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ANO 1, EDIÇÃO 01

Um recado aos pais: vamos falar de prevenção às drogas? D

e todos os objetivos na vida, ter uma família unida e saudável, certamente está entre as nossas principais metas. Juntando-se a isso, todos desejam uma carreira profissional promissora e que proporcione condições ideais para preencher as nossas necessidades mais imediatas. Mas de que vale tudo isso se alguém da nossa família for afetado pelo uso de drogas ou abuso de álcool? Será que todas as pessoas conseguem ter a família que sempre sonharam? Nossos filhos são nossos maiores investimentos. Muitas vezes, são a razão de nossos trabalhos e esforços. Mas nossos filhos crescem, entram na adolescência, mudam de comportamento, adquirem ideias próprias e nem sempre nos sentimos satisfeitos e seguros com suas preferências ou escolhas.

O que nos preocupa? Do que temos medo? É nesse momento que surge um alerta que assombra famílias de todas as camadas sociais: o perigo do álcool e das drogas. O maior desafio, nos dias de hoje, é criarmos uma CULTURA DE PREVENÇÃO voltada a garantir que nossa juventude não seja seduzida pelo prazer ilusório da droga, pois em lares onde a droga entra, a paz e a felicidade vão embora. Por isso, criamos o Projeto Iluminar, voltado às famílias que se preocupam com este assunto e buscam meios educativos que possam impedir que esse problema aconteça com alguém muito próximo. O objetivo é conscientizar pais e mães de que atos simples formam o caráter de seus filhos. E a partir de exemplos, condutas, valores e virtudes, as crianças terão mais condições de estarem conscientes sobre vícios, de se afastarem de más companhias e seguirem suas vidas.

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Isso não é a escola que ensina A PREVENÇÃO aos vícios começa dentro de casa. Essa é uma tarefa que pertence a nós, pais e mães, e não podemos delegar para ninguém. Na escola, a criança aprende e recebe informações sobre muitos assuntos, mas, a educação emocional e a criação de valores sadios são obras do exemplo e do amor que vêm dos pais.

‘Temos a noção do perigo das drogas e ignoramos as armadilhas do álcool’

‘Temos que preparar nossos filhos para entenderem que o perigo da droga está na esquina, na escola, no clube ou na casa dos amigos’ Você sabia que alguns tipos de filhos são mais vulneráveis ao uso de droga? Filhos tímidos, filhos por adoção ou que sofrem bullying na escola são os que correm mais riscos. Devemos estar alerta de que a principal porta de entrada para esse mundo de sofrimento e dor é o álcool, e a nossa sociedade aceita a bebida como algo natural, mesmo entre os jovens, porque embora proibida a menores, ela é de fácil acesso e custo muito barato.

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E por que ficar atento tão cedo Uma coisa é experimentar maconha aos 12 anos. É bem diferente de começar fumar aos 20. No adolescente, o cérebro ainda está em desenvolvimento, em formação, e ao consumir drogas haverá a formação de circuitos cerebrais nada saudáveis. O filho que começa a consumir droga muito cedo vai ter um grande impacto por toda sua vida. Não existe droga leve, natural ou inofensiva. Todo jovem que usar droga, por tempo prolongado, ficará com sequelas comportamentais por toda sua existência.

‘A droga não deixa a pessoa fazer a transição da adolescência para a idade adulta. Fica um eterno adolescente. Torna-se um irresponsável’


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Precisamos dar atenção às crianças que se sentem diferentes

O pais precisam perceber quando seus filhos têm problemas com a autoestima

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ão é regra, mas usuários de drogas costumam ter comportamentos inadequados. Quando é possível perceber que o meu filho tem problemas? Todo jovem com problema de autoestima sofre de algo que chamamos “dor emocional”. É um tipo de sofrimento que se

‘A droga vira a opção mais rápida e barata para aliviar qualquer tipo de dor interna’

Timidez

não for encarado pela família, na base do amor e do afeto, poderá evoluir para uma angústia interior, facilmente aliviada por álcool e drogas.

Bullying

um super-homem, uma mulher maravilha, uma pessoa com pensamento super rápido e com a sensação de ser alguém extremamente belo e atraente.

