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PROFIT & LOSS NOS MERCADOS DE MOEDAS E DERIVATIVOS DEZEMBRO DE 2011/JANEIRO DE 2012 VOL.13 / NÚMERO 127 www.profit-loss.com

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2012: O ANO DA REGULAMENTAÇÃO UM TESOUREIRO CORPORATIVO SOLTA A VOZ A bola de cristal de 2012 da Profit & Loss

A corrida do câmbio

Em um bom lugar? Plataformas de trading em 2012


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A PROFIT & LOSS NOS MERCADOS DE CÂMBIO E DERIVATIVOS DEZ/JAN DE 2012, VOLUME 13 / NÚMERO 127

Profit & Loss

NESTE MÊS:

nota do editor

12 A bola de cristal de 2012 da Profit & Loss

O 20 DealHub lança hosting de proximidade para soluções de trading com latência ultra baixa

25 HFT no Brasil - o próximo grande acontecimento?

21 Voz dos mercados: Phil Weisberg, presidente, FXall

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OS OLHOS E OUVIDOS DA INDÚSTRIA DE FX O site da Profit & Loss compreende um extenso arquivo de todo o nosso material publicado, além de informações atualizadas sobre os últimos desenvolvimentos nos mercados de moedas e de derivativos.

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fim do que para alguns foi um ano bastante desafiador está se aproximando e, como sempre, esta época do ano oferece a oportunidade de reflexão e planejamento do futuro. De acordo com o nosso objetivo de sempre olhar para frente, essa questão na Profit & Loss é muito mais sobre 2012. Dito isto, temos algum tempo para refletir sobre algumas das questões de 2011. Especificamente a respeito de 2011, nosso perfil de capa deste mês é um pouco diferente. Tivemos sorte o suficiente para obter um tesoureiro corporativo para falar abertamente sobre os desafios que o segmento da nossa indústria enfrenta, ainda que de forma anônima. O setor empresarial tem feito um passeio de montanha russa em termos da atenção do mercado de câmbio. Durante anos, sentiu-se negligenciado, e quando a HFT e outros profissionais de comércio se tornaram mais generalizados, houve uma corrida para equilibrar o portfólio com um novo foco nos clientes dos mercados empresariais (e dinheiro real). Em termos de olhar para a frente nesta questão, como é o último de 2011/primeiro de 2012, tiramos a poeira mais uma vez da bola de cristal da Profit & Loss e procuramos destacar dez temas para observar em 2012. Como sempre, nós nunca tivemos a pretensão de ter uma lista abrangente para oferecer, principalmente porque a própria natureza do negócio significa que haverá uma surpresa ou duas nos aguardando, mas esperamos que você aproveite a leitura e, possivelmente, seja uma base para uma discussão mais aprofundada. Como um complemento para a bola de cristal, também olhamos para as perspectivas de plataformas de negociação em 2012. Este continua a ser um setor interessante da nossa indústria, mas, francamente eu estava achando difícil determinar exatamente o quão bem sucedido que tem sido. Ao apresentar uma avaliação da indústria, estamos esperamos esclarecer alguns pensamentos e identificar alguns dos líderes neste espaço. Sem dúvida, nem todos irão concordar com as conclusões, mas posso assegurar-lhe de que houve alguns sérios exames de consciência envolvidos quando separamos o joio do trigo! Continuando o tema de olhar para a frente para 2012, também gostaria de apontar na direção dos eventos P&L programados para o primeiro trimestre do ano. Primeiro, vamos para Cingapura, para a nossa segunda conferência anual, em 16 de fevereiro. O evento do ano passado foi um estrondoso sucesso, então esperamos repeti-lo, vendo com a maioria de vocês o que será uma série de discussões animada e esclarecedora. Depois de Cingapura, vamos até o México, pelo quinto ano consecutivo, e para a Colômbia, pelo segundo ano, como parte de nossa crescente série de exposições itinerantes pela América Latina. Esperamos ver todos vocês em ambos os eventos. Finalmente, sendo este o final do ano, gostaria de deixar registrado o meu profundo agradecimento aos meus colegas da P&L que fizeram de 2011 um grande ano em todos os aspectos dos negócios. Meus agradecimentos também a todos os nossos leitores por seu apoio e interação durante todo o ano. Temos como objetivo proporcionar uma publicação informativa e instigante. Se conseguirmos isso é, em parte, devido ao alto nível de feedback e envolvimento em debates durante todo o ano. Tudo isso me leva a encerrar agradecendo a todos por 2011 e desejando um 2012 repleto de felicidade, saúde e sucesso.

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Profit & Loss: Dezembro de 2011/Janeiro de 2012

Na capa...

MATÉRIA DE CAPA: 2012 - o ano da regulamentação: Um tesoureiro corporativo solta a voz

08 18 22 12

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I Dez. 2011/Jan. 2012 I Profit & Loss I www.profit-loss.com

Em uma entrevista anônima, um tesoureiro corporativo conversou com Julie Ros sobre como o trading eletrônico está aumentando a lucratividade, e porque o grande número de leis em consideração pode diluir esses ganhos............................................................8


Profit & Loss: Dezembro de 2011/Janeiro de 2012

SQUAWKBOX DA P&L:

MERCADOS DIGITAIS

Notícias de todo o mundo .........................................................6

DealHub lança hosting de proximidade para soluções de trading com latência ultra baixa.......20 Voz dos mercados:Phil Weisberg, presidente, FXall .......21 Em um bom lugar?Plataformas de trading em 2012.....22 HFT no Brasil - o próximo grande acontecimento? ........25

DESTAQUE: A bola de cristal de 2012 da Profit & Loss ..........................12

RADAR DO VAREJO SALA DE TRADING: Sob o radar....................................................................................29 A corrida do câmbio: BM&FBovespa assina com a Cinnober para revitalizar as operações de compensação.........................18 10 anos atrás na P&L: Manchetes de janeiro de 2002.............................................19

MERCADO DO MÊS Perspectivas sobre o JPY..........................................................30

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Squawkbox da P&L: Notícias de todo o mundo CINGAPURA SGX reivindica a primeira compensação. A bolsa de Cingapura lançou seu serviço de compensação de câmbio exterior da Ásia para forwards sem entrega com o Deutsche Bank, DBS Bank e OCBC Bank, compensando os primeiros forwards de câmbio da Ásia desses bancos. A iniciativa de compensação da SGX alinha-se aos desenvolvimentos globais na direção da compensação central de contrapartida de derivativos OTC para promover a estabilidade sistêmica em mercados financeiros. A compensação de forwards de câmbio exterior da Ásia cobre mercados de forward sem entrega em moedas Asiáticas, incluindo o Yuan chinês, a Rúpia indiana, o Won coreano, a Rúpia indonésia, o Ringgit malaio, o Peso filipino e o Dólar taiwanês. Muthukrishnan Ramaswami, presidente da SGX, diz: “Lançado em estreita colaboração com nossos membros, o serviço de compensação de forwards da Asian FX será um acordo de nosso capital de membros e eficiências operacionais. Este serviço está bem alinhado com a reforma regulatória global e incentiva a adoção de

compensação PCC de produtos OTC negociados na Ásia.” O lançamento dos forwards de câmbio exterior da SGX segue o lançamento em novembro de seu serviço de compensação para swaps de taxas de juros, em dólares de Cingapura e dos EUA. Os 11 membros de compensação da SGX elegíveis para compensar forwards de câmbio exterior são Barclays Bank, Citi, Credit Suisse, DBS Bank, Deutsche Bank, HSBC, OCBC Bank, Standard Chartered, Royal Bank of Scotland, UBS e United Overseas Bank. A SGX afirma esperar que o número de membros aumente com o interesse de todos os bancos que atuam com esses produtos. Clifford Cheah, responsável pelas finanças globais e câmbio do Deutsche Bank da Ásia, diz: “Ajudar nossos clientes focados na Ásia a prepará-los para mudanças regulatórias significativas nos mercados FX é uma prioridade fundamental para o Deutsche Bank. Estamos empenhados em novas iniciativas de compensações derivativas, incluindo esforços da SGX que irá dar uma positiva contribuição para a transparência e o crescimento dos mercados financeiros de Cingapura.”

CHICAGO E uma expansão em compensação… o CME Group planeja expandir seu serviço de compensação de câmbio exterior para incluir forwards sem entrega em diversas moedas até o fim de janeiro. Falando em um evento de mídia em Londres no mês passado, Roger Rutherford, diretor global de produtos FX da CME, disse: “Até o final de janeiro, teremos praticamente todos os NDF ao balcão prontos para compensar dentro do CME.” O CME Group anunciou estar pronto para compensar NDFs de pesos chilenos por meio do CME ClearPort em maio, a primeira empresa a oferecer um serviço de compensação para produtos de câmbio exterior OTC. A iniciativa CLP de compensação NDF partiu da demanda de clientes, segundo Rutherford.

No entanto, o serviço ainda não concluiu nenhuma operação, devido aos infindáveis testes de empresas de compensação e seus clientes, mas, de acordo com Rutherford, o serviço mais amplo estará disponível ainda no início do próximo ano. “Temos clientes que desejam compensar pesos chilenos conosco, mas ainda há algum trabalho a ser feito com as relações de compensação e seus clientes antes que os clientes possam compensar conosco. Estamos prontos para a implantação de pares de moedas adicionais do mercado de OTC FX que podem ser compensadas. O mercado de OTC está negociando desde hoje; é apenas um caso de fazer a intermediação entre a relação de compensação e o cliente”, disse ele.

BEIJING A liberalização da China continua. A China continua cada vez mais liberal. A Administração de Câmbio da China afirmou que permitirá o trading de opções de câmbio de compra e venda no país para ajudar investidores a reduzir sua exposição às flutuações na taxa de câmbio. Em um anúncio em seu site, o SAFE afirmou que a introdução impulsionaria a flexibilidade de cobertura em meio a flutuações de câmbio e reduziria os custos de transação para empresas chinesas. A

chamada para negociação e opções de venda devem ter início em 1 de dezembro. O novo acordo só permite que os comerciantes e investidores estrangeiros com empresas comerciais ou de investimento comprem as opções. Anteriormente, os investidores chineses envolvidos no comércio exterior só poderiam cobrir o risco cambial por meio de mercados forwards não entregues offshore.

BASILEIA E os mercados de derivativos de OTC continuam a crescer… O crescimento nos mercados de derivativos com venda direta foi acelerado no primeiro semestre de 2011, de acordo com um relatório do Bank for International Settlements (BIS). Os valores fictícios gerados a partir de derivativos com trading privado em todo o mundo subiu 18% para US$ 708 trilhões até o fim de junho, em comparação ao segundo semestre de 2010, quando o trading subiu 3% para US$ 601 trilhões. Essa foi a quarta maior variação semestral já registrada. Os valores nocionais refletem o valor dos trades concluídos, mas não ainda liquidados na data do relatório. Os valores brutos de mercado de todos os contratos OTC caíram 8%, acompanhando principalmente uma redução de 10% no valor de mercado de contratos de taxas de juros, segundo o BIS. Os valores de mercados CDS permaneceram praticamente inalterados. Os valores nocionais provenientes de derivativos de câmbio exterior subiram 12% para US$ 65 bilhões no primeiro semestre de 2011 em comparação ao segundo semestre de 2010, quando os vencimentos de um ano ou menos subiram 26% para US$ 48 bilhões. Os vencimentos acima de cinco anos caíram praticamente pela metade para US$ 5 bilhões. Os valores de mercado brutos de derivativos de FX caíram 6%,

segundo o BIS. Os valores de mercado para instrumentos contratados em ienes caíram 21%, e aqueles sobre a coroa sueca caíram 18%. O valor de mercado dos instrumentos em franco suíço permaneceu relativamente estável, aumentando 9%, após aumento de 46% e 106% nos dois semestres anteriores. Os valores referenciais pendentes de derivados de taxa de juros subiu 19% para US$ 554 trilhões no primeiro semestre, respondendo por 78% do total, enquanto a troca de créditos não cumpridos subiram 8% para US$ 32,4 trilhões, segundo o BIS. A quantidade de equivalências relacionada aos derivativos OTC em aberto cresceu 21% para US$ 6,8 trilhões e os swaps de commodities aumentou 9% para US$ 3,2 trilhões - com contratos vinculados ao preço do ouro aumentando 18%.Outros US$ 46,5 trilhões em transações não foram atribuídos a uma classe de ativos específicos. O BIS começou a manter registros semi-anuais sobre o tamanho e o escopo do mercado de derivativos OTC, em meados de 1998.Desde então, o maior aumento semestral foi de 24% entre o final de 2005 e junho de 2006. Os valores do BIS sobre o mercado OTC são compilados a partir de dados de trading de aproximadamente 60 bancos e suas subsidiárias em 11 países: Bélgica, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Holanda, Sécia, Suíça, Reino Unido e EUA.

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I Dez. 2011/Jan. 2012 I Profit & Loss I www.profit-loss.com


Capa

2012 - o ano da regulamentação:

UM TESOUREIRO CORPORATIVO SOLTA A VOZ Em uma entrevista anônima, um tesoureiro corporativo conversou com Julie Ros sobre como o trading eletrônico está aumentando a lucratividade, e porque o grande número de leis em consideração pode diluir esses ganhos.

