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A primeira revista de bolsa do Brasil Profashional editora R$ 5,90 | 2014 profashional.com revistaprofashional.com.br Ano 12

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Número

David

Bowie

Com seus discos, personagens e a megaexposição (que roda o mundo até 2018), o camaleão do rock mostra por que é um verdadeiro star, man!


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“ Sandra, você é merecedora de tudo o que há de melhor porque você exercita a vida”

U

m grande amigo, ser humano digno, do bem, daqueles que são raros até por sua essência nobre, ligou-me há pouco para dizer o seguinte: “ Sandra, você é merecedora de tudo o que há de melhor porque você EXERCITA A VIDA”. Não imagina André Elias, o exercício que ora ele me passava. Pensadora sem opção, nascida pronta, só tive de fazer as escolhas às quais eu já tinha sido designada pela minha própria alma a fazer. A afirmação vinda de alguém que goza do meu absoluto respeito humano e intelectual me colocou em estágio de pensamento profundo. O aspecto meritocrático citado por ele, em sintonia com o que seria minha forma mais pura de exercitar a vida, me fez querer mais. Não é novidade alguma quando conto que sou o adulto que a criança fora. Boa aluna, estudante de escola tradicional de freiras franciscanas (absolutamente modernas e além do tempo em que vivíamos), fiz muitos anos de teatro amador, fui respeitada como escritora de fato, a primeira vez quando tinha 11 anos, venci inúmeros concursos de textos, redações patrocinados pelo Sebrae,

André Elias

prefeitura, grupos de escolas e literatura de minha cidade, Itabuna na Bahia. Cheguei ao ponto de ganhar aos 12 anos uma medalha de honra ao mérito para dar chance a outro futuro escritor de também viver a sensação da vitória. Ganhei concursos de dança, sendo que o samba que aprendi com meu pai era meu forte. Fiz curso de dicção e fui apresentadora, formei-me em música aos 16 anos e era a pianista da classe. Fui oradora de tudo o que havia para se “orar” e líder de classe desde a minha entrada na escola até a faculdade no Brasil e, mais tarde, seria na universidade na Alemanha. Sempre amei ler em voz alta, fiz os primeiros cursos de leitura dinâmica que surgiram no interior da Bahia. Moda, se a interpretarmos como sendo a expressão de uma época e de pessoas, sempre foi uma grande paixão. Neta da famosa costureira, Maria Conceição Moraes, citada aqui na Profashional inúmeras vezes e autora de outros tantos textos nesta publicação, sempre usei looks diferentes que contavam com sua aprovação e mãos de fada para realizar meus sonhos. Fui a única das 15 meninas no aniversário de 15 anos de uma

grande amiga a usar preto. A regra era rosa-bebê, mas Maristela Midlej, no alto da sua timidez juvenil, ainda assim optou pela amiga diferente, quebrando a hegemonia de sua tão planejada festa, a não ter sua grande amiga a seu lado. Grande menina, virou uma grande mulher. Fui morar com 18 anos na Alemanha, colecionei graduações, pós-graduações, grandes realizações e trabalhos em muitos países, coisa que vocês já sabem leitores profashionais, e fui conquistando aos poucos pessoas, lugares bacanas aí pelo mundo. Voltei ao Brasil em 98, fui diretora de comunicação de uma associação para shopping centers e logo depois abri minha editora, a Profashional, inaugurada com a existência desta revista que você tem em mãos. Daí muitas outras vieram, publiquei livros, a nossa editora, outros, invadimos o universo online, a comunicação interna e externa de empresas e aos poucos a profashionalização ganhou vida própria da qual hoje me sinto mentora, mas uma turma de cidadania assumida dá conta do recado e ainda me mostra um tanto do que há para ser visto, aprendido, entendido em toda a força da comunicação. Ganhei inúmeros prêmios, subi em muitos


FOTOS: RUTH DE SOUZA

palcos, tive a honra de ser considerada, pelo Meio e Mensagem, a rainha das revistas customizadas. Tudo muito bacana. Em todo esse percurso, nunca deixei de ser filha, neta, mãe, tia, irmã, sobrinha, prima, amiga – muito amiga. Valorizei a existência de cada um e investi meu tempo louco entre inúmeras atividades que cobraram minhas horas e me pagaram com um valor inenarrável da existência. Que bom que foi assim, e, agora, posso me comprazer com muitas horas de plenitude vividas. O tempo passou. A vida como eu conhecia jamais será a mesma. Num curto período de semanas, perdi para a existência as duas pessoas referência absoluta do meu jeito de ser. Meu pai, Jeronimo Sales, meu Jero, Meu Gallinho cantador, que “deu tudo a seus filhos, guardando para ele só a voz”, aquele que, ao meu primeiro sorriso, recitou: “Nem todo o ouro do mundo, nem mesmo o sol que tanto brilha, tem a beleza que encerra o sorriso de minha filha”. Minha avozinha, primeira mãe que conheci, aquela que me criou, dengou, costurou e remendou lágrimas, quando necessário foi, aquela que partindo ainda me deixou claro sem qualquer drama em sua forte presença imensamente simples, mas altiva: “Nunca vou poder lhe pagar tudo o que vc fez por mim na vida. Gosto de todos os meus netos, de meus filhos, mas ... é que você (eu) é diferente... lágrimas quádruplas”; falamos de amenidades, de cremes (na UTI) e assim nos despedimos, nos prometendo um novo encontro numa festa que

