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Edição EDIÇÃO 191 - ANO 5 - 20 DE ABRIL DE 2012

Chapada dos Veadeiros terá novidades na gestão do uso público Portal do Instituto faz primeiro aniversário

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Serra da Bodoquena vai implantar atividade de birdwatching Tamar encerra temporada reprodutiva 2011/2012 com resultados positivos

Aberta consulta sobre estado de conservação de primatas Divisão de Comunicação organiza cobertura fotojornalística 1


ICMBio em Foco

Portal do Instituto faz primeiro aniversário

O Instituto Chico Mendes celebra o primeiro ano de um importante meio de divulgação de suas ações institucionais: o seu portal. Lançado dia 11 de abril de 2011, o portal veio como recurso moderno de gerenciamento de conteúdo sobre as unidades de conservação federais. Criado com a ferramenta livre Joomla, o portal hoje atrai visitação expressiva. Para se ter ideia, um relatório revela mais de 43 mil acessos nos últimos 30 dias, com 177.328 visualizações de página. O tempo médio de permanência numa página – mais de quatro minutos – é considerado alto por especialistas em conteúdo web. A maioria dessas pessoas interessadas em saber mais sobre unidades de conservação e conservação da biodiversidade (54,09%) chegam ao nosso portal por mecanismos de pesquisa, como Google, seguida dos que acessam o site diretamente pelo endereço www.icmbio.gov.br (27,54%) ou sites que fazem referência ao portal, com link, como o site do MMA e demais autarquias vinculadas (18,37%). A área mais visitada do portal é a que traz informações das 310 UCs federais, contendo mapa com os biomas brasileiros e distribuição das unidades pelos biomas. Em seguida, o internauta se interessa por saber o que é o Instituto e o que ele faz. Depois, pela lista de espécies ameaçadas apresentada no portal. Além de brasileiros, o portal é visitado por norteamericanos, portugueses e alemães, entre outros. Para o coordenador de Tecnologia da Informação, Carlos Lacerda, nesse último ano grandes melhorias foram realizadas. “Chegamos ao patamar de disponibilizar todos os planos de manejo existentes em meio digital no Instituto”, explica ele. Segundo o gerente do projeto Internet/Intranet no ICMBio, Uilson Azevedo, trabalho de bastidores foi feito para tornar mais fácil e simples a gestão dos conteúdos, que

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atualmente são muitos os abrigados no portal. “Isso envolveu um esforço concentrado de toda a equipe nesses últimos meses”, destaca o colega. Entre as mudanças feitas neste primeiro ano estão a implantação da newsletter da Agência de Notícias do ICMBio, voltada para a imprensa; readequação das informações de UCs em fichas mais completas; formulação da lista das UCs com todos os planos de manejo disponíveis no Instituto em meio digital; implantação de ferramenta para gerar o ICMBio em Foco no formato de e-Book – revista eletrônica; atualização de versão de banco de dados MySQL; atualização de versão do Joomla; redesenho do posicionamento da marca do ICMBio bem como da cor de fundo da homepage; readequação das fontes e estilos do conteúdo interno; reestruturação das informações da seção Fauna Brasileira. A expectativa é de que as informações sobre as UCs sejam ofertadas ao usuário de forma cada vez mais fácil, simples e atualizada. “Estamos trabalhando numa ferramenta de busca em geoprocessamento que permitirá a qualquer pessoa buscar as informações que precisa por um leque ainda mais amplo do que está sendo ofertado hoje no portal”, completa Uilson.


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Divisão de Comunicação organiza cobertura fotojornalística

A Divisão de Comunicação - DCOM começará a oferecer, a partir de junho, serviço de cobertura fotojornalística de expedições científicas realizadas pelos centros de pesquisa e conservação. O objetivo é documentar, por meio de imagens, espécies que são alvo de planos de ação e espécies ameaçadas de extinção encontradas nas UCs federais.

A organização das imagens disponíveis na Divisão de Comunicação já começou. Quem tiver interesse em participar também pode tirar dúvidas ou enviar imagens pelo e-mail sismidia@icmbio.gov.br. Elas devem ter a melhor resolução disponível, de preferência sem tratamento. Necessariamente devem conter a autoria da foto ou vídeo e, se possível, identificação de local, data, nome de espécie, pessoas etc.

Leonardo Milano

Embora o sistema ainda não esteja disponível para o público, a DCOM já vem realizando expedições fotojornalísticas para abastecer nosso banco multimídia. Unidades de conservação e centros de pesquisa que tenham interesse podem enviar e-mail para claudia.camurca@ icmbio.gov.br ou leonardo.milano@icmbio.gov.br.

Quando o sistema estiver ativo, nosso pessoal poderá enviar imagens para compô-lo. A ideia é transformar o Sismidia em mais uma ferramenta de utilidade pública e institucional, além de uma fonte preciosa de informações sobre a biodiversidade brasileira.

Imagem registrada durante expedição realizada ao Parque Nacional de Saint Hilaire/Lange

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ICMBio em Foco

Aberta consulta sobre estado de conservação de primatas e xenartros

O Instituto Chico Mendes, por meio do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros - CPB, abre, a partir de hoje, o período de consulta ampla às fichas dos táxons incluídos no processo de Avaliação do Estado de Conservação de Primatas e Xenartros (Ordens Cingulata e Pilosa) Brasileiros. Xenartros abrangem espécies de tamanduás, tatus e preguiças. O trabalho resultará na publicação da versão atualizada da Lista de Primatas e Xenartros Brasileiros Ameaçados de Extinção.

avaliadas no processo e colaborar com a inserção de informações adicionais ou possíveis retificações do que já foi registrado. Para isso, basta preencher o cadastro com nome, e-mail e senha no citado site.

Arquivo CPB

Durante essa etapa, que se estende até o dia 16 de maio, a comunidade científica pode acessar, pelo site http://cpb.net.br/listavermelha, os dados compilados sobre as espécies de primatas e xenartros

Val Campos

A consulta ampla garante transparência a um processo no qual a participação da comunidade científica é fundamental, pois subsidia com dados científicos a avaliação do estado de conservação da fauna brasileira e a elaboração da nova Lista Vermelha da Fauna, além de criar ambiente fértil para debates acerca das informações disponíveis e dos desdobramentos dessa importante missão. A previsão é de que a avaliação do estado de conservação de todas as espécies da fauna brasileira seja concluída até 2014.

Tamanduás são xenartros

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Caiarara (Cebus Kaapori)


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O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO) está implementando diversas novidades para incrementar a gestão do uso público e proporcionar mais e melhores experiências aos visitantes. A principal mudança é o fim gradativo da obrigatoriedade na contratação de condutores para os passeios no parque, que foi estabelecida em 1991 como alternativa econômica para os então garimpeiros que atuavam na área. Hoje essa medida não mais se justifica, uma vez que existem diversas outras oportunidades econômicas relacionadas ao turismo na região. A obrigatoriedade de contratação é tema de diversos protestos de visitantes, já que eles são obrigados a percorrer a trilha em grupos maiores e muitas vezes heterogêneos para dividir os custos do condutor, entre outros aspectos que afetam a qualidade da visita. Em feriados, muitas vezes faltam condutores e os visitantes não podem entrar no parque. A obrigatoriedade será extinta assim que as trilhas forem sinalizadas, começando pelo Circuito dos Saltos do Rio Preto. Em 2008, o ICMBio editou instrução normativa estabelecendo o fim da obrigatoriedade como princípio. O plano de manejo do Parna Chapada dos Veadeiros, publicado em 2009, já previa a contratação opcional, mas só agora a medida está sendo implementada. O Instituto continuará recomendando a contratação para enriquecer a visita com relatos históricos ou observações sobre o ambiente local, além de capacitar os condutores e formalizar sua atividade por meio de autorizações. O parque recebe cerca de 20 mil visitantes por ano, número muito abaixo de seu potencial. Muitas pessoas desistem de visitá-lo por conta dos poucos atrativos abertos e pela obrigatoriedade de contratação de condutor. Além do fim da obrigatoriedade, serão oferecidos ao visitante novos atrativos e atividades compatíveis