Julie Ros: Sua empresa é um trader ativo de câmbio exterior (FX)? Tesoureiro Corporativo: Nós fazemos o hedge de nossas previsões de fluxo de caixa e obtemos a contabilidade de hedge para isso. Também fazemos o hedge de nosso balanço patrimonial, mas não há especulação sobre o que fazemos – fazemos o hedge de fluxos reais. JR: Qual o instrumento primário que utilizam? TC: Usamos principalmente forwards para o hedge, apesar de também usarmos opções – algumas reversões de riscos – tudo bem simples. Também estamos usando NDFs em alguns dos países com mercados emergentes. Estamos usando também NDFs em alguns dos mercados de países emergentes. JR: Apesar de a legislação ainda não ter saído do papel – forwards, NDFs, opções, basicamente todos os produtos que você utiliza – deverão apresentar alguma forma de regulamentação. Você acha que as corporações deveriam ser isentas da legislação que deverá afetar o FX? TC: Eu acho que as corporações devem ser isentas da legislação. Como um usuário final em uma corporação, não estamos fazendo o trading especulativo de derivativos; apenas os usamos para proteger nosso negócio. JR: Qual a importância dos mercados emergentes e, especialmente, dos NDFs, para o seu negócio? TC: Expandimos em um mundo enorme e global, onde nossos produtos estão sendo vendidos e utilizados em todo o mundo. Assim o trabalho do tesoureiro é facilitar o que nós estamos fazendo globalmente para as unidades de negócio que possuímos, e se isso significa que temos que vender um produto em uma moeda corrente emergente, olhar despesas da folha de pagamento, ou receber algum tipo do rendimento do país, meu trabalho é garantir que podemos fazê-lo. Éramos o 8

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tipo de empresa muito centrada em dólares americanos, – que eram a nossa base e é onde tínhamos todos os nossos contratos – mas percorremos um longo caminho rumo a nos tornarmos uma empresa global. JR: Voltando à legislação – como ela impacta no resultado – dos negócios de cobertura necessários? TC: Nós não esperamos ter que cancelar nossos comércios, mas esperamos custos adicionais. Esperamos que isso vai custar o dinheiro dos bancos para compensar e relatar seus trades, então certamente esperamos que eles vão repassar os custos para nós como um usuário final. Se deve ser repassado para nós é outra história, mas esperamos que isso vai custar nos mais – se será 1bp ou 3bps, eu não sei – mas, obviamente, se vai custar mais para eles, vai me custar mais. JR: Quais são seus volumes FX? TC: Trading real com um lado do swap e spot e forwards são bilhões por ano; nossa circulação é provavelmente cerca de US$ 5-10 bilhões. JR: Qual foi sua experiência em termos de transparência e eficiência no mercado de FX? TC: Temos utilizado o pregão eletrônico há cerca de dois anos e meio, e tem sido muito interessante ver como se desenvolveu – e o que encontramos lá. Vemos muitas operações na plataforma eletrônica que não víamos antes. Os bancos têm investido muito dinheiro em como influenciar o mercado utilizando algoritmos – que é uma coisa boa e uma coisa ruim. É bom ser capaz de colocar um trade e vendê-lo a quatro ou cinco bancos, obter o seu comércio e ter todo o processo registrado, mas eu me pergunto sobre a fragilidade do mercado agora com a quantidade de comércio eletrônico acontecendo. Embora eu não veja nada além da janela da minha plataforma, foi interessante prestar atenção ao mercado e ver o que acontece depois que nós passamos um comércio –


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“Nós não esperamos ter que cancelar nossos negócios, mas esperamos custos adicionais. Esperamos que isso vai custar o dinheiro dos bancos para compensar e relatar seus trades, então certamente esperamos que eles vão repassar os custos para nós como um usuário final. Se isso seria passado sobre nós é outra história, mas esperamos que nos custe mais.” www.profit-loss.com I Profit & Loss I Dez. 2011/Jan. 2012I

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“Quando relatamos isso, é meu trabalho ter certeza de que ninguém dirá ʻNossa, tivemos esse impacto no câmbio?ʼ” se sobe ou desce 5 pontos – dependendo com quem você faz o comércio, pode observar resultados diferentes. JR: Seus bancos de contraparte responderam bem à sua implementação de e-trading? TC: Os bancos americanos e os bancos globais certamente responderam muito bem. Foram os bancos menores e regionais que demoraram um pouco mais para adotá-la e aceitá-la. Mas os bancos maiores podem absorver facilmente o volume que desejarmos e fazer isso dessa forma e alegremente. Eles avaliam agressivamente e estão ansiosos por concluir o STP. JR: E quanto às melhorias mais sutis que o e-trading introduziu, como relatórios, controle e redução de riscos? Você observou melhorias nessas áreas? TC: Absolutamente. Em primeiro lugar, por trás do comércio eletrônico há uma plataforma que permite que os negócios sejam enviados diretamente aos bancos para confirmação, então temos menos pessoas enviando faxes aos bancos – o que nem existe mais. Assim que o negócio está compatível, ele é confirmado e enviado automaticamente. Ainda precisamos produzir um cabo, mas uma vez que implementarmos uma nova estação de trabalho do tesouro, muitas das funções de rotina diárias serão automatizadas. JR: Como líder em e-trading de câmbio entre as empresas, você pode fazer recomendações a seus colegas sobre o câmbio de e-trading?

de oito a 10 negócios/dia, o que pode não parecer muito para algumas empresas, mas, para nós, é muito. Apenas este benefício, por si só, nos ajudou imensamente.

JR: Quanto às 42 moedas, é possível abrangê-las todas na plataforma? TC: Não todas. Gostaríamos que fosse possível, mas estamos chamando muitas delas de internas, fazendo negócios de spot. Alguns dos bancos irão precificar, mas não autoprecificar, de forma que isso será cumprido como um negócio manual e eles as recolherão e precificarão, de qualquer forma. Para as 15 moedas que estão na plataforma e que podemos negociar, é ótimo. Para as outras, elas são relativamente pequenas e não tão frequentes. Então, se tivermos que contatar a Colômbia e fazer um negócio, é isso o que faremos. JR: Sua empresa tem muitos negócios na América Latina? TC: Contatamos um bom número de países na América Latina apenas para finalizar um negócio, os quais estão sempre impressionados sobre o quão solícitos os consideramos. JR: Parece que, de qualquer forma, você é, definitivamente, um adepto do e-trading. Então, você acha que vale a pena o gasto com sistemas de tesouro? TC: Com certeza, sim. Apenas a competitividade do sistema, por si só, é ótima. Se, sob a minha política, eu tiver que ter certeza de que, qualquer que seja a cota que eu tenha, ela será competitiva, aqueles dias ficaram para trás, quando eu tinha que pegar o telefone e perguntar ‘qual é o seu lance nisso’ e, depois, desligar o telefone e chamar outra pessoa para perguntar ‘qual é o seu lance nisso’ – até você voltar para a primeira pessoa, já era. O mercado está se movendo rápido demais e agora não sei como é possível fazer isso mais. Mas, deste modo, posso decidir para quem quero comprar isso, posso decidir entre os três bancos que tenho certeza que irão me precificar agressivamente, volto em segundos e estou com o negócio feito. Negocio já há muito tempo e, antigamente, jamais pensaríamos em fazer deste modo, você tinha que falar com as pessoas, mas certamente adotarei o e-trading agora.

TC: Acho importante saber qual mercado você está obtendo de qual banco – e você poderá ver agora mesmo como as pessoas estão precificando você e qual é o benefício de custos real – embora possa não ser tão aparente se você estiver negociando valores pequenos. O valor de uma diferença de um ponto não será grande, mas se você estiver negociando alguns valores altos, ficará surpreso de que uma diferença de 1 ou 2 pontos possa custar a você US$ 5.000. Não estou certo de que muitas empresas estejam cientes do – quanto elas estão desperdiçando nos spreads entre ofertas de compra e venda. Então penso que é útil, de certa forma, mas é importante também saber em quanto os próprios bancos estão precificando você e o qual amplamente eles o estão precificando através de plataformas de e-trade.

TC: Não, na verdade não consideramos plataformas de banco único. Pensei sobre isso outra vez, recentemente, mas, no momento, isso não está nos planos.

JR: O que motivou a decisão alguns anos atrás para adotar o e-trading, já que essas plataformas já existem há 10 anos? Houve um catalisador? Foi 2008?

JR: Uma ferramenta de administração de caixa/execução beneficiaria seus negócios ao agrupar tudo em uma única plataforma?

TC: É absolutamente volume para nós. Viemos de uma empresa razoavelmente pequena com exposições de câmbio limitadas para, de repente, nos tornarmos uma empresa global extremamente grande. Agora monitoramos 42 moedas e temos algumas exposições razoavelmente grandes, especialmente na Europa, que estamos tentando proteger. Então, somente com o volume absoluto de negócios – estamos executando facilmente

TC: Penso que, quando nossa estação de trabalho de tesouro chegar, nosso mundo será um pouco mais fácil. Vamos obter o Swift e teremos um pouco mais de flexibilidade com os bancos e nossa conectividade com eles. Isso ajudará muito, especialmente com nosso fluxo de caixa. Nesse momento, construímos tudo o que fazemos. Nossa empresa cresceu muito rápido, e continuamos a acrescentar peças ao que já construímos, então,

10 I Dez. 2011/Jan. 2012 I Profit & Loss I www.profit-loss.com

JR: Você usa alguma plataforma de banco único?


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penso que essa estação de trabalho terá muito do que já fizemos e o tornará um pouco mais usável ao grupo do tesouro.

“Os bancos regionais foram um pouco lentos ao adotar e aceitar [etrading]... mas os bancos maiores podem absorver facilmente o volume que desejamos... e estão ansiosos por concluir o STP.”

JR: Você vê algum ponto negativo em usar uma plataforma de multicontribuinte?

JR: Você mudou o modo que opera em mercados financeiros como resultado da crise financeira global?

TC: Às vezes, você mostra seu negócio a muitas pessoas, mas ainda tenho a flexibilidade de chamar um distribuidor e fazer isso ali. Nem sempre gosto do fato de estar fazendo um negócio de US$ 50 milhões e comprar fora, de forma que qualquer um possa ver. Mas não estamos especulando, apenas fazendo hedge, e penso que a maioria dos bancos que estão nos cobrindo provavelmente sabem por que estamos fazendo e o que estamos fazendo. Estamos vendendo euros, estamos fazendo hedge de receita prevista – e isso não é astronáutica. Mas penso que é negativo em termos de e-trading – você ter muitas pessoas que sabem sobre o seu negócio e as pequenas consequências do negócio onde você começa a ver os algoritmos respondem ao que quer que você tenha feito. Mas, mesmo assim, penso que mesmo quando podemos chamar um fornecedor e executar um negócio, eles estão apenas o executando em uma plataforma eletrônica do seu lado. Quando penso em anos atrás, quando costumávamos contatar um banco para fazer um negócio e eles encontravam alguém para o outro lado, haveria um negócio cruzado. Mas, agora, se você estiver fazendo um negócio de US$ 50 milhões, não importa com qual banco você esteja fazendo, ele poderá estar executando 50 negócios de US$ 1 milhão cada e isso, provavelmente, não passa despercebido no mercado.

TC: Absolutamente. Penso que provavelmente temos o maior prejuízo em nossa planilha de balanço. Agora protegemos nossa planilha de balanço todos os dias, o que, quando se fala de cerca de 42 moedas, são muitos negócios. Temos um limite sobre qual deve ser a nossa exposição antes de a protegermos, mas sim, minha função é me certificar de que quando nossa receita, declaração de renda ou ganhos for liberada, ninguém dirá: ‘Nossa – tivemos esse impacto no câmbio?’ Minha função é dizer que não há nenhum impacto, ou um impacto insignificante, de um câmbio exterior.

JR: Qual você considera ser o maior desafio que enfrenta como tesoureiro corporativo? TC: Definitivamente, é apenas o modo como mercado mudou; há muita volatilidade agora. Os fluxos que estou vendo – e tentando proteger – de um dia para o outro poderiam ser uma oscilação de 200 pontos em euro/dólar. Há muitos jogadores e pode ser isso o que está causando toda a volatilidade – que tem um grande efeito sobre nós e nossas exposições de câmbio. JR: Há algo que você possa fazer? TC: Estamos tentando fazer tudo o que podemos. Estamos vendo se há compensações naturais em nossos recursos e responsabilidades ou compensações naturais em nossas receitas e despesas, de forma que não temos que fazer tantos negócios para obter o mesmo efeito. Assim estamos tentando trabalhar com as unidades de negócios para perguntar se realmente precisamos tomar uma moeda em particular ou se podemos usar outra moeda. Estamos tentando fazer o que podemos para tornar nossas vidas um pouco menos complicadas com relação para onde, nós, enquanto empresa, estamos indo. Mas muitos desses países de mercados emergentes são bastante voláteis e nós, enquanto grupo de tesouro, devemos agora saber o suficiente sobre alguns dos países – as restrições, como obter dinheiro ali, como a precificação de transferência funciona – este é o meu desafio: ter certeza de que sabemos o que estamos fazendo e onde estamos e o que temos que fazer para que isso funcione ali.

JR: Você está contente com o nível das ferramentas eletrônicas oferecidas a você por seus fornecedores? Há alguma área que você gostaria que fosse melhorada? TC: Garantindo que estamos fazendo algumas opções bem fáceis de planos e que sei que será difícil precificar, mas gostaria que funcionasse melhor eletronicamente. Eles podem trabalhar por alguns propósitos, mas geralmente negociamos as opções sobre a volatilidade, não sobre o preço absoluto. Não podíamos fazer isso no momento em que olhávamos para ele, embora talvez agora possamos. Opções seriam algo bom de se adicionar. Também manipulo os investimentos de portfólio de operação, então seria bom para nós poder usar uma plataforma multibancos para múltiplas classes de ativos. JR: Em termos de opções, você as negocia principalmente pelo telefone. Você usaria uma plataforma OTC para derivativos de câmbio? TC: Veríamos isso. Vimos alguns, mas realmente não gostei do que ela nos proporcionou. Gostaria de saber como a opção é precificada, não apenas o preço líquido no final. Quero saber qual spot você está usando, qual vol está usando – Quero saber tudo isso – Não quero ver apenas o prêmio líquido. Preciso saber de todo o resto antecipadamente. Isto posto, não somos grandes negociantes de opções, provavelmente, muito pequenos, mas e-trading é algo para o qual eu gostaria de olhar. JR: Se isso se provasse mais eficiente sob certos regimes regulatórios, você consideraria negociar em um câmbio ou os desafios ao seu processo de negócios seriam muito onerosos? TC: Acredito que seriam muito onerosos. Não diria que nunca consideraríamos isso, mas certamente veríamos muito trabalho para chegar lá. Somos muito específicos em relação ao que queremos, então não sei quão facilmente isso poderia ser feito em um câmbio. JR: As pessoas gostam de dizer que fazer hedge é simplesmente um mau negócio, certo? TC: Hedge é o que eu faço, seja um bom negócio ou um mau negócio – há muitos bons negócios que são hedges também! www.profit-loss.com I Profit & Loss I Dez. 2011/Jan. 2012I 11


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Bola de cristal 2012

A bola de cristal de 2012 da Profit & Loss

Pela quinta vez, a Profit & Loss está tirando a poeira de sua bola de cristal e tentando ver o futuro ao prognosticar 10 temas que provavelmente dominarão a indústria de câmbio nos próximos 12 meses. O cenário de regulamentação permanece um pouco fluido, mas diferentemente do ano passado, temos um bom entendimento sobre exatamente o que será necessário. A única coisa deixada em aberto é o período atual de implementação – ou, como prognosticamos neste recurso, é isso? Como sempre, apresentamos nossos pensamentos ironicamente, mas esperamos que haja um grau adequado de precisão. Ao final, também falamos sobre o que fizemos com as previsões do ano passado. Eis aqui, novamente, 10 coisas para nos observarmos em 2012.

A Loja de apl. (só você não pode chamá-la assim) Este finalmente será o ano em que os prestadores de serviço estarão realmente flexíveis. Um ou dois fornecedores já estão a caminho desta rota e prevemos que modelo de serviço de Loja de apl. (mas você não pode chamá-lo assim) irá dominar. Em resumo, um prestador de serviços procurará colocar os mesmos “apl.” de produtos (achamos que o nome “widget” voltará com força este ano também) em sua plataforma principal e caberá ao cliente – com alguma ajuda das equipes de vendas e relacionamento – criar sua própria plataforma. Já se foram os tempos em que os clientes eram agrupados em segmentos, como 12 I Dez. 2011/Jan. 2012 I Profit & Loss I www.profit-loss.com

sempre se imaginou, dentro desses segmentos as demandas do cliente e os requisitos podem ser muito diferentes. Em seu lugar, teremos a “Loja de widget” – e sim, tentaremos encontrar um nome melhor que esse! Este ethos pode ser implementado em todos os aspectos do serviço. No segmento bancário, por exemplo, há muito tem sido um aspecto da pesquisa e da estratégia que os clientes recebem. Você deseja todas as pesquisas do Brasil? Ou de um analista, em particular? Sem nenhum problema, você recebe aquilo e nada mais – a menos que a pessoa do relacionamento de vendas sinta que há algo de interesse particular. Role para dentro de outras áreas do negócio e você terá um vencedor, conforme acreditamos, muitos provedores de serviço


Bola de cristal 2012

estão se dando conta (este não é apenas um modelo de banco, outros provedores de tecnologia também podem se beneficiar desta abordagem). Atualmente, os clientes podem criar seus próprios perfis de liquidez. Pode ser um olhar de mercados “principais” ou emergentes, mas pensamos que, avançando, eles poderão escolher como proceder nesses fluxos, usando uma gama de ferramentas da loja. Isso significará que os gerentes de ativos têm acesso a uma gama de ferramentas de “decompor e analisar” que podem ajudá-los a enfrentar alguns de seus maiores desafios de execução. Os fundos de hedge poderão precificar em um fluxo, eles deveriam desejar – e incorporar na extremidade menos sofisticada da escala, poderão tomar um modelo RFQ básico. Tudo isso já está disponível atualmente, é claro, mas não está disponível em um modelo que permita que o cliente escolha exatamente como sua “homepage” será. Além disso, vemos o ethos se estendendo no espaço póstrade. Há muitos clientes que gostam da ideia de poder acessar certos serviços de corretagem de primeira linha, embora não sejam clientes de corretoras de primeira linha. Sob o ethos da Loja de apl., esses serviços serão disponibilizados – provavelmente por uma taxa – a todos os clientes do provedor de serviços, e não apenas para os clientes de corretagem de primeira linha. Este pode não ser o mais revolucionário dos conceitos, dado o modo como o mercado tem se rastejado rumo a esse modelo há algum tempo, mas sugeriríamos que 2012 será o ano em que aqueles que não ofereceram o conceito verão seus clientes os abandonando aos montes, ou, no mínimo, reduzindo severamente o nível de interação com eles.

