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Pรกginas Criativas

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Nós sonhámos, os alunos quiseram e eis que a obra já nasceu! Aos “nossos escritores” que partilharam orgulhosamente o fruto de pequenos laivos inspiradores… Aos jovens que foram enriquecendo estas páginas com vivências singulares e singelas de quem tem entusiasmo suficiente para partilhar com os outros o que lhes vai na alma… Aos que corresponderam aos desafios lançados pelos seus professores, ou por si próprios, acreditando que a leitura e a escrita se complementam e são forças motrizes na formação de todos nós… Aos que, lendo alguns textos, os espelharam em coloridos e artísticos desenhos… Aos que quiseram fazer parte destas “Páginas Criativas” … A todos a Biblioteca Escolar agradece a preciosa colaboração e congratula-se por estarmos juntos nesta caminhada, perseverante, da promoção da escrita e da leitura.

Muito obrigado! A Biblioteca Escolar Ano Letivo 2011/2012

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A ilha deserta

…Estava eu no avião, quando de repente a hospedeira correu para a entrada do cockpit e começou a falar ao microfone: - Atenção a todos os passageiros! O avião tem problemas técnicos e teremos de aterrar na desabitada ilha Papawa. Quem quiser sair para ir desfrutar da linda ilha está à vontade… mas o avião partirá daqui a 20 minutos, se possível. Eu nunca tinha gostado lá muito de andar de avião. E agora que tínhamos de fazer paragens antecipadas… Quando aterrámos, fui dar uma volta para aliviar o stresse do tempo perdido (Estava - me a esquecer! O meu nome é Mineiro.). Ao estar tanto tempo a viajar (tinha acabado de vir do Brasil), deu-me um sono… Depois pensei “não posso adormecer, o avião ainda parte!”, mas a tentação era grande. Lá me encostei a uma palmeira e, como o sono era maior que a palmeira, acabei por adormecer. Os minutos foram passando, comecei a sentir umas lambidelas daquelas secas, como as dos gatos, e, num berro que eu havia mandado sem querer, acordei. Pensei para mim “ o que poderá ter sido…” e um pouco mais tarde lembrei - me que havia perdido o avião.

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O tempo foi passando, mas logo me apercebi de que a ilha era deserta (tinha-me esquecido). Perguntei-me “se a ilha é deserta, quem poderá ter sido?”, e, nesse preciso momento, apareceu uma coisa peluda à minha frente. Disse em voz incompreensível: - Mas que raio… - Mas que raio o quê? Nunca tinhas visto um macaco a falar? - disse-me ele, antes de eu ter desmaiado. Uns 15 minutos mais tarde (não sei bem, porque estava desmaiado), o macaco falador mandou-me um pouco de água à cara e disse: - Acorda, meu caro! - Ai, ai… ah! Quem és tu? - Eu sou o Johnson! O único habitante desta ilha! - esclareceu-me. - Então… já está cá há quanto tempo? - interroguei-o com um ar curioso. - Desde que os meus pais morreram… Para ser sincero, não me lembro muito bem! –disseme ele com um ar desconsolado. - Sabes que mais! ... Tens casa? - perguntei-lhe. - Sim, anda por aqui, eu mostro-te! - respondeu-me. Após termos andado aí 10 km, eu, mais uma vez, questionei: - Posso dormir? ... Mas antes deixa-me ver a tua casa. Oh, antes de mais, eu sou o Tomé, tenho 10 anos e… - Ei, espera aí! - interrompeu-me o Johnson - 10 anos? Pareces ter uns 6 ou 7, se fosses macaco! - Deixa-me ver o quarto de hóspedes, antes de mais. - disse eu. A casa era gigante, media mais ou menos 100000 metros cúbicos. Andámos muito até à outra ponta da casa. Instalei -me, conheci o lado mais tímido do Johnson e tive uma ideia: - Ei, Johnson, não gostavas de tornar esta ilha mais conhecida? - Of course, claro! Já tentei isso há muito tempo, mas desta vez, eu e tu, unidos, iremos conseguir! - respondeu-me entusiasmado. No dia seguinte, um barco passou mesmo ao lado da ilha e nós, com uma bandeira em punho, gritámos: - Aqui! Aqui! Aqui! Até que mudaram a rota do barco, vieram ter connosco e o comandante do barco perguntou-nos: - Querem subir? - Não, queremos apenas fazer com que a nossa ilha fique assinalada nos mapas e que as pessoas passem a visitá-la. Enquanto estávamos a apanhar banhos de sol, um homem muito bem vestido veio ter connosco de helicóptero e, aterrando, disse: - Johnson, Tomé, sou o presidente da união europeia de geografia e queria dizer-vos que criámos uma agência que vende viagens para esta belíssima ilha, e somente para esta. - Yehh! - gritámos de alegria, pois sabíamos que uma vez unidos, jamais seríamos vencidos. Tomé Mineiro, 6º D

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A ilha deserta

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Estava eu a nadar entusiasmada no mar, quando de repente vi as bóias de sinalização pequeninas. Esfreguei os olhos. Mas, na verdade, era eu que já estava longe, bem longe da praia. Tentei nadar até lá. Contudo, com aquelas ondas e com aquele pânico que se apoderava de mim, cada vez mais afastada ficava da Praia das Maracas. Nadei, nadei, nadei, quando vi um pontinho lá ao longe. Bem, pensei eu… deve ser uma ilha! Dei umas braçadas até lá. Estafada, deitei-me naquela areia quente e fina. Estava tão cansada!... E ouvi: - TssSss! Era um bicho tão estranho! De tanto cansaço, pensei que fossem visões, mas olhei bem e … parecia uma cobra, misturada com riscas brancas e pretas, tipo zebra. E então surgiu da minha boca: - Olá … bicho … - Não me chames bicho! Chama-me Slopo Cozebra. Tratado por Slop, normalmente. - Ooh … Então, Slop, podes dizer-me onde estou eu? - Estás numa Ilha … Na Ilha de Trosipas! - Sim, está bem. Mas onde exactamente? - Bom, não está no mapa, é uma ilha perdida já há um século e meio. - E agora!? E agora!? – chorava eu, pois a minha vida estava para lá do mar. - Eu vou-te dizer como é esta ilha! Vais adorar! E disse. E vou contar-vos como era a ilha. Havia uma cabana espaçosa com sofás de palmeira, dois quartos confortáveis e uma cozinha, onde o Slopo vivia. Havia muitas palmeiras e coqueiros. As flores eram belas. Nunca tinha visto nada igual e com um cheiro tão agradável. O ar parecia perfumado com rosas! À noite, as estrelas mais cintilantes cantavam como anjos. A Lua contava histórias de embalar. Quando já era hora de acordar, o Sol fazia cócegas quentinhas, para despertar. Virei-me rapidamente para ele, olhei-o fixamente naqueles olhos pretos, infinitos e mandei da boca para fora: - Isto é o paraíso! Condições tão boas, ou se calhar até melhores do que as da cidade! Quero viver aqui para sempre, onde me vou divertir imenso! -Bem-vinda, então. – disse-me o Slop com um sorriso bem grande no rosto. E eu fiquei naquele paraíso maravilhoso onde viveria o resto da minha boa e saudável vidinha, descansada e com o divertimento mesmo à porta.

Margarida Cardoso 6º D

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A ilha

Certo dia, estava eu a dar um passeio pela cidade, quando passei mesmo ao lado de uma agência de viagens que tinha acabado de abrir. Fiquei curioso porque, em frente à porta, havia uma grande multidão. Aproximei-me para ver o motivo de tal confusão e entendi que os 100 primeiros visitantes receberiam um salto de pára-quedas. Decidi juntar-me àquelas pessoas porque sempre sonhei ter uma aventura assim. Depois de muito esperar, lá chegou a minha vez. − É o visitante número 99!Parabéns! – disse o gerente da agência. Respirei de alívio. Por pouco aquela espera toda não servia de nada! O tempo foi passando e, finalmente, chegou o grande dia. Levantei-me bem cedo e fui para o ponto de partida do avião. Quando já estávamos a vários metros de altitude eu, juntamente com o meu guia, saltámos do avião. A certa altura da queda, começou a soprar um vento muito forte que me fez separar do meu guia, sobrevoar o mar e, por sorte, cair numa ilha aparentemente deserta. Depois de me habituar à ideia de estar perdido, comecei a procurar alguém que me pudesse ajudar. Procurei…Procurei…Até que vi fumo do outro lado da ilha. Pensei logo que afinal a ilha era habitada. Mas, quando lá cheguei, só vi um homem muito mal vestido a cozinhar um animal que me pareceu ser um coelho. Aproximei-me e perguntei-lhe: − Desculpe! Pode dizer-me como se sai desta ilha? O homem deu um salto e tentou bater-me com um pau. Eu pus as mãos no ar para lhe mostrar que não lhe queria fazer mal. Fui-me aproximando devagarinho para fazer o homem perceber que queria ser seu amigo. Ele voltou à sua refeição mas continuou a olhar para mim com um ar desconfiado. Já estava a ficar com fome e o coelho, embora com mau aspeto, cheirava mesmo bem. A certa altura o homem olhou para mim e, apesar de eu não estar à espera, ofereceu-me um pedaço de carne. Acabada a refeição, começou a anoitecer e o homem agarrou-me num braço e levou-me para uma cabana feita de palha. Foi aí que passei a noite. No dia seguinte, acordei com o homem em cima de mim a abanar-me. Com o tempo fui-me apercebendo de que a única maneira de comunicar com o homem seria por gestos. Mais uma 7


vez, ele agarrou-me por um braço. Desta vez o homem entregou-me um objeto parecido com uma lança e levou-me para o meio de um bosque. O homem e eu escondemo-nos atrás de um arbusto e, quando passou um coelho, ele lançou a sua lança e apanhou-o. Depois chegou a minha vez. Mesmo com alguma dificuldade também consegui apanhar um coelho. A caçada da manhã valeu a pena porque tínhamos o almoço garantido. A tarde foi passada a pescar e até foi bom porque aproveitei para tomar banho. O jantar foi o peixe pescado durante a tarde. Os dias foram passando até que, finalmente, chegou uma equipa de resgate que me veio salvar. Por um lado estava feliz por voltar para casa, mas por outro lado estava triste por deixar o homem sozinho na ilha. À entrada do barco acenei ao homem e ele acenou-me também. Tinha-o ensinado a dizer adeus. E assim terminou a minha grande aventura. Guilherme Salvador - 5ºA

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A magia do berlinde

Em vésperas do teste de história, estava eu sentado no sofá a rever a matéria, quando o meu irmão se aproximou e perguntou: − Mano, queres vir jogar ao berlinde comigo? − Agora não posso porque estou a estudar. – respondi eu. Mas, quem conhece o meu irmão, sabe que ele nunca desiste do que quer e por isso insistiu: − Vá lá… Anda… Vem jogar… Toma lá este berlindinho… Eu, que já estava a ficar farto daquela conversa disse: − Nem berlindinho, nem berlindão, nem “berlindex”! Ao dizer aquela frase, senti um grande abanão, como se estivesse a ser levado por um vento muito forte. Quando olhei à minha volta, vi homens com muito pouca roupa a pescar com instrumentos muito estranhos. Pouco a pouco, fui-me apercebendo de que estava na préhistória.

