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Economia Economia Economia

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Dourados, Mato Grosso do Sul, quinta-feira 22 de dezembro de 2011

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Fomento

Agroindústria dispara o Leste de MS Três Lagoas, na região Leste do Estado, se prepara para novos projetos bilionários até 2020 “Capital” da celulose O divisor de águas só veio rês Lagoas - Tra- em 2009. Naquele ano começou ta-se de um salto gi- a funcionar a planta da então gantesco. Em 2008 Votorantim Celulose e Papel o município fechou (VCP) – hoje Fíbria – consideo ano com um volume de ex- rada a maior unidade industrial portações da ordem de US$ no mundo em uma única linha 15.729.254,00. Em 2010, ape- de produção. A festejada fábrica nas dois anos depois, atingiu chegou com a promessa de auUS$ 677.811.811,00, o equiva- mentar em até 300% o Produto lente a um aumento superior a Interno Bruto (PIB) de Três La4.300%. A balança comercial, goas e em até 13% o PIB do MS. Até novembro de que apresentava 2011 a Prefeitura um déficit de US$ A cidade é da cidade ainda 422,5 milhões, sinônimo de não detinha núevoluiu para um superávit de US$ crescimento meros que pudessem comprovar 132,4 milhões no e polo de esta evolução. mesmo período. atração para Mas parece Os dados foempresários que tudo caminha ram fornecidos para que os dados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) possam até mesmo superar as do Ministério do Desenvolvi- previsões iniciais graças a esse mento, Indústria e Comércio e outros investimentos. A Fíbria, Exterior (MDIC) e revelam o em Três Lagoas, já produz 1,3 desempenho obtido por Três milhão de toneladas de celuloLagoas, município da região do se/ano – 40% transformado em Bolsão, leste de Mato Grosso papel na vizinha unidade da do Sul, bem na divisa com o International Paper – e planeja Estado de São Paulo. A cidade nova unidade para 2014, bem ao é hoje sinônimo de crescimento, lado da atual, com capacidade desenvolvimento econômico de processamento para gerar e se consolida como polo de mais 1,7 milhão de toneladas atração para grandes grupos do produto. Enquanto isso, a cidade empresariais, sobretudo aliados à agroindústria e indústria de acompanha a construção daquela que promete ser a maior transformação. De acordo com dados mais unidade de celulose do mundo. recentes do IBGE, Três Lagoas Trata-se do Projeto Eldorado conta com 1.497 estabelecimen- (Eldorado Brasil), previsto para tos comerciais e 323 indústrias entrar em funcionamento no de transformação. O Produto In- final de 2012 com capacidade terno Bruto (PIB), que em 1999 inicial para processar 1,5 milhão foi de R$ 403,7 milhões, subiu de toneladas/ano. Esta indústria é resultado para R$ 1,5 bilhão em 2008. No mesmo período, o PIB per de uma sociedade entre a J&F capita saiu de R$ 5,1 mil para Holding – controladora, dentre atingir R$ 17,1 mil. Isso sem outros, do Grupo JBS, considecontar os efeitos do impacto da rado o maior no mundo em proprodução de celulose (hoje o cessamento de proteína animal principal destaque da economia) – e a MCL Empreendimentos. que seriam sentidos a partir de Caso sejam confirmadas as projeções de ampliação deste um ano depois. As bases para este cresci- projeto – capacidade para três mento datam de duas décadas, milhões de toneladas em 2016 mas o impulso econômico é e de cinco milhões de toneladas recente. No início dos anos em 2020 – a fábrica da Eldorado 90 começou a ser estabelecida vai exigir um maciço florestal pelo Governo do MS uma polí- de 450 mil hectares, área prótica de incentivos fiscais para o xima a que hoje é plantada em desenvolvimento industrial. O todo o Mato Grosso do Sul. De acordo com informadestaque ficou sendo o ICMS: isenção entre 67% a 90% do ções do setor de comunicação da empresa só nos próximos imposto durante até 15 anos. cinco anos a demanda por maOs diferenciais de Três Lagoas em relação a outros muni- deira exigirá a cobertura com cípios brasileiros são inúmeros. eucalipto em 210 mil hectares, A começar por sua localização 50 mil deles hoje já plantados no estratégica – próxima a gran- Mato Grosso do Sul. Todo este des centros (Sudeste) e região quadro gerou duas situações: a agro-produtora (Centro-Oeste), impulsão do plantio de florestas além de deter diversos modais de eucalipto e o declínio quantide transporte – e passando pela tativo da bovinocultura de corte Usina Hidrelétrica de Jupiá e na região. Com estimativas da Aspelo acesso ao Gasoduto Bolísociação Sul-Mato-Grossense via-Brasil.

