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tes, resgatando 143 pessoas que foram levadas ao Porto de Santos. Outro meio de resgate foi o escaler (espécie de bote salvavidas de porte grande) que, com várias viagens da tripulação, conseguiu também salvar muitas vítimas, deixando-as nas pedras, em terra firme. A heroína Dificilmente, naquela época, homens admitiam que foram salvos por uma mulher. Mas felizmente foram, e essa mulher chamava-se Marina Vidal, que por ser excelente nadadora, teve o ato de coragem de nadar em águas tão revoltas e perigosas para resgatar seus semelhantes.

Os caiçaras Vários relatos dos que viram ou ouviram a história desse naufrágio contam que a região da Ponta da Pirabura é amaldiçoada, pois no local ninguém consegue passar, contabilizando mais de 10 desastres. Muito se fala do famoso Titanic, mas é certo que o naufrágio do Príncipe de Astúrias teve o mesmo

impacto que o inglês. Muitas histórias tristes de sobreviventes que, além de perderem todos os seus bens, porque muitos era refugiados da Primeira Guerra Mundial, e tinha no Novo Mundo, a esperança de começarem uma nova vida, perderam também seus maridos, esposas, filhos e filhas. Histórias comoventes como a de Ramon Hernandez, que atirou seu filho de três anos ao mar e depois foi procurá-lo, e quando resgatou a criança, percebeu que não era o seu, e sim filho de outra família já morta e o adotou. E hoje, o Príncipe ainda está lá, servindo de encanto e mistério para os que se atrevem a vê-lo.

Números • 150,8 metros de comprimento; • 19,1 m de largura; • 9,6 m de calado • Cofre: 40 milhões de libras esterlinas • Mais de 500 mortos

FOTOS REPRODUÇÃO

O tesouro que afundou Inúmeros são os tesouros afundados com o navio, desde barras de ouro, jóias de todas as espécies. foram muitas, e ainda são, as expedições de mergulhadores, que já conseguiram trazer à tona muitos deles. O Astúrias transportava, entre muitas cargas valiosas, o terceiro bloco de um total de três, que completaria o Monumento aos Espanhóis, na Argentina. Esse monumento era a representação das quatro etapas da conquista da Argentina (Andes, Rio da Prata, Rio Chaco e Pampas), e seria inaugurado em 9 de julho de 1916.

Parte do Monumento aos Espanhóis

Ilhabela 35

Ilhabela/SP  
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Revista cultural de Ilhabela