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CONCRAB MAE 1.1.1 Manual do Acompanhamento das Empresas Sociais dos Assentamentos da Reforma Agrária 22.06.06

CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE OS IDEAIS DA REFORMA AGRARIA OBJETIVOS GERAIS 1.Construir uma sociedade sem exploração e onde o trabalho tem supremacia sobre o capital; 2. A terra é um bem de todos. E deve estar a serviço de toda a sociedade; 3. Garantir trabalho a todos, com justa distribuição da terra, da renda e das riquezas; 4. Buscar permanentemente a justiça social e a igualdade de direitos econômicos, políticos, sociais e culturais; 5. Difundir os valores humanistas e socialistas nas relações sociais; 6. Combater todas as formas de discriminação social e buscar a participação igualitária da mulher. PROGRAMA DE REFORMA AGRÁRIA 1. Modificar a estrutura da propriedade da terra; 2. Subordinar a propriedade da terra à justiça social, às necessidades do povo e aos objetivos da sociedade; 3. Garantir que a produção da agropecuária esteja voltada para a segurança alimentar, a eliminação da fome e ao desenvolvimento econômico e social dos trabalhadores; 4. Apoiar a produção familiar e cooperativada com preços compensadores, crédito e seguro agrícola; 5. Levar a agroindústria e a industrialização ao interior do país, buscando o desenvolvimento harmônico das regiões e garantindo geração de empregos especialmente para a juventude; 6. Aplicar um programa especial de desenvolvimento para região do semi-árido; 7. Desenvolver tecnologias adequadas à realidade, preservando e recuperando os recursos naturais, com um modelo de desenvolvimento agrícola autosustentável; 8. Buscar um desenvolvimento rural que garanta melhores condições de vida, educação, cultura e lazer para todos.

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CARTA DO 5º CONGRESSO NACIONAL DO MST Nós, 17.500 trabalhadoras e trabalhadores rurais Sem Terra de 24 estados do Brasil, 181 convidados internacionais representando 21 organizações camponesas de 31 países e amigos e amigas de diversos movimentos e entidades, estivemos reunidos em Brasília entre os dias 11 e 15 de junho de 2007, no 5º Congresso Nacional do MST, para discutirmos e analisar mos os problemas de nossa sociedade e buscarmos apontar alternativas. Nos comprometemos a seguir ajudando na organização do povo, para que lute por seus direitos e contra a desigualdade e as injustiças sociais. Por isso, assumimos os seguintes compromissos: 1. Articular com todos os setores sociais e suas formas de organização para construir um projeto popular que enfrente o neoliberalismo, o imperialismo e as causas estruturais dos problemas que afetam o povo brasileiro. 2. Defender os nossos direitos contra qualquer política que tente retirar direitos já conquistados. 3. Lutar contra as privatizações do patrimônio público, a transposição do Rio São Francisco e pela reestatização das empresas públicas que foram privatizadas. 4. Lutar para que todos os latifúndios sejam desapropriados e prioritariamente as propriedades do capital estrangeiro e dos bancos. 5. Lutar contra as derrubadas e queimadas de florestas nativas para expansão do latifúndio. Exigir dos governos ações contundentes para coibir essas práticas criminosas ao meio ambiente. Combater o uso dos agrotóxicos e o monocultura em larga escala da soja, cana-deaçúcar, eucalipto, etc. 6. Combater as empresas transnacionais que querem controlar as sementes, a produção e o comércio agrícola brasileiro, como a Monsanto, Syngenta, Cargill, Bunge, ADM, Nestlé, Basf, Bayer, Aracruz, Stora Enso, entre outras. Impedir que continuem explorando nossa natureza, nossa força de trabalho e nosso país. 7. Exigir o fim imediato do trabalho escravo, a super-exploração do trabalho e a punição dos seus responsáveis. Todos os latifúndios que utilizam qualquer forma de trabalho escravo devem ser expropriados, sem nenhuma indenização, como prevê o Projeto da Lei já aprovado no Senado. 8. Lutar contra toda forma de violência no campo, bem como a criminalização dos Movimentos Sociais. Exigir punição dos assassinos – mandantes e executores - dos lutadores e lutadoras pela Reforma Agrária, que permanecem impunes e com processos parados no Poder Judiciário. 9. Lutar por um limite máximo do tamanho da propriedade da terra. Pela demarcação de todas as terras indígenas e dos remanescentes quilombolas. A terra é um bem da natureza e deve estar condicionada aos interesses do povo. 10. Lutar para que a produção dos agrocombustíveis esteja sob o controle dos camponeses e trabalhadores rurais, como parte da policultura, com preservação do meio ambiente e buscando a soberania energética de cada região. 11. Defender as sementes nativas e crioulas. Lutar contra as sementes transgênicas. Difundir as práticas de agroecologia e técnicas agrícolas em equilíbrio com o meio ambiente. Os assentamentos e comunidades rurais devem produzir prioritariamente alimentos sem agrotóxicos para o mercado interno.

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CONCRAB MAE1.1.1Anexo1 Manual do Acompanhamento das Empresas Sociais dos Assentamentos de Reforma Agrária

20.08.07 12. Defender todas as nascentes, fontes e reservatórios de água doce. A água é um bem da Natureza e pertence à humanidade. Não pode ser propriedade privada de nenhuma empresa. 13. Preservar as matas e promover o plantio de árvores nativas e frutíferas em todas as áreas dos assentamentos e comunidades rurais, contribuindo para preservação ambiental e na luta contra o aquecimento global. 14. Lutar para que a classe trabalhadora tenha acesso ao ensino fundamental, escola de nível médio e a universidade pública, gratuita e de qualidade. 15. Desenvolver diferentes formas de campanhas e programas para eliminar o analfabetismo no meio rural e na cidade, com uma orientação pedagógica transformadora. 16. Lutar para que cada assentamento ou comunidade do interior tenha seus próprios meios de comunicação popular, como por exemplo, rádios comunitárias e livres. Lutar pela democratização de todos os meios de comunicação da sociedade contribuindo para a formação da consciência política e a valorização da cultura do povo. 17. Fortalecer a articulação dos movimentos sociais do campo na Via Campesina Brasil, em todos os Estados e regiões. Construir, com todos os Movimentos Sociais a Assembléia Popular nos municípios, regiões e estados. 18. Contribuir na construção de todos os mecanismos possíveis de integração popular LatinoAmericana, através da ALBA - Alternativa Bolivariana dos Povos das Américas. Exercer a solidariedade internacional com os Povos que sofrem as agressões do império, especialmente agora, com o povo de CUBA, HAITI, IRAQUE e PALESTINA. Conclamamos o povo brasileiro para que se organize e lute por uma sociedade justa e igualitária, que somente será possível com a mobilização de todo o povo. As grandes transformações são sempre obra do povo organizado. E, nós do MST, nos comprometemos a jamais esmorecer e lutar sempre. REFORMA AGRÁRIA: Por Justiça Social e Soberania Popular! Brasília, 15 de junho de 2007

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CONCRAB MAE1.1.2 Manual do Acompanhamento das Empresas Sociais dos Assentamentos de Reforma Agrária Grupo metodologia 16.08.07

FOMENTO DE COOPERAÇÃO Este texto descreve os passos orientativos para pesquisar e fomentar a possibilidade de formar um grupo para uma ação coletiva organizada, seja uma atividade de produção, de serviços, comercial, social, de lazer ou cultural. A cooperação pode ser organizada de modo formal, por exemplo, em cooperativa de trabalho, associação etc. ou informal como uma mutirão etc. A palavra cooperação significa: agir juntos para um fim comum, se unir com outros fazer o que outros querem muitas vezes contra própria vontade, saber frustrar, desenvolver autodisciplina se relacionar com outros e assim consigo mesmo (maior contato com o interior e assim autoconsciência) considerar outros, fazer bem, agir pelo amor

se próprio

Nos grupos coletivos (como nas famílias) observa-se brigas ou conflitos abafados, intrigas, lutas pelo poder, sabotagem de decisões coletivas, desonestidade, roubo, preguiça etc. portanto, a cooperação é um objetivo desafiante sendo que a estrutura da nossa sociedade é baseada nos valores opostos, tais como concorrência, exploração, materialismo (economisismo) e individualismo. A própria cultura da agricultura familiar se baseia no capitalismo. Seus valores invertidos são muito enraizados no nosso interior mesmo que intelectualmente discordamos com eles. Fomentar cooperação, é fomentar a sanidade humana, fomentar saúde psíquica, física e social-economica. Um dos ingredientes de cooperação é uma visão ou fé, fé nas próprias condições, fé no outro, nos ideais de uma sociedade mais justa e na vida mais feliz, fé em algo superior. “Fé transporta montanhas.” Quando um grupo de pessoas se une para cooperação, seu sucesso depende bastante da sua finalidade. Se o objetivo de cooperação vai alem dos interesses pessoais (econômicos) do grupo, o sucesso é mais provável. Se o objetivo é focado essencialmente nas vantagens pessoais, no econômico, os conflitos e descontentamentos ganham facilmente muita força. O grupo que tem um forte ideal social, político e/ou ecológico, não se envolve tanto com picuinhas e intrigas de poder. As vezes a necessidade de cooperação é de curto prazo, como um mutirão, uma luta limitada, sobrevivência imediata, moradia, ou de longo prazo, como a luta pela reforma agrária e pela transformação social, saúde, educação, produção coletiva, futuro dos jovens etc. Se o objetivo é de curto prazo, a cooperação é temporária e acaba quando o objetivo é alcançado. Talvez isto explique a certa facilidade de cooperação no inicio de luta pela terra em acampamento e na ocupação. Quando o grupo conseguiu a terra, o objetivo concreto foi alcançado, a necessidade de cooperação foi cumprida, portanto o motivo da cooperação sumiu. Os trabalhadores do campo foram sempre oprimidos, praticamente escravizados. Como Paulo Freire mostra há tendência que eles na sua libertação se tornarem opressores e assim difíceis de cooperarem entre si. Por isso é importante desenvolver sistematicamente os métodos de conscientização no nível coletivo e individual para lidar abertamente com arrogância, desonestidade, destrutividade (inveja), passividade, medo e agressividade. A reforma agrária está com um publico diferente de uns dez anos atrás quando o povo tinha um maior vinculo com a terra, tinha cultura de trabalhar e produzir. Hoje as características das pessoas que procuram o movimento são diferentes, há pessoas

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CONCRAB MAE1.1.2 Manual do Acompanhamento das Empresas Sociais dos Assentamentos de Reforma Agrária Grupo metodologia 16.08.07 urbanizadas, despolitizadas, imediatistas, sem vinculo com a terra e portanto só entram na cooperação se tiver retorno imediato. Com elas é necessário concentrar esforços para alcançar os objetivos imediatos de alimentação, saúde e moradia, e simultaneamente despertar anseios e objetivos coletivos, despertar consciência política, humana e econômica. O tema é estruturado em seguintes itens: 1 Preparativos 2 3 4 5

Contatos iniciais Motivação para cooperação Conteúdo da proposta/plano de cooperação Outras entidades atuando no coletivo

1 Preparativos Como esta abordagem é metodológica, é importante estudar publicações que dão uma visão mais ampla dos princípios e das prioridades de cooperação, por exemplo: -

A cooperação agrícola nos assentamentos, Caderno de cooperação numero 20, MST, 1993 Sistema cooperativista dos assentados, Caderno de Cooperação Agrícola numero 5, Concrab, 1997 Enfrentar os desafios da organização nos assentamentos, Caderno de Cooperação Agrícola numero 7, Concrab, 1998 As experiências clássicas de cooperação agrícola, cadernos das experiências históricas da cooperação numero 3, Concrab, 2001 O que levar em conta para a organização do assentamento – a discussão no acampamento, Anca, 2002 Planejamento pelo método de validação progressiva, Coceargs, 2004 Novas formas de assentamentos de reforma agrária – a experiência da comuna da terra, Caderno de Cooperação Agrícola numero 15, Concrab, 2004 A constituição e o desenvolvimento de formas coletivas de organização e gestão do trabalho em assentamentos de reforma agrária, Caderno de Cooperação Agrícola numero 11, Concrab, 2004 Um novo impulso para a organização dos assentamentos e da cooperação, (texto) Concrab, SPCM, abril 2006 Balanço político da cooperação no MST - caminhos percorridos e seus limites, (texto) Concrab, abril 2006 Cooperação agrícola – eixos prioritários de ação, princípios e formas, Caderno de cooperação numero 5, edição revista e ampliada, Concrab, 2007

2 Contatos iniciais Identificar a necessidade de cooperação, avaliar seu grau de organização e estagio de desenvolvimento. Manter um contato continuo com a coordenação regional e da estadual. Planejar visitas ao local após ter traçado uma estratégia com a direção estadual (setor de produção) e com os técnicos da Assistência Técnica. Contatar e conversar com as pessoas individualmente e/ou em grupos informais e com a liderança local durante, se possível, vários dias. Agir de modo aberto sem colocar suas próprias idéias para que a visão do grupo prevaleça. Fazer perguntas e anotações sobre: -

Como é o histórico do grupo?