‘A droga acompanha o dinheiro. Quanto mais rico é um bairro, maior o perigo da sua existência’ Quem são filhos de risco? Preste atenção se seu filho não está satisfeito com sua aparência. Quem se sente feio e sem graça, encontra no álcool e na cocaína potente estímulo para se sentir diferente. O álcool dá coragem, desinibe, e a cocaína faz o jovem se sentir

Outro perfil de risco é a criança tímida e inteligente. Sabe aquele garoto que se senta na frente da classe e é desprezado por muitos, porque é inteligente e tira boas notas? Esse jovem tem dificuldade para arrumar namorada ou se relacionar com os demais co-

“Não quero estudar nem trabalhar, só curtir a vida”, diz o jovem viciado: a droga não o deixa fazer a transição da adolescência à vida adulta

‘A droga atinge pessoas com vida sem propósito, que sentem um vazio interior e têm baixa autoestima’ legas. Mas ele percebe que os colegas do fundão são descolados. Bebem, usam cigarro comum, afrontam a diretora, tiram sarro da professora, têm notas baixas e fumam maconha, entretanto, estão rodeados de meninas e parecem sempre estar de bom humor, além de serem muito populares. O tímido, se quiser namorada, vai tentar imitar aquele

Adoção

comportamento para ser aceito e se encaixar nesse grupo. Muitos jovens entram no mundo da droga por esse caminho e são capazes de mudar estilo de vida e de valores simplesmente para serem aceitos pelos outros. Essa é a questão da aceitação. Quem não se aceita como é tende a copiar o estilo dos outros, principalmente no que os outros têm de pior.


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Comportamentos preocupantes: querer ser quem não é ou se isolar Eles se refugiam antes nas drogas lícitas: bebida, cigarro e até internet

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álcool é uma droga muito perigosa, porque vai desligar o senso de crítica e com isso o jovem se torna ousado para tentar fazer novas coisas e experimentar novas substâncias. Imagine a seguinte situação: seu filho foi a uma festinha e já tomou duas latinhas de cerveja.

‘Os meninos descolados fumam e bebem. O tímido treina fumar em casa, bebe na festa e renuncia aos valores da família para entrar nessa turma’ Parece inofensivo? Mas se, nesse momento de entusiasmo, alguém lhe oferecer, por exemplo, cocaína, sabe o que é bem possível de acontecer? Ele pode experimentar.

E pior é que ele pode gostar. O álcool tem esse poder de dar coragem para fazer coisas que até poucos instantes atrás não acharíamos interessantes. O tímido, se beber, tem audácia para chegar numa menina que ele gosta, sem nenhum constrangimento, o que se torna uma grande vantagem competitiva. Para essas crianças acanhadas, o álcool é um excelente tratamento para suas dificuldades de relacionamento. É importante lembrar que uma família de valores cumpre as leis do nosso país. No Brasil, não se pode permitir, em nenhuma ocasião, que uma criança ou adolescente fume ou beba antes dos 18 anos. Seja honesto, na festa de 15 anos de sua filha estaria correto ter um brinde com champanhe? E no Natal, nossos filhos menores podem experimentar vinho? E no churrasco na casa da titia, podem tomar caipirinha? É preciso entender que alguns jovens têm mais dificuldades de passar pelos períodos de

Isolamento

Cigarro

transição que marcam a vida de qualquer ser humano. A maconha é uma droga perigosa. Afeta a memória recente, dificulta novos aprendizados e desestimula o estudo e o trabalho. Muitos pais acham que a maconha é droga leve, pois o filho se isola no quarto, não é agressivo e não enche a paciência de ninguém.

‘A prevenção começa pelo cumprimento das leis’ Tudo isso é pura ilusão. A maioria dos usuários de maconha abandona a escola, não termina um curso universitário e raramente se torna empresário ou em condições de administrar o patrimônio da família. Vamos falar de mais um assunto delicado? É a questão do filho por adoção... Veja só esse exemplo de um pai que enfrentou o problema: “Sou pai por adoção. Eu e mi-

nha esposa tivemos o desejo de adotar uma criança. Já tínhamos um filho, e depois dele vieram mais dois. Era um desejo antigo adotar uma criança e dar a ela a chance de ser alguém na vida. Quando o adotamos, ele tinha 3 meses, veio muito magro, havia sido abandonado numa escada de um prédio. Foi, então, criado por uma família de brancos, vivendo em um bairro rico, mas ele não se identificava nem na escola nem em casa. Meu filho não se sentia parte da nossa família e eu não tive olhos para ver isso, não enxerguei o sofrimento emocional que ele carregava no coração, e a droga virou a opção mais rápida para aliviar a sua dor...” Não se pode ter um filho por adoção acreditando que é só dar

