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EBI Charneca de Caparica 2007/2008

O Gato Malhado e a Andorinha Sinhรก Uma Histรณria de Amor

Raquel Pires Carina Santos

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Gonรงalo Duarte


1. A história do livro

1.1) Quando, onde, porquê e para quê foi escrito o livro? O livro foi escrito a 25 de Novembro de 1948, quando Jorge Amado vivia em Paris. Foi um presente dedicado ao seu filho João Jorge, no seu primeiro aniversário.

1.2) Quando foi publicado? Porque demorou tanto a ser publicado? Foi em Agosto de 1976 que foi feita a publicação desta velha fábula. Esta demora na publicação deveu-se à perda dos textos, e ao reencontro dos mesmos, em 1976.

1.3) Porque veio a sê-lo? Que alterações foram feitas ao texto original? Durante a realização da obra, Jorge Amado não pensou publicá-lo. Esta ideia, que mais tarde resultou numa decisão, surgiu após o pintor Carybé ter lido e ilustrado a obra, com ilustrações tão belas que o autor não teve desculpa para recusar a publicação do livro. O texto é editado em Paris sem sofrer quaisquer alterações, pois Jorge Amado defende que a qualidade desta obra está no facto desta ter sido escrita simplesmente pelo prazer de escrevê-la, sem a responsabilidade de edição.

2. A dedicatória 2.1) Entre o período da escrita e o da publicação a dedicatória sofreu alterações? Justifiquem a vossa resposta. A dedicatória que Jorge Amado escreveu, sofreu alterações desde o período da escrita do livro à publicação, pois aqui é retratada a história da obra desde a

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edição até à sua publicação.


3. Era uma vez… 3.1) O que vos parece? Aconteceu numa época real, ou numa época que nunca existiu, um tempo imaginário? Justifiquem a vossa resposta. A história passou-se num tempo imaginário, “antigamente, mas muito antigamente, nas profundezas do passado, quando os bichos falavam, os cachorros eram amarrados com linguiça”,etc. Estas são situações que não fazem parte da realidade. Isto é, só podem “existir” no tempo da imaginação, no mundo imaginário.

4. Madrugada e parêntesis 4.1) Assinalem todos os aspectos que considerarem importantes para a

caracterização da Manhã: características físicas, actividade profissional, comportamento, gostos, hábitos, sonhos, relação com os outros, particularmente com o Vento e as suas histórias. A Manhã é alegre, risonha, jovem, inconsequente, “aloucada”, distraída, desconfiada, sonhadora, colorida, pensativa, preguiçosa, atrasada, funcionária descuidada, pouco dada a tão rígidos horários. Gostava de ter mais horas de descanso, levantar-se mais tarde, ter uma vida de luxo… se arranjasse marido rico, tudo isto se tornaria realidade. Mas a realidade era outra: obrigada a acordar cedo para apagar cada estrela (apesar de se esquecer de algumas), tinha de aquecer o sol e consumir as suas brasas à noite. Levava horas a iluminar o sol, mas o Vento, ajudava-a. De vez em quando a Manhã punha-se a escutar as histórias que o Vento contava, e tão emocionada que ficava… graças a isto, os relógios atrasavam-se, e outros até se suicidavam. Os galos perdiam a cabeça. A paixão “secreta” do Vento pela Manhã andava na boca do Mundo, mas a Manhã tinha dúvidas. Não era má ideia casar com o Vento, mas por outro lado, seria bem melhor casar com um milionário. O Vento ajudá-la-ia nas suas tarefas. A Manhã gostava de ser outra pessoa sem tantas obrigações. O seu pai é o Tempo, e ela conta-lhe a história do

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Gato Malhado e da Andorinha Sinhá.


4.2) Elaborem um texto em que a Manhã faça a sua própria apresentação.