O ano do dólar? Talvez por causa de sua função mundial dominante, os trabalhos da economia dos EUA foram o palco central por algum tempo – e o dólar tem sentido a pressão. Acreditamos que 2012 poderá ser o ano em que isso chegará ao fim. Muitas pessoas mais brilhantes que nós opinarão sobre isso, mas nos dão a impressão de que, de todas as economias globais em discussão, os EUA sofreram mais do que qualquer outra. De fato, isto está sendo escrito em benefício de um relatório de Folhas de pagamento de novembro aprimorado, mas não parece que a força destruidora, que é uma tendência de mercado de câmbio, poderia estar voltando. A crise da zona do euro continua, e mesmo um resgate de emergência não resolverá alguns dos problemas estruturais de emergência enfrentados pela região, ao passo que a Ásia parece estar mostrando sinais de desaceleração enquanto a recessão do terceiro ano no mundo ocidental finalmente impacta. O Japão foi movido por desastres naturais no auge de sua maior recessão da década, o que significa que o dinheiro continuou a entrar em mercados emergentes e moedas de commodities. Uma outra tendência que também foi aparente nos últimos anos – que os bancos centrais regionais e agências soberanas

Destaque

reequilibraram suas reservas rumo ao euro às custas do dólar. Isso pode continuar, mas é provável que ocorra em uma velocidade reduzida, removendo uma das pressões sobre o dólar. A outra pressão sobre o dólar sendo aliviada é um fenômeno de mercado – final de uma tendência. Em algum estágio de cada era, os valores da moeda se sobre estendem – de diversas formas, porque há uma base de investimento influente que carrega uma posição na base de que a “tendência nunca acaba”... até que ela termina. Suspeitamos que a tendência esteja terminando agora, como as más notícias dos EUA raramente parecem impactar os valores da moeda. Isso poderia ser porque estamos vendo que outros fenômenos de mercado – uma tendência povoada. Com a maioria das moedas EM em alturas históricas e moedas como o dólar australiano mantendo níveis acima da paridade com o dólar americano, é claro que uma economia americana abaixo do desempenho será bem precificada. O que acontece, de qualquer forma, quando uma moeda forte começa a impactar essas economias regionais e a economia dos EUA mostra sinais de vida? O que acontece quando o “risco fora/risco dentro” se torna uma correlação extinta, como certamente será? Podemos estar errados, mas isso pode significar que 2012 vê o início da próxima alta do dólar americano acontecer.

Mas não o ano da regulamentação No ano passado previmos, como se esperava, que 2011 seria o ano da formação de uma estrutura regulamentar. Foi assim, e nos demos uma palavra de encorajamento por isso. Mas será 2012 o ano em que a regulamentação será implementada? Agora, de súbito, não temos certeza. Por um lado, os políticos estão se fixando, de diversas maneiras, nas crises econômicas atuais e na reeleição, e isso pode apenas retardar as coisas, de alguma maneira. Também há dúvidas surgindo da efetividade de certas partes do programa regulamentar, e isso foi antes de entrarmos na capacidade do mundo de implementar isso junto sem sofrer um período de arbitragem regulamentar. No coração do problema, de qualquer forma, é que a política fará algo. Os políticos dos EUA estão prestes a entrar em um ano de eleição e é natural que o mundo pare por um instante enquanto aguarda o resultado. No final, há um perigo real de que a presidência da República possa alterar significativamente os preços da regulamentação. Na Europa, sinceramente, é difícil ver alguma coisa ser feita no minuto em que a zona do euro aceita o inevitável e se dirige rumo à federação. De repente, os burocratas terão algo mais importante para se preocupar do que impor o que poderiam ser regras unilaterais para os participantes de mercados financeiros. Por fim, um outro fator pode atrasar o processo – a preocupação de que nada mudará. Não escapou ao olhar das pessoas que o MF Global entrou em falência com os fundos dos clientes perdidos, mesmo tendo operado em um ambiente “limpo”. Poderia ser que agora as autoridades reconhecessem que os problewww.profit-loss.com I Profit & Loss I Dez. 2011/Jan. 2012I 13


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mas que estão tentando solucionar envolvem muito mais do que apenas forçar os produtos abaixo da rota de limpeza – e isso poderia levar a uma reconsideração menor (ou maior). Isso não quer dizer que não achamos que a regulamentação proposta não se tornará efetiva, de algum modo ou forma. Parti-cularmente, prevemos que haverá atrasos e outras discussões que poderiam ver a implementação real prosseguindo para 2013.

Restrições de capacidade Isso é delicado porque muito poucas pessoas na indústria admitirão ser desafiadas pela capacidade, mas estamos ouvindo cada vez mais sobre gargalos em diversos processos e áreas do negócio que caminham rumo a atrasos. Nosso medo

é que seja apenas uma questão de tempo antes que esses atrasos se tornem sérios. A raiz do problema é que, provavelmente, a mudança do relacionamento entre os bancos e os traders de alta frequência – é, certamente, mais consensual do que anteriormente – bem como a mudança da dinâmica do mercado, que vê outros clientes dividirem os pedidos em clipes menores. Findos, em grande parte, estão os dias em que grandes valores eram negociados rotineiramente, tanto no espaço B2C como no B2B. Isso significa que, não importa como um banco, plataforma ou provedor de serviços em geral interage com o HTF, o número de tickets está aumentando. Não é tanto o esforço empregado em precificar esses tickets extras, mas sim o pesadelo do risco e o gerenciamento de crédito que eles trazem. Não esperamos ver uma grande quantidade de publicidade sobre o período de emergência dos gargalos, mas não nos sur-

COMO FIZEMOS EM 2011? Como sempre, nossas previsões de 2011 continham uma combinação do muito bom, do decente e do totalmente errado. Eis um relatório completo das previsões de 2011 com nosso veredito imparcial (honesto).

Bank of America Merrill Lynch atualizaram seriamente seus recursos de e-câmbio, mas, provavelmente é cedo demais para dizer que essas instituições estão desafiando os Deutsches, Barclays Capitals, JP Morgans e Citis do mundo. É claro, isso não quer dizer que nossa determinação de tempo estava um pouco por fora – 2012 poderia ser o ano...

Veredito: Perder ..........................................

Nos defrontamos com o “Gorila de 300 quilos” muito cedo no ano passado e previmos que o Tesouro dos EUA – e, portanto, o sistema regulamentar dos EUA, isentaria os forwards e swaps de câmbio – principalmente porque o setor corporativo dos EUA poderia fazer com custos de hedge maiores, como um furo na cabeça. Como as coisas viraram, o Tesouro dos EUA entregou uma recomendação para uma isenção e, embora haja um pouco de obscuridade ali, em geral os forwards e swaps de câmbio podem continuar a ser tratados como sempre foram.

Veredito: Atingir ..........................................

N

osso “Macaco de 200 quilos” – é claro que vimos recentemente um filme do Planeta dos Macacos – foram orçamentos de tecnologia no mundo do câmbio exterior. Os vimos sob pressão de meio a três quartos durante o ano. Infelizmente, com muito poucas exceções, estávamos certos – e os sinais para 2012 não foram, particularmente, encorajadores.

Veredito: Atingir ..........................................

V

oltando à analogia dos macacos para extensões ridículas, nosso “chimpanzé de 50 quilos” do ano passado foi a previsão de uma súbita mudança na nata em termos de bancos de e-câmbio. Previmos que os novos fornecedores teriam orçamento para gastar e, portanto, fariam um avanço real para a direção estabelecida para o grupo superior de bancos. De algumas formas, pode se argumentar que bancos como o

14 I Dez. 2011/Jan. 2012 I Profit & Loss I www.profit-loss.com

S

aindo (ainda bem) do planeta dos macacos, previmos uma nova abordagem para empresas de negócios de alta frequência, ou seja, bancos que as abraçam para seus próprios fins em suas próprias ECNs virtuais. Argumentamos que o HFT estava continuando a crescer em influência e que não seria mais vista como o vilão do câmbio. Nosso tempo pode ser um pouco oblíquo, mas dado o aumento da aceitação da parte dos bancos para interagir com o HFT (nos termos do banco, é claro) clamamos por um bom êxito.

Veredito: Atingir ..........................................

A

previsão de que as e-taxas em opções de câmbio iriam aumentar foi muito fácil de fazer e, de fato, provou-se verdadeira, especialmente se consideramos a aplicação regulamentar nesse produto. Também previmos que uma nova empresa poderia ser o alvo de uma rival maior procurando investir no mercado de opções de câmbio – e que operadores do portal multibancos procurariam aumentar sua influência dos mercados de dinheiro a derivativos de câmbio. Graças à State Street e à Digital Vega podemos considerar isto como realizado.

Veredito: Atingir ..........................................

A

o olhar para o aumento da renda e-fixa vemos o afastamento regulamentar das plataformas de banco único rumo


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Destaque

preenderíamos em escutar secretamente que as empresas estão gastando dinheiro para facilitar as restrições de capacidade. Por alguma razão, isso não é algo muito importante. O CLS Bank, por exemplo, testa rotineiramente os limites de sua capacidade, e por isso é parte de uma iniciativa da indústria de aumentar a capacidade no espaço pós-negócio. Nenhum de seus trabalhos estaria em andamento se a indústria não estivesse preocupada – e aqui estamos falando sobre os corretores principais, em particular – que podem atingir tetos de capacidade mais rápido do que se pensava. O volume de câmbio ainda parece estar em alta, mas os tamanhos de tickets estão diminuindo, definitivamente. Acrescente, além disso, um fluxo de ticket dos negócios de opções de câmbio conforme ele se torna eletrônico e os números de tickets (se, não necessariamente, valores de notação) crescem, e você terá a receita para um desafio de capacidade.

A pergunta do próximo ano pode não ser “você está ganhando dinheiro?”, mas sim “você está superando?”

a serviços relacionados ao SEF. Uma nuvem no horizonte foi a expulsão dos orçamentos, mas uma nuvem que não consideramos foi a ameaça de um colapso no mercado, como meio da zona do euro se balançar no limite do padrão. Avance alguns meses e, ao invés de gastar dinheiro no e-FI, muitos bancos estarão procurando escalar de volta sua presença em muitas áreas da indústria. Aqueles que ainda estão gastando dinheiro parecem estar focados no risco e na tecnologia de precificação. Em outras palavras, não temos certeza do quão bem estamos aqui, então os interesses da justiça...

mais pessoas veem a Ásia-Pacífico como o futuro motor de seus negócios, portanto...

Veredito: Perder ..........................................

P

revimos demanda para ferramentas de execução algorítmica ainda mais sofisticadas, conforme as empresas exigiam uma melhor execução. O aumento da flexibilidade foi a chave, na medida em que colocamos o controle nas mãos dos clientes. Muitos produtos foram lançados ao longo do ano e certos segmentos estão provando sua popularidade ao utilizar essas novas ferramentas. Talvez o principal motivo de darmos uma “agitada” em nós mesmos aqui seja que previmos que isso poderia acontecer bem no final do ano, ou mesmo no início de 2012. Ainda mais ferramentas estão sendo lançadas, e ainda mais clientes estão procurando a TWAP, VWAP ou tecnologias de execução mais sofisticadas.

Veredito: Atingir ..........................................

V

imos um aumento no foco na Ásia-Pacífico como uma região de crescimento. Em particular, a adoção pelo cliente do e-channel foi vista como um forte crescimento. De certa forma, esta previsão foi ofuscada pela crise da dívida europeia e o foco subsequente na precificação de clientes europeus, ou naqueles mais expostos na Europa. Isto posto,

Quão social você pode ser? As mídias sociais parecem ter um relacionamento paracomeça com o mercado de câmbio. Muitas iniciativas estão borbulhando muito bem, mas nenhuma arrebatou a imaginação. Em especial, as mídias sociais parecem ser usadas mais para propósitos de mídia do que para melhorar o relacionamento. Ainda não estamos certos sobre o impacto que uma mídia social terá no mercado de câmbio estrangeiro, principalmente devido a questões sobre como isso é controlado, mas realmente pensamos que 2012 será o ano em que descobriremos se isso tem ou não uma função maior a desempenhar.

Veredito: Atingir ..........................................

É

difícil julgar a próxima previsão, principalmente porque ela foi um pouco confusa! Previmos um claro delineamento do varejo e mercados profissionais, mas depois, gerenciado, de alguma forma, para se mover rumo à previsão de um excesso de câmaras de compensação, mas não câmbios oferecendo serviços disto. Se formos honestos, temos que dizer que as duas coisas, mesmo se elas não forem realmente relacionadas, estavam erradas. A mini crise de crédito como consequência do colapso global da MF viu fundos de hedge menores direcionados ao espaço do varejo para liquidez e oportunidades de negócios, borrando as linhas ainda mais e, quanto a haver muitas câmaras de compensação ao invés de câmbios...

Veredito: Perder ..........................................

N

ossa previsão final para 2011 foi que seria um bom ano para os fornecedores, na medida em que as pessoas procuraram entrar no jogo cedo e sem o esforço e o custo de desenvolver tecnologia própria. É difícil generalizar porque algumas empresas foram atingidas pela pressão do orçamento no segmento bancário, mas aqueles que estão indo bem no espaço do fornecedor, estão se saindo muito bem. Ultimamente, vimos o número de funções sendo criadas no espaço do fornecedor e pensamos que se parece com um crescimento (também queríamos terminar com uma observação culminante...)

Veredito: Atingir ..........................................

Resultado:

Atingir:

Perder:

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Destaque

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Um ou dois bancos estão procurando por iniciativas baseadas em mídias sociais e, obviamente, há um ou dois altos perfis de negócios que buscam aumentar o nível de interação, mas, como afirmamos, nada arrebatou a imaginação ainda. Os vencedores, neste espaço, serão o fornecedor que passou, com sucesso, pela linha tênue entre tornar as informações públicas demais e fornecer algo que as mídias sociais ainda têm que atingir – valor real agregado. É claro, para que os vencedores sejam decididos, temos que ver se o conceito tem fundamento – e que algo que previmos confidencialmente será evidente no final de 2012.