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Levantar que desejos e sonhos as pessoas tem nos campos social, político, ecológico e econômico (evitar a influenciá-las não colocar próprias opiniões). Detectar que tipo de cultura que o grupo está acostumado. Que tipo de atividade coletiva o grupo já pensou? Como são os recursos naturais da região? Que tipo de mercado é possível acessar? Que tipo de produção, serviço ou comercialização é viável na região? Listar alternativas de possíveis atividades coletivas. Existe PRA (Plano de Recuperação do Assentamento) ou PDA (Plano de Desenvolvimento do Assentamento)? Qual é o seu conteúdo? Se o grupo já vivenciou alguma situação traumatizante de cooperação, descrever esta ocorrência. Avaliar o estado emocional do grupo, se há alegria, união, afeto e confiança entre si ou se há desconfiança, descontentamento, medo, agressividade, tristeza, procurar conscientizar o grupo sobre isto. Esclarecer se há conflitos importantes. Resumir os fatores de união do grupo.

Fazer um estudo e organizar discussão sobre o que é cooperação em suas varias formas usando textos e orientações existentes. Procurar identificar pessoas que tenham mais interesse pela cooperação, fomentar interesse e posição deles, procurar criar um grupo aliado de cooperação que toma iniciativa e que se torna cada vez maior e mais forte. Trabalhar pessoas potenciais um por um nesse sentido é uma ação estratégica. A formação e atuação deste grupo é fundamental para o sucesso do trabalho. Analisar as informações, documentos, respostas, dados e conversas para poder começar a preparar um esboço de proposta de cooperação (vide sobre seu conteúdo o item 4 do texto) com varias alternativas para a discussão em núcleos de base e grupos informais para depois levar o assunto a ser debatida na assembléia a ser planejada. Procurar a envolver a direção estadual e os técnicos na discussão. 3 Motivação para cooperação 3.1 Despertar consciência política e humana A base psicológica de cooperação está na consciência, por isso o seu despertar é essencial. Consciência política é entendida de modo amplo: -

-

Consciência sobre o sistema econômico, sistema capitalista onde quem tem mais capital (mais bens, dinheiro) tem mais poder. Assim a democracia não se baseia na regra, uma pessoa tem um voto, mas na regra, um real significa um voto porque o poder verdadeiro reside no poder econômico e não tanto no político. Assim as leis do sistema atual são invertidas. Consciência social, como os valores e as instituições do sistema capitalista são feitos para proteger e acumular o poder e não o ser humano a natureza. Consciência humana, num lado consciência de riquezas humanas em todo ser humano e noutro lado consciência da patologia humana no coletivo e individual. Com a patologia humana se entende o aspecto doentio da vida psíquica de todos nos, a parte neurótica, em outras palavras fantasias, corrupção, desonestidade, más intenções, censura, egocentrismo etc.

Discutir os ideais da reforma agrária apresentados. Estes ideais podem ser resumidos de uma forma que eles tocam mais fortemente o sentimento da pessoa, de forma que eles sejam mais fáceis a serem divulgados e lembrados, e eles podem ser unidos com ideais mais amplas apontando, por exemplo, seguintes bandeiras:

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democracia direta na vida política e econômica; todos votam sobre assuntos importantes tanto na vida politica-social como econômica; todos pobre e rico, tem a condição de participar igualmente; socialismo de autogestão trabalho assalariado é uma forma de alienação e exploração; trabalhador tem que ser dono da empresa em que trabalha proteção de natureza; imposto internacional de transporte de mercadorias para fomentar produção e consumo local imposto internacional de transações financeiras (taxa Tobin) para ser usado para reduzir pobreza mundial todos os seres humanos tem direito de morar e trabalhar onde quiser sem fronteiras entre os paises

A bandeira deve ter uma mensagem entusiasmante e contagiosa em vez de critica e reivindicatória. Ela é a visão. Despertar e desenvolver durante o processo inteiro a consciência política e humana nos todos os seus aspectos. Isto é um processo de educação. Um dos maiores filósofos ocidentais, Platão na antiga Grécia desistiu de tentar realizar mudanças no sistema de poder via política, ele escolheu o caminho de educação, em outras palavras conscientização. 3.2 Discussão sobre vantagens e desvantagens de cooperação Levantar o assunto de cooperação destacando a sua importância e lembrando por exemplo como ela foi fundamental na fase de acampamento e ocupação, na defesa de direitos, como uma força de seres humanos contra a submissão (povo unido jamais será vencido). Escolher textos já prontos do MST e resumir-los e transforma-los em uma ordem pratica de conscientização conforme a situação do grupo. Preparar e apresentar uma listagem de vantagens práticas e se possível mensuráveis de cooperação e também possíveis desvantagens. Procurar elaborar um comparativo entre os resultados sociais, políticos e econômicos entre as alternativas do trabalho individual e do trabalho coletivo. Incentivar uma discussão sobre elas: Vantagens materiais o o o o o o o o o o o

União das forças gera segurança (alimentação, saúde, aposentadoria, segurança física etc.) e política (instrumento de luta). Possibilita economia de escala. Aumenta produtividade de trabalho. Cria melhores condições de acumular investimentos (instalações, maquinário etc.). Possibilita processos mais complexos de produção, industrialização e comercialização, inclusive exportação. Facilita uma maior racionalização das maquinas e instalações e a introdução de tecnologias apropriadas ao trabalho e ao meio ambiente. Possibilita especialização profissional. Eleva o poder de negociação, na hora de compra e de venda. Cria maior possibilidade de diversificar as linhas de produção Facilita a troca de experiências e conhecimentos Facilita discussão e conscientização sobre a ecologia

Vantagens psico-sociais o o o

Estimula consciência social e individual e assim crescimento pessoal. Facilita a urbanização de moradias em agrovilas que reduz o isolamento. Possibilita ensino e capacitação profissional e especialização diversificada.

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CONCRAB MAE1.1.2 Manual do Acompanhamento das Empresas Sociais dos Assentamentos de Reforma Agrária Grupo metodologia 16.08.07 o o o o o o o o o

Fortalece movimentos sociais possibilitando a liberação á atividades político-sociais. Fortalece o sentimento de segurança. Fomenta satisfação em relação á finalidade de vida. Produz alegrias e amizades diversificadas e profundas. Incentiva a capacitação profissional dos jovens. Facilita conscientização sobre questão de gênero e sobre educação dos filhos. Há mais condições de organizar lazer e esporte. Facilita a organização de transporte coletivo. Não se pode com tanta facilidade esconder comportamentos destrutivos.

Vantagens políticas o o o o o o

Reforça a resistência ao modelo capitalista de produção e de seus princípios. Fortalece a retaguarda do movimento de reforma agrária. Proporciona formação de quadros de militantes de reforma agrária. Facilita conscientização política e social sobre a sociedade e sobre modelos alternativos. Reforça a posição de articulação política. Acumula forças para a transformação social e econômica.

Desvantagens materiais o o o

Processos de tomada de decisões tornam mais demorados e complicados. A necessidade de planejamento e controles aumenta (o que não é necessariamente negativo) Os integrantes estão se sujeitando mais concretamente ás mas intenções (inveja) dos outros.

Desvantagens psico-sociais o o o

Tem que tolerar conflitos de opiniões (no outro lado isto madurece a pessoa, o que é bom). Tem que se submeter às decisões de maioria não podendo fazer o que quiser. As vezes as reuniões são chatas e demoradas.

Desvantagens políticas o

Não há.

Usar material audiovisual, textos e depoimentos para descrever as experiências positivas de cooperação, organizar visitas e intercambio. Escolher alguns casos existentes de cooperação que sirvam como exemplo e descreve-los resumidamente. Planejar e realizar visitas aos coletivos que tenham experiências correspondentes, tais como Copavi, PR, Coopan, RS, Cooperunião, SC, Coopac, MT... 3.3 Estudar formas de organização e questão de fator humano Conforme a necessidade do grupo escolher textos do manual, distribuir cópias e discutir os assuntos tais como por exemplo: Princípios e formas de organização do trabalho coletivo Regras essenciais de direitos e responsabilidades dos sócios Princípios de transparência

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Auditoria financeira Estudar a cartilha Relações humanas e cooperação.

Incentivar perguntas e duvidas, ter tolerância com criticas e descontentamentos que os temas possam despertar. Observar e permitir as desconfianças e criticas mas não dar poder essencial para elas. Concentrar a atenção nas possibilidades e nas vantagens de uma ação coletiva. Sentir o amadurecimento do grupo. 3.4 Um grupo com experiências negativas de cooperação No caso de um grupo desestimulado, que já tive experiências frustrantes de cooperação, é importante levantar detalhadamente o histórico do grupo, possíveis erros de administração para poder aprender com eles, e possíveis desvios de dinheiro para poder promover um sistema confiável de transparência. O passado tem que ser bem esclarecido e tirado todo possível aprendizado para que o grupo possa ter confiança mínima necessária para uma nova tentativa. Nesse processo de fomento de cooperação não se deve caçar os culpados para puni-los ou moraliza-los (se isto é necessário, isto deve ser feito num processo separado). Julgando e condenando não se fomenta cooperação. O importante é que tudo do passado fica tão abertamente esclarecido que possível. Nesse momento o objetivo é saber, aprender e conscientizar-se, todos erraram de alguma maneira, ou pela conivência ou indiferença ou alienação ou por falta de não exigir informações ou até a própria destrutividade. Um fracasso é um importante aprendizado mas não deve ser confundida com uma derrota. 3.5 Sobre resistências de cooperação A cultura capitalista é contraria a cooperação, ela fomenta individualismo e desconfiança, vivemos numa concorrência acirrada onde um é inimigo do outro, por tanto não é de estranhar a resistência que pessoas tem simplesmente se reunir e discutir juntos. Por isso a dificuldade de cooperação começa desde a primeira reunião, como motivar pessoas a virem a uma reunião. Valorizar a presença das pessoas que vem e não as pessoas ausentes. Preparar reuniões bem para que sejam produtivas e agradáveis. É comum que as pessoas sentem medo e assim resistência de se envolver entre elas economicamente por causa de: 1

Questões práticas:

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falta de transparência financeira e econômica medo de algumas pessoas mais ativas e agressivas e egoístas tomarem o poder sobre o grupo o falta geral de regras claras Questões subjetivas: o o

o

o o o o

como cada um de nos tem tendência de acreditar que eu sou melhor que outros, que eu trabalho melhor com mais empenho, eu não vou querer me unir com mais fracas ou preguiçosas, não quero carregá-las nas minhas costas (idealização de si mesmo) medo de me envolver com outros porque isto leva á conscientização do seu individualismo, de suas limitações e más intenções (perfeccionismo) comodidade e passividade (autonegação e negação da vida, inveja) medo de mudanças de vida e assim resistência de querer ter uma melhor qualidade de vida (inveja) muita repressão interna (medo e tensão crônico) que deixa a pessoa bloqueada de se expressar e comunicar, receio de contato consigo mesmo

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CONCRAB MAE1.1.2 Manual do Acompanhamento das Empresas Sociais dos Assentamentos de Reforma Agrária Grupo metodologia 16.08.07 e por tanto com medo de estar em contato com os outros (medo de consciência, censura) As questões práticas podem ser trabalhadas e resolvidas tecnicamente assunto por assunto. Mas as questões subjetivas são mais complicadas. Normalmente as pessoas não querem revelar sua desconfiança e medo, fatores subjetivos (empecilhos) e para evitar disto usam outros tipos de argumentos ou não se expressam nada para resistir e enterrar a idéia da ação coletiva. A conscientização dos empecilhos internos em cada um é um processo necessário mesmo que difícil. Os técnicos têm tendência de crer nos argumentos expostos e não perceber suficientemente os problemas irracionais (empecilhos ou desvios ideológicos) como inveja, maldade, censura e egoísmo. Para lidar com as questões subjetivas se estude e discute o conceito sobre o ser humano, suas riquezas e seus empecilhos. O objetivo é que cada um com o seu jeito possa conscientizar-se sobre seus medos, repressão, censura, inveja (destrutividade), egoísmo e resistência de se conhecer através do contato com outros. Como ferramenta utilizar, por exemplo, critica construtiva dialética e conscientização d condutas em coletivo. Às vezes se constata no sentido critico que o cooperado não se sente como dono do seu negocio. Nem poderia, porque a empresa social pertence ao coletivo e não a ele (só), ele não é dono, ele é cooperado pertencendo ao coletivo que tem objetivos comuns do seu interesse. O coletivo é o dono (legal) do empreendimento. Sentir-se como dono pertence á filosofia capitalista. Portanto em vez de incentivar a sensação de ser dono, deve se estimular o espírito de solidariedade e amor que são bases de uma verdadeira união. O que o cooperado muitas vezes tem de falha, é falta de interesse, de iniciativa e de responsabilidade. Mas isto acontece independente se ele é um cooperado ou um agricultor familiar. Cooperação se baseia num espírito coletivo e no sentido de solidariedade, no amor pelos outros e pela natureza, valores que são contrários à sociedade atual. A melhor maneira de lidar com a resistência é desvendá-la, admiti-la, não dá poder psicológico á ela (não se irritar com ela), conversar sobre ela abertamente com tolerância, não forçar a barra, e preparar mais e mais pessoas para se manifestarem á favor de cooperação nas reuniões e assembléias.