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Foi então que tive uma grande ideia: telefonar à minha mãe. Só depois me lembrei de que, naquela altura nem havia telefone, nem a minha mãe tinha nascido. Pouco depois, encontrei um grupo de homens que estavam a fazer uns desenhos esquisitos nas paredes de uma caverna. Percebi que se tratavam de pinturas rupestres. Mais à frente, vi um homem a tentar atravessar um rio com uma rocha enorme às costas e decidi ajudá-lo. Achei que a melhor maneira de o ajudar seria construir-lhe um barco mas, como só sabia construir uma jangada, foi isso que fiz. Subi a uma colina perto dali, onde recolhi vários ramos grossos e algumas plantas rasteiras. Atei os ramos com as plantas e construí uma jangada. Fi-la deslizar colina abaixo, fazendo-a chegar ao homem. Tentei explicar-lhe para que servia a jangada, mas por mais que tentasse ele não percebia. Passado algum tempo, o homem lá entendeu como podia usar a jangada para atravessar o rio e deu uns guinchos muito estranhos (achei que me estava a agradecer). Como estava a anoitecer, tinha de arranjar numa maneira de voltar para casa. Então, lembreime da conversa que tinha tido com o meu irmão e achei que se dissesse novamente as últimas palavras daquela conversa, mas por outra ordem voltaria para casa. Comecei por dizer: − “Berlindex!” De repente, senti novamente aquele abanão e…Ufa!!! Estava de novo no meu sofá. Percebi que aquela palavra era mágica porque cada vez que a dizia viajava no tempo. A partir daquele dia, sempre que precisava de estudar a pré-história, bastava-me dizer…

Guilherme Salvador

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5º A


A mão de bronze Estava eu no meu laboratório a fazer as minhas pesquisas. Tinha visto que as minhas experiências tinham resultado ao contrário: queria transformar pedras em bronze, mas o que consegui foi transformar bronze em pedras! Era totalmente de loucos, eu precisava de mostrar isto para a semana! Fui para o meu laboratório e tentei descobrir, só que não consegui. Fiquei extremamente zangado. Então, apareceu o meu aprendiz (com cara de parvo para não variar!) -

Mestre, o que se passa?

-

Nada da tua conta!

-

AH! Já sei o que foi, você teve um filho.

-

Não, claro que não! Se eu tivesse tido um filho, não estava zangado, estava alegre! (é que ele era mesmo burro!)

-

Então já sei, desta vez sei mesmo!

-

Então, o que é? Vá, diz lá!

-

Uma experiência saiu ao contrário.

-

Sim, é verdade.

-

Quer que eu o ajude?

-

Se calhar, dava jeito.

Continuámos até altas horas no laboratório. No outro dia... -

Estou mesmo mal só de pensar que daqui a quatro dias tenho de entregar o líquido.

-

Descanse, mestre, nós conseguimos resolver isso.

-

Mas como? - interroguei eu.

-

Basta acreditar!

Quando fomos para o laboratório, examinámos tudo muito bem, mas não nos adiantou de muito. Passados dois dias... - Eu ainda não consegui descobrir exatamente o que é...E tenho o pressentimento de que é um erro muito fácil de resolver. Mas eu não consigo encontrá-lo! E não é que esse pressentimento estava certo! Quando fui para o laboratório, passadas algumas horas, eu descobri que tinha posto os ingredientes ao contrário e comecei a gritar muito alto, de alegria, por descobrir o 11


problema. Nesse momento, apareceu outra vez o meu aprendiz (sempre com a mesma cara...) -

Que se passa?- perguntou ele.

-

Descobri o erro!

-

Boa! Então tente, tente lá outra vez para ver o resultado.

-

Ok.

Quando acabei de fazer, saiu-me o tal líquido e deitei-o numa pedra. Era uma pedra invulgar: tinha uma forma de mão e tinha um pau por baixo. Então a mão transformou-se em bronze. Fiquei todo contente! Ao pôr a mão num local seguro, deixei-a cair noutra pedra e não é que, por magia, a outra pedra também se transformou em bronze! Aí percebi que aquela pedra em forma de mão tinha o poder de transformar tudo em bronze. Fiquei louco de alegria e apareceu o meu aprendiz com aquela cara de... bem, vocês sabem. Contei-lhe tudo e ele também ficou impressionado. No dia da entrega... -

E o prémio vai para o cientista David e a sua Mão de Bronze!

Fiquei muito contente, mas o certo é que não a podia utilizar muitas vezes senão o bronze perdia o valor todo. Bem, isto prova uma coisa: podemos fazer coisas incríveis, mesmo com um aprendiz com cara de ... -

Hã, mestre!

David Bicho 6º D

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A melhor fórmula do Mundo

Olá a todos! Eu chamo-me Okolaka e sou o cientista mais maluco que existe à face da Terra. Descobri muitas coisas quando era mais novo, mas o meu desejo era conseguir inventar uma fórmula que originasse tartarugas mais rápidas do que um Ferrari. Criei várias fórmulas e resultados, mas não estava a conseguir ter uma fórmula perfeita. Então, fui pedir ajuda a um velho amigo chamado Chiau que também tinha descoberto imensas coisas. Ele veio até minha casa. 

Olá, meu velho amigo, como é que tens passado? - perguntei-lhe.

Bem! Mas podes explicar-me melhor o que é que tens em mente em relação à tua nova experiência? – questionou o Chiau.

Eu quero arranjar uma fórmula que faça com que as tartarugas sejam mais rápidas do que um Ferrari – expliquei.

Diz-me: quais as fórmulas que já usaste?

Bt+A+E= baba de tartaruga + água + explosivos e A+O+A = Alimento ingerido + oleo + água – respondi-lhe com estas duas fórmulas.

E quais foram os resultados obtidos? - perguntou o Chiau.

Um camelo mais lento que uma tartaruga e uma tartaruga mais lenta do que um caracol! - informei-o eu não muito contente.

Uhm … já sei! Vamos experimentar uma fórmula que repentinamente está a surgir na minha cabeça! - disse o Chiau com grande empenho.

E qual é a tua fórmula? – questionei.

A fórmula é OF+TA+PM = Oleo de Ferrari + tartaruga + pelo de macaco - disse o Chiau.

Muito impressionante! Mas somos nós que vamos fazer esta experiência, por

isso mãos ao trabalho! Então, eu e o Chiau, com a sua nova experiência e com a sua fórmula, fizemos a obra de arte.

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Esperámos uns bons dias até que a experiência começasse a dar frutos. Foi então que voltámos ao meu laboratório. 

Olá, de novo! Vamos lá ver a nossa experiência superipermegafixe - indiquei eu ao Chiau.

Posso abrir a tampa? - perguntou ele.

Sim, claro, porque foste tu que tentaste criar esta fórmula para me ajudar.

O Chiau abriu a tampa, só que aconteceu o imprevisto: em resultado da nossa nova fórmula, as nossas tartarugas transformaram-se em macacos que faziam tudo o que nós mandávamos. 

Isto é impossível ! - exclamou o Chiau .

O que é que é impossível? - perguntei eu .

Nós criámos macacos que obedecem às nossas ordens!

Então, aplicámos este resultado em mais macacos, vendemo-los por um preço acessível e ficámos conhecidos e famosos no mundo inteiro. Mas nós falhámos num ponto muito importante! Não testámos os efeitos secundários! O primeiro macaco a ser criado ficou connosco. Este começou a não obedecer às nossas ordens e tornou-se violento. O mesmo aconteceu com os outros macacos. Não tivemos tempo de corrigir o nosso erro. Ligámos a televisão e as notícias eram que estava a acontecer uma invasão de macacos criados pelos dois cientistas, Okolaka e Chiau. A cidade estava revoltada e queria pôr-nos fora desta. Foi então que eu e o Chiau fomos pedir ajuda a uns amigos meus que são tropas de elite e nos podiam ajudar a eliminar estes macacos. 

Meu amigo Okolaka, o que vêm aqui fazer? - perguntou o general.

Vinha pedir-te ajuda – disse eu.

Para quê?

Para tu, eu, o Chiao e os teus homens eliminarmos uns macacos - respondi eu.

Está bem - aceitou o general.

Eliminámos os macacos e voltou tudo ao normal. Experiências loucas?! Sim, talvez, mas só daqui a algum tempo!!!

Hugo Gonçalves, 6º D

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A palavra mágica

Um dia, inventei a palavra mágica «familiar» que me dava o poder de conseguir controlar tudo o que desejava, menos os elementos da floresta, da pedra e do fogo. Quando uso a palavra mágica consigo fazer tudo bem e rápido, sem erros e até portarme bem. No outro dia, quando estava na aula de Língua Portuguesa e o Cláudio se estava a rir de mim, eu suspirei a palavra «familiar» e ele imediatamente parou de rir. Por isso, não levei recado por não ler o texto e assim não fiquei de castigo até às férias de Natal. Certa vez, houve um incêndio que estava a ameaçar três prédios alinhados. Então eu disse a palavra mágica e logo começou a chover, o que fez com que o fogo se apagasse sem prejudicar ninguém. Os poderes que a palavra «familiar» me dão não magoam os seres vivos, só os ajudam. Mas um dia, a palavra mágica perdeu os poderes e fiquei alegre por voltar a ser uma pessoa normal. Dava muito trabalho estar sempre a usar os poderes da palavra mágica!

Carlos Henrique Lopes da Silva 5º D

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A viagem fantástica

Certa manhã de primavera, abri as cortinas rendilhadas e o vidro da janela, por onde entrou uma brisa fresca e um cheiro matinal. Logo de seguida, ocorreu-me um pensamento que me dizia “ hoje é um belo dia para dar um passeio de bicicleta ”. Comi apressadamente o meu leite morno com cereais estaladiços, com goma de chocolate. E montei a minha bicicleta, sabendo que não havia nada de novo para ver numa aldeia tão insignificante, que não passava duma curva de casas, onde a maior parte estava em ruínas. No meio desta solidão, eu pensava ter descoberto uma rua, mas uma rua diferente, porque ao entrar nela me vinha uma essência de magia à imaginação.

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E hoje fui lá, como vou sempre. Ao parar para cheirar uma flor coberta com pérolas de orvalho, pareceu-me ver um véu abrir, por onde uma ave rara aplanou por um raio deslumbrante. E pousou no chão um ser tão belo, de penas em tons azuis - esverdeados, de peito branco e de olhos cor de água, que me disse: - Tu tens uma missão! - E de que trata essa missão? - Salta para cima de mim e verás! Embarcámos numa viagem longa, mas diferente, por outro mundo, um mundo onde só havia volumosas nuvens de algodão, um enorme arco-íris de cores cintilantes e um bando de unicórnios leves como plumas. Aterrámos em pleno nascer do Sol, do outro dia, quando a ave me murmurou: -Eu chamo-me Ariana e trouxe-te para te pedir ajuda para um assunto! - Que assunto? -Nesta ilha, só há um único habitante e ele tem muita curiosidade em aprofundar os conhecimentos do mundo. -Posso conhecê-lo!? - Sim, claro. Eu agora tenho de partir. Aproximei-me dum local tropical, onde palmeiras vistosas serviam de habitat a uma tartaruga inédita, uma tartaruga de carapaça decorada com desenhos do mundo e contornados com uma faixa dourada, artística, que foi ter comigo e disse: - Conta-me coisas do mundo. Quantas estrelas há? Quantas galáxias existem? Onde é que as borboletas monarcas hibernam? Eu expliquei da maneira mais simples a constituição do mundo. E passei a viver numa caverna dentro do tronco de uma ginkgo biloba.

Inês Filipa Ferreira Afonso 6ºD

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A Viagem Mágica no Tapete Voador

Em criança, sempre tive um desejo que todos consideravam estranho… Eu queria ser vendedora de tapetes voadores e consegui concretizar esse sonho. Abri uma loja, bem no centro da cidade, onde tinha tapetes maravilhosos à venda. Os tapetes tinham cores lindas, vários tamanhos e qualidades mágicas. Um desses tapetes era especial, tinha sido feito por um Mágico, mas era muito caro e por isso ninguém o queria comprar. Um dia, apareceu na loja um homem muito rico, que estava disposto a gastar uma fortuna naquele tapete voador e ficou encantado quando o viu. No entanto, queria fazer uma viagem experimental nele antes de o comprar. Respondi que podia ser, mas eu teria que o acompanhar visto que só eu sabia voar aquele tapete, que era o meu topo de gama. Era um tapete da última geração, reagia à voz do dono (por isso é que eu também tinha que ir), voava sem gasóleo, nem bateria, não poluía o ar e era muito confortável. O tapete era feito de uma lã especial que o tornava invisível durante o voo (se o dono assim o desejasse), e colocava-se no outro lado do mundo em apenas cinco minutos!

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Durante a viagem experimental no tapete voador, fomos visitar as Cataratas de Niágara, na fronteira do Canadá com os Estados Unidos da América e de lá demos ainda um salto à China para ver a Grande Muralha. O cliente adorou o tapete voador e comprou-o assim que regressámos!

