do Eixo Temático, assim como das questões da qualificação profissional, conforme as Ocupações em estudo, componentes do Arco Profissional Produção Rural Familiar. Essas compreensões, interpretações, explicações construídas devem ser expressas por meio das linguagens verbais (na variação oficial da língua portuguesa e no estudo da língua estrangeira) e na variação oficial das matemáticas, bem com das linguagens artísticas. No momento da elaboração dos textos que vão dando conta das aprendizagens, as questões lingüísticas da variação oficial da Língua Portuguesa no Brasil (ortografia, concordância, formulação lógica, argumentativa) serão trabalhadas, como

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também as relações matemáticas, quando se fizerem necessárias, para dar maior densidade à compreensão da realidade natural e cultural. Serão trabalhadas as relações matemáticas (proporção, percentagem, soma, divisão, multiplicação, subtração, frações, entre outras), inclusive a sua operação técnica, se ainda não forem manejadas adequadamente pelo alunado. Também serão estudadas as expressões nas diferentes versões da linguagem artística (música, teatro, pintura, desenho, canto). Nesse processo todo o alunado vai aprendendo e utilizando as tecnologias da informática e da comunicação (computadores, Internet, entre outras), sempre realizando o confronto ou diálogo de saberes (saberes populares, saberes científicos, tecnológicos, profissionais e ambientais, entre outros) na construção de um NOVO SABER. Um saber humano nas cinco dimensões trabalhadas no Programa (cognitiva, ética, estética, política e técnica). Portanto, um saber humano que contribua com a transformação da realidade cultural, garantindo a qualificação social e profissional das educandas e dos educandos, bem como a dos educadores, das educadoras e das Coordenações (ler texto: Diálogo de Saberes e o papel dos saberes do alunado e de suas comunidades).

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Aplicar questionários, ver manifestações culturais, ler

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Sugestão de Roteiro para Planejamento das Jornadas Pedagógicas

textos e identificar as ocupações para tirar conclusões

E

m cada Tempo Escola, a primeira atividade será uma Jornada Pedagógica destinada à análise e organização das informações construídas tanto no Tempo Comunidade, na realização da Partilha de Saberes, na coleta de informações junto às famílias, às comunidades e ao entorno, como também a partir das leituras realizadas.

os problemas a serem enfrentados tanto do ponto de vista de sua compreensão quanto das ações para resolvê-los.

Nas Jornadas Pedagógicas será possível organizar as informações, os saberes necessários aos processos de ensinoaprendizagem e o aprofundamento dos aspectos do Eixo Temático e do próprio Eixo Articulador.

Quaisquer que sejam, as Jornadas Pedagógicas deverão contemplar, com adaptações, os seguintes passos:

Ressaltamos que, tanto nos processos de formação continuada dos educadores e das educadoras quanto na organização dos tempos formativos, o que definirá a escolha das Jornadas sugeridas ou a organização de uma outra Jornada serão

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A última Jornada Pedagógica do Tempo Escola será sempre de planejamento do próximo Tempo Comunidade e de Avaliação do Tempo Escola que se conclui.

3

I) Acolhida calorosa para o início das Jornadas: as apresentações das pessoas, se não se conhecem, ou, se já são conhecidas, o relato das novidades que experimentaram entre as alternâncias, descontração e integração, apresentação dos objetivos da Jornada Pedagógica e os problemas a serem enfrentados na realização da mesma.

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74 II) Feitas as introduções, convidálas a ouvir, ler, cantar e discutir um texto de referência da Jornada e que aqueça o debate das problematizações. Proposições de Atividades (Algumas idéias de atividades): 1) Pedir aos/às educandos/as que escrevam sobre o que entendem por Agricultura Familiar em uma folha de papel. 2) Colocar o que escreveram num quadro para que todos possam visualizar. Depois, propor a leitura dos textos produzidos pelo/a educando/a: identificar semelhanças, diferenças e singularidades. 3) Formular um texto único que dê conta dos saberes dos/as educandos/ as (uma primeira síntese parcial, mas importantíssima para a construção do NOVO SABER). III) Retomar os dados construídos com as informações do Tempo Comunidade.

IV) Propor a leitura de textos científicos, solicitando que anotem as idéias, as dúvidas e os comentários. V) Confrontar o saber científico com os saberes dos alunos e os construídos a partir das informações da comunidade. VI) Confrontar essa síntese com outras idéias que foram apresentadas sobre o termo Agricultura Familiar em textos científicos ou literários do próprio Balaio de Saberes dos Educandos ou dos Educadores, formulando uma nova síntese. VII) Identificar sempre o gênero literário em que estão escritos os textos de referência, mas também pedir que as sínteses sejam escritas em diferentes gêneros textuais (informe, notícia, poema, relatório, artigo para uma revista, entre outros). VIII) Também, analisar as escritas do ponto de vista do uso das linguagens verbais e matemáticas no padrão oficial.

Construção do Novo Saber Tempo Acolhida Que atividade lúdica deve ser programada para que todos conheçam a todos?

Ouvir, ler, cantar e discutir um texto de referência da Jornada e que aqueça o debate das problematizações.

Cada educando escrever sobre o que entendem por Agricultura Familiar em uma folha de papel.

Idéia A

Proposição A (música).

Montar quadro ou painel com as principais idéias dos educandos.

Idéia B

Proposição B (vídeo).

Idéia C

Proposição C (crônica).

Selecionar um Idéia. E disponibilizar os materiais: violão, duas cartolinas, hidrocor e fitas coloridas.

Conclusões (aceitando divergências).

Leitura dos textos produzidos pelo/a educando/a. Identificar semelhanças, diferenças e singularidades nos textos. Escrever um texto único com conclusões (aceitando divergências).

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Construção do Novo Saber u Ler textos aos dados científicos: do Tempo anotar as Comunidade. idéias, as dúvidas e os comentários.

u Confrontar

o saber científico com os saberes dos educandos e da comunidade.

Rever as formas de dizer: a argumentação está clara e convincente? Estão fazendo uso das expressões artísticas? Esses conteúdos instrumentais são muito importantes. Não esquecer, contudo, o fundamental: estão identificando os conteúdos educativos? Formulandoos adequadamente? E os conteúdos operativos (a capacidade de elaborar projetos, programas e planos)? Estão escritos nas três linguagens e de forma adequada ao padrão oficial da língua portuguesa e aparecendo uma língua estrangeira? E as expressões artísticas, estão significativas e criativas? No Tempo Escola, a seleção dos saberes do Eixo Temático Agricultura Familiar – identidade, cultura, gênero e etnia – busca ser coerente com sua Ementa, suas Aprendizagens, suas questões de pesquisa, com o Arco Ocupacional, identificando os elementos que permitem a construção do Eixo Articulador. No regresso do Tempo Comunidade, propomos um momento de organização das informações coletadas pelos/as educandos/as a partir do que se assumiu como questões de pesquisa. No caso do

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u Formular

uma nova síntese com outras idéias que foram apresentadas sobre o termo Agricultura Familiar do Balaio de Saberes.

u Identificar

o gênero literário dos textos. Pedir que as sínteses estejam em diferentes gêneros textuais (informe, notícia, poema, relatório, artigo para revista).

u Analisar

as escritas com o padrão oficial. A argumentação está clara e convincente? Utilizam expressões artísticas significativas e criativas? Identificam os conteúdos educativos? E os conteúdos operativos? Sabem elaborar projetos?

Eixo Temático 1, esse planejamento foi feito no que se denominou Tempo Escola de Acolhida. No Tempo Escola será analisada as informações do diagnóstico, melhorados os textos (informes, relatórios, resumos, sínteses, atas produzidos pelos/as educandos/as no Tempo Comunidade) para que os/as educandos/as aprimorem sua compreensão desses gêneros literários, se apropriem da linguagem oficial da língua portuguesa, comecem a treinar uma língua estrangeira moderna e aprendam a expressar dados em tabelas, gráficos, as linguagens matemáticas e artísticas a partir de desenhos, cartazes, poemas, artes cênicas, entre outros.

)

u Retomar

ESSE ESQUEMA CONTRIBUI NO PLANEJAMENTO DAS JORNADAS PEDAGÓGICAS, É MUITO IMPORTANTE ADEQUÁ-LO À SUA REALIDADE.

)

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Sugestões de outras possíveis Jornadas Pedagógicas Indicamos um conjunto de sugestões de Jornadas Pedagógicas que serão escolhidas pelos/as educadores/as e mesmo pelos/as educandos/as, de acordo com as necessidades de cada turma. Todas são sugestões a serem complementadas, dinamizadas e reinventadas nas suas realidades. As propostas a seguir, poderão ajudar a organizar as informações produzidas no primeiro Tempo Comunidade. As atividades podem ser desenvolvidas em Grupos de Trabalho formados pelos/as educandos/as, tais como: levantamento de informações – questionários, entrevistas com familiares, vizinhos, autoridades; leituras de textos – científicos, artísticos; registro de técnicas utilizadas pelas famílias no trabalho da agricultura – formas de cultivos, criatórios, preservação do meio ambiente; entre outros.

