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REPRODUÇÃO

centro antigo

TATYANA ANDRADE

cachaça Engenho D’Água

O então capitão–general da Capitania de São Vicente, Antônio José da Franca e Horta, em visita à Ilha no ano de 1803, recebeu em suas mãos um documento feito pelo movimento liderado pelo capitão Julião de Moura Negrão, o alferes José Garcia Veiga, o senhor de engenho Carlos Moreira e mais 27 ilustres moradores, para que fosse elevada à Freguesia a Capela de Nossa Senhora D´Ajuda e Bom Sucesso. O pedido foi aceito em 1806 e seu nome mais uma vez modificado para Vila Bela da Princesa, homenagem dada à filha de D. João VI e de Carlota Joaquina, Dona Maria Teresa Francisca de Assis Antonia Carlota Joana Josefa Xavier de Paula Micaela Rafaela Isabel Gonzaga de Bragança, mais conhecida como Princesa da Beira. Um novo ciclo econômico despontava para seus habitantes; era o ouro verde estourando por todos os cantos da Ilha, com uma expansão demográfica importante. O café era totalmente beneficiado nos locais de produção e a mão-de-obra era escrava. A opulência chegou rapidamente. Mas, infelizmente, com a construção da estrada de ferro de Vila de São Paulo à Vila do Porto de Santos, em 1867, e a que ligava São Paulo ao Rio de Janeiro, em 1877, mais a Abolição da Escravatura, em 1888 e a queda da Bolsa de 29, nos Estados Unidos, a economia da Ilha foi por água abaixo. Mais da metade da população simplesmente “evaporou”, não havia mais empregos. Os que ficaram trabalhavam na pesca e na agricultura

de subsistência, existia muita fartura, mas nenhum dinheiro e tudo era feito na base de escambo. E assim foi até a volta da produção da cachaça com 13 engenhos fortes ( Feiticeira, Engenho D´Água, Ponta das Canas, Favorita, Consolo, Marafa, Bexiga, Mossão Caiçara, Cocaia, Tangará, Engenho Novo, Amansa Sogra e Leite & Irmãos) na primeira metade do século XX. Em 1934, Villa Bella é elevada, novamente, a categoria de município e em 1939 passou a chamar-se de Vilabela. Em um delírio do Presidente Getúlio Vargas, no ano de 1940, sem nenhum motivo, modificou o nome para Formosa e, após inúmeros atos de revolta contra o nome imposto, em 1945 finalmente o Arquipélago é batizado de Ilhabela.

Vocação natural Após sucessivas tentativas e erros, superações e modificações e com a derrocada dos engenhos de cana-de-açúcar, a partir da década de 1950, o Arquipélago encontrou sua vocação natural, que é o turismo, que despontou definitivamente quando a Rodovia SP 55 – Rodovia Dr. Manoel Hypóllito do Rego foi construída, tornando o acesso à cidade de São Sebastião mais fácil.

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Ilhabela/SP  
Ilhabela/SP  

Revista cultural de Ilhabela