Dinheiro real se torna real Não podemos, e não iremos, comentar sobre os casos em andamento (no momento da escrita) nos EUA com relação a valores de execução de câmbio fornecidos a um número de fundos de dinheiro real pela BNY Mellon e a State Street. O debate sobre os acertos e erros dessas acusações continua, mas uma coisa que confiantemente esperamos que venha com este episódio lamentável é uma visão mais realista – e universal – do mercado de câmbio da parte dos verdadeiros gestores de dinheiro. Muitos já usam ferramentas de execução de algoritmos. Muitos continuam usando a adequadamente chamada “correção”, mas uma coisa sobre a qual estamos confiantes é que a grande maioria dos fundos de dinheiro real não dependerá mais de negócios de “instrução constante” para concluir seus negócios. Em outras palavras, o dinheiro real não se declarará mais da boca para fora para uma melhor execução. Para fazer isso, eles provavelmente escolherão decompor e analisar os pedidos maiores usando a gama de ferramentas de algoritmo disponível, e para tickets menores – o material que eles usaram não importa – eles insistirão em uma marcação de horário. A taxa atual na qual o negócio é executado pode não ser uma grande questão, especialmente em negócios de valor de referência pequenos, mas, quando for executado, será. Entendemos que muitos fundos estão relutantes em concordar com crescimentos fixos em certos negócios porque isso leva a negócios sendo executados verdadeiramente fora do intervalo do dia, mas a realidade é que eles também executam os negócios de modo ad hoc conforme eles chegam ou os agregam em casa até tal época em que a exposição seja um “valor de mercado” e eles sigam suas melhores regras de execução usuais. Uma coisa que eles provavelmente não farão mais é deixar qualquer coisa nas mãos do acaso – em outras palavras, o dinheiro real se tornará real e garantirá que ele atenda aos mais altos padrões profissionais em todos os aspectos de seus negócios.

A ascensão (e queda) do câmbio Eis uma chamada brava – não haverá mais câmbios em 2012!Antes que alguém alcance a caneta envenenada, essa não é, 16 I Dez. 2011/Jan. 2012 I Profit & Loss I www.profit-loss.com

de fato, a nossa previsão. Nossa previsão é que um número de câmbios, muitos dos quais estão em vias de serem lançados, emergirão em 2012 – e que um grande número deles desaparecerá, também rapidamente. É aceito na maioria dos círculos de câmbio que o mecanismo não é a panaceia para todas as dores do mundo –, mais que isso, é um mecanismo valioso para que certos participantes executem certos produtos. A pressa para lançar os câmbios que estamos vendo atualmente e que tende a continuar em 2012 não garante o sucesso.Todos os mercados nos dizem repetidamente “construa e eles virão” modus operandi não necessariamente terá sucesso. Mais especificamente, o mundo já tem um número de câmbios de muito sucesso, todos ligados a câmaras de compensação, que cobrem a maioria dos produtos e, importante, oferecem concorrência. O segundo ponto poderia ser crucial no sucesso ou não desses novos jogadores no espaço de câmbio, para considerar isso: Muito poucos produtos de negócios de câmbio neste meio e espaço de entrada fixa são negociados competitivamente. Para citar apenas três exemplos, a CME obteve sucesso em produtos que a ICE não obteve, e a Eurex tem suas próprias histórias de sucesso, assim como a ICE. Em outras palavras, o mecanismo de câmbio é tão transparente que não precisamos de uma outra camada de competição ali – ela já existe no nível da sala de trading. A história também nos diria que tornar os produtos mais baratos (ou mesmo gratuitos) para negociar por um período de tempo não necessariamente funciona, porque os fornecedores existentes podem competir facilmente. Isso significa que os novos participantes devem fazer algo totalmente diferente – e isso é um problema real em um ambiente onde o orgulho, por si só, é visto pelos regulamentadores como sendo o modelo ideal, porque oferece uma proposição de valor uniforme.

ECNs mini-virtuais Um mecanismo irmão (ou irmã) do câmbio é, claro, a ECN – e é aqui que oferecemos nossa opinião anual sobre o espaço de múltiplos participantes. Este ano é um pouco diferente, no entanto, porque diferentemente dos anos anteriores, não estamos prevendo a consolidação do espaço ECN, mas sim uma explosão nos números. Tudo isso soa bem para os futuros fornecedores da ECN no mundo, mas não deveria, porque nossos novos participantes são os bancos. Em outras palavras, desafiadores diretos do modelo perseguindo os mesmos clientes, mas com um incentivo adicional. Pegue um típico banco de primeiro nível. Ele está construindo sua própria mini ECN virtual como contraparte central. Neste mecanismo, os clientes podem escolher inserir lances e ofertas e interagir com outros clientes do tal banco. Isso significa que as


Bola de cristal 2012

firmas HFT podem ser abraçadas, ao invés de olhadas limitadamente com desdém e ódio, porque, é importante, elas serão cercadas em um ambiente que o banco opera apenas quando necessário. As firmas HFT estiveram observando por anos os portfólios de clientes, desejando que pudessem rompê-los. Agora elas podem – e, desta vez, enfrentamos um modelo que parece ser mutuamente proveitoso, motivo pelo qual pensamos que se tornará muito influente no próximo ano. Para clientes não HTF, há acesso a um fluxo com preço baixo nos valores básicos com os quais eles lidam frequentemente. Do mesmo modo, eles podem usar uma ferramenta de algoritmos para decompor e analisar um pedido maior em um período de tempo (embora dados os poderes de previsão de muitos programas de fabricação de mercado HFT, não necessariamente os recomendamos). Para as empresas HFT há acesso a um novo segmento de contrapartes, e para os bancos há um rendimento de taxa garantida (com o objetivo de ser o CCP), bem como a oportunidade de executar seu próprio risco contra o fluxo HFT. Importante para os bancos, eles não são expostos ao HFT em seu próprio fluxo. Bem-vindo a (para um banco, no mínimo) um câmbio exterior puro!

A nuvem Ok, então previmos que os cortes no orçamento continuarão no ano que vem, e isso torna o ambiente operacional mais difícil para todos. Em geral, a equipe da P&L tem um bom entendimento sobre o conceito de computação em nuvem (a exceção tem sua figura na capa e no final da revista), nela, eles veem o modelo para 2012 e depois. Estar apto a executar um negócio sem uma despesa de capital séria será um benefício real para os gerentes de negócios de câmbio e, enquanto não estamos sugerindo que tudo seja subcontratado para a nuvem, mesmo os maiores provedores de serviço da indústria de câmbio poderiam, provavelmente, se beneficiar de aspectos de seus negócios gerenciados para eles. Dada a importância de estar apto a diferenciar a si mesmo, especialmente em um ambiente cada vez mais regulado, o conceito de nuvem não permeará todos os aspectos dos negócios, mas estamos confiantes de que sua influência geral no segmento crescerá significativamente em 2012.

fiCc Mesmo em meio à crise financeira global, muitos bancos ainda acreditavam que os mercados de renda fixa recuperariam sua glória anterior, que eles voltariam a ser o “cachorro grande” do portfólio de negócios do banco e que os outros dois componentes do FICC, moedas e commodities, eram meros assuntos secundários. A realidade agora aparece para afetar diretamente, a percepção estava errada.

Destaque

Os mercados de renda fixa serão fortemente regulados. Eles exigirão uma limpeza obrigatória e a execução em instalações de execução de troca, o que significa que o custo dos negócios aumentará para os usuários finais e os bancos não terão a oportunidade de fazer receitas de negócios fora desses fluxos – do contrário, dependerão de taxas. E todos nós sabemos o que acontece com as taxas – apenas olhe para as taxas de corretagem principais de câmbio ao longo dos anos. Isso deixa os bancos com um dilema. Eles precisam reconstruir seus modelos de negócios pós GFC, mas os modelos não podem ser os mesmos que existiam antes da crise. A UBS já assinalou o que acreditamos que muitos bancos decidirão em seu modelo “de volta ao básico” – e, naquele modelo, o câmbio é o principal, se não o negócio principal. Infelizmente, ainda há um número de instituições Luddite que acreditam ser mais importante ser vistas, na verdade, ao fazer cortes no orçamento e na equipe, e essas pessoas estão perdendo algumas boas pessoas de câmbio. No fim, elas sofrerão, sem dúvida, por essa decisão. Há outras que são mais eficientes nesse processo; elas estão deixando escapar alguns sub-realizadores e, talvez, alguns próximos da idade de aposentadoria, mas em termos de eficiência de negócios geral e produtividade, estão bastante estáveis. Também há aqueles que estão desenvolvendo seus negócios de câmbio, na verdade, descartando o modelo FICC desacreditado e compreendendo que o câmbio é um negócio diferente. Em termos de negócios, isso é frequentemente designado como um contraciclo, no qual é bom quando outros negócios sofrem. Isso fez um hedge perfeito para os gerentes de negócios, por isso o FICC, mas o que acontece quando o nível geral de receitas cai assustadoramente devido a uma reestruturação dos mercados de renda fixa? O hedge perfeito não existe mais e a instituição é deixada com um negócio FICC abaixo do desempenho, que realmente precisa ser retirado deste sofrimento. Já previmos um atraso na implementação de alguns dos processos de reforma financeira, mas isso não deverá, e não irá, impedir que os bancos foquem novamente nos seus negócios em 2012. Em outras palavras, ao invés de sofrer juntamente com outros mercados financeiros em 2012, o câmbio deverá realmente crescer como uma indústria. Agora há uma observação otimista daqui para frente! www.profit-loss.com I Profit & Loss I Dez. 2011/Jan. 2012I 17


Sala de mercados

A corrida do câmbio

A corrida do câmbio

BM&FBovespa assina com a Cinnober para revitalizar as operações de compensação O câmbio brasileiro está revitalizando seus sistemas de compensação enquanto busca criar uma das maiores câmaras de compensação de fonte única do mundo.

O

câmbio brasileiro BM&FBovespa está fazendo parceria com a Cinnober, uma fornecedora de tecnologia sueca, para revitalizar seus sistemas de compensação enquanto busca criar uma das maiores câmaras de compensação de fonte única do mundo. A parceria é uma etapa fundamental nos planos do câmbio para criar uma operação de compensação sofisticada, capaz de calcular exposições a riscos nas classes de ativos em grandes volumes e em tempo real. O projeto conjunto irá reestruturar a tecnologia de pós-trade do câmbio, integrando quatro câmaras de compensação em uma única plataforma. Um sistema de compensação baseado na plataforma TradeExpress RealTime Clearing da Cinnober será fornecido para ações, derivativos, títulos do governo e câmbio local. “A TradeExpress RealTime Clearing será um instrumento importante para acelerar e aprimorar o projeto de integração das ações, derivativos, títulos e câmbio das quatro câmaras de compensação do câmbio”, afirma Cícero Vieira Neto, principal executivo operacional de compensação e depositário. “Um dos recursos mais importantes desse projeto é o sistema de Avaliação de Riscos de Liquidação, que permitirá a lucratividade com riscos entre diferentes classes de ativos e contratos, concedendo aos usuários dos sistemas de compensação do câmbio uma maior eficiência na alocação de capital”, acrescenta. O novo sistema irá introduzir contas de

PROFIT & LOSS

EVENTOS

garantia, liquidação de posições e instruções de ajustes com base na classe de ativos. O operador do câmbio planeja manter as contas no nível final do beneficiário, o que aumentará as 600 mil contas atuais para mais de 10 milhões, afirmam os executivos do câmbio. O projeto para a integração dos ambientes de pós-trade da BM&FBovespa continuará a ser desenvolvido em 2012, com testes de mercado integrado e o início da implementação com previsão para 2013. Como parte do acordo, a BM&FBovespa terá autonomia operacional sobre a nova plataforma de compensação e, no futuro, poderá comercializar com parceiros estratégicos. “Este é, até hoje, o projeto de compensação mais abrangente no mundo. E eu estou nesse mercado desde os anos 80”, afirma Nils-Robert Persson, diretor executivo da Cinnober. “O Brasil é o precursor nesse mercado em diversos sentidos. Enquanto busca melhorias, a União Europeia está olhando a fundo a regulamentação brasileira”, acrescenta ele.

Derivativos de balcão Em outro projeto de pós-trade, o câmbio fez parceria com a fornecedora de tecnologia Calypso Technology para usar o sistema Calypso para registrar e gerenciar suas operações de derivativos de balcão. O sistema Calypso gerencia o registro, a precificação, a avaliação de riscos e o ciclo de vida dos derivativos de balcão e produtos de grande valor. Os trades de derivativos de balcão no

Brasil precisam ser oficialmente registradas, seja com o câmbio ou com o depositário brasileiro, CETIP, para que o órgão regulador nacional, – a Comissão de Valores Mobiliários – e os participantes do mercado tenham visibilidade sobre a exposição geral dos derivativos e sobre o valor de mercado intradiário de cada trade. O sistema Calypso será implementado para proporcionar uma valorização para uma ampla variedade de derivativos de balcão, garantindo que cada trade atenda aos parâmetros predefinidos estipulados pela BM&FBovespa. “Com a plataforma Calypso, a BM&FBovespa pretende modernizar, aprimorar e expandir seu serviço de registro de operações de balcão, oferecendo qualidade e agilidade a seus clientes, além de instrumentos de análise completos para atividades regulamentares e de autorregulamentação”, afirma Marcelo Maziero, principal executivo de produtos e clientes no câmbio. A BM&FBovespa e a Calypso Technology irão concluir a implementação da primeira fase da plataforma em 2012, o que permitirá o registro de contratos de bancos com seus clientes não financeiros como contraparte. A implementação da fase dois para o registro de contratos de outras contrapartes e compensação de derivativos de balcão está prevista para ser concluída no primeiro trimestre de 2013. A fase três irá fornecer serviços de gerenciamento colaterais para mitigação de riscos bilaterais com uma data de implementação a ser anunciada futuramente.

2012 www.profit-loss.com

18 I Dez. 2011/Jan. 2012 I Profit & Loss I www.profit-loss.com


Há 10 anos

Sala de mercados

Há alguns anos na Profit & Loss Manchetes de janeiro de 2002 A função de vendas e trading a edição de janeiro de 2002 da Profit & Loss, nós dissemos: “No atual ambiente de avanço tecnológico, uma outra pergunta pode ser feita: Onde fica o papel da equipe de vendas e trading nos mercados atuais?”. Na época, o sentimento prevalecente era de tristeza, o aumento do desemprego era visto como inevitável. Mas havia também algumas sérias razões para se ter otimismo. Em vez de um declínio em estado terminal, o artigo e a pesquisa anexa constataram que era mais provável que as pessoas se especializassem novamente, em vez de sair do mercado. Sabia-se que o papel do spot trader mudaria irrevogavelmente – mais do que um criador de preços, o novo operador local se tornaria aquilo que ficou conhecido como “especialista em execução”. No lado das vendas dos negócios, a demanda, como sempre, era forte, com diversos consultores de recrutamento observando que os bons comerciantes valiam ouro, dada a nova demanda por parte dos bancos na participação do mercado. Um comerciante com um bom portfólio de clientes era visto por muitos como apto a determinar seus preços. De modo geral, portanto não uma perspectiva ruim, a barganha que se observou é que mesmo se o papel tradicional desaparecesse, o trader de câmbio tinha mais opções de carreira do que antes, incluindo oportunidades no lado do comprador e com fornecedores de tecnologia. Em outras palavras – e isso não mudou – as pessoas do câmbio eram altamente especializadas, flexíveis e capazes de se adaptar às condições em mudança.

as políticas. “No fim das contas”, estava declarado. “Não há um manual para orientar a decisão de intervir, pois as circunstâncias individuais são de fato individuais. No ambiente atual, parece haver uma preocupação de que o setor mensurável do mercado ainda acredite que os EUA possuem uma política popular de “grande demais para dar errado”. A administração atual tem muito o que considerar antes de decidir sobre uma política como essa de forma alguma o governo está forte, graças à controvérsia que acompanha essa eleição e portanto, é preciso ponderar o impacto no eleitorado. Se parecer que eles estão encorajando (em vez de liderando o resgate de) uma instituição financeira importante, o impacto no eleitorado poderia ser crítico para 2004 (sem falar do voto do Congresso em 2002). Nessas circunstâncias, o apoio a uma política “grande demais para dar errado” é provável.” Assim, esse é um governo sobre pressão e preocupado mais com sua reeleição do que com a integridade da política.Preocupante, não é? Mais preocupante foi a próxima observação. “Há riscos demais envolvendo uma aceitação cega de que determinadas instituições são “à prova de fogo”. Os gerentes de risco irão afirmar unanimemente que suas políticas estão dando conta de tais eventualidades, mas o mesmo argumento já foi ouvido antes da LTCM. Enquanto isso, permanece o risco de uma abordagem casual demais para o gerenciamento de riscos, em um momento em que os resultados estão sendo espremidos, confiados principalmente pela crença no “grande demais para dar errado”. Agora estamos realmente preocupados...