4 Conteúdo da proposta/plano de cooperação 4.1 A proposta inicial de cooperação A proposta inicial de cooperação na área de produção, serviços ou comercial deve ter as seguintes questões abordadas: 1 A escolha das atividades a serem desenvolvidas, o que requer uma discussão sobre assuntos: a. A síntese dos desejos do grupo no sentido político, social e econômico b. No caso de produção, mapear recursos naturais locais de produção c. A estratégia de comercialização. 2 Formulação do plano preliminar de negócio que engloba a visão geral de produção, comercialização, planejamento de recursos financeiros e outros, fluxo de caixa e resultados econômicos. As propostas e idéias serão debatidas na assembléia tantas vezes que necessário e gradativamente é formada um plano de cooperação a ser colocada em discussão. Ao lado disto é necessário organizar a formação das pessoas envolvidas nos dois aspectos: formação política; ideais do movimento, princípios de organicidade, consciência política, social-econômica e humana em geral etc.

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CONCRAB MAE1.1.2 Manual do Acompanhamento das Empresas Sociais dos Assentamentos de Reforma Agrária Grupo metodologia 16.08.07 -

formação técnica; administração de cooperação, contabilidade, transparência, fator humano, produção coletiva etc.

Continuar manter a coordenação estadual informada e envolvida com o projeto. 4.2. Plano de cooperação Desenvolver o plano de cooperação para que ele tenha agora as seguintes informações: 1 Forma de organização do empreendimento 2 Plano de produção 3 Plano de comercialização 3 Planejamento de instalações, maquinário e ferramentas 4 Planejamento de aquisição de recursos financeiros 5 Projeto Econômico 6 Um organograma inicial 7 O fluxo de caixa Debater o plano na assembléia e quando aprovado organizar um grupo de coordenação para sua realização e acompanhamento. De medida que se adquire novas informações e experiências, o plano será desenvolvido e detalhado. É essencial que se faz um esforço suficiente para que, se possível, todos no coletivo sejam conscientes do andamento do plano e envolvidos na sua execução.

5 Outras entidades atuando no coletivo É necessário de conhecer e cooperar com as possíveis outras entidades e atores que atuam com o coletivo e tentar integrar forças positivas, como sindicatos, igreja, partidos políticos, prefeitura, INCRA, vizinhos, ONGs etc. Por outro lado é bom detectar e lidar com forças negativas para desvendá-las e neutralizar o poder de

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CONCRAB MAE 1.2.1 Manual do Acompanhamento das Empresas Sociais dos Assentamentos da Reforma Agrária Pertti 05.08.04

PLANEJAMENTO ESTRATEGICO O planejamento estratégico é uma ferramenta essencial para poder administrar um empreendimento com sucesso. “Planejamento estratégico é o processo através do qual a organização se mobiliza para construir seu futuro.” O planejamento possibilita auto-avaliação. Os sócios podem analisar os fatores atuais, tendências, e mudanças previstas e podem projetar no futuro a visão que queriam realizar com o empreendimento. Isto significa a formação de um plano para os próximos cinco anos, o que vai ser produzido, como a organização e as capacidades dos sócios vão ser desenvolvidas. Isto resulta também num plano estratégico de investimentos necessários em instalações, equipamentos e outros meios de produção. O processo de planejamento consta em uma serie de reuniões onde em etapas definidas se estuda fatos, informações e forma idéias e objetivos. O ideal seria se todos os sócios participassem no processo para que assim todos se comprometessem com o plano. O processo é repetido todo ano e cada vez será mais fácil de realiza-lo. A primeira rodada é o mais difícil sendo que falta a pratica. Em seguida estão descritas as etapas do processo. Definição da missão do empreendimento Elaboração de uma definição sucinta que descreve as razões da existência da organização, sua ligação com os ideais do MST, tais como ser um agente de transformação social, de desenvolver novas alternativas ecológicas e/ou modelos de organização de trabalho etc. Procura-se também formar uma visão sobre o seu futuro desejado e suas características únicas. Definição dos valores e princípios Uma definição da filosofia, valores e princípios que unem os sócios para trabalhar numa trajetória consciente para atingir os objetivos da missão. Possíveis produtos/serviços Escolha e descrição os produtos que possam ser integrados na produção identificando aquilo que possa distinguir a especialidade da empresa. Avaliação do macro-ambiente Analise do mundo externo (o mundo, a globalização, o ambiente nacional e local), descrição das principais tendências, políticas econômicas, sócias e culturais, e mudanças previstas. Uma reflexão como tudo isto vai afetar o empreendimento na pratica. Avaliação do ambiente interno Descrição da forma de gestão, das limitações financeiras e de outros recursos, das possibilidades de expansão e diversificação. A avaliação geral da organização e identificação das necessidades de seu desenvolvimento. Descrição dos pontos fortes e pontos fracos da empresa.

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CONCRAB MAE 1.2.1 Manual do Acompanhamento das Empresas Sociais dos Assentamentos da Reforma Agrária Pertti 05.08.04 Diagnostico Analisar o macro-ambiente e o ambiente interno, fazer um diagnostico dos principais desafios que a organização enfrenta pensando na adequação das atividades desenvolvidas em novas frentes de atuação. Estratégias de ação Definir quais são as estratégias a serem adotadas para cada uma das mudanças a serem perseguidas nas diferentes áreas da organização: Organização em geral Marketing e vendas Desenvolvimento de produtos Capacidade e tecnologia de produção Qualidade de produto/serviço Finanças Quadro de sócios Capacitação e produtividade Instalações e equipamentos Informática e sistemas Auditoria e transparência Qualidade de vida O resultado desta etapa é o plano estratégico da empresa. Transformação das estratégias em metas especificas Estabelecer metas especificas para um período de um a cinco anos. As metas podem estar relacionadas com uma ou mais estratégias que foram estabelecidas. Elas devem ser facilmente monitoradas e avaliadas de forma quantitativa. (Uma das fontes: Fundação Getulio Vargas, ISAE, curso Administrando organizações do terceiro setor, prof. Luiz Carlos Merege)

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CONCRAB MAE1.4.1 Manual do Acompanhamento das Empresas Sociais dos Assentamentos da Reforma Agrária Grupo Metodologia 24.08.04

PASSOS DE TRABALHO

FUNDAÇÃO

DE

UMA

COOPERATIVA

DE

Como as empresas sociais são registradas na sua maioria como cooperativas de trabalho, abaixo está um simples roteiro para sua fundação formal: Passos para fundação 1

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Reuniões dos trabalhadores com as seguintes finalidades: a. Determinar os objetivos da cooperativa. (Os objetivos devem ser definidos de forma flexível para que as atividades da cooperativa/empresa social possam ser ampliadas conforme futuras oportunidades e necessidades, por exemplo, quando os jovens se formarem em diferentes profissões e devem ser integradas na empresa.) b. Escolher uma comissão para tratar das providências necessárias à criação da cooperativa. c. Verificar a necessidade sentida por todos os interessados. d. Definir os interessados dispostos a cooperar. e. Estabelecer condições de subscrição e integralização do capital necessário ao funcionamento da cooperativa. Essas reuniões são de suma importância para o futuro da nova empresa. Os objetivos e atividades da empresa, dependendo de como são definidos, são muito importantes para o sucesso dela. A comissão elabora uma proposta de Estatuto Social (vide um modelo MAE1.4.2) e o regimento Interno (vide um exemplo MAE1.4.3). A comissão distribui para os interessados uma copia da proposta de Estatuto e do Regimento, realizando reuniões para discussão de todos os itens. (São o estatuto e o regimento que definem como funciona a cooperativa, quais os direitos e deveres de cada participante, sendo assim todos os associados devem conhecê-los bem e participarem ativamente de sua elaboração.) A comissão convoca as pessoas interessadas para a Assembléia Geral de Constituição da Cooperativa, em hora e local determinados, afixando o aviso de convocação (vide MAE1.4.1Anexo1 Convocação) em locais bastante freqüentados pelos interessados. Realização da Assembléia Geral de Constituição da Cooperativa com a participação dos interessados.

Procedimentos para a realização da assembléia geral de constituição 1 2 3 4 5 6 7 8

O coordenador da comissão de organização da cooperativa faz a abertura da Assembléia e solicita aos presentes que escolham o presidente dos trabalhos, e o presidente escolhe um secretário. O secretario faz a leitura da proposta do estatuto. Os presentes discutem e propõem sugestões de emendas ao Estatuto. As emendas, colocadas em votação e aprovadas, são incluídas na proposta do Estatuto. Votação do Estatuto pela Assembléia. Eleições dos cargos do conselho de Administração, do Conselho Fiscal e dos Comitês através do voto de todos os presentes. Os trabalhos da Assembléia são interrompidos para que os membros do Conselho de Administração escolham, entre si, o presidente, o vice-presidente, o secretário e os membros do comitê Técnico. O presidente dos trabalhos convida o presidente eleito para dirigir os trabalhos.

Legalização da cooperativa de trabalho 1

Organizada a Cooperativa, é necessário levar à Junta Comercial do município sede da cooperativa os seguintes documentos de constituição:

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CONCRAB MAE1.4.1 Manual do Acompanhamento das Empresas Sociais dos Assentamentos da Reforma Agrária Grupo Metodologia 24.08.04

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a requerimento b ata de constituição em quatro vias (vide modelo MAE1.4.1Anexo2) c estatuto social em quatro vias d relação detalhada de associados fundadores em quatro vias A ata, o Estatuto e a lista de associados devem ser, em todas as suas folhas, assinados pelos sócios fundadores.

Há varias normas de legislação a serem consideradas, tais como Legislação Cooperativista, legislação Trabalhista, Legislação Previdenciária, Legislação fiscal e de Licitações. Fonte:

Cooperativas de Trabalho – Manual de Organização, Vergílio Perius (organizador), Unisinos, 1997

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CONCRAB MAE1.4.1Anexo1 Manual do Acompanhamento das Empresas Sociais dos Assentamentos da Reforma Agrária Grupo Metodologia 17.07.04 CONVOCAÇÃO Convoca-se todos interessados a criar a Cooperativa Regional dos Assentados da Fronteira Oeste Ltda - para Assembléia Geral Ordinária de sua constituição, a realizar-se em 27 de Outubro de 2002, sito ao Assentamento Liberdade no Futuro, interior, na cidade de Santana do Livramento, Estado do Rio Grande do Sul com os seguintes assuntos: ORDEM DO DIA 1º - Análise e aprovação do Estatuto Social; 2º - Eleição do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal. Santana do Livramento 27 de Outubro 2002. Ciente: 1) Adair Machado Barbosa, .................................................................................................... 2) Aldomir Jose Vedovatto, ................................................................................................... 3) Altino Neves de Oliveira, .................................................................................................... 4) Arlindo Soares dos Santos, ............................................................................................... 5) Carmen Willes Vedovatto, ................................................................................................. 6) Clair Luiz Lopes, ................................................................................................................ 7) Dirceu da Silva Nascimento, .............................................................................................. 8) Elias Rodrigues de Souza, ................................................................................................ (continuação da lista de convocação Cooperativa Regional dos Assentados da Fronteira Oeste Ltda com minimo de 20 nomes)

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CONCRAB MAE1.4.1Anexo2 Manual do Acompanhamento das Empresas Sociais dos Assentamentos de Reforma Agrária Grupo Metodologia 05.08.04 MODELO DE ATA PARA CONSTITUIÇÃO DE COOPERATIVA DE TRABALHO ATA DA ASSEMBLÉIA GERAL DE CONSTITUIÇÃO DA COOPERATIVA DE TRABALHO Aos ........ dias do mês de ........................ do ano de ................... , às ............... horas, em ............... , estado de .............................. reuniram-se, com o propósito de constituírem uma cooperativa de trabalho nos termos da legislação vigente, as seguintes pessoas: Foi aclamado para coordenar os trabalhos o Sr. ....................... .................................................................................................... para participado ainda da mesa as seguintes pessoas: ..................... .................................................................................................... ....................................................................................................

