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EDIçãO 01

www.cidadeecultura.com.br Nº11 - R$ 10,00 - Brasil

Diversidade cultural e qualidade de vida

GUARUJÁ

História | Arte | Meio Ambiente | Arquitetura | Folclore | Turismo


Índice

08

LINHA DO TEMPO O caminho dos marcos de Guarujá

38

10

HIsTÓrICO Das dificuldades de povoamento ao glamour de uma cidade vibrante

ArquITETurA A inovadora arte da construção retratada em obras magníficas

100

GAsTrONOMIA Os melhores pratos da cultura caiçara com toque sofisticado

42

ArTEsANATO Colorido, inventivo e útil

20

rELIGIOsIDADE A fé que move montanhas e ajuda nas adversidades

44

104

BAsE AérEA DE sANTOs Orgulho, bravura nos céus da cidade

ArTEs O ecletismo em sua maior expressão

26

LENDAs Histórias orais que ainda persistem no imaginário

52

108

BALsAs, BArCAs E CATrAIAs Idas e vindas com o charme das embarcações

MEIO AMBIENTE Praias e ilhas paradisíacas, vistas incríveis e vislumbre do mundo submarino

110

DADOs EsTATísTICOs Conheça os números deste arquipélago

28

FOLCLOrE As raízes representadas pelas cores

82

EsPOrTEs Com o mar como parceiro, qualquer esporte é radical

112

GENTE DA TErrA Diversas culturas em sorrisos largos

34

HOTéIs A riqueza estampada à beira mar

94

CuLTurA CAIçArA Um estilo de vida que poucos conhecem

114

DEPOIMENTOs Impressões de uma ilha repleta de contrastes

6 Cidade&Cultura


FOTOS MARCIO MASULA THIAGO ANDRADE

Editorial A cidade de Guarujá, uma vez explorada por nós, trouxe-nos grandes surpresas. Seja nas ruas, matas, praias, trilhas e ilhas, nos comoveram principalmente pela riqueza de diversidades de culturas. Assistimos verdadeiros espetáculos populares que nos encheram de orgulho de tanta representatividade. Grupos de origem africana, nordestina, italiana, caiçara, tudo misturado com o mar de pano de fundo. Engana-se aquele que acha que a cidade é bela apenas na areia. O asfalto tem muito a nos oferecer culturalmente. E aqui, mostraremos um pouco do que pudemos captar nessa grande gama de diversidades.

EDITORIAL

COnsELhO ExECUTIvO: Eduardo Hentschel, Luigi Longo, Márcio Alves, Roberto Debouch e Leila M. Machado

EDITORA: Renata Weber Neiva REpORTAgEm: Alice Neiva, Jean de Castro

e Nathália Weber

AssIsTEnTE DE pRODUçãO: Evellyn Alves REvIsãO: Silvia Mourão COmERCIAL: Paulo Zuppa e Thabata Alves pRODUçãO gRáfICA: Purim Comunicação Visual (www.purimvisual.com.br)

pRODUçãO DIgITAL: Vidapropria.com pRODUçãO AUDIOvIsUAL: Leo Longo fOTOgRAfIAs: Marcio Masula, Beto Maitino, Thabata Andrade e

Thiago Andrade

fOTO CApA: Marcio Masula ImpREssãO: Gráfica Silvamarts CIDADE & CULTURA é uma publicação anual da ABCD Cultural.

Todos os artigos aqui publicados são de responsabilidade dos autores, não representando necessariamente a opinião da revista. Todos os direitos reservados. Proibida a cópia ou reprodução (parcial ou integral) das matérias e fotos aqui publicadas.

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Guarujá 7


Linha do tempo

AC

8000 Sambaquis

Construção da Fortaleza da Barra Grande

1502

1584

Guarujá torna-se Vila

Chegada da Esquadra de Américo Vespúcio

Inauguração do Forte dos Andradas

Morre Santos Dumont

1923 Intitulado Distrito da Paz

8 Cidade&Cultura

1932

1832

1934 Elevado à categoria de Município

1942

1947 Construída a Rodovia Anchieta – SP 150


1883 2 de setembro de

1892

Fundação da cidade

O distrito de Vicente de Carvalho é anexado ao território de Guarujá

1953

1893

1912

Elevada a Vila Balneária de Guarujá

Início da construção de grandes edifícios na orla das praias de Pitangueiras e Astúrias

1960

Inauguração do Gran Hotel de La Plage, marco do turismo de luxo brasileiro

1922

FOTOS AcervO SecreTAriA de TuriSmO de GuArujá reprOduçãO / márciO mASulA

Companhia Prado Chaves encomenda dos Estados Unidos a Vila de madeira

Guarujá vira distrito da cidade de Santos

Um dos principais cartões postais brasileiro

2014 Guarujá 9


Histórico Sala das Pedras Guaru-Yá

GUARU HISTÓRIA DE


UJÁ

Livro Guarujá História e FotoGraFias de GeraLdo anHaia MeLLo

Anteriores aos índios, os povos sambaquieiros deixaram aqui os seus vestígios. Há aproximadamente 7 mil anos, eles viviam de pesca e extração, aglomerando restos de peixes e conchas para formar montanhas de calcário – os sambaquis –, que podem chegar a até 30 metros de altura. Encontramos também restos de ossos humanos e rochas polidas, indício de rituais religiosos. No Guarujá, temos um dos maiores sambaquis do planeta, com 31 metros de altura e 100 metros de largura, registrado no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN. Esse sambaqui recebeu o nome de Crumaú 1, nome do rio onde está localizado, e se manteve preservado por conta do difícil acesso ao local onde se encontra. Além do Crumaú 1, temos os sambaquis Buracão, Mar Casado, Maratuá, Ilha de Santo Amaro I, Ilha de Santo Amaro II e Ilha de Santo Amaro III. Em tupi, Guarujá – gu-ar-y-yá – significa passagem estreita de um lado ao outro, isso por causa da antiga Sala de Pedra, que avançava como um pequeno promontório rochoso do morro Piquiú para dentro do mar, impedindo a passagem entre as praias de Laranjeiras (hoje Pitangueira) e Guarujá (hoje Astúrias). Atualmente, nesse lugar existe o Edifício Sobre as Ondas. Os indígenas que por aqui passavam só utilizavam a ilha para coleta de sal, pesca e prática de ritos. A Ilha de Santo Amaro, onde está situado o Guarujá, era chamada Guaibê ou Guaimbê (planta aquática) pelos índios, Ilha Oriental ou Ilha do Sol pelos portugueses, e Ysla Oriental pelos espanhóis. Em 22 de janeiro de 1502, chegou por essas bandas a Armada de Américo Vespúcio, para reconhecimento das terras descobertas por Cabral, exatamente na Praia Santa Cruz dos Navegantes, conhecida como “Pouca Farinha”. Posteriormente, passaram por aqui, em 1526, o veneziano Sebastião Caboto e, em 1530, o espanhol Alonso de Santa Cruz, que declarou: “Estas ilhas (São Vicente e Santo Amaro atuais) os portugueses creem ficar no continente que lhes pertence, dentro da sua linha de partilha, eles porém se enganam segundo está averiguado por criados de Vossa Majestade com muita diligência... de maneira que a linha não termina no‘Puerto de São Vicente’ e sim mais para o oriente, num porto chamado ’Sierras de San Sebastian’”... Nota-se no relato acima que essas terras eram muito visadas pelos europeus e que a coroa de Guarujá 11


Marcio MaSULa

Histórico

Muralha Forte São Felipe

Forte São Felipe A mando de Brás Cubas, o Forte São Felipe foi construído em 1552, com a intenção de “fechar” o Canal de Bertioga, que sempre foi um acesso fácil à Ilha de São Vicente. Grandes inimigos daquele tempo eram os índios tupinambás, que se aliaram aos franceses na luta contra a escravidão de seu povo pelos portugueses. Brás Cubas usou mão de obra escrava dos indígenas nessa construção. Do outro lado do Canal de Bertioga, está o Forte São João, formando uma perfeita barreira contra o inimigo. Também conhecido como Forte de São Luis e Forte de Pedra, o Forte São Felipe foi reparado em 1765.

Portugal tinha que tomar atitudes enérgicas para a fixação do território. Finalmente, em 1532, chegou a Armada de Martim Afonso. Essa Armada era composta de cinco navios e quatrocentos homens, e tinha o propósito de combater os franceses, assegurar a posse portuguesa e efetuar a colonização no Brasil entre Pernambuco e Cananeia. Alguns portugueses instalaram-se na parte ocidental da Ilha de Santo Amaro, trabalhando com pesca, agricultura de subsistência e reparos de embarcações. Com a divisão de terras administrativas sob orientação da Coroa pelo rei Dom João III, foi dado a Pero Lopes de Sousa, irmão de Martim Afonso, o lote de terras denominado Capitania de Santo Amaro, que englobava as áreas de Guarujá, Bertioga e parte de São Sebastião. nesse período foram distribuídas várias sesmarias e construídos engenhos de cana de açúcar. Em 1540, a ilha Guaibê estava sob o comando do capitão-mor Jorge Ferreira, que pediu a José Adorno, genovês que veio para cá junto com a Armada de Mar12 Cidade&Cultura

tim Afonso, que construísse uma capela sob a invocação de Santo Amaro, no local onde depois foi construída a Fortaleza da Barra Grande e que deu origem ao nome da Ilha de Santo Amaro. Jorge realizou muitas empreitadas na ilha para alavancar seu desenvolvimento: edificou mais engenhos, trouxe capivaras e iniciou muitos tipos de plantações.

Pero Lopes de Sousa nasceu em Lisboa em 1497, foi navegador, militar e donatário da Capitania de Santo Amaro. Seu maior legado foi o livro Diário da navegação, que relata a viagem de Martim Afonso de Souza entre 1530 e 1532. na viagem de volta a Portugal, conseguiu capturar dois navios franceses na costa de Pernambuco, o que lhe rendeu 50 léguas de terras no litoral brasileiro. Em 1539, Pero morreu em um naufrágio na Índia.

Ermida de Santo Antônio do Guaibê Construída em 1544, com pedra e cal, foi utilizada pelos padres José de Anchieta e Manoel da nóbrega para celebrar missas e catequizar os indígenas. nesse local, Anchieta escreveu o poema Milagre dos Anjos. “Além da catequese aos índios, prestava serviços educacionais e assistenciais aos colonos. O objetivo era manter a coesão dos colonizadores através da religião, evitando que fossem absorvidos pela cultura nativa. Anchieta foi designado para a Missão de São Vicente, aonde chegou em 24 de dezembro de 1553. Sua atuação junto aos índios foi intensa; profundo conhecedor da língua e da cultura indígena, chegou a elaborar uma gramática tupi.” [Fonte: 30 Anos em Prol da Cultura – Instituto Histórico e Geográfico Bertioga – Guarujá – 1958 -1988]. Em 1966, em homenagem ao Padre Anchieta, foi rezada uma missa com mais de mil velas acendidas por caiçaras e moradores da região.


Hans Staden

Marcio MaSULa

acervo ihg de SanToS

Alemão que residiu no Forte São Felipe, caiu nas mãos dos Tupinambás onde ficou cativo por nove meses. Resgatado pelo navio francês Catherine de Vetteville, escreveu o livro Meu cativeiro com os selvagens do Brasil, publicado em 1557.

Forte - ruínas Forte São Felipe

Armação das Baleias

Livro duas viagens ao Brasil de hans Staden

Thiago aLveS

Thiago aLveS

O Forte São Felipe, já entre os séculos XVIII e XIX, serviu como armação de baleias, uma das bases econômica do Brasil Colônia. No local, havia tudo o que era necessário para a produção do óleo de baleia: baleias, madeira, água potável, e foi a primeira indústria extrativista da Ilha de Santo Amaro. Por possuírem grande quantidade de gordura em sua estrutura, as baleias foram alvo de caçadas para o fornecimento de combustível para a iluminação de casas, vias públicas, as parcas indústrias, além de servir como matéria-prima para a confecção de argamassa para a construção civil da época. Aqui os ossos serviam para a fabricação de pentes, broches e agulhas, além de outros utensílios.

ruinas da igreja Santo antônio do guaibê

ruinas da igreja Santo antônio do guaibê

Guarujá 13


Histórico

Fortaleza da Barra Grande

capela da Fortaleza da Barra Grande

Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande Com a vinda até a baía de Santos do corsário inglês Edward Fenton e sua esquadra – formada por uma nau e dois galeões, em dezembro de 1583 –, o rei da Espanha e de Portugal, Felipe I, viu a necessidade urgente de se construir uma fortaleza no canal da entrada de Santos a fim de proteger o porto e a Vila. Nesse período, o litoral brasileiro era constantemente atacado por piratas e corsários. Então, em 1584, o almirante espanhol Diogo Flores Valdez construiu a imponente obra com areia de sambaqui, pedras e óleo de baleia onde hoje ainda reina soberana. Várias defesas foram feitas a partir desse núcleo bélico até o ano de 1893, sua última empreitada, na Revolta da Armada comandada pelos almirantes Custódio de Melo e Saldanha da Gama contra as medidas de abertura para os civis no Governo Federal, tomadas pelo presidente Floriano Peixoto.

14 Cidade&Cultura

Mosaico de Manabu Mabi - Vento Vermelho

Em 1905, o Ministério da Guerra desarmou a fortaleza. Atualmente, está aberta a visitantes, que devem agendar com a Secretaria de Turismo da cidade. Podemos fazer uma volta ao passado, não só no edifício restaurado, mas também nas trilhas até o caminho da casa de armas,

embrenhando-nos mata adentro. Na capela, o valioso mosaico de vidro do artista Manabu Mabe, intitulado Vento Vermelho, deixa clara a importância desse monumento para a história nacional: ‘‘Eu me empenharei muito para poder deixar minha obra neste lugar tão maravilhoso”.

Fortim do Góes Localizado na Praia do Góes, foi construído em 1767 por Morgado de Matheus durante o governo do capitão-general D. Luiz Antonio de Souza Botelho Mourão, para impedir o desembarque, por terra, à Fortaleza da Barra Grande. No fim do século XIX, já não havia mais armamentos. Hoje, ainda podemos ver parte da edificação ao lado direito da praia. “Este Forte foi chamado algumas vezes de Forte da Cortadura. (...) Em um corte feito no morro e acasamatado que, saindo da Fortaleza Grande, ia até o portão da cortadura (em estilo espanhol) e, dali, descendo, vinha até este forte, sob a proteção de um muro alto, semelhante ao anterior.” [Fonte: História de Santos de Francisco Martins dos Santos – Poliantéia Santista. Fernando Martins Lighti.]

FOTOS MarciO MaSULa

ruína da casa de armas da Fortaleza da Barra Grande


rEPrODUÇÃO

Forte da Vera Cruz

Fortaleza de Vera cruz

Terceira fortificação construída na Ilha de Santo Amaro, o Forte Itapema, da metade do século XVI, primeiramente chamado Forte do Pinhão da Vera Cruz, teve como primeiro capitão o primo de Brás Cubas, Francisco Nunes Cubas. “Essa bateria deveria ser apenas uma ‘casa forte’ ou reduto, armado com primitivas bocas de fogo constituídas de bombardas, falcões e falconetes. A invasão de Thomas Cavendish em 1591, que entrou pela Barra Grande de Santos, mostrou a ineficiência desses dois pontos fortificados isolados na Ilha de Santo Amaro.” Transformou-se em uma das principais fortificações do litoral brasileiro, com mapas datados de 1670 em destaque, que podemos encontrar na mapoteca do Itamarati. Sob a influência direta de Torquato Teixeira de Carvalho, sargento-mor da Fortaleza, em 1723, foi feita uma reforma profunda na edificação e também nas provisões bélicas. Já em 1830, o Marechal Daniel Pedro Muller descreveu as provisões da fortaleza da seguinte maneira: em tempo de guerra, uma guarnição composta de 1 oficial superior, 2 inferiores, 8 artilheiros, 24 serventes-artilheiros e 20 soldados de infantaria. Após essa data o que vemos é, aos poucos, o seu desuso e, em 1883, a edificação sofreu um incêndio. “A planta semicircular primitiva, definida pela rocha arredondada natural que servia de embasamento (itapema), foi incorporada ao novo projeto de Silva Paes, que procurou transformar o antigo reduto em baluarte circular único.” No ano de 1905, por meio da Intendência Geral da Guerra, a fortaleza passou ao domínio da Alfândega, que construiu uma torre de 14 metros de altura para a instalação de holofotes como posto de observação para combater o contrabando. [Fonte: Arquitetura Militar – Um Panorama Histórico a Partir do Porto de Santos, Victor Hugo Mori, Carlos A. Cerqueira Lemos e Adler H. Fonseca de Castro.]

Por muitos anos, o Guarujá foi um povoado voltado para a pesca e a agricultura, com sua geografia composta de muitos morros dificultando a colonização. Foram construídos engenhos de cana de açúcar em vastos sítios como o da Glória, de propriedade do Sr. Miguel Francisco Bueno; no sítio da família Botelho de Carvalho; no da família Andrada; na fazenda Perequê de propriedade do escravagista Valêncio Augusto Teixeira Leomil, entre outros. Foi apenas no final do século XIX, com a instalação do transporte que ligava Santos à cidade, que o turismo foi surgindo.

Percival Farquhar Americano nascido em 1864, atuou principalmente na América Latina como engenheiro. Foi vice-presidente da Atlantic Coast Electric Railway Co. e da Staten Island Electric Railway Co., que controlavam o serviço de bondes em Nova York. Foi também sócio e diretor da Companhia de Electricidade de Cuba e sócio e vice-presidente da Guatemala Railway. No Brasil, foi o responsável pela construção da Ferrovia Madeira- Mamoré, no estado de Rondônia, obra considerada impossível de se fazer e que até se tornou tema de minissérie de televisão. Guarujá 15


Histórico Companhia Balneária da Ilha de Santo Amaro Elias Pacheco Jordão era engenheiro civil e, em 1892, foi constituída a Companhia Balneária da Ilha de Santo Amaro, ficando como presidente o Dr. Elias, com a intenção de instalar a Vila Balneária do Guarujá. A Companhia foi fundada em 1887, numa associação de duas importantes famílias, os Prado e os Chaves, que formavam a empresa Prado, Chaves e Cia., que planejou uma vila balneária na praia de Pitangueiras, encomendada dos Estados Unidos, composta de um

Grande Hotel de La Plage 1912 - Livro Guarujá História e Fotografias de Geraldo Anhaia Mello

Cabine fixas troca de roupas Livro Guarujá História e Fotografias de Geraldo Anhaia Mello

FOTOS REPRODUÇÃO

Crianças brincando na Vila de Prado Chaves - Acervo Secretaria de Turismo de Guarujá

Chalés de madeira pré fabricados em Rhode Island, EUA em Ptangueiras - Livro Guarujá História e Fotografia de Geraldo 16 Cidade&Cultura Anhaia Mello

Balsa Guarujá-Santos

hotel, com o nome La Plage (o “Grand Hotel La Plage” foi consumido por um incêndio em 1897, sendo substituído por outra construção mais tarde), uma igreja, um cassino, 46 chalés residenciais desmontáveis, água, esgoto, luz elétrica, uma via férrea até a praia de Pitangueiras batizada de “Tramway do Guarujá”, e o serviço de trânsito náutico na travessia do canal de Santos. Com tudo feito e arrumado, essa infraestrutura foi inaugurada em 2 de setembro de 1893, dia que foi marcado como a data da fundação do Guarujá. Na década de 1910, a Cia. Prado Chaves foi vendida ao americano Percival Farquhar e passou a se chamar Companhia Guarujá que, em 1912, inaugurou o Grand Hotel de La Plage, um marco no turismo de luxo brasileiro, composto de quatro edifícios servidos por elevadores, 220 apartamentos, muitos deles com terraço de frente para o mar, e telefone em todos os apartamentos. Havia também um pavilhão para banhistas com 100 cabines, um local para o exercício de ginástica sueca, duas piscinas de água doce, dois parques junto às áreas ainda florestadas, além de um jardim zoológico. Em 1882, iniciou-se a construção da ferrovia cujo curso era do porto do Itapema à praia de Pitangueiras, com uma extensão de 9 km. Não podemos esquecer que, naquela época, a cidade de Santos era concentrada na área do Porto, ou seja, não havia nada no bairro que hoje se chama Ponta da Praia. Então, é lógico que o início dessa ferrovia se dava na ponta do bairro atualmente chamado Vicente de Carvalho. As barcas a vapor, denominadas Cidade de Santos e Cidade de São Paulo partiam do Valongo, em Santos, e atracavam no Itapema (esse trajeto demorava 40 minutos), onde ficava a primeira estação. A segunda estação era a Bento Pedro e a terceira, Guarujá, na Praia de Pitangueiras. Esta última estação tinha cafeteria, tabacaria e barbearia. Também construiu-se um ramal que ia até o bairro Santa Rosa.


Histórico

Edifício Monduba - Livro Guarujá História e Fotografias de Geraldo Anhaia Mello

Forte dos Andradas Foi inaugurado em 1942, em uma área de 2,1 milhões de m², nas terras de Benedito Bueno e sua mulher, Rosa Maria Leite. Última a ser construída no Brasil, essa fortificação tinha o objetivo de ser a principal defesa da entrada da Baía de Santos. Era de localização estratégica, no alto do Morro do Monduba (monduba significa ruído estrondoso provocado pelo choque das ondas nas pedras), com 300 metros de altura. O primeiro nome do Forte foi 5° BIAC – Bateria Independente de Obuses de Artilharia da Costa. Contava com uma eficiente bateria composta de um túnel com 400 metros de extensão que abrigava as antigas câmaras de tiro e elevadores para levar a munição até o alto do morro. Hoje, a Bateria Comando da Segunda Brigada Mista é a base da 1ª Brigada de Artilharia Antiaérea. Com visitas monitoradas, podemos desfrutar das praias do Monduba e Bueno, isoladas e com uma vista maravilhosa.