Ion David

Chapada dos Veadeiros terá novidades na gestão do uso público

Participantes da travessia em plena avaliação

com o plano de manejo. Entre eles estão travessias e trilhas de longo curso e o canionismo. Na primeira semana de abril uma equipe do ICMBio, formada por representantes da Coordenação-geral de Uso Público e Negócios - CGEUP, pelo diretor de Criação e Manejo de Unidades de Conservação, Pedro Menezes, pelo chefe do Parna, Leonard Schumm, condutores locais e voluntários, atravessou o parque para avaliar seu potencial para o uso público. A travessia entre São Jorge e os Jardins de Maitréia deverá ter trajeto de cerca de 25 quilômetros, com pernoite próximo à cachoeira das Sete Quedas. Outras travessias e trilhas já estão em estudo. O coordenador-geral de Uso Público, Ernesto Viveiros de Castro, destaca a importância das mudanças: “As novidades na gestão vão estimular a visitação e atender a um público que hoje não visita a Chapada. A médio prazo deveremos ter um parque mais consolidado, com mais atrativos, recebendo mais visitantes e gerando mais oportunidades econômicas relacionadas ao turismo, inclusive para os condutores que poderão atuar também nas trilhas de longo curso, no apoio logístico para acampamentos e no transporte dos visitantes. Os condutores que já realizam trabalho de qualidade certamente continuarão atuando após a extinção da obrigatoriedade”.

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ICMBio em Foco

Aproximar o debate sobre a contribuição da educação ambiental nas unidades de conservação e seu papel no fortalecimento da participação social foi o objetivo do encontro Diálogos sobre Educação Ambiental em Unidades de Conservação, em 28 de março, durante o VII Fórum Brasileiro de Educação Ambiental. O evento paralelo, promovido pelo ICMBio, conseguiu reunir cerca de 120 pessoas entre representantes de ONGs, do poder público, de instituições de ensino e de empresas. Ele foi organizado pela Coordenação de Educação Ambiental - Coedu com a intenção de conhecer os anseios da sociedade para com a agenda da participação social na gestão das unidades de conservação. Os participantes se reuniram para discutir perspectivas e fortalecimento da educação ambiental nas UCs, desafios dentro e no entorno das unidades, e como cada um pode se responsabilizar por essas ações.

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Arquivo Coedu

Participantes de encontro paralelo ao VII Fórum Brasileiro de EA elaboram carta de compromisso com educação em UCs

Palestra durante Fórum; nossa colega Fabiana Prado; participantes do encontro; um dos momentos de discussão

Para Célia Regina, representante da Reserva Extrativista Marinha Mãe Grande-Curuçá, no Pará, “mobilizar e articular a população extrativista de toda a Amazônia é uma das estratégias para zelar pelos recursos naturais e garantir direito ao território”. Entre os presentes ao encontro, estiveram pessoas de diferentes partes do país, de Rondônia ao Rio Grande do Sul, e de segmentos tão distintos quanto secretarias municipais de Meio Ambiente, escolas rurais, organizações sociais e cidadãos interessados no tema.

A carta trouxe questões como a busca pela ampliação da participação na gestão das UCs, como tornar as pessoas protagonistas nos processos decisórios, o fortalecimento da educação ambiental como meio de autonomia e participação social, e a proposta de fazer a Encea – Diretrizes para Estratégia Nacional de Comunicação e Educação Ambiental em Unidades de Conservação evoluir à luz das experiências e métodos já existentes.

O encontro resultou em uma carta de compromisso com a educação ambiental nas unidades de conservação, sistematizada pela equipe do ICMBio. “O documento foi entregue à coordenação do VII Fórum para que seja considerado nas discussões da Rio+20, além de ser utilizado por nós e enviado ao Departamento de Educação Ambiental do MMA e demais participantes do evento”, destacou Fabiana Prado, coordenadora da nossa Coedu.

Servidores do ICMBio, representando o Colegiado de Educação Ambiental, protagonizaram os demais eventos do VII Fórum por meio de apresentação de trabalhos, mesa de debates, feira com produtos dos extrativistas e de divulgação das ações de educação ambiental do Instituto no estande do ICMBio e MMA. Nesse espaço foram exibidos banners, um filme com projetos de educação ambiental e distribuídos 2 mil exemplares da publicação Encea, dentre outros materiais de divulgação.


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Primeira visita monitorada encanta cientistas e leigos no entorno da Esec Tupinambás

Essa experiência constituiu um marco histórico para a unidade, que há tempos vem planejando o programa de visitas monitoradas visando atender à grande demanda por esse tipo de atividade no arquipélago dos Alcatrazes, distante 35 quilômetros da costa, integrando visitas de cunho didático-científico no entorno imediato da UC ao protocolo de monitoramento proposto para ela. A iniciativa é pioneira e inovadora e foi envolvida por muito entusiasmo pelos organizadores e pela equipe de monitores que contou com professores doutores e mestres do Instituto Oceanográfico – IO/USP, Instituto Terra&Mar, ONGs Dacnis e SDLB, Esec Tupinambás e voluntários alunos de cursos de pós-graduação e graduação. Os participantes puderam utilizar guias de campo e formulários com orientações de como proceder os registros, além de informações e acompanhamento dos monitores. As fotos e informações comporão um banco de dados e o ICBU já planeja uma exposição itinerante com os melhores registros. Quatorze rotas foram estabelecidas, varrendo todo o arquipélago dos Alcatrazes. Nesse percurso os participantes registraram em fotografias e filmagens quatro espécies de cetáceos – a baleia-de-bryde (Balaenoptera edeni), o golfinho-nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus), o golfinho-pintado-do-Atlântico (Stenella frontalis) e o boto cinza (Sotalia fluviatilis) – e seis espécies de aves marinhas – a fragata (Fregata magnificens), o atobá (Sula leucogaster), o trinta-réis (Sterna sp), o gaivotão (Larus dominicanus), o trinta-réis-debico-vermelho (Sterna hirundinacea) e o albatrozde-nariz-amarelo (Thalassarche chlororhynchos). Por

Andrea Ribeiro

“Foi um evento fantástico! O sucesso da expedição de sábado já está gerando muitas possibilidades”, resume o organizador José Júlio Cardoso, que vibrou ao ver os resultados da primeira expedição para avistamento de cetáceos e aves no entorno da Estação Ecológica Tupinambás (SP), organizada pelo Iate Clube Barra do Una - ICBU, com supervisão da Esec. O evento ocorreu no último sábado, com mar tranquilo, sem ventos fortes e boa visibilidade da água. Golfiho voador

meio desses avistamentos se pode proceder a uma estimativa do número de indivíduos e ao registro de coordenadas dos locais onde foram encontrados. A Estação Ecológica Tupinambás está em processo de recategorização para Parque Nacional Marinho de Alcatrazes e iniciativas como essa preparam um programa consistente de visitação, com estudos de capacidade de suporte e envolvimento da população no monitoramento da fauna e flora da UC. O professor Marcos Santos, do IO/USP, cita a antropóloga cultural norte-americana Margaret Mead, fazendo conexão com o engajamento inédito que ocorreu na expedição a Alcatrazes: "Nunca duvidem da capacidade de um dedicado grupo de cidadãos. Na realidade eles são a única esperança de se mudar os rumos do planeta”. E completa enfatizando que “as atividades de lazer, cultura e educação ambiental aliadas à pesquisa são ótimos ingredientes que se enquadram em uma ação de cidadania. Há muita coisa que pode ser feita e isto ainda vai gerar muitos frutos”. A equipe da Esec Tupinambás tem certeza disso. “Foi um dia muito agradável e os participantes pareciam desfrutar cada minuto no arquipélago, observando golfinhos, aves e voltando encantados após mergulhos livres. Poder compartilhar esse lugar especial com pessoas interessadas na conservação e no conhecimento foi uma experiência histórica para a Esec”, ressalta Marli Penteado, monitora e analista ambiental da UC.