não pudesse jamais terminar. Decidi contar tudo isso a vocês, não é a homenagem que eles merecem porque no “Exercício” maior dos dias que tenho encarado de frente, mas me dando direitos para que eu possa continuar sendo aqueles que eles tanto amaram, ainda não consigo falar deles no passado. Vou ficando no presente, tendo minha mãezinha, meu filho, meus irmãos, meu marido, minhas amigas, meus amados pertinho de mim. Prestando atenção para não deixar faltar à nova geração

nada daquilo que tivemos em tanta abundância e que nos definiu, fazendo da gente seres família, que sabem o valor de cada instante. Decidi ainda que não vou introduzir sua revista de bolsa, peço que vocês se procurem e se encontrem nela e tenham muito prazer nessa estrada. Aqui estou eu, exercitando, para que a vida continue. Luz para todos nós.

er Teschn Sandra

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Espero vocês na minha fan page do Facebook, na qual tudo em mim gira em torno das palavras! Procure por: facebook.com/pages/Sandra.Teschner


Revistas, livros, jornais, catálogos, pockets, revistas digitais. Moda • Esporte • Informática e Tecnologia • Farmácias • Shopping Centers • seu segmento

Outono-Inverno 2013

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CONHEÇA AS PUBLICAÇÕES DA PROFASHIONAL EDITORA • WWW.PROFASHIONAL.COM


PROFASHIONAL EDITORA Publisher: Sandra Teschner Diretor Executivo: Gabriel Sales Diretora de Projetos Especiais: Dio Jaguarível Gerente do Núcleo de Jornalismo: Adriana Rosa – MTB 47337 Gerente do Núcleo de Design: Alice Hecker Correspondente Internacional: Kai Hrebabetzky Revistas Digitais: Danielle Lima Assessora de Imprensa: Ana Carolina Contri Assistente Administrativa: Viviane Miluzzi Web: Ricardo Cerdan Executiva de Contas: Marcia Souza Atendimento ao Cliente: Alice Alves recepcao@profashional.com

REVISTA PROFASHIONAL Editora: Sandra Teschner Jornalista Responsável: Mirella Stivani – MTB 50483 Jornalistas: Ana Carolina Contri, Fernanda Mendonça e Maria Helena Bellini Editora de Arte: Alice Hecker Projeto Gráfico: Alice Hecker, Humberto Lima e Katherine Gomes Designers Gráficos: Analu Ferreira, Claudia Carvalho, Danielle Lima, Katherine Gomes e Rebeca Fagnani Ilustrações: Humberto Lima Moda: Anna Paula Rodrigues, Julia Moraes e Natália Rosendo Colaboraram nesta Edição: Ana Laura Dias Maran, Daniela Rodrigues, Fernanda Calfat, Fernanda Langhammer, Luiz Carlos Cruz e Romina Klöpsch Revisão: Maria Elisa Albuquerque Para anunciar: comercial@profashional.com Para assinar e solicitar edições anteriores: assinatura@revistaprofashional.com.br Impressão: RR Donnelley Os artigos assinados são de inteira responsabilidade dos autores e não representam a opinião da Editora nem da Revista. É permitida a reprodução desde que previamente autorizada, com crédito à fonte. Profashional Editora Ltda. Av. Jandira, 843 | Moema | CEP 04080-005 | São Paulo| SP Tel.: (11) 5051-4084 www.profashional.com | editora@profashional.com

Editora filiada à


Point

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Edição 105

“Parabéns a toda equipe da revista por este trabalho de dedicação, amor e competência. Um cheiro!” Valéria Sá Via Facebook “Em seu texto, na seção Pano Pra Manga, Sandra Teschner mostra uma sensibilidade incrível!” Veridiana Prestia Moraes Pavan Via Facebook

“Muito bacana a Profashional mostrar trabalhos de estudantes, publicando-os na revista (sobre o Editorial de Moda). Essa é uma maneira de mostrar o talento de quem está começando!” Pedro de Moraes Rio de Janeiro – RJ

pano pra manga

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Patchwork

de panos

Por sandra Teschner

Nesta edição, você leitor, vai ser preseNteado com um paNo pra maNga difereNte. ele Nasceu de vários momeNtos vividos aqui Nestas págiNas, em textos que cortaram o tempo. todos esses iNsights estão para virar um livro especial, são trechos escolhidos por mim com a participação de vocês Na miNha págiNa oficial do facebook. curta aqui pedaços do meu próximo livro. “Há sempre uma regra para se ser. Certinhos fazem isso, loucos fazem aquilo e quando todos começam a fazer o que está descrito, confundem seus papéis de tão idênticos que se apresentam e voltam a questionar o sentido da vida.” “Sei que a vida é formada por caixinhas que se multiplicam na dança dos anos, acompanhando as tendências de comportamento vigente. Assim, há sempre uma regra para se ser.”“A vida é este rolo lã que embaraça e a