ANA RITA ANTUNES -5ºA

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A VOZ DOS ANIMAIS

Certa manhã de primavera, Matilde, uma pequena menina de cabelos encaracolados e acastanhados, de olhos azuis como se fossem salpicados de pequenas gotículas de água, de coração muito doce ficou bastante chocada com uma atitude que vira há algum tempo nas ruas de Lisboa: uma ninhada de cachorrinhos dentro duma cesta, abandonada mesmo à beira da estrada! E, quando se preparava para implorar aos pais para a trazer, eles negaram-lhe pela falta de condições. A partir desse momento, sentiu a obrigação de acabar com aquelas injustiças. Matilde passeava pelos campos verdejantes, recheados de malmequeres e muitas outras espécies de flores coloridas e perfumadas. Os pequenos rios traçavam aquele espaço como fios rendilhados. Embebida naquela beleza, a menina discerniu no horizonte um véu de luz a abrir, de onde surgiu uma vistosa ave, de cabeça esbranquiçada, de corpo de linhado em tons de negro e de olhos cor d` água, que lhe disse: 20


- Tu deves ser a Matilde!? - Sim! Como sabes? - Tu tens uma missão! - De que trata essa missão? - Sobe para cima de mim e verás! Embarcaram numa viagem fantástica! Percorriam cidades, campos, rios, chegando a uma floresta onde a fauna e a flora nutrem aquele espaço de vida. As árvores, adornadas de trepadeiras, servem de habitat a inúmeras espécies de aves, que encantam aquele espaço com melodias. No solo, sob as folhas secas, uma diversidade de invertebrados lutam pela sobrevivência. Naquele seio verdejante, aterraram. - Nesta floresta, existe uma gruta! Tens de a encontrar! - exclamou a ave. - Como a posso encontrar? - Podes perguntar e procurar utilizando a ajuda dos animais desta floresta. Agora tenho de partir! Matilde, sentindo-se só, começou a andar sem destino. Mais à frente, surgiu-lhe um a gazela que perguntou: - Que faz uma menina por aqui? - Tenho uma missão urgente. - Que missão é essa? -Tenho de encontrar uma gruta. -Acho que já sei quem te pode ajudar! Há uma coruja sábia que vive no tronco do enorme castanheiro junto ao ribeiro. - Obrigada pela informação! Vou já procurá-la. A menina partiu radiante, em busca do castanheiro, junto às águas límpidas do ribeiro. À porta do tronco, lá estava a velha coruja de óculos espessos. Matilde questionou-a: - Tu és a coruja sábia da floresta? - Sim, minha menina! A vida aqui na floresta deu-me lições que guardo religiosamente. Já agora, que fazes aqui? Este local é perigoso para os humanos. - Tenho uma missão para cumprir!

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- Estás a deixar-me curiosa! Que missão especial é essa? - Tenho de encontrar uma gruta! - Ah! Essa gruta, que está recheada de mistérios! É guardada por um velho amigo esquilo. - Onde é que o posso encontrar? - No cume do grande Abeto, situado junto ao penhasco. A menina, cheia de curiosidade, lá partiu. Chegando junto ao enorme penhasco, observou um abeto gigante. No seu topo, estava o Esquilo, dominando o seu reinado. Matilde sentiu a sua pequenez perante aquelas alturas e gritou: - Esquilo, onde fica a gruta da floresta? - Que queres tu saber da dita gruta?! O seu segredo permanece na floresta. - Viajei de terras longínquas para a encontrar! - Eu posso ajudar-te! Mas, primeiro, tenho que ter confiança em ti. Para isso, vais ter de fazer um teste: Em teu redor, procura três eventos que possam definir o temperamento dos animais. A menina, atrapalhada, mira tudo o que a rodeia e nada. A voz aguda do esquilo ecoa nos seus ouvidos: - Só quando fores sensível ao comportamento dos animais, poderás entrar na gruta e até resolver o grande enigma que paira sobre esta floresta como um segredo guardado a sete chaves. Matilde não desiste e tenta captar todas as sensações daquele local. Os seus olhos ficam dotados duma visão especial, conseguindo detetar o relacionamento entre os animais. Num pequeno arbusto, um ninho flutua com o vento e lá dentro a ave-mãe protege as suas crias com amor. Ao lado, raposas lutam num ritual de acasalamento. Olhando para o chão, observa a hierarquia organizada dum formigueiro. As três situações distintas mostram o relacionamento dos animais e grita novamente para o esquilo: - Eu consegui captar o amor, a violência e a organização dos animais!

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- Muito bem! Estás a evoluir e com o tempo vais compreender a linguagem dos animais. Penso que posso confiar em ti. Segue as instruções que te vou dar: Na base do penhasco gigante, há uma pedra em forma de coração. Roda-a para o lado direito e verás o que sucede. Ansiosa, a menina aproxima-se da base do penhasco. Observando atentamente, descobre a pedra- chave, rodando-a para a direita. Entra numa galeria que var dar à gruta. Entrando naquele espaço repleto de diamantes, fica encandeada com o seu brilho intenso. Naquele lugar mágico, um cristal gigante suporta um pergaminho com uma chave. Matilde aproxima-se, abre o documento, conseguindo decifrar a mensagem: “À saída da floresta, existe uma instituição em ruínas. É preciso recuperá-la para albergar os animais abandonados. A pessoa a quem compete esta missão terá de compreender a linguagem e sentimentos dos animais. O suporte material para tal façanha está num saco dourado colocado na parte central.” A menina, cheia de pasmo, procura a relíquia. Abre o saco cheio de libras de ouro. Incrédula, Matilde reconcilia os acontecimentos, tomando consciência da tarefa que lhe fora incumbida. A menina parte, munida com a chave, em busca da instituição abandonada. Chegando ao local, observa o edifício em ruínas, abre a porta envelhecida e vê um espaço amplo para acolher animais abandonados. Na cabeça de Matilde, um rol de decisões brota: “Tenho de encontrar um adulto de confiança para me ajudar a recuperar este edifício. Esta instituição tem que ter todas as condições para acolher os animais em necessidade: alimento, veterinário e tempos livres. O meu pai vai ajudar-me nesta missão de solidariedade!” A menina, com a sua cabeça cheia de sonhos, passaria a acolher os animais, nutrindo-os de muito amor.

Inês Afonso

6ºD

Inês Lourenço 6ºD

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Diferente e Encantador Era uma vez uma menina chamada Patrícia, mas os seus colegas e amigos chamavamlhe Paty. Um dia, ela e os seus pais fizeram uma viagem, uma viagem a um sítio sem nome, a um sítio sem nada nem ninguém, um sítio em que as coisas eram perfeitas. Ouvia-se o barulho do mar, o cheirinho lindo a flores de todas as espécies, cores e feitios. Era sem dúvida uma ilha encantada, mas diferente! Diferente porque, normalmente, estas coisas belas não existem, mas a Paty teve o mérito de receber aquele presente. Esta achava estranho o porquê de não haver nenhum ser vivo, tirando as plantas, naquele paraíso. Patrícia, num dos sete dias que lá passou, foi dar uma volta, uma grande volta à ilha. Num momento inesperado, sentiu alguém, ou algo, a mexer atrás de si. Era, simplesmente, uma coisa extraordinária, uma coisa nunca antes vista, ou avistada por alguém, uma coisa que só se vê uma vez na vida. Era uma arara, meio pássaro, meio humano. Tinha corpo e asas de pássaro, cabelo e patas de humano. O seu cabelo era deslumbrante, era encaracolado, de uns caracóis perfeitos e cada um deles com uma das diferentes cores do arco-íris. Era caso para dizer que ele e a menina não se conseguiam decidir sobre o que fazer, nenhum deles se mexia. Nada neles se mexia. Ficaram assim durante segundos. A menina ficara tão fascinada com aquele pássaro que apenas teve a coragem de dizer: «És diferente e único!». Parecendo que não, o pássaro entendeu o que ela disse, fazendo-lhe o sinal de abanar a cabeça e sorrir. Parecia que estes se tinham apaixonado! A menina e os seus pais construíram uma grande casa com ramos de árvores e flores fascinantes, passando a viver ali. Ela passou, sem dúvida, a amar aquele pássaro! Nunca, mas nunca mais, a partir daquele momento, eles se largaram. Eram, definitivamente, os melhores amigos e as melhores pessoas um para o outro. Apesar de este animal ser diferente, era único e maravilhoso.

Lara Delgado

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6º D


Era s贸 conversa

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No fundo do mar, os peixes-nácula festejavam a Lua Nova de 1 de março. Dizia a lenda que, neste dia, o primeiro peixe a nascer às onze da noite seria o guardião de Nácula e, passados dois anos, aconteceria o mesmo ritual. Já em cima das ondas do mar agitado, um barco a abarrotar de pescadores navegava em busca de alimento desesperadamente e os peixes, como era costume, nadavam livremente sem quaisquer problemas. No fim da festa, os nácula seguiam para as suas algas (as suas casas), pois à meia-noite estar fora da alga era como ir a 200 km à hora numa estrada em que apenas se podia ir a 80. Era uma espécie de crime que dava direito a multa a que aquele povo ligava pouco. Eles iam descansados, sem se preocuparem muito com a multa (nem sabiam o porquê da sua existência!), até que uma rede de 6 metros os apanhou. - Ahh! Aaaaah! Socorrooo, socorro! – berravam os peixes aflitos - Alguém nos acuda! Enquanto gritavam, os coitados dos náculas avistaram uma mancha preta que, conforme se aproximava, ficava mais nítida. - Oii?, não temos a noite toda! Despache-se seja lá quem for! Ficaremos em dívida para consigo se nos ajudar. Ficaríamos também muito gratos. – dizia em bom som o peixe balão cujo nome era Bolhas. A criatura misteriosa rompeu a rede num abrir e fechar de olhos. Esta era uma sereia. Ela chama-se Titânia. Tem longos cabelos finos e dourados, brilhantes como ouro. A sua cauda é um conjunto de guelras esverdeadas e macias. Tem uma boca grande, olhos verdes como uma esmeralda e doces, muito doces. Leve como o algodão, nada mais rápido do que a velocidade da luz. Tem poderes magníficos também. Aquece a água e consegue congelá-la apenas num movimento de mãos. Mas é preciso ter muito cuidado porque as sereias são perigosas! Com a sua voz bela e preciosa podem desnortear qualquer marinheiro e levá-los à loucura (fazem sem intenção, sem querer, mas não o conseguem evitar). Adora música, adora ajudar e estar com os seus amigos é um dos melhores passatempos que ela tem. Os peixes fugiram velozmente antes que algum mal pudesse acontecer. Voltaram ao local uns minutos depois para agradecer à sereia. - Obrigado, muito obrigado por nos salvar! Como eu já disse antes, ficaremos imensamente gratos – afirmou o Bolhas. - Não tem de quê, meu querido peixe. - Como te chamas? – perguntou ele com algum interesse. - Chamo-me Titânia. E tu? - Eu chamo-me Bolhas! – E após uma pausa de silêncio - Bem, vou ter de ir embora, mas pode ser que um dia nos encontremos. Adeus. - Adeus, Bolhas. Até um dia. – E ao mesmo tempo que dizia estas palavras erguia a sua mão direita lentamente e movimentava-a de um lado para o outro, de um lado para o outro …

