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Sítio Arqueológico

patamares somada ao sítio existente, e que pode vir a ser um dos maiores achados arqueológicos em extensão do país, com 1.200.000 m² de área total. no local, foi identificado um complexo de senzalas e estradas. Atualmente, restam do imóvel original algumas colunas e paredes, que impressionam pela técnica usada (as pedras eram apenas encaixadas perfeitamente entre si, sem necessidade de qualquer espécie de cimento como liga), escadarias em pedra, terraços com floreiras, uma enorme figueira, muros de contenção ornados com figuras, aquedutos e arcos sobre pequenos vales, dreno de água, telhas, canaletas em pedra, oratório, fornos, porcelanas, cabos de panela, cerâmicas neobrasileiras (que misturam características das culturas negra, branca e indígena), grés fino, cachimbos e demais testemunhos materiais. As peças encontradas nas escavações são do final do século 18 e início do século 19. Para Aline, a peça mais inusitada encontrada foi uma botinha de vidro que, na Europa, é conhecida como o copo do segredo. As escavações começaram no ano de 1991, bem depois que “cicatrizes” cortando a Serra do Mar apareceram em imagens de satélites. As marcas denunciavam cursos de rios e construções desconhecidas. Técnicos levaram quase dois anos para localizar as estradas escondidas sob mata fechada e terreno íngreme. O trecho começa na beira da Rodovia Rio-Santos até atingir 200 metros de altitude. na subida, foram iden-

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tificadas estradas que se cruzam perpendicularmente. Elas eram utilizadas para o escoamento da produção de cerâmicas produzidas por escravos. “Um dos aspectos mais representativos da diversidade cultural presente no Sítio São Francisco é a atividade açucareira. A complexidade de fabricação deste produto, representada pela existência de várias etapas, pela necessidade de utilização de engenhosos equipamentos e de mão de obra especializada, nos fornece inúmeros subsídios para a compreensão de atividades fabris de outrora. O vestígio mais emblemático é o forno, com as quatro fornalhas e cavidades, onde se depositavam tachos de cobre fumegantes com o caldo da cana. Implantado sobre terraço, recebeu o revestimento de lajotas cerâmicas e cobertura de telhas capa e canal”. Fonte: http://www.sitiosaofrancisco.org.br

Cachimbos nas escavações, foi encontrada a maior coleção de cachimbos existente na história do Brasil. A confecção desses artefatos fazia parte do ritual de negros e brancos. O cachimbo era utilizado por todos, inclusive por crianças. A forma fálica do cachimbo levanta a hipótese do órgão sexual masculino, símbolo da fertilidade africana e uma forma de identificação de qual tribo o artesão negro pertenceu.

São Sebastião/SP  
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Revista cultural de São Sebastião