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ANO 1, EDIÇÃO 05

Valores e religião são P fatores de proteção

Estabelecer limites desde cedo

Apesar de muita gente dizer que os valores tradicionais da família e da religião estão fragilizados, é importante para os pais conversarem sobre esses assuntos com seus filhos

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odos os pais sonham que os seus filhos sejam bem-educados, inteligentes e não tomem decisões erradas, principalmente em relação ao uso de drogas. Para isso, é preciso ter bastante cuidado e prudência, pois o mundo mudou muito nos últimos anos e o acesso a esse tipo de substância está cada vez mais fácil, com nossos filhos podendo consumir drogas em quase todos ambientes que frequentam, tanto na escola, quanto entre os amigos, além das festas e até na faculdade. Assim, para evitar que nossas crianças tomem o caminho das drogas, os pais podem contar com vários fatores de proteção e devem fazer uso de todos eles, inclusive da religião, a qual tem papel fundamental na criação dos filhos, independentemente de qual segmento religioso for adotado pela família. Muitos dos jovens que entraram no mundo das drogas relatam que vieram de lares onde valores morais e éticos não estavam bem definidos. Havia falta de limites claros. E vejam que isso não tem nada a ver com nível socioeconômico da família. Uma boa parte de nossa sociedade vive uma crise de valores e ausência de propósitos elevados. Muitas famílias não têm isso muito nítido e a cada dia mudam de posição sobre um assunto ou outro. Ao mesmo tempo que reclamam da corrupção no país, não seguem al-

gumas leis aparentemente simples, gerando uma enorme incoerência em suas atitudes. Um exemplo típico é que, no Brasil, existem leis que proíbem venda de cigarros e bebidas por menores de 18 anos, o que indica que isso não é ideal a adolescentes, mas nas festas familiares e eventos há muita tolerância ao uso da cerveja, caipirinha ou de um simples cigarro entre os mais jovens.

“Nossos filhos estão entrando cada vez mais cedo para o mundo das drogas e do álcool, e quanto mais cedo for alguma experimentação, mais dolorosas poderão ser as consequências” Outro exemplo de contravenção é em relação à habilidade de dirigir veículos por menores de idade, visto que todos nós conhecemos um pai que já liberou seu carro para um filho sem carteira de habilitação.

ara que os conceitos corretos sejam estabelecidos e cumpridos, a família precisa, precocemente, ensinar que moral e ética fazem parte dos valores daquela casa. Que mentiras e desrespeito não serão tolerados em hipótese alguma e que professores e funcionários devem ser respeitados em todas as situações. Mais do que isso, a família precisa conversar abertamente que ela não aceitará que qualquer um de seus mem-

bros fume ou experimente bebidas alcoólicas antes da idade permitida pela lei e que se essa regra for quebrada haverá consequências sérias. Por fim, a família precisa estabelecer regras bem definidas e claras sobre certos assuntos e não permitir qualquer desvio de rota na condução do lar. É muito importante escrever em um quadro quais são os valores da família e afixá-lo em algum lugar de maior destaque. Cada vez que o filho agir fora dos padrões estabelecidos pelos pais, eles deverão adotar alguma providência. Se o filho não cumprir as tarefas determinadas ou quebrar alguma regra da casa, os pais podem optar por perdas criativas, como desligar a internet ou parar de pagar as contas do celular que ele utiliza, fazendo assim, com que esses jovens se sintam perdendo algo e tenham mais responsabilidade em suas próximas ações e atitudes. Não podemos criar nossos filhos aceitando, passivamente, que eles não trabalhem ou não estudem, ou então, que fiquem o dia inteiro de pernas para o ar, sem nada para fazer. Lembramos que tanto o trabalho quanto o estudo fazem parte dos valores da maioria das famílias cujos filhos deram certo nas estradas da vida. Não podemos aceitar a preguiça nem a desorganização, devemos exigir disciplina e honestidade. Não podemos nos contentar com menos que isso.


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A importância da religião no combate às drogas Os pais têm um poder enorme sobre os filhos, mas, muitas vezes, não têm sequer noção disso

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m fator muito importante na prevenção às drogas é a religião. Quando um jovem cresce em um lar onde os pais vão a alguma igreja ou seguem algum pensamento religioso, fica muito mais difícil para droga entrar na vida desse adolescente.

“A religião mantém o filho conectado com Deus, tendo consciência que existe um poder superior a todos nós a quem deveremos prestar contas” Se ensinamos nossos filhos a orar, a parar para meditar e a ler alguns trechos de um livro de conteúdo religioso, na hora das tentações terão sempre um porto seguro para buscar algum socorro. O jovem que cai nas drogas já estava, havia muito tempo, longe de Deus. Nem se lembrava mais dos benefícios da oração, provavelmente, nunca orou com devoção e conhecia muito pouco ou até quase nada dos textos dos livros sagrados da maioria das religiões. A religião é um dos mais fortes aliados no campo da prevenção. Um pai que leva o filho na igreja dificilmente irá visitá-lo na cadeia. Isso é fato! A religião solidifica os laços familiares, passa a fazer parte dos valores e tradições da família, une o casal e cria um alicerce de proteção para todos. A religião ensina o homem a respeitar seu próximo, fala de amor e de bondade, enaltece a justiça e o respeito, e, com tudo isso, fortalece o jovem a recusar o convite dos amigos para experimentar maconha, cocaína, cigarro ou álcool. Entendemos que falar de Deus e falar dos princípios da fé é tarefa que pertence à família. Não pode ser delegada à igreja ou à escola. Os pais ganhariam muito, na sua tarefa de educar filhos, se fossem os maiores exemplos no campo da religião.