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ICMBio em Foco

Cabo Orange tem embarcação multifuncional

Duas operações de fiscalização já foram realizadas em fevereiro deste ano com a embarcação. A primeira, com participação de fiscais do Parna, da Polícia Federal e da Força Nacional, resultou na apreensão de 710 kg de peixes pescados ilegalmente e 6 mil metros de redes de pesca. A segunda, que contou com agentes de fiscalização do Ibama e efetivo do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar, apreendeu 1.480 kg de peixes e 19 mil metros de redes de pesca. Em ambas ocasiões, os infratores estavam com suas embarcações no interior da UC, área proibida à pesca. “Esses números refletem a grande pressão de pesca que sofre a maior área de mar protegido integralmente no Brasil e o quão é importante a presença da embarcação. O Parna contém 200 mil hectares de mar, e atividades de fiscalização nessa área são difíceis e arriscadas pela água ser agitada no inverno, que vai de dezembro a junho, época das chuvas”, destaca o chefe da unidade, Ricardo Motta Pires. Uma torre para posicionamento do radar na embarcação está em fase de preparação. A expectativa é que ela auxilie na detecção e no monitoramento de embarcações em pesca ilegal. “Estamos buscando recursos para realizar a manutenção de nossa lancha de abordagem, outra peça importantíssima nas atividades de fiscalização, por proporcionar velocidade para alcançar embarcações fugitivas, e segurança, pois sua altura e tamanho possibilitam estabilidade no momento da abordagem pela equipe de fiscalização”, frisa Pires. A meta do Parna é realizar duas operações de fiscalização por mês com a embarcação, aumentando significativamente a presença do ICMBio no combate à pesca ilegal. O Peixe-boi serve como base para as atividades de pesquisa nos rios Cassiporé e Cunani, e no mar do parque, além de dar suporte para o deslocamento de equipamentos, equipes de apoio e pesquisadores até áreas remotas, o que de outro modo seria inviável ou oneroso. A embarcação também foi ferramenta fundamental na execução do projeto Tartaruga Imbricata, de experimentação do turismo de base comu-

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nitária no Parque Nacional do Cabo Orange. A rota que ela percorre é integrada, abrangendo belezas cênicas e comunidades tradicionais residentes tanto em Roura, na Guiana Francesa, quanto no entorno do parque, no Brasil. O passeio se dá por via marítima, seguindo modelo de turismo de base comunitária/turismo solidário que vem sendo desenvolvido com as comunidades do entorno da unidade. A equipe do Parna acredita que a presença do turista na UC inibe as atividades ilícitas, inclusive no mar, colaborando para a conservação do ambiente e para a melhoria da condição econômica das comunidades do entorno. Paulo Silvestro

O barco Peixe-boi, embarcação recentemente recuperada pelo ICMBio graças a recursos alocados junto ao Programa Áreas Protegidas da Amazônia - Arpa, volta a atuar em diversas funções na região do Parque Nacional do Cabo Orange, no Amapá, cumprindo importante papel de presença brasileira na fronteira norte do país.

Apreensão de rede de pesca e peixes

Cooperação internacional Por outro lado, em dezembro de 2011, a equipe de gestão do Parna assinou acordo de cooperação com a Agência de Assuntos Marítimos da França (Afffaires Maritimes), a Marinha Nacional Francesa, a Polícia Marítima Francesa (Gendarmerie Maritime), o Escritório Regional do Ibama em Oiapoque, a Polícia Federal, a Força Nacional e o Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Amapá com objetivo de monitorar a área estuarino-marinha da fronteira Brasil–Guiana Francesa em regime de cooperação mútua. Intitulado Programa de Monitoramento Integrado da Área Estuarino-Marinha da Fronteira Brasil e Guiana Francesa, ele visa fazer com que os países, dentro de seus limites de atuação, promovam um canal de comunicação constante entre si sobre as embarcações e sobre os procedimentos de abordagem e fiscalização. “Neste contexto a embarcação Peixe-boi assume papel fundamental na manutenção da presença brasileira na fronteira marítima ao norte do país, sendo ela a única embarcação oficial de governo, de médio porte, com presença constante na região”, reitera o chefe do Parna Cabo Orange.


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A Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida - Apremavi promoveu, nos últimos dias 3 e 4, na Universidade Comunitária da Região de Chapecó - Unochapecó, em Santa Catarina, curso de educação ambiental conduzido por Deusdedet Alle Son, a Detinha, especialista em Gestão e Educação Ambiental, que desenvolve suas atividades junto à ONG Instituto de Pesquisas da Mata Atlântica - Ipema, sediada em Vitória. A iniciativa se deu no âmbito do projeto “Integração e capacitação de conselhos e comunidades na gestão participativa de unidades de conservação federais e estaduais – oeste de Santa Catarina e centro sul do Paraná”, desenvolvido pela Apremavi, envolvendo as UCs federais Estação Ecológica da Mata Preta (SC), Parque Nacional das Araucárias (SC), Floresta Nacional de Chapecó (SC) e Refúgio de Vida Silvestre Campos de Palmas (PR) e os parques estaduais das Araucárias (PR) e Fritz Plaumann (SC). O curso teve como objetivo capacitar os educadores com atuação nas escolas da região das UCs envolvidas no projeto em temas e práticas relacionados à questão ambiental, visando ampliar suas capacidades e habilidades e instrumentalizá-los para suas práticas profissionais e pessoais. Estiveram presentes 55 pessoas, entre educadores de dez municípios da região oeste de Santa Catarina e centro sul do Paraná, equipe do projeto, gestores das UCs envolvidas no projeto e outros convidados. A programação do evento foi pensada com base nas respostas dos educadores à seguinte pergunta orientadora: “Qual minha necessidade enquanto educador para trabalhar a educação ambiental no ambiente formal e não formal?”. Foram distribuídos aos educadores kits e materiais para subsidiar ações de educação ambiental. Detinha trabalhou os marcos históricos e teóricos da educação ambiental. Edilaine Dick, técnica da Apremavi, falou sobre os principais conceitos e objetivos do Sistema Nacional de Unidades de Conservação - SNUC, especialmente sobre as características das UCs e dos conselhos gestores. A Fundação do Meio Ambiente de Santa Catarina - Fatma mostrou projetos e como a instituição vem trabalhando com a educação ambiental no estado. Também foram realizados trabalhos em grupo para conhecer o nível de percepção dos educadores so-

Edilaine Dick

UCs de Santa Catarina e Paraná participam de capacitação em educação ambiental

Participantes da oficina na Flona Chapecó

bre as UCs da região em que atuam. Em seguida os gestores apresentaram o contexto de cada unidade de conservação como forma de aproximá-las das escolas da região e pensar em possibilidades de atuação conjunta. No segundo dia os participantes percorreram uma trilha na Floresta Nacional de Chapecó, orientados pelos gestores da UC, onde foram apresentadas as principais características da Flona. Na sequência, educadoras das escolas estaduais de ensino fundamental Francisco Bagatini e de educação básica José Pierezan, do município catarinenes de Concórdia, apresentaram relatos de experiências de educação ambiental desenvolvidas nessas escolas, respectivamente os projetos Guias Mirins e Implantação do Bosque Vida Verde. A atividade final envolveu trabalhos em grupo da construção de propostas de educação ambiental entre os educadores e gestores de cada unidade de conservação. Foram discutidos planos de ação que serão realizados de forma conjunta pelas UCs e instituições de ensino do seu entorno, resultando na proposição de oito projetos. Segundo Fabiana Bertoncini, gestora da Flona Chapecó, “o curso propiciou o reconhecimento e a reflexão sobre a necessidade de qualificar a comunicação e interlocução das UCs com seu entorno, e também a identificação do potencial das unidades como espaços para educação e desenvolvimento do pertencimento pelas comunidades locais, o que aumenta significativamente a possibilidade de proteção destes ecossistemas. Nesta perspectiva, além da capacitação e intercâmbio de experiências em educação ambiental, fica como saldo positivo do curso a proposição de projetos em parceria entre as UCs e as instituições de ensino”, avalia.