Nós já não estivemos aqui antes?

A mudança da Volbroker

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ssim como a atual geração de políticos, as autoridades e os participantes do mercado discutem sobre os diversos argumentos a respeito do “grande demais para dar errado”. Vale a pena notar que a questão não é nova, há 10 anos, como parte de uma revisão de um documento do Banco de Compensações Internacionais (BIS) sobre o colapso do LTCM, a P&L levantou alguns pontos interessantes. Alguns misteriosamente familiares. O documento não podia decidir se a intervenção da Reserva Federal de resgatar a LTCM era boa ou ruim, embora observasse que não apenas havia uma política “grande demais para dar errado” em vigor no momento da crise, mas que também estava fortalecida como resultado dessa resolução, com custos mais altos e benefícios menores do que se pensava na época. Ao debater o que era certo e errado na questão com os participantes do mercado, observou-se que se tratava de todas

avia muito interesse nas fortunas da Volbroker quando ela foi lançada como um dos, se não o, primeiro portal de trading on-line de câmbio. Mas aqueles esperando por um admirável mundo novo tiveram uma dose de realidade quando a Icap anunciou que estava para integrar seus negócios de opções de moeda, TFS-Icap, com a Volbroker. O acordo, que viu a Icap tirar as mãos da Volbroker do consórcio (um precursor de uma negociação semelhante alguns anos depois sobre a EBS) prometia criar um consórcio de corretagem entre negociantes que combinasse os pontos fortes da liquidez negociada com uma plataforma eletrônica. Em outras palavras, o “novo” negócio da Volbroker, que seria dirigido por Mike Liebowitz, tornou-se outra operação de corretagem híbrida no espaço de opções do câmbio. Como sabemos agora, ainda levaria mais 10 anos (pelo menos) antes que as opções de câmbio on-line começassem a ganhar velocidade novamente. www.profit-loss.com I Profit & Loss I Dez. 2011/Jan. 2012 I 19


Mercados digitais

O que há de novo?

DealHub lança hosting de proximidade para soluções de trading com latência ultrabaixa

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mento, além de inteligência de negócios DealHub (Option Computers Ltd) em tempo real. afirma que suas soluções de trad“Dado o foco atual na preparação para ing de e-câmbio de latência ultraas novas regulamentações em 2012, a baixa agora estão disponíveis como DealHub está observando uma forte serviços hospedados nos datacenters da demanda por suas soluções de relatórios de Equinix, em Londres e Nova York, onde regulamentação, oferecendo roteamento foram posicionadas em conjunto com os inteligente para contrapartes centrais e principais participantes do mercado de repositórios de dados swap por meio de câmbio. uma única conexão com o ambiente A DealHub já está hospedando serviços hospedado”, afirma a empresa. de trading em tempo real para clientes Peter Kriskinans Em outra notícia, a DealHub confirma em Londres, com mais serviços de eque realizou contratações de gerenciamencommerce a serem lançados em Nova to de produto e vendas para seu novo York, para camada um e bancos regionescritório em Cingapura. ais, nas próximas semanas. A empresa afirma que está abrindo um “Para nossos clientes, a velocidade sigescritório em Cingapura para suportar a nifica lucro, e sua agilidade é fundamendemanda por seus serviços de trading de tal para conseguir novos negócios”, afircâmbio na região. ma Peter Kriskinans, CEO, DealHub. Essa ação irá marcar o retorno de Tim “Agora podemos oferecer nosso conjunto Finch, que saiu da empresa de Londres em completo de recursos de trading flexíveis abril para assumir o cargo de diretor de e de latência ultrabaixa, em uma solução vendas na FXCM Pro, em Hong Kong. completamente hospedada e de rápido Kriskinans afirma: “A Ásia apresenta o lançamento no mercado, que compete maior crescimento no momento – na com os melhores serviços de camada um Tim Finch economia global e no mercado de câmbio anunciados. Isso é uma oportunidade – e nós estamos observando um interesse incrivelmente emocionante para que crescente em nossas soluções pelos organizações ambiciosas alcancem o clientes na região. Como resultado, está se parâmetro de seus maiores concorrentes – tornando cada vez mais claro que precom uma necessidade de integração mínicisamos expandir nossa presença física na Ásia-Pacífico – e ma e nenhum custo de capital inicial.” eu estou feliz por termos convencido Tim a fazer parte da Os serviços da DealHub são hospedados nos datacenters equipe novamente e a liderar essa parte fundamental de nossa LD4 (Londres) e NY4 (Nova York) da Equinix e estão posiestratégia de crescimento”. cionados em conjunto com muitos participantes e locais de Finch, ex-diretor de vendas e marketing da DealHub, afirexecução do mercado de câmbio. As conexões cruzadas direma: “Estou muito feliz por voltar para a equipe nesta importas desses tante função – as oportunidades na região são enormes e o participantes e locais para os serviços da DealHub represenroteiro da DealHub para 2012 está bastante forte”. tam a maior velocidade possível da execução e da precifiFinch será responsável pela organização do escritório e cação, segundo a empresa. A conexão dedicada de alta velociserá acompanhado por Jay Lim, que irá liderar o desenvolvidade de Londres para Nova York da DealHub minimiza a mento de produtos e negócios na região. Lim já teve cargos latência entre regiões, e os planos de replicar os serviços na Ásia criarão uma conectividade global de velocidade ultra-alta seniores em vendas, trading e e-commerce no ABN Amro e em outras empresas na Ásia-Pacífico, e atualmente é consulpara todos os clientes, afirma a DealHub. tor técnico da China Foreign Exchange Trade System Com preocupações sobre a confiabilidade e a segurança (CFETS). Ele irá se concentrar no desenvolvimento de para bancos que buscam soluções hospedadas, a DealHub serviços de e-commerce da DealHub para a crescente região oferece redundância em tempo real em cada datacenter e recuda Ásia. peração de desastres entre regiões. Para completar a nova equipe de gerenciamento na Ásia, O investimento nas instalações de hospedagem de alto Oliver Cronin da DealHub será realocado da Nova Zelândia desempenho permite que a DealHub ofereça sua linha de para Cingapura, continuando com sua função de diretor de serviços pré e pós-trade em um ambiente totalmente gerenciaserviços de clientes para a Ásia-Pacífico. do. Isso inclui processamento direto e serviços de arquiva-

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Voz dos mercados

Mercados digitais

Voz dos mercados Phil Weisberg, presidente, FXall

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os últimos anos, os mercados financeiros foram atacados pela reforma regulamentar, pela volatilidade do mercado e pela necessidade de restaurar a confiança dos investidores. Embora o mercado de câmbio tenha permanecido relativamente estável e altamente liquido durante a crise financeira, suas conse-quências impactaram o setor de câmbio. No atual e novo ambiente, os investidores e reguladores estão colocando uma grande ênfase na necessidade de que os participantes do mercado demonstrem práticas de execução bem pensadas para o trading de câmbio, para uma melhoria na saúde, segurança, justiça e estabilidade dos mercados. Cada vez mais espera-se que os participantes avaliem cuidadosamente qual método de execução melhor se adapta a seu determinado objetivo de trading, para implementar sua política de execução com sucesso e garantir que ela seja mensurada e relatada de maneira eficaz. Obviamente, um pré-requisito importante para as políticas de execução bem pensadas dos funcionários que correspondem aos objetivos de trading é o acesso e a capacidade de selecionar uma opção de mecanismo de execução, incluindo a solicitação para sistemas de cotação (RFQ), trading de portfólio ou colaborativo, ou registros de pedido de limite central. No último ano, “opção” e “flexibilidade” foram temas recorrentes nas discussões de determinadas iniciativas regulamentares impactando o mercado de câmbio, como as propostas para as instalações de execução de swap (SEFs) nos EUA e instalações de trading organizado (OTFs) na Europa. As propostas MiFID II/MiFIR da Comissão Europeia recomendam uma abordagem flexível para a execução em OTFs e, se aprovadas pelo Conselho e o Parlamento Europeu, irão proporcionar discrição dos participantes do mercado sobre sua opção de metodologia de execução. Por outro lado, as regras SEF propostas pelo CFTC nos EUA não permitem essa flexibilidade. Em vez disso, as propostas CFTC que proíbem o trading por voz possuem um requisito imperceptível para que as SEFs empreguem um registro de pedido e autorizem que todas as SEFs exijam que um usuário coloque no mínimo cinco solicitações de cotações (RFQs) antes de executar um trade. Permanecemos fortes na defesa da escolha, devido a uma prioridade dos participantes do mercado e, como tal, temos como objetivo fornecer a nossos clientes uma variedade de mecanismos de execução para atender às necessidades e objetivos de trading – que podem incluir uma execução rápida dos trades, combinação de marcações de terceiros, redução dos custos de transação ou minimização do impacto no mercado. Defendemos uma “política de execução bem pensada”, que se refere a determinadas medidas que os participantes de mercado podem usar para avaliar suas políticas de execução. Além de ter acesso a uma variedade de métodos de execução, essas medidas incluem:

Gerenciamento de risco Avaliar as exposições de risco e verificar de onde surgem esses riscos. Isso garante que os participantes compreendam qual proporção de seu portfólio é impactada pela exposição à moeda estrangeira e os possíveis custos ocultos que podem estar sendo cobrados. Quando os participantes do mercado pensam em câmbio e risco, eles normalmente pensam em risco político, econômico e de pagamento. A maioria deles pode ser categorizada como um risco externo sobre os quais os participantes possuem pouca influência ou controle. No entanto, o “risco de execução” é começar a desenvolver um perfil mais alto no setor.

Processos de fluxo de trabalho eficientes Fazer uma avaliação da eficiência do processo de fluxo de trabalho. A execução de trade eficaz pode eliminar riscos operacionais desnecessários e resultar em economias de custo para investidores, enquanto os procedimentos de fluxo de trabalho eficazes permitem que os participantes mantenham controle operacional e supervisionem a compensação do câmbio. Os procedimentos de fluxo de trabalho eficientes permitem que as empresas gerenciem por expectativa e aproveitem os processos de controle, fornecendo a oportunidade de concentrar-se nas principais estratégias de negócios sem a distração de processos manuais.

Medição de desempenho Medir o desempenho continuamente. A métrica permite que os participantes de mercado demonstrem que obtiveram a melhor execução e tenham os dados para suportar suas decisões de execução. Além disso, a análise da qualidade da execução é essencial para destacar as oportunidades para melhorar as estratégias de trading de câmbio. Muitos participantes já definiram as medidas apropriadas para estabelecer processos bem pensados, definir as melhores metas de execução e implementar procedimentos para obter e medir seu desempenho. Por sua vez, isso irá garantir um maior controle das transações de câmbio e, mais importante, ajudará a satisfazer as demandas de reguladores, criadores de políticas e investidores finais. Por tanto, os reguladores devem manter flexibilidade e optar pelos participantes de mercado, já que são os pré-requisitos para obter uma execução eficaz dos trades de câmbio. www.profit-loss.com I Profit & Loss I Dez. 2011/Jan. 2012 I 21


Mercados digitais

Plataformas de trading em 2012

Em um bom lugar? Plataformas de trading em 2012 Há um senso de satisfação entre os fornecedores de plataformas multiparticipantes de trading, enquanto os volumes crescem e a SEF torna-se parte do léxico do mercado. Colin Lambert pergunta, o que vem depois dessas plataformas e o senso de satisfação é justificado?

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mbora as novas plataformas sejam comentadas quase que mensalmente, e os fornecedores de tecnologias continuem a circular no mercado de câmbio estrangeiro, ponderando uma ação para adicionar à lista aparentemente infinita de provedores de plataforma de câmbio, há um senso comum de que o mercado está se estabilizando. Isso pode ser, em parte, devido à relativa história de sucesso que se tornaram as plataformas multiparticipantes, além do senso de crescimento de que o mundo regulamentar, aliado às preferências do usuário final, está conduzindo o mundo em direção a seu modelo. Isso não significa afirmar que o modelo de banco único irá acabar. Enquanto os usuários finais quiserem evitar alguns dos custos onerosos antecipados no novo regime regulamentar, e enquanto o crédito permanecer um conceito relativamente elusivo para muitos dos clientes menores, o modelo de um único banco permanecerá forte. Há, porém, como foi referido nessas páginas há alguns meses (Profit & Loss, setembro de 2011), um grande vazio nos círculos bancários, o que contrasta bastante com o otimismo sendo exibido entre os provedores de plataformas multiparticipantes. É difícil identificar por que esse contraste de humores existe, pois parece que estamos olhando para um evento circunstancial, e que ambos os setores estão indo bem. Isso ignora, no entanto, os diferentes modelos de receita – plataformas geram dinheiro com o turnover, bancos de margem – e que, talvez, seja de onde emanam os diferentes humores. Ao olhar para o mundo de multiparticipantes, uma estimativa aproximada do volume de crescimento entre 2007 e 2010 nas seis principais plataformas (CME Group, EBS, FXall, Knight Hotspot, State Street eExchange e Thomson Reuters) mostra um crescimento de 15% na região. Dentro desse grupo há fortunas variadas, mas vale a pena observar que a maior porcentagem de crescimento é proveniente do CME Group, que cresceu um pouco mais que 85% nesse período e (circunstancialmente, porque não publicou valores em 2007), a Knight Hotspot FX, que a Profit & Loss estima um crescimento observado em uma