Ariosto Mesquita

Ariosto Mesquita

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Indústria de celulose em Três Lagoas: milhares de empregos gerados na região de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas (Reflore MS) a área plantada com árvores (fundamentalmente eucalipto) pulou de 120 mil hectares (2006) para 420 mil hectares até o final do primeiro semestre de 2011. O bom momento da atividade florestal no MS, sobretudo na região capitaneada por Três Lagoas, gera números, em princípio, excessivamente otimistas. “Até dezembro esperamos fechar com 500 mil hectares plantados em todo o MS e acredito que vamos superar bem antes do tempo a meta de um milhão de hectares, prevista para 2030”, calcula o diretor-executivo da Reflore MS, Benedito Mário Lázaro (Dito Mário). Enquanto isso, números oficiais do Governo do MS mostram que o rebanho bovino na região do Bolsão, que era de 6.730.288 cabeças em 2005, caiu para 5.259.796 animais em 2011, uma redução de aproximadamente 22% (1.470.492 cabeças). De acordo com o titular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Três Lagoas, Marco Garcia de Souza, o rebanho bovino no município, que no ano 2000 era de aproximadamente um milhão de cabeças, caiu para algo em torno de 650 mil animais. “Entendemos que a nossa pecuária passa por um momento de ajustamento diante do crescimento e da valorização da atividade florestal”, avalia. EvOLuçãO Ainda sem um termômetro efetivo para medir o real impacto da industrialização e das atividades geradoras de matéria prima nos últimos três anos, a Prefeitura de Três Lagoas tenta preparar o município para suportar as exigências de um forte crescimento demográfico.

Dados do IBGE apontavam uma população de 68.162 habitantes em 1991 e de 103.536 moradores em 2011 (estimativa). Para 2014 o poder público municipal projeta 120 mil habitantes. Como a política de incentivos fiscais impede que a administração pública contabilize efetivamente todos os ganhos econômicos com as novas plantas industriais, uma ferramenta que vem sendo adotada para dar alguma ideia deste crescimento é a variação da dotação orçamentária anual do município. De acordo com números da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, o orçamento anual de Três Lagoas pulou de R$ 60 milhões em 2005 para R$ 220 milhões em 2011. “Para 2012 a proposta orçamentária deve ser da ordem de R$ 280 milhões”, conta Souza. Todo este crescimento também traz seus gargalos. A cidade tem hoje um déficit de seis mil moradias de acordo com cálculo oficial da administração municipal. “Só não é ainda maior porque entregamos duas mil moradias este ano para famílias com renda entre zero e três salários mínimos”, pondera. A especulação imobiliária é grande. “Perdeu-se a referência de preços de aluguel, de construção e para compra de imóveis; o metro quadrado construído em Três Lagoas pode ser encontrado a custos os mais diversos possíveis, quase sempre em valores absurdos”, afirma o secretário. Construtoras e empresas imobiliárias trabalham diuturnamente na cidade. Pelo menos seis grandes loteamentos imobiliários estão em comercialização até o final do ano. Fertilizantes, biodiesel e fibra ótica A silvicultura e a produção de celulose podem ser hoje a