Que convidou a mim, lavrar a Ata, tendo

Assumindo a direção dos trabalhos , o Sr. Coordenador solicitou que fosse lido, explicado e debatido o projeto de Estatuto da Sociedade, anteriormente elaborado, o que foi feito artigo por artigo. O Estatuto foi aprovado pelo voto dos cooperados fundadores, cujos nomes estão devidamente consignados nesta Ata. A seguir, o Sr. Coordenador determinou que se procedesse a eleição dos membros dos órgãos sociais, conforme dispõe o Estatuto recém aprovado. Pedida a votação, foram eleitos para comporem o Conselho de Administração os seguintes cooperados: ................................................................ ; para membros do Conselho Fiscal os seguintes cooperados:................................. ; para seus suplentes os seguintes cooperados: ................................. ; e para o Comitê Técnico, os cooperados:............................................. ; todos já devidamente qualificados nesta Ata. Os trabalhos da Assembléia foram suspensos por alguns minutos para que os membros do Conselho de Administração escolhessem entre si os ocupantes dos cargos de presidente, vice-presidente e secretário, bem como os integrantes do Comitê Técnico. Prosseguindo, todos foram empossados nos seus cargos, e o presidente do conselho de Administração.............................................................................. , assumindo os trabalhos agradeceu ao seu antecessor nessa tarefa e declarou definitivamente constituída, desta data para o futuro a COOPERATIVA DE TRABLHO ......................... , com sede em ...................................................................................................., estado de , que tem por objetivo principal, unindo os trabalhadores dentro dos princípios do sistema cooperativo, da solidariedade e do auxílio mútuo, promover a defesa dos seus interesses econômicos. Como nada mais houvesse a ser tratado, deram-se por encerrados os trabalhos, e eu, ...................................................................................................., que servi de secretário, lavrei a presente Ata que, lida e achada conforme, contém as assinaturas de todoso os cooperados fundadores, como prova de livre vontade de cada um de organizar a Cooperativa de Trabalho. Local e data: ............................................................................... Assinatura do Secretário da Assembléia: ................................... Assinatura do Presidente da Cooperativa:.................................. Assinatura dos Sócios Fundadores:

.............................. ................................................... .............................. ................................................... .............................. ................................................... .............................. ...................................................

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CONCRAB MAE1.4.1Anexo2 Manual do Acompanhamento das Empresas Sociais dos Assentamentos de Reforma Agrária Grupo Metodologia 05.08.04 .............................. ................................................... .............................. ................................................... .............................. ................................................... .............................. ................................................... .............................. ................................................... .............................. ................................................... .............................. ................................................... .............................. ................................................... .............................. ................................................... .............................. ................................................... .............................. ................................................... .............................. ................................................... Observações: a) a Ata da Assembléia vai lavrada em livro próprio; e b) o texto dos Estatutos pode configurar na própria Ata de constituição da cooperativa, como pode também constituir um anexo dela, devidamente rubricado e assinado pelo presidente e por todos os fundadores presentes.

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CONCRAB MAE1.5.1 Manual do Acompanhamento das Empresas Sociais dos Assentamentos da Reforma Agrária Roberto Assumpção 14.07.04 PESQUISA DE MERCADO Para avaliar a viabilidade de um investimento de produção ou comercialização é necessário calcular o potencial de consumo dos produtos ou serviços em questão na região onde a distribuição é planejada. 1 Segmentando o Mercado Potencial de Alimentos Nesse ponto utilizaremos as Pesquisas de Orçamentos Familiares de 1995-1996, do IBGE, pois através destas é “...possível mensurar, a partir de amostras representativas da população - objetivo, as estruturas dos gastos, receitas e poupanças das famílias, ou seja, são observadas as condições de vida das famílias a partir da análise dos orçamentos. As informações sobre as unidades familiares permitem estudar a composição dos gastos com as famílias por classes de recebimentos, disparidades regionais; e entre áreas urbanas, o papel e a extensão do endividamento familiar, a difusão e o volume das transferências inter e intraclasses de renda, e a dimensão do mercado para grupos de produtos e serviços. Possibilita a análise dos gastos e 1 orçamentos” (PESQUISA, 1998). O primeiro resultado que nos interessa é que os gastos com alimentação representaram 16,39% do desembolso do domicílio, percentual que aplicado aos um pouco mais de 31 bilhões de reais da renda total dos responsáveis pelos domicílios no Brasil nos permite estimar gastos mensais com alimentação da ordem de 5 bilhões de reais mensais, uma demanda capaz de alavancar um desenvolvimento econômico com bases democráticas, desde que utilizando os mecanismos necessários para isso. Hoje em dia as informações públicas sobre o assunto permitem que esse potencial seja estimado em nível municipal e para os 5508 municípios existentes no país.

Outro ponto fundamental diz respeito à segmentação das quantidades consumidas e, sob esse aspecto, encontram-se 16 grupos de alimentos, que são constituídos por 44 subgrupos que, por sua vez, subdividem-se em 220 produtos principais entre mais de 600 produtos encontrados na pesquisa do IBGE. Para maiores detalhes sobre as quantidades consumidas por grupos, subgrupos e produtos ver o quadro a seguir.

1

Os destaques são nossos.

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CONCRAB MAE1.5.1 Manual do Acompanhamento das Empresas Sociais dos Assentamentos da Reforma Agrária Roberto Assumpção 14.07.04 QUADRO 1- Consumo Percapita de Produtos, por Grupos e Subgrupos

Grupos, Subgrupos e Produtos Cereais e leguminosas Cereais Arroz integral Arroz polido Milho seco Outros cereais Leguminosas Feijão-fradinho Feijão-jalo Feijão-manteiga Feijão-mulatinho Feijão-preto Feijão-rajado Grupos, Subgrupos e Produtos Abobrinha Berinjela Chuchu Jiló Pepino fresco Pimentão Quiabo Tomate Vagem Outras hortaliças frutosas Hortaliças tuberosas e outras Alho Batata-doce Batata-inglesa Beterraba Cebola fresca Cenoura Lnhame Mandioca Outras hortaliças tuberosas e outras Frutas Frutas de clima tropical Abacate Abacaxi Banana-dágua Banana-maçã Banana-prata Laranja-baia Laranja-lima Laranja-pêra Laranja-seleta

Consumo Percapita (kg/ano) 38,972 28,486 0,284 26,483 1,258 0,462 10,486 0,620 0,107 0,132 0,717 3,815 4,491 Consumo Percapita (kg/ano) 0,387 0,195 1,522 0,382 0,525 1,042 0,438 5,630 0,502 0,475 19,301 0,337 0,647 9,218 0,706 4,064 2,666 0,339 0,936 0,388 40,397 33,658 0,370 1,078 3,325 0,280 3,715 0,151 0,692 11,272 0,319

Grupos, Subgrupos e Produtos Feijão-roxo Outros feijões Outras leguminosas Hortaliças Hortaliças folhosas e florais Agrião Alface Cheiro-verde Couve Couve-flor Repolho fresco Outras hortaliças folhosas e florais Hortaliças frutosas Grupos, Subgrupos e Produtos Coco-da-baia Outros cocos Castanhas, nozes Farinhas, féculas e massas Farinhas Farinha de mandioca Farinha de rosca Farinha de trigo Farinha vitaminada Outras farinhas Féculas Amido de milho Creme de milho Fécula de mandioca Flocos de cereal Flocos de milho Fubá de milho Outras féculas Massas Macarrão com ovo Macarrão sem ovo Macarrão não especificado Massa para pizza, pastel, etc. Outras massas Panificados Pães Pão de forma industrializado Pão doce Pão francês Outros pães Bolos

Consumo Percapita (kg/ano) 0,146 0,162 0,297 34,419 2,815 0,125 0,655 0,104 0,648 0,254 0,994 0,034 12,303 Consumo Percapita (kg/ano) 0,343 0,007 0,065 14,690 7,218 3,765 0,122 3,102 0,157 0,071 2,968 0,171 0,098 0,288 0,111 0,366 1,740 0,192 4,503 2,454 1,205 0,426 0,395 0,024 25,367 21,004 1,061 0,844 18,399 0,700 0,431

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CONCRAB MAE1.5.1 Manual do Acompanhamento das Empresas Sociais dos Assentamentos da Reforma Agrária Roberto Assumpção 14.07.04 Limão comum Mamão Manga Maracujá Melancia Melão Tangerina Outras bananas Outras laranjas Outras frutas de clima tropical Frutas de clima temperado Caqui Maça Pêra Uva Outras trutas de clima temperado Cocos, castanhas e nozes Cocos Açaí (emulsão)

0,825 3,094 1,258 0,096 2,487 0,804 1,184 0,518 0,781 0,546 6,738 0,149 2,907 1,084 1,406 1,191 0,641 0,577 0,228 Consumo Grupos, Subgrupos e Produtos Percapita (kg/ano) Acém 2,778 Carne moída de segunda 1,196 Carne não especificada de segunda 2,003 Costela bovina 1,625 Músculo 0,513 Pá 0,479 Peito 0,258 Outras carnes bovinas de segunda 0,226 Carnes bovinas outras 1,569 Carne-seca 0,965 Outras carnes bovinas 0,605 Carnes suínas com osso e sem osso 1,490 Carré 0,384 Costela suína 0,188 Lombo 0,288 Pernil 0,306 Toucinho 0,196 Outras carnes suínas com e sem osso 0,128 Carnes suínas outras 2,998 Mortadela 0,624 Presunto 0,551 Salsicha 1,352 Outras carnes suínas 0,571 Carnes de outros animais 1,840 Lingüiça 1,751 Outras carnes de outros animais 0,089 Vísceras 1,153 Vísceras bovinas 1,089 Fígado 0,691 Outras vísceras bovinas 0,398

Bolo de trigo Outros bolos Biscoitos, roscas, etc. Biscoito doce Biscoito salgado Rosca doce Rosca salgada Carnes Carnes bovinas de primeira Alcatra Carne moída de primeira Carne não especificada de primeira Chão-de-dentro Contrafilé Filé e filé mignon Lagarto comum Lagarto redondo Patinho Carnes bovinas de segunda Grupos, Subgrupos e Produtos Carne não especificada de frango Coxa de frango Frango abatido (inteiro) Frango vivo Peito de frango Outras carnes de frango Outras aves Ovos Ovo de galinha Laticínios Leite e creme de leite Creme de leite em conserva Leite condensado Leite de vaca fresco Leite de vaca pasteurizado Leite em pó integral Leite em pó não especificado Outros leites e cremes de leite Queijos e requeijão Queijo minas Queijo mussarela Queijo prato Requeijão Outros queijos Outros laticínios Iogurte Manteiga Outros laticínios Açúcares e produtos de confeitaria Açúcares

0,387 0,045 3,932 2,176 1,696 0,060 0,001 28,093 11,117 2,678 0,581 1,628 2,176 1,325 0,591 0,606 0,164 1,369 9,078 Consumo Percapita (kg/ano) 0,192 0,904 13,636 0,244 1,551 0,467 0,191 4,316 4,316 59,243 55,193 0,283 0,532 1,126 51,360 1,389 0,011 0,394 2,612 0,808 0,510 0,706 0,282 0,306 1,438 0,732 0,405 0,301 22,483 20,100

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CONCRAB MAE1.5.1 Manual do Acompanhamento das Empresas Sociais dos Assentamentos da Reforma Agrária Roberto Assumpção 14.07.04 Vísceras suínas Vísceras suínas Outras vísceras Outras vísceras Pescados Pescados de água salgada Bacalhau Camarão fresco Corvina fresca Pescada fresca Pescada em filé fresco Pescadinha fresca Sardinha em conserva Sardinha fresca Outros pescados de água salgada Pescados de água doce Pescados de água doce Aves e ovos Aves Asa de frango

Coco ralado Fermento Maionese Massa de tomate Molho de tomate Tempero misto Vinagre de álcool Vinagre de vinho Outros condimentos Óleos e gorduras Óleos Azeite de oliva Óleo de milho Óleo de soja Outros óleos Gorduras

0,057 0,057 0,007 0,007 3,021 2,723 0,178 0,093 0,332 0,252 0,109 0,052 0,124 0,328 1,256 0,298 0,298 21,816 17,499 0,315 Consumo Percapita (kg/ano) 0,028 0,058 0,351 0,549 0,368 0,096 0,265 0,476 0,264 9,069 7,526 0,197 0,201 6,940 0,188 1,544

Margarina vegetal

1,459

Outras gorduras Bebidas e infusões Bebidas alcoólicas Aguardente de cana Cerveja Vinho Outras bebidas alcoólicas Bebidas não alcoólicas Água mineral Fonte: PESQUISA, 1998.