- Como eu gostava de ser outra pessoa!... Ter uma vida de luxo, sem ter que me levantar cedo para apagar as estrelas, poder dormir até não ter mais sono, sem ter que iluminar o sol, sem ter que apagar as brasas do sol! Mas a realidade é outra. A minha vida, é a vida de uma funcionária subalterna, de rígidos horários, obrigada a acordar cedo para apagar as estrelas e aquecer o sol. No entanto, consigo ser muito alegre e risonha, mas às vezes não meço bem as consequências dos meus actos!... Sou também muito sonhadora e distraída, embora desconfiada, preguiçosa, descuidada e até um pouco “aloucada”. Arranjar um marido rico tornaria possível a minha sonhada vida de luxo. Por falar nisso, o Mundo acredita que o Vento gosta de mim, embora eu duvide. O Vento é muito prestável ao ajudar-me a aquecer o sol. De vez em quando, ponho-me a escutar as histórias que o Vento conta. Fico tão emocionada e motivada pelas histórias, que perco a noção das horas. Não era má ideia casar-me com o Vento, ele ajudar-me-ia nas minhas tarefas, mas bem melhor seria casar com um milionário!

4.3) Assinalem os aspectos caracterizadores do Vento. O Vento é um personagem alegre, amigo, atrevido, sempre disposto a ajudar (sobretudo quando se tratam de senhoras), ágil, bom dançarino, embora também seja irresponsável, capadócio, velho, louco, bisbilhoteiro e inspire pouca confiança.

4.4) Elaborem um texto em que o próprio Vento se dê a conhecer. Todas as frases, de preferência curtas, têm de começar por "Gosto de...", "Não gosto de...". Podem organizá-las de várias maneiras: começar com as afirmativas e acabar com as negativas, começar e acabar ao contrário ou ir alternando

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Sol. Não gosto de estar parado." Gosto de... Não gosto de..."

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"Gosto/ Não gosto...". Por exemplo: "Gosto de ajudar a Manhã a iluminar o


- Gosto de ajudar os outros. Não gosto de ver os outros a trabalhar sózinhos. Gosto da minha liberdade. Não gosto de estar parado. Gosto de pregar partidas. Não gosto de levar tudo muito a sério. Gosto de despir as árvores das suas folhas. Não gosto de ver as coisas sempre na mesma. Gosto de meter-me por baixo das saias das senhoras. Não gosto de deixar de pregar partidas. Gosto de coscuvilhar. Não gosto de evitar intrometer-me em assuntos que não me dizem respeito. Gosto de recordar e contar histórias. Não gosto de guardar para mim as experiências. Gosto de invadir espaços. Não gosto de estar sempre no mesmo sítio.

4.5) Que relação têm o Vento, a Manhã, o Tempo e o Sapo Cururu com a história do Gato Malhado e a Andorinha Sinhá? As personagens desta história têm todas uma coisa em comum: todas rejeitam e criticam o relacionamento do Gato Malhado com a Andorinha Sinhá. O Sapo Cururu é companheiro do Vento, o Tempo é pai da Manhã, o Vento é amigo da Manhã e deseja casar com ela. Entretanto, após a apresentação das personagens principais, surgem duas novas personagens: o Gato Malhado e a Andorinha Sinhá. O Gato Malhado era antipático para toda a gente, mas a pequena Andorinha Sinhá conseguiu mudar a sua forma de ser e de estar na vida. O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá tornam-se grandes amigos, acabando por se apaixonar. No entanto, por uma questão de regras, a Andorinha Sinhá não atende ao seu coração, acabando por casar com o Rouxinol.

5. A acção

5.1) Identifiquem os títulos dos capítulos que nos apresentam a acção. Os capítulos da obra têm como títulos: Madrugada; Parêntesis; A estação da Primavera; Novo parêntesis, para apresentar a Andorinha Sinhá; Continuação da estação da Primavera; Capítulo inicial, atrasado e fora do lugar; Fim da estação da

estação de Inverno; A noite sem estrelas.