22 I Dez. 2011/Jan. 2012 I Profit & Loss I www.profit-loss.com

porcentagem semelhante. Ambas as plataformas são altamente associadas com a comunidade de trading profissional, que entrou no mercado de câmbio principalmente nos últimos quatro ou cinco anos, particularmente a comunidade de alta frequência. O crescimento em outros locais já foi mais estável. Os dados da FXall mostram que a plataforma observou um crescimento de turnover médio diário de um pouco menos de 13% de 2007 para 2010. A Profit & Loss estima que os negócios Currenex/FX Connect combinados, nesse setor da eExchange observaram um crescimento de volume de cerca de 18% a mais no mesmo período, enquanto a Thomson Reuters Matching, novamente, circunstancialmente, observou um crescimento de cerca de 15%. A EBS da Icap é a única plataforma a observar um declínio de volume médio diário de 2007 a 2010, embora de longe ele tenha vindo da base mais alta, e a plataforma tenha sido particularmente derrubada pelo crescimento da internalização de bancos em suas moedas principais. Desde 2010, todas as plataformas estão reportando números de volume significativamente mais altos, tanto publicamente quanto circunstancialmente. Com um crescimento de cerca de 15% no período, as plataformas multiparticipantes não estão acompanhando bem o crescimento geral no mercado. A pesquisa do BIS registrou uma fração menor de 20% de crescimento em suas pesquisas de abril de 2007 a abril de 2010. De maneira mais permanente, como muitos dos negócios dessas plataformas estão no câmbio local, elas ficaram 48% atrás no crescimento no turnover do local, observado pelo BIS. As fontes de mercado sugerem que muito do crescimento pode ser atribuído ao fluxo dos negócios em direção às plataformas de banco único – especialmente em períodos de extrema tensão no mercado, bem como à influência do crescimento de uma segunda camada de plataformas de trading abaixo do que pode ser chamado de “grande seis”, oferecendo serviços ao crescente varejo e ao pequeno espaço institucional. As plataformas, como a 360T, Baxter e muitas das que foram vistas como varejo e pequenos locais institucionais, aparentemente observaram um volume de crescimento, mas não há dados reais ou circunstanciais disponíveis. Diversas fontes de mercado acreditam que uma relutância em tornar público os valores de turnover indica uma falta de confiança na eficácia da atividade em uma plataforma. Outros possuem uma visão mais generosa de que as plataformas estão esperando alcançar um limite para que publiquem os valores. Claramente, as plataformas de varejo estiveram no caminho nos últimos anos, contribuindo para o senso geral de bons tempos no mercado da plataforma. O crescimento no volume das plataformas de bancos parece voar na frente do sentimento de depressão que prevalece nos círculos bancários, mas como os dados recentes indicam, em vez da extrema volatilidade no terceiro trimestre de 2011, muitos bancos observaram as receitas de câmbio decaírem. “Os volumes subiram, mas não são ‘bons’ volumes”,


Plataformas de trading em 2012

explica um trader de e-câmbio sênior em Londres. “Mais e mais de nossos clientes estão nos agregando ou usando algoritmos de execução. Ambos os métodos melhoram a eficiência da execução, mas isso não é boa notícia para os bancos, porque significa que você está lidando com margens reduzidas, inexistentes”. A agregação certamente está se tornando mais popular, conforme observado pelos diferentes modelos disponíveis no mercado. O mais popular com os bancos – se popular é uma palavra que se pode associar a esta tecnologia – são aqueles em que os clientes permanecem “visíveis”. A agregação anônima por meio de um corretor de primeira linha está sendo removida e a precificação ajustada de acordo, segundo afirmam diversas fontes de bancos.

Concorrência Em resposta ao desafio duplo dos clientes que desejam fazer transações com ECNs ou outras plataformas multiparticipantes, ou de outra forma, agregar o fluxo do banco, diversos bancos estão desenvolvendo um mecanismo rival, que esperam atrair clientes para longe das ECNs, principalmente. Ao estabelecer quase ECNs em suas plataformas de banco único, esses bancos estão esperando elevar ainda mais os níveis de internalização, especialmente em mais pares de moedas, e também para segregar suas bases de clientes. Como observou um banqueiro: ”Efetivamente, os ECNs de banco fragmentam o mercado ainda mais”. As dúvidas sobre o futuro da plataforma de banco único no correio Dodd-Frank resultou de fato em uma nova plataforma sendo sugerida – o chamado projeto Pure FX. Isso teria sido, e de fato ainda pode ser, já que o projeto foi apenas colocado em espera, e não descartado, um desafio direto às plataformas multiparticipantes, mas agora os bancos parecem estar seguindo uma abordagem mais sutil. “Se as ECNs acham que os bancos estabelecerem seus próprios mecanismos não é uma ameaça a seus negócios, eles estão se iludindo”, afirma um gerente de corretagem de primeira linha sênior na América do Norte. “Esses mecanismos correspondentes são um desafio direto às ECNs e provavelmente serão bem-sucedidos porque permitem que qualquer cliente do banco participe. O problema com o que é parece ser um local de banco único é que é exclusivo – e não se mantém no ambiente atual. Com permissão para que todos os clientes precifiquem e executem no ECN banco, essa preocupação é jogada pela janela. “Os clientes agora possuem uma escolha ainda maior de locais, se quiserem executar em um ambiente de registro de pedido”, continua o gerente de corretagem principal. “nos ECNs do banco, eles estão pagando apenas uma taxa – e é a taxa de corretagem de primeira linha que normalmente é mais barata que as taxas de corretagem em um ECN, e, obviamente, eles ainda precisam pagar a taxa de corretagem principal.” Então o aumento de ECNs do banco preocupa os fornecedores de plataformas multiparticipantes? Bom, não publicamente, embora muitos admitam que suas preocupações são aliviadas apenas pelo pensamento de que os clientes ainda

Mercados digitais

querem escolher e estão relutantes em empurrar muitos negócios por alguns canais de banco. “Se mais bancos desenvolvessem um modelo de ECN puro para suas plataformas, e permitissem que mercados de alta frequência precificassem para sua base de clientes com capital real, esse seria um problema real”, admite um gerente sênior em uma plataforma multiparticipantes. Outros, no entanto, veem um lado bom nos ECNs do banco. “Esses mecanismos correspondentes são a resposta dos bancos ao fluxo tóxico”, argumenta um comerciante sênior em outra plataforma multiparticipantes. “Lembre-se de que os bancos não estão precificando esses locais, e sim confiando em seus clientes e empresas HFT. Assim, se a HFT for para esse lado, e alguns dos clientes mais agressivos ou sofisticados preferirem esse mecanismo, os bancos podem se sentir mais confortáveis nas plataformas públicas porque terão “barrado” seu fluxo tóxico. Afinal, os bancos precisam de um local para executar seus negócios. “Nós podemos acabar com as plataformas públicas sendo um local mais puro para os bancos”, acrescenta um comerciante, sem ironizar.

Convergência Alguns analistas de mercado classificam o senso relativo de satisfação entre os fornecedores de plataformas multiparticipantes como o que eles observam como uma convergência nos modelos. “Cada portal multibancos ou ECN começou a ter como meta um determinado segmento ou grupo de clientes, e então, como cada um deles se saiu bem, uns começaram a copiar os outros, o que significa que todos estão apresentando crescimento nos valores dos clientes”, observa um gerente sênior em uma das plataformas. “Não há nada errado nisso, embora alguns dos últimos membros pareçam não querer inovar nem um pouco, e parecem estar contentes em copiar um modelo existente”. Essa convergência ocorreu parcialmente por meio da aquisição – por exemplo, a junção da Currenex e FX Connect e, depois da FXall e LavaFX se uniram para criar modelos semelhantes – e parcialmente por causa da necessidade de continuar a crescer entre os limites e segmentos dos clientes. O modelo ECN puro, conforme exibido pela EBS da Icap e Knight Hotspot FX, são exemplos disso. O modelo não mudou em termos de como os participantes de comportam, no entanto, com o advento de serviços, como EBS Prime, e o crescimento na corretagem de primeira linha geral, ambos estão aptos a atraírem participantes de fora do espaço ECN tradicional. Corporações, por exemplo, estão cada vez mais usando a corretagem de primeira linha para lidar com fluxos diários em ECNs, especialmente quando há discrição na execução. A Thomson Reuters Matching também faz parte desse time, embora a empresa não tenha a vantagem de uma ampla presença física, algo que ajudou a aumentar os volumes enquanto os mercados de desenvolvimento se tornavam cada vez mais populares durante a crise financeira global. A Thomson Reuters também possui diversos modelos diferentes operando nesse setor, o que fornece uma opção para os clientes, embora haja www.profit-loss.com I Profit & Loss I Dez. 2011/Jan. 2012 I 23


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Voz dos mercados

um desapontamento de alguns participantes, incluindo os proprietários da empresa, de que a divisão da Reuters como um todo não explorou a oportunidade apresentada integralmente. Fontes sugerem que isso, em parte, esteja por trás da reorganização dos negócios de vendas e trading da empresa (consulte a história relacionada nesta edição). Provavelmente, a plataforma que enfrentou as maiores mudanças é a EBS, e que tem pouco a fazer com o modelo, em vez de impactar circunstâncias mais amplas. Claramente, como a maior plataforma no setor tinha a obrigação de ser atrativa para os traders automatizados e que comprovou ser o ponto. Mais de um trader do banco nos últimos dois anos afirmou para a Profit & Loss que “queria que pudessem colocar uma tampa na EBS Prime”, que foi lançada na propriedade do banco. Como a análise dos volumes da EBS se moveu inexoravelmente para 50-50 entre traders manuais e automatizados, o desafio suposto que isso representava cresceu. Na realidade, o desafio real para a EBS era que ela não poderia fazer nada – internalização. Com a força real nas moedas do G3 (dólar americano, euro e iene), a plataforma seria sempre impactada, como parece ter sido o caso. A EBS, no entanto, está se recuperando em termos de turnover, e está fazendo isso graças ao advento de novos produtos, mas também devido à convergência com a Matching. Duas grandes áreas de crescimento para a plataforma estão no exterior no Yuan chinês (CNH) e no Rublo russo – áreas que, historicamente, teriam esperado que a Thomson Reuters prosperasse (o segundo, obviamente, também está se saindo bem nesses pares de moedas). A EBS também está tendo uma abordagem mais ampla para superar o desafio de volumes menores em seus pares de moedas principais, ao ampliar as melhorias para ambos os traders, manuais e automatizados. Por mais controverso que possa ser – e o júri ainda não decidiu se é algo bom ou não para a maior parte do setor, a quinta casa decimal está se provando popular entre os traders automatizados. Um participante HFT recentemente contou à Profit & Loss que a quinta casa decimal significava a “vitória sobre o sentimento de realidade”, em que “o mundo está sendo automatizado, quer as pessoas gostem ou não”. A expansão da EBS da partida contínua preenche uma lacuna muito importante para os traders manuais, permitindo que maiores volumes de chamadas sejam executados. Isso é, de fato, a resposta da Icap à Pure FX, embora haja aqueles no lado do comprador que acreditem que deveriam ter acesso, e não só os bancos.

Uma visão adiante Apesar do possível desafio de ECNs do banco, o mundo da plataforma multiparticipante pode provavelmente ficar contente com seu desempenho. Em todos os locais, os números dos volumes estão subindo e há novos membros, como a Bloomberg, enquanto fazem um pouco de barulho, ainda não estão executando números o suficiente para se preocuparem com o “grande seis”. Diversos participantes veem a entrada da Bloomberg como a da CME e Hotspot, no sentido de que atrai novos parti24 I Dez. 2011/Jan. 2012 I Profit & Loss I www.profit-loss.com

cipantes para o mercado. “É improvável que os participantes existentes vejam algo novo, ou particularmente atrativo no modelo Bloomberg”, argumenta um e-trader sênior. “Mas se eu sou um cara de renda fixa, por exemplo, e sou novo no câmbio, irei com o que sei que é melhor”. Para os locais existentes, as necessidades de crescimento virão de uma mistura de novas moedas. Permanece um enorme otimismo sobre a China e a Rússia, em particular – novas geografias e mais interesse dos clientes existentes. Todas as três áreas representam um desafio. Há diversas empresas buscando novas moedas, e é improvável que os níveis de crescimento nessas moedas sejam suficientes para que tudo ocorra. Enquanto o artigo está sendo escrito, as fontes de mercado estão vendo os gigantes tradicionais na EBS e Thomson Reuters vencendo essa corrida. As novas geografias também aumentam os problemas em termos de infraestrutura de tecnologia e custos associados à operação em áreas remotas. Novamente, os analistas do mercado observam desafios para a maioria das empresas, com exceção da Thomson Reuters. “Dois fornecedores diferentes estão em mercados emergentes há anos”, afirma o trader de e-câmbio. “Os bancos e a Reuters. As pessoas lá vão com o que conhecem, o que significa que os outros participantes estão lutando pelos restos”. O terceiro desafio, maior atividade dos clientes existentes, é ainda mais problemático, mas pelo menos se estende por duas linhas. Em geral, os clientes do lado do comprador parecem relutantes em mudar para as plataformas multiparticipantes. Parcialmente, porque já passaram por um exaustivo processo antes de selecionar a plataforma que se adequava melhor às suas necessidades, e também porque há um custo significativo para ligar os dois locais. Uma recuperação econômica global veria a atividade do cliente aumentar em todas as chances, mas isso permanece elusivo. No entanto, uma outra direção poderia ajudar plataformas multiparticipantes – a tecnologia. “Mais clientes estão usando algoritmos de execução, proprietários ou fornecidos pelo banco”, observa o trader de e-câmbio. “E os algoritmos são agnósticos em relação ao local em que executam. Isso significa que o dinheiro real pode, de certo modo, ser executado em uma ECN ou em locais mais tradicionais”. Isso sugere que os fornecedores com relacionamento e modelos de ECN terão sucesso, mas o modelo de ECN puro também terá. É provável que os bons tempos continuarão para as plataformas multiparticipantes – de fato, é pertinente que a FXall tenha escolhido o atual ambiente para lançar sua IPO (Profit & Loss, setembro de 2011) e que a 360T continue a ser vista como “em oferta”, como colocado por um analista de mercado. É difícil encontrar um fornecedor de plataforma que não seja otimista no ambiente atual, mas assim, como um banqueiro argumenta, isso é inevitável. “Estamos em uma era do trading “batata quente”, em que ninguém quer manter uma posição”, afirmam os banqueiros. “A qualquer momento, as pessoas estão insatisfeitas com os riscos de warehousing, e as plataformas de trading se sairão bem”.


HFT no Brasil

Mercados digitais

HFT no Brasil - O próximo grande acontecimento? O trading de alta frequência no Brasil está aumentando em termos de popularidade e número de participantes, apesar das diversas barreiras para entrar no mercado, segundo um novo relatório. Alice Attwood dá uma olhada.

E

m um recente relatório da empresa de pesquisa financeira, Aite Group, o trading de alta frequência (HTF) na América Latina, especificamente no Brasil, está avançando como um mercado em rápido crescimento, um ponto especialmente suportado pelo desempenho elevado do Brasil no mercado de câmbio estrangeiro em termos de receitas e atividade de trading, bem como em comparação com as ofertas de outros países emergentes. O relatório, High Frequency Trading in Latin America: Brazil Blazes the Way, escrito por Danielle Tierney, declara que o Brasil, apesar de passar por dificuldades em 2011, ainda é um mercado interessante para se operar. O sucesso do mercado de câmbio estrangeiro no Brasil foi solidificado ainda mais pela fusão da bolsa de valores brasileira e o câmbio de derivativos, Bovespa e BM&F respectivamente, durante 2007 e 2008. Aite descreve a fusão como uma “iniciativa estratégica para promover o mercado de ações e derivativos, começando o processo

de transformá-lo gradualmente em uma estrutura mais semelhante a seus colegas de mercado desenvolvidos”. Desde o começo da parceria, a recém-criada BM&FBovespa (BVMF) começou a implementar sistemas e técnicas já adotados em locais de trading bem-sucedidos no mundo todo. No entanto, embora pareça ser um mercado lucrativo para o trading, ao considerar, por exemplo, a implementação de técnicas e tecnologia de trading testadas, os possíveis investidores também devem consi-derar o fato de que algumas barreiras ainda existem no trading no Brasil.