0,085 32,557 7,531 0,278 6,402 0,058 0,271 22,389 0,596

Grupos, Subgrupos e Produtos

Açúcar cristal 6,865 Açúcar refinado 13,204 Outros açúcares 0,031 Doces e derivados 1,666 Doce a base de leite 0,133 Doce de fruta em calda 0,132 Doce de fruta em pasta 0,307 Sorvete 0,638 Outros doces e derivados 0,460 Outros açúcares e produtos de conf. 0,716 Chocolate em pó 0,578 Outros açúcares e produtos de conf. 0,139 Sais e condimentos 4,938 Sais 2,428 Sal grosso 0,060 Sal refinado 2,365 Outros sais 0,002 Condimentos 0,251 Caldo de carne em tablete 0,020 Caldo de galinha em tablete 0,046 Consumo Percapita Grupos, Subgrupos e Produtos (kg/ano) Refrigerante de coca 12,565 Refrigerante de guaraná 4,280 Refrigerante de laranja 1,112 Refrigerante de limão 0,325 Suco de fruta em pó 0,135 Suco de fruta envasado 0,716 Outros Refrigerantes 2,554 Outras bebidas não alcoólicas 0,106 Cafés 2,384 Café moído 2,330 Café solúvel 0,043 Outros cafés 0,011 Chás 0,253 Chá-mate 0,238 Chá preto 0,002 Outros chás 0,013 Alimentos preparados, misturas 2,881 industriais e outros Alimentos preparados 2,718 Frango assado ou defumado 0,930 Massa 0,769 Refeição 0,365 Salgadinho 0,288 Outros alimentos preparados 0,367 Misturas industriais 0,162 Mistura para bolo 0,099 Outras misturas industriais 0,063

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CONCRAB MAE1.5.1 Manual do Acompanhamento das Empresas Sociais dos Assentamentos da Reforma Agrária Roberto Assumpção 14.07.04

O dimensionamento do potencial de mercado nos domicílios revela, inicialmente, uma diversificação do consumo muito grande quando comparado com o padrão monocultor da produção agrícola no Brasil. Ainda observa-se que, a média brasileira é de um consumo percapita anual de 339,74 kg. Como o ano tem 365 dias, pode-se considerar genericamente que o brasileiro em média consome quase um quilo desses 220 produtos por dia. O interesse nesse tipo de raciocínio reside na necessidade de representarmos a ordem de grandeza desse mercado, no sentido de orientar a escala de investimento dos assentados, evitando assim a inelasticidade da demanda. Nesse caminho, se considerarmos que o Brasil hoje possui em torno de 170 milhões de habitantes, então temos um consumo de quase 170 milhões de quilos por dia ou 170 mil toneladas, que diariamente são transportadas, hipoteticamente, por 17 mil caminhões de 10 toneladas, para abastecer os 5508 municípios, todo santo dia. Assim, um sistema de informações sobre o potencial de mercado surge como um primeiro passo na direção de ocupar o mercado, o qual é permitido ser representado para os 220 produtos em nível municipal. Por fim, concluída a apresentação de nova visão estratégica, mostrando a importância do mercado nacional consumidor de alimentos nos domicílios brasileiros, tanto do ponto de vista qualitativo, como quantitativo - em nível municipal, e principalmente com a finalidade de tornar os camponeses cientes do potencial desse mercado e assim motivá-los a, democraticamente, ocupá-lo com seus produtos. Atingido esse ponto, então inicia-se a abordagem tática, que é a segunda etapa desse processo. Pesquisa do mercado local Nesse momento, são visitados os estabelecimentos de varejo do município, utilizando uma lista obtida junto à Prefeitura, pois a venda de alimentos exige a obtenção de um alvará junto à Vigilância Sanitária, que geralmente disponibiliza o cadastro destes estabelecimentos, em que são levantadas informações através da aplicação de questionário, com conteúdo descrito no anexo 1. As informações obtidas nos questionários constituem-se no elemento principal para se definir a previsão de vendas, que sempre será uma parcela entre 10% e 30% do mercado potencial. Informações que serão utilizadas na elaboração dos projetos de investimentos e posteriormente, na implantação do mesmo, elas integrarão o banco de dados sobre o mercado, em que se trabalhará as informações (município, produto, cliente, preço, sazonalidade, quantidades, embalagem, etc.) necessárias para se desenvolver uma administração estratégica do negócio, a partir do mercado como indutor do processo. Fonte e para mais informações: rassumpcao@iea.sp.gov.br

Roberto

Assumpção,

tel

011.5067.0461

ou

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CONCRAB MAE1.5.1Anexo1 Manual do Acompanhamento das Empresas Sociais dos Assentamentos da Reforma Agrária Roberto Assumpção 11.05.05

PESQUISA DO MERCADO LOCAL O questionário preenchido é constituído de três páginas. A primeira (MAE1.5.1Anexo2) é sobre o Estabelecimento Comercial a ser pesquisado, a segunda página (MAE1.5.1Anexo3) contém os dados referentes aos produtos que as Cooperativas potencialmente irão vender a esses Estabelecimentos, sendo que o preenchimento dessas duas páginas exige entrevistar a pessoa que realiza as compras para o Estabelecimento comercial, que geralmente é o proprietário ou o gerente. A terceira e última página (MAE1.5.1Anexo4) deve ser preenchida com os dados sobre os produtos atualmente vendidos pela concorrência para o Estabelecimento comercial pesquisado. Nesse caso não é obrigatório perguntar ao responsável, sendo possível preencher essa página verificando os produtos expostos nas prateleiras do Estabelecimento. 1. IDENTIFICAÇÃO DO ESTABELECIMENTO (pg. 1). Nome do Estabelecimento: escrever o nome comercial do estabelecimento. Por ex.: Mercearia São Jorge. Endereço: escrever o nome da rua ou avenida e o número. Por ex.: Rua Quintino Bocaiúva, 89. Nome do Entrevistado: escrever o nome do entrevistado. Por ex.: João da Silva. O entrevistado deverá ser alguém que saiba responder as perguntas sobre os produtos pesquisados. Cargo ou Função: escrever o cargo ou função do entrevistado. Por ex.: gerente. CEP: escrever o CEP do Estabelecimento pesquisado. Cidade: escrever o nome cidade onde se localiza o estabelecimento pesquisado. Data da Pesquisa: escrever o dia o mês e o ano da pesquisa. Por ex.: 19/10/98. GPS: em alguns casos usa-se marcar a longitude e a latitude do estabelecimento utilizando um pequeno equipamento de GPS com a finalidade de traçar rotas de entrega mais econômicas. 2. CARACTERIZAÇÃO DOS PRODUTOS DEMANDADOS (pg. 2) Nome do produto: escrever o nome do produto pesquisado. Por ex.: Leite. Grupo do Produto: escrever o número do grupo ao qual o produto pesquisado pertence. Verifique na tabela abaixo qual é o número do grupo do produto ao qual o produto pesquisado pertence: Por ex.: escrever 1 se o produto pesquisado for feijão. Número e Nome dos Grupos de Produtos 1.Cereais, Leguminosas e Oleaginosas (arroz, feijão e outros) 2.Farinhas, Massas (macarrão, farinha de trigo, farinha de mandioca, outras) 3.Tubérculos e Raízes (batata inglesa, cenouras, outros) 4.Açucares e Derivados (açúcar refinado, açúcar cristal, outros) 5.Verduras e Legumes (tomate, cebola, alface, outros) 6.Frutas (banana, laranja, maça, outras frutas) 7.Carnes, Vísceras e Pescados (carne bovina, carne de suíno, carnes e peixes industrializados, pescados frescos e outros) 8.Aves e Ovos (frango, ovos de galinha e outros) 9.Leite e Derivados (leite pasteurizado, leite em pó, queijo prato, outros) 10.Panificados (pão francês, biscoitos e outros) 11.Óleos e Gorduras (óleo de soja, azeite de oliva) 12.Bebidas e Infusões (café moído, refrigerantes, cervejas e outros) 13.Enlatados e Conservas (sardinha em lata, azeitona, carne de boi em lata e outros) 14.Sal e Condimentos (massa de tomate, maionese, sal refinado e outros) 15.Alimentos Preparados (alimentos preparados e outros) Embalagem: escrever o tipo de embalagem utilizado para acondicionar o produto

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CONCRAB MAE1.5.1Anexo1 Manual do Acompanhamento das Empresas Sociais dos Assentamentos da Reforma Agrária Roberto Assumpção 11.05.05 pesquisado. Por ex.: caixa de madeira, saco plástico, caixa de papelão, sem embalagem, etc. Quantidade: escrever a quantidade de produto que vem acondicionada na embalagem que o Estabelecimento utiliza usualmente. Por ex.: 1 Unidade: escrever o nome da unidade em que o produto pesquisado é medido na embalagem que o Estabelecimento utiliza usualmente ou a granel. Por ex.: gramas, quilos, mililitros, litros, etc. Preço de compra: escrever o preço que o Estabelecimento paga pelo produto pesquisado. Por ex.: R$ 0,50 Volume de compra: escrever o volume que Estabelecimento compra do produto pesquisado por vez. Por ex.: 100. Freqüência de Compra: escrever com que freqüência o Estabelecimento compra o produto pesquisado. Por ex.: diária, semanal, quinzenal, etc. 3.CARACTERIZAÇÃO DOS PRODUTOS CONCORRENTES (pg. 3) Nome do produto: escrever o nome do produto que é vendido pela concorrência. Por ex.: Leite. Grupo do Produto: escrever o número do grupo ao qual o produto da concorrência pertence. Verifique na tabela anterior qual é o número do grupo do produto ao qual o produto pesquisado pertence: Por ex.: escrever 1 se o produto da concorrência for feijão. Marca: escrever a marca do produto que atualmente é vendido ao Estabelecimento pela concorrência. Por ex.: Itambé. Embalagem: escrever o tipo de embalagem utilizado pelo concorrente para acondicionar o produto vendido no Estabelecimento. Por ex.: caixa de madeira, saco plástico, caixa de papelão, etc. Quantidade: escrever a quantidade de produto que vem na embalagem do concorrente. Por ex.: 1 Unidade: escrever o nome da unidade em que é medido o produto do concorrente na embalagem utilizada. Por ex.: gramas, quilos, mililitros, litros, etc. Preço de venda: escrever o preço que o Estabelecimento vende o produto da concorrência para o consumidor. Por ex.: R$ 0,50 Cidade de origem: escrever o nome da cidade de origem do produto do concorrente. Por ex.: Ribeirão Preto. Estado de Origem: escrever a sigla do Estado de origem do produto do concorrente. Por ex.: SP (São Paulo)

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CONCRAB MAE1.5.1 Anexo 2 Manual do Acompanhamento das Empresas Sociais dos Assentamentos da Reforma Agrária Roberto Assumpção 11.05.05

PESQUISA DE MERCADO - IDENTIFICAÇÃO DO ESTABELECIMENTO

Nome do Estabelecimento:

Correio Eletrônico:

Endereço: Nome entrevistado:

Cargo ou função:

CEP:

Cidade

Data da Pesquisa:

Fone:

Estado

OBSERVAÇÕES:

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CONCRAB MAE1.5.1 Anexo 4 Manual do Acompanhamento das Empresas Sociais dos Assentamentos da Reforma Agrária Roberto Assumpção 11.05.05 PESQUISA DE MERCADO - CARACTERIZAÇÃO DOS PRODUTOS DEMANDADOS Nome Grupo Produto produto (1) Exempl o: Leite

9

Embalagem Quanti (2) dade

Plástico

1

Unida Preço de de compra (3) (R$) litro

0,45

Volume compra

50

Frequên cia compra (4) diário

Prazo Pag. Em dias 15

(1) Produtos: carne bovina, leite, queijo, aves, banana, laranja, tomate, alface, cenoura, arroz, feijão, ovos, mandioca, etc. (2) Embalagem: saco plástico, caixa papelão, caixa madeira, etc. (3) Unidade: litro, quilo, grama, mililitros, arroba, etc. (4) Freqüência de Compra: diária, semanal, quinzenal, mensal, etc.

27


CONCRAB MAE1.5.1 Anexo 4 Manual do Acompanhamento das Empresas Sociais dos Assentamentos da Reforma Agrária Roberto Assumpção 11.05.05 PESQUISA DE MERCADO - CARACTERIZAÇÃO DOS PRODUTOS CONCORRENTES Nome Produto

Nome grupo produto

Marca

Embalag em (2)

Quantid Unid Preço de Cidade ade ade venda origem (3) (3)

Estado origem

28


CONCRAB MAE 1.6.1 Manual do Acompanhamento das Empresas Sociais dos Assentamentos da Reforma Agrária Villela 24.08.04

PROJETOS AGROINDUSTRIAIS A idéia dos Assentados de construírem suas agroindústrias surge da constatação de que somente como produtores de matérias-primas agrícolas, a sua renda sofre um achatamento e, por isso, é vista a necessidade de se agregar valor aos produtos através de sua elaboração para, se ter acesso a mercados mais próximos do consumidor e fugir dos intermediários( compradores, marreteiros, indústrias, etc.) que ficam com grande parte da renda dos alimentos consumidos pela população. Podemos considerar então que, qualquer agregação de valor “pós-colheita” deve ser vista como uma potencial agroindústria. Desde a simples classificação de uma fruta (Packing House), ou embalagem de uma verdura para ir ao supermercado, até uma transformação completa do produto agrícola feita com muita tecnologia. Evidentemente cada tipo de agroindústria tem um grau de complexidade diferente de outras. No entanto o método a ser adotado para analisar os projetos será sempre o mesmo, para as simples e para as mais complexas agroindústrias. No entanto, em geral, os agricultores não dominam as formas de produção agroindustriais (com exceção de certos produtos tipo “caseiros” que normalmente chamamos de “Indústria Rural”) e isso exige, da parte dos técnicos de apoio, uma atitude mais cuidadosa ao se dispor a auxiliar na definição de uma indústria. Sobretudo, não podemos interferir no processo com opiniões vagas e “preferências” pessoais. Isso poderá custar caro no processo de definição, levando o projeto a se tornar inviável. A metodologia a ser adotada então, deverá ser rigorosa e precisamos mesmo que se trate de uma pequena processadora de alimentos.

seguir os passos todos,

No final do processo é preciso fazer um estudo de “viabilidade econômica” do projeto, para se ter uma noção de sua viabilidade tanto na aplicação de capital como nos ganhos possíveis para os associados agricultores ( MAE 1.7.1Projeto Econômico). Contudo, antes dessa fase devemos fazer uma ANÀLISE de projeto e, para isso temos três séries de questões a serem respondidas: 1.