Vicente de Carvalho

FOTOS REPRODUÇÃO

No início do século XX, existiam apenas dois núcleos na região: Bocaina e Itapema (ita = pedra; pema = pedra lascada). Na Bocaina, moravam os mais simples, pescadores e trabalhadores do porto e também do atracadouro das barcas. Já em Itapema, moravam os que tinham maiores posses, e operavam os clubes náuticos, como o Clube Internacional de Regatas e o Clube de Regatas Saldanha da Gama, que abrigavam suas embarcações ali e mantinham as sedes sociais com seus salões de baile e de jogos, e também os famosos convescotes. Essas agremiações também realizavam competições extremamente concorridas. Em 1937, o Clube Internacional vendeu sua área para a Companhia Docas de Santos. O Itapema, onde os turistas enfrentavam os manguezais, era o caminho para a concorrida Praia de Pitangueiras. No final da década de 1920, Bocaina foi totalmente tomada pela Base Aérea e em grande parte do Itapema foi construída a Companhia Wilson & Sons, dona de estaleiros na região. Já nas décadas de 1940 e 1950, o Itapema passou a ter mais residentes do que o restante do Guarujá. Então, em 1953, Itapema foi elevado a distrito, sob o nome de Vicente de Carvalho, ainda que sob o protesto dos moradores. Com a proibição do jogo no Brasil, o destino da maioria dos turistas mudou e, em busca de outras formas de lazer, passou a buscar as praias. Isso impulsionou de forma significativa a vida da cidade, quando surgiPraia de Pitangueiras - Acervo Secretaria de Turismo de Guarujá ram os primeiros empreendimentos do setor imobiliário, começando pela praia de Pitangueiras, depois Astúrias e Enseada. Além de prédios com mais de dez andares, as mansões predominam na orla. Ter um imóvel na cidade era símbolo de riqueza.

18 Cidade&Cultura

Mário Ribeiro e Raquel de Castro Ferreira Entre 1918 e 1920, a cidade do Guarujá sofreu com a gripe espanhola. Sem médicos na cidade, Mário Ribeiro, farmacêutico, tomou nas mãos a árdua tarefa de ajudar os enfermos. Na maioria das vezes, ele nem cobrava e muitos iam se tratar em sua própria casa. Assim como Mário, Raquel de Castro Ferreira, primeira professora de Guarujá, tinha uma escola rural e também colocou as mãos na massa para ajudar pais e alunos contra a gripe avassaladora. O primeiro médico a chegar à cidade, em 1919, foi o Dr. Arthur Costa Filho.

Curiosidades da época “Lá vinha o teco-teco, avião monomotor, comum nas décadas de 1930 e 1940. Estava preparando o pouso. À medida que se aproximava da terra, balançava de um lado para o outro, como um pato andando. A pista era toda a extensão de areia da Praia de Pitangueiras, que ficava vazia em tais ocasiões. Ninguém queria ser atropelado por aquela geringonça. Mas, o que estavam fazendo aqueles três homens? Assim que o avião encontrava-se a poucos metros do solo, eles dirigiram-se para a pista. Levavam cordas nas mãos, com laços nas pontas. A aeronave já estava taxiando. Aproximava-se dos homens que, em gestos rápidos, lançavam-lhes as duas asas e a cauda, segurando-o como se segura um touro no pasto. Era assim mesmo que se parava o teco-teco em Pitangueiras. Evitando que ele se precipitasse no mar ou ficasse atolado em um banco de areia.” [Fonte: Pérola ao Sol. Mônica Damasceno e Paulo Mota.] Fontes consultadas: Guarujá, Três Momentos de Uma Mesma História – Angela Omati Aguiar Vaz História de Santos e Polianteia Santista – Francisco Martins dos Santos Pérola ao Sol – Mônica Damasceno e Paulo Mota Site: www.novomilenio.inf.br


em lugares tão longíncuos

A Ilha de Santo Amaro, onde está situada a cidade de Guarujá, teve seu nome devido à capela construída por José Adorno, em homenagem ao Santo. Provavelmente essa edificação ficava na praia de Santa Cruz dos Navegantes, no ano de 1545. Após mais de 300 anos de adoração a Amaro, este vira padroeiro da Cidade. No início da construção planejada na Praia de Pitangueiras, foi erguida uma capela em nome de Santo Amaro e esta foi vítima do grande incêndio que ocorreu em 1929. Por milagre, a única coisa que se salvou da igreja foi justamente a imagem de Santo Amaro, resgatada pelo heroico Atílio Gelsomini. Como não havia ainda um lugar determinado para se construir uma nova capela, o comerciante Ricardo Fidela quis, com recursos próprios, erigir outra, mas com veneração a Nossa Senhora de Fátima e que também, esta deveria ser a Santa Padroeira do município. Então, após muitas discussões o que se viu foi a comunhão dos interesses religiosos e por fim uniu-se os Santos. A Matriz, que foi erguida, em 1957, no coração da praia de Pitangueiras com dois santos padroeiros, Santo Amaro e Nossa Senhora de Fátima e a cidade possui duas datas comemorativas: 15 de janeiro, dia de Santo Amaro e o último domingo de maio, dia de Nossa Senhora de Fátima. O nome da Matriz? Paróquia Nossa Senhora de Fátima e Santo Amaro. Onde: Praça da Matriz, 1 – Pitangueiras 20 Cidade&Cultura

ThiagO alves

Fé, o alimento da alma

ThiagO alves

Religiosidade


Santo Amaro nascido em Roma, 512, filho de senador romano, aos 12 anos teve uma epifania, e quis entrar para um mosteiro. Seu pai então levou Mauro (assim era seu nome), para a tutela de Bento de norcia – fundador da Ordem Beneditina. O mosteiro em que estudou foi o Subiaco. Um dos primeiros atos milagrosos de Amaro foi o salvamento de seu primo Plácido que estava se afogando no rio. Amaro saiu correndo e, tentando desesperadamente chegar ao rio, ele nem percebeu que estava andando literalmente sobre as águas do mesmo. Pregou a fé junto com São Bento em muitos países da Europa e veio a falecer em 584, quando foi acometido por uma peste. Está enterrado na Igreja de São Martinho e suas relíquias estão na cripta do Mosteiro de Montecassino, Itália.

Capela Nossa senhora imaculada aparecida na Praia Branca

Don Domênico Rangoni

Capela são Paulo Praia da enseada

FoTos MaRCio MasUla

vigário da Paróquia nossa Senhora de Fátima e Santo Amaro entre os anos de 1954 a 1976, recebeu o título de Cônego por meio de Dom Idílio José Soaestatua em res. nasceu em Bologna, homenagem a Itália e foi ordenado saDon Domênico cerdote em 1938, na Catedral de Turim. Desenvolveu um significativo trabalho social na cidade de Guarujá, onde inaugurou a Matriz, construiu as Capelas de Cristo Rei, São Pedro, São Paulo e fez melhorias na de vicente de Carvalho. Construiu também o primeiro Pronto Socorro da cidade, a creche ninho Maternal, uma maternidade com 100 leitos que daí surgiu o Hospital Santo Amaro. na parte pedagógica, fez o Centro Educacional Don Domênico, composto de biblioteca, ensinos fundamental e médio e a Faculdade Don Domênico. Morreu em 1987, em São Paulo.

imagem de são Pedro na gruta da ilha das Palmas

Capela de são Pedro na Praia do Perequê

Guarujá 21


Religiosidade Tivemos o imenso prazer e a oportunidade de conhecer Padre Hugo Guarniere que nos recebeu com a calma e a tranquilidade de um homem de 92 anos, que tem em seu semblante o ar de quem tudo fez por seu semelhante. Começando essa entrevista, diz: “conheço razoavelmente a vida”. E não é para menos, esse homem foi capelão da Penitenciária de São Paulo – Carandiru, trabalhou na FEBEM, foi professor de Filosofia, primeiro secretário da Faculdade de Lorena e mais tantas coisas, que fica difícil de relatar aqui neste espaço. Após ser pego por um tumor no osso do braço, Padre Hugo pediu para ser transferido a um lugar mais tranquilo. Este foi o Guarujá. Administrando uma Paróquia envolvendo 12 comunidades localizadas do “lado de fora da Ilha” até a Prainha Branca, ele e mais dois sacerdotes se desdobram para levar a palavra do Santíssimo aos mais necessitados. De uma clareza e lógica realista, Padre Hugo é uma dessas grandes personalidades que devemos conhecer.

Lar Espírita Cristão Elizabeth “Jesus é vida, na vida de cada um...” Com a união fraterna de amigos que constantemente visitavam a Vila Baiana, praia da Enseada, para fazerem doações de alimentos e roupas, local este de extrema necessidade devido às condições precárias em que a população vivia, resolveram, em 1977 , o senhores João Elias e Fernando Kunyo Isobata, fundar o Lar Espírita Cristão Elizabeth, com o objetivo de dar maior assistência aos que ali residiam. Todos os dias o Lar oferece o chá, pão com manteiga e a sopa fraterna, banho para os moradores de rua, atendimento psicológico e assistência social, corte de cabelo, cursos como balé, informática, farmácia, música, violão, piano, padaria, garçom, jiu-jitsu, futebol, curso para gestante, além da evangelização para crianças e mocidade. Possuem creche, reforço escolar e restaurante popular. Com o tempo, muitos foram os acolhidos e atualmente assistem a 30 mil pessoas.

22 Cidade&Cultura

FOTOS MarciO MaSula

Padre Hugo Guarniere


Religiosidade

Ilê Axé Oiá Messã Orun

Pai Bobó “No ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1950, chegava do Rio de Janeiro, trazido pela senhora Francisca Maria de Jesus (MENAKENÃN) o senhor José Bispo dos Santos (PAI BOBÓ) aqui em terras da Baixada Santista. Homem de simplicidade ímpar, analfabeto, porém de sabedoria incontestável. Mãe MENAKENÃN entregou sua casa e o Axé nas mãos de Pai Bobó que na época, recolhia seus primeiros filhos de santo no Estado de São Paulo, KEUARÊ – LÚDEMBÛ – BONGOGÍ, eram estes os nomes dos nossos primeiros irmãos antecessores do ILÊ AXÉ OIA MESSÃ ORUN. No ano de 1957, Pai Bobó pisava em terras da Ilha de Santo Amaro, onde abriu sua roça, que devido a problemas políticos da época, recebeu o nome de “Centro Espírita de Umbanda Ogum das Matas”. Situava-se este terreiro na Rua Capitão Lessa, esquina com a Rua 8, hoje Barão do Rio Branco. No ano de 1959, Pai Bobó muda-se então para a recém fundada Projetada Vila e Fé inabalável na Rua Júlio Inácio de Freitas s/n°, edificada para a posteridade O ILÊ AXÉ OIÁ MESSÃ ORUM. Em 1977, muda-se para a rua Argemiro Genuíno da Silva esquina com a rua Francisco Desidério no Bairro Pae Cará, onde até hoje permanece e permanecerá graças a OIÁ GUERÊ, para todo o sempre. Fatidicamente, adentramos o ano de 1993, onde no dia primeiro de julho, tristemente o mundo do candomblé se despede do patriarca do ILÊ AXÉ

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OIÁ MESSÃ ORUN, Pai Bobó, para sempre. Pai Bobó OTUN UNLÁ Pai Bobó partia ao encontro de Deus. Com Pai Bobó ia-se um pedaço do coração de cada um de nós seus filhos e que até hoje fica uma lacuna impreenchível. Com júbilo e orgulho por fazer parte desta história, datamos e nos subscrevemos”. Responsável pelo patrimônio: LUÍS CARLOS DA COSTA OBÁ LODÊ; Responsáveis pelo Axé: DONA GRINAURIA LEITE DA SILVA - OMINFA LOIÓ junto com OGAN OMIN LOLÁ e OGAN LUIS OBÁ LODÊ.


Lendas Quem conta um conto, aumenta um ponto

ou cria um enredo? ILUSTRAÇÕES ShUTTERSTock

O Dragão “Robert Louis Stevenson, autor do famoso “A Ilha do Tesouro” descrevia o local onde o tesouro fora enterrado como uma ilha com o formato de um dragão. A Ilha de Santo Amaro tem exatamente o formato de um dragão alado, com a cabeça ao Sul, formada pelas praias do Tombo, Guaiúba e Santa Cruz dos Navegantes, as patas nas penínsulas do Monduba, Galhetas, Santo Amaro, Mar Casado e Perequê, a Leste. O rabo na Serra do Guararú, encostado em Bertioga ao Norte, e a asa crescendo até o Itapema, ou Vicente de Carvalho, a Oeste...” Fonte: livro “Guarujá História e Fotografia” – Geraldo Anhaia Mello

REPRoDUÇÃo

Monge franciscano “Conta-se que no sopé do Morro do Tejereba, na face que dá para os lados da Vila Julia, Havia um mosteiro, habitado por monges franciscanos e o povo dizia que eles acumulavam grandes fortunas em ouro e joias. Um dia, um dos monges foi encontrado morto, na areia externa do convento - fora degolado. O fato causou grande consternação e, pouco tempo depois, o mosteiro foi desativado. Aí termina a história e começa a lenda. Dizia-se que quem andasse à noite pelo local onde existia o convento, deparava-se com o fantasma do monge assassinado, que ficava rondando por ali, protegendo um possível tesouro enterrado. E a imagem era mais assustadora ainda, quando se constatava que o fantasma não tinha cabeça”. Fonte: livro “Pérola ao Sol” – Mônica Damasceno e Paulo Motta.

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Farol da Moela Diz a lenda que, durante a noite, nas paredes brancas do farol, são refletidos vultos de pessoas, que, segundo os mais antigos, são os fantasmas dos escravos que trabalharam na construção do farol e lá morreram, sendo enterrados longe de sua gente. Sempre que tem um visitante na ilha, eles aparecem com a intenção de pegar uma carona para voltar ao continente.


Enseada dourada Guaiúba era uma praia muito bonita, onde viviam antigos pescadores, alguns deles quase centenários, que conservavam as tradições do lugar contando estórias que vinham de seus avós. Ricardo Jorge, um dos mais velhos ali nascidos, afirmava que quem passasse de canoa pelas proximidades da praia, não podia gritar ou falar alto, pois se fizesse, a canoa virava no mesmo instante, fato experimentado por muita gente e só o velho pescador, com mais de 90 anos conhecia os motivos deste segredo. No primeiro século do Brasil, os jesuítas chegaram à ponta da ilha de Santo Amaro, no sítio “dos Macacos” e construíram uma casa e um posto de catequese para ensinar as primeiras letras, números e catecismo aos cunhãs, cinhatãs e curumins (meninos e meninas indígenas). Com o passar do tempo, a casa dos padres foi crescendo, a ilha se tornou um reino espiritual e social, onde eles, esquecidos do resto do mundo, viviam felizes em Monduba-mirim, um paraíso à beira mar e cercado por florestas. Um dia, um inglês ferido apareceu na praia, muito debilitado, pedindo socorro e os curumins chamaram os padres para socorrê-lo. Delirando por causa da febre, o náufrago parecia cheio de terror dizendo que os piratas estiveram ali perto em uma ilha e enterrado um tesouro e que o Almirante havia fuzilado todos os homens e ele havia se jogado ao mar. Ao fim de um mês, se recuperou. Taylor, seu nome, primeiro corsário do Almirante Cavendish, pediu aos jesuítas que lhe arranjassem um emprego longe daquele lugar e em pagamento ele os levaria onde o tesouro estava e dividiria e imensa fortuna. Os padres ficaram muito tentados com a proposta e o mandaram para São Paulo de Piratininga, onde o marinheiro montou sua oficina de ferraria, soldas e fundição e se

casou com a filha de um português. Sentindo prolongarse demais a espera pelo corsário, os padres resolveram procurá-lo nos campos do planalto. A casa foi encontrada, mas Taylor não estava e perguntaram a sua esposa se ela sabia algo sobre o tesouro. A moça, muito assustada com a visita, entregou o mapa aos jesuítas. Quando Taylor retornou, ela contou o ocorrido e ele partiu imediatamente para o litoral encontrando o sítio “dos Macacos”, estranhamente vazio. Os jesuítas de posse do roteiro reuniram o material necessário e os índios para chegarem à ilha assinalada no mapa. O tesouro foi achado sob a laje grande da ilha, e várias urnas encheram todas as canoas. Uma tempestade assustadora se formava no céu, fazendo com que os índios petrificados com tantos relâmpagos, trovões, raios e ventos fortíssimos, remassem firmemente para atingir as areais da praia. As pesadas canoas, subiam e desciam sobre os vergalhões com os padres rezando, não havia outra coisa a fazer. Prevendo um desastre, os padres pediam perdão pelo surto de ambição. Remando desesperadamente, já viam a ponta rochosa do Monduba-mirim. Neste mesmo instante, o ex-corsário inglês, viu da praia um enorme vergalhão descontrolado, que engoliu as canoas e o atingiu no costão, levando-o ao mar. No dia seguinte, passada a tempestade, os índios procuraram em vão seus entes queridos na praia, sem encontrá-los, mas viram com grande espanto, um manto de ouro que cobria a areia no fundo da enseada e gritaram: - GUAIÚBA........GUAIÚBA.....(a enseada está dourada). A marca do ouro imprimiu a pureza num lugar onde nem todos podiam vê-la, só os que amassem e fossem capazes de ver nela um castigo àqueles que foram tentados pela ganância. Assim interpretaram os índios locais, repetindo daí por diante o grito dos indígenas que acharam ouro e nomearam a praia: GUAIÚBA.

A mangueira “Em Vicente de Carvalho, as mulheres que passavam por uma mangueira, situada no centro do antigo Itapema, tinham suas roupas levantadas violentamente, mesmo que não houvesse qualquer golpe de vento. E isso ocorria principalmente à noite ou no lusco-fusco. Mas, não era só essa irreverência que se registrava por ali. Se o passante era um homem – portanto, sem saias para se levantar, havia outra espécie de provocação: seu chapéu era jogado longe... Por volta de 1923, um homem enforcou-se na mangueira... a mangueira foi derrubada no início da década de 40.” Fonte: livro “Pérola ao Sol” – Mônica Damasceno e Paulo Mota. Guarujá 27


A riqueza cultural

Roda de Capoeira

brasileira em uma ilha Associação de Capoeira Grupo Senzala O capoeirista Alberto José de Freitas, mais conhecido como “Mestre Sombrinha”, reside em Guarujá desde 1968 e há mais de 20 anos transmite seus conhecimentos no esporte, para crianças, jovens e adultos, na Associação de Capoeira Grupo Senzala, em Vicente de Carvalho. O esporte começou a fazer parte de sua vida quando ele era apenas um garoto. Aos 10 anos, mesmo sem conhecer os nomes dos golpes, já treinava com os amigos em Itajuípe, na Bahia. Em 1964, Sombrinha deixa sua cidade natal e quatro anos depois chega em Guarujá. Aqui, ele conheceu “Mestre Sombra” e, em 1980, inaugurou a Associação de Capoeira Grupo Senzala. Desde então, Mestre Sombrinha já foi inúmeras vezes para os Estados Unidos participar de encontros e conferências sobre a modalidade. Com a capoeira aprendeu muito mais do que se esquivar dos adversários. Ao invés disso, o professor vê no esporte uma importante ferramenta para lutar pela preservação da cultura afrobrasileira e reduzir as desigualdades sociais. O professor, hoje conta com muitos alunos e trabalha com pessoas de todas as idades. Segundo ele, já a partir dos dois anos de idade é possível começar a aprender os primeiros golpes desta arte marcial de origem africana. 28 Cidade&Cultura

FOTOS MARCIO MASULA

Folclore


Grupo Reisado Sergipano Bumba Meu Boi Fundado em 1973, pelos saudosos Mestre Zacarias e a Baronesa Esther Karwinsky. O Grupo de Guarujá, hoje coordenado por Edmilson Epifânio Mendes, busca reproduzir as tradições dessa dança de origem europeia que se instalou em Sergipe, nordeste brasileiro, no período colonial. Reisado é uma dança natalina em comemoração ao nascimento do menino Jesus e em homenagem aos Reis Magos. Antigamente era dançado às vésperas do Dia de Reis, estendendo-se até fevereiro para o ritual do “enterro do boi”. Atualmente, o Reisado é dançado também em outros eventos e em qualquer época do ano. É formado por dois cordões que disputam a simpatia da plateia e são liderados pelos personagens centrais: o “Caboclo” ou “Mateus” e a “Dona Deusa” ou “Dona do Baile”. Também se destaca a figura do “Boi”, cuja aparição representa o ponto alto da dança. Os instrumentos que acompanham o grupo são o violão, sanfona, pandeiro, zabumba, triângulo e ganzá. O Reisado tem como característica o uso de trajes de cores fortes e chapéus ricamente enfeitados, com fitas coloridas e espelhinhos.

AFAG Associação de Folclore e Artesanato de Guarujá “Baronesa Esther Karwinsky” - AFAG foi constituída em 1977, como entidade sem fins lucrativos, com o objetivo de divulgar o folclore nacional e a cultura popular, promover pesquisas folclóricas, publicações e apoiar grupos folclóricos autênticos e artesãos locais e regionais. A AFAG foi presidida desde a sua criação até o ano de 2003, pela sua fundadora Baronesa Esther Sant’Anna de Almeida Karwinsky que contou com

a preciosa participação da saudosa Marlene Maria dos Reis Rodrigues que foi uma das grandes incentivadoras da divulgação da cultura afro. Posteriormente, no período de 2004 a 2007, pela professora Célia Gonçalves e, atualmente, pela produtora cultural, Sônia de Oliveira Lima, filha de tradicional família de Vicente de Carvalho, que por sua trajetória profissional, tornouse membro da AFAG e, junto com a diretoria, trabalha com muito afinco e dedicação, visando o fomento e a divulgação do folclore nacional, regional e local.

Guarujá 29


FOTOS MARCIO MASULA

Folclore

Grupo Folclórico da Melhor Idade Grupo formado por senhoras da “Melhor Idade” que, em suas apresentações, buscam resgatar as raízes de nossa história através da dança, além de elevar a autoestima de todas as participantes. A coordenação, coreografia e figurino ficam a cargo da conhecidíssima Dadá, que pesquisa e estuda o tema a ser desenvolvido para representá-lo com a maior

fidelidade possível. Na época da escravidão, os coronéis enriqueciam com suas fazendas de café, a custa do árduo trabalho dos negros. Estes, para espantarem o cansaço e dor de seus corpos, cantavam e dançavam quando estavam plantando e colhendo o café. A festa da colheita era um acontecimento muito festejado e alegre, um momento em suas vidas onde podiam cantar e dançar livremente entre eles até o amanhecer. E foi assim que começou a se configurar essa tradicional dança, onde a coreografia se baseia em exprimir todo o sofrimento desse trabalho até o momento em que eles peneiram o café.