Quando o jovem não tem esse contato com a religião, de modo constante até os 10 anos, muito dificilmente irá aceitá-la depois. E na falta de uma crença forte, nas horas das dificuldades, quando a dor e o sofrimento chegarem, quando os sentimentos ficarem insuportáveis, se não encontrarem apoio na fé, certamente, irão encontrar alívio em alguma mesa de bar ou junto a alguns colegas fumando maconha ou ingerindo alguma bebida alcoólica. Lembre-se que as drogas e o álcool dão prazer, mas, o que elas mais fazem é aliviar a dor de viver e de não compreender o porquê do sofrimento, das dificuldades de relacionamento dentro de casa, nem as razões de tantas injustiças no mundo. Na falta de uma crença, na falta de um ideal ou de um propósito superior, sobra apenas o desejo de aliviar o sofrimento o mais rápido possível, usando qualquer substância que estiver à frente.

“Como é lindo ver um casal indo a uma igreja conduzindo todos os seus filhos. Todos de mãos dadas em direção ao encontro espiritual de significativo valor” Quando aproximamos um filho de uma crença nós estamos solidificando os alicerces de suas crenças e valores para toda uma vida. É nosso dever como pais, como família, entendermos que a religião é uma parte da boa educação. Mesmo que depois nossos filhos venham a mudar de rumo e até a negarem a fé, uma semente poderosa terá sido plantada em seus corações e, no tempo certo, dará os seus frutos. Cabe aos pais plantar a semente e cabe a Deus fazê-la germinar no tempo certo.


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Criação com amor e carinho afasta os filhos das drogas Pais que apenas mandam e não escutam o que seus filhos têm a dizer, deixam a porta aberta para a entrada das drogas e do álcool na vida deles

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ão existe uma única explicação para o fato de um adolescente optar por entrar no mundo das drogas, já que são vários os fatores que contribuem nessa decisão de experimentar o álcool, o cigarro ou, em casos ainda mais graves, a maconha ou a cocaína. O importante, para nós que somos pais educadores, é criar um ambiente domiciliar que diminua a chance dos nossos filhos tomarem esse caminho, cujo retorno é difícil e causa prejuízos irreparáveis. Assim, é preciso conceber condições ideais para que nossos filhos desenvolvam autoestima e, com isso, consigam dar mais valor à sua própria vida e às relações familiares. Muitos pais acham que o seu dever é apenas mandar, determinar ordens, e querem que os seus filhos apenas obedeçam. Esse tipo de relação não funciona mais e apenas gera um ambiente de insatisfação entre os pais e os seus filhos, principalmente entre os adolescentes. Com essa educação, de cobrança ao invés do diálogo, os pais nem sempre oferecem condições adequadas para que os filhos cresçam como se espera e sejam educados, inteligentes e autossuficientes. Para que essas virtudes e talentos se manifestem por inteiro, é preciso ter uma educação mais inclusiva, na qual os filhos tenham um canal de conversa e compreensão aberto permanentemente dentro de casa. Temos que exercer a autoridade de pais, usando o amor e o respeito, não a força ou a agressão. Conversando com muitos jovens que se perderam no mundo das drogas e do abuso de álcool, é

dência química, a presença de mágoas e ressentimentos profundos, principalmente naqueles lares onde a ordem era estabelecida na base do grito ou das ameaças. Quem gritava mais acabava sendo obedecido... Muitos jovens sentem-se amargurados em seus lares de origem. Percebem que não receberam a devida atenção, carinho, respeito e cuidados, de acordo com seus desejos. Assim, nesse clima de indiferença afetiva, tornam-se mais vulneráveis às pressões externas para se rebelarem e experimentarem uma vida fora dos padrões da família, criando sua própria moral e ética a serem seguidas, a qual, normalmente inclui o consumo de drogas e comportamentos que ferem a sensibilidade de seus familiares. Como reverter isso? Como fazer com que nossos filhos sintam vontade de voltar para nossas casas e seguirem os valores de nossa família? A resposta é simples: “faça tudo junto com eles”.