Sobre MERCADO, para os produtos que se pretende produzir;

2.

Sobre a PRODUÇÃO empreendimento exige;

3.

Sobre o PROCESSAMENTO INDUSTRIAL, a ser escolhido.

e

ABASTECIMENTO

DE

MATÉRIA

PRIMA,

que

esse

O sucesso de uma agroindústria exige uma análise de muitas questões de diferentes tipos e, nem sempre vamos poder (seja como técnicos, seja como monitores) dar respostas a todas elas, já que envolvem conhecimentos técnicos especializados. Então, será necessário recorrer a outros profissionais e instituições para termos as respostas pedidas por essas questões. Porém, é de nossa responsabilidade reunir TODOS os dados, para que os agricultores possam tomar as decisões concernentes a essa decisão de investimento. O agricultor, como não tem experiência no assunto, pode estar deixando de lado algum aspecto essencial e, é para isso que nos valemos desse método de análise, para “trazer” ao debate todas as questões e auxiliar na tomada de decisões. Uma vez feitas as escolhas, então podemos elaborar o estudo de viabilidade econômica que vai confirmar ou não o acerto daquele investimento desejado. Além disso, essa análise prévia vai colocar na agenda da Empresa diversos desafios a respeito de capacitação (seja na área administrativa, seja na área comercial, seja na área de processamento) e mesmo pode significar que a produção agrícola tenha que ser modificada para atender as necessidades da nova indústria

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CONCRAB MAE 1.6.1 Manual do Acompanhamento das Empresas Sociais dos Assentamentos da Reforma Agrária Villela 24.08.04

O roteiro a ser seguido para a ANÁLISE DE PROJETO AGROINDUSTRIAL está no MAE 1.6.1Anexo1Lista de Verificação das Questões mais Importantes para Analisar um Projeto de Agroindústria. (NOTA: Mesmo no caso de uma Indústria já existente, que esteja sendo avaliada para uma ampliação, reforma ou mesmo readequação de seu projeto, será utilizado o mesmo roteiro.) Se precisar, use também anexos MAE1.6.1Anexo2 Indicadores para Elaboração de um Diagnostico para Agroindústrias e MAE1.6.1Anexo3 Levantamento de dados sobre Agroindústrias.

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CONCRAB MAE1.6.1Anexo1 Manual do Acompanhamento das Empresas Sociais dos Assentamentos da Reforma Agrária Villela 05.08.04 LISTA DE VERIFICAÇÃO DAS QUESTÕES MAIS IMPORTANTES PARA ANALISAR UM PROJETO DE AGROINDÚSTRIA 1. MARKETING 1.1 1.1.1

1.1.2

1.1.3

1.1.4

1.2 1.2.1

ANALISE DOS CONSUMIDORES Quem são os consumidores potenciais? . Níveis de renda . Urbanos ou rurais? . Quais produtos opcionais podem encontrar? . Como o tipo de consumidor pode afetar o Plano de Marketing? Motivos para a compra do produto . Necessidade, status, conveniência,... . Apelo cultural, psicológico, fisiológico, . Qual o peso entre necessidade e desejo? . Como essas motivações podem afetar o Plano de Marketing? Como os consumidores compram o produto? . De que maneira a compra do produto é decidida? . É uma compra planejada ou por impulso? . É uma decisão freqüente ou é feita raramente? . Onde pode ser feita a compra? . Que método adotar para fazer as informações sobre o produto chegar até os que decidem a compra? Quais as informações necessárias devem ser pesquisadas? . Dados primários ou secundários? . Pesquisas formais ou informais? . Qual seria o custo dessa coleta de dados sobre os consumidores? . Seria preciso apoio externo para essa pesquisa de mercado? Qual apoio? ANALISE DOS COMPETIDORES Como é a estrutura de mercado do produto? . Quem são os competidores: Locais, Regionais, Nacionais, Importados? . Existem produtos substitutos? Qual seria seu impacto? . Qual a possibilidade dos fornecedores de insumos estarem integrados aos produtores? . Quantas empresas atuam no mercado? . Onde estão esses competidores? . Onde estão os fornecedores de insumos ( materiais auxiliares)? . Que vantagens tem esses competidores? . Qual o tamanho de suas participações no mercado estudado? . Como tem variado essas participações nos últimos anos? . Qual seria a principal dificuldade para entrar nesse mercado? . Estudar as barreiras representadas por: . Economias de Escala, . Vantagens de custo, . Controle vertical na produção, . Custos de lançamento. . Quais as possibilidades de controlar os custos? . É possível ganhar eficiência mudando as atividades e recursos? . Que vantagens podem ser obtidas no abastecimento de matéria prima? . Quais os efeitos no custo devidos a localização da fabrica? . É possível alterar preços usando as vantagens de custo? . Como reagem os consumidores as mudanças de preços? . Como as diferentes qualidades afetam as vendas? . Como os consumidores definem a qualidade? . Quais as bases para diferenciar os produtos concorrentes? . Qual a sensibilidade dos consumidores as MARCAS?

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CONCRAB MAE1.6.1Anexo1 Manual do Acompanhamento das Empresas Sociais dos Assentamentos da Reforma Agrária Villela 05.08.04 . . . . . 1.2.2

1.3

Que espécie de serviços especiais devem ser oferecidos aos distribuidores e varejistas? Como pode ser feita a diferenciação. Com materiais auxiliares diferentes ou com ingredientes diferentes? São possíveis inovações no Desenho do Produto, na tecnologia de processamento ou na embalagem? Qual o custo de diferenciar o produto? Em que estagio esta esse produto: Tradicional, em expansão, novidade, etc. E que conseqüências isso pode Ter no mercado?

Como a competição é influenciada pelo governo? .

Quais efeitos têm as tarifas de importação e exportação, as quotas?

. . . .

A importação tem prejudicado os produtores internos? Como? O governo tem atraído empresas estrangeiras? Existem subsídios, ao consumo, aos produtores, aos exportadores? Quais as conseqüências de leis como Patentes, Controle sanitário, licenciamentos ambientais, sobre esse ramo da industria?

PLANO DE MARKETING

1.3.1

Qual o “desenho” adequado para o produto? . Que características, esperam aos consumidores do produto? . Quais as mais importantes? . É possível mudar a qualidade sem alterar preços? . O produto (ou um protótipo) foi testado com os consumidores? . Pode ser obtido apoio governamental para o desenvolvimento do produto? . Quais os resultados dos testes com o produto? . São preciso ajustes? . O produto final foi testado? . Os resultados dos testes mostram que o produto atende as necessidades dos consumidores?

1.3.2

Qual a estratégia de preços adotada? .

Foi levado em conta a maneira como se formam os preços no mercado visado? (concorrência, oligopolista, monopolista, etc.)

. .

Qual margem de “ganho” foi adotada? Esta sendo adotada estratégia de preços para superar barreiras de entrada no mercado? O produto é suficientemente “diferente” que justifique um preço diferenciado? Quais as implicações nos preços da entrada de produtos importados? Qual a influencia da produção “sazonal” nos preços do produto? O preço adotado pode provocar represálias dos concorrentes? Existe uma estratégia de preços ao longo do tempo?

. . . . . 1.3.3

Qual a estratégia promocional?

. . . . .

. Qual segmento do mercado vai ser atingido? . A promoção visa os consumidores finais? . Existe promoção junto aos distribuidores? A mensagem promocional leva em conta a analise dos consumidores e do ambiente do mercado? Quais as necessidades de informação ao consumidor? Quais informações alem dessas são fornecidas pelos competidores? Os controles de qualidade e de processos permitem que se sustente uma MARCA? Qual os veículos promocionais usados?

32


CONCRAB MAE1.6.1Anexo1 Manual do Acompanhamento das Empresas Sociais dos Assentamentos da Reforma Agrária Villela 05.08.04 . . . . 1.3.4

O sistema de distribuição integra adequadamente a fabricação com o mercado? .

Qual a estrutura do sistema de distribuição. Qual o tamanho dos canais?

. . .

Quantos distribuidores em cada nível de distribuição? Que tipo de distribuidor no atacado e no varejo? Quem executa as “funções logísticas”: Transporte, montagem, reembalagem, estocagem, inventario? Quem executa os serviços: financiamento, promoção, coleta de informações? Os distribuidores são terceirizados ou a empresa executa diretamente? É possível diminuir custos atuando coletivamente, na distribuição, com outras empresas? Quais os custos, dependência e qualidade dos distribuidores existentes? Podem os distribuidores atender as necessidades dos consumidores? Qual o poder dos distribuidores em cada canal de distribuição? Qual o poder de cada canal? Como o poder de distribuição pode afetar o projeto? Qual o capital necessário e o conhecimento, para a empresa criar mais integração na distribuição? A escolha na distribuição é compatível com as características do produto, o segmento de mercado e o modo como o consumidor compra o produto?

. . . . . . . . . . 1.3.5

Os elementos do Plano de Marketing são viáveis? . .

1.4

Esses veículos são adequados para o publico visado? Qual o tamanho da audiência visada? Quantas vezes? Quais os custos dos veículos em função de sua “cobertura”? Foi calculado o custo-beneficio dos gastos com promoção?

. Os elementos do plano são consistentes internamente? O Plano tem financiamento, capacidade organizacional, plano de produção e plano de abastecimento de matéria prima? O que a empresa espera do plano de marketing?

PROJEÇÕES DE DEMANDA As projeções de demanda estão baseadas em uma base de dados? Como as vendas e lucros podem ser afetados pelas projeções?

2. ABASTECIMENTO DE MATERIA PRIMA 2.1

QUANTIDADE ADEQUADA

2.1.1

Qual o modelo de produção total? . Quais os níveis de produção, por região? Nos últimos 5 anos? . Quais as variações havidas? . Que fatores afetaram as variações?

2.1.2

Qual o modelo de uso da área plantada? . Quais as variações existentes nas áreas plantadas? . Qual a área não utilizada mas que poderia ser plantada? . Quais os custos e necessidades para integrar novas áreas? . Quais seriam as produtividades? . Existe possibilidade de mais de um plantio por safra? . Novas tecnologias afetam o tamanho das explorações? . Quais mudanças são viáveis? . Quais as conseqüências nutricionais das mudanças?

33


CONCRAB MAE1.6.1Anexo1 Manual do Acompanhamento das Empresas Sociais dos Assentamentos da Reforma Agrária Villela 05.08.04 . .

Quais as quantidades de terra e de trabalho que podem ser absorvidas? Como a Reforma Agrária afeta a área plantada?

2.1.3

Quais os rendimentos das colheitas? . Quanto variaram as ultimas safras? Porque variaram? . Qual o nível tecnológico dos plantios? . Trabalham os agricultores com credito para a safra? . Tem assistência técnica para o plantio?

2.1.4

As Safras são lucrativas? . São mais ou menos lucrativas que outros cultivos? . Quais são os custos de produção para os agricultores? . Quais os riscos para o agricultor (preços, clima, outros)?

2.1.5

Como as mudanças afetam o suprimento? . Se diminuir 20% ou mais na área plantada que efeitos terá no suprimento? . . . .

Quais incentivos são necessários para aumentar a produção Se diminuir 20% ou mais na colheita que efeitos terá no suprimento? O que é preciso para aumentar os rendimentos físicos? Quais as probabilidades de aumento na área e no rendimento?

2.1.6

A matéria prima é subproduto de outra industria?

2.1.7

Qual a porcentagem do produto consumido pelo próprio agricultor.

2.1.8

Quais são as outras opções de industrialização dessa matéria prima?

2.1.9

Existe concorrência entre varias agroindústrias pela mesma matéria prima?

2.1.10 Quais são as perdas de produtos colhidos? 2.2

QUALIDADE DESEJADA

2.2.1

Qual é a qualidade desejada pelo mercado? . Quais as características para definir a qualidade? . Quanto de paga por diferentes qualidades?

2.2.2

Qual a qualidade dos suprimentos dos agricultores? . Tipos de sementes; . A matéria prima disponível é compatível com o produto que se quer produzir? . Os agricultores estão preparados para produzir a qualidade desejada? . É necessário assistência técnica. De que tipo, em que nível?

2.2.3

De que forma a manipulação e o transporte afetam a matéria prima? . Produtos estragados; . Pessoal mal treinado para o transporte; . perdas de nutrientes e na aparência?