gente vai tentando desembaraçar. Ando cada vez mais decidida a criar travesseiros macios de rolos de lã. Embaraçados ou não!” “Osho acreditava que: ‘Amando, rindo, curtindo, você pode acidentalmente encontrar Deus’. Parece utópico, mas não é e se classificarmos na ânsia de respostas os sentimentos mais profundos, estaremos mais uma vez reduzindo-os ao lugar comum, em que se encontram tantos outros estereótipos, paradigmas e nosso melhor sentimento fica ali, misturado com tudo isto.” “Pense-se, liberte seus dons, faça-os produzir por você, por seus sonhos, pela pessoa que você pode ser. Entregue-se a você. Tudo o mais que nos faz gente e não vem no pacote da maternidade é obrigação sua correr atrás, fazer escolhas. Tudo sempre

“A matéria sobre unhas está muito bacana! Gostei das dicas e exemplos. Adoro experimentar novidades, cores e texturas quando o assunto é esmaltes.” Carla Amorim São Paulo – SP Pano.indd 24

Fã profashional “Eu adorei a entrevista com a Glória Pires, ela é uma atriz simpática, talentosa e acessível. Merece todo o sucesso do mundo!” Alex Souza São Paulo – SP “Acompanho o trabalho de Glória Pires desde que ela era uma criança. Acho que ela está cada vez melhor.”

Teresa Esposito São Paulo – SP

Editorial de moda.indd 36 FOTO: sxc.hu

rodeado de mundo, gente, sorriso, amor.” “Quem somos nós, quando descascamos todos os sentidos adicionados pela moral e bons costumes, pelas expectativas das pessoas que nos cercam? Quem somos nós, quando somos só na solidão da incompreensão alheia? Qual a música sintoniza de fato em seus ouvidos, se não ouvisse aquelas que seu grupo social ou as convergências das instituições da vida o fizeram ser parte? Você já se tornou você? Em ‘Ecce Homo’, Nietzsche grita: ‘Ouçam-me! Pois eu sou assim e assado. E, acima de tudo, não me confundam!’”

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Be beauty

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“Adoro a seção Objetos de Desejo. Com certeza, dá vontade de comprar todos.” Lígia Carvalho Campinas – SP “A história da Julyana Mendes é muito bacana. Ela realmente é um case de sucesso. Linda!” Cristina Silva Brasília – DF Case de sucesso

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NAIL mania Por Maria Helena Bellini

OS ESMALTES SE TORNARAM UM ITEM INDISPENSÁVEL NO QUESITO BELEZA. MAS NÃO BASTA MOSTRAR UNHAS BENFEITAS, CORES, ACESSÓRIOS E TEXTURAS INVADIRAM ESTE MUNDO

Julyana

E

les sempre estiveram presentes no universo de beleza feminino e, de uns poucos anos para cá, foram elevados à categoria de queridinhos indispensáveis na produção de um look perfeito. Os esmaltes estão presentes na wish list das mulheres ao redor do mundo. As novas opções de cores são lançadas nas semanas de moda e também em novelas e seriados de TV. Rapidamente, alcançam o status de item mais do que desejado e as diversas maneiras de aplicá-los pipocam pelas redes sociais – Facebook, Twitter, Instagram – e em sites especializados e blogs. Para que você, querida leitora, fique antenada com o que rola nesse circuito, separamos algumas dicas para você arrasar por aí. Jogue-se!

from the blog

JULYANA MENDES, CRIADORA DO BLOG FRIDAY CLUB, EM PARCERIA COM A PROFASHIONAL EDITORA, CONTA UM POUCO MAIS SOBRE SUA AGITADA ROTINA E ESTILO DE VIDA Be Beauty.indd 18

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“Parabéns Sandra Teschner por mais esse lançamento! Trabalho belíssimo! Grande beijo.” Erika Germano P. Coelho Atibaia – SP ™

ATIBAIA

Ano1 Nº1

Todo o charme e fashionismo da cidade paulista consagrada pela UNESCO com o O melhor clima do mundo!