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Cada um seguiu o seu caminho. A sereia foi nadando até sua casa. Esta era revestida de algas vindas do Oceano Índico. As janelas eram feitas de búzios vindos do Oceano Pacífico (mas não eram uns búzios quaisquer, eram os búzios oferecidos pelo rei no ano 2007, ano de muita alegria por parte dos cidadãos). Era uma casa pequena, mas muito acolhedora. O Sol adormeceu e a Lua apareceu em seu lugar. Foi aí que a Titânia saiu para ir ao bar mais famoso dos sete mares, o SushiBar. Foi conviver com os seus amigos (que eram em grande parte sereias) e estiveram lá até o bar fechar. Ainda pelo caminho conversou com os seus amigos. Despediu-se. Cansada, atirou-se para a sua cama e vagarosamente começou a fechar os olhos, até se desligar completamente. No dia seguinte, acordou no chão e pensou ``Mas que onda me trouxe até aqui?´´. Levantou-se, foi ao espelho, penteou-se e com as mãos compôs-se e… toca de sair de casa! Na Feira do Mar, havia sempre muita confusão e desordem. Havia a zona dos alimentos e lojas turísticas onde se vendiam as conchas mais raras e os búzios mais antigos, desde os maiores até aos mais minúsculos. Havia muitas antiguidades, todas diferentes e muito interessantes. A Titânia estava num dos corais onde se vendiam variados produtos. Verificava os produtos e marcas até que num instante um peixe gritou: - Tubarãoo! Tubarãooo! Fujam todos! – exaltava a voz do peixe -palhaço, Slide. - Vai enganar outro. Deves pensar que acreditamos em ti, num peixe tão ridículo como tu! E podes ver isso no teu segundo nome… O Slide ficou um pouco ofendido, mas continuou: - Se não acreditam em mim, virem-se e vejam com os vossos olhos! - Está bem, pequenote… – ria-se um peixe já com alguma idade. Os nácula viraram-se, arregalaram os olhos e berraram todos: - O palhaço tem razão! Há mesmo tubarão. Fujam todoos!! Começaram todos a fugir, menos a sereia que estava a ouvir música na loja-coral e Titânia que, de costas para o tubarão, não o via. Os peixes nadavam o mais rapidamente possível e o ``monstro´´ aproximava-se cada vez mais. Esconderam-se todos para ver o que aconteceria. Ele já estava perto dela e deu-lhe um empurrãozinho com o nariz no seu ombro. - Olá, pequenina, tudo bem? – dizia ele com um sorriso – Serias um belo almoço… - Aaah! Acudam por favor! - Ninguém te vai salvar. Estão todos com medo de mim. - Não, não. Eles, no dia em que os salvei de uma rede muito perigosa, disseram que me ficariam eternamente gratos e eu isso nunca esqueci. Eles chegarão, vais ver! - Ahahah… Isso querias tu. Mas não me parece que vás ter essa sorte. - Peixes, ajudem! Lembram-se de dizer que me iam ajudar quando eu precisasse? Esse momento chegou! Mas era só conversa, não era? SÓ CONVERSA! – E, 27


quando acabou de dizer estas palavras, uma lágrima caiu de repente no seu rosto, até que veio mais uma do cantinho do outro olho. E os seus olhos doces, agora, eram olhos de sofrimento! O Slide (aquele peixe – palhaço, lembram-se?) ficou também muito triste e disse: - É assim!... Ela ajudou-nos muito! Talvez já estivéssemos todos mortos na peixaria com os olhos de tristeza como ela os tem agora! Precisamos de fazer algo! – dizia isto, mas não servia de nada e ficavam na mesma – Nós, todos juntos, fazemos dois dele, dois daquele cobarde e triste tubarão, ouviram bem !? Agora, sim! Depois daquelas palavras, eles ficaram muito mais convencidos de que seriam capazes. – Muito bem, é assim … Explicou o plano muito bem explicadinho. Quatro faziam uma rede de algas de uns quantos metros, outros preparavam-se para treinar a pontaria. O plano era simples: uns peixes mandavam pedrinhas para o seu corpo, ele virava-se e a Titânia fugia. Depois, os outros peixes lançavam a rede e capturavam o tubarão (que se chamava Tobby). Assim foi. Começaram a atirar as pedrinhas … - Quem está a mandar estas pedrinhas? Mas que estúpidos, que criancice, não é assim que me vão parar! - Ah, pois não! – murmurava o Slide. O Tobby virou-se para a frente e … - Onde foi ela? Nãoo! Aah, se eu apanho aqueles náculas otários! Quando o tubarão se virou … zás! Já tinha a rede à sua volta. - Aah! Malditos! - Ieeh!, Ieeh! – saltavam e pulavam de contentamento. - Obrigada, amigos, obrigada. Agora, quem vos fica a dever uma sou eu! - Isso não é SÓ CONVERSA, pois não? – perguntou o Slide, dando origem a uma risada geral. - Hoje à noite, vamos todos celebrar! Que me dizem? – propôs a sereia. - Claro que sim! – concordaram em coro. A noite chegou (e como foi divertida!). Depois de terem passado por um momento muito difícil das suas vidas, todos agora eram solidários. De facto, enquanto se mantivessem unidos, dificilmente seriam vencidos por outros companheiros ditos mais fortes e sempre com vontade de engolir os mais pequenos! Neste momento, vocês devem perguntar-se “Então, e o tubarão Tobby?” Bem, esse foi para longe, muito longe. Pode ser que lá aprenda a ajudar os outros!

Margarida e Susana, 6º D

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FÉRIAS SURPREENDENTES Eu estava ansioso para entrar de férias e, desta vez, ia para a China. A meio do voo, apareceu um macaquinho com um chapéu engraçado que abriu a porta do avião e atirou-me para uma ilha deserta. Felizmente, caí numas lianas! Fiquei apavorado, não sabia o que fazer, até que apareceu um coelhinho gigante e muito fofinho que disse: - Então, miúdo, estás perdido? - Sim, estou!!! – respondi eu. - Foi o macaco, não foi?! Bom, não te assustes, não és o primeiro a ser atirado por ele. - Mas quem és tu?! – perguntei-lhe. - O meu nome é Coelhinho Gigante e Muito Fofinho. Sabes… Eu antes era uma pessoa como tu, mas fazia experiências com coelhos que acabaram por fugir, por isso fiz experiências em mim e depois transformei-me num coelho!... - E como é que vou sair daqui? - perguntei-lhe assustado. - Eu sei lá, não me perguntes a mim! – indignou-se o coelho. Não devia estar a queixar-me. Tinha de sobreviver, então o coelho ajudou-me. Começámos pela comida! O coelho aconselhou-me uma fruta estranhíssima, mas dulcíssima. Ele disse-me que a fruta tinha todos os ingredientes e minerais de que precisava para sobreviver. Eu ainda estava a tentar perceber porque é que tudo tinha o nome do que era. Entretanto, procurávamos água e o coelho disse que havia uma árvore que dava água que se chamava Árvore Que Dava Água. Pronto! Já tinha tudo o que precisava para viver, mas o coelho parecia exausto e perguntei-lhe: - O que se passa, Coelhinho Gigante Muito Fofinho? - Eu estou preso nesta ilha há anos. E o meu pai disse-me que havia um tesouro que tinha uma coisa que me permitiria sair desta ilha, mas ele só me disse que o pai dele lhe dissera esta pista “ o tesouro encontra-se atrás das tuas orelhas” – reclamou - Eu passo 24 horas por dia a tentar desvendar este mistério! Eu parti a fruta a rir, a pensar como é que um coelho era tão burro e disse: - Estão atrás das tuas orelhas, pateta! Depois, abrimos o tesouro e estava lá um foguete de sinalização. Ficámos tão contentes que disparámos sem querer, só a festejar… Parece que levou alguns dias até sermos salvos… Daniel Sousa, 6º D 29


Fórmula do avesso

Vinha um anúncio no jornal que dizia: “As duas primeiras pessoas que encontrarem as duas fórmulas mágicas para curar todos os que têm Carnofobia (pessoas que detestam carne) ganham dois mil euros de recompensa. Mas…Atenção! Terão de as experimentar em alguma pessoa!!” E assim foi. A partir desse dia, eu e o meu melhor amigo (o meu cão chamado Riscas) percorremos tudo, até que encontrámos uma delas. Eu nem acreditei. Percorri tudo e, no final, fui encontrá-la debaixo de uma folha no jardim da minha casa! A fórmula era horrível, toda preta, com uma única pinta branca. Foi, então, que eu me interroguei : - Será que para a experimentar tenho de colocar algo junto? - Não sei, vamos tentar!!- exclamou o Riscas. Fomos buscar a minha tia Josefina, pois é Carnofóbica, para usar a fórmula. Num rótulo, dizia: “´Tira um cabelo da pessoa que vais usar, junta 3 pingas de vinho, 1 pétala de rosa e no final mistura tudo”. Tentei, mas não resultou. A única coisa que aconteceu foi um pequeno…PUMM!! Mais nada…Já viram! E agora ??? De repente : - Já sei, podemos esperar até logo à noite, até ao jantar, para vermos. Damos-lhe a bebida, pode ser que resulte. Tal como esperado, nada aconteceu. O jantar era carne e a minha tia, assim que a viu, parecia uma louca a fugir. Foi assim que eu e o meu cão pensámos em desistir com a minha tia e tentar novamente com a mãe do meu primo (penso que é a minha outra tia), pois também é Carnofóbica. Ainda não tinha dito, mas eu moro em Lisboa e a minha tia em Viseu. Já viram o que é que eu teria de percorrer?? Ainda por cima, não tinha quem me levasse!!! - Ai, mas eu queria tanto dois mil euros, só para mim!- pensei. - Eu não quero saber disso para nada!! A mãe está a sair de casa para ir a Viseu!!- disse o meu cão. Foi aí que a minha mãe ordenou: -Vá, despachem-se, vamos ter com a tia Esmeralda a Viseu!! Eu nem queria acreditar! Depois, virei-me para o meu cão e disse: 30


- Olha, Riscas, se este não é o nosso dia de sorte, não sei o que será!! Porque, hoje, só acontecem coisas boas! Encontrámos a fórmula mágica e ainda conseguimos ter boleia para Viseu. Já viste? Quando olhei para fora do carro, estava precisamente em casa da tia Esmeralda. Eu e o meu cão contámos-lhe tudo e ela aceitou. À noite, eu e o Riscas tirámos um cabelo à Esmeraldinha (como a minha mãe lhe chamava), juntámos 3 pingas de vinho, 1 pétala de rosa e misturámos tudo. No jantar… - Tia, bebe esta poção para resolver o teu problema e ficarás como nova. Ela bebeu e … - Carne, Carne… Uhh!!! Que nojo.. -Pois… - disse a minha mãe - e agora? - Desculpa, foi sem querer!! Sim, este pedido de desculpas não valeu de nada, pois eu e o Riscas ficámos de castigo as férias todas. Mais tarde, veio uma notícia no jornal dizendo que já tinha sido encontrada uma das fórmulas por um Torrejano chamado Pedro. - Nós temos a outra e agora?? - Sim, temos a outra mas esta não é verdadeira, se não, tinha resultado. Foi então, que a minha tia disse: - Acho que tenho fome!! Apetece-me carne… E assim foi: conseguimos finalmente curar a minha tia! Mas, quando estávamos a vê-la a comer, acho que ela… - Que nojo! Não sei como é que estou a comer carne!!! Como veem, afinal nada aconteceu!! Nem conseguimos curar a minha tia, ou melhor, ainda fizemos pior: ficámos de castigo nas férias e não conseguimos ganhar dois mil euros.

Carlota Pereira, 6ºD

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Fórmula Mágica! Nas férias de Natal de 2011, eu e a minha prima Carolina estávamos sentadas no banco do jardim e exclamei: - Estar aqui sem fazer nada é uma grande chatice! Não concordas? - Sim … De repente, ouviu-se a minha mãe a chamar: - Beatriz, já fizeste os trabalhos de casa todos? - Ah… Ah… Não, vou já fazê-los - respondi chateada. - Vai lá. Pode haver alguma coisa lá em cima que eu possa fazer. Posso desenhar e pintar? – interrogou a Carolina entusiasmada. - Sim. Mas porque é que existem trabalhos de casa?- perguntei. - Não sei. Só sei que temos de os fazer - afirmou ela. Ao subir as escadas, tive uma ideia genial e disse: - Vamos criar uma fórmula mágica para fazer os trabalhos de casa mais rapidamente! - Boa ideia. Vamos lá meter mãos à obra!- ordenou-me. Então, fomos para o meu quarto, começámos por abrir os cadernos e os livros, deixando-os espalhados por todo o meu quarto. De seguida, fomos buscar lápis de carvão, borrachas, canetas e afias, colocámos tudo em cima da secretária. Depois de fazermos muitos rabiscos e rascunhos, finalmente chegámos ao nosso objetivo. Só faltava experimentar a fórmula para saber se resultava! Juntámos ao pé de cada caderno um lápis ou uma caneta e, de seguida, eu disse: - Abracadabra! Que ao molhar a caneta ou o lápis, eles escrevam sem parar e os trabalhos de casa se façam sem eu me cansar! Quando terminei de dizer as palavras mágicas, olhei em meu redor e verifiquei que estava tudo da mesma forma. Os trabalhos de casa ainda não estavam feitos! Repeti o processo todo, mas o resultado foi igual ao anterior. - Não acredito que tive tanto trabalho e a fórmula não resulta!-desabafei. - Parece que não! Os cadernos e os livros estão na mesma – comentou a Carolina. - E o pior é que já passaram duas horas e a minha mãe deve estar a chegar para ver os trabalhos que já fiz - disse eu com medo. - A tua mãe vai ficar zangada contigo porque não fizeste os trabalhos de casa e, ainda por cima, desarrumaste o quarto todo - informou a Carolina. - Tens razão, desta vez vou ficar de castigo até às férias da Páscoa!-exclamei.

