Page 57

Professora Zezé

Poesia preferida da Professora Zezé: “Se tenho que partir”

Maria José Ávila, 82 anos, nascida em Agudos, mora em Campos de Jordão há 50 anos. Veio para cá como professora do curso normal e deu aula no Teodoro Correa Cintra. Desenha com lápis de cor de uma forma tão delicada que dá ao espectador uma leveza de sentimentos. Ela diz que escolheu o lápis porque, além de ser mais firme que o óleo, já utilizava o instrumento desde os tempos de aluna. Como sempre trabalhou muito, começou a dedicar-se à pintura somente em 1999, mas não parou por aí. De lá para cá, já escreveu quatro livros de poesia. Tivemos a oportunidade de ouvi-la declamar a sua favorita, que emocionou a todos da equipe com a verdadeira emoção transmitida pela artista. Os títulos dos livros são simples, porém extremamente significativos, são eles: “Era Uma Vez...”, “Caminhando”, “Vivendo” e “Sonhando”. Atualmente ocupa a presidência da Academia de Letras de Campos do Jordão, com a cadeira 19, um verdadeiro privilégio, pois foi a primeira mulher a entrar para a Academia.

Se tenho que partir, que seja enquanto minha alma responde à beleza, desperta da letargia, e, em ânsias de viver, mergulha direto na magia. Que eu parta, então, quando a visão da rosa é êxtase, perfume e cor, repouso da mente, fonte de calor.

reProdução

Pois que eu vá enquanto sofro ainda com a dor dos que sofrem e rio com o riso das crianças, o prazer das mães na atualização de esperanças. Se tenho mesmo que ir, que seja agora quando a árvore me fala de sombra e amizade, das cores do outono, de paz e felicidade. Se tenho que dormir, que durma deslumbrada com o nascer e o pôr-do-sol, derramando no mar um esplendor de prata e ouro vai e vem das ondas a brilhar. Possa eu repousar sob um manto de estrelas e luar, ouvindo a voz do vento, os murmúrios da floresta, a melodia dos riachos e cascatas, mergulhada em plena festa. Que durma feliz - ambos realizados – nos braços do meu amor, nos laços do seu carinho que se revela suave, macio como arminho. Se tenho que partir, seja, então, de regresso à casa de meu Pai, deixando o sonho pela realidade, uma realidade de sonho, o mundo perfeito da verdade.

Campos do Jordão 57

Campos do Jordão/SP  

Revista Cultural da cidade de Campos do Jordão

Campos do Jordão/SP  

Revista Cultural da cidade de Campos do Jordão