Baronesa Esther Sant’anna de Karwinsky Conhecida carinhosamente como Baronesa Esther, nascida em Brodosqui, interior de São Paulo, formou-se em Direito pela Universidade Católica de Santos, mas seguiu os estudos por sua paixão: o folclore. Se aperfeiçoou em cursos no Brasil, França e México e participou de importantes congressos e festivais pelo mundo. Em 1968 recebeu a honrosa missão de ser representante da Comissão Estadual de Folclore em Guarujá e mergulhou numa abrangente pesquisa sobre o Folclore da Ilha de Santo Amaro, conhecendo os jovens e idosos e suas histórias. De posse de tanto material, organizou a Primeira Semana do Folclore no Guarujá e a partir daí

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se dedicou inteiramente ao tema. Em 1972, fundou a AFAG, Associação de Folclore e Artesanato de Guarujá, entidade que ganha notoriedade em eventos relacionados e o festival entra no calendário de eventos da cidade. Foi membro ativo de diversas comissões de folclore no Brasil e em vários países. Dedicou-se por mais de 30 anos como pesquisadora nacional e internacional à cultura popular e, pela importância de seu trabalho, recebeu em dezembro de 1997, o título de Cidadã do Guarujá. Faleceu em dezembro de 2003 deixando um legado de conhecimento científico registrado em importantes livros escritos ao longo de sua proveitosa vida.


Ciganos Originários da Índia chegaram ao Brasil em 1574, com João Torres, no Rio de Janeiro, sem dizer que eram ciganos expulsos de Portugal e enviados às colônias. Com o fim da Primeira Guerra Mundial, 1918, considerado número de famílias ciganas imigraram dos países do Leste Europeu e se estabeleceram comerciando burros, cavalos, vendendo artesanato de cobre e se apresentando em circos, vivendo em barracas e praticando o nomadismo. Mapeados pela primeira vez no Censo de 2010, são 800 mil ciganos encontrados nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste. Os ciganos são organizados em grupos: os Calon e os Rom, que estão no Brasil em subgrupos denominados Rom: Kalderash que se dizem “puros”, alguns ainda nômades, trabalhando no comércio de carros e as mulheres na quiromancia e cartomancia; Macwaia ou Matchuai, vindos basicamente da Sérvia, vivem sedentários em grandes cidades; Horahane, de origem turca ou árabe, com atividades semelhantes aos Matchuaias; Lovaria, um grupo de poucas pessoas que se dedica ao comércio e à criação de cavalos e é basicamente sedentário; e os Rudari, também em número reduzido, dedicados ao artesanato de ouro e madeira, sedentários. Recentemente foi instituído o Dia Nacional do Cigano, comemorado em 24 de maio, em homenagem à sua padroeira, Santa Sara Kali; a criação do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR) e a publicação de uma cartilha de direitos da cidadania cigana. Para o povo cigano é muito importante o sentimento de pertencer a um grupo, a um clã ou tribo e o cumprimento do código da etnia. Os seus dialetos (romani, sinto, caló entre outros) são ágrafos, ou seja, não possuem escritas e o nomadismo, reconhecido como uma referência da identidade cigana.

Tivemos um imenso prazer de sermos recebidos na casa de Cléo, cigana de origem Kalderash, que foi criada dentro das normas deste povo, cujo idioma que fala é o Romani. Cléo nos fala do enorme preconceito que ainda existe em relação ao seu povo e confundem suas tradições como se fossem adeptos a uma seita religiosa. O que não é uma verdade. O “ser cigano” é pertencer a uma nação, mesmo que esta não exista geograficamente. As tradições são seguidas e mantidas pela união das comunidades espalhadas pelos países e mantidas por meio de suas matriarcas que passam seus ensinamentos para as novas gerações, como a cartomancia e quiromancia. A nação cigana foi reconhecida pela ONU e, em 1971, sua bandeira foi oficializada. Portanto, o povo cigano está lutando pelos seus direitos, muito reprimidos até pouco tempo, e por meio de festas populares, tentam demonstrar que são pessoas normais, que pagam seus impostos e principalmente, mostrar suas histórias de luta e de sobrevivência. O que sentimos, foi um grande orgulho do ser cigano e poder, junto à Santa Sara prosseguir com o objetivo de unir os povos e quebrar os preconceitos inconsistentes. Guarujá 31


FOTOS MARCIO MASULA

Folclore

Afoxé Motumbaxé O grupo Afoxé Motumbaxé, que em língua africana significa “afoxé” – dançando e cantando e “motumbaxé”- abençoados, foi fundado em 2009 por Fábio Eduardo, Adônis Xavier e Wilson Barbosa, três amigos preocupados em difundir a riqueza da cultura, a religião e os conhecimentos africanos deixados por seus

Associação Afroketu Desde 2001 a Associação Afroketu atua no bairro Morrinhos, incentivando seus alunos a conhecerem e entenderem a cultura afro-brasileira. Com um repertório de danças bem montado e com figurino colorido e muito bem acabado, os participantes do grupo fazem suas apresentações em eventos promovidos pela AFAG, Secretaria do Meio Ambiente, Conselho Municipal da Comunidade Negra de Santos e também a pedido de outros municípios da região. Todo o trabalho do Grupo é realizado mediante pesquisas e estudos sobre as raízes africanas da cultura brasileira.

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ancestrais em nossa sociedade. Hoje o grupo conta com mais de 300 membros que se reúnem para os ensaios na casa de candomblé Asé Obirin Odé e expressam sua cultura através da dança em desfiles e apresentações em várias cidades da Baixada Santista. O Afoxé Motumbaxé é o grupo que abre e fecha os desfiles de carnaval, abrindo passagem para as escolas de samba.


Hotéis

REPRODUÇÃO

Hotel Orlandi Situado no promontório que divide as praias de Pitangueiras e Astúrias, o Hotel Orlandi foi a marca registrada da tradição turística da cidade do Guarujá. Mesmo antes de sua construção, já havia no local o Hotel Recreio das Pedras, com fotos que datam de 1909. Mais tarde, em lugar da simplicidade, o local recebe a construção do imponente Edifício Sobre as Ondas.

Tradição, luxo e lazer Com vocação natural para o turismo, o Guarujá, desde tenra idade, se propôs a receber bem, em lugares de magnífica beleza. Hotel Jequitimar

Jimmy BaikOviCiUs

“Jorge e Marjory da Silva Prado, grandes empreendedores dos anos 1950, com diversos negócios próprios, faziam parte da elite paulistana que participava das festas e temporadas de verão no balneário. Em seus passeios pelo Guarujá, o casal encantou-se com o sítio e resolveu comprar o terreno para transformá-lo em um grande loteamento. O casal vislumbrou todo o projeto do empreendimen-

to e construiu um pavilhão, além de uma casa e um clube de golfe. Marjory da Silva Prado passou a receber muitos amigos nesse espaço, que se tornou a semente do futuro hotel. A inauguração do Hotel Jequitimar aconteceu logo após o falecimento de Marjory. Um hotel confortável e espaçoso, situado num local cuja beleza seduzia hóspedes do mundo inteiro. O nome “Jequitimar” havia sido escolhido por Marjory, que conheceu no país a

árvore de nome exótico, o jequitibá. Em pouco tempo, o Hotel Jequitimar tornou-se um marco na história do Guarujá, com a presença de personalidades como a princesa Ira Von Furstenberg, o embaixador americano Charles Elbrick, o governador Abreu Sodré, Pelé, Emerson Fittipaldi e os atores Kirk Douglas, Elza Martinelli e Florinda Bolkan. A partir de 1977, o hotel passou a ser administrado por Veridiana Prado, filha de Marjory e Jorge da Silva Prado. Veridiana voltou da Europa com a ideia de introduzir alguns conceitos no Hotel Jequitimar, que teve um período de grande procura, até que, em 1997, a família resolveu se desfazer do empreendimento. O terreno foi adquirido pelo grupo Silvio Santos, abrindo caminho para uma nova empreitada: a retomada da história do Hotel Jequitimar com um novo conceito, aliando o glamour e a tradição à contemporaneidade e sofisticação.” Fonte: Divulgação Sofitel Jequitimar

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DIVULGAÇÃO

Shopping Jequiti Guarujá Com um projeto moderno e de padrão internacional, o Shopping Jequiti, único open mall do Litoral, fica aberto 365 dias do ano, inclusive para não-hóspedes do hotel. Oferece lojas diversificadas e, para os visitantes de bom paladar, as sugestões gastronômicas são variadas com restaurantes de diferentes estilos. As opções de lazer incluem happy hour, com música ao vivo e além de um night-club muito concorrido. O Shopping Jequiti é um dos mais completos e atraentes centros de compras e lazer do litoral, com conforto, segurança e diversidade. Faz parte de mais um empreendimento do Grupo Silvio Santos (SISAN). Fonte: Hotel Jequititmar

Ferraretto Hotel

(próxima ao Bar e Restaurante), com paredes ecológicas, que fazem do ambiente mais fresco e o Restaurante Cocar com capacidade para 200 pessoas dividido em três ambientes, sendo um deles o Espaço Externo com vista para um encantador jardim. Como não poderia ser diferente, o Hotel Ferraretto sempre foi ponto de encontro de famosos que procuram um local de extrema qualidade e bom gosto em seus serviços. Daremos uma pequena lista dos que aqui se hospedaram: Paulo Matarazzo, Juca Chaves, o quarteto humorístico “Os trapalhões” (Dedé Santana, Mussum e Zacarias), Ary Toledo, o Grupo É o

Tchan, Banda Cheiro, Asa de Águia, Netinho (axé), Charlie Brow Jr., Mc Guimé, Mc Sapão, os jogadores de futebol Ricardo Rocha, Mauro Silva, Cléber, Dario Pereira, Edu, Sócrates, Palhinha, Marcos Assunção, entre outros. Desde que Walmor teve como objetivo oferecer o que havia de melhor em hotelaria à nata da sociedade paulistana, a cidade conta hoje com um ícone no setor que desbravou e desenvolveu, com charme, o turismo, não só da cidade, mas também do Estado de São Paulo. Guarujá possui muitas pérolas espalhadas em suas terras e essa, com certeza, é uma delas.

FOTOS REPRODUÇÃO

Situado no coração de Guarujá, o visionário e empresário Walmor Caetano Ferraretto, inaugurou, em 1965, o Ferraretto Hotel. Já no coquetel que marcou sua fundação, participaram personalidades influentes como Dom Domênico Rangoni, o músico Caçulinha, o Prefeito Domingos de Souza, o empresário Eduardo Risque, o Presidente da Câmara, Sr. Alcindo José e demais convidados. Essa obra encravada na Praia de Pitangueiras é um marco da evolução do turismo da cidade, pois até hoje traz consigo o legado do luxo, do funcional e do moderno para seus hóspedes. São 133 apartamentos, divinamente decorados; Cyber Room projetado para dar maior privacidade aos usuários dos computadores; Salão de Estar com vista para a piscina com luminosidade ampla, ambiente arejado e equipado com TV LCD; Bar decorado com motivos marinhos, que serve deliciosos drinks; Academia com área de 120m² equipada com aparelhos de última geração, ar-condicionado e música ambiente; Sauna seca e ducha circular; Salão de Jogos com tabuleiro de xadrez, todo decorado com ar aconchegante; Piscina em local estratégico

Guarujá 35


Casa Grande Hotel “Com 41 anos de história e 45 mil m², o Casa Grande Hotel Resort & SPA, ícone da hotelaria paulista, passou por três fases distintas: nos primeiros anos, edificado pela família Maluf Stefano, na Praia da Enseada, no Guarujá, uma das mais exclusivas áreas da costa brasileira, o hotel logo ficou conhecido como um elegante e muito chique endereço da orla paulista, acompanhando, aliás, o momento vivido pelo Guarujá. Na época, o badalado sítio litorâneo era frequentado pela elite social e econômica de São Paulo. A partir de 1994, quando o estabelecimento foi vendido ao Grupo Tavares de Almeida, com outro enfoque mercadológico, investimentos em novos espaços e a introdução de moderna tecnologia, o hotel recuperou e ampliou seu antigo glamour, além de oferecer novos produtos a seus clientes e hóspedes. Tanto que, já em 1998, o hotel conquistou o status de Resort 5 Estrelas. Daí para se transformar num Resort de Classe Internacional foi um pulo, culminando com sua inclusão na relação Leading Hotels of the World, em 2002, onde ficou durante dez anos.

REPRODUÇÃO

Hotéis Piscina

Atualmente, pertence à Preferred Hotels & Resort, reconhecida associação internacional de hotéis de alta categoria. O luxo e o requinte do Hotel foram fundamentais para consolidar o Guarujá como um balneário da alta sociedade paulista e brasileira, que recebeu grandes figuras em festas e eventos, Entre os quais celebridades como Paul McCartney, Pelé, Oscar

acERvO IHG DE SantOS

casa Grande Hotel - Revista do IHG do Guarujá - Bertioga ano 1 n°2 - 1970

Niemeyer, Jacques Villeneuve, Lucho Gatica, Diego Maradona, Fernando Henrique Cardoso, Neymar Jr., Guga, Ernesto Geisel, Charles Aznavour, Juscelino Kubitschek, Mireille Mathieu, e outras personalidades.

ARQUITETURA Certamente, um ícone do Casa Grande é seu charmoso e autêntico estilo colonial brasileiro, a lhe emprestar especial beleza e dignidade arquitetônica. Distribuído em amplo terreno plano, com vista para o mar, conta com exuberantes jardins tropicais, com preponderância de lindas palmeiras. Referência entre os resorts brasileiros, o Casa Grande Hotel Resorts & SPA foi uma idealização arquitetônica de Adolpho Lindemberg, da Construtora Lindemberg.” Fonte: Casa Grande Hotel

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Arquitetura

a Casa do Promontório

A liberdade da

arte de construir Quando passeamos pela orla das praias de Guarujá, podemos vislumbrar a ousadia de cada construção. Já sabemos que “ousadia” é o adjetivo certo para os arquitetos que aqui fizeram de seu trabalho uma grande festa, podendo inovar, atribuir, agregar, enfim, se libertar. Desde o início com uma Vila inteira importada dos Estados Unidos, essa cidade foi um grande laboratório de experiências que de38 Cidade&Cultura

ram muito certo. Contamos com elementos de madeira, concreto armado, ladrilho hidráulico, ferro, e mais tantas inovações modernas, que juntos formam um grande estilo. Nos edifícios temos o Sobre as Ondas, Pitangueiras e Monduba, exemplarmente feitos para a sua localização com todos os traçados dispostos para a contemplação do mar. A praia de Pitangueiras segue o estilo modernista adaptado aos

moldes praianos, com revestimento de pastilhas e grandes halls de entrada e teto alto para a brisa proporcionar ambientes agradáveis. Muitos desses edifícios eram o que hoje chamamos de apart hotel, ou seja, sempre inovando. Já na praia da Enseada temos os casarões e mansões com um despojamento de linhas e materiais utilizados, ao belprazer dos que gostavam de criar um novo estilo. Uma construção


FOTOS MarciO MaSula

vila Militar

ThiagO alveS

edifício Monduba Praia das Pitangueiras - década de 1940

edifício sobre as ondas

DivulgaÇÃO

casas antigas

edifício sobre as ondas

em particular sempre, até os dias de hoje, chama a atenção e porque não dizer que até virou uma atração turística, como a antiga casa do Silvio Santos. Futurista para os olhares caiçaras, modernista para os entendidos, se tornou um ícone do arrebatamento criativo do litoral paulista. Outro exemplo que temos de grande relevância é a projeção das casas em cimento branco da praia de Pernambuco. Vários nomes da arquitetura por aqui deixaram suas assinaturas em projetos formadores de opinião como: Eduardo Longo, Rino Levi, Oswaldo Correa, entre outros.

Construído onde antigamente estava o Hotel Orlandi, no promontório entre as praias de Pitangueiras e Astúrias, o Edifício Sobre as Ondas é um marco na arquitetura de Guarujá. O ideal de ter uma moradia de frente ao mar, juntamente com o glamour de uma cidade requisitada pela alta sociedade brasileira, fez com que o médico e advogado Dr. Antonio Roberto Alves Braga e seu amigo arquiteto Oswaldo Corrêa, planejassem a construção do edifício. Com experiência comprovada, junta-se aos dois amigos o arquiteto Jayme Campello Fonseca Rodrigues. Com o projeto aprovado em 1945, o edi-

fício foi uma das primeiras construções de arquitetura moderna do litoral do Estado de São Paulo. Exemplo disso é a curvatura que “abraça o mar” e o terraço coberto no térreo, grande influencia de Oscar Niemeyer. Composto de 44 apartamentos, restaurante (com um painel da artista plástica Lise Forrel), playground, salão de jogos, mezanino e jardins. Todos os detalhes foram pensados em motivos marinhos utilizando tons de azul. A grande obra ficou pronta em 1951 e se tornou um sucesso, com todas as unidades vendidas rapidamente. Esse projeto foi exposto na Trienal de Milão e ganhou prêmio no IV Congresso Pan-americano de Arquitetura de Lima, Peru.

Guarujá 39


Arquitetura

Um dos ícones da história do Guarujá é o casarão da Avenida Adhemar de Barros que foi adquirida pela Associação de Caridade Instituo Santa Emília, em 1925, cujo o principal objetivo era montar um hospital psiquiátrico, mas o fato não ocorreu e em 1947 a área compreendida foi passada ao Governo do Estado e ali, montada o Serviço de Abrigo e Triagem de Santos que eram abrigados menores infratores desagradando o governo municipal. Então, mediante conflitos de esferas, foi Fundado o Instituto Santa Emília a menores abandonados e órfãos do sexo masculino dos 7 aos 18 anos, dando-lhes formação edu-

FOTOS MarciO MaSula

Associação de Caridade Instituto Santa Emília

cacional e profissional. Em 1982, apesar dos ótimos resultados, o Instituto foi desativado e transformado em FEBEM. Suas atividades

com trabalhos educacionais para menores se encerram na década de 1990. Atualmente funciona a Defesa Civil do município.

antiga casa do Silvio Santos

Entrada Edifício Pitangueiras

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Vila Militar

DiVulGaÇÃO

Ícones da arquitetura local


Artesanato

inspiração O mar como

É muito comum encontrarmos feira de artesanato nas cidades praianas na orla da praia, mas Guarujá tem lá seus cantos diversos, e foi em um deles que encontramos o Ateliê da Fortaleza da Barra, dentro do que antes era uma cela, estão expostos vários trabalhos interessantes feitos pela comunidade da 42 Cidade&Cultura

Santa Cruz dos Navegantes. O que mais nos chamou a atenção foi a variedade de peças úteis feitas a partir de material reciclado, como as sacolas confeccionadas com tecidos de guarda-chuva quebrado e também de restos de banners. Colorido, bonito e em um local, no mínimo inusitado.

Nas Praias de Pitangueiras e Astúrias, podemos encontrar grandes trabalhos manuais, muitos dos quais o mar é a inspiração. Se quiser ir mais longe, vá ao Morro do Sorocotuba e visite a Suelen & Wilson Bordados, que confeccionam as mais variadas peças em tecido bordado para decoração de interiores.


Feira de artesanato

asturias - Feira de artesanato

ateliê Fortaleza da Barra Sacola de Bunner

Bordados Wilson & Suelen

FOTOS MarciO MaSula

Bordados Wilson & Suelen

ateliê Fortaleza da Barra azulejos pintados

Guarujá 43


Artes

Ao som

das ondas Alice Mazzini

Acervo AFAG

A aquarelista Alice Mazzini, senhora de 86 anos, nascida na cidade paulista de Espírito Santo do Pinhal, reside há 63 anos no Guarujá. Veio para a cidade após seu casamento. Foi professora e diretora em escolas públicas na cidade, permanecendo no magistério por 36 anos e, um pouco antes de se aposentar, aos 53 anos, enveredou pelo mundo das artes. Por nove anos dedicou-se à pintura a óleo e depois, incentivada por sua filha, descobriu todo seu talento na aquarela. Aprimorou-se com professores renomados

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Alice Mazzini

como Angel San Martin, Vega Nery e Celina Shitikov. Sua inspiração vem das paisagens, da variedade das flores, da diversidade da natureza, do colorido dos pássaros e das marinas. Contou-nos também que frequentou a Aliança Francesa e em 1991 participou, com outros 140 tradutores, de um concurso nacional sobre os cinco poemas do escritor Rimbaud e, por sua fiel tradução dos textos, foi premiada com uma viagem a Paris. Nossa entrevista foi cativante, e as respostas, dadas com muita paixão e serenidade, fruto da idade madura, nos empolgaram com sua suavidade. “Adoto para minha arte as palavras de Matisse: ‘Sonho com uma arte de equilíbrio de pureza e serenidade, destituída de temas perturbadores e deprimentes. Uma arte que exerça uma influência apaziguadora, um sedativo mental’.” Já expôs seus trabalhos em São Paulo, no Rio de Janeiro, nos Estados Unidos, na Espanha e na França. Ganhou medalhas de Ouro, Prata e Bronze e muitas menções honrosas.


Cláudia Rosário

Jerfeson, Rogério e Alex

Grupo Potência Nos Estados Unidos, em Nova York e em Detroit, estava acontecendo uma reação ao movimento Black Power. Começam a surgir os elementos estéticos da cultura hip hop, que são: o RAP - RhythmAndPoetry –, ritmo e poesia, que é a expressão musical-verbal dessa cultura; o graffiti, que representa as artes plásticas, expresso por desenhos coloridos feitos por grafiteiros, nas ruas das cidades espalhadas pelo mundo, e abreak dance, que representa a dança. Com a criação e comércio acelerados dos CDs, a classe média americana começa a se desfazer de seus toca-discos de vinil. Então, os jovens desempregados os recolhem e os reciclam, produzindo novos sons com esses vinis, criando o “scratching”, ou seja, arranhar a agulha no disco de vinil no sentido anti-horário, o “phasing”, alterando a rotação do disco, e o “needlerocking”, a produção de eco entre duas picapes. Dessa forma, é lançada a base musical, ou melhor, os “break beats” do rap. Esses DJs (disck-jockeys) produziam seu som em ruas e becos. O termo hip hop foi criado por AfrikaBambaataa. Ele teria se inspirado em dois movimentos cíclicos, ou seja, um deles estava na forma pela qual se transmitia a cultura dos guetos americanos, a outra estava justamente na forma de dança popular na época, que era saltar (hop) movimentando os quadris (hip).