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Encan!to à vista Capa_atibaia.indd 1

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“Muitas pessoas vieram comentar que leram a matéria que fala sobre o meu trabalho na revista. Foi bacana descobrirem outra vertente do meu trabalho.” Renan Moraes Marques Atibaia – SP

Som na caixa, A FOTO: ALBERT URSO GETTY IMAGES/ ILUSTRAÇÃO: HUMBERTO LIMA/ ALBERT URSO/GETTY IMAGES FOR MERCEDES-BENZ

DJ!

www.facebook.com/renanmmarques

publieditorial

ideia de música ambiente está normalmente associada a versões “sem personalidade”, orquestradas de clássicos do jazz e do pop, tocadas em salas de espera, consultórios, lojas de departamentos e elevadores. Mas esse conceito passou por uma incrível mudança. O som ambiente se tornou uma ferramenta decisiva para atrair e reter clientes em lojas, shoppings, hotéis e restaurantes. Desde 2007, o DJ Renan dedica-se a estudar a história dos estilos musicais e pesquisar novas tendências para montar tracklists exclusivos para grandes marcas. Seguindo uma tendência mundial, aliado a elementos de decoração e a um bom atendimento, o ambiente sonoro, comprovadamente, exerce papel importante no resultado comercial de uma empresa. O marketing sensorial, conceito de experiência que vai além do apelo visual, foi criado no fim dos anos 50. Hoje o varejo usa a seleção musical dos ambientes de venda para fortalecer a identidade da marca. Além de contribuir para criar o clima ideal para seu cliente, o sistema de sonorização pode atuar para informar, anunciar produtos, ofertas e até mesmo para gerar receitas com a participação de fornecedores, transformando-se num eficiente recurso de endomarketing. Entre os principais clientes atendidos pelo projeto #boutiquedj, organizado por Renan, estão Alpargatas, Havaianas, Timberland, Mizuno, Arezzo, Carmen Steffens, Colcci, Miuki Boutique, The Bazaar, Vogue (Fashion Night Out), entre outros. Renan também trabalha no Espaço Casa (Loja Colaborativa) e Bar Cantagallo. O som ambiente nunca mais será o mesmo com a sonorização do designer musical Renan Marques. Som na caixa!

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“Adorei a revista, mas eu acho que poderia ter mais matérias de moda e beleza.” Carolina Mesquita Niterói - RJ

os da os vestid , ra ste um d Mirna ve ão de Reem Ac Moda leç de nova co Semana a n a d ta apresen York. de Nova

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Índice

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NA CAPA

DAVID BOWIE FOTO DE CAPA: PHOTOSHOOT PARA A CAPA DO ÁLBUM ALADDIN SANE DESIGN POR BRIAN DUFFY AND CELIA PHILO, MAQUIAGEM POR PIERRE LA ROCHE DATA: 1973 CRÉDITOS: © DUFFY ARCHIVE TERMOS ESPECIAIS E AGRADECIMENTO: “DAVID BOWIE IS”

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FOTOS: DIVULGAÇÃO DAS ASSESSORIAS DAS MARCAS/ ANA LAURA DIAS MARAN/ IMAGE.NET/ JOÃO CALDAS

IMAGEM ORIGINAL PARA A CAPA DO ÁLBUM EARTHLING, DE 1997. CRÉDITO: FRANK W. OCKENFELS

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FOTOS: DIVULGAÇÃO DAS ASSESSORIAS DAS MARCAS/ ANA LAURA DIAS MARAN/ IMAGE.NET/ JOÃO CALDAS

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Alinhavando – Peça ícone A cor da vez – Orquídea Questão de Estilo – Bahia de todas as cores Pano pra manga – Notícias de uma alma múltipla Apostas -Talento – Pequena notável Isso é Profashional Coluna da Dani – Art Basel Pano pra manga – Autoflagelação, não! Tecendo Tramas – Please Plissê Flashes

30 35 36 44 45 46 50 52 53 59

Matéria de Capa – Star, man! Apostas -Talento – Pedras raras! Editorial – Pin-ups do Brasil Marketing – A vaidade e o poder Style du Jour – RAIN, Created for Living Portugal Fashion Geek Profashional Kai Nessa – Carta de um país Culture-se Arremate – Memórias sempre presentes


alinhavando

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Peça

ÍCONE Símbolo do poder feminino, o vestido-envelope (wrap dress em inglês), criado por Diane von Furstenberg, completa 40 anos Em 1974, a estilista belgo-americana Diane von Furstenberg criou o vestido-envelope (wrap dress) e marcou seu nome na história da moda. Bastou um pedaço de jersey e o desenho perfeito para alcançar o sucesso: na época de seu lançamento, o modelo chegou a vender 30 mil unidades por semana. Talvez pelo “nome de batismo”, você não o conheça, mas com certeza já viu muitos vestidos-envelope por aí. Transpassado, com decote em V e cintura marcada, continua fazendo tanto sucesso que é reproduzido

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também por outros estilistas e grifes. Diane não se importa; ela mesma declarou que a imitação é grande elogio ao seu trabalho. Sempre clássico, o modelo é perfeito para realçar as formas femininas (independentemente do típico físico). A estilista o criou pensando em seu próprio conforto, afinal, ela procurava uma roupa confortável, mas que também fosse versátil. Talvez ela não esperasse que fosse se tornar o símbolo do poder feminino.