comida, médico, roupa e escola. É preciso dar algo mais, muito afeto, muita escuta compassiva, muita compreensão e paciência. A dor do filho por adoção é diferente, porque ele se questiona o porquê de ter sido abandonado, faz muitas perguntas silenciosas e tem silêncio como resposta. Então, ele vai buscar na rua alguém como ele, alguém próximo à sua aparência, alguém que se identifique com seus gostos e é nessas horas que muitas desgraças podem acontecer. Seja qual for o perfil, o adolescente quer vencer, ser aceito, se enturmar. E quando isso não ocorre, vem a dor e a frustração. Temos que preparar os filhos para enfrentar momentos de tristeza e fracasso. Onde nossos filhos aprendem a lidar com luto, decepções amorosas, derrotas financeiras? O estilo de vida das famílias atuais não permite que eles sejam treinados para encarar o insucesso. A ideia de muitos pais é tornar tudo mais fácil, pelo lado econômico. E criam comportamento muito preocupante, onde eles se isolam, ficam horas jogando videogame, navegando na internet ou consultando o celular. Nesse clima, os relacionamentos familiares tendem a se deteriorar.

Álcool


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Diálogos e sentimentos

O princípio da ‘comunicação não-violenta’ é uma das chaves para a prevenção

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educação do ser humano nos últimos 4 mil anos foi baseada em três princípios: o medo, a culpa e a vergonha. Isso lhe soa familiar? Você já ouviu coisas do tipo: “Ou você melhora sua nota ou vai apanhar!”, “Você vai ser reprovado e eu estou com vergonha!” “Você é desorganizado e assim não vai ser ninguém na vida!” “Sua irmã já entrou na faculdade e você ainda não terminou seus estudos?” Por isso, o trabalho do Projeto Iluminar é voltado para a

comunicação não-violenta. A proposta é que os diálogos em casa entre pais e filhos sejam feitos sem criticar, julgar, condenar ou comparar! Um bom caminho é ensinarmos que primeiro devemos falar dos fatos que aconteceram e depois colocarmos os nossos sentimentos. Isso diminui as chances de brigas e discussões. A maioria das pessoas faz exatamente o oposto. Falam

dos sentimentos e depois dos fatos.

Como por exemplo: “Estou muito decepcionado com você,

PREVENIR É MELHOR DO QUE TRATAR

AMAR NÃO É DAR TUDO

SER ACEITO E ENCAIXAR-SE

O ‘NÃO’ É PROVA DE AMOR ESCUTAR É MAIS IMPORTANTE QUE ACONSELHAR EDUCAR É ENSINAR PELO EXEMPLO

FAZER JUNTOS É NOSSA MELHOR OPÇÃO

COMUNICAÇÃO NÃO VIOLENTA

VALORES E RELIGIÃO SÃO FATORES DE PROTEÇÃO estou magoada e até irritada, pois você não fez a sua lição de casa.” Seria bem melhor dizer: “Você falou que ia fazer a lição de casa até a noite e não fez. Eu

O TRABALHO NO BEM PROTEGE E ELEVA

fiquei muito aborrecida.” Isso diminui a violência da comunicação! Outra dica importante: cuidado para não jogar sua tristeza na criança. Diálogos

Ronaldo Campos, especialista em dependência química, é o responsável pela redação do PROJETO ILUMINAR. “A ideia é tirar o foco da prevenção da escola e colocá-lo dentro da família. A solução depende dos pais.” Dimas Moraes, Provedor do FUNDO DE BENEFICÊNCIA EIKO OSAKA DE MORAES, mantém o PROJETO ILUMINAR. “Nossa intenção é receber projetos que ajudem as pessoas a se ajudarem, e, este projeto é uma maneira de fazer algo em benefício das pessoas, com maior abrangência”.”

como: “Nossa, você tirou notas baixas e eu fiquei muito triste.” Você coloca o outro como sendo a causa da sua tristeza e isso é um peso muito grande para outras pessoas carregarem.

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