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- Eu vou ajudar-te a arrumar o quarto e tu vais fazer os trabalhos de casa! - prontificouse a Carolina. - Está bem, obrigada - agradeci. A Carolina começou a arrumar o quarto e eu fui fazer os trabalhos de casa. Entretanto, a minha mãe entrou no quarto e perguntou: - Os trabalhos já estão feitos? - Ainda não - respondi. - Mas já tiveste tempo suficiente para os fazeres. Não me digas que estiveste a brincar? - Não estive a brincar, mas a criar uma fórmula mágica para fazer os trabalhos de casa mais depressa - disse tristonha. - Uma fórmula mágica?- interrogou a mãe. - Sim - respondi rapidamente. -Tu não sabes que as fórmulas mágicas não existem? - Eu pensava que sim. Nos filmes que eu costumo ver, isto acontece! - Nem tudo o que dá nos filmes é realidade, a maioria das coisas são ficção. E os trabalhos de casa, se tu não os fizeres, eles ficam por fazer- comentou a mãe. - Já percebi, mãe, que terei de ser eu a fazer os trabalhos de casa, que eles não se fazem sozinhos - concordei. - Sabes que, ao fazeres os trabalhos de casa, estás a estudar a matéria e a rever os conceitos dados nas aulas - afirmou a mãe. - Ai é?- disse surpreendida. - Fazer os trabalhos de casa é uma forma de estudo! Acaba-os depressa que eu vou preparar-vos um lanche especial. A minha mãe foi-se embora do quarto e eu aprendi que tenho de me esforçar e trabalhar muito para obter boas notas.

Beatriz Teixeira Montoia, 6ºD

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Numa ilha longínqua

Eu, Jane, vou contar a minha história. A primeira vez que viajei tinha apenas 2 anos; aos 4, já tinha dado a volta ao mundo 2 vezes. Nunca fui à escola, foi o meu pai que me ensinou. Cresci no meio do mar, e as viagens foram o meu berço. Mas houve uma que marcou a minha vida. Fui com o meu pai viajar pelo Pacífico Sul, quando rebentou uma tempestade. O barco afundou-se e caímos ao mar. Eu fui salva por uma foca; quanto ao meu pai, nunca mais o vi. Dei o nome de Nina à foca, agora domesticada, e o mais impressionante no meio disto tudo é que, em troca de ela me ensinar a nadar, eu ensino-lhe a fazer acrobacias! Já é quase uma profissional! Nos primeiros tempos em que vivi naquela ilha, construí uma casa na árvore. Não me saiu muito bem, mas consegui remediar. Agora, com 17 anos, acho que consigo fazer uma melhor. Levei montes de tempo a fazer a casa. Abrigava-me nas grutas durante a noite e sempre que podia arranjava folhas fofinhas para me tapar. Já acabada a casa, fui à procura de alguma coisa para a pôr mais confortável.

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Quando ia a caminho do interior da floresta, ia apanhando alguns paus e vi algo que me deixou de boca aberta e sem respirar: atrás de umas árvores, uma sombra (humana, parecia) vinha na minha direção! Comecei a correr e quando ia a caminho da praia, a alta velocidade, tropecei num pau. Calculei que a pessoa devia ser de meia-idade e de barba grande, e comecei a andar para trás, até à praia, para fugir dela porque ela tinha ar de quem me queria fazer mal! Mas era tarde de mais! Ela apanhou-me pelo pé e arrastou-me para a praia. À luz do sol, reparei que a sua pele estava bronzeada, tinha olhos verdes e português não era de certeza! - Como te chamas? – perguntei-lhe, na esperança de encontrar resposta. - I’m Jake and you? - Ah! Já percebi, falas inglês, não é? Hum, deixa ver, isso quer dizer como me chamo. So, my name is Jane. Can I ask a question, please? - Não é preciso falares inglês par toda a vide, Jane, não é? - Sim… diga-me, vive nesta ilha há quanto tempo? - Há 26 anos minha querida! A partir daquela conversa, começámos a falar mais e ela tratava-me como uma filha. Então comecei uma nova vida com uma pessoa totalmente diferente e muito, mas muito especial! Laura Amado - 5ºD

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O Defensor dos Necessitados Já há muito tempo, existiu um rapaz que se chamava Hugo e era muito querido para os mais necessitados e também os defendia até à última palavra de discussão. Existem aquelas pessoas que fazem estes “trabalhos”, mas o Hugo não era desse género. Ele trabalhava e, quando as pessoas lhe iam dar o dinheiro pelo que fizera, não aceitava porque sabia que essas pessoas, por vezes, tinham dificuldades monetárias e precisavam mais desse dinheiro do que ele próprio. As pessoas gostavam muito dele e até lhe fizeram uma surpresa para mostrar o seu reconhecimento pelo que ele tinha feito. Certo dia, ia a passar na rua e viu um cartaz com um dizer: “Concurso de defensores de algum caso muito importante”. E o prémio para o vencedor era de 100.000. euros! O Hugo pensou em concorrer pelo centro “SOLIDARIEDADE e COOPERAÇÃO”, centro este que defendia os mais necessitados, os pobres e os doentes que andam nos hospitais. O rapaz tinha um grande inimigo, que se chamava Gilberto Suares. Este, por sua vez, não gostava nada dos necessitados e, como era muito rico e tinha dinheiro que chegasse para pagar as contas da casa mesmo que os preços aumentassem, desprezava as pessoas e resolveu então defender o aumento de imposto sobre os mais necessitados, que não tinham trabalho ou que não tinham dinheiro. Este concurso consistia numa votação do público: quem obtivesse mais votos ganhava, mas um júri adicionava mais cinco votos aos dados pelo público. O concurso seria no dia vinte e oito de março e, na altura, estavam no dia vinte e oito de fevereiro, ou seja, tinham um mês para se prepararem para o grande ” Concurso de defensores de algum caso importante “. O júri tinha o nome de “ Serpente Júris”, o nome que todas as pessoas de fora lhe chamavam, mas este grupo era composto por os seguintes nomes: Maria Albertina, Jorge MaratiscJony, Podofski Nanisko, KolakeFrasca, BabiescLeonar e Albertalaksci. Era dia vinte e nove de fevereiro e o Hugo tinha ido para o seu centro de “ SOLIDARIEDADE e COOPERAÇÃO” contar a todos os necessitados que ia concorrer ao ” Concurso de defensores de algum caso importante”. Eles ficaram muito contentes porque sabiam que este rapaz ia esforçar-se ao máximo para vencer. O Hugo ia a passar descansado pelas ruas de Torres Novas, quando num canto de fora de um café estava um pobre, um sem - abrigo cheio de frio e a pedir esmola. Foi ter com esse pobre, pôs-lhe o seu casaco por cima e levou-o até ao seu centro de necessitados. Este foi muito bem recebido naquele sítio alegre e com boa disposição, onde ninguém olhava para o próximo de maneira diferente. Naquele sítio, todas as pessoas eram iguais, todos se davam muito bem e não havia discussões. 36


Passado uns dias, o senhor que estava abandonado aproximou-se do Hugo e contou o que lhe tinha acontecido na sua vida, longa e muito triste: - Estávamos a jantar em casa do meu filho, Gilberto Suares, e logo de seguida entrou a minha mulher e expulsou-me de casa. - E o senhor, o que fez?! - perguntou o Hugo. - Eu vi-me obrigado a sair, pois não era só a minha mulher mas também o meu filho que se tinham revoltado contra mim. Eu não sei bem o que vai naquela cabeça, porque na altura, antes de a minha mulher chegar, estávamos a ter uma refeição muito agradável, por isso não sei porque é que ele se revoltou comigo! - explicou o pai do Gilberto. - Isso é realmente uma história muito triste! E, peço desculpa, pode voltar a dizer-me o nome do seu filho? - questionou o Hugo. - Não peça desculpa, meu bom rapaz e meu bom salvador! O nome do meu filho é Gilberto Suares e o meu é João Suares – respondeu, esticando a mão. - Não pode ser! O seu filho é o meu pior inimigo do concurso! Ele defende o aumento dos impostos nos mais necessitados e nos mais pobres !!!!!!! - exclamou o Hugo. - A sério?! O senhor está a mentir!!!!!!- respondeu rapidamente o senhor João. - Olhe, até lhe mostro o papel do concurso e os seus concorrentes - disse o Hugo ao tirar o panfleto:

Gilberto Suares Hugo Gonçalves Manecasfa Giramenta Fradmentisko kohulika - Eu não posso acreditar! Ele que sabe que eu vivia numa miséria de casa e com uma miséria de renda!... Nunca pensei isto dele, antes de o senhor me apresentar este papel do concurso! disse o João com tristeza. - É verdade! Eu antes dava-me muitíssimo bem com ele, mas a partir da altura em que começou a adorar destruir as vidas de muitas pessoas, eu comecei a não lhe ligar nenhuma. Eu até sou uma pessoa que apoia os amigos e dou a hipótese a todos de se poderem defender e justificar! - descreveu-se a si próprio. - O senhor é que é uma pessoa generosa, amiga, carinhosa, muito conversadora no bom sentido, recebe bem as pessoas que conhece e mesmo as que não conhece, acolhe-as com o coração aberto !!!!!!! - disse o João caracterizando assim o Hugo.

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- Ok, também não é preciso elogiar-me tanto, mas muito obrigado na mesma. Olhe, o senhor é que podia vir comigo assistir ao concurso – convidou. - Que grande ideia! Muito obrigado por me convidar a assistir ao tal “ Concurso de defensores de algum caso importante”, muitíssimo obrigado! - agradeceu o João. Chegou o grande dia! O Hugo estava bastante nervoso e o Gilberto, pelo contrário, estava muito confiante. Pensava que ia ganhar com o seu mau feitio de ganância para com os mais necessitados e para com toda a gente! Até parecia que tinha prazer em fazer mal! Estava na hora de afinar a voz porque aquele concurso consistia em argumentar com factos e causas reais em relação ao assunto desejado.