FOTOS: NEILSON BARNARD GETTY IMAGES FOR MERCEDES-BENZ FASHION WEEK/ REPRODUÇÃO/DIVULGAÇÃO DA MARCA/SONY PICTURES

Por Mirella Stivani

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A jornada de um vestido Justamente por ser um fenômeno da moda, o wrap dress ganhou uma mostra. Atualmente, a “Journey of a Dress” está em Los Angeles (já passou antes por São Paulo, Moscou e Pequim). A exposição traz 200 vestidos criados por Diane, distribuídos em uma linha do tempo que narra a evolução da peça, desde a primeira versão até se tornar o símbolo de poder e liberdade de uma geração inteira de mulheres. Vestidos criados em edição limitada especialmente para celebrar o aniversário também estão expostos.

No cinema No filme “Trapaça” (“American Hustle”), a atriz Amy Adams desfila com alguns modelos de vestido-envelope de Diane von Furstenberg. Afinal, a história se passa nos anos 70, exatamente quando a peça icônica despontou para o sucesso, continuando mais atual do que nunca.

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a cor da vez

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Óculos Chilli Beans

PANTONE®

Radiant Orchid É A COR DE 2014 Lip Gloss Impala Vinho Relógio Puma

Conjunto de canecas Oppa

Máquina fotográfica digital Cyber Shot violeta Sony Mercedes-Benz Fashion Week

FOTOS/IMAGENS: REPRODUÇÃO ARTÍSTICA PROFASHIONAL/ASSESSORIA DAS MARCAS /HUMBERTO LIMA/IMAGENET

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Lápis roxo Maybelline

Fronha Imaginarium Sleepers Blue Bird Shoes

Chinelo Croc bandflip

FOTOS/IMAGENS: REPRODUÇÃO ARTÍSTICA PROFASHIONAL/ASSESSORIA DAS MARCAS /HUMBERTO LIMA/IMAGENET

Anel Montblanc

Anel Montblanc

O ano de 2014 já tem a sua cor oficial. A Pantone, como faz todos os anos, revelou que a Radiant Orchid 18-3224 (Orquídea Radiante) é o tom deste ano (em 2013, foi a vez do Emerald Green – verde-esmeralda). Com a indicação da empresa cuja paleta de cores é a mais famosa do mundo (você já deve ter ouvido várias vezes ‘na escala pantone’), o Orquídea Radiante deve aparecer com bastante frequência, seja na moda ou em objetos de decoração. “Um convite para a inovação, a cor Radiant Orchid estimula a criatividade e a originalidade expandida, o que é cada vez mais valorizado na sociedade de hoje”, explicou Leatrice Eiseman, diretora executiva do Pantone Color Institute. E você, o que acha da escolha?

Calvin Klein Downtown Eau-de-parfum

Sofá Oppa

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questão de estilo

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A brasilidade no trabalho da estilista Nea Santanna encanta pela beleza, delicadeza e originalidade

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Bahia de

todas ores as c N

ea Santanna é uma jovem estilista baiana, nascida na cidade de Salvador. Aos 12 anos de idade, aprendeu com a sua mãe, dona Maria do São Pedro, a arte da costura. Logo se apaixonou pela moda e, aos 17 anos, assinou a sua primeira coleção. A brasilidade e cores da Bahia são destaque em seu trabalho. “Como eu passei anos vivendo nesse universo de festejos baianos populares, religiosos e produção de figurino, sempre tive contato com a fita do Senhor do Bonfim. Pude ver de perto toda a tradição baiana, o fascínio que ela gera. As cores, o movimento e a tradição despertaram em mim essa criação, que virou uma identidade do que produzo”, conta. Entre seus clientes, amigos, admiradores, turistas (seus produtos são vendidos em uma loja no Pelourinho) e pessoas de diferentes países, como Japão, Canadá, Suíça, Venezuela e Alemanha. Seu sonho é poder atingir um público cada vez maior e, quem sabe, desfilar no eixo Rio-São Paulo. A seguir, confira uma entrevista com Nea.

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fotos: divulgaçÃo da marca/ arquivo pessoal de Nea Santanna

Profashional: Conte um pouco sobre seu trabalho. Como tudo começou? Nea Santanna: Sou baiana, nascida e criada no centro histórico de Salvador, aprendi a costurar aos 12 anos no ateliê de minha mãe, professora de corte e costura, que despertou minha paixão por moda e estilo. Aos 13 anos, assumi o ateliê de costura, onde fiquei responsável pela parte de pesquisa, produção de figurinos e roupas sob medida. Meu primeiro desfile de moda foi aos 17anos, realizado no tradicional restaurante do Pelourinho Cantina da Lua, do ilustre Clarindo Silva que, no ano de 2008, foi o primeiro rei momo magro do carnaval de Salvador e, durante esta ocasião, vestiu um terno produzido por mim, todo de fitinhas brancas. Desde 2003, trabalho com as fitas do Bonfim, criando diversos artigos. Durante alguns anos, no verão, abria uma lojinha na varanda da casa de minha mãe, onde tive a oportunidade de vender pessoalmente para diversos turistas, inclusive à atriz global, Cristiane Torloni. O tempo foi passando, fui me capacitando e ampliando meus sonhos de ser uma estilista. No ano de 2007, para a conclusão do curso de Estilismo no Senac, lancei a coleção intitulada Pedidos em uma importante feira de moda de Salvador, a Made in Bahia. P.: Como é o dia a dia em seu ateliê? N. S.: Trabalho com meu marido João Torquato, que também é designer e cuida de toda a comunicação

