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TATYANA ANDRADE

rumo ao Estreito de Magalhães para tentar a circunavegação do globo. Cavendish já havia realizado a façanha, pelo que era considerado um herói na corte da rainha Elizabeth. A esquadra quase foi dizimada pelas tormentas no extremo sul do continente. Dois navios afundaram, e os três remanescentes se perderam uns dos outros. Cavendish retornou com seu galeão Leicester para Ilhabela, em busca de abrigo seguro para reparar o navio e reabastecê-lo. Aqui encontraram outro navio de sua esquadra, o Roembuck, e aportaram. Poucas semanas depois tiveram que enfrentar uma esquadra portuguesa chefiada por Martim Correia de Sá, que veio combatê-los. Fugiram para o norte, na direção do Espírito Santo, e retornaram à Ilhabela alguns meses depois, com o projeto de queimar um dos navios, equipar o outro e seguir novamente para o Estreito de Magalhães. Com medo, parte da tripulação amotinou e se refugiou na Ilha. O capitão do navio Roembuk, Abraham Cocke, teria descido definitivamente em Ilhabela com seus homens. O fato é que nunca mais se ouviu falar deles. Cavendish tentou retornar à Inglaterra com o Leicester, mas morreu doente à bordo, no final de 1592, antes do navio alcançar seu destino.”

Código de conduta pirata • Todos os homens devem obedecer ao código civil; o capitão tem direito a uma parte e meia de todos os prêmios (chamados de butins); o subcapitão, o carpinteiro, o mestre e o homem de armas tem direito a parte e um quarto; • Se alguém tentar fugir ou guardar algum segredo do resto da tripulação, este deve ser abandonado numa ilha deserta com uma garrafa de pólvora, uma garrafa de água (o suficiente para sobreviver dois ou três dias), uma pequena arma e munições; • Se alguém roubar alguma coisa, o ladrão deve ser abandonado numa ilha deserta com uma pistola contendo uma única bala; • O homem que desrespeitar estes artigos enquanto este código estiver em vigor, deve ser punido com a lei de Moisés (40 chicotadas sem faltar nenhuma) nas costas despidas; • O homem que abocanhar as suas armas ou fumar tabaco no porão, sem uma tampa no cachimbo, ou carregar uma vela acesa sem lanterna deve ter a mesma punição que o artigo anterior; • O homem que não mantiver as suas armas limpas, que ficar noivo, ou se esquecer da sua função, deve sofrer qualquer punição que o capitão e a tripulação quiserem; • Se um homem perder o seu casamento deve ganhar 400 pesos, se um membro 800; • Se alguma vez te encontrares com uma mulher prudente, que esse homem se ofereça a intrometer-se com ela, sem o consentimento dela, deve sofrer morte certa; • O homem que fica para trás é deixado para trás.

Fonte: www.ilhabela.org/piratas.htm

Mutilações interessante esse aspecto da vida pirata, pois as mutilações eram freqüentes, já que os combates eram feitos no corpo a corpo. Não raro um combatente perdia a perna, braços ou olhos. Normalmente o cozinheiro fazia o papel de médico da tripulação, cabendo a ele o ato da amputação. Como prótese, quando o enfermo conseguia sobreviver, usava-se qualquer coisa ao alcance no navio, um exemplo clássico é o Capitão Gancho de Peter Pan. Os “desmembrados” eram agraciados com dinheiro ou mercadorias como: pelo braço direito seiscentos pesos ou oito escravos; quinhentos pelo esquerdo ou cinco escravos; por um olho cem pesos ou um escravo e idêntica quantia por um dedo; pela perna direita quinhentos pesos e pela esquerda, quatrocentos. Fonte: Alexandre Olivier Exquemelin, escritor francês , autor de um dos mais importantes livros sobre pirataria no século XVii, “De Americaensche Zee-Roovers”.

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Ilhabela/SP  
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Revista cultural de Ilhabela