referência de Três Lagoas, mas outras unidades do agronegócio e da indústria de transformação em geral já fincaram ou estão fincando as suas bases no município. A Petrobrás, por exemplo, investiu R$ 500 milhões e ativou, em 2004, a Termelétrica Luiz Carlos Prestes e agora está trabalhando em um projeto ainda mais ambicioso. Com as obras de terraplanagem em fase final de conclusão, a estatal inicia em 2012 as obras de construção civil daquela que está sendo considerada pelo Governo Federal a “maior fábrica de fertilizantes nitrogenados da América Latina”. A unidade tem capacidade prevista para a produção de 1,2 milhão de toneladas de ureia e 761 mil toneladas de amônia por ano. O início da produção comercial está programado para o segundo semestre de 2014. Em nota, a Petrobrás afirmou que a fábrica dobrará a capacidade brasileira de produção de ureia. Os investimentos projetados são da ordem de R$ 2 bilhões. A Cargill, que já possui uma indústria de esmagamento de soja no município, está investindo R$ 130 milhões para a construção de outra unidade. “Será a primeira planta da empresa no mundo para a fabricação de biodiesel”, afirma o secretário de Desenvolvimento Econômico que aguarda o início da produção – de até 200 mil toneladas/ano – já para 2012. “Não podemos esquecer o projeto de R$ 500 milhões da Votorantim Siderurgia”, salienta Souza. Trata-se da Sitrel (Siderúrgica Três Lagoas) iniciativa tocada em parceria com o tradicional empresário do ramo de calçados, Alexandre Grendene e que tem previsão de iniciar as operações no segundo semestre de 2012. Será uma unidade de laminação de barras e verga-

lhões com capacidade para até 450 mil toneladas produzidas ao ano. Além de um forte setor têxtil, responsável por boa parcela do volume de importações de Três Lagoas – sobretudo de matéria prima da China – o secretário Marco Garcia de Souza salienta ainda duas grandes plantas já em funcionamento em Três Lagoas. Uma delas é a Brascooper, cuja matriz fica em Ribeirão Preto, SP. No MS produz cabos de cobre e alumínio e se prepara, agora, para ampliação através da instalação de uma unidade de fibra ótica. Souza cita ainda a Emplal, uma empresa de embalagens plásticas, considerada uma das maiores da América Latina. “Com uma capacidade de produção da ordem de 1,5 milhão de embalagens ao dia, esta empresa é responsável, por exemplo, pela fabricação dos potinhos da margarina Qualy, da Sadia e dos iogurtes da Nestlé”, ressalta, sem esconder uma inevitável ponta de orgulho. LOGíSticA Três Lagoas é servida fartamente por três modais de transporte de carga que a qualifica como ponto de convergência de empreendedores. A ferrovia – antiga Noroeste do Brasil – liga a cidade com o Porto de Santos e com a fronteira do Brasil com a Bolívia. A Fíbria utilizada desta ligação entre a cidade e o Oceano Atlântico, para escoar sua produção de celulose a ser exportada. Em 2012, a cidade deve inaugurar seu contorno ferroviário, aliviando a área urbana e agilizando o escoamento da produção e o recebimento de matéria-prima. Apesar de ainda não possuir um porto oficial, Três Lagoas é privilegiada por ficar às margens do Rio Paraná e por ter a foz do Rio Tietê às suas portas. A Hidrovia Tietê-Paraná oferece perto de dois mil quilômetros navegáveis e a Eldorado Brasil pretende utilizá-la para embarcar celulose e receber madeira. O município também é a ponta final da Rodovia Marechal Rondon, que cruza boa parte do Estado de São Paulo. A cidade está a 667 km da capital paulista, pouco mais de 250 km da divisa com Minas Gerais e 335 km de Campo Grande. Três Lagoas agora se prepara para receber voos comerciais, o que deve acontecer já no próximo ano. Estão sendo investidos perto de R$ 4 milhões na construção do receptivo do Aeroporto Plínio Alarcon. Azul, Trip e Passaredo seriam as companhias aéreas já interessadas em operar no município.

Edição de 23/dezembro de 2011  

R$ 2,00 Grossa camada de óleo e esgoto contamina o lago do parque onde vivem milhares de peixes que se prepara para novos projetos bilionári...

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