Os resultados dos trabalhos dos pequenos grupos deverão ser socializados no grande grupo. Após refletir sobre toda a produção feita durante o Tempo Escola: entrevistas, aplicação de questionários, levantamento de manifestações culturais, leitura de textos científicos, identificação das ocupações existentes na comunidade e das técnicas utilizadas nessas ocupações, serão escolhidos os temas do debate da turma para a construção da síntese final (desse momento) e identificação de problemáticas das novas pesquisas e as propostas de intervenção dos/as educandos/as na comunidade.

Ao final de cada etapa realizar uma:

Síntese!

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Arquivo Saberes da Terra/Maranh達o

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Construindo Identidades da Agricultura Familiar

I) Acolhida calorosa: apresentações, descontração, integração, exposição dos objetivos da Jornada Pedagógica e discussão dos problemas que poderão ser estudados. OBJETIVO Compreender a construção da identidade da Agricultura Familiar e do(a) Agricultor(a) Familiar a partir da história de vida do educando e da educanda, bem como da família e da vizinhança.

PROBLEMATIZAÇÕES Como está sendo a Agricultura Familiar na sua localidade ou região?

? ?

Qual o nosso papel na luta pela Agricultura Familiar?

?

Como podemos fortalecer a luta pela Agricultura Familiar?

II) Feitas essas introduções, convidá-los a OUVIR, LER, CANTAR E DISCUTIR A MÚSICA “O CIO DA TERRA” DE CHICO BUARQUE (Caderno da Educanda, do Educando). III) Proposição de Atividades 1) Pedir aos/as educandos/ as que escrevam sobre o que entendem por Agricultura Familiar em uma folha de papel. 2) Colocar o que escreveram num quadro para que todos possam visualizar.

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79 Afagar a teeeeerra Conhecer os desejos da teeeeeerraaa Cio da terra, a propícia estaçãããããooooo E fecundar o chãããããooooo

Agricultura Familiar do, é quando todo mun

Decepar a canaaaaa Recolher a garapa da canaaaaaa Roubar da cana a doçura do mel Se lambuzar de meeeeeeeel

Pedir empréstimo agrícola Culturas mais rentáveis Fazer consórcio de culturas Adubo orgânico de lixo Encont de jovens

Ué!? Isso é que é o Tempo Acolhida, pra Edu?

3) Depois, propor a leitura dos textos produzidos pelos(as) educandos(as): identificar semelhanças, diferenças e singularidades. Tentar formular um texto único que dê conta dos saberes dos educandos (uma primeira síntese parcial, mas importantíssima para a construção do NOVO SABER).

V) Propor a Leitura de Textos científicos solicitando que anotem as idéias, as dúvidas e os comentários. VI) Confrontar essa leitura com os saberes dos educandos (síntese) e os construídos a partir das informações da comunidade (síntese).

VII) Confrontar essas sínteses com outras idéias que foram apresentadas sobre o termo Agricultura Familiar em textos científicos ou literários, ou de Livros. Formular uma nova síntese.

IV) Retomar os dados construídos com as informações do Tempo Comunidade.

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Para Ler, Refletir e Debater

“A Via Rural”, de Ulisses de Freitas Caderno Pedagógico da (o) Educanda (o)

INTEGRAÇÃO DE SABERES – Mobilizar o conjunto de Saberes das Ciências e Linguagens que está sendo trabalhado, a fim de aprofundar os conhecimentos do grupo sobre o problema estudado, com o intuito de solucioná-lo. Elaborar questões que orientem a interpretação da leitura. u

u

Registrar as respostas.

Identificar as relações matemáticas presentes no texto, como percentagem, proporção, quantidades. Verificar se o(a) educando(a) domina essas operações. Recordar, ou ensinar, se ainda não as dominam. u

Discussão e levantamento do que as informações do texto acrescentaram em relação ao que haviam escrito (retomar os resultados das atividades sugeridas acima). u

u

Que conclusões são possíveis?

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Selecione aqueles saberes que melhor possam contribuir para a resposta à problemática levantada na introdução do estudo do Eixo Temático e sua maior pertinência a fim de ir acumulando saberes para a construção da resposta à problemática do Eixo Articulador. Tudo deve ser registrado em textos, usandose as linguagens verbais e aritméticas de acordo com seus padrões oficiais e nas expressões artísticas. Nesses processos, sobretudo na formulação das sínteses de cada passo das atividades da Jornada Pedagógica, sempre identificar o gênero literário em que estão escritos os textos de referência, mas também pedir que as sínteses sejam escritas em diferentes gêneros textuais (informe, notícia, poema, relatório, artigo para uma revista, entre outros). Devem ser analisadas também as escritas do ponto de vista do uso das linguagens verbais e matemáticas no padrão oficial, revendo-se as formas de dizer: a argumentação está clara e convincente? Estão fazendo uso das expressões artísticas? Esses conteúdos instrumentais são muito importantes.

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81 Não se pode esquecer o fundamental: estão identificando os conteúdos educativos? Formulando-os adequadamente? E os conteúdos operativos (a capacidade de elaborar projetos, programas e planos)? Estão sendo escritos nas três linguagens e de forma adequada ao padrão oficial da língua portuguesa e aparecendo uma língua estrangeira? E as expressões artísticas, estão expressivas e criativas? Nessa Jornada ou em outras, vários outros saberes podem ser explorados, como, por exemplo: u História da Agricultura Familiar

Regional, do Brasil e do Mundo.

u As diferentes atividades produtivas e

seus impactos.

u História e Desafios da Agricultura

Familiar na Região.

u A multifuncionalidade da

agricultura familiar regional e do Brasil, situando-se e problematizandose as características das atividades produtivas das famílias e comunidades dos/as educandos/as.

Podem ser explorados, por meio do Estudo Dirigido, os textos indicados abaixo, disponíveis no Caderno Pedagógico das Educandas e dos Educandos – Eixo Temático 1, para o aprofundamento dos saberes. Texto – “Agricultura Familiar: história, diversidade e autonomia”. Texto – “A economia de base ecológica em pequenas propriedades familiares: o caso da família Rutkoski”. Texto – A agricultura familiar e a potencialização do desenvolvimento. Texto – Soberania Alimentar, agroecologia e mercados locais. O educador e a educadora podem escolher outros saberes. Proponha, então, a organização que melhor represente as necessidades da situação de turma. O esquema abaixo pode ajudar a identificar os saberes necessários que não estão previstos neste Caderno e as respectivas áreas de conhecimento em que se situam.

u Reforma Agrária e a luta pela terra

na história do Brasil e do mundo. O processo de decisão e ação dos agricultores familiares.

u A relação da Agricultura Familiar

com a transformação do meio ambiente.

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Argilácqua

Argilácqua

OBJETIVO Refletir sobre as marcas que os seres humanos deixam na sua passagem pela Terra, relacionandoas com o processo de construção da sua história e da comunidade/ localidade. PROBLEMATIZAÇÕES De que forma nossa representação de sujeito pode contribuir no cotidiano de nossa comunidade?

? ?

Que marcas nós queremos deixar para as gerações futuras? ATIVIDADE u Distribuir porções de argila e pedir que cada participante crie formas que o/a represente/simbolize. Quando terminarem, solicitar que cada pessoa socialize a sua produção e expresse seus significados. PARA LER, REFLETIR E DEBATER “TRABALHO E TRANSFORMAÇÃO DO MUNDO” (disponível no Caderno Pedagógico da/o Educanda/o). SÍNTESES PROVISÓRIAS De que forma nossa representação de sujeito pode contribuir no cotidiano de nossa comunidade?

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INTEGRAÇÃO DE SABERES – Mobilizar o conjunto de Saberes das Ciências e Linguagens que está sendo trabalhado, a fim de aprofundar os conhecimentos do grupo sobre o problema estudado, com o intuito de solucioná-lo. Sugerimos aqui: 1. O ser humano e meio ambiente. 2. Ser humano como sujeito histórico e cultural. 3. O trabalho como prática humana, a transformação da natureza pelo trabalho e o trabalho no sistema capitalista. 4. Ciclos de vida e famílias de seres vivos diversos. 5. Produção textual. Os/as educadores/as podem escolher, porém, outros saberes; proponha, então, a organização que melhor represente as necessidades da situação de turma. O esquema abaixo pode ajudar a identificar os saberes necessários que não estão previstos neste Caderno e as respectivas áreas de conhecimento em que se situam.