2.2.4

De que forma a estocagem afeta a qualidade? . Como é armazenada a matéria prima antes do processamento?

2.2.5

Como são as regras sanitárias exigidas?

2.2.6

Quais serviços (treinamento, etc.) podem aumentar a qualidade? Quais os custos adicionais? O que ira melhorar? A industria precisa orientar os produtores? Como?

34


CONCRAB MAE1.6.1Anexo1 Manual do Acompanhamento das Empresas Sociais dos Assentamentos da Reforma Agrária Villela 05.08.04 2.2.7 adotados? 2.3

Quais os procedimentos de controle de qualidade e inspeção devem ser

TEMPOS APROPRIADOS

2.3.1

Qual é o padrão de sazonalidade?

2.3.2

Quais as instalações apropriadas pela sazonalidade?

2.3.3

Qual a perecibilidade da matéria prima?

2.3.4

Que tipo de instalações são necessárias para a conservação da matéria prima?

2.3.5

Quando e por quanto tempo se dispõe de matéria prima?

2.4

CUSTOS RAZOAVEIS

2.4.1

Como o suprimento e a demanda afetam o preço da matéria prima?

2.4.2

Quais as oportunidades de preços para os agricultores?

2.4.3

Como os preços são afetados pela atual estrutura de produção?

2.4.4

Como os serviços logísticos afetam os custos?

2.4.5

É possível comprar a vista?

2.4.6

Existem mecanismos alternativos para pagamento?

2.4.7

Os preços podem ser contratados?

2.4.8

São possíveis parcerias entre a industria e os produtores?

2.4.9

A integração para trás, beneficia o custo?

2.4.10

Qual o resultado de uma analise da sensibilidade dos preços?

2.5

ORGANIZAÇÃO DO PROCESSO DE ABASTECIMENTO

2.5.1

Qual o tamanho, numero e localização dos produtores?

2.5.2

Qual a estrutura dos atuais produtores?

2.5.3

Quais as rotas, caminhos e seu estado para o fluxo de materiais?

2.5.4

O que revela a analise das relações de poder hoje na cadeia produtiva?

2.5.5

Os produtores estão integrados com a industria?

2.5.6

Existe uma organização dos produtores?

2.5.7

Desejam os agricultores uma integração?

3.

O PROCESSAMENTO

3.1 3.1.1

SELEÇÃO DO PROCESSO TECNOLOGICO O processo tecnológico é adequado as exigências atuais do mercado?

35


CONCRAB MAE1.6.1Anexo1 Manual do Acompanhamento das Empresas Sociais dos Assentamentos da Reforma Agrária Villela 05.08.04 3.1.2

Quais as limitações da tecnologia adotada no processamento

3.1.3

Qual tecnologia tem maiores implicações socioeconômicas?

3.1.4

Pode essa tecnologia sofre aperfeiçoamentos, adaptações, ampliações?

3.1.5

Qual a dependência da tecnologia aos fornecedores e sua manutenção?

3.1.6

Quais os efeitos nutricionais dessa tecnologia?

3.2

LOCALIZAÇÃO DA FABRICA

3.2.1

A localização da fabrica é adequada a obtenção de matéria prima, mercado e transporte?

3.2.2

Existe mão de obra adequada no local?

3.2.3

A infra-estrutura do local é aceitável?

3.2.4

Custo do terreno

3.2.5

Quais serão os efeitos da localização sobre o desenvolvimento local

3.3

MANEJO DOS ESTOQUES

3.3.1 3.3.2

Quais são melhores estoques para embalagens, matéria prima e produtos acabados? As instalações físicas são adequadas?

3.3.3 3.4

Foram analisadas as necessidades de Capital de Giro e de estoques? EMBALAGENS E OUTROS MATERIAIS AUXILIARES

3.4.1

Quais as funções das embalagens?

3.4.2

Qual embalagem deve ser usada?

3.4.3

Onde a fabrica vai conseguir os insumos que necessita?

3.5

PROGRAMA DE PRODUÇÃO E CONTROLES

3.5.1

Existe um programa de implementação claro e sistemático?

3.5.2

Os projetos de engenharia estão feitos?

3.5.3

Existe um Plano Mestre de Compras e Processamento?

3.5.4 Existem definidos os procedimentos de controle de qualidade para as matérias primas, processos de produção, e de produtos finais? 3.5.5 3.6 3.6.1 3.6.2

As medidas de proteção ambiental foram tomadas? SUB-PRODUTOS Que faturamento pode ser conseguido com a venda de sub-produtos? Os subprodutos podem se usados como fonte de energia?

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CONCRAB MAE1.6.1Anexo2 Manual do Acompanhamento das Empresas Sociais dos Assentamentos da Reforma Agrária Villela 05.08.04

INDICADORES PARA ELABORAÇÃO DE UM DIAGNÓSTICO PARA AGROINDÚSTRIAS 1 1.1 1.2 1.3 1.4 1.5 1.6

2 2.1 2.2 2.3 2.4 3 3.1 3.2 3.3 3.4 3.5 3.6 3.7 3.8 4 4.1

SAZONALIDADE Concentração da produção em curto espaço de tempo, por conseqüência longo período de capacidade instalada ociosa, ou seja capital fixo ocioso Grande variação nos preços tanto da matéria-prima, como do produto acabado Necessidade de grande estoque (ou matéria-prima e/ou produto acabado) para ser processado e/ou vendido durante o ano Necessidade de capital de giro maior. Os custos deste capital devem ser incluído como custos do produto acabado Necessidade de contratação de mão-de-obra para os períodos de produção. No caso de nossas empresas necessidade de buscar outros trabalhos para os períodos de não produção. Caso não seja possível a obtenção do capital de giro necessário, isso afetará diretamente na comercialização - venda do produto, pois o mesmo terá que ser vendido imediatamente, o que implica num preço menor. PERECIBILIDADE O produto precisa se processado rapidamente, sob risco de perca de Capacidade instalada maior, mais mão-de-obra Necessidade de embalagens específicas e armazenamento específico A colheita precisa ser especializada, portanto mão-de-obra qualificada. As matérias-prima possuem especificidade própria.

qualidade.

PADRONIZAÇÃO DA MATÉRIA-PRIMA O tipo de matéria-prima precisa ser pré-definida, possuí especificidade Há necessidade de manejo adequado da matéria-prima Necessidade de qualificação da mão-de-obra para o manejo da matéria-prima A empresa precisa se preocupar com o fomento daquela matéria-prima, o que aumenta ainda mais a necessidade de capital a ser investido Deve-se propiciar assistência técnica adequada para a produção da matéria-prima Sempre há concorrência por aquela matéria-prima Maior custo não é na indústria, e sim na produção primária. A forma de coleta da matéria-prima tem que ser padronizada, específica para aquela matériaprima CUSTOS DA MATÉRIA-PRIMA A definição do custo de produção da matéria-prima é o determinante para a rentabilidade para as agroindústrias de processamento primário. Chega a 90% do custo final do produto

5 5.1

FORMAÇÃO DO PREÇO A empresa não tem poder de determinar o preço, nem para aquisição da matéria-prima, nem para o preço do produto final. A empresa não tem como interferir na formação dos preços 5.2 Precisa diagnosticar-se quem determina os preços 5.3 A diferenciação do meu produto auxilia na determinação dos preços? 5 INTERFERÊNCIA DO GOVERNO 6.1 Legislação sanitária, essencialmente dos produtos animais, determina meus custos de produção 6.2 Subsídios de governos externos podem afetar diretamente na rentabilidade do meu produto, pois os preços dos produtos externos serão mais baixos, e meu produto terá que ser vendido a esse preço.

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CONCRAB MAE 1.7.1Anexo3 Manual do Acompanhamento das Empresas Sociais dos Assentamentos da Reforma Agrária Villela 05.08.04

LEVANTAMENTO DE DADOS SOBRE AGROINDUSTRIAS Nome da empresa:___________________________________________ Endereço:______________________________________________________ Telefone:____________ Pessoa de contato:__________________________ Principal matéria prima:_________________________________________ Nome do monitor responsável:_____________________________________ 1 Situação 1.1 ( ) Funcionando atividades ____/_____/____

Início

1.2 ( ) Já funcionou mas esta paralisada ____/_____/____

Data

da

das

paralisação

Motivo:____________________________________________________________ 1.3 ( )

Nunca funcionou/, motivo_________________________________________

2 Produção 2.1 Quais os principais produtos produzidos Atenção: Anotar neste campo todos os produtos que tem a mesma matéria prima base Discriminar na Capacidade de produção e na Produção atual se é por dia, mês ou ano Produto

Produção atual Capacidade de produção

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Se houver mais produtos anotar no verso. 2.2

Os produtos estão de acordo com a Vigilância Sanitária? ( )Sim ( )Não

Quais os registros que possui? ( ) Estadual (Sispoa), ( ) Federal (SIF), ( ) Municipal (SIM), ( ) Sem registro 2.3

Precisa manter estoques? 2.3.1 Matéria prima principal Quantidade_____________Valor__________ 2.3.2 Outros materiais auxiliares

Quantidade_____________Valor__________

2.3.3 Embalagens Quantidade_____________Valor__________

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CONCRAB MAE 1.7.1Anexo3 Manual do Acompanhamento das Empresas Sociais dos Assentamentos da Reforma Agrária Villela 05.08.04

2.3.4 Produtos acabados Quantidade_____________Valor__________ 2.4 Período de produção (no ano) mês___________ 2.5

Do

mês______________

ao

Trabalhadores 2.5.1 Número de sócios_________ Período parcial________ Período integral_____ 2.5.2 Contratados não sócios_________2.5.3 Terceirizados______________ 2.5.4 Valor da folha de pagamento mensal : R$_________________________

2.6

Número de horas trabalhadas (mensal) __________________________(média)

2.7

Trabalhadores especializados: 2.8.1 Técnicos na produção:_______2.8.2 Administrativos (vendas, contab.): ________

2.8

Gerenciamento (como é feito)____________________________________________ _____________________________________________________________________

2.9

Rentabilidade

Atenção: Custo fixo : Mão de obra, Despesa administrativo, energia Custos variáveis: Embalagens, auxiliares Produto

Custos fixos

Custos variáveis

Preço de venda

Se houver mais produtos anotar no verso. 3

Investimentos

3.1 Qual foi o investimento previsto no projeto? R$__________________________ 3.2 Quanto já foi investido? R$__________________________ 3.3 Em que foi investido? 3.3.1 Prédios e instalações R$___________3.3.2 Máquinas e utensílios

R$________

3.3.3 Outros R$_________ 3.4 Quanto do montante total já foi pago R$_____________ 3.5 Tem capital de giro 3.5.1 ( ) Próprio R$__________3.5.2 ( ) Emprestado R$___________ 3.5.3 ( ) Não tem mas precisa. Quanto? R$__________ Motivo:_______________________________________________________ 3.6 Já foi identificada a necessidade de novos investimentos? ( ) Sim ( ) Não 3.6.1 Valor a ser investido: R$:__________ 3.6.2 Motivo dos novos investimentos 3.6.2.1 ( ) Terminar a construção e iniciar operação R$ __________

39


CONCRAB MAE 1.7.1Anexo3 Manual do Acompanhamento das Empresas Sociais dos Assentamentos da Reforma Agrária Villela 05.08.04

3.6.2.2 ( ) Reforma sem mudar produção R$ __________ 3.6.2.3 ( ) Ampliação das mesmas produções

R$ __________

3.6.2.4 ( ) Fabricar novos produtos R$ __________Quais são os novos produtos?_________ 3.6.2.5 ( ) Melhorar a qualidade dos produtos atuais R$ __________ 3.6.2.6 ( ) Outros:___________________________ R$ __________ 4

Comercialização

4.1 Como são vendidos os produtos? 4.1.1 Venda própria______%4.1.2 Venda terceirizada – distribuidores (intermediários)

____%

4.2 Pontos de Venda: onde os produtos são oferecidos? 4.2.1 Atacadistas (revendedores) ________% 4.2.3 Pequenos Mercados______%

4.2.2 Supermercados ________%

4.2.4 Feiras______%4.2.5 Outras Indústrias ______%

4.2.6 Outros _______% Quais? ____________________________________ 4.3 Localização dos mercados: 4.3.1 Exportação _______% 4.3.2 Mercado Nacional (vários Estados) _______% 4.3.3 Mercado regional (estado de origem)____% 4.3.4 Mercado Local (município e cidades vizinhas)____% 4.4 Quem são os consumidores: tipo de renda (alta, baixa, média, todas) _______________________Urbano ou rural?_____Famílias ou indivíduos? _______________ 4.5 Quem são os concorrentes?_________________________________________________ 4.6 Política de Preços (em relação a outras marcas e concorrentes) 4.6.1 Preços mais altos no mercado: _______ Motivo: _________________ 4.6.2 Preços intermediários: _______ Motivo: ________________________ 4.6.3 Preços mais baixos: ________ Motivo: _________________________ 4.6.4 Preço de venda praticado por esta agroindústrias: ________ Motivo: ___________ 4.7 Prazos de Recebimento: 4.7.1 A Vista: ________% 4.7.2 A Prazo: _______% Qual o prazo médio _______em dias 4.8 Faz algum tipo de promoção/propaganda? Qual meio de comunicação?____________ 4.9 Como é feita a distribuição para o mercado? 4.9.1 Veículo próprio _______4.9.2 Frete de terceiros _______ 4.9.3 Transportadora ________4.9.4 Outros ________ Quais? _________________________ 5 Matéria prima 5.1 Origem: quantidade adquirida Sócios Assentados ______Sócios não assentados ______ Assentados não sócios _______Compra no mercado _______

