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Defesa necessária Obviamente, o povoado da Ilha não era tranqüilo com os constantes ataques dos piratas, mesmo porque, os ataques, em sua maioria, eram ferozes. Então foram construídas fortificações dos dois lados do canal que separa o arquipélago do continente. Hoje ainda encontramos as ruínas desses fortes. Os locais eram estratégicos para poder fazer com que a artilharia alcançasse o meio das águas do canal. Os fortes da Ilha são: Forte Villa Bella da Princesa (hoje o centro turístico), Forte do Rabo Azedo (norte da Ilha), Forte da Feiticeira (sul da Ilha) e Forte Ponta das Canas (norte da Ilha). Essas construções foram decisivas na defesa do território, pois o porto de São Sebastião escoava os produtos auríferos das regiões de Mato Grosso e Goiás.

Telhas produzidas nas coxas

FOTOS TATYANA ANDRADE

Muitos fatos curiosos e lendas surgiram desde a vinda dos piratas à Ilha. Muitas histórias que despertaram a curiosidade humana falam sobre os tesouros enterrados pelos saqueadores. Uma das mais extraordinárias é a do Tesouro de Trindade, cujo engenheiro, Paul Ferdinand Thiry, relaciona esse tesouro com o suposto tesouro de Monte Cristo (romance do francês Alexandre Dumas). É isso mesmo, a insistência na caça à riqueza tornou-se uma obsessão cheia de enigmas decifrados. Infelizmente são poucas as páginas em que podemos escrever essa longa saga, mas o que se pode dizer é que este tesouro estaria supostamente enterrado no Saco do Sombrio por corsários que o pilharam dos espanhóis quando esses saíram corridos do General San Martin, no Peru, em 1821. O navio espanhol simplesmente sumiu com todo o ouro das igrejas. Mas havia um mapa do tesouro! Sim, e foi atrás dessa pista que o abnegado Thiry passou durante 40 anos estudando-a e envolvendo as pessoas. O engenheiro faleceu sem nunca conseguir seu intento, mas as buscas ainda continuam com seu amigo Osmar e seu filho Roberto. Outra curiosidade a cerca da pirataria é o povoado da praia do Bonete, também no leste da Ilha. A maioria dos moradores tem olhos de um azul profundo. Muitos dos que nasceram lá contam que seus antepassados eram descendentes de piratas. Há presença desses ilustres homens também na parte oeste da Ilha, na Fazenda da Toca, onde as ruínas de uma antiga fazenda ainda existem. Essa fazenda era do chamado pirata português Borges. Conta-se que ele era produtor de cana-de-açúcar e também traficante de negros. Para se chegar até lá, percorre-se um trecho de uma hora e meia, morro acima. O mais interessante do lugar, que chega até a ser perigoso, são os buracos escavados pelos caçadores de tesouros, pois acredita-se que Borges tenha enterrado suas riquezas no local. Mais tarde, o pirata mudou para a praia do Veloso, sul da Ilha, e montou outro alambique, onde passou seus últimos momentos.

Ruínas do pirata Borges

Ilhabela 27

Ilhabela/SP  
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Revista cultural de Ilhabela