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Argilรกcqua

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Arquivo SECOM/MEC

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Costurando nossas histórias OBJETIVO Reconhecer nas histórias de vida das famílias a possibilidade de fortalecimento e reorganização da Agricultura Familiar. PROBLEMATIZAÇÕES Qual a influência das histórias de vida das famílias na formação de suas identidades?

? ?

Como o reconhecimento das histórias das famílias da comunidade pode fortalecer a Agricultura Familiar?

ATIVIDADE Divisão da turma em grupos para que contem e discutam as histórias de vida das gerações mais próximas: a sua, a dos pais e avós, com base nas seguintes categorias: u Nascimento (local e data). u Formas de produzir a vida (moradia, trabalho, escola, lazer...).

Dinâmica Humana (participação em organizações sociais, culturais e políticas, formas de comunicação e informação – rádio, correio, telefone, internet...). u

Distribuir 3 (três) folhas de papel por grupo para que registrem as informações referentes às categorias. Cada geração numa folha para, depois, construir uma LINHA DO TEMPO que servirá para visualizar as informações no debate e como subsídio para a construção de tabelas. Os grupos farão a socialização de suas descobertas - SEMELHANÇAS/ DIFERENÇAS – e reflexões, utilizando diferentes linguagens. Em seguida, os grupos exporão os registros (escritos) no cordão, por ordem de gerações.

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SÍNTESES PROVISÓRIAS Debater e registrar as compreensões do grupo: Como as representações das formas de pensar e viver (as influências, as diferenças, as complementações e os conflitos) que os sujeitos educativos têm das histórias de suas famílias interferem na construção de suas identidades? u

Nas reflexões destacadas na discussão, o que é humanizante e o que é desumanizante em cada geração? u

u O que gostariam de manter vivo na história de sua família e o que gostariam de transformar?

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Costurando... A vivência de nossos familiares em atividades agrícolas influenciou nossas formas de viver e de pensar... Hoje que sonhos alimentamos sobre nossa realidade? INTEGRAÇÃO DE SABERES – Mobilizar o conjunto de Saberes das Ciências e Linguagens que está sendo trabalhado, a fim de aprofundar os conhecimentos do grupo sobre o problema estudado, com o intuito de solucioná-lo.

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Antigo engenho de cana-de-açucar. Rugendas

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nossas histórias Sugerimos aqui: 1. Ciclos de vida e famílias de seres vivos diversos. 2. Características da identidade cultural brasileira e sua formação, situando e problematizando as características culturais das famílias e comunidades dos educandos. 3. Compreensões sobre o corpo humano, a relação com a natureza, as relações sociais, etc, a partir de diferentes grupos culturais.

Os/as educadores/as podem escolher, porém, outros saberes; proponha, então, a organização que melhor represente as necessidades da situação de turma. O esquema abaixo pode ajudar a identificar os saberes necessários que não estão previstos neste Caderno e as respectivas áreas de conhecimento em que se situam.

4. Produção textual.

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88 Arquivo Ministério do Meio Ambiente

Entre o Campo

o Campo OBJETIVO Identificar a representatividade das experiências do campo e da cidade na construção identitária da comunidade, do território ou da região.

PROBLEMATIZAÇÕES Que influências tem a relação campo/ cidade nos processos de construção das identidades individuais e coletivas dos sujeitos da Agricultura Familiar?

? ?

Como a relação campo/cidade pode contribuir com a sustentabilidade da Agricultura Familiar?

ATIVIDADE Propor aos participantes que se organizem em quatro grupos e preencham as tabelas abaixo para que possam realizar um levantamento de dados acerca dos seguintes aspectos: Nascimento, Trabalho, Moradia, Lazer e Escola. Devem ser consideradas, aqui, as influências das relações do campo e da cidade nas três gerações (a do participante, a dos pais e a dos avós):

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e a Cidade

Arquivo Meio Ambiente

a Cidade 1a. GERAÇÃO GRUPOS A B C D Total CATEGORIAS Campo Cidade Campo Cidade Campo Cidade Campo Cidade Campo Cidade Nascimento Escola Lazer Trabalho Moradia 2a. GERAÇÃO GRUPOS A B C D Total CATEGORIAS Campo Cidade Campo Cidade Campo Cidade Campo Cidade Campo Cidade Nascimento Escola Lazer Trabalho Moradia 3a. GERAÇÃO GRUPOS A B C D Total CATEGORIAS Campo Cidade Campo Cidade Campo Cidade Campo Cidade Campo Cidade Nascimento Escola Lazer Trabalho Moradia

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Entre o Campo Cada um dos grupos escolhe uma das categorias (nascimento, escola, lazer, trabalho e moradia) para representar em um gráfico.

NASCIMENTO

Gráfico possível: com números aleatórios 60 50 40 30 20 10 0

1a. Campo

2a. GERAÇÕES

3a.

Cidade

Para organização de um gráfico sem o recurso do computador, como no exemplo acima, uma sugestão é que se prepare o papel tal como o exemplo abaixo. Lembrar que a linha vertical representa os quantitativos e a linha horizontal, as gerações. 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0

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Campo Cidade Campo Cidade Campo Cidade 1a. Geração 2a. Geração 3a. Geração

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e a Cidade

Arquivo Comissão Pastoral da Terra/19a. Romaria da Terra: Arca da Biodiversidade

Solicitar aos participantes que façam uma leitura dos gráficos para, em seguida, refletir sobre a questão abaixo: Que influências têm a relação campo/cidade nos processos de construção das identidades individuais e coletivas dos sujeitos da Agricultura Familiar? u

SÍNTESES PROVISÓRIAS Construir texto coletivo expressando o que consideram mais significativo nas relações campo/ cidade para a sustentabilidade da Agricultura Familiar.

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INTEGRAÇÃO DE SABERES – Mobilizar o conjunto de Saberes das Ciências e Linguagens que está sendo trabalhado, a fim de aprofundar os conhecimentos do grupo sobre o problema estudado, com o intuito de solucioná-lo. Os/as educadores/as podem escolher, porém, outros saberes que não estavam previstos; propondo, então, a organização que melhor represente as necessidades da situação de turma.

Sugerimos aqui: 1. Espaço geográfico, a transformação do ambiente através do trabalho humano e problemas ambientais; concepção de espaços produtivos, histórico das construções humanas. 2. Estudo e elaboração de Gráficos e suas principais funções. 3. Produção textual.

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Mandalaô

OBJETIVO Refletir sobre a identidade do grupo a partir de suas representações e as implicações disso no processo de humanização.

PROBLEMATIZAÇÕES Como construímos nossas identidades pelo nosso ESTAR SENDO no mundo?

? ?

Quais as implicações dessa construção na Agricultura Familiar e sua sustentabilidade?

ATIVIDADE Os participantes receberão cartões para escrever palavras-chave que sintetizem suas experiências de vida, de acordo com as categorias expostas na Mandala:

Família Organização Social

Cultura

Comunidade

Agricultura Familiar

Religiosidade

Meio Ambiente

Trabalho Escola

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Mandalaô

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Após a análise do que foi expresso nas categorias, identificar, coletivamente, os problemas relacionados a cada uma delas.

u

Dividir a turma em grupos, por categorias da Mandala, para investigar suas causas e conseqüências.

u

Produção de textos escritos (utilizando diferentes estilos).

u

Socialização e debate das produções.

SÍNTESES PROVISÓRIAS u O grande grupo elege uma categoria para, a partir dela, elaborar propostas de intervenção com o intuito de minimizar ou solucionar o problema que seja do interesse de todos. Deve-se buscar, ainda, responder à seguinte questão: Como transformar experiências desumanizadoras em experiências humanizadoras?

u

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Mandalaô INTEGRAÇÃO DE SABERES – Mobilizar o conjunto de Saberes das Ciências e Linguagens que está sendo trabalhado, a fim de aprofundar os conhecimentos do grupo sobre o problema estudado, com o intuito de solucioná-lo. Sugerimos aqui: 1. Participação e organização social. 2. Produção textual. 3. Geometria Analítica e Euclidiana. Os/as educadores/as podem escolher, porém, outros saberes que não estavam previstos; propondo, então, a organização que melhor represente as necessidades da situação de turma.

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MANDALA quer dizer ‘círculo’, em sânscrito. Justamente por suas formas e padrões circulares, esses desenhos (que podem assumir as mais diversas configurações) dão idéia de movimento, lembrando a roda da vida e nos remetendo a imagens, como as do universo e das galáxias, que vão crescendo e se consolidando para o exterior a partir de um único centro. Olhá-las nos traz a sensação de centramento, tranqüilidade, organização interna.

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Culturalidades:

os “Brasis” da gente OBJETIVO Confrontar as diversas concepções de cultura do grupo, buscando discutir seus problemas e conceitos.