e marketing, além de me ajudar a administrar a empresa. P.: Quais tecidos costuma usar em suas confecções? N.S.: Geralmente tecidos planos confortáveis, como linho, tricoline acetinada, sarja acetinada, brim, seda; para a produção de roupas, uso também malhas dupla radiosa e lycra. Para fabricar bolsas e acessórios, utilizo a lona. P.: Existe algum estilista que admira? N.S.: Admiro o Ronaldo Fraga pela sua capacidade de inovação, tanto para criar como para apresentar suas coleções, sem necessariamente seguir aquela tradicional métrica do sistema, criando coisas realmente fabulosas. P.: Quem é sua maior inspiração? N.S.: Minha mamãe, a sra. Maria do São Pedro, a Dona Pêu, que me ensinou a dar meus primeiros passos fortes. Passos esses que me conduziram na minha caminhada pela vida. O amor pelo trabalho em busca de um sonho, isto é muito gratificante, o orgulho que ela tem de mim. P.: Quais são seus planos para o futuro? N.S.: Quero aumentar minha empresa, contratar pessoas, tornar meus produtos mais conhecidos e ampliar a capacidade de atuação no mercado. Para adquirir os produtos de Nea Santanna, você pode entrar em contato pelo site www.neasanttana.com ou e-mail neasanttana@hotmail.com.

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pano pra manga

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Notícias de uma alma

múltipla

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ou Over. Sinto numa intensidade dinâmica e ascendente. Uso conscientemente todos os sentidos, incluindo o sexto deles. Acredito no terceiro olho. Luto e venço, porque tenho alma de campeã. Mas não tenho medo de perdas simbólicas (só a morte é uma perda permanente). Escolho deixar ir o que não me faz (mais) feliz, mas se o vento muda de direção, não tenho medo de mudar meu posicionamento. Evoluo nessa mudança. Prefiro as atitudes mais nobres e raras, mas sei preterir o que não presta. Não

sei precisar se todas as pessoas têm lados positivos e negativos, mas sei que há quem seja totalmente do bem, portanto, a lógica me lembra de que o oposto também é factível. Afasto-as. Sofro minhas dores até o instante em que elas me tiraram o ar. Ponto em que o pesadelo me lembra de que sou da turma do sonho, e acordo respirando melhor. Sou o lado direito, totalmente avessa ao que não é do bem. Respondo altiva. Chego onde quero chegar. Pois, o melhor lugar já conheci, e o tempo que eu

foto: SXC.HU

Por Sandra Teschner


tive com todos os meus amados a meu lado em forma viva já foi o ápice da festa.

Opto então pela felicidade aqui, onde estou, no agora, mas com quem? Com meu amor, meu filho,

Sofro minhas dores até o instante em que elas me tiraram o ar. Ponto em que o pesadelo me lembra de que sou da turma do sonho, e acordo respirando melhor. Sou o lado direito, totalmente avessa ao que não é do bem. A vida como eu conhecia já não existirá mais. terei de reinventar minha própria roda.

minha mãezinha, meus irmãos, minhas superamigas e milhões de amigos, meus afilhados, meus

sobrinhos (todos os meus sobrinhos também são meus afilhados!), minhas tias tão minhas, meus tantos profashionais. Opto por antigos outros amores com quem não compartilhei minha vida de mulher, mas que ficaram guardados carinhosamente porque fomos gente que ama gente. Sou o uivar do vento, a brisa que passa. Chuva fina e trovoada. Sou muitas de nós povoando um só corpo nessa alma múltipla que responde pelo nome de Sandra Salena teschner. Eu, bem Eu!

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APOSTAS - talento

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P

l e v á t o n

A atriz Natália Guedes acaba de estrear seu primeiro papel na TV. A Profashional aposta em seu talento e tem certeza de que a atriz mirim ainda vai dar o que falar!

fotos: Daniela rodrigues

N

atália Guedes, de apenas 10 anos, fez sua estreia recentemente na TV, mas já demonstra que tem tudo para ser uma grande estrela. Interpretando Tita na nova fase de “Malhação” (TV Globo), a menina mostra que talento não tem idade. Natália fez sua primeira campanha publicitária aos 6 anos. No teatro, iniciou em 2012 como a Porquinha Felizbela, na peça “O julgamento do Lobo Mau”, no teatro Princesa Isabel, no Rio de Janeiro. No mesmo ano, sob a direção de Felipe Joffily, interpretou Tamara no filme “E aí, comeu?” em que era filha dos personagens protagonistas de Dira Paes e Marcos Palmeira. Confira a entrevista exclusiva com a mais nova pequena profashional!


