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42 l TÉCNICA 5 de Janeiro 2009

prática Pedro Junceiro DIZIA Fernando Pessoa que 'Deus quer, o homem sonha e a obra nasce'. Não deverá ter sido por causa deste aforismo que teve inicio a 'viagem' da equipa do Instituto Superior Técnico pela Fórmula Student (competição que coloca frente a frente algumas das mais conceituadas universidades mundiais em pistas como Silverstone e Hockenheim), mas a verdade é que foi a grande força de vontade e a paixão pelo automobilismo que uniu os alunos daquela faculdade no objectivo de construir um protótipo que demonstrasse as capacidades da engenharia portuguesa. E este projecto, iniciado em 2001, pode já gabar-se de ter conseguido algumas proezas a nível internacional. Mesmo que, em termos financeiros, seja grande a dificuldade de rivalizar com outras faculdades com orçamentos bem mais avultados. Actualmente no processo de desenvolvimento do terceiro protótipo - o FST03 -, a equipa do IST conseguiu um colaborador de peso para um pequeno teste de modo a perceber como tornar o monolugar mais eficiente: nada mais, nada menos do que Pedro Lamy. Assim, no Kartódromo Internacional de Palmela, a equipa liderada por Gabriel Rodrigues (já em processo de passagem de testemunho para os próximos elementos, que serão chefiados por André Cereja) esperou ansiosamente a chegada do experiente piloto português. E o teste acabou por não defraudar as expectati-

O Instituto Superior Técnico (IST) lançou-se em 2001 na Formula Student, competição dirigida às universidades onde a teoria passa à práctica. Sete anos depois, e com o FST03 ainda em evolução, a equipa do IST convidou Pedro Lamy para testar o seu monolugar

vas dos elementos ali presentes, para quem esta oportunidade foi, também, uma recompensa pelo esforço desenvolvido ao longo dos últimos sete anos.

Um toque profissional Depois de um pequeno 'briefing' sobre as especificidades do monolugar, Lamy precisou apenas de algumas curvas para perceber os 'segredos' do FST03, embora não «tenha puxado pelos limites do carro», como o próprio afirmou depois. Em cerca de quinze minutos, Pedro Lamy efectuou uma série de voltas, findas as quais explicou aos jovens engenheiros quais os pontos a melhorar na concepção do veículo e lançou ideias para futuros projectos

Para Lamy, que aceitou o convite sem hesitar, o espaço para melhorar ainda é evidente, a começar pela posição de condução: «a pior parte do monolugar», considerou. À medida que os alunos iam dando sugestões de possíveis melhoramentos,

Lamy fez uso da sua experiência para afirmar que o importante, «mais do que aspectos secundários, como reduzir o peso, é afinar o motor, ter o carro a cem por cento nesse campo e proporcionar ao piloto a melhor posição possível».

Já após a 'foto de família', Lamy fez questão de destacar como pontos positivos o «chassis bastante equilibrado, o bom motor e o projecto no seu global», apontando, contudo, alguns pormenores nos quais o «projecto poderá melhorar, sendo que o principal é, como já referi, a posição de condução». Já Gabriel Rodrigues e André Cereja, não esconderam a sua satisfação, referindo que «o contributo do Pedro Lamy foi muito importante, porque sendo um piloto profissional consegue dar um melhor feedback daquilo que é possível evoluir». A equipa do FST03 tem agora sete meses, aproximadamente, até à prova de Silverstone em Julho de 2009, para rever alguns dos pontos focados

FOTOS: INTERSLIDE

Aula

por Lamy e para melhorar um projecto inovador que pretende servir como "tubo de experiência" para desenvolver as competências destes futuros engenheiros. l

A fórmula para futuros engenheiros COMPOSTA exclusivamente por alunos do Instituto Superior Técnico, numa actividade extra-curricular, a equipa do projecto Formula Student mos-

tra grande empenho até nos mais pequenos detalhes em redor da preparação do pequeno monolugar. Gabriel Rodrigues é a actual face do projec-

to, que relembra, teve início muito antes de si. Se o sonho de construir um monolugar para participar em competições já é aliciante, para Rodrigues é a experiência acumulada ao longo deste processo que mais importa. «Para nós, o mais importante acaba por ser a continuação de uma estrutura que continue ao longo do tempo e que haja este tipo de passagem de testemunho e depois a possibilidade de dois anos em dois anos construirmos e competirmos com um novo protótipo», começou por referir Rodrigues, lembrando outras competências que se adquirem com este projecto. «Queremos garantir também aos membros da equipa uma aprendizagem muito diferente daquela que é dada nas salas de aulas, porque isto envolve não só engenharia mas também o contacto com

os patrocinadores ou o trabalho em equipa», acrescentou. Orgulhoso do que já foi conseguido até agora, em especial se comparado com outras equipas financeiramente mais apetrechadas, como as alemãs, as quais classifica como "de topo", Gabriel Rodrigues acredita que este projecto, em constante evolução, poderá atingir resultados ainda melhores, com uma equipa que passou a contar recentemente com um grupo de alunos de electrónica, o qual brilhou em Hockenheim ao qualificar-se para as finais do prémio "The Most Innovative Use of Electronics". «Tudo isto é um tipo de saber que não se aprende nas aulas», completa Luís Sousa, o coordenador do projecto que conduz os alunos e orienta o trabalho em cada passagem de testemunho "geracional".


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À descoberta da combinação vencedora

Pedro Lamy contribui com a sua experiência para futuros aperfeiçoamentos no monolugar desenvolvido por alunos do IST

DIRECCIONADA para os jovens alunos de diversas universidades de engenharia, a Formula Student avalia não só o carro mais rápido, mas também a melhor técnica e a melhor gestão numa combinação que visa encontrar os projectos mais equilibrados e inovadores. Como fundamento principal, as equipas têm de desenvolver um protótipo para posterior produção, a um custo razoável e com segurança. Além de tudo isto, factores como a estética, a ergonomia, a disponibilidade de componentes e viabilidade na construção são tidos em conta, sempre respeitando um complexo regulamento. Em competição, a organização divide as equipas em três classes: a Classe 3 diz respeito à classe de projecto, a Classe 2 à classe de protótipos das peças que compõem o carro final e a Classe 1 à de projecto final e de competição, na qual é o desempenho dinâmico a falar mais alto, ao passo que nas duas primeiras predominam as avaliações estáticas. Para integrar a Classe 1, o monolugar ao FST 03 é animado por um propulsor Honda CBR 600 de 2001, montado num chassis de alumínio, sendo que a sua aplicação no monolugar é integralmente pensada pelos alunos. Ao todo, em ano de produção de protótipo, o orçamento passa dos 80 mil euros, verba integralmente obtida com apoios externos à faculdade. w


Projecto FST no Jornal Autosport