Arquivo Saberes da Terra/Santa Catarina

A

seqüência de fotos ao lado revela uma das produções culturais na comunidade quilombola de Invernada dos Negros, onde também funcionou turma do Programa Saberes da Terra.

D

ito de uma forma sintética e simples, cultura é tudo o que resulta do trabalho humano, da ação humana. No entanto, nem todos os bens culturais são materiais, como, por exemplo, a religião.

I

nvernada dos Negros Fotos do Programa Saberes da Terra, Turma em Invernada dos Negros, Município de Campos Novos, Estado de Santa Catarina.

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Invernada dos Negros é uma área de terra localizada na região serrana do Estado de Santa Catarina, a 22 km do município de Campos Novos, cuja origem remonta ao século XIX. Pesquisas do Núcleo de Estudos sobre Identidade e Relações Interétnicas (NUER) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) revelam que libertos e escravos herdaram, através de testamento, uma área de aproximadamente 8 mil hectares que correspondia à antiga fazenda São João. A comunidade de Invernada dos Negros, com o apoio de Instituições Governamentais e Movimentos Sociais, vem lutando para que o procedimento de identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação do território dos remanescentes de quilombo prossiga até a conclusão do processo, com a demarcação e titulação do território.

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PROBLEMATIZAÇÕES Quais as principais expressões culturais em nossa comunidade e em que aspectos se relacionam e/ou se diferenciam das expressões culturais do território ou de outros contextos geográficos do país?

?

?

Que ações nós, sujeitos individuais e coletivos, podemos construir a fim de legitimar uma ação cultural humanizadora?

?

Como o desenvolvimento da cultura pode ser articulado ao fortalecimento dos sujeitos enquanto agentes transformadores?

ATIVIDADE A partir das informações coletadas no Tempo Comunidade, promover o debate e a organização dos dados para a caracterização das manifestações artísticoculturais da comunidade, procurando responder às seguintes questões: u Que

manifestações artístico-culturais existem em nossa comunidade? De quais delas participamos?

u Como

nos reconhecemos a partir dessas manifestações culturais? Por quê? Que reflexões fazemos sobre isso?

uO

que nos une como grupo social e cultural e o que nos diferencia de outros grupos? Por quê? Organizar tabelas e painéis temáticos com as descobertas e conclusões do grupo.

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Culturalidades PARA LER, REFLETIR E DEBATER RECULTURARTE – “A CULTURA É A MORADA DA EDUCAÇÃO” (Caderno Pedagógico da/o Educanda/o). O texto traz algum novo elemento para nossa discussão? Explicite.

u

SÍNTESES PROVISÓRIAS O grupo elege uma manifestação ou movimento cultural de sua comunidade para conhecer mais e melhor.

INTEGRAÇÃO DE SABERES – Mobilizar o conjunto de Saberes das Ciências e Linguagens que está sendo trabalhado, a fim de aprofundar os conhecimentos do grupo sobre o problema estudado, com o intuito de solucioná-lo. 1. Manifestações culturais. 2. Cultura Popular e Camponesa.

Os/as educadores/ as podem escolher, porém, outros saberes que não estavam previstos; propondo, então, a organização que melhor represente as necessidades da situação de turma. APROFUNDAMENTO DE SABERES Texto – “Cultura de Massa e Cultura Popular” (Caderno Pedagógico da/o Educanda/o).

Após o estudo de caso, o grupo poderá organizar uma apresentação, seguida de debate, na escola.

Cultura

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os “Brasis” da gente Arquivo CPT

Arquivo SECOM/MEC

Arquivo Ministério do Meio Ambiente

a lidades Educador(a)_1_final_16_03_10.indd 99

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Mapeaculturando

OBJETIVO Organizar e discutir o mapa cultural da comunidade/ localidade, do município, do território ou da região.

PROBLEMATIZAÇÃO Como a promoção da cultura pode estar articulada ao reconhecimento do indivíduo enquanto agente (re)construtor de seu processo de identidade?

?

ATIVIDADE Solicitar aos participantes que observem e discutam o mapa geográfico da sua região e identifiquem o seu município/ território. Em seguida, redesenhá-lo em escala maior. Registrar no mapa, utilizando diferentes maneiras, a existência de: Expressões culturais (modos de viver das populações: trabalho, religiosidade, participação política, lazer e outros);

u

Patrimônio cultural (igrejas, monumentos, sítios arqueológicos, praças, cinemas, bibliotecas, teatros e outros);

u

Patrimônio imaterial (personagens, expressões, histórias, cantos, cantigas de trabalho, curas e outros);

u

Poder municipal (atividades administrativas, atividades econômicas e atividades sociopolíticas);

u

Oferta de serviços básicos e redes de comunicação (saúde, educação, transporte, correios, telefonia).

u

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Arquivo Revista Agriculturas - experiências em Agroecologia

Arquivo Cetap/Grupo de Tradições Folclóricas Raízes Nordestinas (Fortaleza – CE) Foto do site do Festival de Folclore Olímpia/SP 2007.

Arquivo CPT

Mapeaculturando Organizando o mapa cultural: da comunidade; do município; do território; da região.

Explorar, no mapa cultural: as idéias que mais chamaram a atenção do grupo;

u

u a relação meio ambiente e cultura e suas potencialidades;

o espaço: distâncias, formas de locomoção entre os municípios, preços de passagens;

u

os sistemas produtivos e suas relações com a Agricultura Familiar e suas possibilidades;

u

a organização econômica local e a produção cultural;

u

u

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a relação dos recursos naturais e sociais: escolas, hospitais, unidades de saúde, clubes, associações, sindicatos, etc;

u

a idéia/ conceito de território.

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Mapeaculturando SÍNTESES PROVISÓRIAS u Elaborar um CALENDÁRIO CULTURAL do município, do território ou estado. Construir um texto coletivo, nas diversas linguagens, apontando os problemas existentes em relação à cultura em nosso município/ território e nossas possíveis contribuições para a Agricultura Familiar.

u

INTEGRAÇÃO DE SABERES Mobilizar o conjunto de Saberes das Ciências e Linguagens que está sendo trabalhado, a fim de aprofundar os conhecimentos do grupo sobre o problema estudado, com o intuito de solucioná-lo.

Os/as educadores/ as podem escolher, porém, outros saberes que não estavam previstos; propondo, então, a organização que melhor represente as necessidades da situação de turma.

1. Divisão social do trabalho na Agricultura Familiar. 2. Calendário agrícola. 3. Estudo de Escala.

APROFUNDAMENTO DE SABERES “AS TRAMAS DA IDENTIDADE” (Disponível no Caderno Pedagógico da/o Educanda/o).

Croqui do lote da educanda Datileni Zakaris da Silva, 5a. série, Pará

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Cultura Midiática OBJETIVO Identificar o papel dos meios de comunicação de massa e suas influências na construção de nossas vidas, de nossas culturas, de nossas identidades e subjetividades.

PROBLEMATIZAÇÕES O que é apresentado na mídia sobre a vida no campo? Em que se assemelha e difere da nossa realidade? Por quê?

?

?

A mídia, ao apresentar a realidade do campo e seus sujeitos, alimenta algum tipo de preconceito? Qual(is) e por quê?

?

O que gostaríamos de veicular na mídia acerca da realidade do campo?

ATIVIDADE Solicitar aos participantes que escrevam em cartões os programas de rádio e televisão a que assistem: noticiários, novelas, musicais, documentários, humorísticos.

u

Depois, pedir-lhes que escolham, entre os programas descritos, dois que acompanham com mais interesse e maior freqüência. Os participantes devem justificar a escolha.

u

Debater sobre semelhanças e diferenças percebidas entre os programas e as conseqüências disso na formação das culturas.

u

Leitura do texto “A Mercantilização da Cultura” (Caderno Pedagógico da/o Educanda/o) para escolha dos trechos que mais chamaram a atenção e que ajudam a explicar as influências dos meios de comunicação de massa em nossas vidas.

u

Cultura M

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Arquivo MST

SÍNTESES PROVISÓRIAS Produção de um texto “televisivo” (considerar, na organização do programa, os seguintes aspectos: escolha do tipo, podendo ser telejornal, novela, documentário, humorístico ou musical; tema, roteiro, duração, recursos visuais, etc.), levando em conta a seguinte problematização:

?

Que conteúdos televisivos contribuem na construção de relações justas e solidárias nos modos de viver das pessoas do campo?

APROFUNDAMENTO DE SABERES Os textos abaixo estão disponíveis no Caderno Pedagógico da/o Educanda/o e podem ajudar na compreensão da temática em questão, assim como servir para trabalhos de Estudos Dirigidos: Texto - Cultura popular e cultura de massa. Texto - Juventude e agricultura ecológica no Rio Grande do Sul. Texto - Juventude e Fortalecimento da Agricultura Familiar no semi-árido da Bahia. Texto - Retalhos, Barros, Miçangas. A arte de ver o belo onde ninguém vê.