Guarujaense, devota a Deus, ao mostrar suas lindas esculturas contou-nos como sua inspiração nasceu. Desde pequena, Cláudia queria ser artista plástica, mas seus desenhos eram infantis. Depois de ficar em coma devido a uma cirurgia de apêndice, a artista voltou com uma extraordinária sensibilidade para as artes. Ela produz sem parar. Em suas telas ou esculturas, é muito comum notarmos como ela desenha em dois planos: de cima para baixo e debaixo para cima, formando dois desenhos distintos. Escolhemos a escultura feita em cimento celular para mostrar esse incrível dom. Uma coruja de cima para baixo ou dois cavalos marinhos e um peixe, debaixo para cima. Curioso, interessante e muito bonito, além da gratidão da artista estampada em seus olhos.

Fontes: hiphop-t.tripod.com; www.infoescola.com/artes/hip-hop/

FOTOS MARCIO MASULA

Nós tivemos acesso ao Grupo Potência, que nos deu uma “canja” de seu som com letra bem estruturada e fiel à realidade das necessidades das pessoas, sempre com o objetivo de expor aos ouvintes a problemática das comunidades e os conflitos humanos. Seguindo à risca os fundamentos do movimento hip hop, os integrantes são exemplos puros das desigualdades das classes sociais brasileiras e dão seu recado: “Rap não é um mercado, é uma escola, é cultura”. Guarujá 45


Artes

Célia Cristina - Morro do Maluf - óle sobre tela com textura

“Viver com significado”: ikeru é um termo japonês que traduz toda a essência de nossa vida. Foi esse conceito que os integrantes do Projeto Ikeru escolheram para redefinir suas vidas e ajudar mutuamente vários artistas plásticos do Guarujá. “A arte é uma expressão de alma humana, na qual cada artista coloca um pouco de si, então por que não criar algo que venha de seu interior, com todo o significado que uma vida pode conter? A busca de si mesmo, expressa nas cores, nos riscos, saindo direto do coração à tela. A cada olhar, uma nova interpretação de sua individualidade . A cada interpretação, uma nova descoberta.” Esses dizeres mostram a subjetividade de cada integrante do grupo. Conhecemos cinco dos oito artistas participantes e vimos o óleo sobre tela como técnica adotada por todos eles. Na maioria são paisagens da região, principalmente do Guarujá. São eles: Alexandre Filho com sua tela Paraty, Eliana Navarro e sua Fortaleza, Moacyr Nunes exibindo a Praia das Pitangueiras, Célia Cristina mostrando o Morro do Maluf, e Paulo Silva dos Santos com a Praia do Artilheiro. Apresentamos uma pequena amostra de como essas pessoas são capazes de nos emocionar.

Alexandre Filho - Paraty óleo sobre tela

Eliana Navarro - Fortaleza óleo sobre tela com textura

Moacyr Nunes - Praia de Pitangueiras - óleo sobre tela com textura

Célia Cristina Morro do Maluf óleo sobre tela com textura

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Aldo Ribeiro Residente no Guarujá há muitos anos, Aldo Paes Ribeiro, por meio da arte, expressa seus sentimentos focando o meio ambiente e a sustentabilidade. A arte para ele representa a vida. Desde criança, criava e inventava seus próprios brinquedos. Com o desenvolvimento de outras habilidades, passou a criar tanto obras abstratas como esculturas personalizadas feitas de ferro e aço. Suas obras estão espalhadas pela Itália, os Estados Unidos, a Argentina e a Alemanha. Apresentou seu trabalho em diversas exposições, nas quais obteve premiações e menções honrosas. “Desenvolvo tranquilamente meus projetos, em meu ateliê ArtEtc e Tal, focando exatamente nos detalhes de cada obra, pois não preciso me preocupar com outra forma de ganhar a vida. Posso fazer o que mais gosto e viver bem.”

FOTOS MARCIO MASULA

Projeto Ikeru


FOTOS MARCIO MASULA

Artes

Silvio Mattos Em seu colorido ateliê, Silvio nos recebeu com toda a simpatia adquirida no Maranhão, onde viveu por muitos anos. Hoje, mora no Guarujá e se sente feliz pelo lugar que escolheu para produzir sua arte. Começou aos 7 anos de idade com um “estalo”, quando viu uma tinta. Autodidata, seu estilo é uma mescla de cubismo e figurativo, com temática voltada para o homem do campo. Ele se transformou em uma referência para

Wado

Oswaldo Gonçalves de Oliveira Filho, 48 anos, começou com a arte do desenho desde criança. Já trabalhou com cenários para teatro e, desde 2005, faz caricaturas. Seu sucesso foi tanto que hoje vive da arte como caricaturista, fazendo eventos em festas, desenhando os convidados, e até convites de casamento. Deparamo com ele na orla do Guarujá, alegrando a vida das pessoas com essa técnica de expressão que é considerada a “mãe” do expressionismo, com sua proposta de exagerar, de aumentar as proporções. Vale a pena citar que a primeira caricatura brasileira foi feita por Manuel de Araújo Porto-Alegre em 1836, uma charge política durante o período regencial.

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muitos artistas brasileiros e segue a mesma escola de Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti e Portinari, unindo traços, cores e formas, resultando assim em um estilo genuinamente brasileiro. Premiado na Bienal de São Luiz do Maranhão, jáexpôs na Espanha e na Itália. Seus quadros representam ele próprio, fazendo as coisas que não pôde fazer na infância. O rosto não tem olhos, nariz e boca, pois acredita que o espectador deve se colocar no lugar do personagem e sentir a calma e a tranquilidade ali expressas.


Nascido em Mogi das Cruzes, mudou-se para Bertioga quando foi convidado para fazer parte da equipe da revista Beach & Co. Depois veio para o Guarujá, onde se firmou na carreira como fotógrafo profissional. Segundo Pedro, sua paixão por fotografia surgiu aos 9 anos de idade com uma máquina Xereta Sublimação. Aos 14 foi trabalhar em um jornal como office boy e mais tarde como repórter fotográfico. De lá para cá, apenas aprimorou sua arte, fazendo dela sua atual profissão.

Pedro rezende

Pedro Rezende

Praia do Pereque

Yplinsky Yplinsky, nome artístico de Sérgio Renato Yplinsky, nasceu em Araxá (MG), em 1947, onde iniciou seus estudos inspirado em pintores famosos. Em seu ateliê na cidade do Guarujá, o autodidata buscou seu caminho pintando a natureza brasileira e cenas românticas, inspiradas em grandes mestres do passado. Sua primeira exposição foi em 1969, em Uberlândia, e daí em diante passou a expor suas obras em importantes galerias em cidades do Estado de São Paulo. A partir de 1997, participou do Mapa Cultural Paulista e ainda de uma centena de exposições coletivas de salões de arte em São Paulo, Minas Gerais e Brasília. Em 2000, pintou o Mural Central da Igreja Matriz do Guarujá. Recebeu uma série de prêmios (medalha de ouro, prata, bronze e troféus) por sua participação em salões oficiais de arte e possui obras em importantes coleções particulares e oficiais, com destaque para o Museu de Arte do Parlamento de São Paulo.

Guarujá 49


FOTOS DIVULGAÇÃO

Artes

Graffiti 2N CREW Fundado em 2003, motivado por ideias e necessidades e com a finalidade de alcançar a independência, o 2N CREW (“Nóis e Nóis”) representa a arte urbana caiçara. No início, os artistas participantes eram Fernando A. dos Santos (Nando) e João Paulo Oliveira (Face), com iniciativas, atividades e fins educacionais em projetos como: “Amigos da Escola”, “Escola da Família”, “Virada Cultural Mongaguá”, “South Kings” (Rio Grande do Sul), “Guarujá em Cores” com desenvolvimentos de painéis pela cidade, “GuaruJazz”, “Cor Ação”, “Encontro da Vila”, entre outros. Em 2011, Clodoaldo S. dos Santos (2San) tornou-se membro. A 2N CREW é uma galeria a céu aberto, podendo ter produções espalhadas pelo Guarujá e todo o litoral. Uma de suas grandes produções é o mural Torre do Píer de Santos - Quebra Mar, um painel em paleta de sete cores. Seu maior objetivo é a transformação da relação do público com o ambiente visual e seus elementos liderados pelos diversos estilos de grafite. Utilizando adequadamente as áreas públicas e aproveitando-as de maneira criativa, renovam e embelezam os espaços. Fernando Alves (Nando) é um artista contemporâneo

com trabalhos em variados estilos das artes de rua, que assim se manifesta com propósito e inspiração diante do cotidiano, enfatizando-o com ilustrações, paisagens e letras. Também é fotógrafo deambientes e focos diversificados. Na arte de rua que é o grafite existem vários estilos, e um deles é o wild style, no qual as letras são totalmente entrelaçadas. O artista Clodoaldo dos Santos (2San) se expressa com desenvoltura através de suas cores, efeitos e letras. João Paulo (Face) adquiriu mais experiência com o curso de publicidade e propaganda que fez, e integra cada vez mais os conhecimentos de design, arte e grafite.

mural paleta de 7 cores

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meio ambiente

Para compreendermos a beleza desta cidade, temos que ter conhecimento de sua composição geológica, pois é dela que brotam todos os acidentes geográficos que transformam o Guarujá em um local cheio de recantos, com inúmeras praias, lindos morros e um contorno totalmente acidentado. Essa mistura de ingredientes resulta nas belas paisagens que vemos de norte a sul, de leste a oeste, dando-lhe um encanto especial e diferenciando o Guarujá das demais cidades do Litoral Paulista.

pelo Um cenário incrível emoldurado


Acervo JequitimAr

ilha dos Arvoredos

mar


Meio Ambiente Nascente Praia do Sorocotuba

Preservação

Formação Geológica Com granitos, rochas sedimentares e intensos dobramentos, a Ilha de Santo Amaro, segundo estudiosos, se divide em: sedimentação marinha – praias e restingas; sedimentação intermediária – mangues, e sedimentação terrígena – aluviões terrestres. Seu relevo é de origem recente e tem altitude média de 145 m. 54 Cidade&Cultura

A cidade do Guarujá possui 52% de sua área coberta pela Mata Atlântica e uma área enorme e riquíssima de biota marinha. Para que haja preservação dessa riqueza natural, foram criadas algumas Unidades de Conservação, a saber: APA Municipal da Serra do Guararú (APASG), no extremo leste da Ilha de Santo Amaro, entre o Oceano Atlântico e o canal de Bertioga; duas Reservas Particulares de Patrimônio Natural, também na Serra do Guararú, chamadas Maria do Conde e Tijucopava com 5 ha e 49 ha, respectivamente; e APA Marinha do Litoral Centro, administrada pela Fundação Florestal do Estado de São Paulo, com 449 mil ha, dividida entre os municípios de Bertioga, Santos, São Vicente, Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém, Peruíbe e Guarujá, com 123 mil ha.


Vegetação A Mata Atlântica tem seus caprichos; além de seguir quase todo o litoral brasileiro, sua biodiversidade ainda nos brinda com ilhas, como a Ilha de Santo Amaro, recoberta por maravilhosas e coloridas plantas, como orquídeas, bromélias, samambaias, palmitais, helicônias etc.

Decompositores

FOTOS MarciO MaSula

Ninho de pássaros

abacaxi (bromélia)

Orquídea dendobrio

Helicônia

Guarujá 55


Meio Ambiente alguns exemplares típicos

THiaGo aNDraDE

Marcio Masula

Flora

Jundu Mangue Está localizado ao longo da margem do Canal de Bertioga. Esse ecossistema é berçário para muitas espécies de animais, por isso o mangue é uma Área de Preservação Permanente. Possui apenas três tipos de árvores: mangue-bravo ou vermelho, mangue-seriba ou seriúba e mangue-branco, que podem chegar a até 20 metros de altura. Seu solo é bastante rico em nutrientes, com características lodosas e composição de raízes e material vegetal parcialmente decomposto, o que lhe confere sua cor escura. Entre as raízes das plantas, temos os caranguejos, que são crustáceos que adoram comer peixes e matéria orgânica. Esse famoso berçário do mar é utilizado por muitas espécies marinhas, como a tainha, o robalo, a carapeba, o camarão, entre outros, para deixar seus ovos protegidos entre as raízes aéreas.

nos terrenos secos formados pelas dunas junto à praia, encontramos a vegetação conhecida como jundu, muito resistente à ação dos ventos e à salinidade. São bosques de árvores de pequeno porte, tronco retorcido e folhas espessas e lustrosas, com muitos gravatás, cactos e capins. O jundu é importante na fixação das dunas, além de ter plantas frutíferas, como as maçãzinhas-dapraia, marcelas, de cujas pequenas flores as pessoas do local fazem travesseiros e almofadas. Entretanto, nas partes das dunas voltadas para o mar, sujeitas à ação direta do vento e dos respingos de água salgada, são poucas as plantas que se desenvolvem, entre elas alguns capins e cipós perfeitamente adaptados ao sal e às areias lançadas pelo vento. Entre esses, deve ser citada, por suas interessantes adaptações, a Ipomoea pescaprae que é a batata pés-de-cabra. Essa planta produz belas flores roxas e pequenas batatas não comestíveis. Desenvolve-se na duna como um longo cipó repleto de folhas que tem formato de pé-de-cabra. Fonte: A Serra do Mar e a Baixada. Samuel M. Branco, Editora Moderna.

Abricozeiro

Marcio Masula

típica de praias, com seu fruto carnoso, o abricó, navega mar adentro e “atraca” em outras praias, atraindo pássaros e dando um visual lindo ao lugar. Hoje, dificilmente vemos pés de abricó, mas quando se acha um, ele se torna uma atração para os que tiveram uma infância à beira-mar.

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Capim Gordura gramínea perene nativa da África, popularmente conhecida como capim- gordura ou catingueiro, pode atingir um metro de altura e foi introduzida no Brasil para ser utilizada no pastejo, na cobertura do solo, por ser uma planta rústica e de rápido crescimento e fenação, devido ao alto valor nutritivo para bovinos, equinos e ovinos. Quando não controlada, pode causar sérios transtornos, crescendo por cima da vegetação nativa, promovendo sombreamento e a consequente morte de espécies de fauna e flora. É propulsora da temperatura de incêndios no cerrado, efeito que elimina até o banco de sementes pré- existentes no solo.


Cobra Urutu

shutterstock

a Bothrops alternatus é conhecida como urutu-cruzeiro por ter um desenho na cabeça que lembra uma cruz e exibir na pele um belo padrão de manchas em forma de ferradura, dispostas em sequência sobre o fundo castanho escuro do dorso. É uma serpente da família Viperidae, que chega a medir 1,70 m, ágil, perigosa e muito venenosa. Sua mordida pode matar um adulto de 70 kg em duas horas. Da mesma família da jararaca, da cascavel e da surucucu, vive em campos cerrados, banhados, brejos e campos cultivados nas regiões do Centro-Oeste e no Sul do Brasil. alimenta-se exclusivamente de pequenos roedores e a incubação dos ovos é processada no interior do organismo da fêmea, dando à luz entre dezesseis e vinte filhotes formados.

Sagui Os saguis são criaturas estritamente selvagens, portanto não devem ser mantidas como animais de estimação. Os maiores atingem uma média de 20 cm e os menores medem em torno de 11 cm; são conhecidos como sagui- leãozinho. Normalmente, habitam as matas da américa Central e do Sul. Das 35 espécies identificadas, 25 vivem em território brasileiro. Fonte: www.infoescola.com shutterstock

Fauna

Lagarto Teiú O Tupinambir merianae é o maior lagarto do Brasil com até 2 m de comprimento. Esse réptil foi descrito no livro História Naturalis Brasilar, em 1648. Vive em áreas abertas de cerrado e matas, exceto a floresta amazônica. Espécie diurna, costuma encontrar suas presas com a ajuda de sua língua comprida e bífida. É um predador oportunista que consome vegetais, artrópodes, vertebrados e carniças. No período de outubro a dezembro, coloca de treze a trinta ovos, que são incubados por noventa dias. Quando se sente ameaçado, fica imóvel, tentando se camuflar no ambiente, ou foge fazendo muito barulho.

Maria farinha

Bicho-preguiça

É um crustáceo encontrado na costa leste dos Estados Unidos e em todo o litoral brasileiro. Vive em tocas feitas na areia acima da linha da maré alta, cavando e retirando a areia do buraco com suas pinças. Sua coloração branca amarelada se confunde com a cor da areia, mas sua camuflagem é o mimetismo, que o ajuda a afastar seus predadores. alimenta-se de micro-organismos marinhos e consegue nadar por ter patas traseiras achatadas em forma de remos. a presença de maria-farinha na areia é um indício de que a praia é limpa e despoluída.

Marcio Masula

mamífero da mesma família dos tatus e dos tamanduás, esse lindo bichinho que dá vontade de abraçar tem em seus dedos poderosas garras. Com seu metabolismo lento, tem movimentos vagarosos, daí seu nome. São solitários e vivem na copa das árvores alimentandose das folhas.

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ShuTTerSTOck

Meio Ambiente

MarciO MaSula

Ouriço

Caranguejo Maria mulata “possui diversos nomes populares regionais: “aratu vermelho”, “aratu vermelho-preto”, aratu do mangue”, “maria-mulata”, “carapinha”, “espia-moça”, “túnica”, “anajá”, “bonitinho” etc. Versátil, ocupa praticamente todos os micro-hábitats do mangue, desde o solo lamoso e arenoso entre raízes e troncos das árvores do manguezal, até as próprias árvores, sendo considerado semiarborícola. Não constróitocas, e invade as habitações de outros caranguejos no solo.”

“o ouriço-do-mar é um equinoderme, tal como as estrelas-do-mar e os pepinos-do-mar. Alimenta-se de outros invertebrados e de algas que raspa das rochas com os seus cinco dentes, localizados na superfície inferior do corpo. Esses dentes formam um bico e estão unidos num sistema de ossículos e músculos bastante complexo, denominado Lanterna de Aristóteles. Não tem olhos, mas o corpo está coberto por células sensíveis à luz. (Assim que detecta luz se cobre com conchas, pequenas pedras e algas.) Apesar de não parecer, estes animais movem-se com a ajuda de pés ambulacrários. o seu esqueleto duro e coberto de espinhos não é suficiente para protegê-los de alguns caranguejos, estrelas-do-mar e peixes.” Fonte: http://www.oceanario.pt

Alguns peixes da costa encontrados facilmente

FOTOS ShuTTerSTOck

robalo, cioba, carapeva, boninha micholi, pescada, bicuda pequena, cambucú e bojú.

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ThiaGO aNDraDe

Fonte: www.planetainvertebrados.com.br

Moreia os Tupinambás chamavam as moreias de Caramuru, por ser um animal de corpo cilíndrico e comprido. Não possui escamas, mas para a proteção de sua pele excreta um muco tóxico. Na parte de cima de seu corpo tem uma nadadeira que se inicia no dorso e termina na extremidade da cauda. É solitária e caça à noite. Alimenta-se de crustáceos, peixes e polvos. Vive nos recifes ou embaixo de rochas, com a cabeça para fora e de boca aberta com os dentes à mostra, assustando assim qualquer indivíduo indesejado. Não são agressivas, mas não tente fazer um carinho, pois ela pode confundir seu dedo com um tentáculo de polvo, e aí...


Estrela-do-mar

shutterstock

pertencente à classe dos equinodermos, é carnívora. Apesar de seu corpo ser duro e rígido, pode dobrar e girar. É conhecida como animal voraz e predador. Apresenta cores vivas e brilhantes, como vermelho, azul ou laranja.

Esquilo Marcio Masula

Animal mamífero roedor, também conhecido como serelepe e caxinguelê, alimenta-se de insetos e frutas. Quando coleta alimentos, enterra algumas sementes que encontra, e algumas chegam a germinar.

costões rochosos e Promontórios

Marcio Masula

Costões rochosos são formações que invadem o ambiente marinho com rochas cristalinas e são sujeitos à ação das ondas, de correntes e ventos, podendo apresentar diferentes configurações. No Guarujá, temos exemplares dessas formações nas pontas da Ilha de Santo Amaro, que são: Armação, perequê, porto, Andorinhas, Astúrias, Galhetas, Monduba ou Batalhão, Rosa, Grossa, Barra, piraquara e Fortaleza.

Guarujá 59


Morros Para entendermos a localização geográfica dos morros do Guarujá, descreveremos o “dragão”, como é conhecido o formato da Ilha de Santo Amaro. Na cabeça do dragão, temos os morros Icanhema, ou Ponta Rasa, da Barra, dos Limões, do Pinto e do Monduba. Essa formação é um excelente abrigo, hoje tombado, que protege a fauna local, pois é isolado por trechos de mangue. O corpo do dragão é formado pela Serra de Santo Amaro e começa na av. Puglisi, na altura do viaduto, e segue até o começo da praia de Perequê. Correndo paralelamente, teremos nesse percurso à beira-mar os morros da Campina (Maluf), do Stéfano (no meio da Enseada), da Península, Sorocotuba, de Pernambuco, do Vigia. Já no rabo do dragão, segue a Serra do Guararú, e também, correndo por fora, os morros do Peixe, do Cação e da Armação.

Morro do Monduba

O Morro da Campina, mais conhecido como Morro do Maluf, recebeu esse apelido devido à estranha figura do turco de nome Maluf, morador de temporadas, que, no alto do morro, armava sua enorme tenda e só descia vestido de marajá, para jogar no cassino. Quando ganhava no jogo, Maluf levava todos para sua tenda em intermináveis festas. Era chamado de “Príncipe das Arábias”. Quando perdeu toda a sua fortuna no jogo, o marajá sumiu misteriosamente.

