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Citações: “A cidade era cheia de vendas e armazéns de “secos e molhados, bebidas nacionais e estrangeiras”, que era como estava escrito nas paredes”. “Na rua da praia tinha seu Izidro e seu João dos Santos. Na rua do meio tinha seu Dante Pacini e seu Valentim. Na rua da Santa Casa, tinha seu João Lourenço.” “Mamãe comprava em todos eles porque às vezes o que ela precisava não tinha em uma venda e a gente comprava em outra”. Na venda de seu Antonio Orselli tinha desde agulha, panela de barro, tamanco até ferragens de diversos tipos. Seu Antonio Orselli era muito gordo e ficava sentado na porta da venda conversando. Quando chegava um freguês, ele não se dava ao trabalho de levantar do banco: mandava a pessoa entrar e procurar o que desejasse comprar. Na padaria de seu João Teixeira, o pão saía às três horas. O pessoal fazia fila para pegar a meia lua quentinha. Enquanto mamãe passava café, eu já estava na fila do pão. Voltava correndo para casa e colocava bastante manteiga Aviação naquele pãozinho delicioso. Depois corria até o bar com o bule (não tinha garrafa térmica) e o pãozinho para papai que estava trabalhando. Só de lembrar fico com água na boca” Neide Palumbo – São Sebastião do meu tempo de menina “Quando eu tinha seis anos, papai um dia chegou do bar e disse: “As filhas do Joel, Mariza e Deise, já sabem ler. Lêem até jornal. A Neide vai aprender também.” Me comprou um caderno, um lápis e uma borracha e me pôs na escola de Dona Laura Mota. Dona Laura Mota era uma mulher de fala mansa e cheia de paciência. A escola era na casa dela e tinha vários alunos. Num instante ela conseguiu me ensinar a ler pela “Cartilha Sodré”. A lição que eu mais gostava era: “O bolo está fofo. O bolo é feito de coco.” Neide Palumbo – São Sebastião do meu tempo de menina “Da cozinha de casa se escutava tudo o que acontecia no cinema. O cinema, naquele tempo, era o centro de tudo. Se aparecia na cidade um mágico, se apresentava no cinema; um tocador de violino ou uma menina que declamava poemas, tudo era no cinema, inclusive as festas de final de ano da escola. No cinema aconteciam as apresentações teatrais, a entrega dos diplomas da quarta série, a apresentação do orfeão... tudo era no cinema”. Neide Palumbo – São Sebastião do meu tempo de menina “A Santa Casa funcionava como uma espécie de albergue para os doentes que vinham de Ilhabela ou da Costa Sul para se tratar e não tinham onde ficar.” Neide Palumbo – São Sebastião do meu tempo de menina

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São Sebastião/SP  

Revista cultural de São Sebastião

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