INTEGRAÇÃO DE SABERES – Mobilizar o conjunto de Saberes das Ciências e Linguagens que está sendo trabalhado, a fim de aprofundar os conhecimentos do grupo sobre o problema estudado, com o intuito de solucioná-lo. Proponha nova organização que melhor represente a realidade vivenciada pelos/as educandos/as.

Midiática

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Generalizando OBJETIVOS u Discutir relações de gênero, considerando determinantes históricos, culturais, sociais e econômicos na construção do feminino e do masculino. Identificar e refletir sobre vivências que possibilitem relações justas e solidárias entre gêneros.

u

PROBLEMATIZAÇÕES Como aprendemos sobre o que é ser mulher e ser homem com nossa família e com nossa comunidade?

? ?

O que causa relações de desigualdade e injustiça entre gêneros?

?

Como contribuir para relações justas e solidárias entre gêneros?

Generalizando

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ATIVIDADES Inicialmente, os participantes pesquisam em jornais e/ou revistas figuras e palavras que identificam as pessoas como sendo homens ou mulheres. Logo em seguida, colam essas figuras ou palavras em um quadro onde estão indicadas as palavras “homem” e “mulher”. Após a discussão sobre a produção, sugerimos inverter os títulos do quadro e rediscuti-los com o grupo; registrar as impressões após a mudança.

Depois, sugerimos propor a leitura do texto buscando confrontá-lo com as idéias iniciais do grupo sobre o que é Gênero (BUSCAR TEXTOS NOS CADERNOS PEDAGÓGICOS).

Refletir coletivamente Que compreensões, após a leitura do texto, temos acerca das relações de gênero, isto é, as relações sociais entre homens e mulheres na família, no lazer, no trabalho, na educação? Confrontar as compreensões iniciais com as impressões após a leitura do texto.

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Homem pode fazer tarefa de mulher?

Mulher pode fazer tarefa de homem?

Arquivo Ministério de Meio Ambiente

Arquivo Revista Agriculturas - experiências em Agroecologia

X

20-09-2007. Programa de Produtos Sustentáveis durante 2° Encontro Nacional dos povos das Florestas do Brasil. local:Centro de Convenções. Foto:Jefferson Rudy/MMA.

HOMEM

MULHER

Arquivo Revista Agriculturas - experiências em Agroecologia

Instalado em julho deste ano em Mauá, o Projeto de Aquisição de Alimentos - Compra Direta Local da Agricultura Familiar, do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, já distribuiu 113,8 toneladas de alimentos às 120 instituições cadastradas no município.

X HOMEM

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MULHER

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Generalizando SÍNTESES PROVISÓRIAS Elaboração de “Textos imagéticos” (colagem ou composição de imagens) que discutam/apresentem valores e possibilidades de o masculino e o feminino conviverem com suas diferenças.

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109 INTEGRAÇÃO DE SABERES – Mobilizar o conjunto de Saberes das Ciências e Linguagens que está sendo trabalhado, a fim de aprofundar os conhecimentos do grupo sobre o problema estudado, com o intuito de solucioná-lo. 1. O papel e a condição da mulher na Agricultura Familiar. 2. Produção textual. Os/as educadores/ as podem escolher, porém, outros saberes que não estavam previstos; propondo, então, a organização que melhor represente as necessidades da situação de turma.

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Um problema que não é genérico!

OBJETIVO Discutir como, historicamente, construímos e consolidamos nossas referências e padrões de comportamento de mulheres e homens e as conseqüências dessa construção no mundo do trabalho.

PROBLEMATIZAÇÃO Como nos constituímos homens e mulheres mediados pela cultura na sociedade em que vivemos?

?

LER, OUVIR, CANTAR E DISCUTIR A MÚSICA “PAGU” e/ou outra música sobre gênero. Após a leitura ou canto da música, reflita sobre as seguintes questões:

? ?

Que compreensões tiveram da música?

Que confrontos fazem das representações que têm sobre GÊNERO com o que é apresentado na letra da música?

Arquivo MST

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111 SÍNTESES PROVISÓRIAS Elaborar diferentes tipos de textos considerando as seguintes questões:

ATIVIDADES u Produzir um texto escrito descrevendo um dia de trabalho, como homem ou como mulher, na Agricultura Familiar. Ou, ainda, descrever como é um dia de trabalho de um homem ou de uma mulher de sua família.

O que você gostaria de mudar na sua vida de trabalho do ponto de vista das relações de gênero?

u

Como a Educação do Campo pode contribuir para relações justas entre gêneros?

u

Após a construção dos textos, sugerimos realizar a socialização das produções.

u

Que sonhos nós temos enquanto mulheres e homens construtores de um mundo justo e solidário?

u

Em seguida, escolher um dos relatos para reapresentar ao grande grupo (utilizando outras linguagens).

u

Após a apresentação, debater a partir das seguintes questões:

u

1. Quais os problemas de ser homem e ser mulher no mundo do trabalho? 2. Com quem você aprendeu sobre o que é trabalho de homem e o que é o trabalho de mulher ao longo da vida? 3. Quais dessas aprendizagens mais influenciam sua forma de viver no mundo do trabalho? Continuando a discussão sobre Gênero na Agricultura Familiar, sugerimos que seja feita uma leitura coletiva do texto MARGARIDA ALVES, no Caderno do/a Educando/a.

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Arquivo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul www.museu. ufrgs.br/admin/ programacao/ arquivos/ oficinaartesanato. JPG Uso sustentável da mata atlântica - geração de renda para agricultura familiar Como conciliar a atividade extrativista na região e a conservação da biodiversidade?

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Um problema Arquivo SECOM/MEC

que não é... A pecuária tradicional pantaneira, à margem do mercado globalizado, em busca de alternativas com sustentabilidade. Ensaio fotográfico de José Luiz Medeiros, prêmio nacional de fotografia pela Funarte.

http://www.carrionecarracedo.com.br/boletim/imagens/ boletim1/Pecuaria.gif

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genérico! INTEGRAÇÃO DE SABERES – Mobilizar o conjunto de Saberes das Ciências e Linguagens que está sendo trabalhado, a fim de aprofundar os conhecimentos do grupo sobre o problema estudado, com o intuito de solucioná-lo.

Os/as educadores/ as podem escolher, porém, outros saberes que não estavam previstos; propondo, então, a organização que melhor represente as necessidades da situação de turma.

Sugerimos nesta jornada: 1. Conquistas da mulher no mundo do trabalho.

Texto - “Organização de Mulheres e convivência com o semi-árido: a experiência das cisterneiras no Rio Grande do Norte”.

3. Artes cênicas: encenações e dramatizações.

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Texto - “Agricultoras descobrem nova forma de gerar renda e garantir uma alimentação segura” Texto - “A construção da economia feminista na Rede Xique-Xique de comercialização solidária”

2. Políticas públicas para as mulheres da Agricultura Familiar.

4. Produção textual.

APROFUNDAMENTO DE SABERES NO CADERNO PEDAGÓGICO DA/O EDUCANDA/O sugerimos os seguintes textos:

Arquivo SECOM?MEC

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114 SECOM/MEC

CPT

CPT

SECOM/MEC

MST

Etnicidades OBJETIVOS u Reconhecer e discutir a Diversidade Cultural do povo brasileiro. Problematizar a cultura e suas diferentes formas de organização do trabalho como elemento caracterizador das identidades locais, regionais e nacionais.

LER, OUVIR, CANTAR E DISCUTIR A MÚSICA: ETNIA (Caderno Pedagógico da/o Educanda /o).

u

PROBLEMATIZAÇÕES Como percebemos a Diversidade Cultural na nossa comunidade?

? ?

O que nos caracteriza enquanto grupo cultural?

?

Como a valorização da Diversidade Cultural pode contribuir com a sustentabilidade da Agricultura Familiar?

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Após a leitura e discussão da música, organizar as informações coletadas do Tempo Comunidade sobre Etnia.

ATIVIDADE u Refletir sobre o que sabem da organização e divisão do trabalho entre diferentes comunidades, povos indígenas, negros, sertanejos, praieiros, ribeirinhos, extrativistas em sua localidade ou território. Divisão em grupos para pesquisar em revistas e jornais as manifestações culturais de cada povo ou comunidade, suas brincadeiras, canções de roda, como o trabalho é representado e suas implicações na história e no imaginário das pessoas.

u

Pensar formas criativas para apresentar as reflexões do grupo, buscando trazer os elementos pesquisados durante o Tempo Comunidade.

u

Debater e registrar as SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS percebidas e suas possíveis implicações nas formas de divisão do trabalho e no imaginário desses povos.

u

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MCF

Saberes da Terra/PA

MMA

SÍNTESES PROVISÓRIAS Organizar um PAINEL TEMÁTICO a partir das discussões e descobertas sobre as características, os elementos simbólicos, as representações culturais de diferentes comunidades e povos em relação às formas de organização e divisão do trabalho.