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FOTOS MarciO MaSula

O Morro da Campina

Vegetação Morro do icanhema


Ilhas

A história da Ilha das Palmas tem muita relação com o Porto de Santos. No final do século 19, o porto era conhecido como “Porto Maldito”, devido às inúmeras doenças, principalmente a febre amarela, dado o precário saneamento básico da época. As grandes empresas de navegação tinham muito medo de que sua tripulação se contagiasse com tais doenças. Então, foi proposto à cidade que se instalasse um lazareto (na realidade, “lazareto” vem do bíblico Lázaro, significando um local para isolamento de doentes, porém aqui recebe o sentido contrário, ou seja, quarentena para os sãos), para abrigar os marinheiros. Na realidade, a cidade clamava pela construção do lazareto na Praia do Góes, pois, pelos estudos feitos, era a que tinha melhor qualidade de ar, mas ele foi realmente erguido na Ilha das Palmas. Clube de Pesca de Santos Idealizado pelo Sr. Sebastião Arantes Nogueira, o Clube de Pesca de Santos foi fundado em 1934. No ano seguinte, Arantes arrendou a Ilha das Palmas de uma empresa alemã por três anos, mas, em 1938, o Clube comprou a Ilha sob a presidência de Norberto Paiva Magalhães. Essa compra incluía não só a Ilha, mas também o Sítio Canhema, num montante de mil libras esterlinas. Com muita disposição, os sócios iam de barca aos finais de semana para ajudarem nas

FOTOS MarCiO MaSula

Ilha das Palmas

obras de infraestrutura, carregando pedras e todos os materiais necessários; eram chamados de “Pelotão de Frente”. Para poderem pagar esse montante em libras, os sócios fizeram a Campanha da Libra Esterlina, idealizada por Leônidas Carvalhais, o que deu certo, pois, na época da campanha, a libra estava em baixa. Conseguiram todo o dinheiro e quitaram as parcelas ainda por vencer. Com o sucesso dessa campanha, vieram outras como a da “Água” para captação e a da “Luz”. Atualmente, o Clube de Pesca é uma referência por suas festas concorridas, como a de São Pedro e o Réveillon. Nessas ocasiões, a noite fica repleta de barcas levando os convidados, iluminando toda a costa das praias de Fortaleza, Góes, Sangava e Limão. Um espetáculo lindo de se ver e também único para se participar.

Ilha Pompeba Bem em frente à praia de Pitangueiras, a apenas 200 m da costa, tem formação rochosa, é selvagem e com pouca vegetação. É também carinhosamente conhecida como Ilha do Tony, em homenagem ao surfista Tony Villela, que, em setembro de 2008, faleceu salvando outros surfistas de forte correnteza. Na maré baixa, é possível chegar à ilha a pé e desfrutar de uma piscina natural formada pelas rochas, mas com precaução, pois a maré pode subir a qualquer momento e pegar de surpresa os turistas desavisados. Segundo relato de Antônio Mendes, Santos Dumont, em visita ao Guarujá, percorreu o caminho da praia à ilha em charrete. 62 Cidade&Cultura


Ilha das Cabras Próxima ao final da praia da Enseada, é muito procurada por praticantes de esportes náuticos e também por profissionais de pesca esportiva de anzol que buscam principalmente os robalos-flecha que aparecem nas redondezas da ilha entre os meses de março a novembro. A ilha é rústica, de formação rochosa, com muitos coqueiros e vegetação rasteira.

Ilha do Perequê Os caiçaras também a chamam de Ilhote. Pequeno monte rochoso visto acima do mar, com pouca vegetação e à frente da praia do Perequê, é traiçoeiro para os barqueiros que se aventuram a chegar muito perto da ilha por esconder pedras que podem danificar seriamente suas embarcações.

Ilha do Mato A ilha de formação rochosa, com densa vegetação, está a 800 m da costa e a 15 minutos de barco a remo, entre as praias de Guaiúba e Monduba. Tem 800 m² e engloba as ilhotas de pedra conhecidas como Careca e Pau a Pino. Área particular e residência do zelador da família Moraes. Do alto da ilha, é possível avistar a praia do Guaiúba e o Forte dos Andradas. Ótima para a prática de mergulho.

Ilha Rasa Localizada entre as praias do Pinheiro e Camburizinho, tem acesso por barco em passagem estreita. É formada por rochas, com algumas árvores e vegetação rasteira e em área de mar agitado. Ainda temos as ilhas da Praia Grande, situada em frente à praia de São Pedro; a Rasa, entre as praias de Pinheiros e Camburi; a do Guará, bem diante da praia de Camburi, e a da Prainha, próxima à praia Preta.

Ilha do Mar Casado Localizada bem próxima às praias do Mar Casado e de Pernambuco, é uma ilha de médio porte, com vegetação preservada. A maré baixa define o caminho que pode ser percorrido a pé por águas rasas e calmas. Ao chegar à ilha, é preciso escalar as pedras e alcançar uma trilha que leva ao topo do morro e desfrutar de panoramas deslumbrantes, tendo como horizonte toda a extensão da praia do Mar Casado e a praia de Pernambuco, a Ilha do Arvoredo, casas luxuosas à beira-mar, a Serra do Mar e o Oceano Atlântico.

Ilha do Moela Vista das praias de Pitangueiras, Astúrias e Tombo, essa ilha é um ponto de referência para as embarcações que vêm para o Porto de Santos. Por incrível que pareça, essa ilha tem tal nome por causa de seu formato de moela de galinha! Possui 266 mil m², com altura de 100 m. Em seu ponto culminante, em 1830 foi construído o Farol da Moela, em uma torre de 10 m de altura, o primeiro do litoral do Estado de São Paulo. Movido a óleo de baleia, hoje trabalha com gerador a diesel. A ilha também conta com uma estação meteorológica, cujos dados são repassados ao Centro de Hidrografia da Marinha do Rio de Janeiro. Próxima à ilha está a ilhota Aleluia. Guarujá 63


Ilhas

FOTOS AcervO FundAçãO Lee

Floresta da ilha

Ilha dos Arvoredos Às vezes, a vida tem dessas coisas. Por exemplo, encontrar em uma estante de um sebo um livro que nada diz inicialmente, mas depois que você o abre e começa a ler viaja em cada folha de uma história fantástica. Esse que caiu em nossas mãos é desse gênero: O Senhor da Ilha Fernando Lee, de Elaine Saboya. E o mais genial de tudo é que não é uma história de ficção, e sim da vida de um engenhoso mestre do encantado, Sr. Fernando Lee. Sua descendência: Harry Lee, tataravô, general na Guerra da Independência contra a Inglaterra, que in-

Torre

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gressou na Universidade de Princeton ao 13 anos de idade; Robert Lee, seu tio-bisavô, general-comandante das tropas sulistas na Guerra da Secessão dos EUA; Henry Lee, seu bisavô, decepcionado pela derrota do sul, emigrou para Ilha de Saint Thomaz; Thomaz Lee, seu avô, teve William, seu pai, que foi para Nova York e de lá foi transferido para o Brasil em 1898, onde fundou a empresa Lee & Vilela, casou-se com Maria Eugênia Araújo Braga e teve Fernando Lee, em 1903. Aqui no Brasil, os negócios da família iam bem até a crise de 1930. Fernando diz que não herdou nada, apenas dívidas, mas o legado de seu pai foi tê-lo enviado à Pensilvânia para cursar Engenharia Mecânica na Universidade de Lafayette em Easton. Em 1929, casou-se com Maria de Rezende Lee. Fernando foi um combatente na Revolução de 1932. Em Ourinhos, quando recebeu a patente de major, sua genialidade fez com que construísse um canhão usando rodas de um Ford velho, um eixo de vagão, aros de locomotiva da Sorocabana e aço de caldeira. Em uma das várias passagens dessa revolução, o General Klinger mandou uma ordem: dinamitar a ponte sobre o rio Paranapanema para conter as forças do Sul. Fernando pensou e decidiu: em vez de explodir a obra, melhor eletrificá-la. Magnífica saída. Após a Segunda Guerra Mundial, Lee, a pedido do comando norte-americano, foi à Alemanha organizar o comércio com o ocidente e também com o Brasil e,


Relógio-solar

por isso, recebeu a condecoração do Governo Alemão pelos prestigiosos trabalhos feitos em seu país. Evitou que três fábricas norte-americanas fechassem durante a guerra e foi homenageado com um banquete no Waldorf Astoria. Sua criatividade chegou ao auge nos negócios e no uso de sua imaginação, que mostrou a todos que a força de vontade faz verdadeiros milagres. Era um tipo de pessoa cosmopolita, para quem o mundo era um lugar de fácil acesso e sua entrada, seja em qual esfera fosse, estava sempre disponível. Em 1950, conseguiu o aforamento, por 100 anos, da Ilha dos Arvoredos, situada a 1.500 metros da Praia de Pernambuco. Chamada de Shangri-lee, por sua esposa, Fernando chegou a cometer os mais altos desatinos para construir o que se pode nomear de “Alice no País das Maravilhas”. Nos Estados Unidos, era chamado Fernando Robinson Crusoé Lee. Alguns detalhes das construções: o primeiro é que, para se chegar à ilha, só em uma gaiola suspensa por um pássaro de cimento chamado Fênix; a energia vinha do vento, do sol e da luz, concretizando um projeto que garantiu a Lee o prêmio internacional Rolex de Iniciativa, em 1981; a adega foi escavada nas rochas e contém ventiladores que montou lá fora para captar só os ventos sul e leste (os únicos ventos frios no Brasil), a fim de manter em boa temperatura as garrafas de vinho; uma gruta negra, “onde mora o dragão”, e as rochas onde, segundo a lenda, havia ouro de pirata; um açude de 2,5 milhões de litros de água doce, com peixes de rio, ninfeias da Flórida es coqueiros da Malásia; campo de pouso para três helicópteros; 150 pés de mamão, maracujá e caju; tanques para os banhos de beija-flores e pequenos túneis onde os peixes se escondem dos pássaros; 18 viveiros de garnisés da Inglaterra; pombas da Ásia,

jacutingas e mutuns; e mais um monte de detalhes interessantes que não cabem em poucas páginas. Em 1953, salvou dezoito náufragos alemães. Visitada por cientistas ilustres: Martin Calvin, prêmio Nobel de Química, Paul Bente, Reginald Vachon, Diana Lee e os brasileiros José Goldenberg e Evaldo Inosoja, além do vice-presidente da República, Aureliano Chaves, e de Crawford Greenwalt, um dos dezoito inventores da bomba atômica. Há elogios de amigos e cientistas em português, inglês, chinês, alemão, e várias outras línguas. Fernando dava palestras aos astronautas da NASA. Assistiu ao lançamento da nave espacial Challenger, cujo amigo Richard Scobee estava a bordo e faleceu no lamentável incidente da explosão da nave. Ah, ele queria vaga-lumes para iluminar a ilha, então colocou um anúncio no jornal para que as pessoas lhe trouxessem o inseto e ainda explicava como capturálos. A criançada ficou maluca com isso. O que Lee pensava? “A Natureza me empolga. Na fragrância de suas flores, no bálsamo de seus aromas, no descampado de suas distâncias, na transparente profundidade do azul dos seus mares e dos seus céus, percebo e reconheço a pulsação rítmica, serena e pujante da harmonia universal.” Esse ilustre brasileiro nos deixou em agosto de 1994.

Fernando Lee

Fundação Fernando Lee Fundada em 1984, sem fins lucrativos nem vinculações políticas ou religiosas, tem o objetivo de manter, administrar e preservar a Ilha dos Arvoredos, bem como promover e divulgar as pesquisas científicas de energia solar e eólica, estudos oceanográficos, biologia marinha, ecologia e outras pesquisas científicas e tecnológicas.

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Praias

Praia Saco do Major Praia para os mais aventureiros. Isolada, deserta, emoldurada por morros com vegetação nativa em sua extensão de 400 m e aberta ao Oceano Atlântico, é de difícil acesso. A trilha que sai do bairro Santa Cruz dos Navegantes é longa e solitária. Por mar, a existência de rochas próximas à orla dificulta a aproximação das embarcações e é preciso nadar para chegar à praia com segurança. Recebeu esse nome porque, no passado, foi residência de um oficial da Marinha aposentado. As águas são cristalinas e, para os amantes da pesca, um paraíso. É possível encontrar garoupas, olho-de-boi, sargo-de-dente, porquinho e cobras, muitas cobras, como a jararaca e a caninana. A empreitada vale a pena: é um lugar sossegado, com uma vista incrível.

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Praia Cheira-Limão Muito graciosa. Localizada entre as praias do Góes e a do Sangava e com apenas 20 m de comprimento, é a menor praia do Guarujá. Águas claras, calmas e areia coberta de conchas dos mais variados tamanhos, formas e cores fazem desse cantinho uma pintura viva. Tem esse nome por estar em uma pequena enseada no sopé do Morro do Limão. Completamente isolada por paredões rochosos, só os mais experientes conseguem acessá-la por trilha pela praia do Góes. É também muito visitada por praticantes de canoa havaiana e caiaque que, ao chegarem, podem desfrutar da beleza intocada, observando as raízes aéreas das árvores caindo sobre as pedras, ver os navios entrando no canal do porto, borboletas coloridas e ouvir os sons do mar e da mata.


Santa Cruz dos Navegantes Essa praia tem importância histórica na cidade. Reduto inicial dos primeiros colonizadores, hoje é uma colônia com alguns caiçaras. Está entre os rios Icanhema e do Meio. Também é o local para se chegar até a Fortaleza da Barra Grande. Uma curiosidade era a corrida de pipas (tonéis) de água que a criançada fazia. Como só havia água na bica que se localizava na ponta, os moradores eram obrigados a carregá-la por um percurso grande. Depois, em 1953, por meio de Dona Mariquinha, o vilarejo recebeu seu chafariz em um ponto central. Segundo moradores antigos, essa praia tinha o apelido de “Pouca Farinha” por causa do primeiro morador solitário que, quando ia a Santos comprar mantimentos no armazém, levava pouca quantidade, pois era só. Então, o dono do armazém e seus amigos o apelidaram de “Pouca Farinha”, e assim a praia passou a ser conhecida pelo mesmo apelido.

Praia do Góes Localizada ao lado da Fortaleza da Barra Grande e em frente ao canal de Santos, a praia do Góes é um local de moradores pescadores. Com 250 metros, suas areias claras são cheias de conchas. Para chegar até lá, pode-se ir de barco ou pela trilha da Fortaleza.

Praia do Monduba Antes da construção do Forte dos Andradas, essa praia era um sítio em um lugar paradisíaco com 400 m de extensão de areias finas e banhada por um mar azul translúcido. Hoje, essa praia pertence à área do Forte dos Andradas e sua visitação só é permitida mediante autorização do Comando Sudeste. A visita é interessante, pois é monitorada. Além da praia, podemos conhecer a instalações modernas dessa fortificação.

FOTOS MarciO MaSula

Praia do Bueno Para visitar essa praia de águas claras, com 120 m de comprimento, é necessária uma autorização do Exército, por estar em área militar.

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Praias

Praia do éden

Pitangueiras Antigamente, era chamada de praia das Laranjeiras por ser um sítio onde Dona Maria Malta cultivava laranjas. Infelizmente, uma praga destruiu toda a plantação. Assim, Dona Maria providenciou outra espécie, a pitanga, e recomeçou seu trabalho. Provavelmente ela teve sucesso, pois a praia hoje recebe o nome da árvore: Pitangueiras. O que vale dizer aqui é que essa é a praia mais agitada do Guarujá, com shopping, lojas, cinemas, restaurantes, um comércio bonito e variado. A praia tem 1.800 metros de comprimento e suas águas são claras e com uma linda vista para a ilha do Pompeba.

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100 m de puro charme e sofisticação. Essa praia encantadora está encravada no meio dos rochedos e para acessá-la é preciso percorrer 40 m por uma escadaria rústica e íngreme de 110 degraus, ornada pela mata nativa, muitos coqueiros e bromélias. Praia de tombo com correnteza, uma pequena faixa de areia, águas limpas e claras no tom azul esverdeado formam um visual de tirar o fôlego. Por ter boa visibilidade, é possível fazer um mergulho, chegar a 10 m de profundidade e observar a vida marinha. Visitantes habituais da praia são as tartarugas, os ouriços, as arraias e os siris. Em um barzinho aconchegante, com mesas dispostas à beira-mar, o turista poderá se deliciar com porções de peixe e bebidas bem refrescantes. Lugar paradisíaco para quem ama a natureza.

Praia do Camburi Apenas 700 m de extensão e um pequeno rio que deságua no mar fazem dessa praia um pequeno paraíso isolado e ainda desconhecido. Rica em Mata Atlântica, com águas claras e uma estreita faixa de areia fofa, só se chega lá pela trilha que vem da Prainha Branca ou da Praia Preta. Quer se esconder? Aqui é um bom lugar para fugir de tudo e descansar ao som do mar.


Praia do Sangava Em tupi-guarani “alagado”, “empraiado”. Pequena praia escondida, de areia fofa e grossa, com declive acentuado, banhada por um mar calmo de águas verde-esmeralda, piscinas naturais na maré alta, cercada de pedras, vegetação nativa e uma caverna submersa com corais e peixes. É frequentada por praticantes de esportes náuticos, que fazem do local uma parada obrigatória, ideal para mergulho e pesca esportiva submarina. O acesso difícil é feito por uma trilha pelo Morro do Limão, com saída da praia do Góes ou pelo mar. O esforço recompensa. Pelo caminho, é possível avistar aves como garças, gaivotas e albatrozes e, no mar, tartarugas, peixes e cavalos-marinhos, e admirar a orla de Santos e São Vicente. Por ser rústica e sem infraestrutura, o ideal é passar o dia desfrutando dessa incrível beleza.

Praia do Moisés ou de Fora Também conhecida como Praia de Fora, é restrita aos visitantes por ser uma área militar. Praia pequena, com 50 m de comprimento, águas claras e calmas e, na maré alta, a faixa de areia desaparece.

Praia do Guaiuba Com cerca de 720 m de extensão, cercada por uma floresta nativa bem preservada, essa praia, que em tupi-guarani significa enseada ou lagoa amarela, é ideal para famílias desfrutarem o dia com muito sossego. Com toda a infraestrutura necessária, como policiamento, banheiros públicos, salva-vidas e quiosques que servem porções bem caprichadas, os turistas são bem recebidos. Praia com larga faixa de areia de tom amarelado, sem correnteza, águas limpas e tranquilas com ondas pequenas, é excelente para banho e, por ter águas bem calmas, é boa para pesca e mergulho. Nos meses de julho a setembro, o mar fica agitado com boas ondas para a prática do surfe. Depois de nadar e comer, ainda se pode descansar à sombra generosa dos chapéus-de-sol que foram plantados há décadas. Chegar a essa praia é muito fácil, tanto de carro como de ônibus que saem da av. Ademar de Barros.

FOTOS MarciO MaSula

Praia do Sorocotuba A pequena praia da Reserva Ecológica do Morro do Sorocotuba é uma área de preservação ambiental da Mata Atlântica, com acesso restrito. Em tupi-guarani “sorocotuba” vem de soroc – buraco ou fenda – e tuba – criador. No canto esquerdo da praia, as casas foram construídas sobre palafitas para driblar a maré alta. Uma dádiva da natureza para quem pode desfrutá-la.

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thabata andrade

Praias

Praia das Conchas

Praia Taguaiba Também conhecida por Pinheiro, tem 700 m de extensão, areia clara e fina, batida e mar muito agitado e perigoso. Cercada por um morro rochoso, com mata fechada de vegetação nativa que abriga diferentes espécies de pássaros, como papagaios, tucanos e gaviões, além de alguns lagartos, saruês e cobras, é um refúgio para os surfistas que disputam boas ondas em ambiente tranquilo e familiar. Localizada na Serra do Guararú em reserva ambiental, tem acesso controlado e estacionamento com banheiro e ducha, para apenas 30 carros. A portaria abre às 8h30 e os visitantes podem permanecer na praia até as 17 horas. Outro acesso por trilha pode ser percorrido desde a praia do Iporanga, com 20 minutos de caminhada pelas pedras. Chegar cedo é garantia para passar um dia muito agradável em meio à natureza intocada. 70 Cidade&Cultura

Praia do deSangava São Pedro Extensa, com 1.290 m de comprimento, águas límpidas, areia branca e mar agitado com correnteza, está localizada em área de preservação ambiental, na Serra do Guararú. Possui um estacionamento muito bem estruturado restrito a 93 carros, com vagas demarcadas, muitas árvores, ducha de água doce, banheiro e serviço de segurança. Do topo do morro, já é possível admirar a paisagem desconcertante dessa praia belíssima e o caminho deslumbrante, que é percorrido em meio à Mata Atlântica com muitas árvores nativas e palmeiras. No mar, arraias, tartarugas e peixes são vistos com frequência. É necessário levar o que for consumir, pois não é permitido comércio de alimentos. É muito frequentada por surfistas por ter ondas perfeitas para a prática deste esporte.

Marcio Masula

Essa praia com areia coberta de conchas naturalmente trituradas pela ação do mar nos seus 150 m de extensão revela uma agradável surpresa. Localizada na Serra do Guararú, tem acesso limitado por número de visitantes. O caminho que leva à praia é muito bem cuidado, com piso, jardim gramado, palmeiras ladeando o córrego e portaria. A vista dessa enseada é maravilhosa; mar calmo com águas cristalinas, cercada por morro verdejante e muitas pedras, luxuosas casas à beira-mar e uma piscina natural formada no refluxo da maré. É ideal para passar o dia, mas é preciso levar água e lanches porque não é permitida a venda de alimentos por ambulantes.


Praias

Marcio Masula

Praia das Astúrias

Naufrágio do navio Príncipe de Astúrias “Segundo alguns dados, foi o maior naufrágio brasileiro e o que mais despertou histórias tocantes. Numa noite tempestuosa de carnaval, passageiros da primeira classe que se haviam deliciado festejando Momo, dormiam cansados esperando o próximo baile. Era o dia 5 de março de 1916, às quatro horas da manhã, quando se escutou o estrondo do choque contra rochas. Corre72 Cidade&Cultura

rEProDuÇÃo

Essa praia era chamada de Guarujá, tanto é que os moradores da praia de Nossa Senhora dos Navegantes dizem que vão até o “Guarujá” para fazer compras, ir ao cabeleireiro etc. O nome “Astúrias” surgiu quando dois tripulantes resgatados do navio naufragado em Ilhabela, o Príncipe de Astúrias, vieram para cá e montaram um restaurante com o mesmo nome do navio. Hoje, é uma das praias mais badaladas e frequentadas do Guarujá, com seus 1.100 metros de comprimento e encravada entre a Ponta das Galhetas e o Morro Piquiu, onde está o famoso Edifício Sobre as Ondas. Além de um banho de sol, passear à noite no calçadão e depois observar os pescadores amadores da Ponta das Galhetas e seus anzóis coloridos e, de vez em quando, observar uma tartaruga se alimentando no costão é muito prazeroso. Ou mesmo conversar com um pescador com anos de vida dedicados ao mar, e poder ver as embarcações ali fundeadas, esperando por mais um dia de labuta. ria e desespero se misturavam aos clarões dos raios que caíam no mar e em menos de 5 minutos todos os resquícios de música, festa e todo o prazer tinham ido literalmente por água abaixo. Era o paquete espanhol de nome Príncipe de Astúrias que, com toda a sua majestade, submergia em águas brasileiras, mais precisamente na Ponta da Pirabura no Arquipélago de Ilhabela”. Fonte: Cidade & Cultura – Ilhabela. ABCD Cultural.