Hugo Gonçalves vs Manecasfa Giramenta O debate entre estes dois defensores foi renhido: o Hugo defendeu muito bem o seu caso e o Manecasfa também defendeu muito bem os seus casos. Mas, no final, quem ganhou foi o Hugo, por dois votos a mais: Hugo Gonçalves (em 66 votos teve 32) Vs Manecasfa (em 66 votos teve 30)

Gilberto Suares não discutiu na primeira fase o seu verdadeiro caso. Nesse debate, tratou “ As poupanças que o país tinha que fazer “. As pessoas que estavam a assistir a este debate estavam a ser enganadas, Gilberto Suares estava completamente a mentir perante o júri e perante o seu público. Hugo Gonçalves vs Gilberto Suares O júri decidiu quem começava a defender o seu caso. - Começa o Hugo Gonçalves a falar - disse o júri. - Eu vou falar-vos sobre o tema Solidariedade e Cooperação. Este tema tem a ver mais com a ajuda dos idosos que são desprezados, os pobres, os sem - abrigo. Eu tenho um lar que se chama mesmo “ Solidariedade e Cooperação “ e quem quiser ou quem puder vir para o meu lar está completamente à vontade, porque no meu centro todos se dão pura e simplesmente bem, são recebidos da melhor forma possível! - explicou. O público aplaudiu Hugo Gonçalves e, de seguida, ouviu Gilberto Suares. - Eu detesto os necessitados, eu defendo o aumento dos impostos nos mais necessitados. Eu, nestas palavras, penso que vocês entenderam o que quis dizer!!!!!!! O público começou a dizer “Huuuuuuuuuuu” porque não gostou do que o Gilberto Suares estava a defender e a comentar. 38


- Vamos abrir os envelopes que contêm os votos - informou o júri. Hugo Gonçalves VS Gilberto Suares Em 66 votos teve 66

Em 66 votos teve 0

Gilberto Suares ficou de rastos por não ter conseguido nenhum voto. De repente, o pai chegou-se ao pé dele e começou a falar- lhe, mas como se fosse um estranho: - Olá, Gilberto Suares! O teu caso não tinha nada a ver com o concurso e eu acho que tu devias melhorar o teu comportamento para com as pessoas. - E, já agora, quem és tu? -perguntou. - Sou o teu pai e nunca pensei que te transformasses na pessoa que és agora – identificou-se o João com um olhar triste. Naquele momento, Gilberto ficou perplexo, sem reação. A expressão do seu rosto mudou por completo, parecia que se estava a transformar em outra pessoa, os seus olhos encheram-se de lágrimas. Dirigiu-se a seu pai: - Desculpa, pai! Nunca pensei que tu fosses um necessitado, peço imensas desculpas! pediu muito emocionado. - Olha, o teu adversário é que me ajudou de mãos abertas. Sim, o Hugo Gonçalves! - Onde é que ele está? Quero agradecer-lhe o que te fez. - Está ali. Vai lá ter com ele e fala sobre mim! - disse o João. O Gilberto foi ter com o Hugo e começou a falar: - Olá, Hugo! Obrigado por teres cuidado do meu pai, mesmo muito obrigado! - Não tens que agradecer, foi com muito gosto. Mas promete-me uma coisa: nunca mais vais dizer o que disseste e agir de má-fé! Podes começar por abraçar o teu pai e ir viver com ele - aconselhou o Hugo. - Claro que sim, seguirei o teu conselho! Gilberto Suares foi um grande defensor dos necessitados ao lado de Hugo. Eles conseguiram mudar as vidas de muitas pessoas. O Hugo, com o dinheiro do concurso, melhorou o seu centro de “ Solidariedade e Cooperação”. Fim da História

Os adultos que lerem esta história tomem-na como exemplo, porque estes casos repetem-se frequentemente. 39


As crianças que lerem esta história têm que refletir sobre estes assuntos, não esquecendo que nós, crianças de hoje, seremos os homens e mulheres capazes de criar um mundo melhor amanhã.

Hugo Gonçalves 6ºD

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O meu tapete topo de gama CORREÇÃO Na minha loja de tapetes voadores apareceu um cliente diferente dos outros. Era muito exigente, tinha de ser tudo perfeito. Quando ele entrou na loja começou a olhar para todos os tapetes e não viu nenhum que lhe agradasse. Então virou costas para se ir embora. Mas eu chamei-o e disse-lhe que ainda tinha um tapete guardado (era o topo de gama!). Ele estava ali guardado porque era muito valioso e não podia estar ali fora exposto pois poderiam roubá-lo ou estragá-lo. O cliente perguntou se o podia ver, e eu respondi que sim. Trouxe-o para ele o ver, mas o cliente ainda quis mais: quis que o levasse a dar uma volta no tapete! Eu disse que sim - que remédio, se eu queria que ele comprasse o tapete, tinha de lhe dizer que sim! Mas depois pensei em dizer o que é que o tapete tinha de bom, para ver se lhe passava a ideia de ir dar uma volta no tapete! E assim comecei: -Tem televisão; fica transparente; se carregar neste botão, pode escolher um destes jogos para jogar; se carregar aqui, o tapete anda mais rápido; pode conduzi-lo ou pode dizerlhe para onde quer ir, que ele vai… No fim disto tudo, o cliente voltou a perguntar se podia levá-lo a dar uma volta, e novamente tive de dizer que sim, ao mesmo tempo que pensava que aquilo não tinha dado resultado. Só tinha atrasado mais as coisas! Lá fui dar a volta, mas tentei que fosse curta, fui apenas ao parque! No fim da volta, o cliente disse que tinha ficado muito satisfeito, e queria comprar o tapete voador.

Rita Oliveira 5ºA

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O tapete voador

-Pxiuuu…Não digam a ninguém, mas eu tenho um sonho que gostaria de contar à turma. E o meu sonho é fazer uma viagem por todo o mundo, mas…não tenho como ir. Foi assim que começou o meu discurso na sala de aula, até que um colega meu exclamou: - Eu sei como ajudar-te! -Sabes? Como? Diz…diz… pedi eu. -É assim: não sei se sabes, mas o meu pai vende mercadoria antiga e nós podíamos procurar algo como…um tapete voador… -Ahahahahahaha…-riram-se todos. O José, ou seja, o meu colega ficou tão envergonhado, tão envergonhado… Ui! Nem vos digo! No final da aula, eu fui ter com ele e disse-lhe: -Não estejas triste, eu acho que é uma boa ideia. E assim foi. Fomos ter com o seu pai, que era um senhor tratado por D. Manuel (era por isso que o José era tão convencido) e começámos à procura. No meio daquela bagunça toda, conseguimos encontrar um…penso que era um tapete. Era esquisito, todo verde e muito, mas mesmo muito grande.

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A primeira coisa que o José disse foi: -Experimenta, experimenta. Vê se voa… Como é lógico, nada aconteceu. Até que o tapete começou a dançar (parecia eu nas aulas de dança!) e foi contra mim com uma força tal que fez com que eu caísse em cima dele. Eu estava cheia de medo. Assim que abri os olhos, parecia não estar nem na loja do D. Manuel nem mesmo em Portugal. Pois… já devem ter imaginado o que aconteceu: o tapete foi concretizar o meu sonho! Passeámos por todo o mundo. Foi magnífico: casas, casinhas, barcos, barquinhos, tudo… Foi tudo espetacular… Exceto uma coisa: estava cheia de fome (pois eu sou muito comilona!). A viagem correu bem e o tapete levou-me direitinha à loja do D. Manuel. Antes de o tapete me deixar, eu vi as horas. Eram precisamente quatro e meia e, quando cheguei, também… O mundo estava parado! -Triiim…- ouviu-se a campainha. -Acabou a aula- disse a professora. E fomos todos embora. -Ai, aquela viagem!!!- exclamei.

Carlota Pereira

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6º D


OS SOBREVIVENTES

Era uma manhã muito quente de primavera e Miguel estava num grande estágio de triatletas perto de Peniche. Ele, nessa manhã, tinha acordado às sete horas para correr dez 44


quilómetros na praia, comer um dos “pequenos-almoços proteicos” que o seu pai lhe havia sugerido, com ovos mexidos e arroz com salsicha e ir com a bicicleta até ao extremo do cabo Carvoeiro. Miguel estava contente com o seu trabalho naquela manhã, mas o campeonato nacional de triatlo era naquela tarde e estava nervoso. Ele tinha sido o campeão do distrito de Lisboa, que costumava ter o campeão mas, daquela vez, ele sabia que ia ter dois grandes adversários: um chamado Bernardo e outro chamado João. Eles os dois ainda eram mais rivais um do outro do que o Miguel era deles, pois eram do mesmo distrito e eram mais ou menos equivalentes, apesar de o Bernardo ter ganho por centésimas de segundo o campeonato de Leiria. Eram os dois incrivelmente musculados e Miguel sabia que lhe ganhariam no ciclismo e que na corrida não haveria grande distinção, por isso a sua grande vantagem seria na natação. Miguel era um ágil nadador, e naquele momento não tinha onde treinar. O hotel só tinha uma pequena piscina, o lago onde seria a competição à tarde não se podia utilizar porque estava vedado, e no mar também não haveria um objetivo a atingir, pois estaria simplesmente a nadar sem rumo, e assim não daria para treinar. Mas, quando olhou para o horizonte, viu ao longe uma ilha, que deveria ser alcançável a nado. Miguel, que felizmente, além de atlético, era também curioso e inteligente, trouxera uns pequenos binóculos para o passeio e com eles observou mais uma vez a ilha. Percebeu que até era relativamente grande e devia estar a cerca de um quilómetro da costa. Pensou que talvez pertencesse ao arquipélago das Berlengas. Ir e voltar daquela ilha seria definitivamente um excelente treino. Aparentemente, mais alguém do estágio teve a mesma ideia que Miguel, pois este viu dois rapazes de fato de banho a virem de bicicleta para a praia. Quando estes dois rapazes chegaram ao pé de Miguel, este entendeu que eram Bernardo e João, e estavam a fazer uma corrida. Miguel nem reparou quem tinha ganho, mas eles começaram a discutir acesamente acerca desse assunto. Obviamente, não chegaram a consenso e Miguel, só para calá-los, e também com uma ligeira vontade de intimidá-los com o seu jeito para a natação, sugeriu uma corrida a três até à ilha. - Está bem – concordaram os dois em uníssono num tom brusco, como se quisessem provocar-se um ao outro. Correram todos ao mesmo tempo para a água e começaram a “dar aos braços”. Rapidamente Miguel ganhou uma vantagem sobre os outros dois rapazes, que pareciam não querer saber, sendo que estavam quase a matar-se um ao outro. No entanto, quando

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chegaram à praia da ilha e encontraram Miguel já deitado na areia, ambos libertaram uma interjeição de desagrado. - Vamos explorar a ilha! – sugeriu imediatamente Miguel. - Yah! – concordou Bernardo – Deve haver alguma coisa para comer nas árvores! Os três correram para a zona onde havia vegetação e encontraram umas bananeiras. - Fixe! – exclamou o João – Estão com ótimo aspeto! Vou levar um grande cacho para casa! O João e o Miguel saltaram alegremente, mas rapidamente ficaram tristes, pois não alcançavam nenhum cacho de bananas. Depois foi a vez de Bernardo, que era o mais alto e estava convencido de que apanharia um cacho, mas este também não conseguiu. - Que chatice! Vim de bicicleta e depois a nadar do hotel para aqui, e ainda nem sequer tomei o pequeno-almoço. - comentou o Bernardo. - O segredo para um bom atleta começa na primeira refeição do dia. – disse o João, como que a desafiá-lo. Naquele momento, começou a chover intensamente e repentinamente um arrepio tomou os três rapazes. Aquilo era completamente inesperado! Já não poderiam voltar a nado para o cabo, obviamente. Correram para a costa e viram ondas enormes a elevarem-se no mar. A nebulosidade era tanta que não se avistava o cabo. Todos começaram a desesperar. Não sabiam o que fazer. Todos pensaram que já não poderiam participar e ganhar a competição nacional de triatlo e todos pensaram que não voltariam a ver as famílias. - Não podemos desesperar.- disse o Miguel – Eu já li livros sobre como sobreviver em lugares selvagens. A primeira coisa que se tem de encontrar é abrigo. - Cala-te, estúpido! – reclamou João, zangado – Estamos perdidos e vamos morrer numa ilha selvagem por causa do teu desafio irresponsável, e não há livro que nos possa ajudar! - Mais vale tentar encontrar um abrigo. – referiu o Bernardo, chateado. Os três separaram-se e tentaram encontrar um abrigo, mas passaram-se horas imensas, ninguém encontrava um abrigo e os três rapazes sabiam que ia ser uma noite fria e tempestuosa. Ao anoitecer, o Bernardo conseguiu encontrar um abrigo sob uma árvore caída na praia, mas não viu João ou Miguel por perto, e não quis partilhar aquele sítio, que daria confortavelmente para todos eles. Naquela noite, os outros dois rapazes não tiveram abrigo e quase morreram de hipotermia. O Bernardo, que também lera alguns livros de sobrevivência, preparou uma fogueira e começou a escavar um buraco na areia, mas era preciso ter uma