SECOM/MEC

INTEGRAÇÃO DE SABERES Mobilizar o conjunto de Saberes das Ciências e Linguagens que está sendo trabalhado, a fim de aprofundar os conhecimentos do grupo sobre o problema estudado, com o intuito de solucioná-lo. 1. Produção textual. Os/as educadores/ as podem escolher, porém, outros saberes que não estavam previstos; propondo, então, a organização que melhor represente as necessidades da situação de turma.

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Etnicidades

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SECOM/MEC

SECOM/MEC

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“Pajelança” OBJETIVO Discutir a importância dos povos indígenas para a formação do povo brasileiro. PROBLEMATIZAÇÃO Qual tem sido o papel dos povos indígenas nas mudanças no/do campo no passado e nos dias atuais?

?

LER, OUVIR E DISCUTIR A MÚSICA “O OUTRO MUNDO DE XICÃO XUCURU” (Caderno Pedagógico da/o Educanda/o). Registrar as compreensões do grupo acerca da letra da música a partir das seguintes questões: Quais reflexões o relato desta luta provoca no grupo?

u

PARA LER, REFLETIR E DEBATER “A SERRA NEGRA, UM LOCAL SAGRADO” (Caderno Pedagógico da/o Educanda/o). Elaborar um quadro com os nomes dos povos indígenas de sua região, escolhendo palavras e imagens que sintetizem as formas de viver desses povos.

u

Organizar uma LINHA DO TEMPO com as características das diferentes formas de organização e de produção dos povos indígenas de sua região (...100 anos atrás, 50 anos e nos dias atuais).

u

Tem alguma semelhança com a luta dos povos indígenas de sua região? Qual(is) e por quê?

u

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Foto Ministério de Meio Ambiente 17-03-2006.Cop 8. Indios de todo pais na cop 8. Foto: Jefferson Rudy/MMA/ASCOM.

INVESTIGANDO... u “In loco”, em organizações ou instituições, em bibliotecas ou arquivos públicos, filmes, documentários, Internet... Sobre a situação dos atuais povos indígenas do seu município, da sua região, do seu território e do Brasil.

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Sobre as formas de organização do trabalho dos povos indígenas, a partir da seguinte questão: Há semelhanças com a Agricultura Familiar praticada na sua região? Por quê?

u

PAJELANÇA (do tupi pajé, curador, sacerdote, xamã) é um termo genérico aplicado às diversas manifestações do xamanismo dos povos indígenas brasileiros. Refere-se aos rituais nos quais um especialista entra em contato com entidades não-humanas (espíritos de mortos, de animais etc.) com o fim de resolver problemas que acometem pessoas ou coletividades.

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118 Arquivo: Revista Agriculturas - experiências em Agroecologia

SOCIALIZANDO AS DESCOBERTAS... u Pensar Formas de apresentar/ expor as informações e reflexões. u

Realizar debates.

SÍNTESES PROVISÓRIAS Produções coletivas, respondendo as questões:

PARA LER, REFLETIR E DEBATER: “QUEM, ONDE, QUANTOS?” (Caderno Pedagógico da/o Educanda /o).

INTEGRAÇÃO DE SABERES – Mobilizar o conjunto de Saberes das Ciências e Linguagens que está sendo trabalhado, a fim de aprofundar os conhecimentos do grupo sobre o problema estudado, com o intuito de solucioná-lo.

1. Que contribuições as formas de viver e se organizar dos povos indígenas trazem para a Agricultura Familiar? 2. O que podemos aprender das formas de viver desses povos no sentido da vida humanizante?

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119 Foto retirada do site http://www.proyanomami.org.br/img/23102006_rio_negro_08.jpg/ Professores e alunos Yanomami ornamentados para festa na despedida do grupo do Rio Negro.

“Pajelança” APROFUNDAMENTO DE SABERES Os textos abaixo estão disponíveis no Balaio de Saberes e podem ajudar na compreensão da temática em questão, assim como servir para trabalhos de Estudos Dirigidos com os/as Educandos/as: Arquivo: Revista Agriculturas - experiências em Agroecologia

Texto - “Resgate cultural e manejo da agrobiodiversidade em roças indígenas: experiências Kaiabi e Yudja no Parque Indígena do Xingu, MT.” Texto - “Os agentes agroflorestais indígenas do Acre.”

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120 Arquivo Comissão Pastoral da Terra

Jornaça OBJETIVO Refletir sobre as necessidades e possibilidades de construção e consolidação da autonomia do povo negro.

PROBLEMATIZAÇÕES Como analisamos a situação das pessoas negras em relação ao mundo do trabalho na Agricultura Familiar (condições, formas de organização e produção, remuneração, etc)?

?

ATIVIDADE Organizar as informações coletadas no Tempo Comunidade.

?

Como esses aspectos interferem na vida e nas relações cotidianas da população negra?

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Jornaça

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PARA LER, REFLETIR E DEBATER “ESTATUTO DA IGUALDADE RACIAL – OPORTUNIDADE DEMOCRÁTICA” (Caderno Pedagógico da/o Educanda/o). Reflexão sobre as informações, comparandoas com os dados do levantamento do Tempo Comunidade.

u

Discussão sobre as compreensões do grupo a partir da seguinte questão: Como percebemos, no nosso dia-a-dia, a situação das pessoas negras?

u

Arquivo SECOM/MEC

Garantir o registro das falas.

u

Em seguida, apresentamos outro texto composto de indicadores organizados em categorias. Esse texto poderá contribuir com nossa reflexão acerca da situação da população negra no Brasil.

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122 Arquivo MEC

LER “INDICADORES DE DESIGUALDADE DE GÊNERO E RAÇA NO MERCADO DE TRABALHO BRASILEIRO (2001)” (Caderno Pedagógico da/o Educanda/o).

ATIVIDADES Questões para refletir com os/as educandos/as:

? ?

O que pensam sobre essas informações?

Temos exemplos dessas situações em nossa comunidade?

?

O que queremos saber mais sobre o tema?

1. Divisão em grupos para realizar estudos e pesquisas sobre o tema. 2. Socialização das descobertas e dos possíveis resultados ou conclusões.

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Jornaça SÍNTESES PROVISÓRIAS Produzir textos e organizar peças teatrais, “enquetes”, dramatizações que ajudem a responder à seguinte questão:

?

Que possibilidades humanizantes vêm sendo construídas na sua comunidade para contribuir na luta pela AUTONOMIA da população negra?

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INTEGRAÇÃO DE SABERES – Mobilizar o conjunto de Saberes das Ciências e Linguagens que está sendo trabalhado, a fim de aprofundar os conhecimentos do grupo sobre o problema estudado, com o intuito de solucioná-lo.

http://www.carnavaldasculturas.com/images/SAMBA%20DE%20RODA%20SUERDIECK.jpg

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Conclusividade OBJETIVO Organizar a síntese do Eixo Temático estudado com base nas diversas produções construídas pelos Sujeitos Educativos nos Tempos Formativos (Escola e Comunidade).

PROBLEMATIZAÇÃO O que os sujeitos educativos julgam mais significativo nos conhecimentos construídos durante o estudo do Eixo Temático: Agricultura Familiar, identidade, cultura, gênero e etnia?

?

?

Que contribuições o Eixo Temático 1 traz para a sustentabilidade da Agricultura Familiar?

Conclusividade

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ATIVIDADE u Divisão da turma em grupos para retomar as SÍNTESES PROVISÓRIAS, construídas nas jornadas pedagógicas, a fim de relê-las, buscando o que foi mais significativo e recorrente nas produções. Observar em cada dimensão (Identidade, Cultura, Gênero e Etnia) do Eixo Temático:

1. Quais os problemas identificados? 2. Como foram enfrentados? 3. Que conhecimentos foram produzidos, individual e coletivamente?

u

Registrar as reflexões do grupo em documentos escritos, podendo utilizar, também, outras linguagens.

u

Socialização das produções dos grupos.

u

Organização de uma mandala, pelo grande grupo, com o intuito de visualizar os aspectos mais relevantes de cada dimensão do Eixo estudado, conforme o gráfico:

u

Etnia

Gênero

Agricultura Familiar

Cultura

Identidade Educador(a)_1_final_16_03_10.indd 125

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Avaliação Processual e Sistematização A avaliação, momento importante do processo ensino-aprendizagem, deve ter como objetivo principal diagnosticar esse processo para que, a partir disso, se encontre o melhor caminho a ser seguido no percurso formativo. A heterogeneidade de uma turma de jovens agricultores pode ser percebida em vários aspectos e níveis, como: idade, tempo fora da escola, qualidade da formação recebida e outros. Todos esses aspectos demonstram a imperiosa necessidade de um processo de avaliação que considere e responda a essa diferenciação. O processo de formação, para ser contínuo, necessita Arquivo Saberes da Terra/Piauí

Lembrem: ao final de cada etapa realizar uma

Síntese!

de um sistema de avaliação que informe a situação de desenvolvimento do aprendizado do educando constantemente, proporcionando a inclusão no processo de novas atividades e saberes que se fazem essenciais para estimular a boa aprendizagem.