THIAGO ANDRADE

Praia Branca Acessada apenas por trilha, é a última praia, já na divisa com Bertioga. Reduto caiçara, ainda guarda o estilo desse povo que um dia dominou toda a cidade. É repleta de vida selvagem e de pássaros de toda ordem. Seu nome reflete a cor de suas areias branquinhas. “Os fundadores do vilarejo da Praia Branca foram José Neto e Bárbara Ingraça. Os resquícios da memória dos moradores mais antigos apontam esse casal como os primeiros moradores da vila, isto por volta de 1830. As outras pessoas que fizeram arte do início do povoamento desse vilarejo, como Narciso Lemos e Domingos de Barros, estabeleceram moradia definitiva na Vila dos Pescadores em 1910. Os filhos e os netos desses pioneiros geraram a comunidade que habita e preserva essa bela paisagem. Hoje, a Prainha Branca possui cerca de 350 habitantes, sendo 90% descendentes dos primeiros moradores. A comunidade ainda preserva costumes e tradições dos caiçaras mais antigos, como as festas, a convivência e a construção de casas em meio à vegetação.” Fonte: Sociedade Amigos da Prainha Branca.

Praia do Mar Casado

THIAGO ANDRADE

Com 500 m de extensão, a praia do Mar Casado está localizada ao lado da praia de Pernambuco e em frente ao Morro do Mar Casado. Recebe esse nome porque, quando a maré está alta, as águas se juntam com as águas da praia de Pernambuco. Já na maré baixa, ocorre o fenômeno denominado tômbolo, quando um banco de areia liga a ilha ao continente. Nessa ocasião, o banhista pode percorrer a pé a faixa de areia até a Ilha do Mar Casado, mas é preciso ficar atento à maré, pois se ela subir você ficará ilhado.

Praia do iporanga Escondida pela montanha, em um luxuoso condomínio de casas cinematográficas salpicadas nas encostas, estão os 800 m de extensão da praia do Iporanga que, em tupi-guarani, significa “rio” (y) e “bonito” (poranga). Ao descer as escadarias pela Mata Atlântica, ouvindo o canto de diversos pássaros, é comum avistar macacos, esquilos e bichos-preguiça que circulam entre as árvores com muita graça e curiosidade. Antes de colocar o pé na areia, uma placa de boas-vindas aos visitantes, com algumas recomendações, reflete o cuidado dos administradores com a preservação da natureza. As calçadas da orla são ornamentadas com lírios e bromélias e os coqueiros na areia garantem merecida sombra. O mar, com muitas lanchas ancoradas, é calmo, com águas muito limpas, ideal para banhos e mergulho. Mas o maior encanto fica na margem do lado esquerdo dessa enseada: uma cachoeira de águas frias desce a montanha e forma uma piscina sobre pedras antes de chegar ao mar. O restaurante local só é frequentado pelos moradores do condomínio e seus convidados, por isso é necessário levar o que for consumir. O acesso de visitantes é controlado na portaria.


MarciO Masula

Praias

Enseada São 5.600 metros de praia e muita atividade. Uma praia perfeita para a família toda, com ótima infraestrutura de quiosques. Sua areia é fina e o mar calmo, porém com correntezas, então é sempre bom ficar alerta. Bares, restaurantes e o maior número de pousadas e hotéis completam a paisagem. Na orla, as mansões à beira-mar são de fazer cair o queixo, tamanha a beleza das formas de cada uma delas. Família Oliveira Típica família caiçara, cujas lembranças remontam a meados do século 19. Nossa equipe teve o prazer de conhecer detalhes de um tempo de grandes dificuldades, porém maravilhoso. Conversamos com Francisca Cândida Oliveira de Souza, nascida pelas mãos da parteira Dolores, em 1950, e que nos relatou a vida de sua família e de sua infância, na Praia da Enseada. Seu bisavô, Sr. José Rosa de Oliveira, era faroleiro da Ilha da Moela. José era casado com a Sra. Delmira, sua

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prima, pois era costume os parentes se casarem. Possuíam muitas terras, inclusive na Rodovia Rio-Santos. Mas a vida na Ilha da Moela era muito difícil e solitária. Quando vinham para a Enseada, seu meio de transporte era a canoa de voga. Para Delmira ter seus filhos, era obrigada a vir com dias de antecedência para receber auxílio. Conseguimos fotografar uma carta datada de 31 de outubro de 1883, escrita por José, que relata os mantimentos que ainda estavam armazenados no farol para o Capitão do Porto de Santos. O pai de Francisca, Sr. José Avelino de Oliveira, funcionário do Porto de Santos, foi convidado a trabalhar como marinheiro e caseiro de Chiquinho Matarazzo, sobrinho do Conde Matarazzo, que construiu uma casa – que ainda está de pé – para ele e sua família morarem. Foi nessa casa que Francisca nasceu. Ela nos conta que as construções à beira-mar eram do Sr. Paulo Siciliano e dos Matarazzo, que construíram apenas um barracão só para os barcos em um terreno que ia do morro até a praia. Nesse terreno, havia a olaria da família paulistana que sua bisavó lhes havia vendido. Francisca lembra


carta do faroleiro José Rosa de Oliveira ao Porto de Santos de 1883

tucum e jacutinga, além das nascentes nos morros que formavam córregos que desaguavam no mar. A mãe de Francisca, Sra. Maria de Oliveira, era catarinense. Não gostou quando chegou de navio, pois Florianópolis já tinha uma infraestrutura. Ficou um tempo e depois voltou, mas o pai de Francisca não se conformou e foi até Santa Catarina para trazê-la de volta para se casarem. Outra dificuldade era com as compras. O dono do armazém em Santos concordou que, se Maria arrumasse mais duas pessoas, ele levaria os mantimentos até lá para compensar o frete. Vinha na balsa antiga e de caminhão, um verdadeiro off-road. Apesar de morarem em frente ao mar, um problema sofrido era a água potável, pois as que subiam dos poços eram salobras. Desse modo, eram obrigados a subir o Morro das Tartarugas e depois descer pelo costão rochoso onde havia nascente e voltar, sabe-se lá como, trazendo a água. As histórias dessa família reúnem acontecimentos de forte impacto, como foi o caso do naufrágio do navio Charrua Carioca, que desbravou todo o nosso litoral e também o litoral africano, palco de orgulho, mas também de momentos tristes como o cativeiro de escravos. Após muitas viagens, em 1856, sob o comando do Capitão-Tenente Antônio Miguel Pestana, em um trajeto infeliz ao passar entre a Ilha de Santo Amaro e a Ilha das Cabras, levou a pique sua embarcação composta de 82 tripulantes e cinco passageiros dos quais apenas 34 sobreviveram. A família Oliveira testemunhou e ajudou no resgate dos corpos das vítimas. Na praia, na altura do hoje Casa Grande Hotel, foi construída a Capela de Santa Cruz, na qual foi enterrado o Capitão. E são muitas as histórias incríveis que ainda poderíamos contar de um passado não muito distante, do qual apenas nos resta a saudade de um tempo que não volta mais.

casa antiga

REvISTA DA SEmANA N° ESPEcIAl 1902 ANATólIO vAllADARES AcERvO IHG DE SANTOS

THIAGO ANDRADE

com carinho das festas que o Sr. Paulo Siciliano fazia. Tanto os Matarazzo como os Siciliano vinham para pescar, sem luxos. Paulo Siciliano sempre fazia festas ao lado da atual Capela de São Paulo. Nessa época, havia a pesca da tainha com rede e os homens conseguiram em um só dia pescar 9 mil unidades. Eram tantas que muitas foram enterradas na areia. Eles as penduravam em varais de bambu para secar e depois salgar. Já seu pai Avelino era um aventureiro. Até atuou no filme O Caiçara, em 1950, da saudosa Companhia Cinematográfica Vera Cruz. Ele era o marinheiro que levava os barcos até a Ilha Monte de Trigo. Certa vez, na Segunda Guerra Mundial, Avelino montou uma galena para ouvir as notícias e um camarada achou o aparelho estranho. Desconfiado, chamou a polícia, que apreendeu o equipamento e o acusou de espião alemão. Foi difícil explicar, mas no fim deu tudo certo. Também tinha a função de prender os “marginais” quando havia festa, e ele participava para manter a ordem. Era o “xerife” da Enseada. Mas não havia crime nenhum; só havia alguns que bebiam a mais. Naquele período, houve apenas um assassinato e foi algo tão gritante, tão chocante, que o bandido sumiu. A vida era sacrificada pelas distâncias que todos tinham que percorrer para ir à escola, fazer compras, ir ao médico (este só quando as ervas medicinais não davam conta), ou seja, tudo era distante, pois o caminho para ir ao “Guarujá” era feito pela praia e depois por uma trilha no Morro da Campina (Maluf); o resto era só mata fechada. A praia era recoberta pelo jundu e havia paca, cotia, gambá, veado, porco-do-mato, esquilo, cobra caninana, cobra-cipó, jararaca, Joãobolão, abricó, araçá, cambucá, jambo, caju, manga, goiaba branca, vermelha e cabeça-de-nego, jabuticaba, abacaxi, coco de babaçu, coco

contagem das Tainha

Guarujá 75


FOTOS MarciO MaSula

Praias

Praia do Perequê Em tupi-guarani, piralke – perequê significa “entrada de peixe para desova ou alimentação”. Inicialmente, uma vila isolada do restante da ilha por sua localização geográfica distante 13 km do centro, a Vila do Perequê era constituída por famílias caiçaras vindas de várias partes do litoral norte do Estado de São Paulo, além de paranaenses e catarinenses (“os catarina” como os locais chamavam esses “forasteiros”). Sua formação, com 2.400 m de comprimento e o Rio do Peixe no lado direito da praia, fizeram desse lugar um santuário para a pesca de peixes e para a catação de siris e caranguejos, dada a formação de manguezal no interior da vila. Os moradores antigos conseguiam sobreviver da venda de banana, lenha, e peixes no mercado de Santos. Para ir vender seus produtos, utilizavam barcos e canoas, dando a volta pelo canal de Bertioga até chegar ao Mercado Municipal de Santos. Fora as casas caiçaras, existiam uma usina de açúcar, uma igreja e uma olaria. A vida era calma e cheia de música e danças. Com a abundância de pescado, principalmente o camarão, os caiçaras conseguiram aprimorar suas técnicas pesqueiras e se profissionalizaram, conseguindo barcos maiores. Conversamos com Ricardo Itano, nascido de parteira nessa praia, que narrou os acontecimentos desse reduto caiçara desde a vinda de seus avós para cá em 1936. Naquela época, só havia três famílias.Era o período pósRevolução Constitucionalista de 1932, quando os imigrantes japoneses ainda não eram bem aceitos. Apesar de seus avós serem de família tradicional pescadora do porto de Kagawa, no Japão, ao chegarem ao Brasil tiveram que trabalhar por dois anos nas lavouras de Jundiaí, no interior paulista, pois assim regia o contrato. Findo o prazo, seu avô, Jitaro Itano, foi morar em Ilhabela onde introduziu o sistema de pesca de cerco flutuante, sistema esse que 76 Cidade&Cultura

foi difundido em todo o litoral sul fluminense e no litoral paulista. Jitano, que era descendente de samurais da época feudal, foi tido como um justiceiro e, por esta razão, precisou sair do Japão, tendo que adotar o sobrenome de sua esposa. Quando chegaram ao Perequê, a pesca se desenvolveu, pois o peixe era farto. Na época, ainda usavam o salgamento dos peixes, devido à falta de eletricidade. Faziam um varal e um tablado de bambu e deixavam o peixe 24 horas em salmoura, depois o expunham ao sol por três dias e, depois isso, guardavam o pescado em sacos de algodão para eliminar o resto de umidade. Com o advento dos geradores, em 1968, montaram grandes câmaras frigoríficas e levavam seu produto até Santos. A vida era difícil, havia apenas uma trilha, mas melhorou quando a estrada chegou, em 1976. O pai de Itano seguiu na pesca de camarões com o barco Novo Oceano. Teciam a rede na mão, feita de fios de algodão. A vida de pescador sempre foi dura devido às condições da natureza. Um exemplo é quando o mar fica repleto de águas-vivas no verão e é necessário pescar de madrugada, pois, como ela vive na superfície para fazer a fotossíntese, acaba entupindo os poros das redes. Além do camarão-sete-barbas, existe a pesca da pescada-branca, do cação, da corvina, do linguado, do peixe-espada e da pescada-cambucu. Hoje, Ricardo Itano é antes de tudo um pescador, mas também é Conselheiro Nacional da Pesca Brasileira, trabalhando na legislação pesqueira, no zoneamento ecológico de planejamento e na defesa dos pescadores. O que lamenta é a falta do jovem pescador por ser uma vida muito sofrida. Perequê é uma das maiores comunidades tradicionais pesqueiras do Estado de São Paulo, com 200 embarcações registradas e 150 pescadores vivendo da pesca artesanal. A praia é também referência na culinária especializada em peixes e frutos do mar da região.


Praia de Pernambuco

THIAGO ANDRADE

Segundo pesquisas da Universidade de São Paulo – USP , o Homem de Maratuá é possivelmente o mais antigo já encontrado no Estado de São Paulo, e os sambaquis de Maratuá, Mar Casado e Buracão são um retrato dessa época, que data de 8.000 a.C. Foram encontrados agulhas e ossos humanos totalmente destroçados, o que significa que provavelmente o Homem de Maratuá era antropófago, além de praticar a pesca e a caça de pequenos mamíferos. A família de Ricardo Itano (vide Praia do Perequê) instalou-se primeiramente nessa praia com seu sistema de pesca de cerco. No canto direito da praia, ainda vemos o muro de pedras, construído para esse tipo de pesca, principalmente a da tainha, a qual só pode ser pescada quando se avista o cardume.

Na década de 1940, a área que compreende a praia de Pernambuco pertencia à família Prado, em um sítio de nome Pernambuco com uma área de 134 alqueires, comprada de Lafayette Branco Coelho. Esse sítio era tão grande que ia até o Rio do Peixe na praia do Perequê. Nessa mesma década, os Prado, começaram a lotear as terras e ficaram com o canto direito da praia de Pernambuco, em frente ao Mar Casado, onde construíram um local agradável para receber os amigos. O lugar era tão bonito e encantador que Marjory Prado fundou o Hotel Jequitimar,. Muitos hóspedes ilustres passaram ali dias memoráveis. Tornou-se também uma galeria de arte, abrigando obras de autores como Tomie Otake e Di Cavalcanti, entre outros.

Praia Preta “Rústica” e “selvagem” são os dois adjetivos certos para essa praia de apenas 200 m de extensão. Pequeníssima, porém linda. Cercada pela Mata Atlântica e com mar forte, chega-se a ela por trilha que sai da Praia Branca ou por barco. Guarujá 77


Marcio Masula

Praias

Praia do Tombo Há muitos anos, essa praia era cercada por pés de abricó e foi palco de tristes acontecimentos históricos. Para termos uma ideia, em 1883, o número de escravos na cidade era maior do que o número de colonos livres. Segundo moradores antigos de Guarujá, os escravos vindos em navios negreiros aportavam perto da praia do Guaiúba e seguiam a pé até a praia do Tombo. Os cativos, enfraquecidos pelo longo trajeto do navio e as dificuldades da trilha, tombavam nessa praia por falta de forças, então os traficantes os matavam para que não houvesse dúvidas de que os negros estavam fingindo. Por isso a palavra “tombo” deu origem ao nome dessa praia. Mas, se formos analisar as condições geológicas do lugar, percebemos imediatamente que é uma praia típica de tombo (vide boxe). Em 1886, houve uma grande imigração de estrangeiros, que instalaram arrozais, bananais e destilarias em toda a Ilha de Santo Amaro, e aqui estabeleceramse os alemães que mantinham sítios com cabras, cavalos, porcos e também plantavam. Dos escravos e dos alemães, o que se tem hoje é um exemplo premiado de conservação dos seus 856 metros de praia e respeito à natureza, pois essa é a única praia brasileira a ter, desde 2010, a Bandeira Azul, um prêmio dado ao cumprimento de 32 critérios de segurança, balneabilidade, informação e educação. Entre o Morro da Caixa d’Água e o Forte dos Andradas, o que se vê é qualidade para os banhistas, com muita informação, cestos de coleta seletiva, guardavidas, vagas para idosos e rampas para cadeirantes, 78 Cidade&Cultura

bebedouro com água potável etc. A Bandeira Azul é dada pela Organização Não Governamental Foundation for Environmental Education (FEE), a qual atesta a sustentabilidade de praias e marinas mundo afora. Os responsáveis por todos esses cuidados são o Núcleo de Informação e Educação Ambiental da Praia do Tombo e do poder público. “São aquelas que possuem relevo do fundo com grande inclinação, aumentando a profundidade abruptamente logo após a zona de varrido. A arrebentação é quase ausente, podendo eventualmente aumentar o tamanho das ondas, mas a quebra da onda ocorre sempre na zona de varrido. A areia é composta de grãos mais grossos. Possui, logo após a face da praia, um degrau bem acentuado, chamado de berma, seguido de um declive muito mais acentuado ainda. A menos de um metro da zona de varrido, a profundidade é suficiente para encobrir uma pessoa adulta. Na pós-praia, as cúspides praiais são bem nítidas. Possuem correntezas de retorno fracas, mas que são acentuadas próximas a costeiras. Os riscos a que ela expõe o banhista são a profundidade, que aumenta abruptamente, e as ondas, que são predominantemente do tipo mergulhante (caixote), que, dependendo de sua potência no dia, podem atingir o banhista com força a arrastá-lo para o fundo, ainda que ele esteja na zona de varrido. São ausentes as valas e os bancos de areia.” Fonte: www.polmil.sp.gov.br/unidades


Acqua Mundo

Tubarão-lixa

Veja a seguir uma relação de algumas espécies encontradas nesse santuário de aprendizado: 80 Cidade&Cultura

FOTOS ThiagO andradE

Em um espaço de 5.775 m², com mais de 1 milhão e 400 mil litros de água, está construído um dos maiores centros de exposição de animais, principalmente aquáticos, da América do Sul. Se você for um apaixonado pela vida marinha, não há melhor lugar para se visitar. E não é só para os adultos: as crianças também poderão participar de uma viagem ao mundo de Netuno, com monitoramento. Esse complexo foi montado com a função primordial de educação ambiental, para que todos pudessem entender a fragilidade do ecossistema marinho, o que é demonstrado com a criação de espaços de vivência de forma agradável e lúdica. São 49 espaços divididos em água doce, salgada, aquaterrários e terrários. Não é possível especificar a atração principal, pois em todas há algo de especial, coloridos magníficos e formas transversas. De pinguins a cobras, passamos por tubarões, formação de corais e jacarés. No tanque intitulado “Oceano”, temos uma das raras oportunidades de observar cardumes fazendo as coreografias que só vemos em filmes e documentários. Ou seja, é imperdível. Tudo isso em ambientes que reproduzem fielmente o hábitat de cada espécie. Todos os animais expostos aqui são de reprodução em cativeiro ou recebidos por doação. Há um laboratório para pesquisas e veterinários que, além de cuidarem do plantel, reabilitam algumas espécies para que voltem ao seu hábitat natural. Onde: av. Miguel Stéfano, 2001 – Enseada.

pode chegar a até 4 m de comprimento e pesar 500 kg. A fêmea põe em média trinta ovos por vez e são maiores do que os machos. Durante o dia, descansam no fundo do mar ou em grutas. São ativos durante a noite e se alimentam da maioria dos peixes e crustáceos que encontra ao seu redor. Vive ao longo da costa do Oceano Atlântico.

Iguana verde Tem 200 espécies e a nossa é a maior de todas. Com 2 metros, alimenta-se de insetos e frutas. Vive na Mata Atlântica. E essa linda donzela que hoje mora no Acqua Mundo chama-se Rita.


Pampo “(...) atinge cerca de 6 kg e 80 cm de comprimento e briga como os peixes grandes. O corpo tem formato losangular e é fortemente comprimido. Está provido de uma poderosa nadadeira caudal furcada, que confere à espécie força e grande rapidez... seu hábitat preferido são as zonas de arrebentação de praias arenosas, duras e de tombo, conhecidas como zonas de surfe. Pode também ser encontrado em costões e lajes, assim como em praias entremeadas por rochas, sempre próximo a áreas com ondas ou correnteza. É nessas regiões que os pequenos cardumes aguardam, ávidos, a chegada da próxima onda, que revira o fundo e expõe os animais que fazem parte da sua dieta. Pampos consomem boa variedade de itens alimentares como crustáceos (tatuís, siris, caranguejos, camarões etc.), moluscos (...).” Fonte: http://revistapescaecompanhia.uol.com.br

Gecko-leopardo “são répteis nativos dos desertos rochosos do norte da Índia e do Paquistão, atingem tamanho médio de 20 cm a 25 cm, e peso até os 100 g, sendo que os machos são ligeiramente maiores do que as fêmeas. Têm hábitos noturnos, e se alimentam de insetos que caçam com grande destreza.” Fonte: www.terrario.org

Jiboia “É uma serpente de médio ou grande porte, não peçonhenta, da família Boidae. É uma cobra muito pacífica e extremamente lenta. Pode demorar até 1 hora para percorrer uma distância de 500 metros. Apesar de várias lendas citarem jiboias imensas, essa espécie geralmente não ultrapassa os 4 metros de comprimento. seu peso pode atingir os 40 kg. Essa serpente habita as Américas do sul e Central, principalmente na Floresta Amazônica e nas florestas da Costa Rica. Nessas regiões existem por volta de 11 subespécies de jiboia. No Brasil é encontrada, além de na Amazônia, na Mata Atlântica, no cerrado, nas restingas, na caatinga e nos mangues.” Fonte: www.infoescola.com

Peixe-pedra Confundido facilmente com corais e pedras, medindo até 60 cm, é extremamente venenoso e capaz de matar um ser humano. Pode viver até um dia sem estar no mar, ou seja, um peixe com muita resistência. Encontrado nos oceanos Pacífico e Índico, alimenta-se de pequenos peixes e crustáceos. Guarujá 81


Bragança Paulista 91

Esportes

aventuras Muita ação e variedade em

Voo Livre

Boas correntes de vento e vista paradisíaca são um convite para os amantes desse esporte. Os melhores pontos de voo identificados pelos mais experientes indicam o Pico das Galhetas, com descida na Praia do Tombo, e o preferido, o Morro do Maluf, por ter infraestrutura adequada e com melhores condições de vento. A prática do voo livre se intensificou na década de 1990 e, após a aprovação de lei municipal, foi concretizado o Clube de Voo Livre do Guarujá, em julho de 2010, certificado pela Associação Brasileira de Voo Livre, garantindo autonomia para organizar eventos e instruir interessados na arte de voar.