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ICMBio em Foco

Tiago Leão Pereira

RVS Rio dos Frades realiza reunião do conselho consultivo com visitação na UC

Conselheiros visitam a UC

No último dia 12, o Conselho Consultivo do Refúgio de Vida Silvestre do Rio dos Frades (BA) teve sua 4ª reunião ordinária, desta vez com uma dinâmica diferente. Como demandado pelo próprio conselho em reuniões anteriores, a equipe se reuniu em Itaporanga e posteriormente seguiu para a UC a fim de conhecer em detalhes suas belezas naturais, seus moradores e suas potencialidades de visitação. Com a participação de conselheiros, analistas da UC e convidados, a reunião foi dividida em duas partes: visita à UC pela manhã e seminário sobre uso público à tarde. A visita teve início na propriedade de Dona Arcanja, moradora mais antiga da região. Além dos modos de vida dela, os conselheiros puderam observar o rio dos Frades, que margeia a propriedade, além

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das paisagens de mangue, restinga, mussununga e floresta ombrófila que compõem a UC. A visita prosseguiu até a praia de Itaquena e a foz do rio dos Frades, com discussões sobre a potencialidade de uso público no refúgio. Por fim, os participantes chegaram à propriedade de Moacyr de Andrade, onde se discutiu com maior profundidade as potencialidades e exigências para implementação de um programa de visitação, além de outras demandas inerentes à UC. O Conselho Consultivo do Refúgio de Vida Silvestre do Rio dos Frades se reúne bimestralmente e sua próxima reunião está agendada para 14 de junho no distrito de Itaporanga, Porto Seguro.


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Arquivo Parna Serra do Itajaí

Parna Serra do Itajaí tem proteção reforçada na Páscoa

Participantes da Operação Coelho Sabido

O Instituto Chico Mendes realizou no último feriado de Páscoa a Operação Coelho Sabido, que reuniu em equipe 13 profissionais entre analistas do Parque Nacional da Serra do Itajaí e da Floresta Nacional de Ibirama, agentes da Polícia Militar, da Polícia Ambiental e do Ibama. A equipe percorreu grandes distâncias em território dos nove municípios que compõem o Parna, no estado de Santa Catarina. A presença de quatro viaturas em diversas estradas rurais e o deslocamento dos agentes pelas trilhas de difícil acesso representaram forte impacto junto às comunidades locais. O coordenador da Operação Coelho Sabido, analista Alfredo Mallet Bufrem Filho, considera que, embora os resultados práticos da ação fiscalizatória tenham sido excelentes, o maior destaque foi a presença da equipe nas localidades mais afastadas: “Cinco instituições se empenharam em ações de campo, em situações de extrema dificuldade. Recebemos dos populares elogios por nossa presença”.

Espingarda, armadilhas, apitos, dezenas de redes, tarrafas, varas, espinhéis, facões e peixes foram apreendidos. As multas somaram quase R$ 7 mil e seis pessoas foram autuadas. Além disso, obtevese grande volume de denúncias que, associadas às investigações que já vinham sendo feitas, darão subsídio à continuidade das ações rotineiras de fiscalização da UC e a pelo menos mais duas grandes operações que estão sendo planejadas. O Parque Nacional da Serra do Itajaí está inserido em uma das mais belas regiões de Santa Catarina, o médio vale do Rio Itajaí. O chamado “Vale Europeu”, também conhecido por suas festas típicas alemãs e italianas, tem sua paisagem marcada por um dos biomas mais importantes do planeta, a Mata Atlântica. Com quase 60 mil hectares, o Parna foi recentemente indicado pelo Inventário Florístico Florestal de Santa Catarina como o maior hotspot de biodiversidade de plantas do estado.

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ICMBio em Foco

Tietta Pivatto

Parna Serra da Bodoquena vai implantar atividade de birdwatching

Expedição com grupo de observadores locais

A atividade de observar aves na natureza, conhecida como birdwatching, vem crescendo bastante em número de adeptos. É um segmento de turismo em ascensão no mundo e, se bem conduzido, com baixíssimo ou nenhum impacto ambiental. No Parque Nacional da Serra da Bodoquena, no estado de Mato Grosso do Sul, a variedade de paisagens, flora e fauna do bioma da Mata Atlântica tem atraído observadores. Nas últimas semanas foram realizadas duas expedições para prospecção de pontos de observação de aves no interior da unidade de conservação, em parceria com grupos de observadores locais, com experiência e interessados em expandir essa atividade na região.

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Segundo o chefe do Parna, Fernando Correia Villela, a unidade tem planejado um roteiro para as observações a partir do conhecimento das áreas do parque. “Auxiliamos os observadores com transporte e, ainda, participamos das atividades. Além das expedições a equipe de gestão discute com os birdwatchers locais a adequação necessária do parque para implantação da atividade, pelo menos em caráter experimental.” As expedições trouxeram resultados interessantes pelo número de espécies avistadas. Na primeira foram observadas 100 espécies e na segunda 86, com oito espécies novas. Já foi constatada a presença do gavião-real (Harpia harpya) em pelo menos três áreas do Parna, bem distantes umas das outras, nos municípos de Jardim, Bonito e Bodoquena.


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Taylor Nunes

Esec Maracá cria blog e disponibiliza herbário digital

Página inicial do blog

Arquivo MIRR

A Estação Ecológica de Maracá (RR) criou um blog com o objetivo de levar informações da unidade de conservação a pesquisadores, estudantes e interessados em conhecer um pouco mais sobre a terceira maior ilha fluvial do mundo. Foi uma forma encontrada de aproximar a sociedade da unidade, que muitas vezes desconhece sua função e importância. No blog é possível conhecer as atividades de gestão da UC, ter acesso a informações para realização de pesquisas, fazer denúncias, acessar links relacionados, obter informações sobre flora, fauna, estrutura da sede, conselho gestor, entre outros temas. Disponível na internet desde setembro de 2011, o herbário digital da Esec Maracá reúne 332 das 1.135 espécies vegetais coletadas na UC desde sua criação, em 1981. A fim de reunir dados para o plano de manejo da unidade, que se encontra em fase final, foi realizado levantamento das espécies depositadas no Museu Integrado de Roraima - MIRR por pesquisadores de várias instituições de ensino e pesquisa que trabalharam em Maracá desde a década de 80. No herbário digital é possível visualizar as exsicatas (amostras desidratadas) digitalizadas de cada espécie relacionadas em uma tabela, as quais foram gentilmente fornecidas pelo MIRR. Ao clicar na espécie de interesse é aberto um link no Picasa, que mostra a foto da espécie vegetal, em que é possível ter acesso às informações de campo por meio da etiqueta do coletor na exsicata. A principal ideia do blog e do herbário digital é fazer com que dados e informações sobre a unidade tornem-se públicos e de fácil acesso, de forma interativa e transparente. O blog e o herbário digital estão em http://esecmaracarr.blogspot.com/.

Exsicatas digitalizadas de Bromeliaceae e Melastomataceae, respectivamente

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ICMBio em Foco

Campos de Palmas comemora 5 anos com início do plano de manejo

A elaboração do plano de manejo do RVS Campos de Palmas, o primeiro de uma unidade federal dessa categoria, está sendo concretizada de forma inédita por meio de um mecanismo normalmente utilizado para outros fins: a conversão de multas. Foram anos de esforços desmedidos dos analistas ambientais que passaram pela UC, procuradorias federais, coordenadorias e diretorias do ICMBio e do Ibama. As multas convertidas foram aplicadas pelo Ibama em 2005 devido à instalação de projetos de silvicultura (plantio de pinus) sem as devidas licenças ambientais na área que estava em estudo para a criação do RVS. Sete dos proprietários autuados assinaram termos de compromisso com o Ibama, sendo beneficiados com desconto de 90% nos valores das multas e aplicando os 10% restantes, conjuntamente, na viabilização do plano de manejo.