A pedagogia utilizada na escola busca construir com o educando sua autonomia no processo de aprendizagem, e isso não se faz sozinho, ou seja, todos são sujeitos desse processo de construção coletiva (pais, mães, educandos, educadores e coordenação). A avaliação do processo formativo no projeto ocorre em três dimensões: i) dos/as educandos/as; ii) dos educadores e da coordenação; e iii) da família.

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Assim, busca-se uma avaliação da aprendizagem construída e do processo desenvolvido a partir da reflexão realizada pelo conjunto dos sujeitos, incluindo nisso uma prática de auto-avaliação e avaliação participativa, através da realização de encontros, assembléias, etc [encontros de familiares; reunião de colegiado de curso; reuniões de auto-avaliação nos grupos de estudos; reunião com parceiros institucionais; etc].

assiduidade, solidariedade, etc] e políticos [consciência crítica e organizativa: compreensão do contexto, capacidade de comunicação, capacidade de interação, autoformação, etc].

A sistematização da avaliação deve ser realizada sob a responsabilidade dos/as educadores/ as, através de fichas individuais [avaliação dos jovens] e relatórios [avaliação do processo].

Arquivo Saberes da Terra/Piauí

Em relação ao aprendizado escolar dos jovens, busca-se diagnosticar constantemente o aprendizado teóricoprático dos conhecimentos gerais e técnicos [através de produção textual, relatórios, elaboração de projetos, experimentações agrícolas, etc], assim como os aprendizados atitudinais [participação, responsabilidade,

NÃO ESQUECER

QUE A MELHOR AVALIAÇÃO É AQUELA QUE VAI SE FAZENDO DURANTE TODO O PROCESSO DE ESTUDO DO EIXO TEMÁTICO. VEJAM QUE FOI ESCRITO MUITA COISA. EM TODO O PROCESSO, O EDUCANDO E A EDUCANDA FORAM DEMONSTRANDO O INTERESSE, A RESPONSABILIDADE NA FEITURA DAS TAREFAS E NO TRABALHO DO TEMPO COMUNIDADE E DO TEMPO ESCOLA. NÃO HÁ MELHOR AVALIAÇÃO NEM MELHOR PROVA PARA COLOCAR NOTA.

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Anexos Educador(a)_1_final_16_03_10.indd 129

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Anexo 1

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Proposta de Roteiro para Entrevista Questionário a ser preenchido pelos(as) educandos(as) I – Dados Sobre o(a) Educando(a) 1- Nome: 2- Data de nascimento:

3- Idade:

5- Cidade em que nasceu:

6- Estado:

9- Carteira de Identidade:

10- CPF:

4- Sexo:

11- Título de Eleitor: 12- Pertencimento Juvenil: Resposta do entrevistado: ( ) ribeirinho(a) ( ) quilombola ( ) agricultor(a) familiar ( ) assentado(a) ( ) pescador(a) ( ) outro Qual?__________________________________________________________________ Observação do(a) educador(a): 13- Endereço: Comunidade: Cidade: Fone:

14- Mora com os pais: ( ) sim ( ) não.

Localidade: Município: e-mail:

Em caso negativo, por quê?

15- Em caso de necessidade, com quem o Programa deve entrar em contato? (Nome, vínculo e/ou parentesco, endereço e telefone): 16- Religião do Educando: 17- Religião da Família: 18- Há quanto tempo mora no meio rural? 19- Desde quando na comunidade atual? 20- Já morou na cidade? ( ) Sim. Em qual? Por quê?

( ) Não

21- Cor e descendência étnica: ______________________________________________________________________ Resposta do(a) educando(a) Observação do(a) educador(a): 22- Até que série do Ensino Fundamental você estudou:

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II – Dados Sobre a Família do Educando 23 - Nome do Pai: 24 - Nome da Mãe: 25 - Responsável (familiar de referência se não residir com a família biológica): 26 - Nome: 27 - Tipo de relação (pais adotivos, parentesco, amigo, etc): 28 - Quais atividades produtivas (agrícolas, agropecuária, etc.) a família desenvolve? 29 - Em quais atividades produtivas da família você participa?

III – Trajetória Escolar 30 - Conte brevemente sua trajetória escolar (séries cursadas, onde estudou, escola, comunidade, município, razões de ter interrompido os estudos, etc.): 31 - No momento presente, qual(is) sua(s) principal(is) motivação(ões) para retornar aos estudos?

32 - Qual(is) sua(s) expectativa(s) em relação ao Programa Saberes da Terra? 33 - Quais seus principais interesses em relação às áreas do conhecimento? (identificar as preferências por áreas/disciplinas/conteúdos):

IV – Sobre o seu lugar Conte um pouco da história do seu lugar (em que mora atualmente):

Obrigado! O preenchimento do questionário é muito importante para que possamos conhecer os educandos, suas histórias, famílias...

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Anexo 2

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Questões de Pesquisa Agricultura Familiar: IDENTIDADE Quem são os membros da rede familiar dos/as educandos/as que vivem-trabalham no/a lote/ terra/sítio da família [parentes e agregados]?

l

Quais fatos marcam a trajetória histórica e a formação da família dos educandos/as?

l

Como se deu a história de ocupação do/a lote/terra pela família e sua comunidade?

l

l Quantas famílias moram na sua comunidade? l

O que é ser jovem na minha comunidade?

Qual o tipo de trabalho que os membros da família dos educandos realizam?

l

Quais as formas de organização do trabalho no/a lote/terra da família dos educandos (existe contrato de pessoas, mutirão, trabalho de meia, etc)? l

CULTURA l Quais os principais hábitos e costumes cultivados pela família dos educandos e a relação deles com as manifestações culturais da comunidade? l Quais os festejos realizados em nossas comunidades?

Quais dessas festas estão relacionadas com o trabalho? l

Quais os tipos de danças, comidas, vestimentas que caracterizam sua comunidade? l

l Quais as principais características e produtos culturais da comunidade dos educandos? Que elementos, objetos e imagens, etc, caracterizam a comunidade?

Quem são as pessoas que atuam nas atividades produtivas no/a lote/terra da família? Quais são seus papéis?

l

l

Que profissões existem na comunidade?

Como se estabelecem as relações de trabalho na sua comunidade?

l

l Quais as principais fontes de renda da família

e da comunidade dos/as educandos/as?

Quais os problemas ambientais existentes nas comunidades?

l

l Quais as atividades produtivas e as instalações

(curral, viveiros, galinheiros, etc) existentes no/a lote/terras das famílias dos educandos?

l

Quais as produções na propriedade?

Quais foram as principais transformações ocorridas no/a lote/terra da família desde sua chegada?

l

Como está organizado o calendário da produção [agrícola] da comunidade?

l

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GÊNERO

ETNIA

l Como está dividido o trabalho doméstico na família e no/a lote/terra entre os membros da família?

l Como se deu a história da constituição da comunidade?

l Como você vê os papéis de homens e mulheres em sua família? l Como está organizada a participação das mulheres nas organizações sociais na comunidade?

Que organizações existem na comunidade? Existe associação nas comunidades? Quem participa dela e o que fazem? l

Qual o nível de confiança, solidariedade e preocupação com pessoas que não fazem parte de sua família? l

Que grupos ajudaram na formação da comunidade? l

Quais as características étnicas desses grupos? l

E hoje, as características étnicas são as mesmas? Quais? l

Quais as diferenças e semelhanças das etnias de nossa comunidade em relação à diversidade do município, do estado e do país? l

Quais os grupos/movimentos que discutem questões étnicas ou da diversidade na comunidade? l

E você, educador/a, o que modificaria nessas questões de pesquisa? De suas experiências, o que elegeria para pesquisar/ estudar/intervir no Tempo Comunidade? E, de volta ao Tempo Escola, como aproveitaria os resultados dos estudos e pesquisas para fortalecer e aprofundar o processo de elevação de escolaridade, qualificação social e profissional dos/as educandos/as? De que outra maneira você desenvolveria o estudo do Eixo 1?

