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Histórias do Coração Historias del Corazon 6º tratamento Por Sergio Glenes e Patricia Alves Dias a partir da História «O Caminho da Mata Redonda» de BraulioTavares 07/04/10

O Caminho das Gaivotas El Camiño de las Gaviotas

CENA 1 – APRESENTAÇÂO ILHA DO NADA Um cata-vento inerte. OFF: Era uma vez, um lugarejo muito, muito longe daqui... longe de tudo e de todos... Um céu azul imenso, límpido onde voam gaivotas, muitas e ligeiras. OFF: Lá, não havia nada, apenas três casas... As Gaivotas sobrevoam o lugarejo desolado, seco e silencioso onde há um coqueiro, uma vaca e três casas. OFF: ... um coqueiro e uma vaca... CENA 2 – AS CASAS Detalhes de pedaços de três diferentes construções (ambientes) e seus objetos. CENA 3 – MARIA SOLEDAD, SEUS VIZINHOS e SEU BRINCAR A primeira casa, tinha uma senhora triste numa das janelas a observar o nada e perdida em seus pensamentos. (som do ranger demorado das gambiarras, da madeira, dos atritos das ferragens como ruídos de antiga embarcação) Era um Moinho, de cabeça para baixo, com suas pás fincadas ao chão. Da casa, cheia de pequenas janelas, de estilo antiquado e reforçada com ferragens e traquitandas, sai uma Menina que rouba um beijo de sua mãe. OFF: Lá, também vivia uma menina... que se chamava: Maria Soledad. Ela desce saltinante e traquina por entre as gambiarras. Nas mãos, segura uma trouxinha feita de colcha de fuxico, cheia de brinquedos que estende e fora na frente de casa. Era uma boneca, um pião e uma flauta de bambu.


OFF: Apesar de seu nome, Soledad nunca estava só. Ela sempre estava acompanhada de sua boneca, seu pião, sua flauta e uma coberta de fuxico. (Som da voz de mulher falando ininterruptamente um lingua que não se entende) Perto dali, uma outra casa, comprida, de dois ou três andares, de onde sai uma fumaça cinzenta. Lá moram um Velho Magrinho e sua Esposa tagarela. O velho está sempre sentado na varanda, numa cadeira de balanço, a ler livros antigos de capas duras encadernados com couro e ouro. Ignora as repreensões de sua esposa Gorda e atarefada, que surge na janela ou na sacada fazendo os afazeres domésticos. A Menina joga seu pião na frente do senhor Sonhador e sopra na sua flauta uma doce cantiga para acalmar o vozerio da Senhora Gorda. (Som de correntes e rosnados de feras) A outra casa, a menor de todas elas, é decadente e revela ossadas e também correntes entre os muitos buracos nas paredes - de tilojos aparentes - que prendem o que parecem ser feras a rosnarem insistentemente. A Menina rodopia como se fosse o seu próprio pião,ensaia ser um dervishe para apascentar o que pareciam ser feras. OFF: Mas nessa lugar, feito de nada, ninguém dava atenção a Soledad. Todos eram tão ocupados com os seus afazeres... Passagem de tempo. Usar elemento giro de Soledad a rodopiar. CENA 4 – O CAMINHO PARA A ESCOLA CATA-VENTO em primeiro plano no lugarejo ermo. OFF: E como era comum, naquele lugarejo do Nada, todos os dias, Maria Soledad ia à escola... Menina, de costas, passa pelo quadro, segurando sua trouxa de brinquedos e um Livro. Cata-vento ainda em primeiro plano. Alegremente, anda, corre, rodopia e pula amarelinha, suave como uma bailarina.Nas mãos, sua trouxinha de brinquedos e também um Livro. Soledad vai se afastando, se afastando, até chegar num Caminho bem longe formado de rochas e pedras sobrepostas, onde aportam e descansam as gaivotas de suas pescarias e vôos mais longos. Ao passar, as Gaivotas cortejam Soledad alegres e brincalhonas como beija-flores no ar. Menina sai do quadro pelo caminho e gaivotas a acompanham. CENA 5 – EL DIOS HURACÁN


CATAVENTO aos poucos começa a girar e girar e girar mais forte... OFF: E de repente, naquele lugarejo feito de Nada, chegou o Dios Huracán... (Sons de ventania...mar...) Imagem céu com gaivotas rodopiantes, muitas, se esbarrando umas nas outras. RECURSO PARA SUAVIZAR a chegada do Dios. Camera desce para Horizonte que se confunde com céu. OFF: E levou cada parte daquele Mundo do Nada, e o Nada ficou para trás. (OFF: Y de pronto, en el vilarejo hecho de Nada, llego El Dios Huracán. Y llevó cada parte de eso Mundo de Nada, y El Nada quedo para atrás) Lugarejo ermo. Sem gaivotas, nem casinhas, nem Nada.