Profashional: Como surgiu a vontade de ser atriz? Natália Guedes: Meu avô, por parte de pai, foi diretor de teatro amador nos anos 50 e 60 e tem uma história muito bonita. Minha mãe participou de peças de teatro amador na escola onde ela trabalha e meu pai, quando jovem, tocava guitarra em um conjunto. O palco sempre esteve presente na família e acho que herdei um pedaço disso deles. O papel do artista é levar alegria e sonhos para as pessoas que assistem às novelas, às peças de teatro, aos filmes. Fico muito feliz quando alguém na rua elogia meu trabalho, quando recebo mensagens no Instagram, ou quando saio das gravações e tem sempre gente fora do estúdio querendo ver os atores. Sempre achei importante fazer alguém feliz e os atores têm uma oportunidade muito legal de fazer isto.

FOTOS: Divulgação

P.: As gravações não atrapalham os estudos? Como conciliar os dois? N. G.: Atrapalhar não atrapalham porque estou conseguindo manter boas notas em todas as matérias, mas dá muito mais trabalho, pois tenho de estudar até mais tarde de noite e também nos fins de semana e meus pais acabam tendo de ficar comigo em casa. Preciso me organizar muito para conseguir conciliar estudos com as gravações, com o balé, a natação e com a escola de teatro. Há um professor na Escola Americana onde eu estudo que diz: “No pain, no gain” (sem dor não há vitória). P.: Quais os projetos futuros? N. G.: Quando acabar esse projeto,

vou me dedicar ainda mais ao meu curso de teatro que faço aos sábados e a tudo o que puder para estar mais preparada para desafios maiores. Quero voltar a fazer canto, aprender a tocar piano, voltar para a natação, esporte que amo de paixão. E torcer, torcer muito para que novas oportunidades apareçam, pois nunca me senti tão feliz em minha vida. P.: Com quais atores/atrizes gostaria de trabalhar? N. G.: Comecei a carreira há muito pouco tempo e meu maior sonho é conseguir novas oportunidades, participar de novos projetos. O elenco de “Malhação” tem grandes atores, como Isabela Garcia, Tuca Andrada, Luiza Micheletti, Alexandra Richter, meu papito na novela, Gil Hernandez, e tantos outros que sempre me dão bons conselhos e me tratam com muito carinho. Na galera jovem, existe muita gente talentosa... O Vitor Thiré, que está sempre de bem com a vida, dedicado, bem-humorado e carinhoso com todos. O Gabriel Leone, com quem aprendi muito. O Cadu Paschoal, o intelectual da turma. O Blaise Musipere, com uma história de vida linda, o Marlon Queiroz, meu parceiro de cenas, e tantos outros. Citar nomes é ruim, pois teria de falar de todo mundo da equipe, e não poderia esquecer a produção, os câmeras, as camareiras. Todos os dias aprendo alguma coisa com algum deles. Peço todos os dias a Deus para que nos novos projetos eu possa estar perto de bons profissionais para aprender ainda mais.

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R RETRÔ

PEADO # GRAM

Os fãs dos games que fizeram sucesso na década de 90 não podem deixar de ter um Pac-man especial para grampear as folhas de trabalho. Você pode aproveitar para usá-lo como parte da decoração divertida da sua mesa. www.osegredodovitorio.com

Fotos: divulgação

Os dias quentes pedem bebidas bem geladinhas e, para ser mais prático na hora de gelar as garrafas na praia ou na piscina, um cooler inflável é a pedida. Basta encher e curtir o Sol. www.imaginarium.com.br


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CARINHO M O C Á # CH

Vai receber as amigas em casa? O bule e xícara com carinho deixam tudo mais charmoso na hora de servir o chá. O encontro terá um toque especial e fofo. www.imaginarium.com.br

# ROCK NA COZINHA Para os fãs de artigos de rock, as colheres de pau em forma de baixo e guitarra não podem faltar na hora de preparar a comida. Com charme único, você pode até fingir que é um rock star das panelas. www.osegredodovitorio.com

# GIZ E TEMPERO Para quem gosta de fazer arte na hora de usar o ketchup e a mostarda, nada como utensílios que lembram giz de cera para inspirar. Faça uma obra-prima pronta para comer. www.meninos.us

# 3D FASHION Unir tecnologia e moda é sempre surpreendente. Para quem gosta de um estilo bem divertido, nada como as bolsas 3D. Além de lembrarem as dos desenhos animados, elas têm um efeito muito divertido; nem parece que são de verdade. http://www.monky.com.br

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coluna da dani

Art Basel

24

Por Daniela Rodrigues @miscelanium

Instalação com sandálias de Benvenuto Chavajay

Nosso ícone de estilo,

Audrey Hepburn, fumando

cachimbo por Daniel Cherbuin

Eu comecei a minha visita

pelo pavilhão chamado Eat Art. Paris é a capital da

moda, correto? Então, por que não começar a matéria mostrando esta linda

instalação com pratos e a torre Eiffel?