Produção Própria ________

5.2 Tipos de Matéria-prima________________Tem especificação? ___________________ 5.3 Produção de Matéria-prima é planejada junto aos agricultores? (tipo de plano: Assistência Técnicas, programação, adiantamento de insumos, etc...)_______________________________________________________________________ 5.4 Algum tipo de Contrato entre a fábrica e os agricultores? Sócios_____Não Sócios____

40


CONCRAB MAE 1.7.1Anexo3 Manual do Acompanhamento das Empresas Sociais dos Assentamentos da Reforma Agrária Villela 05.08.04

5.5 Quantidade de Matéria-prima processada __________ (especificar unidade) 5.6 Período do ano em que tem Matéria-prima 5.6.1 O ano todo _______5.6.2 Do mês _______________ até o mês _____________ 5.7 Como variam os preço da Matéria-prima principal ao longo do ano? Jan

Fev

Março Abril

Maio

Junho Julho Ago

Set

Out

Nov

Dez

5.8 Há concorrência na aquisição da Matéria-prima? _______________________________

41


CONCRAB MAE 1.7.1Anexo3 Manual do Acompanhamento das Empresas Sociais dos Assentamentos da Reforma Agrária Villela 05.08.04

PROJETO ECONÔMICO O nome "projeto" é utilizado para designar um conjunto de ações com um objetivo específico a ser atingido, visando alcançar ou contribuir para objetivos gerais ou específicos de uma unidade de produção. Os projetos têm começo e fim determinados conforme as linhas de produção e seu planejamento estratégico, devendo alcançar metas estabelecidas. A mudança de uma determinada situação existente para outra desejada exige um conjunto de ações que devem conduzir, de forma programada, a essa mudança. A expressão clara dos problemas a resolver, dos objetivos a alcançar, das ações a executar, dos meios necessários para tanto e das formas de verificar se a mudança ocorreu é o que se denomina projeto. Os projetos geralmente integram um programa de investimentos ou são parcelas de um plano. Podem tomar várias formas e alcançar distintos níveis de detalhe, geralmente definidos em função do setor a que se referem e ao grau de exigência do financiador, estabelecendo planos de ação e especificando os resultados a obter e as atividades básicas para alcançá-los, o que, nos casos mais complexos, exige a elaboração de projetos específicos, que levam ao detalhamento do plano para sua implementação. 1

Projeto de Viabilidade

O projeto de viabilidade econômico-financeira é o conjunto de informações, sistematicamente ordenadas, que procuram demonstrar a viabilidade global da execução de ações conjugadas e continuadas, para o alcance de determinado objetivo de natureza econômica e/ou social. A elaboração inicia-se com a identificação de oportunidades e é composta por dados de mercado, localização, custos, tecnologia, processo e recursos disponíveis, entre outros. Ele é um importante instrumento para a tomada de decisões relativas à alocação de recursos em um determinado investimento. Possibilita, ainda, avaliar as vantagens e desvantagens, custos e benefícios de se utilizar recursos, seja para implantação de um negócio, seja para aumentar a capacidade produtiva, seja para incrementar a produtividade ou criar novos meios de produção. Além disso, esse projeto é uma ferramenta que subsidia o administrador a acompanhar o desempenho econômico-financeiro da empresa social, pelo prazo em que foi projetado 2

Etapas de um projeto

a) Estudos preliminares: são as investigações exploratórias, de caráter bastante sumário, ou superficial em torno de uma idéia inicial de um projeto b) Ante-projeto: corresponde a um estudo mais sistemático de todos os aspectos que deverão integrar o projeto final, nesta fase não se dá muita ênfase aos aspectos de engenharia (arranjo físico dos equipamentos na fábrica), nem são realizados os estudos complementares. c) Projeto final: corresponde ao aprofundamento do ante-projeto, enfatizando os aspectos de engenhara e de estudos complementares (roteiro básico para elaboração de projeto) que tornarão possível a instalação da unidade produtiva. d) Montagem e execução do projeto: corresponde a fase de execução dos investimentos previstos, com a construção de edifícios e instalação de montagem de equipamentos, realização dos testes de funcionamento e treinamento de pessoa, até que a unidade esteja em condições de funcionamento normal. 3 3.1

Roteiro Básico para Elaboração de um Projeto Economico Primeira parte: Identificação do proponente a) razão social (nome completo de associação ou Cooperativa) b) endereço (identificar rua, estrada, bairro, distrito, município, CEP, caixa postal, telefone, fax, e-mail, etc.) c) diretoria atual (presidente, vice, etc.)

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3.2

Segunda parte: Descrição do projeto 1 2

3

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5

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8

3.3

Apresentação: descrição sumária dos objetivos e características principais do projeto, com indicação dos promotores e responsáveis por sua execução, do programa de produção, investimentos necessários, esquemas de financiamentos e resultados esperados. Mercado • quais são os produtos ou/e serviços desse projeto? • traçar o perfil do consumidor desse produto ou serviço. • como será comercializado este produto ou serviço, pela própria cooperativa ou através de intermediário (lojas, feiras, etc.) • qual a abrangência do mercado? ( ) no município ( ) regional ( ) nacional ( ) estadual ( ) mercado externo • indicar os meses de maiores vendas destes produtos ou serviços • qual a quantidade de produtos que pretendem vender? • quais as matérias-primas e/ou insumos necessários? • existem pessoas ou empresas que atuem nesse mesmo mercado com produto ou serviço concorrentes ou similares? Se existir, especificar? • faça uma comparação entre qualidade do produto ou serviço deste projeto, com outros concorrentes ou similares • quais os preços de venda dos produtos ou serviços concorrentes ou similares no mercado? • quais as formas de pagamento oferecidas pelos concorrentes? Tamanho: O tamanho de um projeto é definido pela sua capacidade de produção durante um período de trabalho considerado normal. Para definir a escala de produção devem ser considerados entre outros fatores, o estudo de mercado, localização e a disponibilidade de matéria-prima, através de produção própria ou adquirida de terceiros. No caso de aquisição, devem ser considerados os concorrentes que atuam na mesma região onde está localizado o empreendimento. Ou seja as outras empresas que atuam também como compradoras da mesma matéria-prima. Localização: Procura indicar o melhorar local para instalação do empreendimento. No caso do processamento da produção primária, geralmente a localização do projeto é mais viável próxima ao local de produção da matéria-prima, visto o custo de aquisição (e/ou produção) ser menor e o custo de transporte tornar-se mais barato depois da produção estar processado. Engenharia: O objetivo de estudo de engenharia de um projeto é definir e especificar tecnicamente os elementos que compõem o sistema de produção, e as respectivas inter-relações de forma suficientemente detalhada e precisa que permita a montagem e colocação em funcionamento da unidade produtiva. Ou seja, é a alocação dos vários equipamentos nas devidas etapas produtivas dentro da unidade, de forma mais otimizada possível, em relação a tempo e custos. Isto incluí também o fornecimento de energia elétrica, água, e outros insumos diversos. Investimento: Estimar o total de recursos de capital que serão necessários para realização de um projeto. Através da estimativa e que serão estruturados os esquemas de financiamento do projeto, e em conseqüência avaliados os seus custos de capital, sua rentabilidade e sua prioridade. Financiamento: Levantamento das possibilidades de captação de poupanças na escala e no ritmo necessários para a realização dos investimentos previstos. Está relacionado ao programa de investimento. Incluí também os recursos necessários para capital de giro. Neste caso, devem ser calculados os recursos necessários conforme o volume de produção da empresa. Por exemplo: para processar 1000 unidades necessita-se de R$ 100,00 de capital de giro. Aumentando sua produção para 10000 unidades, o capital de giro necessário será R$ 1.000,00. Custos e receitas: Compreende as estimativas das receitas anuais esperadas e dos custos fixos e variáveis necessários para obtenção dessas receitas.

Terceira parte: roteiro de análise de viabilidade econômica

A seguir segue orientações sobre como obter os dados necessários para conseguir analisar se o projeto é viável ou não. Para isso é preciso identificar: as receitas, os custos e a rentabilidade do projeto.

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1Receitas Natureza*

Quantidade produção

Unid.

Valor unit.

ano 1

ano 2

ano 3

ano 4

TOTAL •

Vendas de produto ou prestação de serviços.Ex.: leite envasado, queijo minas frescal, pão caseiro, rapadura, horas máquinas trator, km rodado de transporte, etc.

2 Custos ITEM

CUSTO UNIT.

CUSTO MENSAL

CUSTO ANUAL

INSUMOS Matéria-prima principal Materiais secundários Material de embalagem Energia elétrica Combustíveis: lenha óleo combustível gasolina Lubrificantes Água Transportes Outros serviços e produtos MÃO-DE-OBRA Mão-de-obra fixa: administração i. operacional Mão-de-obra variável:de vendas ii. outras Em empresas que possuem mais de uma unidade produtiva, é importante que os custos como por exemplo, telefone, energia elétrica, água, mão-de-obra administrativa, deve-se procurar fazer o rateio desses custos proporcionalmente ao volume de produção de cada unidade. 3 Rentabilidade do Projeto: ITENS Receita Bruta (-) Impostos (=) Receita Operac.Liquida (-) Custos Fixos (-) Custo variável (=)Lucro Bruto (-) Despesas Comerciais (-) Despesas Administrativa ( - ) Despesas Financeiras (juros) ( - ) Outras Despesas (=) Lucro antes I.R. (-) I.R. / Contrib. Social (=)Lucro Líquido (+) Depreciação (-) Investimentos *

Ano 1

Ano 2

Ano 3

Ano 4

Ano 5

Ano...10

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(+) Financiamentos ** (- ) Amortizações *** (=) Fluxo de caixa do projeto * São projetados pontualmente, ou seja, somente quando feito o investimento efetivo ** idem anterior *** São os pagamentos do capital emprestado conforme as condições de pagamento. Ex.: Pronaf A: 3 anos de carência, mais 7 anos para pagamento. Então as amortizações serão calculadas a partir do 4º ano. 4

Índices de avaliação de rentabilidade econômica

4.1

Ponto de nivelamento

O Ponto de nivelamento é o último indicador de funcionamento, e representa o momento em que as receitas se equivalem aos custos totais. Pode também ser definido como o volume de produção que não gera lucro, nem prejuízo, ou seja, os custos totais incorridos pela empresa são exatamente iguais às receitas oriundas desta produção. A estimativa do ponto de nivelação é especialmente importante na determinação do grau de estabilidade da empresa frente à possibilidade de variação da procura, e, em conseqüência, das receitas. Um baixo ponto de nivelação assegura empresa maior flexibilidade de operação e segurança financeira. Exemplo: melhorar a equação P.N. = C.F. = R.T. - C.V P.N: ponto nivelamento C.F. Custos fixos R.T: receita total C.V. Custo Variável

26.509,12 = 0,413, ou 41,3% 319.375,00 - 255.237,07

Pode também ser expresso em reais, equivalendo, no caso 41,3% das receitas totais, ou seja, R$ 131.901,88. Significa que, acima deste ponto há lucro e abaixo há prejuízo. Considera-se o valor obtido bem dentro dos padrões empresariais. A partir deste resultado, também é possível estabelecer a Margem de Segurança, que representa o percentual de redução nas vendas para atingir o ponto de nivelamento. Uma redução acima deste percentual provoca prejuízo. Neste caso, a Margem de Segurança é de 58,7% (100 41,3). 4.2

Taxa Interna de Retorno – TIR.

A TIR serve para comparar diferentes projetos entre si, e para compara-los com a rentabilidade geral possível na economia. Essa rentabilidade geral é o custo de oportunidade do capital. Certamente que um projeto, para ser aceitável deve ter uma taxa interna de retorno nunca inferior ao custo de oportunidade de capital. Assim chega-se a concluir que a TIR é uma demonstração de rentabilidade do projeto, e que, quanto maior for a TIR mais vantagens apresenta o projeto em termos atuais, ou seja, em relação ás taxas de juros pagas no mercado. Para calcular-se a TIR, utiliza-se o excel, na função fx, financeira – TIR. A base de calculo é o fluxo de caixa do primeiro ao último ano. É correto que sejam feitas as projeções até o décimo ano.

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MAE-Cap1  

CONCRAB PROGRAMA DE REFORMA AGRÁRIA 1 8. Lutar contra toda forma de violência no campo, bem como a criminalização dos Movimentos Sociais. Ex...

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