Pedro rezende


Esportes

Segundo Otaviano Taiu Bueno, surfista considerado o pai do big surf brasileiro, a cidade do Guarujá é um reduto para os surfistas do Estado de São Paulo inteiro, pela qualidade e a constância das ondas. Desde os anos 1960, essa prática vem se desenvolvendo cada vez mais por meio da contribuição de famosos praticantes: Paulo Tendas, Olavo Rolim, Carlos Barsotti, Roberto Alves, Sérgio Gaidão, Tinguinha e Neno Mattos. Já nos anos 1970, os fabricantes das pranchas Jackola, com formato havaiano, Thyola e Johnny Rice (californiano), fizeram da praia do Tombo sua residência por muitos anos. Nas águas da praia de Pernambuco, vários ícones do surfe deixaram sua marca, como Picuruta Salazar e Almir Salazar. No Rabo do Dragão, as praias Branca e São Pedro foram invadidas pelo surfe e assim também o lado selvagem da Ilha de Santo Amaro. Atualmente, a cidade tem dois campeões mundiais juniores, Adriano de Souza e Caio Ibelli. O Guarujá é uma cidade propícia à prática desse esporte, pois suas praias podem receber desde o iniciante até os veteranos. As melhores praias são: Enseada, Pitangueiras, Tombo, Pernambuco, São Pedro, Guaiúba, Branca, Preta e Camburizinho. Um espetáculo à parte é o surfe noturno, e isso pode acontecer com segurança no Canto do Maluf, na Praia de Pitangueiras, devido a sua iluminação. 84 Cidade&Cultura

Fotos Marcio Masula

Surfe


Thiago andrade

Pirata

Thiago andrade

Alcino Neto nasceu e vive entre ondas, areia e sol. Desde os 8 anos de idade, começou no surfe e nunca parou, mesmo com os percalços que a vida lhe apresentou. Sinônimo de superação, força de vontade, determinação e, principalmente, amor ao esporte, Alcino driblou os obstáculos após um acidente grave, quando tinha apenas 15 anos, em função do qal perdeu a perna esquerda. Depois de seis meses, começou a fazer natação e, mais tarde, certamente voltou ao seu hábitat natural, ou seja, o mar. Muitas técnicas novas ele teve de elaborar para ter o equilíbrio necessário em sua prancha, porém, a determinação sempre falou mais alto e não teve dúvidas: sem condições financeiras fez uma prótese de madeira (daí seu apelido), e seguiu com sua arte. Com os resultados obtidos e a segurança necessária, Pirata resolveu montar uma escola de surfe para deficientes físicos. E foi mais além das expectativas: em seu espaço, na praia de Pitangueiras, montou o Pirata Surf Club, um local muito interessante com peças históricas do surfe de Guarujá. Valeu o exemplo.

Guarujá 85


Esportes

Golfe O golfe chega ao Brasil no final do século 19, por iniciativa de engenheiros ingleses e escoceses que construíam a Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, a antiga São Paulo Railway. Eles convenceram monges beneditinos a ceder parte do terreno do Mosteiro de São Bento para a construção do primeiro campo de golfe do país, na região atualmente situada entre a Estação da Luz e o Rio Tietê. Devido à expansão da cidade em direção ao rio, em 1901 o campo teve de ser transferido para o Morro dos Ingleses, próximo à confluência das avenidas Paulista e Brigadeiro Luiz Antônio, dando origem ao São Paulo Country Club, que teve o primeiro campeonato interno vencido por J. M. Stuart, em1903. A primeira entidade de golfe do Brasil foi a Associação Brasileira de Golfe, criada em 1958, no Rio de Janeiro. Atualmente, o Brasil tem aproximadamente 25 mil praticantes, sendo quase 80% homens, e conta com 115 campos. O Guarujá Golf Clube, localizado na Praia de Pernambuco, oferece aos praticantes um campo plano, com onze buracos e saídas diferentes para a segunda volta, fairways estreitos (a parte central do campo, com relva bem aparada, onde a bola deverá aterrar), assim como armadilhas naturais que exigem perícia e precisão dos golfistas. Os lagos artificiais em praticamente todos os buracos são um desafio à parte. Onde: Av. das Américas, 545 – Praia de Pernambuco 86 Cidade&Cultura

“Meu nome é kaio Nascimento dos Santos, nasci em 1997, comecei aos 5 anos a jogar golfe e gostei, porque é um esporte de muita concentração. Tenho mais de 90 troféus e já representei o Brasil na Bolívia. Só em 2013 fui campeão do Aberto do Guarujá, Campeão Juvenil no Guarujá, Campeão em Ribeirão Preto, Lago Azul e Scratch do Guarujá”.

DivuLGAÇÃO

AcervO JequitimAr

mArceLO BicuDO

Panorâmica Guarujá Golf clube


Osmar COsta JuniOr

Esportes

Beach Tennis (Tênis de praia) Originário da cidade de Ravena, na Itália, chegou ao Brasil em 2008. Os primeiros jogadores eram os amantes de tênis e frescobol. No Guarujá, essa modalidade chegou em 2011, na praia do Tombo e depois na praia do Guaíúba. Com uma rede semelhante à do vôlei colocada a 1,70 m de altura, quadra demarcada por fitas, raquetes exclusivas feitas de grafite kevlin ou carbono, e bolas de tênis com menos compressão, temos tudo o que precisamos para a prática do esporte. Vamos às regras: semelhantes ao tênis, principalmente na contagem dos pontos, os saques são dados sem vantagem, valendo a contagem no primeiro saque. Em caso de duplas mistas, necessariamente os saques devem ser feitos por baixo; já nas outras categorias o saque já pode ser dado como uma cortada. Algumas jogadas se assemelham também com o vôlei, onde vemos inclusive "peixinhos" dados pelos jogadores para buscar bolas curtas próximas da rede. Podem se formar duplas mistas, masculinas e femininas. O mais interessante desse esporte é que pode ser jogado por pessoas de qualquer idade de 8 a 80 anos, sem distinção. Atualmente, o Guarujá tem cerca de 100 jogadores/praticantes, e uma boa parcela já participou de torneios, como os Jogos Abertos de Santos, oTorneio da CBT – Trasmontano Guarujá, o Open de Porto Seguro e os Jogos Regionais de Mogi das Cruzes. No Torneio Aberto de Porto Seguro, foram cinco jogadores e Osmar Costa Jr. levou a taça de vice-campeão da categoria Master 50 +. Locais de

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prática: Guaiúba (2 redes), Astúrias (1 rede) e Enseada (3 redes). Diante do grande sucesso desse esporte foi montada a ABTG – Associação de Beach Tennis de Guaiúba, no “Point das Dunas”, com Osmar Costa Júnior na presidência.Ele diz: “Nossa Associação foi iniciada em dezembro de 2011 e teve como principal objetivo trazer e fomentar o Beach Tennis em nossa região, com parcerias e apoio da Prefeitura. Porém, quando esta foi criada, já pensamos em fazê-la com um estatuto que permitisse futuramente ampliá-la com projetos para a prática esportiva de crianças carentes e de trazer grandes eventos e torneios dessa modalidade para o nosso município, até mesmo como um incentivador do turismo esportivo”. Osmar nos conta sua história dentro do esporte: “Comecei a jogar quando montamos a Associação, em dezembro de 2011, e de lá para cá nunca mais parei. Antes, meu esporte era o surfe, mas depois que conheci o BT nunca mais entrei no mar; prefiro as areias e uma rede de BT. O mais legal desse esporte é que você pratica brincando e num clima bastante descontraído, do qual participa toda a família, pais jogam com os filhos, maridos com as esposas e os amigos de uma forma geral. A comunidade do BT é muito grande e está em quase todas as praias brasileiras. Nesses torneios fazemos amizades com jogadores de todo o Brasil e exterior. Digo sempre que é um esporte que praticamos nos divertindo e por isso não sentimos, e que fortalece os membros inferiores devido à areia fofa, assim como os membros superiores, e é bastante aeróbico, queimando muitas calorias. Além disso, oferece uma maravilhosa integração e cria amizade entre os praticantes”.


“Esporte em que o praticante desce a onda deitado ou de joelhos numa prancha, que mede de 38” a 42”. Para auxílio da prática do desporto, utilizam-se pés de pato, que servem para auxiliar na entrada da onda e na execução de manobras.” Fonte: www.guaruja.sp.gov.br

Os melhores locais para se praticar bodyboard são as praias de Guaiúba, Tombo, Astúrias, Pitangueiras, Enseada, Pernambuco, São Pedro e Iporanga.

Motonáutica

FOTOS ShUTTerSTOck

No Costão da Península, na Praia da Enseada, você encontra a oportunidade de pilotar os famosos jetskis com toda a infraestrutura necessária. No Canal de Bertioga estão as maiores garagens náuticas, espalhadas ao longo da estrada Guarujá-Bertioga. E, se você quiser ir mais além, pode desfrutar de lindos lugares nas Ilhas de Pompeba e das Cabras.

DIVULGAÇÃO

Bodyboard Pesca Submarina Alexandre Yamaguchi, natural de São Paulo, aos 5 anos mudou-se com a família para o Guarujá, onde teve a oportunidade de praticar mergulho. Com mar de boa visibilidade e também bom para a pesca, tanto de caniço como a pesca submarina, o Perequê foi o local que também fez desse esporte seu ganha-pão, pescando de arpão e também na apneia (sem respirar). Com a proibição da venda do pescado por esse método, passou a ministrar cursos e transmitir aos outros suas experiências. A pesca sub, feita da forma correta, não agride o meio ambiente, respeita os limites de captura e não deixa nenhum resíduo. O Guarujá tem praias muito acessíveis para esse esporte, principalmente as do Guaiúba, Pernambuco e Perequê, por saídas da praia ou de barco. “Comecei a pescar bem cedo e cresci no esporte. Nas águas do Guarujá aprendi a me fortalecer como atleta. Não podendo ser mais pescador profissional, passei a fazê-lo da forma amadora. Comecei a participar de competições, me firmando várias vezes vice-campeão estadual, campeãopaulista em 2012, campeão da Copa São Paulo de Pesca Sub e, em 2013, conquistei o título de vice-campeão brasileiro pela CBPDS (Confederação Brasileira de Pesca e Desportos Subaquáticos). Convocado a fazer parte da Seleção Brasileira de Pesca Sub, fui a Miami representar o Brasil no Pan-americano ficando em 4° lugar na geral e em 1° na primeira etapa. No final das contas, eu devo muito às águas dessa cidade maravilhosa, que me acolheu e na qual vivo até hoje.” Guarujá 89


trilha da prainha

FOtOs thIAGO AnDrADe

Esportes

Palavra de origem sul-africana que significa seguir uma trilha. A palavra trek foi muito utilizada no início do século 19 pelos worktrekkers, os primeiros trabalhadores holandeses que colonizaram a África do Sul e só dispunham da caminhada para se locomover pela região inóspita. Depois da invasão do território pelos ingleses, a palavra passou a ser empregada para as longas e difíceis caminhadas realizadas pelos exploradores. A atividade nos remete a caminhar, trilhar, andar. A prática está subdividida em graus de dificuldade, que vão de caminhadas leves em terrenos suaves e descampados, caminhadas médias em terrenos acidentados, mata e escalada a caminhadas difíceis em terrenos muito acidentados ou com mata fechada. Para aproveitar sua caminhada use roupas confortáveis, calçados adequados e, na mochila, leve equipamentos que possam livrá-lo de situações difíceis como canivete, apito, cantil, estojo de primeiros socorros, lanterna, bússola, isqueiro, roupa extra, mapa, celular, comida extra e saco de lixo. No Guarujá, as caminhadas levam às praias menos concorridas da região, com inúmeras possibilidades para desfrutar desse esporte e conhecer lugares paradisíacos. 90 Cidade&Cultura

DIVULGAÇÃO

Trekking


Trilha da Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande O acesso, gratuito, é por meio da estrada do bairro de Santa Cruz dos Navegantes, próximo ao Clube Saldanha da Gama, no Guarujá. A trilha tem nível de dificuldade leve e conduz os viajantes até a Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande. Situada em frente ao estuário de Santos, é garantia de um passeio muito agradável, repleto de história e belezas naturais. Trilha da Praia do Éden O acesso é pela Estrada do Pernambuco (Av. Marjory da Silva Prado), por meio do portal do Condomínio Sorocutuba, aonde se chega caminhando ou de carro até o topo do morro. Tem duração aproximada de 20 minutos, nível de dificuldade moderado e, descendo cerca de 40 metros por uma escadaria de pedra em meio à vegetação, chega-se à Praia do Éden. Trilha da Praia Preta e Camburí O acesso é pela Praia Branca, tem duração aproximada de 2 horas e o seu nível de dificuldade é alto, exigindo de seus praticantes um pouco mais de energia. Porém, proporciona experiências inesquecíveis, já que durante toda a sua extensão a natureza que pode ser contemplada é praticamente intocada. A Praia Preta, com sua beleza singular, e a praia do Camburí, banhada de um lado pelo mar e do outro pelas águas do rio da Serra do Guararú, oferecem aos visitantes uma verdadeira visão do paraíso. Trilha da Praia Branca Tem início no portal da Sociedade dos Amigos da Prainha Branca, ao lado da travessia de balsas GuarujáBertioga, ao final da Rodovia Ariovaldo de Almeida Viana (SP61), também conhecida como Rodovia GuarujáBertioga. Chamada também de Trilha Alta, com duração de aproximadamente 20 minutos, é um ótimo passeio, realizado por um caminho suave com calçamento de pedras, e oferece aos usuários facilidade de acesso e uma espetacular interação com a Mata Atlântica. Ao longo do percurso, podem ser observadas milhares de espécies de plantas, animais e, do seu ponto mais alto, a bela vista da ilha junto à praia, o cartão-postal do passeio.

Caminho da igreja

Trilha das Ruínas Assim como a Trilha da Prainha Branca, inicia-se no portal da Sociedade dos Amigos da Prainha Branca. É também conhecida como Trilha Baixa, tem duração de aproximadamente 40 minutos e nível de dificuldade moderado. Ao longo do trajeto, é possível observar as ruínas da Armação das Baleias, localizada à margem do canal de Bertioga e as ruínas da Ermida de Santo Antônio do Guaibê. Trilha do Conde Essa trilha, de propriedade particular e administrada pelo Instituto Litoral Verde, situa-se no km 14,5 da estrada Guarujá- Bertioga, na Serra do Guararú. O acesso é feito por estrada também particular, do CEME (Centro de Estudos do Meio Ambiente). O local, em meio a um sítio arqueológico, além de reunir uma trilha ecológica belíssima e rodeada pela Mata Atlântica em toda a sua diversidade, permite a prática de esportes radicais como rapel e tirolesa, com segurança e muita emoção. Guarujá 91


Marcio Masula

Esportes

O stand up paddle, mais conhecido como SUP, começou a ser praticado no Havaí no início do século 20, quando alguns nativos usavam as grandes pranchas de madeira para se locomover pelas ilhas carregando mantimentos e objetos com auxílio de um remo. Existem outros relatos de que alguns nativos também já praticavam o SUP, com o objetivo de manter a forma e melhorar alguns atributos físicos. O stand up paddle começou a tomar forma nas mãos de lendas como Duke Kahanamoku e seus Wakiki Beach Boys. Com a evolução do esporte ao longo dos anos, as pranchas foram ficando mais leves e adaptadas para a prática. Apesar de ser uma das modalidades do surfe mais antigas do mundo, o stand up paddle teve seu ''renascimento'' no início deste século, quando os havaianos Laird Hamilton e Dave Kalama passaram a praticar e divulgar o esporte. Por volta do ano 2000, o SUP começou a virar febre na terra do futebol, conquistando inúmeros adeptos. Na cidade do Guarujá, o SUP cresceu com a ajuda da G-Zero que em 2007, no início de suas atividade, forneceu várias pranchas de stand up paddle a preço de custo para várias escolas de surfe do Guarujá e do Brasil. O SUP pode ser praticado em qualquer lagoa, rio, represa ou praia, além de realizar passeios, travessias ou surfar. Não exige que o iniciante tenha grandes habilidades nem excelente condicionamento físico; é aconselhável apenas saber nadar, como medida óbvia de segurança. O SUP se divide em uma sé-

92 Cidade&Cultura

acervo escola de surf do Guarujá

Stand Up Paddle

rie de modalidades que vão desde o simples passeio até deslizar em corredeiras, surfar e pescar. Por isso, não há limite de idade ou preparação física para quem quer começar. Já existem inclusive pranchas adaptadas para cadeirantes. Também pode ser utilizado para manter a forma e ter um excelente condicionamento físico, praticado com frequência e de forma segura, pois é um exercício aeróbico e anaeróbico, dependendo da intensidade com que é praticado, porque trabalha coração, pulmões, ombros, peito, glúteos, panturrilhas e outros músculos.


Pesca Amadora

Os praticantes desse esporte fazem parecer tudo muito fácil. Deslizam para cá e para lá, fazem manobras, voam, vêm próximo à praia, tudo isso como se estivessem apenas atravessando a rua. Mas não se engane. É necessário muita prática, perícia, muito treino

e condicionamento físico para executar as manobras. O kitesurf, kite – pipa e surfe – navegar, foi inventado por dois irmãos franceses, em 1985. O equipamento é formado por uma prancha de surfe com suporte para os pés, uma pipa presa à cintura e uma barra que serve para o esportista direcionar a pipa impelida pelo vento. Todo esse balé aquático pode ser visto em praias abertas como Enseada, Pernambuco e Pitangueiras.

Thiago andrade

Kitesurf

Marcio Masula

O Guarujá possui uma completa estrutura para a pesca. Na praia do Perequê é fácil alugar barcos para a pesca em alto-mar com piloteiros, isca e gelo. Para quem curte pesca com molinete, existem dois locais interessantes: o Mirante da Gávea, na Praia de Pitangueiras, e a Ponta das Galhetas, na Praia de Astúrias. Outro local bom de pescar é o Costão do Morro do Maluf. Já na Praia do Guaiúba a pesca pode ser feita diretamente na praia ou no Costão. No Canal de Bertioga você tem a oportunidade de locais apropriados para a pesca da tainha e do peixe-espada, além de camarão.

Guarujá 93


Cultura Caiรงara

A mistura

que deu certo 94 Cidade&Cultura

FOTOS MarciO MaSula

Pescaria canal de Bertioga


O que é o caiçara? Caiçara é a miscigenação de portugueses com índios tupi-guarani, com características específicas de costumes litorâneos. O termo “caiçara” ocorre apenas nas regiões Sul e Sudeste do país. Apesar do choque cultural entre índios e portugueses – os primeiros, ainda nem conheciam o metal e os segundos já navegavam além-mar há muito tempo –, com o tempo as diferenças foram diminuindo e comungando entre si. E é nessa comunhão e nessa troca de conhecimentos que se dá a realidade caiçara: a vida aliada aos poderes da natureza e à “tecnologia” lusitana, infiltrada no dia a dia desse povo. Ser caiçara é saber conviver com a mata fechada, as plantas “curadeiras”, os felinos à espreita. É conhecer o melhor tronco para a melhor canoa, é saber conviver com o mar, seus mistérios e seu temperamento, muitas vezes tempestivo, é saber tecer a rede, em suas tramas mais profundas, um dia após o outro. É se proteger dos raios, saber a hora de voltar para terra. É a luta constante da sobrevivência ao som das ondas estourando na praia. É a mistura da farinha com o camarão seco ou o peixe salgado. É o pirão da cabeça do pescado. É o vento entrando de sul e arrastando o que tem para arrastar, é reconstruir o que foi levado e carregar no coração a fé de um dia de sol.