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cavidade com muitos metros de profundidade para encontrar água, e não era possível o Bernardo chegar lá sozinho. No dia seguinte, Miguel e João, que se juntaram perto de uma árvore para se aquecerem um pouco, encontraram Bernardo. João percebeu tudo o que se passara e ficou furioso. Deu um pontapé na cabeça de Bernardo e ele acordou. - Então, meu?! – perguntou Bernardo num tom indignado com uma voz fraca. - Estás-te a passar ou quê? Eu e o Miguel podíamos ter morrido esta noite! – gritou o João. Este pegou na casca de árvore que Bernardo usara para escavar o buraco, e bateu com ela nas costas dele. O Bernardo gritou e depois “lançou-se” ao João. Miguel ainda tentou impedir a luta, mas antes que conseguisse fazer alguma coisa, João acertou com a casca de madeira nos calcanhares de Bernardo, este tropeçou para trás e estatelou-se no fundo do buraco que escavara. A cavidade devia ter quase três metros de profundidade. Bernardo não conseguia subir dali e deveria ser quase impossível tirá-lo de lá. Miguel e João podiam ir procurar comida, água e abrigo e deixar ali o rapaz que quase os matara, mas mesmo assim João elevou a voz e, enquanto Bernardo gritava desesperadamente “Socorro, socorro, ajudem-me!”, perguntou num tom que revelava simultaneamente preocupação e determinação: - Como poderemos tirá-lo dali? - Talvez pudéssemos fazer descer areia e ele subiria gradualmente. – sugeriu Miguel. - Não pode ser. – contrariou João – Mal fizéssemos um bocado de areia cair, toda a estrutura do buraco desmoronar-se-ia. – constatou ele. Depois de pensar um pouco exclamou – Já sei! - Então, que foi? - Precisamos dum escadote. – afirmou João – Fazemo-lo com uns ramos grossos, prendemo-los com folhas e eu tento tirar uma cola qualquer das árvores. Miguel concordou e, assim que foi para as árvores procurar ramos e folhas, João dirigiu-se ao mar e pegou num balde, que devia pertencer a uma criança que brincava na praia, e estava no meio do lixo que dera à costa. Observou o horizonte e viu mais uma vez ondas assustadoras e um céu tenebroso. Pegou numa pedra, foi para o sítio do buraco, e com ela começou a tentar rasgar a casca da árvore caída. Pouco depois, Miguel aproximou-se e viu que João ainda não conseguira furar a casca da árvore. Para ajudá-lo, Miguel lembrou-se dos homens da pré-história de que tinha falado na escola, e lembrou-se de como eles cortavam as coisas. Então pegou numa pedra, pediu a João

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a que ele estava a usar e, friccionando uma na outra, conseguiu talhar a pedra dos dois lados, ficando com uma autêntica faca. Conseguiu perfurar o tronco e João colocou um balde por baixo do corte, recolhendo assim uma espécie de resina. Rapidamente os dois rapazes conseguiram juntar os ramos com a “cola”, amarraramnos com as folhas e revestiram mais uma vez a escada com cola. Aquilo parecia resistente, mas era muito difícil aguentar com o Bernardo. No entanto, tinham que experimentar. Era aquilo ou nada. - Bernardo, vamos mandar para aí uma escada. Ela é forte, mas é preciso que a subas rápida e cuidadosamente. Tens que ter confiança. Boa sorte! João e Miguel pegaram na escada e fizeram-na descer até ao fundo do buraco. Era o momento decisivo. Bernardo subiu o primeiro degrau. Ele aguentou. Subiu os degraus seguintes e tudo corria bem. Chegou ao penúltimo degrau, ia pôr o pé no último e… o degrau cedeu! Bernardo agarrou-se ao topo do buraco e libertou-se da escada que o empurrava para trás e o mandaria para o fundo do buraco, onde seria esmagado pela areia. Toda a areia ia cair. Bernardo ia ficar soterrado, mas conseguiu agarrar-se melhor ao topo, e ele ficou por cima de toda a areia que caía e levantou-se. João e Miguel tinham conseguido salvar Bernardo e naquele momento começaram a festejar. Bernardo pôs de parte as suas inimizades e divergências e deu um grande abraço aos dois rapazes que tinham feito o mesmo para o salvar. Depois pediu-lhes mil desculpas e prometeu-lhes que, daí em diante, iriam trabalhar juntos para sobreviverem e saírem dali. E assim foi. Juntos conseguiram arranjar ramos e folhas para construírem na árvore caída uma tenda que os protegesse do frio e da chuva; juntos construíram uma engenhoca para tornar a água do mar potável; juntos puseram-se “às cavalitas” uns dos outros para apanhar bananas e até conseguiram caçar um javali que andava pela ilha, e fizeram uma grande churrascada! Sete dias depois da chegada dos meninos à ilha, eles avistaram, no meio do nevoeiro, um barco. Rapidamente, João levou ramos para criarem uma fogueira na costa, Bernardo foi buscar a resina inflamável e o fogo que eles tinham feito no seu abrigo e Miguel foi buscar coisas de plástico ao lixo que dera à costa, pois lembrava-se que isso criaria um fogo maior. E resultou, pois o barco viu o fogo ao longe e virou para salvar aqueles três rapazes corajosos que, apesar de serem e continuarem a ser inimigos no triatlo, perceberam que precisavam de se unir para sobreviver às partes piores da vida e para celebrarem as melhores.

Diogo Fonseca,

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7º B


Solidariedade e Cooperação O dia amanheceu com um sol maravilhoso a entrar pela janela do meu quarto. O silêncio era completo. Não se ouvia qualquer ruído na rua. Levantei-me. Fui à janela. A neve tinha chegado. -É hoje que o Roy e eu nos vamos divertir na serra, toda branca, como um monte de algodão! Vesti o meu casaco de penas, calcei as meias de lã, as luvas e as botas da neve. Fui à cozinha onde a minha mãe já me tinha preparado uma chávena de leite com chocolate e umas torradas. O meu pai tinha ficado em casa. Era o seu dia de folga. Ele trabalhava numa fábrica por turnos. Olhei para ele e achei que estava bem-disposto. Foi então que revolvi desafiá-lo para sairmos com o cãozinho. Mal estava eu a pegar na corrente do Roy, já ele estava junto à porta abanando o rabo de contente. - Ão, ão, ão…! - Já sei o que tu queres… vamos lá para a rua. Já na rua, fui construir um boneco de neve juntamente com o meu pai. O Roy saltava e corria todo contente, por sentir a neve nas patas. Entretanto, chegaram mais meninos que moravam por ali perto que nos vieram ajudar na construção do boneco de neve. Ao apanhar um pedaço de neve, reparei que havia alguns passarinhos pousados numa árvore junto a um comedouro para pássaros, que os próprios homens colocaram para que os pássaros não morram à fome quando a neve cobre o chão e eles não encontram nada para comer. Curioso em saber se tinha algo para eles comerem, subi à árvore e pude verificar que estava vazio. Pedi ao meu pai para me dar dinheiro e, juntamente com os meus colegas, fomos ao supermercado mais perto comprar comida para pássaros, a qual fomos distribuindo por todos os comedouros que encontrámos. O Roy, que ia à nossa frente, começou a ladrar. Corremos para junto dele. No chão, abandonado, estava um coelhinho que precisava de proteção. O Roy não parava de o farejar e olhava para mim como quem dizia: - Leva-o para casa que está cheio de frio. Olhei para o meu pai e disse: - Pai, posso levá-lo? O meu pai abanou a cabeça dizendo que sim. Tirei o meu casaco e aconcheguei o coelhinho que tremia de frio. Em casa, arranjei-lhe uma cama de cartão e coloquei-o junto do aquecimento. Pedi à minha mãe um biberão velho, de quando eu era bebé. Enchi-o de leite morno com a ajuda da minha mãe e o coelhinho mamou. Passado algum tempo, já não parecia o mesmo. O Roy não parava de saltar de tão contente que estava. Ninguém o tirava de junto da caixa. 49


Três dias passaram… A neve derretera e a temperatura tornara-se amena. De manhã, o Roy e eu, com o coelhinho ao colo, voltámos ao lugar onde o encontráramos…Qual não foi a minha alegria quando vi a mãe e cinco irmãozinhos a brincar. Ao mesmo tempo com pena e alegria, ali deixei o coelhinho que logo correu para a mãe coelha, enquanto os irmãos saltavam de contentes. No regresso, encontrámos um esquilo que corria ao longo de uma grande árvore. Que bonito que ele era, com a sua enorme cauda! Fiquei a observá-lo durante algum tempo. Depois, dei-lhe um pedaço de pão da minha merenda da manhã que ele logo devorou. Feliz, fui juntar-me aos meus colegas que jogavam à bola, mas por pouco tempo, porque o Roy foi dar com um corvo que não conseguia voar, por ter uma asa partida. Logo à sua volta nos juntámos e a pobre ave ficou muito assustada. - Não tenhas medo que ninguém te vai fazer mal. Só te queremos ajudar. E levei-o para casa. Coloquei-o na mesma caixa do coelhinho. A minha mãe aproximouse e disse: - Meu filho, tu tens vocação para veterinário, pois queres cuidar de todos os bichos que precisam de ajuda. O corvo teve de ficar por umas semanas lá em casa. Preparei-lhe um ninho de algodão dentro da caixa e todos os dias lhe punha Hirudoid pois, além da asa partida, o corvo também tinha o corpo quase todo com hematomas.Com certeza, algum carro o tinha atropelado. Certo dia, quando acordei, o corvo estava em cima da minha cama, o que significava que estava melhor. Quando finalmente começou a voar, disse-lhe: - Meu amigo, está na hora de ires à tua vida! Abri-lhe a janela e ele foi-se embora. Vi-o partir com tristeza, mas sabia que ele seria mais feliz na natureza. Fiquei contente porque tinha ajudado mais um animal indefeso. Qual não foi o meu espanto quando uma certa manhã de primavera, ao abrir a minha janela, vi o corvo pousado numa árvore a piar. Veio dar-me os bons-dias e talvez agradecerme. Dei por mim a pensar se a minha mãe não teria razão. Eu gostava mesmo de ajudar os animais! E à noite, quando o meu pai chegou do trabalho, perguntei-lhe se ele me deixava ser sócio da Liga Protetora dos Animais. O meu pai afirmou que sim e disse para o nosso fiel amigo: -Tens sorte em ter um amigo que gosta tanto de animais e te ensinou a gostar e a respeitá-los também! O Roy abanou a cauda em sinal de confirmação.

Flávio Alexandre

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6ºD


Tapete Voador

Depois de um dia longo e duro de trabalho, no jornal “Curiosos”, estendi-me no sofá. Passados uns segundinhos, ouvi montes de barulhos vindos do meu quarto. Levantei-me imediatamente! Em passinhos de lã, fui até à porta. Abri-a num piscar de olhos e assustada gritei: - Aiii, meu Deus!! Eu nem queria acreditar! Era o meu tapete branquinho, de pêlo, que já habitava no meu quarto há uns bons anos! E o que estava a fazer era uma das coisas que eu pensava que seria impossível. Voar… o meu tapetinho estava a voar! Entretanto, disse-lhe: - Oooh, amiguinho … Agora, quem arruma isto sou eu, não é?! - Desculpe, desculpe!! Eu, eu só estava a voar um, um bocadinho para alegrar-me. - Aaah, pois … mas palavras não arrumam isto, acções sim!- dizia eu assim da boca para fora.