Fazer junto é a nossa melhor opção

comum ouvir histórias de pais autoritários que usavam a agressão verbal ou a força física como principal estratégia para conseguir que os filhos fizessem as suas vontades. Alguns pais ainda baseiam o

funciona mais adequadamente. Hoje em dia, com toda a abertura que há no mundo e com a infinidade de informações à disposição das pessoas – inclusive das crianças e

dos jovens –, os pais têm que usar a cabeça e a criatividade, e não a mais a força, para ser bem-sucedidos na educação dos filhos. É comum, no mundo da depen-

“Filhos criados na força estão mais sujeitos a desenvolverem sentimentos negativos em relação aos seus genitores” modo de criar filhos nos velhos conceitos de obediência, querendo que suas ordens sejam obedecidas cegamente e sem questionamentos. Esse modelo pode ter funcionado por muitos séculos, mas não

Quando os pais fazem as atividades domésticas conjunta com os seus filhos abrem uma oportunidade de diálogo e estreitar cumplicidade

Já dissemos que um dos fatores chaves de proteção contra as drogas é o desenvolvimento da escuta atenta por parte dos pais. Um outro fator essencial nesse processo de educação é o de pais e mães criarem o hábito de fazer certas coisas junto com seus filhos. Quando convidamos os filhos para fazer algo junto conosco, criamos uma excelente oportunidade para exercitarmos o diálogo autêntico, criando uma verdadeira cumplicidade. Imagine a mãe que convida o filho para lavar e secar os pratos junto com ela. Enquanto ambos limpam os utensílios domésticos, um tende a conversar algo com o outro, a falar dos sonhos, das preocupações e dos desejos e o diálogo flui verdadeiro e autêntico. O trabalho em comum cria forte vínculo afetivo e emocional, pois o jovem sente-se útil, percebe que é contributivo, que sabe fazer diversas atividades e que é valorizado por isso.


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Estar junto com o outro cria um ambiente favorável para desenvolver relações saudáveis

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tarefa junto com a mãe ou o pai é vista como um ato de confiança e de reconhecimento do valor próprio. Isso reforça os laços de amizade e respeito. É um momento de descontração entre pais e filhos, por mais que as atividades exercidas sejam chatas. É assim que desenvolvemos o prazer de estar juntos, de conversarmos e, consequentemente, de falarmos de nossas dores e dificuldades. Por outro lado, pais que apenas mandam os filhos executarem uma tarefa podem passar a imagem de que trabalho é punição. A palavra “juntos” tem um poder enorme de criar ambiente favorável para desenvolver rela-

ções saudáveis, aproximando as pessoas, criando intimidade, vencendo obstáculos. Como é triste uma criança ser criada em uma casa onde o pai não demonstra afeto, que a mãe parece indiferente e que alguém apenas manda e alguém tem apenas o dever de obedecer. Muitos pais ficam exaustos fazendo tantas atividades em casa ou trabalho, sem aproveitar o potencial benéfico do auxílio educativo dos filhos. Muitos dizem que os filhos não sabem fazer nada direito, fazem tudo errado e que são incompetentes. Na verdade, se o filho não sabe fazer algo de modo correto é porque não foi bem ensinado. Ensinar é tarefa da família também.

Desta forma, são os pais que devem preparar os filhos para o trabalho em equipe e para cooperação, pois nos lares onde todos trabalham, todos trabalham menos; há mais alegria, mais prazer e maior união, que são fatores essenciais para afastar nossos filhos do mundo das drogas. A grande riqueza de uma pessoa não está no tamanho da conta bancária nem nos bens materiais que possua. O que torna a vida de alguém rica, cheia de felicidade e alegria, é a qualidade dos relacionamentos, das interações familiares, do amor e do respeito que surgem em lares onde há o amor e entendimento. Fazer algumas tarefas junto com os filhos deve ser uma das prioridades de todos os pais que desejam filhos mais preparados para vida. Não custa nada implantarmos essa filosofia de criarmos atividades conjuntas,

isso fará uma grande diferença na criação dos nossos filhos. Antigamente, no tempo de nossos avós, como dava prazer reunir toda a família, incluindo os irmãos, os primos e os tios para fazermos “pamonhas”. Um cortava o milho, outro costurava a palha, alguém ralava as espigas, outro cozinhava e, no final do dia, todos comiam pamonhas e conversavam muito, trocavam ideais, partilhavam sonhos... Se atualmente não dá mais

Ronaldo Campos, especialista em dependência química, é o responsável pela redação do PROJETO ILUMINAR. “A ideia é tirar o foco da prevenção da escola e colocá-lo dentro da família. A solução depende dos pais.” Dimas Moraes, Provedor do FUNDO DE BENEFICÊNCIA EIKO OSAKA DE MORAES, mantém o PROJETO ILUMINAR. “Nossa intenção é receber projetos que ajudem as pessoas a se ajudarem, e, este projeto é uma maneira de fazer algo em benefício das pessoas, com maior abrangência”.”

para fazer pamonhas, mesmo porque os hábitos mudaram, que tal começarmos a fazer algumas pizzas junto com nossos filhos e amigos? Nada de mandar comprar pronta. O negócio é fazer a massa, preparar o molho, espalhar o queijo, assar olhando o ponto certo para não queimar e depois saborear toda essa delícia junto com os demais; essa experiência seria única e traria um momento de lazer e aprendizado para toda a família.

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