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parêntesis poético; Continuação da estação do Outono; Parêntesis crítico; A

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Primavera; A estação do Verão; Parêntesis das Murmurações; A estação do Outono;


5.2) A ordem pela qual os acontecimentos são narrados segue exactamente a ordem pela qual aconteceram? Justifiquem a vossa resposta. A ordem pela qual os acontecimentos são narrados não segue exactamente uma ordem cronológica, pois há um capítulo intitulado Capítulo inicial, atrasado e fora de lugar, no qual, por um processo de analepse, se recua no tempo com o objectivo de se dar a conhecer melhor a Andorinha Sinhá.

5.3 Resumidamente, registem a situação inicial e os acontecimentos que se sucederam até ao desenlace. Num momento inicial, a Manhã escuta atentamente o seu amigo Vento que lhe conta uma história. Por sua vez, a Manhã conta a seu pai, o Tempo, essa mesma história que narra a paixão entre a Andorinha Sinhá e o Gato Malhado. Num belo dia a Andorinha Sinhá e o Gato Malhado encontram-se e depois de conversarem o Gato apercebe-se que a Andorinha não tem medo dele. Ficam amigos, acabando por se apaixonarem. Ao longo da obra enfrentam a discriminação e incompreensão das outras personagens. A oposição da tradição e dos costumes foi mais forte que o seu amor e a Andorinha Sinhá acaba por casar com o Rouxinol.

5.4 Relacionem os momentos que referiram com a estação do ano em que "aconteceram". No início da Primavera os animais começam a perceber que algo de diferente se passa com o Gato Malhado, suspiros, miados e sorrisos disfarçados revelam-se… Todos estranham, mas o leitor percebe que é a paixão pela Andorinha que o modifica. Quando se apaixonam é Primavera e no fim da Primavera, o seu amor conhece a contrariedade dos pais da Andorinha que julgam salvá-la, afastando-a do Gato. No último dia do Verão, a Andorinha não se encontra com o Gato como de costume. O Gato conversa com a Coruja e esta explica-lhe que o seu amor pela Andorinha é impossível. No primeiro dia de Outono, tempo triste e que anuncia o Inverno, no seu longo passeio e sem muitas palavras ambos perceberam que o seu

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casar com o Rouxinol.

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amor acabara. No final do Outono a Andorinha anuncia ao Gato Malhado que se vai


5.5 Expliquem por que motivo a estação do Verão é um "capítulo curto". O capítulo do Verão é curto porque “É sempre rápido o tempo da felicidade (…) Quando queremos que ele se prolongue, seja demorado e lento, ele foge às pressas, nem se sente o correr das horas.” Tal como afirma o narrador, por vezes, quando estamos felizes, não queremos que o tempo passe e contudo, ele parece voar!

5.6 O desenlace não está expresso, como viram, mas sugerido. Continuem a narrativa e concluam-na com um desenlace a vosso gosto. Na noite do casamento da Andorinha Sinhá com o Rouxinol começou a chover torrencialmente. O Gato Malhado, como bom gato que era, não gostava de se molhar. Então, teve de procurar abrigo na quinta mais próxima. Galos, galinhas, vacas, cavalos, ovelhas, bois e uma linda gata siamesa acolheram-no calorosamente. Iluminados pelas chamas de uma fogueira improvisada, os olhos da gata brilhavam como estrelas… De repente, um raio de esperança atravessou o coração do Gato Malhado. No início da Primavera seguinte o Gato Malhado e a gata reencontraram-se e não mais deixaram de dar os seus passeios. Agora o Gato já voltou a sorrir e ainda ontem suspirou!...

6. As personagens 6.1 As personagens secundárias • Elaborem a lista das personagens secundárias. • Apontem as características dominantes de cada uma delas. • Sugiram uma alcunha para cada uma de acordo com essas características. As personagens secundárias são o Sapo Cururu, o “crítico”, pois critica duramente o texto escrito pelo Gato Malhado; a Manhã, a “aloucada”, que levava uma vida cansativa e cheia de responsabilidades; o Vento, o “velho malandro”, sempre apaixonado pela Manhã; o Tempo, o “resmungão”, que ao aperceber-se do atraso

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separaram a Andorinha do Gato, em nome das tradições e dos costumes; a Coruja,