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Anexo 3

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Definição dos Procedimentos de Pesquisa QUESTÕES DE PESQUISA Quem são os membros da rede familiar dos/as educandos/as que vivem-trabalham no/a lote/terra da família (parentes e agregados)?

l

Quais fatos marcam a trajetória histórica e a formação da família dos/as educandos/ as?

PROCEDIMENTOS DE PESQUISA Elaboração de texto sobre a história da família a partir de entrevista com membros da família sobre sua trajetória de vida (redação).

l

Identificação do percurso percorrido historicamente pela família até chegar ao/à lote/terra em que vive-trabalha (desenho sobre mapas).

l

l

Como se deu a história da conquista do/a lote/terra pela família e sua comunidade?

l

l

Como se deu a história da constituição da comunidade?

l

Quantas famílias moram na sua comunidade?

l

Organização da linha de tempo da família.

Organização de álbum da rede familiar de cada educando(a) (desenhos ou fotografias).

l

Organização de calendário históricocultural da família, com imagens e indicação de datas comemorativas, lembranças e descrição dos fatos que marcaram a vida familiar e de sua comunidade (aniversários, casamentos, festejos, etc).

l

Produção do mapa do/a lote/terra da família de cada educando.

l

Produção do mapa da comunidade de cada educando.

l

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QUESTÕES DE PESQUISA Qual o tipo de trabalho que os membros da família dos educandos realizam?

l

l Como está dividido o trabalho doméstico e

no/a lote/terra entre os membros da família?

l Quais as formas de organização do trabalho no/a lote/terra da família dos educandos (existe contrato de pessoas, mutirão, trabalho de meia, etc)? l Quem são as pessoas que atuam nas

atividades produtivas no/a lote/terra da família?

l

Que profissões existem na comunidade?

l Como se estabelecem as relações de trabalho na sua comunidade?

PROCEDIMENTOS DE PESQUISA Elaboração de tabela com descrição dos membros da família (idade, sexo, grau de parentesco, etc) e do trabalho realizado em casa, no/a lote/terra e/ou em outros lugares (outras profissões).

l

Elaboração de texto sobre o trabalho na comunidade dos/as educandos/as a partir da observação e reflexão sobre o cotidiano de suas famílias e comunidades (dissertação).

l

l Quais as principais fontes de renda da família

e da comunidade dos/as educandos/as?

l Quais os problemas ambientais existentes

nas comunidades?

Existem nascentes de rios, córregos, riachos nas comunidades?

l

l Em que situação se encontram os recursos

hídricos e a mata ciliar nas comunidades?

Quais as características do/a lote/terra da família? (relevo, rios, área de mata, área de roça, pasto, sítio, área de moradia, etc)

l

l Quais atividades produtivas e instalações

(curral, viveiros, galinheiros, etc) que existem no/a lote/terras das famílias dos educandos?

l

l Produção de mapa produtivo do/a lote/ terra, destacando as atividades produtivas e instalações (curral, viveiros, galinheiros, etc) que existem no/a lote/terras da família de cada educando. l Produção de mapas do/a lote/terra em

condições passadas, demonstrando as transformações ambientais ocorridas ao longo do tempo no/a lote/terra da família de cada educando.

Quais as produções na propriedade?

l Quais foram as principais transformações ocorridas

no/a lote/terra da família desde sua chegada?

Como está organizado o calendário da produção [agrícola] da comunidade?

l

Quais as festas na comunidade em relação ao trabalho?

l

l Continuação da construção do calendário histórico-cultural da família, com imagens e indicação de datas relativas à produção de sua família e comunidade (inicio de plantio, colheita, marés, tempo de chuvas, tempo de sol, festejos relativos à produção, etc...) l Organização do dicionário linguagem da família

e da comunidade relacionada à produção.

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QUESTÕES DE PESQUISA Quais os principais costumes e valores cultivados pela família dos educandos e sua relação com as manifestações culturais da comunidade?

l

Quais as danças e festejos realizados em nossas comunidades?

l

PROCEDIMENTOS DE PESQUISA Organização de calendário históricocultural da família, com imagens e indicação de datas das manifestações culturais que marcaram a vida em família e na sua comunidade (festejos, cultos religiosos, etc).

l

Coleta da produção artística realizada na/pela comunidade (poemas, musicas, pinturas, artesanato, etc).

l

Quais as principais características e produtos culturais da comunidade dos educandos? Que elementos, objetos e imagens, etc, caracterizam a comunidade?

l

Organização de álbum das manifestações culturais e produção artística das comunidades (poemas, músicas, pinturas, artesanato, etc).

l

Organização do dicionário linguagem da família e da comunidade, tendo relacionadas as manifestações culturais (valores, comportamentos, costumes, expressões, festas, danças, vestimentas, comidas, bebidas, etc).

l

Elaboração de texto sobre a compreensão de “ser jovem” a partir de auto-reflexão situada no cotidiano de suas famílias e comunidades.

l

l

Elaboração de texto sobre a realidade vivenciada pelas mulheres nas comunidades dos educandos, a partir da observação e reflexão sobre o cotidiano de suas famílias e comunidades.

Como está organizada a participação das mulheres nas organizações sociais na comunidade?

l

l O que é ser jovem na minha comunidade?

Como você vê os papéis de homens e mulheres em sua família?

l

l

l Que organizações existem na comunidade?

Produção do mapa da comunidade de cada educando/a, destacando participação política das famílias que compõem a comunidade.

Existe associação nas comunidades? Quem participa e o que fazem?

Qual o nível de confiança, solidariedade e preocupação com pessoas que não fazem parte de sua família?

l

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Elaboração de texto sobre as “relações de confiança e solidariedade entre os membros da comunidade”, a partir da observação e reflexão sobre o cotidiano de suas famílias e comunidades.

l

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137 Arquivo Revista Agriculturas - experiências em Agroecologia

Arquivo Ministério do Meio Ambiente

Arquivo Meio Ambiente

Arquivo Ministério do Meio Ambiente

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Anexo 4

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Relacionando os Saberes Integrados ÁREAS DO CONHECIMENTO

SABERES ESCOLARES

LINGUAGENS E SUAS TECNOLOGIAS

l Produção

textual: redação, pontuação, tempos verbais.

O trabalho, trabalho do agricultor, a condição da mulher trabalhadora e juventude na arte e na literatura.

l

A cultura, cultura popular e/ou cultura camponesa na arte e na literatura.

l

l

CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS

Manifestações culturais.

História da agricultura familiar na História Regional e História do Brasil.

l

Histórias e características dos diferentes grupos de agricultores familiares no Brasil e no Mundo.

l

l

Ser humano como sujeito histórico e cultural.

O trabalho como prática humana, a transformação da natureza pelo trabalho e o trabalho no sistema capitalista.

l

l

O papel da mulher e do jovem na Agricultura Familiar.

l

O ser humano e o meio ambiente.

Espaço geográfico, a transformação do ambiente através do trabalho humano e problemas ambientais; concepção de espaços produtivos, histórico das construções humanas.

l

l

As diferentes atividades produtivas e seus impactos.

Características da identidade cultural brasileira e sua formação, situando e problematizando as características culturais das famílias e comunidades dos educandos.

l

O corpo humano, a relação com a natureza, as relações sociais, etc, a partir de diferentes grupos culturais.

l

l

Cultura popular e cultura de massa.

l Diversidade

racismo, etc.

étnico-cultural, intolerância religiosa,

Participação política e social e a construção da cidadania, organização social, direitos e deveres.

l

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139

ÁREAS DO CONHECIMENTO CIÊNCIAS NATURAIS E SUAS TECNOLOGIAS

SABERES ESCOLARES l

Ciclos de vida e famílias de seres vivos diversos.

A agricultura Familiar e segurança alimentar e nutricional.

l

l

Relação trabalho e saúde (corpo humano).

A floresta, seus produtos e as comunidades que vivem das florestas (seringueiros, índios, castanheiros, palmiteiros, coletores de açaí, de pinhão e de pequi).

l

l

Os ciclos da natureza.

l

Conservação ambiental.

O ecossistema local, regional e nacional (fauna e flora; recursos naturais regionais; clima; etc).

l

CIÊNCIAS AGRÁRIAS E SUAS TECNOLOGIAS

Reforma Agrária e a luta pela terra na história do Brasil e no Mundo.

l

l

Histórico e Desafios da Agricultura Familiar na Região.

A multifuncionalidade da Agricultura Familiar regional e do Brasil, situando e problematizando as características das atividades produtivas das famílias e comunidades dos educandos.

l

O processo de decisão e ação coletiva dos agricultores familiares.

l

l

A relação da Agricultura Familiar com o meio ambiente.

Sistema de produção: conceito, constituição, funcionamento, hierarquia e diagnóstico e subsistemas.

l

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CADERNO 1 EDUCADOR AGRICULTURA FAMILIAR  

Caderno 1 Educador - agricultura familiar

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