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Márcia Casarin Strapazzon

Entre os dias 9 e 13 passados, aconteceu na sede do ICMBio em Palmas, no Paraná, a primeira reunião técnica para elaboração do plano de manejo do Refúgio de Vida Silvestre dos Campos de Palmas (PR/SC).

Participantes da primeira reunião

coordenadora dos trabalhos, Sérgio Morato e Marcela Tempo; e pelos compromitentes, Martim Ribas.

A elaboração do plano requer equipe multidisciplinar que, em geral, é constituída por meio da contratação de uma empresa de consultoria especializada. No caso específico do RVS Campos de Palmas, por tratar-se de recurso privado, a contratação ficou inteiramente a cargo dos proprietários compromitentes, cabendo ao ICMBio o acompanhamento do processo e a análise técnica dos trabalhos a serem entregues pela empresa contratada, a STCP Engenharia de Projetos Ltda, que possui vasta experiência na área ambiental e florestal.

No evento foi discutida a organização do planejamento – plano de trabalho, metodologias, cronograma etc. –, sendo também reservados períodos para atividades de reconhecimento de campo. O refúgio de vida silvestre é uma categoria extremamente complexa de unidade de conservação. Ela tem, basicamente, a missão de conciliar a proteção integral do ambiente no interior de propriedades privadas que possuem atividades econômicas diversas, sendo esse o grande desafio da gestão do RVS Campos de Palmas. A expectativa é de que, no máximo em 18 meses, tenhamos o primeiro plano de manejo de um refúgio de vida silvestre federal, documento muito importante, cobrado intensamente pelos proprietários de áreas no RVS e pelo Ministério Público Federal, que pretende nortear a gestão da UC, possibilitando ainda a avaliação do uso da conversão de multas para tal fim.

A primeira reunião teve participação da equipe de acompanhamento do plano pelo ICMBio, da equipe da STCP e do representante dos compromitentes. Pelo ICMBio participaram Célia Lontra e Edilene Menezes, da Coordenação de Elaboração e Revisão de Plano de Manejo - Coman, Leôncio Pedrosa Lima, chefe do RVS, e Márcia Casarin Strapazzon, analista da Estação Ecológica da Mata Preta (SC); pela STCP, Letícia Ulandowski,

O Brasil possui apenas sete RVS federais, e a categoria não tem recebido a devida atenção. O trabalho em um RVS é árduo, e a concretização do plano do Refúgio de Vida Silvestre dos Campos de Palmas se deve ao empenho dos analistas ambientais que trabalharam e trabalham na UC: Carlos Abrahão, Márcia Strapazzon, Rodrigo Torres, Vivian Uhlig e Leôncio Pedrosa Lima, chefe e atualmente o único servidor.


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Seminário sobre mulheres extrativistas na Resex Médio Juruá

Relatou-se que em 2001 foi realizada uma grande reunião na comunidade do Bom Jesus, evento que marcou o início da organização da luta das mulheres dessa região, embora elas já participassem de outras organizações como Associação de Produtores Rurais de Carauari - Asproc, Sindicato Rural e CNS. A partir desse momento vinham se articulando para tratar e propor soluções e, em 2004, criaram a Associação das Mulheres Agroextrativistas da Região do Médio Juruá. Hoje, elas se juntam com diversas organizações sociais e instituições governamentais para discutir o II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres. O documento é baseado nas temáticas da Agenda 21 das Mulheres da Floresta, na qual se destaca: “Os povos da floresta têm um papel histórico e fundamental na conservação e preservação das florestas, da diversidade biológica e na manutenção dos ecossistemas”. Noventa mulheres da Resex Médio Juruá e RDS Uacari se juntaram durante dois dias para assistir palestras, participar de debates, cantorias e apresentação de propostas, tendo como destaque a criação do Conselho Municipal das Mulheres de Carauari, no qual a presidente da ASMAMJ, Antônia Cosme, considera importante a mulher ter o seu espaço de discussão na área da saúde, educação e geração de renda. Foram abordados temas como histórico da luta das mulheres – contexto internacional e nacional; papel das mulheres na política – ocupação de espaço público; histórico das organizações sociais – autonomia, igualdade no mundo do trabalho e cidadania; e apoio governamental às organizações sociais. O

Arquivo Resex Médio Juruá

A Associação das Mulheres Agroextrativistas da Região do Médio Juruá - ASMAMJ realizou nos dias 21 e 22 de março o I Seminário das Mulheres Extrativistas da Região do Médio Juruá, para comemorar o Dia Internacional da Mulher. Durante o evento, na comunidade São Raimundo, na Reserva Extrativista do Médio Juruá (AM), foi feito o histórico da participação e organização das mulheres na região do Médio Juruá.

Seminário reuniu mulheres de todas as idades

grupo da comunidade São Raimundo “Jovens Lutando pela Caminhada” teve participação na animação do evento e leitura de poemas voltados ao Dia da Mulher. A chefe da Resex, Paula Soares Pinheiro, disse que “hoje, 20 anos após a realização da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (Eco 92), nós na comunidade São Raimundo realizamos o I Seminário das Mulheres Extrativistas da Região do Médio Juruá. Esse evento é uma gota de água no oceano – articular as mulheres da floresta e da cidade com o intuito de fortalecer a luta das mulheres amazônicas, para ter um movimento articulador e aglutinador das organizações de mulheres da floresta da região do Médio Juruá”. Ao final do encontro, em homenagem aos 15 anos de criação da Resex, completados no dia 4 de março, as mulheres cantaram parabéns, cortaram bolo e desejaram que o ICMBio continue apoiando as ações de implementação da UC. O evento, financiado pelo PNUD BRA 08/002, contou com apoio de Fabiana Prado, coordenadora de Educação Ambiental - Coedu, e das organizações Cooperativa de Desenvolvimento Agroextrativista e de Energia do Médio Juruá - Codaemj, Asproc, Ceuc, CNS, FMJ/Natura, Associação dos Moradores da Comunidade - Amecsara e Associação dos Moradores da RDS Uacari - Amaru.

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ICMBio em Foco

Coral-sol: um alerta no litoral norte do estado de São Paulo

No estado de São Paulo, o primeiro registro foi feito pelo mergulhador e educador ambiental do Projeto Coral-Sol, Gilberto Gardino Mourão, o Giba, na Ilha de Búzios (Ilhabela), em 2008. A fim de mapear, acompanhar a distribuição ao longo dos anos e pesquisar os possíveis impactos desses corais no ambiente marinho, o oceanógrafo Marcelo Checoli Mantelatto, do Projeto Coral-Sol, iniciou o primeiro monitoramento desses organismos no estado com patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Ambiental. A primeira expedição ocorreu em 2010, em 63 costões rochosos, englobando os municípios de São Sebastião, Ilhabela, Caraguatatuba e Ubatuba. Em 2011, foram acrescidos dois novos pontos no interior do Canal de São Sebastião. Os resultados desse trabalho demonstraram que a distribuição e a quantidade de corais estão aumentando na região. Ainda, os valores de densidade de coral-sol encontrado na Ilha de Búzios, Ilhabela, estão entre os maiores registrados até agora pelo Projeto CoralSol na costa brasileira. No arquipélago de Alcatrazes, Estação Ecológica Tupinambás, o primeiro registro do coral-sol foi feito

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pelo fotógrafo Leo Francini, em outubro de 2011. No dia 8 de março passado, a equipe do projeto saiu em expedição ao local, a convite da chefe da unidade, para avaliar a densidade do coral invasor e remover as colônias. Apesar das péssimas condições de visibilidade e temperatura da água, a ocorrência do coral-sol foi confirmada in loco e 51 colônias de Tubastraea tagusensis foram retiradas, a uma profundidade de 13 metros. A presença do coral-sol pode resultar em diversas mudanças no funcionamento dos ecossistemas costeiros da região, incluindo alterações de produtividade primária e composição do plâncton. Esses invasores ainda podem causar o declínio ou a extinção de espécies nativas de coral assim como de outros organismos de importância ecológica e/ou econômica. Em ambientes isolados como o arquipélago de Alcatrazes o efeito pode ser mais devastador. Por isso a importância de inserir o monitoramento e manejo de espécies exóticas nos planos de manejo das unidades de conservação federais. Leo Francini

O coral-sol é um organismo exótico invasor no litoral brasileiro. Originário do Oceano Pacífico, ele foi registrado primeiramente nos nossos mares no final da década de 80 incrustado em plataformas de petróleo na Bacia de Campos (RJ). No início da década de 90 os corais já foram encontrados nos costões rochosos do litoral sul fluminense.