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da filha logo se apronta a corrigi-la; os pais da Andorinha Sinhá, os “cotas”, que


a “conselheira”, que, na sua sinceridade, convence o Gato de que o amor entre um gato e uma andorinha é “missão impossível”. 6.2 A Andorinha Sinhá e o Gato Malhado • Como sabem a Andorinha enviou, pelo Pombo-Correio, uma carta ao Gato. Era uma carta de despedida, mas os encontros entre os dois continuaram. Porém o momento da separação definitiva chegou e a Andorinha quis dizer ao Gato tudo o que não chegara a dizer-lhe. Escreveu-lhe. Imaginem e redijam a carta que a Andorinha Sinhá enviou ao Gato Malhado pouco antes de se casar. Uma carta simples, mas emotiva; uma carta em que fala do Gato, mas sobretudo de si própria, do seu amor, dos seus sonhos, das suas mágoas, do seu futuro...

Meu amado Gato Malhado, Lamento, mas esta carta, ao contrário de muitas outras, é uma carta de despedida. O nosso amor é impossível. O nosso futuro a dois não acontecerá! Noites ao luar, Verões em Ipanema, jamais! O meu futuro não é ao lado dos teus bigodes, não adormecerei ao som do teu miar… Estou triste, desolada… mas tenho de seguir os usos e costumes dos antigos, vou casar com o Rouxinol.

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Andorinha

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Tua para sempre


6.3 O Gato apaixonado • O Gato escreveu o "Soneto do Amor Impossível" transcrito no parêntesis poético. O Sapo Cururu fez a crítica do poema a pedido do narrador (parêntesis crítico). É uma crítica favorável? Na vossa opinião, as observações do Sapo têm fundamento? Justifiquem devidamente a vossa resposta. Criticando o texto do Gato , o Sapo Cururu afirma que este é “carente em ideias profundas, com inúmeros defeitos na forma, a linguagem não é escorreita, a construção gramatical não obedece aos cânones dos excelsos vates do passado”, de rima paupérrima, baseado no plágio de uma canção carnavalesca. Esta é pois uma crítica demolidora ao poema escrito pelo Gato. Na nossa opinião, o Sapo Cururu tem razão quando critica a pouca profundidade das ideias, a incorrecção da linguagem ou a rima…mas, faz a sua crítica de forma exagerada.

7. A fábula O mundo só vai prestar Para nele se viver No dia em que a gente ver Um gato maltês casar Com uma alegre andorinha Saindo os dois a voar O noivo e a sua noivinha Dom Cato e dona Andorinha." (Trova e filosofia de Estevão da Escuna, poeta popular estabelecido no Mercado das Sete Portas, na Bahia) Na Dedicatória, o autor designa a história de "O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá" como uma "fábula".

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que existe a intenção de moralizar.

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Ora a fábula é um texto narrativo cujas personagens são geralmente animais e em


- Leiam atentamente a "Trova e filosofia" acima transcrita, o Parêntesis das Murmurações e o diálogo do Gato com a Coruja (Continuação da estação do Outono). - Reflictam sobre tudo o que leram nesta obra e redige a(s) mensagem(ns) que, em vossa opinião, o autor pretende transmitir ao mundo dos homens através de O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá: uma História de Amor. Nesta obra verificamos que o amor entre o Gato Malhado e a Andorinha Sinhá é forte ao ponto de transformar um gato resmungão, mau e solitário, num gato sorridente, bem disposto e que suspira. Contudo esse amor por muito forte que seja, não vai ser capaz de vencer as tradições, a discriminação, as diferenças. “Onde já se viu uma andorinha noivando com um gato?” A moral da história é que o mundo tem muitas regras, restrições, muitas diferenças e ao mesmo tempo muita discriminação. Não é fácil fugir à tradição. Nesta história constatamos que o amor não foi suficiente para ultrapassar as barreiras… “Gato casa com gata” e ponto final. Contudo, pensamos que com esta história o autor está a ser irónico e,

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contrariamente ao que parece, ele defende o respeito pela diferença.

Resultado da WQ - Gato Malhado  

Trabalho de Grupo da turma 8ºB