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MARCIO ALVES BERA PALhOtO

“No verão as famílias tinham o costume de conversar nas calçadas para “tomar a fresca”. Em casa sempre tinha uma esteira de taboa para as crianças deitarem e ficarem quietinhas enquanto os pais e vizinhos conversavam. Nós olhávamos as estrelas e ficávamos ouvindo as conversas até cair no sono” Fonte: Livro – “São Sebastião do meu tempo de menina” – Neide Palumbo

“Ninguém, ou quase ninguém, vendia frutas. As vizinhas presenteavam as frutas de seus quintais umas às outras.” Fonte: Livro – “São Sebastião do meu tempo de menina” – Neide Palumbo

“Quando a frente da cidade ainda tinha praia, a criançada aproveitava para tomar banho de mar. Ninguém tinha maiô. A gente tomava banho com uma roupa qualquer. Quando a maré ficava vazia era uma beleza. Dava muito berbigão (molusco). Numa tarde de maré vazia eu peguei uma lata vazia de banha e já ia saindo para mariscar...”

A agricultura É o complemento alimentar dos pescadores e seu principal produto é a farinha de mandioca - consumida em quase todas as refeições – que, desde tempos imemoriais, trata-se de um substituto do pão europeu e, por isso mesmo, é chamada de “pão dos trópicos”. Existe, ainda, uma infinidade de produtos secundários e ervas medicinais. Seus principais produtos são: mandioca, milho, cana, feijão, guandu, inhame, entre outros.

Farinheiras Aprender a arte da fabricação da farinha de mandioca era uma das tarefas da mulher caiçara, que começava cedo, muitas vezes, ainda crianças. A lida não era fácil; preparar a terra, plantar e colher fazia parte da rotina. Plantava-se também a mandioca venenosa, que não faz mal à saúde porque é lavada, raspada, espremida, coada, seca no forno, na coxa, vai outra vez ao forno, outra vez na coxa até virar farinha pura. Os horários são cruéis, os trabalhos começam às 3 horas da manhã e só acaba ao meio-dia. O caiçara chama esse fabrico é “farinhando” e era vendida a litros.

Fonte: Livro – “São Sebastião do meu tempo de menina” – Neide Palumbo

São Sebastião 79

São Sebastião/SP  

Revista cultural de São Sebastião

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