Colônias de coral-sol na Esec Tupinambás


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Edição

Tamar

O Tamar está encerrando a 31ª temporada reprodutiva das tartarugas marinhas (2011/2012) no continente, que ocorre entre setembro e março, estendendo-se em algumas praias até abril. Cerca de 17 mil ninhos foram registrados e protegidos, gerando aproximadamente 1 milhão e 200 mil filhotes. Destaque para o crescimento no número de desovas da tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea) e da tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea). Para a tartaruga-de-couro, também denominada tartarugagigante, o aumento foi de cinco vezes em relação à temporada anterior, passando de 16 para 95 ninhos registrados. A população de tartaruga-de-couro que desova no Brasil é a menor de todas, tornando a espécie uma das mais ameaçadas de extinção. As desovas de tartaruga-oliva tiveram um aumento de 12%, passando de 6.621 para 7.373 ninhos. Durante a temporada, foram flagradas cerca de 1.500 fêmeas em processo reprodutivo, incluindo indivíduos marcados em temporadas anteriores (242 fêmeas) e encontrados pela primeira vez (839 fêmeas). A taxa de manutenção de ninhos in situ permaneceu em torno de 70%. Na Praia do Forte (BA), local de maior concentração de desovas de tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) no Brasil, houve um aumento do conhecimento de suas taxas demográficas, o que deverá compor uma melhor avaliação sobre a espécie. Em Sergipe, houve a marcação com transmissores de satélite de indivíduos possivelmente híbridos, para estudo de comportamento. Na praia de Pipa (RN), continuam as pesquisas com a tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata). Recapturas de animais marcados e estudos genéticos demonstraram que essa espécie também é capaz de realizar viagens tão longas como as demais. A espécie também vem sendo estudada pela médica veterinária, Daphne Wrobel, que em sua tese de doutorado na UERJ tem o objetivo de correlacionar o peso corporal de fêmeas em reprodução, seus níveis séricos

Arquivo Tamar

encerra temporada reprodutiva 2011/2012 com resultados positivos

Tartarugas-de-couro cresceram em número de desova

de grelina e leptina e os parâmetros bioquímicos e hematológicos indicadores do seu estado nutricional. Continuam os estudos sobre os dados de incubação dos ninhos, principalmente em relação ao tempo de incubação, que juntamente com uma série de dados históricos, pode indicar ou não variações decorrentes de mudanças climáticas e, consequentemente, atualizar e aprimorar as medidas de mitigação. Duas pesquisas com a tartaruga-de-couro foram realizadas para dissertação de mestrado de Jordana Borini Freire, sob orientação do prof. Dr. Paulo Dias Ferreira Júnior, da Sociedade Educacional do Espírito Santo, uma sobre a concentração de metais pesados em ovos e filhotes de Dermochelys coriacea no Espírito Santo e a outra sobre a temperatura de incubação de ovos dessa espécie. Esse é o resultado do trabalho de conservação realizado pelo Tamar, por meio de 16 bases de pesquisa instaladas em áreas prioritárias de desova monitoradas no litoral de cinco estados brasileiros – Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Sergipe e Rio Grande do Norte. O trabalho envolve ações de educação e sensibilização ambiental, envolvimento comunitário e monitoramento das praias. Os resultados referem-se à temporada no continente, nas áreas de reprodução. As ilhas estão fora, assim como áreas de alimentação onde não há desovas, como Ubatuba e Ceará, por exemplo. Em breve, serão divulgados os dados das ilhas oceânicas.

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PRATA DA CASA Analistas publicam artigo sobre répteis squamatas da Chapada Diamantina A 1ª edição deste ano do Ckeck List – Journal of species lists and distribution traz interessante artigo dos nossos colegas Marco Antônio de Freitas, da Reserva Extrativista Chico Mendes (AC), e Vivian Uhlig, do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - RAN, em parceria com Diogo Veríssimo, do Durrell Institute of Conservation and Ecology, Universidade de Kent, no Reino Unido, e apresenta a riqueza de espécies deste grupo de répteis na Fazenda Caraíbas. O teor do artigo se reporta à pesquisa conduzida pelos três estudiosos sobre répteis squamatas (lagartos, serpentes e anfisbênias) da Chapada Diamantina, com foco no município baiano de Mucugê.

O artigo “Squamate Reptiles of the central Chapada Diamantina, with a focus on the municipality of Mucugê, state of Bahia, Brazil” está disponível em www.checklist.org.br/archive?vol=8&num=1.

Bibra (Mabuya sp), espécie nova em fase de descrição

Cobra-cega-de-Mucugê (Amphisbaena uroxena)

Lagartinho-pintado (Acratosaura spinosa)

Lagartinho (Psilophtalmus sp), espécie nova em descrição

Marco Antonio de Freitas

O coordenador da pesquisa, geógrafo e zoólogo Marco Antônio de Freitas, explica: “O local onde se concentraram os estudos é contíguo ao Parque Nacional da Chapada Diamantina, e todas essas espécies também estão abrigadas no interior do Parna”. Ele destaca que a grande importância do estudo é apontar pela primeira vez os novos registros para a Bahia e o Nordeste de diversas espécies do grupo de répteis squamatas, além de mostrar o alto grau de endemismo que ocorre na região.

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Edição

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PESSOAS EM FOCO Curso de Introdução à Gestão do Uso Público em UCs tem inscrições abertas Ficam abertas até o próximo dia 29 as inscrições para o Curso de Introdução à Gestão do Uso Público em Unidades de Conservação, organizado pela Coordenaçãogeral de Uso Público e Negócios - CGEUP com apoio da Coordenação-geral de Gestão de Pessoas - CGGP. Publicado no Plano Anual de Capacitação - PAC 2012, o curso é um dos módulos básicos de Planejamento do Uso Público e será pré-requisito para os outros cursos propostos pela CGEUP no ano de 2013 – planejamento, trilhas, interpretação. O curso visa sensibilizar e capacitar os servidores para entender a dinâmica da visitação e compreender a importância e o potencial do uso público para conso-

lidação de UCs. O participante conhecerá as formas de visitação em UC, as bases legais para execução das atividades, as ferramentas de planejamento e estruturação da visitação e as modalidades de serviço de apoio à visitação. A atividade de capacitação se aplica aos servidores que estão trabalhando ou pretendem trabalhar com ordenamento da visitação e às UCs que já possuem uso público ou que querem gerar a demanda. O curso é aberto a servidores de todas as categorias de manejo de UC. O período de realização se estende de 29 de maio a 2 de junho, na Acadebio. Maiores informações e inscrições pelo ícone Educação Corporativa do Portal de Gestão de Pessoas: www.icmbio.gov.br/cggp.

