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Histórico

V. Abernéssia 1930

O primeiro homem branco a reparar nas belezas das terras, que hoje fazem parte da cidade de Campos do Jordão, foi o sertanista Gaspar Vaz da Cunha, o Oyaguara, Jaguará ou Jaguaré – Cão Bravio na língua indígena, em 1703, motivado pelo sonho de enriquecer com o ouro das minas de Itajiba. Já em 1771, outro sertanista, Ignácio Caetano Vieira de Carvalho, mineiro de Rio das Mortes, vindo de Taubaté, seguiu a trilha dos desbravadores e, encantado com a região, estabeleceu residência com sua família, construindo a Fazenda Bom Sucesso. Ignácio, por requerimento ao governador da Capitania de São Paulo,

Brigadeiro Jordão “Era amigo do Imperador D. Pedro I e fez parte do Governo Provisório. Naquela época, foi incluído entre os 10 maiores proprietários de terras da Província de São Paulo, chegando a ser diretor do Tesouro da Província. Alguns historiadores localizam-no no famoso quadro de Pedro Américo, alusivo ao Grito do Ipiranga, em 7 de setembro de 1822, quando este subia a Serra de Santos. Ademais, o local da Proclamação da Independência do Brasil, no Ipiranga, ficava na Fazenda Palmeiras, de propriedade do brigadeiro Manoel Rodrigues Jordão. “ Fonte: Livro “Campos do Jordão a Jóia da Mantiqueira” Pedro Paulo Filho

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recebeu a posse da sesmaria, o que gerou conflito com o seu vizinho da Fazenda Campinho, João da Costa Manso, que lutava para anexar suas terras a Minas Gerais. Cabe aqui uma explicação de como nossos territórios eram disputados pelas capitanias de São Paulo e Minas Gerais. Campos do Jordão é uma cidade limítrofe com Minas e naquela época já possuía a Fazenda da Guarda, pois, durante o Ciclo do Ouro, a região era um local fácil para tráfico do metal pelos seus tortuosos caminhos, por isso da instalação de um Posto Fiscal. Os paulistas, principalmente os pindamonhangabenses, subiam a serra armados com seus trabucos para impedirem a invasão dos mineiros nessas terras. A disputa ficou tão feia que em 1803 o capitão-mor instalou a Guarda do Capivari a fim de defender o território e também tirar uma faixa da Mantiqueira mineira. Com o falecimento de Ignácio em 1823, suas posses foram hipotecadas e posteriormente alienadas para o Brigadeiro Manoel Rodrigues Jordão, em 1825. Pela proximidade da data da “escritura” com o natal, as terras foram chamadas de Fazenda Natal e, mais tarde, apelidadas de Campos do Jordão, dando origem ao nome da cidade. Em 29 de abril de 1874, data da fundação da cidade, Matheus da Costa Pinto, fazendeiro de Pindamonhangaba, arrematou alguns lotes de Jordão à beira do rio Imbiri e deu início à construção de um vilarejo. Construiu uma vendinha, uma capela chamada de São Matheus do Imbiri, uma pensão para “respirantes” (tísicos), uma pousada e uma escola, motivos pelo qual foi considerado fundador da cidade. O vilarejo logo se tornou Vila de São Matheus

Campos do Jordão/SP  

Revista Cultural da cidade de Campos do Jordão

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