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Parecia que não estava assustada com aquele facto, mas na verdade o medo, por dentro de mim, cada vez ficava maior. Para além de voar, também falava! - Olha, ó, ó … - Maria. - Maria, para te compensar, levo-te onde tu quiseres! - Parece-me justo. - Então, onde queres ir? - França e Londres. - É para já, menina! Suba e segure-se bem. Vai ser uma longa viagem. Eu subi. Foi uma sensação um pouco arrepiante. Pouco depois, já estava no ar. O vento a passar-me pela cara … Os pássaros que passavam … E andar nas nuvens, como se andasse em algodão doce (mas não doce nem tão pegajoso), foi o melhor! Bem… dei por mim e já estava em Paris! - Pára aqui, branquinho! Desci um pouco e vi a Torre Eiffel. Lojas de roupas a ocupar ruas e ruas. Parei ao pé de uma pastelaria que se chamava “ Bom Jour” e o cheirinho a croissants quentinhos acabados de fazer era, como diz a minha mãe, “micioso”. Pedi ao tapete, entretanto, que me levasse a Londres. Quando cheguei lá, vi tantas pessoas! O Olho de Londres era grande, bem grande. O relógio conhecido como BigBen era lindo. O Palácio também era enorme. Autocarros, de dois andares, de um andar e sempre superlotados de gente, de formiguinhas (lá de cima no céu) … Uma cidade muito bonita, povoada de Ingleses. - Bem, tapete, tenho muita pena, mas temos de ir. - Como a madame queira! Voltei a casa encantada da vida, maravilhada. - Merci – disse eu com um sorriso de orelha a orelha. - Não tem que agradecer. Agora, se me dá licença, vou pôr-me no meu lugar. Até logo, Maria. - Até logo. Um sonho realizado. Já um sonho com barbas, mas nunca desisti dele. Nem nunca vou desistir de nenhum, qualquer que seja ele. Margarida Cardoso

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6ºD


Tapetes Voadores Hoje, sou um vendedor de tapetes voadores com sucesso e a história que vos vou contar, fala da minha primeira venda. Então, o meu percurso como vendedor de tapetes voadores começou assim… Há muitos, muitos anos, comecei a trabalhar como assistente numa loja de tapetes voadores. Na loja, como o meu patrão nunca me deixava atender os clientes, limitava-me a limpar o pó aos tapetes que estavam na montra. Certo dia, quando cheguei à loja, recebi um telefonema do meu patrão que me disse que, naquele dia, teria de ser eu a substituí-lo, porque ele estava doente e não ia trabalhar. E assim fiz. Sentei-me do lado de trás do balcão e esperei pelos clientes. A certa altura, chegou um cliente que me disse: − Bom dia, quero fazer uma viagem experimental com o seu tapete topo de gama.

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Fiquei um pouco preocupado porque, normalmente, era o meu patrão que fazia essas viagens. Mas também era a minha oportunidade de mostrar que não sabia apenas limpar o pó! Então, fui logo buscar o “Franjinhas”, o meu tapete topo de gama. O meu cliente pediu-me que lhe sugerisse um destino para a viagem. Pensei, pensei e sugeri que fossemos ao Egipto porque era um ótimo sítio para andar de tapete voador e sobrevoar as pirâmides. O cliente achou o destino um pouco longo e perguntou: − Essa viagem não demora muito tempo? É que eu sou um homem muito ocupado! − Não, vê-se mesmo que nunca andou de tapete voador! Os tapetes voadores são um meio de transporte mesmo muito rápido e muito seguro. -respondi eu. Foi então que partimos em direção às pirâmides. Para o “Franjinhas” levantar voo bastou puxar a sua única franja amarela no meio de tantas outras franjas azuis. A certa altura, começou a soprar uma pequena brisa e o cliente, meio assustado, desatou a perguntar: − O tapete não se vira se houver uma tempestade? E se anoitecer, o que fazemos? − Tenha calma! Este tapete topo de gama tem tração às quatro pontas, franjas de liga leve, lâmpadas de nevoeiro e tenda de abrir. Mal acabei de falar o cliente gritou: − Olhe, olhe!!! − O que foi agora? – perguntei eu. Foi então que me apercebi que estávamos a sobrevoar as pirâmides. Quando regressámos à loja o cliente disse-me: − O senhor foi muito simpático comigo. Por isso vou comprar-lhe o “Franjinhas” e recomendá-lo a todos os meus amigos. A partir desse dia, o meu patrão percebeu que eu não servia só para limpar o pó e até partilhou o negócio comigo. E foi assim que me tornei num dos melhores vendedores de tapetes voadores do mundo!

Guilherme Salvador - 5º A

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Um destino inesperado

Certo dia, resolvi participar num concurso que vi numa revista, e em que o objetivo era eleger a fotografia mais espantosa de Portugal. Ganhei, e o prémio era um cruzeiro por alto mar. Parti no dia 20 de novembro logo pela manhã e, passados uns dias, quando estava a dormir, começou a tocar uma sirene a avisar-nos para sairmos do cruzeiro pois ele estava a ficar inundado, devido a um problema. Então, com o meu colete, atirei-me ao mar e depois de muito nadar fui parar a uma ilha longínqua. A ilha era grande e tinha muitas árvores, palmeiras, mas havia uma coisa que me surpreendia: tinha muitas coisas construídas à, mão parecia estar lá alguém! Mas quem seria? Eu senti-me com muito medo, pois não sabia o que iria acontecer nem sabia quem iria encontrar! Comecei a caminhar, a caminhar, até que encontrei um homem. Ele ao princípio parecia um pouco estranho mas depois vi melhor e ele era muito bonito: tinha cabelo curto castanho claro, olhos azuis, muitos músculos, mas não tinha uma roupa muito gira. Tinha apenas algumas folhas a tapar partes do corpo e tinha uma cicatriz no braço esquerdo. Aproximei-me dele e tentei comunicar com ele por gestos. Primeiro comecei por apontar para ele e depois para mim; de seguida, fiz um gesto como se fosse a abraçá-lo. Ele abraçou-me e compreendeu que eu queria ser sua amiga. Começámos a comunicar por 55


gestos e ele a pouco e pouco ia começando a entender melhor o que eu dizia e fazia, por isso decidi dar-lhe um nome: Filipe. A partir daí, começamos a caçar alguns animais e a pescar peixes. Bebíamos água de côco e fizemos uma casa na árvore. Também tínhamos jacuzzi no Verão porque quando a chuva caía dentro do vulcão da ilha, a água aquecia e fazia de jacuzzi e de banheira. Ele fazia a barba com um ferro afiado e eu fazia a depilação com um pau de madeira afiado e lianas. Nós não queríamos ir embora porque gostávamos muito de estar naquela ilha! Era tão tranquilo que não nos apetecia sair de lá. Eu e o meu amigo Filipe tínhamos uma vida diferente, muito especial e muito ligada à Natureza. Francisca Serras, 5º A

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Um tapete especial

Olá, chamo-me Marta e sou vendedora de tapetes voadores. Todos os sábados saio de casa cedo, para ir vender tapetes para a cidade. Quando lá chego, coloco todos os tapetes em cima da mesa, ou melhor, todos menos o tapete Dourado. O tapete Dourado é um tapete que voa como todos os outros, mas serviu para os meus antepassados (bisavô, avô e pai) fazerem corridas de tapetes voadores. Sempre que concorriam com ele, ganhavam. Mas agora já ninguém se serve dele, por isso vou vendê-lo. O pior é que ele custa muito dinheiro, por isso não o consigo vender! Certo dia, apareceu um senhor muito bem vestido na minha “barraquinha dos tapetes”, e disse que queria ver o meu topo de gama, o tapete Dourado. E assim foi: eu mostrei-o e ele perguntou se podia dar uma volta para o experimentar. Lá fomos nós dar uma voltinha, que até me soube muito bem, porque já há algum tempo que não andava de tapete! O senhor adorou, e disse que o comprava. 57


O pior foi quando o senhor viu o seu preço! Ele não esperava que um tapete voador custasse quinhentos e cinquenta euros! Pensou, pensou até que disse: - Vou levar! Entreguei-lhe o tapete e expliquei-lhe como se conduzia: - É só mexer aqui nestas duas pernas, conforme o lado para onde quer ir. Depois também lhe perguntei porque é que ele tinha decidido levá-lo. Ele respondeu: - Pensei bem e acho que fica mais barato, porque não temos de comprar gasolina ou gasóleo, e também podemos fugir ao trânsito! Por fim, despedimo-nos e ele ficou com o meu número de telefone para o caso de querer comprar outro!!

Marta Oliveira 5ºA

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Uma noite magnífica

Um dia, estava eu muito sossegada, quando alguém bateu à porta. No início, achei um pouco estranho, pois ao sábado à noite ninguém costumava ir a minha casa, mas quando vi quem era fiquei super - contente. Era o meu colega Afonso, que já não via há mais de 7 anos. Então, exclamei, um pouco gaga:

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-É…és…és mesmo tu! -Sim, sou eu, o Afonso. Lembras-te de mim? – perguntou. -Claro! -Olha, vim falar contigo porque recebi um convite para ir passar umas férias numa praia extraordinária. Só que tenho de levar uma pessoa e eu pensei em ti! Queres vir comigo? Eu, no início, nem estava a acreditar e a primeira coisa que disse foi: -Quando? A que horas? -Pois… Eu sei que já te perguntei muito tarde, mas é agora às onze horas que parte o barco. -A sério?!- exclamei. Depois de pensar um bocado, respondi: -Ok, pode ser, vou só fazer as malas. -Está bem, mas despacha-te- afirmou ele. Eram nove e meia da noite, apenas tinha uma hora e meia para preparar tudo. Passado algum tempo… -Aqui vamos nós! Antes de sairmos, ainda perguntei outra coisa: - Quanto demora a viagem? -Apenas meia hora. -Ainda bem- disse. Durante a viagem de carro, não abri a boca e, mesmo quando estávamos no barco, não disse nada, até que adormeci. Quando acordei (ainda de noite), ele parecia estar um pouco aflito. Perguntei: -O que se passa? -O barco ia batendo e então viemos parar aqui!- disse ele, apontando para fora. Fiquei espantada, pois estávamos numa ilha deserta, apenas eu e o Afonso …Não consegui acabar o que estava a dizer, porque ouviu-se um barulho de um animal muito esquisito. Quando olhei para baixo, estava um animal branco, com os olhos vermelhos e parecia que estava a falar connosco. Nós, a partir desse dia, passámos a viver com aquele animal tão querido e tão amoroso que até lhe demos o nome de Tareco e eu e o Afonso passámos a viver sempre juntos. Foi como se tivéssemos recuperado os 7 anos em que estivemos sem nos vermos. Esta foi a minha melhor viagem! Carlota Pereira 60

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Uma Viagem Longa Foi no dia 9 de março, data de algo muito especial, e tinha cinco dias de férias. Os meus pais decidiram ir à Disney em família: eu, minha mãe, meu pai e a minha irmã. Fomos ao aeroporto e comprámos os quatro bilhetes. Dentro do avião, ficámos na última fila, bem atrás. Como tínhamos de esperar, adormecemos. Ao acordar, não vimos ninguém lá dentro e apercebi-me que o avião tinha passado em Paris há muito tempo. De repente, a minha mãe apareceu desesperada com o meu pai maluco da cabeça. Eu fiquei a tremer de medo e a minha irmã estava na casa de banho. O avião estava com problemas. Os meus pais agarraram na minha irmã e foram falar com o piloto. Entretanto, senti o avião a cair em direção ao mar. Gritei desesperadamente: - Mãe, pai! Estamos a cair! Não ouvi nenhuma resposta e pus imediatamente as máscaras de oxigénio. Quando o avião caiu ao mar, eu estava tonto com a surdez que o mesmo provocava. Ganhei coragem, saltei para a água gelada e engoli imensa água salgada (quase parecia que tinha uma pedra nos rins!). O bom foi ver uma gigante ilha deserta bem perto. Fiquei pasmado! Ao chegar à ilha, fiquei meio desorientado, porque não sabia onde estava. De repente, ouvi um ruído bem estranho: “Maku Maku aiai”. E às vezes cantarolava. Era um bicho muito estranho, tinha uma cauda em forma de picos brancos, um olho azul bem claro e tinha a pele azulada, três braços e dois na cauda e o nariz era dois buracos em cima da cabeça. Fiquei exatamente três minutos e dezassete segundos a olhar para ele e perguntei: - Como te chamas? - Maku maku aiai. E assim tratei-o de Maku Maku, mas sem o “aiai” porque achava ridículo. Tudo o que eu falava ele entendia e escrevia as respostas às minhas perguntas. -Como saio deste lugar terrivelmente horrível? -Se queres saber, eu não sei! E não sei porque não sei, será muito difícil descobrir isso?! -Mas tu deverias saber, além disso és o único habitante desta ilha!

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-Eu nasci aqui, o meu pai é o vento e a minha mãe é a terra. -Tenho fome, podemos jantar? -Claro que sim, fique à vontade, mas temos de pescar e fazer uma fogueirinha! Fizemos uma fogueira com dois paus, pescámos um lindo peixe verde e quando ia dar uma grande dentada…Senti uma mão a empurrar as minhas costas. Era a minha irmã, como todas as manhãs! Ah! Esqueci-me de dizer uma coisa. O bom é que era dia do meu aniversário!

Daniel Teixeira

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6º D


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