CENA 6 – O MUNDO SEM NADA Soledad aparece no quadro diante do grande vazio, olha de um lado para o outro e põe-se a chorar de joelhos. OFF: Maria Soledad agora estava sozinha, naquele Mundo de Nada... Nem Caminho e nem Gaivotas. Depois de algum tempo, ela tira de dentro de sua troxinha sua flauta de bambu e executa sua doce e suave cantiga. A mesma cantiga de antes. OFF: Mas se dá conta que chorar em nada ajudaria... (sons da musica de Soledad se misturam a assovios que invadem a cena)

CENA 7: O HOMEM DO MAR E O PRIMEIRO (RE)ENCONTRO NUM PORTO Uma imagem inesperada surge por entre a cortina de vapores e neblinas: a silhueta de uma pequena embarcação. Nela, a figura do seu condutor: um senhor de casacos e bigodes brancos, mais velho, aspecto de capitão, pescador... Um Homem do Mar. Ele se aproxima ainda assoviando, e lhe dá as mãos em convite para embarcar naquele objeto que não estava bem claro ainda se era um barco ou um submarino ou o que. Prontamente ela aceita. Nesse movimento ele a acolhe nos braços e lhe conta algo no ouvido como se fosse um segredo. Ela sorri timidamente.


A neblina espessa se dissipa vagarosamente, e revela as águas do mar cintiando os mil brilhos que refletem do sol. Revela-se um porto e uma embarcação insólita cheia de traquitanas que lembra a casa de Maria Soledad (inspiração balão de Barão de Muchausen). Sobre o barco, gaivotas que comemoram esse encontro feliz com Soledad. CENA 8: A PARTIDA O Homem do Mar, em seguida, tenta dar partida ao barco, mas os motores falham. Ele insiste sem sucesso. Soledad timidamente toca nele, sugerindo que tem a solução: desfaz a trouxinha de brinquedos, sobe no mastro e lá amarra a colcha de fuxico de retalhos. O Homem do Mar sorri e ajuda a menina a concluir a tarefa. Esticada no mastro do barco, a colcha torna-se uma belíssima e colorida vela. Ela e ele sopram a nova vela. E no impulso dos ventos, a tripulação parte contente sofejando a mesma canção de Soledad. CENA 9: AS ILHAS DA FANTASIA E revela-se que o mundo de Soledad era uma ilha, uma pequena ilha. E tão pequenina frente à beleza da imensidão do mar. Um novo horizonte, mais amplo, ensolarado e alegre se revela para a Menina. O Homem do Mar presenteia a menina com um objeto novo: um telescopio. Ela sobe no mastro e a rodopiar e de lá do alto pode ver os detalhes de ilhas irmãs.

Surgem tantas outras ilhas naquele mar, grandes ou pequenas, agrupadas ou isoladas, habitadas por gente ou bichos, plantas, seres do ar e do mar. Outras com portos, navios, barcos, submarinos, habitações de todos os tipos. Seres de todas as formas peixes, pássaros e borboletase cores. Peixes voavam e os pássaros nadavam. Um mundo tão novo que jamais Soledad sonhara. CENA 10: A ILHA DO(S) (RE)ENCONTRO(S) Um tempo depois, em plano subjetivo, depois de descobrir tantas ilhas de fantasia, Soledad percebe a casinha dos rosnentos, que continuam ainda a uivar e latir, sem parar, numa ilha onde habitam muitas gaivotas. As gaivotas companheiras do barco voam rapidamente ate lá, e a convite do grupo que chega, as moradoras se avoam animadas, revelando a casinha dos cães. Soledad aporta para socorrer os cães e os solta das correntes. Revelam-se pequenos e dóceis em suas mãos. São tres caezinhos pintchers. Correm felizes e para saldar Soledad. Soledad pega o caminho de volta para o barco. E os cãezinhos puxam-na pelo vestido. Eles querem leva-la para algum lugar. E o Capitão faz um gesto que ela vá, diante de sua dúvida. Os cães vascullham curiosos e farejam o chão, conduzindo Soledad.


