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Lenda

Em cada canto,

uma fábula

ILUSTRAÇÕES LAILTON ALVES

Piratas, engenhos e naufrágios ilustram a história de Ilhabela. Tudo isso combinado às paisagens misteriosas e emblemáticas, propicia o cenário perfeito para lendas e causos que só fazem do arquipélago um lugar mais sedutor. Para todo canto que se olha, um “dizem que ali...” ou um “aconteceu há muito tempo atrás...”. Para quem gosta de conhecer melhor onde está pisando, literalmente, não faltam histórias dos moradores para se encantar e se arrepiar.

Pedra do Sino A população da Ilha de São Sebastião ainda dormia naquela manhã em que os sinos alertaram a todos. Uma caravela de piratas desembarcou numa praia e já estavam prontos para atacar. O povoado, que contou com o comando do guerreiro São Sebastião, preparou-se e partiu para defender a ilha. Os intrusos foram expulsos e a calmaria se restabeleceu. Porém ficou uma dúvida: de onde vieram os sons de sino que despertaram o povo? Os únicos que encontraram uma explicação foram os índios, que apontaram para as pedras da praia Guarapocaia. Constatou-se então que, quando batidas, a pedras soavam como sinos.

Lenda da Feiticeira Piratas, marinheiros de navios negreiros e mercantes reuniam-se na taverna de uma rica mulher conhecida pelos habitantes da região como feiticeira. A dona do estabelecimento era a proprietária da Fazenda São Mathias que, no fim da vida, temerosa de um saque, mandou que seus escravos enterrassem o seu tesouro no local conhecido por Tocas e os matou para que não revelassem o segredo. Dizem que depois disso a feiticeira enlouqueceu e nunca mais foi vista.

Toca do “Come Bala” Um ex-combatente havia sido ferido e perdera sua perna durante um confronto. Sem encontrar ajuda, fez de uma toca, na praia da Armação, a sua moradia. Com suas histórias de guerras e combates, conquistou a amizade dos habitantes locais. Após a sua morte, sua toca ficou conhecida como toca do “Come Bala”. 28 Cidade&Cultura

Lenda do Portinho Maria Fixi, dona de uma fazenda no bairro do Portinho, era conhecida pela crueldade com que tratava seus escravos. Estes, cansados dos maus tratos, fugiram levando toda a prataria da dona. Vendo-se sem rumo, Maria Fixi recorreu a Santo Antonio, cuja imagem havia ganhado de um vendedor de escravos. Pediu ao santo que trouxesse seus negros de volta com a promessa de não mais bater neles. Foi então que os fugitivos depararam-se, durante a fuga, com um senhor bem velhinho segurando um cordão na mão, que os fez voltar para a fazenda. Maria Fixi recuperou tudo o que perdera e cumpriu sua promessa.

Ilhabela/SP  
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Revista cultural de Ilhabela