Oficina de planejamento do Curso de Interpretação Ambiental e Sinalização Arquivo Parna Chapada dos Guimarães

Ocorreu no Parque Nacional de Brasília, nos dias 10 e 11 deste mês, a oficina de planejamento do Curso de Interpretação Ambiental e Sinalização, moderada por uma consultora da GIZ. Participaram do evento 16 pessoas de diversas instituições e que possuem expertise na área, além da participação do diretor de Criação e Manejo de Unidades de Conservação, Pedro Menezes, e de representantes da Coordenaçãogeral de Uso Público e Negócios e da Coordenaçãogeral de Gestão de Pessoas. Uma ementa de curso, considerando as contribuições recebidas na oficina, será feita e entregue ao Serviço Florestal Americano com vistas ao curso, que será realizado em agosto na Acadebio. Placa instalada no Parna Chapada dos Guimarães

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ICMBio em Foco

CURTAS Nesta semana e na próxima serão realizadas reuniões nas comunidades do entorno do Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange (PR) visando a reestruturação do conselho consultivo e renovação de seus representantes. A atividade contará com apoio do Mater Natura Instituto de Estudos Ambientais, que vem atuando como parceira do parque nesse processo desde 2008, por meio do projeto “Gerenciamento Integrado de Unidades de Conservação da Mata Atlântica: a Capacitação em Gestão Participativa como uma Estratégia de Conservação”. Ações e projetos do ICMBio no Nordeste ganham destaque na mídia nacional Nas últimas semanas, alguns projetos e ações desenvolvidos pelos centros de pesquisa e pelas UCs do ICMBio no Nordeste têm repercutido de forma positiva na agenda das mídias regional e nacional. A EPTV, afiliada da Rede Globo no interior de São Paulo e sul de Minas Gerais, produziu em março reportagens sobre o CMA, sediado em Itamaracá (PE), para o programa e a revista Terra da Gente, com destaque para a conservação dos peixes-bois. Além de também divulgar o trabalho desenvolvido pelo Cemave, a mesma rede acompanhou, já no início deste mês, a expedição de técnicos do CPB

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à Bahia e ao Sergipe para mapeamento das regiões de ocorrência da espécie guigó (Callicebus coimbrai). Também no começo de abril a Rede TV! realizou, para o programa Good News, matéria sobre a remoção e o transporte de três guaribas-de-mãos-ruivas (Alouatta belzebul) – uma das espécies ameaçadas de extinção e contempladas pelo Plano de Ação Nacional Primatas do Nordeste – do Centro de Triagem de Animais Silvestres da Floresta Nacional da Restinga de Cabedelo (PB) para a Reserva Biológica Guaribas, em Mamanguape (PB). O trabalho de conservação dos guaribas também ganhou as páginas do jornal Correio da Paraíba, que recentemente visitou a sede do CPB, em João Pessoa, e entrevistou analistas ambientais da entidade para a seção Repórter Teen, do suplemento Correio Criança – na qual uma criança em idade escolar, acompanhada por um jornalista, faz as vezes de repórter. Filhote de peixe-boi é resgatado na Flona Tapajós No último dia 5 uma equipe formada por técnicos do Zoológico das Faculdades Integradas do Tapajós - Zoofit e pelo analista do ICMBio, Dárlison Andrade, resgatou na comunidade de Jaguarari (PA) um filhote de peixe-boi, que provavelmente teve sua mãe morta. O filhote foi encontrado nas margens do rio Tapajós, aproximadamente 100 km do município de Santarém, para onde foi transportado e está sob os cuidados da equipe do Zoofit. Segundo informações do coordenador do zoológico, o animal ficará sob os cuidados dos biólogos e veterinários por aproximadamen-

te dois anos, para posteriormente ser reintegrado à natureza. O nosso NGI Santarém estabeleceu uma proveitosa parceria com o Zoofit pela qual, rotineiramente, seus funcionários prestam apoio ao Instituto no resgate de animais silvestres. Dárlison Andrade

Saint Hilaire/Lange inicia reuniões comunitárias para renovação do conselho

O filhote de peixe-boi resgatado

Mutirão ecológico no Parna Serra dos Órgãos O Parque Nacional da Serra dos Órgãos (RJ) participou no dia 1º de abril do mutirão ecológico na comunidade da Barreira, em parceria com a sociedade civil da cidade de Guapimirim. As atividades principais foram recolhimento do lixo às margens do rio Soberbo, distribuição de folhetos informativos sobre o descarte de resíduos sólidos e coleta seletiva. O grupo tem como objetivo fazer mensalmente eventos ecológicos para sensibilização da comunidade ribeirinha na extensão do rio Soberbo. Essas ações serão ferramentas para chamar a atenção da sociedade local para o grave problema de poluição do rio que abastece a cidade. Durante a limpeza, os voluntários passam por uma nova experiência, tornando-


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Arquivo Parna Serra dos Orgãos Participantes do mutirão ecológico

Curso de campo na Flona Paraopeba Há 14 anos a disciplina de campo Ecologia da Vegetação de Cerrado, regular de primeiro semestre, é oferecida anualmente pela Universidade Federal de Viçosa, sendo ministrada na Floresta Nacional de Paraopeba (MG). Neste ano estão matriculados 16 mestrandos e doutorandos dos cursos de pós-graduação em Botânica e em Ecologia. As atividades de campo se deram durante a Semana Santa, como ocorre desde 1999. Já passaram pelos alojamentos da Flona mais de 150 pós-graduandos, hoje profissionais formados pela Universidade Federal de Viçosa e em atividade em diversas instituições de ensino e pesquisa do país. O curso é coordenado pelo Dr. João Augusto Alves Meira Neto, do Laboratório de Ecologia Vegetal do Departamento de Biologia Vegetal da Universidade Federal de Viçosa.

Nos dias 23 e 24 de março foi realizada, na cidade de Oeiras do Pará (PA), atividade de capacitação dos indicados para compor o Conselho Deliberativo da Reserva Extrativista Arióca Pruanã. Os temas abordados em palestras nos dois dias de oficina foram a importância do conselho e o papel dos conselheiros, gestão de conflitos socioambientais, manejo comunitário de recursos ambientais, plano de uso, plano de manejo, regimento interno do conselho, além de recapitulação dos trabalhos realizados na Resex nos anos de 2010, 2011 e 2012. A oficina teve como objetivo principal o nivelamento de conhecimento e a integração entre os indicados para compor o conselho. Para realização dessa atividade, a Resex contou com a parceria do Arpa, da Associação dos Moradores da Resex Arióca Pruanã e do PNUD.

João Augusto Meira

Incêndio é controlado na Chapada Diamantina “O sertão da Bahia enfrenta uma das piores secas dos últimos 30 anos e o Parque Nacional da Chapada Diamantina está vulnerável aos incêndios florestais”, relatou o chefe do Parna, Bruno Lintomem, ao explicar sobre o incêndio na região. No último mês, a região do parque enfrentou diversos focos de incêndio florestal, resultado da seca prolongada que assola a região. “O incêndio que atingia a região de Campos de São João, na Bahia, próximo ao Morro do Pai Inácio, na Chapada Diamantina, desde dia 13 foi finalizado”, concluiu Lintomem. Além dos danos causados ao ecossistema da região de Campos de São João, o incêndio atingiu e danificou a rede elétrica e o sistema de água da vila. Formado o conselho do Parna Nascentes do Lago Jari

Participantes das atividades de campo

Com a publicação no Diário Oficial da

Portaria n° 48, de 13 de abril de 2012, o Parque Nacional Nascentes do Lago Jari (AM) inicia uma nova etapa de trabalhos, orientados agora por seu conselho consultivo. A formação do conselho teve início no final de 2010 com reuniões de sensibilização e mobilização nas comunidades do entorno e com instituições governamentais e da sociedade civil situadas em Tapauá, Beruri, Humaitá, Porto Velho e Manaus. As principais dificuldades encontradas foram a grande extensão territorial do Parna, a elevada distância geográfica entre as comunidades, a precária organização social do entorno e a baixa representatividade de órgãos públicos e organizações civis nos municípios que abrangem a UC, Tapauá e Beruri. Composto por 16 cadeiras, o conselho é formado por representantes ribeirinhos, pecuaristas, indígenas, assentados, pesquisadores, empresas privadas e órgãos governamentais, que auxiliarão o ICMBio na implementação dos objetivos do Parna. Arquivo Parna Lago Jari

Oficina capacita conselho da Resex Arióca Pruanã

se multiplicadores dos direitos e deveres ambientais.