Uma área de crescimento? Na última década, os mercados de capital em países emergentes continuou a atrair a atenção de novos investidores, enquanto eles continuavam a registrar volumes de trading www.profit-loss.com I Profit & Loss I Dez. 2011/Jan. 2012 I 25


Mercados digitais

HFT no Brasil

mais altos e implementavam as últimas tecnologias. O relatório sugere que muitos desses mercados emergentes, encontrados na Europa oriental, sul e sudeste da Ásia, Oriente Médio, África e América Latina, agora “elevaram-se como performers de destaque devido aos altos níveis de crescimento econômico e convidando cada vez mais ambientes de investimento”. Enquanto esses mercados podem parecer convidativos, parece que a expansão não irá resultar automaticamente na penetração total do mercado, pois ainda é necessário um alto conhecimento e atividade de trading. Uma maneira de fazer isso é tornar-se ativo em uma maior variedade de classes de ativos, o que pode ajudar a atrair maior liquidez para o desenvolvimento total em níveis domésticos e internacionais. É aí que o HFT se torna importante para mercados emergentes como o Brasil. O relatório declara: “A comunidade de trading de alta frequência, que agora abrange metade do volume de trading nos EUA e um terço dos volumes na Europa, é uma fonte de liquidez principal; como resultado, os principais câmbios de mercados emergentes estão investindo pesado em novas tecnologias para facilitar o aumento do trading de alta frequência em seus mercados”. Aite também propõe que o sucesso do HFT nos mercados de ações e derivativos brasileiros – que triplicou em menos de um ano para 11,4% em agosto de 2011 – pode ser parcialmente atribuído à iniciativa de infraestrutura da BVMF.

Por que o Brasil? O Brasil está crescendo como um importante mercado na última década, especialmente com os participantes de mercados de capital, devido à sua natureza consistente e relativa facilidade de acesso quando comparado a outros mercados emergentes com economias enormes, agrupados pela Aite como Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, como os países do BRICS. O relatório sugere várias razões por trás do crescimento do Brasil, incluindo o excesso de commodities do país, maior estabilidade política, regulação financeira sensível e o aumento da classe média e subsequente demanda do consumidor doméstico. Além de ser considerado o maior e mais desenvolvido mercado financeiro na América Latina, o Brasil também é considerado o mais acessível dos países do BRICS. O relatório continua: “O financeiro do Brasil, de fato, está aproveitando as recompensas dessas vantagens – a capitalização do mercado do país expandiu em mais de 500% na última década”. Com essa estabilidade por trás, o Brasil e alguns outros mercados emergentes conseguiram se sair melhor do que alguns dos países desenvolvidos durante a crise financeira; por exemplo, os níveis de reserva na América Latina cresceram 30% desde 2010, chegando a US$ 500 bilhões em meados de 2011, e as reservas de câmbio estrangeiro da China estão maiores do que o PIB da França (Aite Group, 2011). O relatório declara que durante os três anos desde o começo da crise financeira, os mercados emergentes ultrapassaram os países desenvolvidos 26 I Dez. 2011/Jan. 2012 I Profit & Loss I www.profit-loss.com

em cerca de 40%, independentemente do fato de que não puderam evitar a volatilidade mundial.

Mais crescimento Enquanto o medo do investidor de que ocorra um fechamento econômico é frequente, o relatório Aite sugere que há diversos fatores que suportam a expectativa de crescimento sustentável nos próximos anos. O Fundo Monetário Internacional espera um crescimento para a América Latina enquanto região, com sua previsão de crescimento de 2011 de 4,5%. A previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) é útil ao considerar o tamanho relativo dos mercados emergentes. De acordo com o relatório, as taxas de capitalização para PIB do mercado de ações da América Latina estão normalmente abaixo da avaliação completa, “A taxa de capitalização para PIB do mercado atual do Brasil está bem abaixo dos altos históricos, que em 2007 elevaram acima de 100%”. A taxa de 100% é geralmente considerada bem avaliada. Conforme mencionado anteriormente, parte do sucesso do Brasil como mercado emergente pode ser atribuído à regulamentação financeira sensível do país, que protege o real brasileiro, o arrocho monetário foi superado, com a taxa Selic (taxa de juros federal do Brasil) sendo reduzida de 12,5% para 12% em setembro de 2011, e novamente para 11,5% no mês seguinte. O relatório mostra classificações estatísticas dos principais seis países na América Latina em termos de fatores como capitalização de mercado, emissão de ações e o número de empresas listadas. O Brasil lidera o grupo como o maior e mais desenvolvido, registrando uma capitalização de mercado [desde setembro de 2011] de US$ 1,2 trilhão, com o México sendo o próximo com US$ 372 bilhões.

BVMF Ao considerar um mercado emergente, a fusão entre a BM&F e a Bovespa permitiu que o mercado de câmbio estrangeiro do Brasil usasse os mais recentes aprimoramentos tecnológicos. As empresas, agora conhecidas como BM&FBovespa, encontraram-se em uma “posição principal para investir nos novos empreendimentos estratégicos – como o desenvolvimento de sua infraestrutura de tecnologia”. A parceria é um local de serviço total agora, que a Aite sugere que virá em uma concorrência não muito séria no Brasil. A BVMF facilita o trading em todas as classes de ativos, além de oferecer uma variedade de outros serviços. As ofertas de câmbio: serviços de listagem para emissores, serviços de custódia, depositário de ações centrais para o mercado e obrigações corporativas, licenciamento de software, certificação para emissores de commodities, empréstimo de ações para mercados e obrigações corporativas, listagem de índice, eliminação de contraparte central e compensação (incluindo um banco de compensações interno), dados de mercado e registro e gerenciamento colateral para derivativos de balcão.


HFT no Brasil

Mercados digitais

Cerca de US$ 300 milhões foram investidos na infraestrutura de trading do Brasil pelo câmbio desde 2009, com 80-90% dos fundos gastos diretamente na tecnologia e software de trading, de acordo com a Aite. O câmbio declarou que 2011 observou um “gasto de capital de R$ 253 a R$ 255” – a Aite espera que a soma supere as expectativas.Já está sendo dada atenção a essa área, como a Iberico-American Exchange Federation (FIAB) declara que o câmbio brasileiro é o terceiro maior do mundo, e é um dos principais seis câmbios de derivativos.

Participantes do mercado O mercado brasileiro está desfrutando da participação de traders domésticos e internacionais, com a maioria dos produtos de derivativos sendo comercializados com base nas taxas de juros do real e do dólar, taxas de câmbio estrangeiro, índices de ações e menores números de derivativos de OTC, commodities e mini-contratos. O relatório declara ainda que a quantia de investimento estrangeiro no mercado brasileiro está crescendo rapidamente desde a última década, com o mercado de derivativos observando uma participação crescente de investidores estrangeiros, de 8% no volume total de contratos feitos antes para 26% de hoje. O relatório observa também que houve outra mudança nos perfis dos investidores brasileiros “houve uma redução na participação proporcional por instituições financeiras domésticas para dar espaço aos influxos estrangeiros e uma porcentagem de crescimento dos investidores institucionais brasileiros (principalmente fundos de pensão)”. Os investidores institucionais atualmente contam com 35% dos participantes no mercado de derivativos e, no geral, houve uma expansão de 300% no trading de derivativos de OTC desde 2004. Esse crescimento pode ser atribuído principalmente aos investidores domésticos e internacionais, mais do que na introdução de produtos específicos. Entre 2004 e abril de 2011, o relatório declara que os volumes no mercado de derivativos brasileiros cresceu a uma CAGR (taxa de crescimento anual composta) de quase 19%, com o real e o dólar sendo responsáveis pelo maior volume. Aite também observa que os contratos de moeda, em particular, cresceram consideravelmente. O número de contratos de derivativos comercializados em uma base anual foi elevado de 805.000 (2004) para 2.695 (YTD 2011). O relatório afirma “2010 e 2011 observaram aumentos no volume de derivativos na faixa dos 50% sobre os altos da pré-crise, aparentemente devido à ênfase em atrair traders de alta frequência”.

Tecnologia Enquanto o Brasil está liderando o caminho entre os países do BRICS – em termos de volumes de trade – como um mercado para investimento, há ainda alguma maneira de desafiar os câmbios do mundo mais desenvolvido, como sugere o relatório: “Embora o desenvolvimento do mercado financeiro no Brasil tenha avançado entre os câmbios emergentes, São

Paulo ainda está brincando de pega-pega com os mercados [desenvolvidos] quando se trata de pontos mais finos de infraestrutura de trading”. De acordo com o relatório, uma área que requer atenção especial é a busca do Brasil por volumes de trading mais altos, no entanto, a falta de liquidez no mercado serve como barreira para a entrada de melhoria desses números, especialmente para instituições não financeiras. Portanto, para obter maior profundidade e liquidez do mercado, o relatório declara que a participação de HFT está expandindo no Brasil, com uma mudança nos mercados financeiros para incluir mais HFT servindo como outro canal de investimento para participantes domésticos e internacionais. Após a formação da BVMF, o câmbio pareceu estar renovando sua infraestrutura para melhor suportar o mercado e atuar como um concorrente adequado para outros locais de trading global, uma iniciativa que levou muito tempo, esforço e investimento. Aite observa “A fundamental capacidade de atrair vem sendo o cartão de visita tradicional do Brasil, mas o câmbio agora está seriamente focado em desenvolver sua infraestrutura tecnológica para facilitar os volumes de troca necessários para introduzir a liquidez de mercado desejada. Para esse fim, ele está cortejando traders de alta frequência e estabelecendo acordos de encaminhamento de pedido com o CME Group e outros câmbios da América Latina”. Muito do investimento da BVMF foi gasto desenvolvendo o sistema Puma Trading – o produto de uma joint venture com o CME Group acordado em 2010 (Profit & Loss, março de 2010). O Puma é baseado no sistema Globex e foi designado para substituir o Global Trading System (GTS), Mega Bolsa, Bovespa FIX e Sisbex, combinando-os em um sistema com maior capacidade de processamento e latência ultrabaixa. O custo total esperado é próximo de US$ 200 milhões durante os 10 anos da implementação. A introdução no mercado do Puma foi planejada em três estágios, enquanto o novo sistema substitui o GTS, Mega Bolsa, Bovespa Fix e Sisbex nessa ordem, com conclusão esperada para o fim de 2012 ou começo de 2013. O primeiro estágio e a www.profit-loss.com I Profit & Loss I Dez. 2011/Jan. 2012 I 27


Mercados digitais

HFT no Brasil

ativação inicial do Puma ocorreram em agosto de 2011 (Profit & Loss, setembro de 2011).

Participação global Para suportar melhor o investimento global e o acesso ao mercado, nos últimos anos, a BVMF criou um número de parcerias especialmente para facilitar o trading internacional com os países da América Latina e os EUA. Elas estão listadas pela Aite como uma parceria estratégica preferencial com a CME, encaminhamento de ordens com a Colômbia e o Chile e lista cruzada de ações, conferências preliminares no México e Peru e possível parceria com o câmbio chinês em Shenzhen e Xangai. Nessa área, continua o relatório, “Reforçar as opções de acesso patrocinado por corretor também faz parte da iniciativa da BM&F. Além do acesso direto ao mercado (DMA) patrocinado pelo corretor, um trader agora pode conectar-se ao câmbio diretamente, pela colocação, ou por um fornecedor de DMA terceiro”. A BM&F atualmente possui 28 fornecedores DMA com links para câmbio, incluindo Bloomberg Finance, Fidessa, Patsystems e Flextrade, suportados por cinco datacenters ativos em São Paulo. Enquanto melhora a infraestrutura de trading disponível que é uma importante parte da iniciativa da BM&F, algumas barreiras ainda existem para a entrada do mercado brasileiro. Um fornecedor com base nos EUA, por exemplo, tipicamente terá que esperar quatro anos por um retorno sobre o investimento. Há também o problema que “A distância geográfica e taxas de importação de hardware acrescentam complicações para o fornecedor de DMA que deseja entrar nesse mercado potencialmente lucrativo”, além do fato do acesso livre não ser possível – todos os trades devem ser intermediados por uma corretagem local. Para encorajar maiores participações, a BVMF providenciou reduções de taxas para traders de alta frequência registrados de ações e derivativos, isto é, as taxas de trading caem enquanto o volume de trading de HFT aumenta (as taxas variam de US$ 0,10 a US$ 0,40, escaladas em cinco estágios). O câmbio também oferece um desconto de 10% nas taxas de execução em trades conduzidos usando DMA, independentemente da origem.

Mais barreiras? O relatório sugere outro possível bloqueio para a participação no mercado de derivativos brasileiros, especificamente relacionado ao influxo de fundos estrangeiros – o Imposto sobre Operações Financeiras – (IOF). O IOF é “imposto sobre os XX I Dez. 2011/Jan. 2012 I Profit & Loss I www.profit-loss.com

influxos enquanto os fundos são convertidos em reais do Brasil, para serem depositados em contas de corretagem, os 6% fazem parte da política monetária protecionista do Banco Central do Brasil. “A taxa de 6% é cobrada para influxos destinados a serem publicados como depósitos de margem para derivativos, renda fixa e obrigações governamentais”. Recentemente, ele observa que em outubro de 2011, uma nova taxa de 1% foi introduzida nos financiamentos alocados para cobrir posições abertas nos derivativos de moeda. No entanto, os derivativos, juntamente com as ações e obrigações governamentais, estão isentos de taxas de ganhos capitais, mas muitos ainda consideram a taxa de 6%, embora “muitos participantes internacionais de trading de alta frequência busquem minimizar a quantia de influxos de conta para “trade flat”, não deixando posições curtas ou longas no fim do dia”.

O Brasil está na frente? Grande parte do relatório sugere que o mercado brasileiro está desfrutando de um grande sucesso há quase uma década, no entanto, identificar várias barreiras para entrar nesse caminho pode fazer com que possíveis investidores entrem com cuidado nesse mercado. Enquanto o sucesso pode ser visto, parcialmente devido à participação de HFT, é difícil afirmar o grau de sucesso neste estágio, embora Aite observe “A trajetória de avanço irá continuar enquanto mais participantes se familiarizarem com as novas oportunidades de trading disponíveis nesses mercados”. O relatório também indica vários fatores que suportam o aumento do HFT no Brasil, talvez principalmente, o fato de que o sucesso na região possa fazer com que outros países adotem iniciativas semelhantes, que poderiam observar mais câmbios se interconectando. Mais no início do relatório, ele sugere que o México poderá ser o próximo grande mercado para trading de alta frequência, especialmente suportado pelo fato que ele pode usar os diversos pontos de acesso e não possui restrições no fluxo da moeda. O relatório afirma: “O câmbio mexicano pode estar buscando conectar-se ao MILA próximo ao meio do período, o que significa uma boa notícia para a evolução geral dos mercados financeiros da América Latina”. Outro fator que a Aite indica que deve ser considerado é o fato de que a BVMF precisará monitorar suas margens e níveis de atividade, enquanto o valor dos trades do HFT reduzem e a participação aumente, o que pode resultar em pressão na lucratividade relativa. No entanto, por meio da provisão de serviços de trading no Brasil e no México, a Aite espera o sucesso e a oportunidade de produzir recompensas: “Em um nível de desempenho macro, a relevância desses mercados veio para ficar”. O relatório sugere que as taxas de influxo brasileiro ainda podem relaxar, e qualquer redução na taxa seria benéfica ao mercado de trading de alta frequência e a atração do mercado como um todo. Enquanto a HFT ajudou a atrair novos jogadores para o mercado, as regras associadas, incluindo a taxa de IOF, estão potencialmente desagradáveis para alguns investidores. No entanto, a década de crescimento experienciada pelo país, bem como o investimento pesado da BVMF, ajudaram a avançar o Brasil como um importante mercado para participar, agora e no futuro.