O Capitão, do barco, assiste tudo tranquilamente como se soubesse aonde eles iriam chegar. CENA 11: A VACA, DOM QUICHOTE E A DULCINEIA Soledad caminha na ilha, curiosa e avista, ao longe, no céu, um fio de fumaça cinzenta que sai de uma chaminé quebrada. É o prédio do casal vizinho - apenas o segundo ou terceiro andar - fincado sobre uma pedra alta. Surge na sacada ainda muito mais tagarela que outrora, a tal senhora que reclama numa lingua que não se compreende... Logo depois, surge o senhor magrinho um pouco mais ao longe, montado na vaca (como um cavaleiro Dom Quixote). Ele sorrir displicentemente, a vaca cominha com sua preguiça costumeira, tranquilos e satisfeitos enquanto a mulher esta a repreendê-lo da sacada... Soledad lhes oferece a corda do seu pião para ele chegar até a mulher e começa a tocar sua flauta. Ele sobe pela corda, como um verdadeiro príncipe, chegando com certa habilidade até a sacada. Lá, ele a beija galantemente, ela atordoada, restaurada de doçura, silencia perante seguidos beijos... Soledad esboça um sorriso pelo (re)encontro do casal, não mais briguento. Todos os seis, a mulher gorda, seu marido muito magro, os tres cachorrinhos e Soledad montam na vaquinha que caminha até o barco sobejando sua canção. CENA12: A AUSENCIA DA MÃE Todos sobem ao barco com ajuda do Homem do Mar, menos Soledad. Ela se entristece e não quer embarcar. Ela tinha a esperança se achar sua mãezinha. Mas a ilha era tão pequenininha que sua mãe certamente não estaria lá. (som de assobios da catiga de Soledar) Sopra uma brisa naquela ilha e no mesmo vento que revoa os cabelos de Soledad, traz um outro som além do chiado das ondas do mar e do burburinho costumeiro das gaivotas: uma melodia suave, sob a forma de assobio e às vezes com um cantarolazinho. Soledad desperta da quase tristeza. As gaivotas voam todas numa só direção. E Soledad corre alvoroçada e sai a procura do som que é tão familiar à menina, sob a aprovação do Homem do Mar. O casal, a vaca, os cães, Soledad e o Capitão continuam no barco. E em meio ao canavial que invade a visão da menina correndo , o som da cantiga vai aumentando. E dentre os matos, como de canaviais, Soledad chega numa clareira onde está sua mamãe. Ela está sentada em cima de uma tartaruga gigante. Um longo caminho, contornado por Giovotas leva a Menina à sua mãe. Soledad abraça sua mãe que já estava lhe esperando sorrindo, como nunca em outrora, de braços tão abertos, como nunca em outrora. As duas se abraçam e rodopiam cantando a canção da menina.


CENA 13: O (RE)ENCONTRO Na embracação, o Homem do Mar recebe a mãe com assobios da canção. A mamãe de Soledad sorri e responde cantando a mesma cantiga. A família se abraça, e com os convidados o barco segue viagem, para o horizonte com sua tripulação abraçada e cantarolante. A Câmara continua imóvel e se vê o barco velejar para o infinito e o mundo todo, a Terra, começa a girar... Passa no quadro a Ilha de Soledad. A ilha ainda tinha o mesmo coqueiro, a vaca, e imenso céu azul, não mais desolado e as tres casinha, de cabeça para cima, coloridas e cheias de flores e Gaivotas. Numa das casinhas, um catavento vagarosamente começa a girar. OFF: E assim, Soledad (re)encontrou O Caminho das Gaivotas... No mesmo Mundo onde havia apenas um Coqueiro, uma Vaca E três casas...

CENA 14: QUARTO DA ABUELITA Y EL NIÑO Um catavento em cena no primeiro plano. Um quarto, ou uma sala, aconcheguante: um lugar seguro... com cortinas pouco esvoaçantes a luz noturna. Uma abuelita, observado por um niño em seus braços, sopra um cata-vento de origami. A câmera se afasta e no ambiente, revela-se objetos inertes do mundo, das ilhas e da casa de Maria Soledad pendurados pelo ambiente. Imagens e objetos das Ilhas Fantásticas, do"Dios Huracán” e Gaivotas. NIÑO: Conta-me outra história? E a Abuelita começa a balançar a cadeira de balanço e cantar a canção de Soledad. Uma cantiga de Nanar. Todos os objetos inertes magicamente começam a tomar vida e todos se movimentam como se movidos pelo Dios Huracán agora apascentado. Trilha: Musica alegre (cantiga), baseada no tema de Soledad (flauta). A doce cantiga da abuelita se mescla vagarosamente ao ruído dos ventos e do son del Dios Huracán. Fim da canção. Silêncio. Sons de gaivotas. Sobe creditos FIM



Roteiro de Caminho das Gaivotas - 6º tratamento