Fabricação da canoa “Ainda hoje é tarefa de artista. Usando de recursos primitivos e muita habilidade, o caiçara lavra a madeira formando superfícies incrivelmente planas, de contornos retos e curvos, só com o auxílio

Perequê

do machado e da enxó (uma espécie de machadinho com lâmina transversal), pois não sabe usar o serrote, nem plainas e nem formão. Escolhida a árvore – não muito distante do rio, para facilitar o transporte do barro até a água –, o caiçara derruba e constrói a canoa numa pequena clareira ali mesmo, em plena mata. O desenho, ou “risco”, da embarcação é feito por um “mestre” que às vezes vem de longe só para isso. O desenho é muito importante para que a canoa não fique desequilibrada dentro da água. Depois de riscado o contorno, a tarefa é passada ao próprio dono da canoa. Com um machado bem afiado, ele corta o miolo, que é picado em cavacos e gravetos. Então o caiçara põe fogo na madeira, formando dentro do tronco um braseiro, que é controlado com água para não

queimar além do necessário. Depois que o fogo consome a maior parte da madeira, ficando só uma fina camada – mais fina junto às bordas e mais grossa no fundo, para dar estabilidade –, o caiçara usa a enxó para retirar as partes queimadas, ajustando a cavidade ao desenho riscado. Depois lavra e alisa toda a madeira para que não tenha saliências, lascas, farpas perigosas. Finalmente chega o dia festivo do lançamento da canoa à água, o que é feito por mutirão, pois ela é muito pesada. Convidam-se vizinhos e amigos, abre-se uma picada até a beira do rio e a canoa é empurrada sobre roletes – pedaços de troncos roliços que são recolocados à frente conforme os de trás ficam livres. Tudo isso em clima de festa.” Fonte: A Serra do Mar e a Baixada, Samuel M. Branco. Editora Moderna

Guarujá 95


Cultura Caiçara

Infância caiçara

Perequê

Perequê

FOTOS MArciO MASulA

Alambique

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Conversamos com Helena Cristina de Oliveira Freitas, atualmente com 60 anos, que nasceu e viveu até os 17 na praia do Góes. Ela nos conta que seu avô, Francisco Lopes de Oliveira, veio de Ubatuba para trabalhar na Cia. Docas de Santos. Pela empresa, morou na Usina de Itatinga, em Bertioga, foi para o bairro Monte Cabrão e depois se fixou na praia do Góes, onde criou seus filhos. Cristina fala que a vida era boa. À tarde, sua mãe, Conceição Helena, pedia a ela e aos seus irmãos para pegarem o guaiá nas pedras para a “mistura” do jantar. O guaiá é um crustáceo que vive entocado nas pedras e, para pegá-lo, amarra-se uma isca na ponta de uma vara e esta é colocada perto das rochas; depois assobia-se várias vezes e o animal sai da toca e pega a isca. É preciso tomar muito cuidado, pois suas pinças são poderosas e podem arrancar um dedo. Também pescavam de tarrafa, que é feita com uma rede redonda com pesos distribuídos ao redor; o pescador atira a rede que se abre antes de cair no mar, e para isso precisa ter a técnica do arremesso. Em seguida, ele puxa a rede com os pescados dentro. Para irem à escola, que ficava em Santos, atravessavam de canoa. Se o mar não estava em boas condições, iam a pé pelo costão rochoso da Fortaleza até a praia de Santa Cruz dos Navegantes e depois pegavam a barquinha. Era assim: em vez de carros, canoas. A praia ficava isolada do restante da Ilha de Santo Amaro, então,


Cultura Caiçara

Mosquito Pólvora O maruim, nome em tupi que significa mosca pequena, ou o popularmente chamado mosquito polvinha, mede no máximo 2 mm, é endêmico na Mata Atlântica e nos manguezais e é encontrado em qualquer hábitat aquático ou semiaquático em todo o mundo. A postura de ovos ocorre em locais úmidos e ricos em matéria em decomposição. Os ovos eclodem entre dois a sete dias e as larvas se desenvolvem em três semanas; depois se enterram na lama ou na areia e se transformam em pupas. Tornam-se insetos adultos em três dias e apenas as fêmeas costumam picar. As picadas são ardidas e podem provocar reações alérgicas oriundas de proteínas e peptídeos presentes na saliva do inseto. Além disso, são transmissores do vírus Orapuche, podendo causar a febre de Orapuche, uma doença com sintomas semelhantes aos da meningite, e dermatites graves. Também são transmissores potenciais de vírus para os animais, como o Akabane e o Blue Tangue, além de transportar diversos vírus e patógenos para mamíferos e aves silvestres.

exímia pescadora

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se quisessem ir até Pitangueiras, por exemplo, tinham de atravessar até Santos e depois pegar a balsa para o Guarujá. Quando acontecia de alguém precisar de socorro médico, saíam de canoa remando até chegarem ao outro lado. E haja reza para que desse tempo! Bebiam água do poço e, na década de 1960, construíram uma caixa d’água. Hoje, Cristina é casada com o marinheiro José de Freitas e mora no bairro Caruara, em Santos.

A comida caiçara Marisqueiro, Milton Joaquim Santana Filho, veio de Sergipe aos 15 anos de idade e trouxe consigo a tradição da cata do marisco que aprendeu com seu pai. Explicounos que existe uma grande diferença entre o marisco que vive no mar e o que vive no mangue. O do mar carrega dentro de si muita areia, é maior e vive incrustado nas pedras; já o do mangue é mais limpo e vive enterrado na lama. Milton é perito em cata de marisco no mangue. Acorda às cinco horas da manhã, e vai munido de uma chave de fenda em forma de gancho, um balde, camisa de manga comprida, calça comprida e óleo diesel para passar no rosto inteiro. Sim, óleo diesel, pois, se não for assim, será atacado por um enxame de mosquitos “polvinha”. Uma vida sofrida, pois a combinação óleo diesel com o sol escaldante do verão já fez com que sua pele descamasse profundamente, deixando-o em carne viva por três vezes. Ele vende seu produto cujo valor é medido em uma lata de 18 litros, cheia do molusco.


Gastronomia

Vamos saborear?

O que você quer comer? A premissa de que praia dá fome realmente é verdadeira. Fome, muita fome após um dia de sol, praia, atividades intensas ou simplesmente sentado na cadeirinha, em uma boa roda de amigos, jogando con100 Cidade&Cultura

versa fora, ao som das ondas do mar. Quando a sensação de fome chega, está na hora de se preparar para o verdadeiro tour gastronômico que essa cidade oferece, principalmente com seus pratos à

base de frutos do mar. Nada mais pitoresco do que sentar à mesa de um restaurante tendo como pano de fundo lanchas e pescadores, e saborear um marisco lambe-lambe servido no capricho. Ou então mer-


Peixe Scarpa - Pescada cambucu grelhada com molho de alcaparras na manteiga acompanhado de batata sotê restaurante Dalmo Bárbaro

Salada de Palmito cru restaurante Joca

FOTOS MarciO MaSula

Peixe na Telha restaurante il Faro

gulhe, não no mar dessa vez, mas em pratos coloridos, com variedades de peixes inacreditáveis e aromas irresistíveis em um dos tradicionais restaurantes. Vale muito a pena aqui fazer um parêntese e ressaltar as influências dos povos indígenas, dos portugueses e dos africanos que contribuíram, e muito, para a culinária brasileira. A contribuição indígena vem de antes da

colonização, pois viviam coletando plantas, animais da terra, do mar, dos rios, o mel e o sal. Este último vinha da vegetação e não do mar. Os índios queimavam os troncos das palmeiras até transformá-las em cinzas, que então eram fervidas, para obter um sal de cor parda. Os alimentos mais importantes para os índios eram produzidos pela terra: raízes, folhas, legumes

e frutas como abacaxi, jabuticaba, caju, goiaba, maracujá, mamão, laranja, limão, castanhas, mandioca, cará, amendoim. Quem não adora uma boa farofa feita da farinha de mandioca? Ou então uma boa porção de camarão, uma lagosta suculenta ou ainda caranguejos? Dos portugueses herdamos o hábito dos temperos hoje tão tradicionais, como o alho, a cebola, o cominho, Guarujá 101


Gastronomia o coentro, que valorizavam o uso do sal. Com a revelação do açúcar aos índios e africanos, surgiram a goiabada e todos os doces de frutas tão apreciados na sobremesa. Dos africanos, desde o século 16, veio a popular banana, além de jaca, manga, arroz, canade-açúcar, coco, leite de coco, azeite de dendê, quiabo, erva-doce, melancia, pimenta malagueta, cuscuz e pirão, ingredientes sempre presentes em nossas mesas. O mar oferece tantas espécies comestíveis, de diversas formas e tamanhos, que às vezes assustam as pessoas que não estão acostumadas a saboreá-las. Os verdadeiros amantes de frutos do mar sabem que peixes, moluscos, crustáceos, lulas e polvos adquirem um sabor dos deuses quando são preparados por experientes cozinheiros que se utilizam de simples ingredientes necessários somente para realçar o sabor de cada iguaria. Então, deixe-se levar por esse mundo misterioso, deleite-se com sabores inovadores, aprimore seu paladar e, através dessa alimentação saudável, verá que é possível visualizar e sentir as tradições de um povo que não precisam ser ditas, apenas experimentadas.

Café da Praça

Banana frita com canela e açúcar acompanhada de sorvete de creme Restaurante do Joca

Peixe a Rufino'S - Robalo assado ao forno acompanha batata portuguesa, cebola, tomate e pimentão assados Rufino's Restaurante

Linguini com frutos do mar: massa grano duro com frutos do mar tomate fresco e cheiro verde tahiti Restaurante

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DIVULGAÇÃO

FOTOS MARCIO MASULA

MM - Marisco Lambe-Lambe Restaurante Joca


Base Aérea

NUBAST Núcleo da Base Aérea de Santos

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dos do local, verificou-se que o solo exigiria uma enorme quantidade de aterro, portanto uma nova área foi escolhida para a construção, a Vila da Bocaina, junto ao canal de acesso à Bertioga, quando o Centro de Base de Aviação Naval foi inaugurado, no

Fachada da Núcleo de Base aérea de Santos - NuBaST

ano de 1924. Sua estrutura era composta de: duas bases residenciais, um quartel para praças, um hangar, casa das armas, etc. Na época em que as grandes distâncias percorridas por aeronaves eram um grande desafio, duas façanhas ficaram mar-

FOTOS MarciO MaSula E rEPrODuÇÃO

Apesar do nome, a Base Aérea está localizada no Distrito de Vicente de Carvalho, o qual pertence ao município de Guarujá. Possui uma pista de 1390 metros de comprimento e 45 metros de largura. Em 1919, o Capitão-Tenente Aviador Naval Virgínius Brito de Lamare, que concretizou a ligação aérea entre a Capital Federal (Rio de Janeiro) e Santos pilotando sua aeronave Curtiss, tipo HS-2, não mediu esforços para a instalação de um Posto de Aviação Naval na região. Com recursos das esferas municipais, estaduais e federais, a Base começou com seis hidroplanos para o patrulhamento da costa, em 1922, no sítio Conceiçãozinha, sob o nome de Núcleo de Defesa Aérea do Litoral e do Porto de Santos. Porém, após estudos mais aprofunda-


Vista Base Aérea para Ferrovia sobre o Canal de Santos

Relíquias da História brasileira Manuel Carlos Prieto plastimodelista expõe uma coleção de centenas de maquetes de todos os modelos, incluindo modelos da Força Aérea Brasileira, Primeira e Segunda guerras mundiais

cadas na história da Base Aérea. A primeira foi em 1927 com a chegada do Hidroavião Santa Maria, pilotado pelo “Ás” italiano Marques de Pinedo, concretizando a terceira travessia do Atlântico Sul. A segunda foi a chegada do Hidroavião Jahú, comandado pelo aviador João Ribeiro de Barros e seus tripulantes, que também atravessaram o Atlântico em 1927. Em 1934, a Base acolheu o serviço de Correio Aéreo Naval, utilizando aviões Wacco-CSO. Já em 1935, seu nome mudou definitivamente para Base Aérea de Santos. No ano seguinte, nas dependências do local, foi fundado o Aeroclube de Santos para a formação de pilotos civis. Com o aumento significativo de aeronaves, fez-se necessária a construção de pistas secas com mil metros. “...com a declaração do Estado de Guerra a 31 de agosto de 1942, foi determinada a mobilização geral

É inacreditável as relíquias que podemos ver no Museu que abriga inúmeras peças de Santos Dumont e outras tantas relacionadas à aviação cedidas ao espaço pela Fundação Santos Dumont. Com várias salas dedicadas a temas importantes de nossa história, vislumbramos e entendemos a relevância da Aviação Brasileira, principalmente nessa região que foi palco da maioria das proezas aéreas nacionais. “Inventar é imaginar o que ninguém pensou; é acreditar no que ninguém jurou; é arriscar o que ninguém ousou; é realizar o que ninguém tentou. Inventar é transcender.” Santos Dumont Chapéu, óculos e luvas originais de Santos Dumont

Réplica do avião Demoiselle de Santos Dumont

em todo o território brasileiro, ficando os militares na Base Aérea de Santos, que recebiam instruções diretas do Comando da IV Zona Aérea, numa severa e constante vigilância, tanto em terra como no ar... Outras medidas foram tomadas e de acordo com o item 2 do Aviso n° 163, de 1° de dezembro de 1942, passou a contar com a seguinte unidade de aviação: Esquadrilha Monomotor, Biposto. E ainda, de acordo com os efetivos, geral e das subunidades, aprovados pelo Aviso n° 163, a partir de 2 de janeiro de 1943, ficou constituída pelas

seguintes subunidades: a) Esquadrilhas de Adestramento; b) Parque; c) Infantaria de Guarda; d) Esquadrilha Extra-Numerária; e) Seção Auxiliar.” Com a tensão provocada pelo momento, a Base Aérea ficou incumbida de patrulhamento desde Paranaguá até Ubatuba. Após esse período truculento, as pistas de pouso e decolagem começam a receber aeronaves civis das empresas Real S.A., VASP, TAL, Cruzeiro do Sul e outras. Outro destaque importante foi a implantação do Centro de Instrução e Emprego de Helicópteros, em Guarujá 105


Base Aérea Aeroporto Civil Metropolitano de Guarujá “Com uma pista de 1.600 metros e capacidade de 17 voos diários, o Aeroporto Civil Metropolitano de Guarujá, será construído em área cedida pelo Núcleo da Base Aérea de Santos. É uma conquista para toda a região da Baixada Santista que poderá contar com a vinda de 500mil passageiros por ano. Esse empreendimento absorverá cerca de mil empregos diretos e indiretos, incrementando ainda mais os setores turísticos.” Fonte: Prefeitura Municipal de Guarujá

1967. O centro também contava com escola para oficiais especialistas em aviões e sargentos mecânicos. Uma das grandes finalidades era o de salvamento e de misericórdia, na época o único da América do Sul. Um dos fatos marcantes desse período foi o incêndio do Edifício Joelma. “Em 1° de fevereiro de 1974, por ocasião do incêndio ocorrido no Edifício Joelma, em São Paulo, o Major-Aviador Sérgio R. Marquez, o 1° Tenente-Aviador Vanderlei Leão Taketani, o 2° Sargento Geraldo Matta e o 3° Sargento

Incêndio Edifício Joelma

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Lançamento da Pedra Fundamental Sítio da Conceiçãozinha 22 de outubro de 1922

Oseas Telles Barreto, tripulantes do helicóptero UH-1D8537, participaram da missão de salvamento de vidas humanas no edifício em chamas, motivo pelo qual foram elogiados nominalmente pelo Comandante do IV COMAR.” Quando da nossa visita, pudemos observar o respeito e a competência daqueles que vivem em seus domínios. A Base Aérea de Santos sempre foi e sempre será motivo de orgulho para a região e principalmente para a cidade de Guarujá que a abriga desde a implantação de sua

Pedra Fundamental em 1922. É bom saber que temos aproximadamente 270 pessoas altamente treinadas e qualificadas dispostas a sempre ajudar e defender a nós civis. Fonte: Base Aérea de Santos, Tradição do Litoral Bandeirante – José Muniz Júnior

Em 2006, o Esquadrão Gavião foi deslocado para a Base Aérea de Natal e a Base Aérea tornou-se o Núcleo da Base Aérea de Santos – NUBAST, com as missões de apoiar as unidades militares em desdobramento ou em trânsito e preservar o patrimônio histórico da Base Aérea de Santos.

Nossa Senhora de Loreto O título Nossa Senhora de Loreto tem como referencial a cidade de Nazaré, na Palestina, onde viveu a Santíssima Virgem. A fim de proteger a Santa Casa de Nazaré de invasões, nas quais templos e monumentos eram violados e destruídos, o Senhor ordenou aos anjos que transportassem a casa pelos ares, em quatro transladações até o outeiro próximo a cidade de Recanati na Itália, onde permanece intacta até hoje, no interior do Santuário de Loreto. O inexplicável fenômeno da fé, do milagre da “Casa Voadora”, sensibilizou os profissionais aviadores que se identificaram com a missão cumprida pelos anjos que transportaram, pelos ares, a carga tão preciosa e, em 1920, o Papa Bento XV a declarou Padroeira dos Aviadores. A imagem de Nossa Senhora de Loreto pode ser vista em vários aeroportos do mundo.


Balsa Guarujá-Bertioga - Ferry Boat

O mar como avenida

Catraias Guarujá-Santos Vicente de Carvalho

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É bem interessante o meio de locomoção para sair ou entrar em uma ilha. Logicamente, com as rodovias e suas pontes milagrosas, o transporte foi deveras facilitado, porém, entre Guarujá, Santos e Bertioga, existe um fluxo muito intenso de balsas, barcas e catraias. Se formos observar os dois ferry boats do Guarujá, os portinhos de Santa Cruz dos Navegantes e o da Praia do Góes, veremos um turbilhão de carros, bicicletas, motos e pedestres em um frenesi de idas e vindas. As balsas, mais confortáveis, são destinadas aos veículos. Os pedestres contam com três tipos de embarcações que saem ao longo de sua margem para Santos. As chamadas barquinhas do ferry boat, que saem da Avenida

Adhemar de Barros e atracam no bairro da Ponta da Praia (Santos), simplesmente não param.

Travessia de balsa entre Santos Guarujá

FOTOS MarCiO MaSula

Balsas, Barcas e Catraias


Lendário “Seo Teté” José Tomaz dos Santos, natural de Alagoas, chegou à região na década de 1950 para tentar uma nova vida e aprendeu o ofício de catraieiro, de onde tirou o sustento de sua família, conseguindo formar seus três filhos. Durante trinta anos transportou pessoas e mercadorias entre as margens de Vicente de Carvalho e o Centro de Santos, inclusive o ilustre Adhemar de Barros, que só atravessava o canal na catraia do Seo Teté. Como a procura por esse transporte marítimo era intensa, porém demorada, Seo Teté teve a ideia de introduzir motores a diesel nas catraias para agilizar a travessia dos trabalhadores, passando também a rebocar as barcaças carregadas de banana, vindas das fazendas localizadas no Canal de Bertioga. Com o sócio, Dionísio Ferreira Conde, chegou a ter cinco catraias. O velho catraieiro sempre mostrou muito orgulho de sua profissão. Doente, fez sua última travessia em 29 de fevereiro de 2000, vindo a falecer em seguida, vítima de um derrame cerebral.

Mas nada é tão emocionante como a catraia que sai de Vicente de Carvalho e atraca no Mercado Municipal de Santos. Aí é uma loucura certa, pois aquela pequenina embarcação torna-se insignificante quando é obrigada a passar por baixo do Porto, na margem de Santos, e “rastejar” ao lado de gigantescas hélices

de navios mercantes, estacionados para carga ou descarga de mercadorias. Ah! Importante também saber se a maré está alta ou baixa, pois, se esta estiver alta, o passageiro da catraia terá que se abaixar ao adentrar o túnel do porto. Isso mesmo, pois esse túnel é minúsculo e tem o espaço exato para passar, uma grudada na outra, duas catraias, uma de ida e outra de volta. Arrisque-se, pois é exatamente isso que centenas de pessoas fazem todos os dias. Complicado também quando as barquinhas ou as catraias têm de parar no meio da travessia para esperar a passagem de um enorme navio, pois, segundo as leis marítimas, a embarcação menor tem de dar passagem à embarcação maior. Agora, se quiser maior conforto, temos as “barconas” da DERSA, com ar-condicionado e cadeiras confortáveis, que saem do mesmo ponto e atracam na Alfândega em Santos, porém a travessia leva aproximadamente 20 minutos.

Barca Garujá-Santos - Ferry Boat

Barca Guarujá Santos Praia Nossa Senhora dos Navegantes

Guarujá 109


Marcio Masula

Dados estatísticos

Data de Fundação

Pessoas Residentes

Gentílico

Estabelecimentos Empresariais

02 de setembro de 1893

guarujaense

Localização Geográfica

Região Metropolitana da Baixada Santista Longitude: 46° 14” 32’ O Latitude: 23° 59” 18’ S Altitude: 4,27 metros

Cidades Limites Bertioga, Santos (área continental) e Ilha de São Vicente

Área Total 143,454km²

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290.752 (censo 2010)

7.224 (censo 2010)

Clima Tropical

Rodovias de Acesso

SP 61 – guarujá/Bertioga SP 55 – Rodovia Cônego Domênico Rangoni

Densidade Demográfica (habitantes/Km²) 2.026 hab/km²

Total de Praias 25


FOTOS MarciO MaSula

Gente da Terra

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Guarujรก 113

Thiago aNDRaDE


MARcio MAsulA

Orgulho de ser guarujaense

Frutos da terra Quantos sonhos foram e são depositados nessa terra, fruto da busca de um lugar belo para se viver. Muitos caiçaras resistem bravamente pela sua cultura e também aceitam a modernidade dos novos tempos. Foi-se a era das canoas, das picadas, do difícil acesso. Vieram as ruas asfaltadas, os supermercados, o grande comércio. Mas o tempo não devorou a simplicidade das pequenas coisas e dos grandes prazeres. Navegar ainda é uma tradição e o mar é seu melhor companheiro. Renata Weber Neiva 114 Cidade&Cultura

É com muito carinho e orgulho que venho aqui falar um pouquinho do que sinto pela minha cidade, Guarujá. Aqui nasci, cresci e moro. É o lugar onde sou professora, fui vereadora e estou prefeita, no segundo mandato. Guarujá está localizada a 90 quilômetros de São Paulo e é conhecida internacionalmente como Pérola do Atlântico. Detentora das mais belas praias do litoral paulista, Guarujá tem 308 mil habitantes, mas chega a receber quase 1,5 milhão de turistas na alta temporada, nos apartamentos e casas de veraneios e mais de 9 mil leitos em hotéis, pousadas e resorts. A qualidade de nossas praias é reconhecida mundialmente, tanto que conquistamos por quatro anos consecutivos o selo internacional de qualidade ambiental e infraestrutura Bandeira Azul, na Praia do Tombo, e em 2013 na Marina Nacionais. No entanto, nem só de verão vive o Guarujá. Com vocações turística, portuária, retroportuária, comercial, aeroportuária e esportiva, Guarujá vive um momento ímpar de sua história. Assinamos a outorga para a implantação, de fato, do nosso tão sonhado: o Aeroporto Civil Metropolitano; nosso comércio popular é pujante; o Porto de Guarujá movimenta cerca de 60% do total de cargas de todo o complexo portuário da Baixada Santista; e já recebemos a primeira empresa do pré-sal. Agora, estamos preparando a nossa população, levando qualificação profissional, para que ocupe os novos postos de trabalho que irão surgir para viver este novo momento. Com isso, buscamos reduzir o abismo social que marcou a história da cidade e propor, já no presente, uma nova oportunidade de futuro, com uma sociedade mais justa e fraterna, uma Guarujá com oportunidades para todos e todas. A Pérola voltou a brilhar! Maria Antonieta de Brito Prefeita de Guarujá

PedRo RezeNde

Guarujaense


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Guaruja/SP  

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