Sob o radar

Radar do varejo

Boston Technologies lança a plataforma FX Options

A

Boston Technologies, fornecedora de tecnologia e software de trading para empresas de corretagem de câmbio estrangeiro de varejo e institucionais, incluiu o FX Options Trader na sua suíte de ofertas de trading local. A plataforma subcontratada é personalizável e permite que os corretores diversifiquem sua linha de produtos e ofereçam aos clientes de varejo trading de opções de câmbio sem chamadas de margem. A plataforma de trading de opções foi desenvolvida em parceria com a FX Bridge Technologies Corp., que trabalhou com diversas empresas este ano, no espaço de opções de câmbio. A Boston Technologies afirma que, com suas ferramentas de trading de opções, estratégias de gerenciamento de risco e recursos de relatório, a plataforma fornece aos corretores a funcionalidade que precisam para diferenciar-se do trading

apenas local. Os executivos dizem que a plataforma está em produção há quase três anos, com a FX Bridge se unindo ao estágio de desenvolvimento há cerca de seis meses para suportar o lançamento da plataforma. Barry Clapp, vice-presidente de vendas e marketing, estará supervisionando a introdução da FX Options Trader. George Popescu, diretor executivo na Boston Technologies, afirma: “Nos esforçamos para sermos o fornecedor de serviços completos para tudo relacionado ao câmbio. Além da inclusão da FX Options Trader em nossa suíte de serviços, continuamos a ser a fonte única para corretores de câmbio estrangeiro de varejo e institucionais, permitindo que eles gastem seu tempo maximizando o lucro enquanto nós nos preocupamos em fornecer a eles maneiras de minimizar os desafios e os riscos”. A empresa está oferecendo a FX

“Com a inclusão da FX Options Trader em nossa suíte de serviços, continuamos a ser a fonte única para corretores de câmbio estrangeiro de varejo e institucionais”. Options Trader a todos os corretores como um teste gratuito pelos primeiros três meses de trading. Clapp afirma que um cliente já implementou a FX Options Trader e mais de uma dúzia de clientes estão com a versão de teste da plataforma.

FXCM lança versão baseada na web da Trading Station

O

corretor de câmbio estrangeiro de varejo FXCM lançou uma versão baseada na web de sua plataforma Trading Station. A FXCM Trading Station Web fornece acesso fácil ao mercado de câmbio estrangeiro, combinando uma funcionalidade de trader simples com uma interface de usuário de gráficos avançados, segundo a empresa. A plataforma foi criada usando um framework de aplicativo de código aberto Abobe Flex. Sem a necessidade

de downloads, os traders podem usar seu login universal para a plataforma de desktop da FXCM, bem como o aplicativo móvel da empresa. A FXCM Trading Station Web pode ser acessada de qualquer navegador e possui todos os recursos da Trading Station, incluindo a capacidade de executar pedidos diretamente dos gráficos em tempo real, cotações de transmissão em tempo e notícias em tempo real, funcionalidade de pedido avançada e controles de slippage.

“A nova plataforma Trade Station Web completa nossa suíte FXCM de plataformas. Ela fornece a experiência de se conectar em qualquer lugar e atende às necessidades de mobilidade de nossos clientes”, afirma Drew Niv, CEO da FXCM. “A Trading Station Web é uma plataforma de trading avançada que possui todos os recursos que contribuíram para o sucesso da FXCM Trading Station, incluindo o sistema de execução de câmbio estrangeiro de mesa de negociação da FXCM”.

Currensee torna TLIP disponível para clientes institucionais

A

Currensee tornou seu Trade Leaders Investment Program disponível para clientes institucionais e seus investidores. O Trade Leaders Investment Program, lançado em 2010, permite que os investidores sigam e executem automaticamente as comercializações dos principais traders encontrados na plataforma da Currensee. Cerca de uma dúzia dos melhores traders, ou líderes de trade, são encontrados entre os milhares de membros na plataforma de trading da Currensee e são classificados por desempenho histórico, gerenciamento de risco e retornos. O novo serviço permite que fundos

“A volatilidade do mercado de ações está criando novas oportunidades para que os gerentes vejam além das ações e renda fixa para uma classe de ativos não relacionados que forneça a capacidade de diversificar”.

de hedge, gerentes financeiros e escritórios familiares utilizem o mercado de câmbio estrangeiro, aproveitando a rede de líderes de trade da Currensee. Eles também podem gerenciar os riscos em cada portfólio de cliente, usando o novo Currensee Risk Management Control Center. Os gerentes financeiros podem especificar uma redução máxima e requisitos de aproveitamento para cada líder de trade,

fornecendo uma maneira de proteger o investimento de seus clientes, enquanto maximiza capital alocado. A Currensee afirma que a HedgeCo Securities, uma subsidiária da HedgeCo Networks, uma rede de fundos de hedge e investidores acreditados, irá apresentar o Currensee Trade Leaders Investment Program para seus investidores institucionais. “A volatilidade do mercado de ações está criando novas oportunidades para que os gerentes vejam além das ações e renda fixa para uma classe de ativos não relacionados que forneça a capacidade de diversificar”, afirma Evan Rapoport, CEO da HedgeCo Securities.

www.profit-loss.com I Profit & Loss I Dez. 2011/Jan. 2012 I 29


Mercado do mês

Iene japonês

JPY PERSPECTIVA Por Derek Halpenny, chefe europeu de pesquisa global de moedas, Bank of Tokyo-Mitsubishi UFJ Ltd.

m 30 de novembro, o governo japonês confirmou que havia conduzido uma intervenção por meio do Bank of Japan, vendendo um total de JPY 9.091,6 bilhões para moeda estrangeira – provavelmente tudo em dólares americanos entre 28 de outubro e 28 de novembro. Tomando um nível intermediário de 77,00 em 31 de outubro – o dia que as autoridades confirmaram a intervenção – essa quantia chega a US$ 118 bilhões. Uma quantia impressionante da intervenção para um mês e, dado que toda ou a maior parte da intervenção ocorreu em um dia, ela realmente não garante uma menção de um termo extremamente usada nessa época histórica para o mercado financeiro – sem precedentes. A intervenção foi oficialmente reconhecida em 31 de outubro, mas suspeitamos que uma pequena parte dessa quantia, possivelmente JPY 1,0 trilhão, foi realizada em sigilo nos dias seguintes, embora não tenhamos a confirmação disso até que a análise de cada episódio e moedas compradas seja liberada no começo de fevereiro. Os três episódios anteriores da intervenção em 4 de agosto e 18 de março deste ano, e em 15 de setembro do ano passado, envolveram a compra apenas de dólares americanos, mas não houve uma intervenção sigilosa, o que poderia significar uma mudança de estratégia pelo governo japonês, caso as intervenções sigilosas fossem conduzidas em novembro. Tomando os quatro eventos combinados, o governo japonês vendeu um total de JPY 16.422 bilhões – uma quantia enorme de US$ 213 bilhões (USD/JPY 77,00). Provavelmente a pergunta mais comum feita a mim por meus clientes na BTMU é “Por que o iene ainda é tão forte, considerando as fracas bases econômicas do Japão, o nível extraordinariamente alto de débito do governo e esse esforço do governo de enfraquecer o iene?” Deixe-me explicar algumas das respostas que espero que possam explicar essa peculiaridade percebida.

E

Demanda de porto seguro Não há dúvida de que o iene desempenhou um papel dominante como um porto seguro desde que o tumulto no mercado financeiro começou. Tomando como ponto de partida agosto de 2007 – o mês em que os mercados financeiros começaram a congelar, que marca o verdadeiro ponto de partida da crise no mercado financeiro – o iene está 50% mais alto, de acordo com a taxa de câmbio nominal efetiva produzida pelo Bank of Japan. O desempenho passado pode ser um fator importante moldando as decisões de investimento dos investidores, e está evidente que o iene se sai bem durante um tumulto no mercado financeiro. É importante lembrar que os investidores estrangeiros estão comprando ienes para ajudar a entender esse papel de porto seguro. Os investidores estrangeiros não estão comprando ações, e nem mesmo JGBs, e sim instrumentos de mercado financeiro de curto prazo – em contas importantes do governo que vencem em períodos 30 I Dez. 2011/Jan. 2012 I Profit & Loss I www.profit-loss.com

de menos de um ano – nem mesmo um voto de confiança no próprio Japão. Novamente, tomando como ponto de partida a crise financeira (agosto de 2007) até outubro de 2011, os investidores estrangeiros venderam JPY 7.601 bilhões em ações do Japão e JPY 167 bilhões em obrigações corporativas e governamentais, mas compraram JPY 29.023 bilhões em instrumentos de mercado financeiro de curto prazo. Devido às produções de curto prazo em diversos dos principais mercados de desenvolvimento que caíram globalmente para níveis baixos no Japão, não há mais um custo de oportunidade envolvido para manter as ações de curto prazo e a liquidez na oferta no Japão, junto com o desempenho do iene que atraiu influxos substanciais. Considerando os balanços dos dados de pagamento, podemos observar que esse influxo está vindo de um destino – o Reino Unido. Partindo do mesmo ponto acima, mas em setembro deste ano, as compras de instrumentos de mercado financeiro do Japão do Reino Unido totalizaram JPY 145.986 bilhões, ou uma média de JPY 2.920 bilhões por mês. Isso reflete o papel de Londres como centro financeiro dominante pelo qual esses fluxos passaram, e seria principalmente denominado em dólar americano. A demanda do banco central é um elemento provável aí também. Os dados de reserva do FMI mostram que os negócios de ienes estão gradualmente aumentando, dado que os negócios com essa moeda são uma boa maneira de diversificar as reservas nesses tempos voláteis. Isso não é ignorar os fluxos do portfólio do Japão. O fluxo dominante aí durante a crise financeira foi de compra de títulos estrangeiros. Durante o mesmo período para outubro deste ano, os investidores japoneses compraram JPY 52.586 bilhões em títulos estrangeiros. No entanto, a queda nas produções de curto prazo no exterior reduziram os custos de proteção de investidores japoneses para quase zero e uniram-se à aversão de risco geral que atuava nesse período, uma grande parte desse fluxo foi protegida.

Suporte superavitário externo Obviamente, uma das características clássicas da moeda de porto seguro é uma posição de conta corrente forte. E o Japão certamente possui isso. Desde que a crise financeira começou, o Japão registrou superavitários de conta corrente totalizando JPY 65.852 bilhões, ou uma média mensal superavitária de JPY 1.317 bilhão. A queda nesses pontos superavitários indica a conta corrente do Japão sendo aumentada estruturalmente, em vez de cíclica. Do total de superavitários de conta corrente acima, os superavitários de comércio e serviços representavam apenas JPY 13.326 bilhões desse valor. O motivador principal do superavitário no Japão é a conta de renda de investimento – isso representava JPY 57.477 bilhões em superavitários no Japão. Os superavitários estruturais trazem estabilidade à posição externa do Japão, no momento em que a posição de trade estava volátil, devido às mudanças nas exportações do Japão por causa das condições de demanda voláteis no exterior.

Fontes de venda de iene se materializando Para medir a perspectiva do iene no futuro, é mais importante observar as mudanças relativas dos fatores acima e avaliar se a


Iene japonês

dinâmica que esteve dominante para deixar o iene mais forte irá continuar ou irá para uma direção oposta. Na parte de trade da conta corrente, há motivos para acreditar que superavitários ainda menores possam surgir. A tragédia do terremoto e do tsunami em março provavelmente aumentará a demanda de energia. Devido à redução notável de energia nuclear gerada domesticamente com o fechamento das usinas por causa da tragédia de Fukushima, provavelmente iremos testemunhar um aumento permanente na demanda de petróleo bruto e gás do exterior. Na primeira metade do atual ano fiscal, de abril a setembro, as importações de combustível mineral representavam 31,8% de todas as importações no Japão, e eram 27,3% maiores em comparação ao mesmo período no ano passado. Os dados de trade do último ano fiscal até março de 2011 mostram que as importações de combustível mineral representavam 29% do total de importações do Japão e que esse valor aumentou 18,8% em comparação ao último ano. Esta é a fase primária para se tornar uma grande fonte de crescimento de importação. Desde fevereiro deste ano, antes do terremoto e do tsunami, a taxa de uso da capacidade nuclear do Japão havia sido reduzida de 70,8% para apenas 18,5% em outubro, de acordo com a Federação das Empresas de Energia Elétrica do Japão. O Japão publicou um déficit de trade ajustado periodicamente de JPY 2.135 bilhões na primeira metade do ano fiscal, a maior desde que as séries de dados começaram, em 1993. Com o colapso na demanda global em 2008-09, o Japão está caminhando para publicar seu déficit de trade do primeiro ano fiscal desde 1979-80.

Fluxos de FDI se recuperam Outro desenvolvimento importante que pode ser incluído ao grande momentum da venda de iene é o investimento direto

Mercado do mês

estrangeiro. Em agosto, o governo anunciou um fundo de empréstimo de US$ 100 bilhões, utilizando reservas de câmbio estrangeiro, para fornecer financiamentos baratos às corporações japonesas, considerando as aquisições corporativas no exterior. Ao fornecer fundos de moeda estrangeira parcial barata, o governo espera que as aquisições corporativas no exterior cresçam, vendendo de ienes para dólares e outras moedas. Reconhecemos que gostamos que maioria dos participantes do mercado era de algum modo cética quanto ao impacto disso, mas dados recentes mostram uma retomada nos investimentos estrangeiros diretos. Nos primeiros nove meses de 2011, os fluxos de FDI líquidos totalizaram JPY 5.696 bilhões, o maior total no período em qualquer ano desde 1990. O encorajamento do governo, um desejo de diversificação das bases de produção e aquisições mais baratas devido à força do iene podem finalmente começar a observar maiores fluxos do Japão.

A força do iene deve persistir antes que a tendência enfraqueça Infelizmente, para o governo japonês, os fatores que diminuem a pressão sobre o iene provavelmente continuarão secundários na grande demanda por instrumentos de mercado financeiro de curto

prazo e, assim, até que essa demanda diminua, os riscos continuarão a queda para USD/JPY. Esperamos que o maior impedimento da volatilidade do mercado financeiro da crise do débito soberano da zona do euro, que irá garantir que a aversão de risco permaneça declarada, produções de curto prazo em economias altamente desenvolvidas permaneçam ultrabaixas, de modo que a demanda por segurança da curva de produção do Japão provavelmente irá persistir. Intervenções adicionais para gerar declínios abaixo de 75,00 em USD/JPY serão necessárias, e um período de trading USD/JPY abaixo de 75,00 é um alto risco. No entanto, os fatores fundamentais em alteração em direção ao enfraquecimento do iene devem persistir e, considerando que a aversão de risco da crise da zona do euro diminua na segunda metade de 2012, uma figura mais clara da depreciação do iene deverá ficar aparente, enquanto caminhamos para o final de 2012. Nossa previsão de 12 meses de USD/JPY é de 82,00. A taxa média de 2012 provavelmente será na faixa dos 70, mas 2013 deverá ser um ano com uma depreciação muito maior do iene.

Por Derek Halpenny, chefe europeu de pesquisa global de moedas, Bank of Tokyo-Mitsubishi UFJ Ltd. www.profit-loss.com I Profit & Loss I Dez. 2011/Jan. 2012 I 31


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