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Reunião de sensibilização com moradores da BR-319

Parna Restinga de Jurubatiba faz aniversário O Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba, localizado no norte do estado do Rio de Janeiro, comemora neste mês de abril o seu 14ª aniversário. As atividades comemorativas vão ocorrer entre os dias 22 de abril e 5 de maio, em Quissamã, Carapebus e Macaé, áreas que englobam o parque. Jurubatiba é abrigo para diver-

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ICMBio em Foco

Começou ontem e termina hoje curso de capacitação em educação ambiental para professores da rede pública de ensino de Paraty (RJ) com o tema Lixo e Consumo Consciente. O evento é promovido pelo Departamento de Educação Ambiental da Secretaria Municipal de Educação de Paraty, com apoio do Parque Nacional da Serra da Bocaina, da Área de Proteção Ambiental de Cairuçu e da Estação Ecológica Tamoios, bem como da Reserva Ecológica da Juatinga. O curso acontece no Núcleo Picinguaba do Parque Estadual da Serra do Mar, em Ubatuba (SP), e conta com atividades dinâmicas ao ar livre e uma visita ao lixão de Paraty. Os professores receberam subsídios para criar e ministrar aulas relacionadas às temática do curso, que são cidadania e consumo, lixo, saúde, reciclagem e publicidade. Toma posse conselho da Flona Canela Diante de 31 convidados e representantes de entidades, o presidente do Conselho Consultivo da Floresta Nacional de Canela (RS), Ewerton Ferraz, deu posse aos 22 conselheiros da UC no mês de março. A reunião também teve a presença do analista ambiental Cirineu Lorensi, da Coordenação de Elaboração e Revisão de Plano de Manejo - Coman, da coordenadora

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listas de diversas instituições que proporcionaram aos alunos uma completa base cientifica teórica e prática, além de institucional, das principais atividades de pesquisa e conservação realizadas na região. O curso objetivou o treinamento dos estudantes na ecologia do bioma Mata Atlântica, incluindo os ecossistemas costeiros lacustres, fluviais, florestais, manguezais e de restinga. As atividades práticas incluíram treinamento em técnicas de campo, instrumentação e análise de dados ecológicos, tendo à frente renomados cientistas da área de ecologia de ecossistemas e gestores das unidades de conservação da região, cuja estrutura didática englobou seis palestras, seis práticas de campo e quatro visitas à UC. Ao final, os alunos realizaram apresentações sobre os tópicos explorados durante o curso. Arquivo Rebio União

Curso de educação ambiental para professores de Paraty

substituta da CR 9, Andrea Lamberts, e da analista da CR 9, Renata Vargas. O evento contou com uma apresentação pelo representante da Coman, que discorreu sobre a Coordenação e suas diretrizes, enfocando a elaboração do plano de manejo, seu amparo legal, definições e conceitos, sua importância como documento técnico fundamentado nos objetivos gerais de uma UC, destacando a Floresta Nacional de Canela. Durante a reunião também foram apresentados os questionários de diagnósticos socioeconômico e ambiental que estão sendo aplicados a pessoas física e jurídica residentes no entorno da Flona e região. Ao meio dia, com participação e apoio dos servidores da Flona, foi oferecido almoço de confraternização a todos os presentes. A parte da tarde foi destinada à retomada das discussões referentes à definição da zona de amortecimento da unidade de conservação. Arquivo Flona Canela

sas espécies de fauna e flora das restingas que em outros locais do país estão em risco de extinção. Já foram inclusive encontradas novas espécies na área da unidade. O Parna possui 44 km de praias e 18 lagoas costeiras de rara beleza e de grande interesse ecológico e é uma das UCs com maior número de pesquisas científicas em desenvolvimento.

Participantes do evento de posse dos conselheiros

Rebio União sedia curso de ecologia de campo A Universidade Estadual do Norte Fluminense - UENF e a Universidade de Exeter, da Inglaterra, realizaram entre os dias 25 de março e 2 de abril o Curso Internacional de Ecologia de Campo – Biomas Brasileiros, que contou com apoio do Instituto Chico Mendes, por meio da Reserva Biológica União (RJ). As atividades do evento foram desenvolvidas na estrutura da Rebio e contaram com participação de 17 estudantes do segundo ano de Geografia da Universidade de Exeter, além de especia-

Visualização do mico-leão-dourado

Analistas do CNPT no Globo Universidade Amanhã o programa Globo Universidade irá exibir uma matéria sobre pesquisas e projetos desenvolvidos pelo nosso CNPT na Reserva Extrativista de Cururupu, na Ilha dos Lençóis (MA). A equipe esteve no mês de fevereiro gravando na comunidade e com os analistas do CNPT, Bruno Gueiros e Carolina Alvite, coordenadora do projeto Ecoturismo de Base Comunitária na Ilha dos Lençóis. O Globo Universidade vai ao ar neste sábado na Globo, às 7h, no Canal Futura, às 13h30, e na Globo News, às 15h30.


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NO FOCO

Espécie rara de primata, este zogue-zogue (Callicebus caquetensis) foi flagrado em seu café da manhã na Reserva Biológica do Jaru (RO) pelo analista Rafael Amaral, recém-lotado no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO).

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ICMBio em Foco

ICMBio em Foco Revista eletrônica semanal

Editores Ana Carolina Lobo da Silveira (jornalista) Ivanna Costa Brito Lísias de Moura Fotógrafo da DCOM Leonardo Milano Diagramação Danilo Bezerra de Jesus Revisão Thaís Alves de Lima Supervisão Geral Cláudia Camurça

Colaboraram nesta edição Dárlison Andrade – Flona Tapajós; Fabiana Bertoncini – Flona Chapecó; Rosângela Ribeiro Silva – Flona Paraopeba; Equipe da Flona Canela; José Guilherme Dias de Oliveira – Parna Serra da Bodoquena; Leandro Goulart – Parna Serra dos Órgãos; Paulo Silvestro – Parna Cabo Orange; Carlos Alexandre Fortuna – Parna Restinga de Jurubatiba; Viviane Daufemback – Parna Serra do Itajaí; Beatriz Gomes – Parna Saint-Hilaire/Lange; Marcelo Henrique de Carvalho – Parna Nascentes do Lago Jari; Marco Antônio de Freitas – Resex Chico Mendes; Maximiliano Niedfeld Rodriguez – Resex Arióca Pruanã; Rosi Batista da Silva – Resex Médio Juruá; Whitson José da Costa Junior – Rebio União; Tiago Leão Pereira – RVS Rio dos Frades; Márcia Casarin Strapazzon – RVS Campos de Palmas; Renata Brasileiro – APA Cairuçu; Marli Penteado – Esec Tupinambás; Luciana Pacca – Esec Maracá; Ernesto Castro – CGEUP; Fabiana Prado – Coedu; Amanda de Andrade, Gilberto Mourão e Marcelo Mantelatto – Projeto Coral-Sol; Victor Souza – Divisão de Comunicação Nordeste; Sandra Regina Bertolo – CGGP; Raquel Silva – Educação Corporativa/ CGGP; Priscila Galvão, Thaís Alves, Leonardo Milano, Rodrigo Rueda, Fernando Pinto e Sandra Tavares – DCOM; Carolina Alvite – CNPT.

Divisão de Comunicação - DCOM Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio Complexo Administrativo Sudoeste - EQSW 103/104 - Bloco B - Térreo - CEP: 70670-350 - Brasília/DF Fone +55 (61) 3341-9280 ascomchicomendes@icmbio.gov.br - www.icmbio.gov.br

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Boletim do ICMBio  

artigo sobre o coral-sol no litoral paulista na página 16

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