Chanel Lollipop de Eugenio Merino

FOTOS: DANIELA RODRIGUES

A

rt Basel Miami, um dos eventos de arte mais importantes dos Estados Unidos, aconteceu em Miami e, é claro, que eu fui lá conferir tudo de pertinho. Este é o segundo ano que vou e, a cada edição, me surpreendo cada vez mais. Desta vez, fui com um olhar mais fashion e procurei obras que relacionavam moda e arte de alguma forma. Combinação mais que comum, mas que pode trazer resultados bem inesperados e incríveis, claro! Bom, separei para vocês algumas obras que realmente me chamaram a atenção. Deem uma olhada:


A ditadura da moda caracterizada pela obra de Claudia Rogge

Pílulas enormes com os lo-

gos da Louis Vuitton e Chanel simbolizando que “moda é uma droga que vicia” da

série Desire Obtain Cherish A icônica ilustração do movimento feminista feita de cristais de Vicky Muniz

Marcas de luxo famosas caracterizadas na obra Desire Obtain Cherish

Figura feita de renda e

crochê de diversas cores e desenhos de Lisa Kokin

Instalação feita de botões de Augusto Esquivel


ilusTRação: HuMbeRTo liMa

e s e r u t l u C Um pouco de tudo.

Cinema, teatro, espetáculos, livros, o que houver.

Cultura levada a sério de um jeito bem divertido e profashional. Por Mirella Stivani

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aRTe/ilustração: MARCO TULIO GRANDI Fotos: Divulgação da banda/Kristin Burns/Editora Benvirá

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No ritmo das drogas, amor & rock ‘n’ roll Por Mirella Stivani

John Taylor, baixista da banda inglesa Duran Duran, lança seu livro de memórias no Brasil e conta um pouco mais sobre esta experiência em uma entrevista exclusiva à Profashional John Taylor, baixista do Duran Duran, resolveu reunir suas lembranças dos loucos anos de sua juventude e as transformou em livro. Em “No Ritmo do Prazer: Amor, Morte e Duran Duran” (Editora Benvirá), o músico conta, sem censura, seu envolvimento com drogas e bebida, o que quase o levou à morte. E também outros momentos não tão bacanas de sua carreira. Mas, apesar dos percalços, ele continua mais ativo do que nunca e ainda este ano deve lançar seu 14o álbum com a banda inglesa, que também traz Simon Le Bon (vocais), Nick Rhodes (teclados) e Roger Taylor (bateria). Mas o livro não é apenas isso. Para quem é fã do Duran Duran ou se interessa pelo cenário musical, “No Ritmo do Prazer” (no original em inglês – “In The Pleasure Groove: Love, Death & Duran Duran”) também revela momentos interessantes, como a transformação de John, de um garoto nerd e tímido em um dos símbolos sexuais mais desejados entre as garotas nos anos 80 (o séquito de admiradoras continua até hoje). E, claro, todo o caminho até o sucesso, que resultou em milhões de discos vendidos e na convivência com ícones da cultura pop, como David Bowie e Andy Warhol. O Duran Duran nasceu em 1978, em Birmingham, e não demorou muito a alcançar o sucesso mundial. Liderou as aparições na MTV, comandando a “Segunda Invasão Britânica nos Estados Unidos”. Além disso, a banda colocou 14 Singles no Top 10 britânico e 21 na Billboard Hot 100, o que lhe rendeu uma vendagem de mais de 100 milhões de cópias por todo o mundo. Dos integrantes iniciais, apenas Andy Taylor não está mais na formação atual. John relata que, para escrever o livro, contou com a ajuda de recordações físicas que encontrou na casa

dos pais, o que facilitou a ele criar um cronograma dos acontecimentos da década de 80. Mas sua memória é o que mais lhe norteou, assim como suas impressões sobre os fatos. A seguir, confira uma entrevista exclusiva de John Taylor à Profashional, falando um pouco mais sobre “No Ritmo do Prazer: Amor, Morte e Duran Duran” e a vontade de conhecer alguns lugares específicos do Brasil.

O livro xxxxx: bacanas de sua carreira. MaNick Rhodes (teclados) e Roger Taylor (bateria).

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Culture-se Profashional: Por que você decidiu escrever “No Ritmo do Prazer: Amor, Morte e Duran Duran”? John Taylor: Eu recebi uma oferta, então pensei que seria divertido e interessante. Talvez proporcionar o encerramento de certos aspectos da vida e carreira. Eu queria compartilhar algumas de minhas experiências com drogas e álcool, falar sobre os efeitos positivos da reabilitação. P.: Como foi o processo de reunir todas as lembranças e passá-las para o papel? J. T.: Tive um grande companheiro de equipe, Tom Sykes (escritor e jornalista). Quando eu precisava me organizar, não existia alguém melhor para me ajudar. Também foi uma ótima desculpa para ir a fundo e separar todas as recordações que os meus pais reuniram ao longo dos anos.

P.: Qual mensagem você gostaria de transmitir aos leitores de “No Ritmo do Prazer”? J. T.: Os problemas existem para todos, seja para quem está no topo ou em qualquer lugar. O importante é lembrar que a felicidade é um estado de espírito. P.: Quais são suas melhores memórias sobre o Brasil? J. T.: Destaco nossa primeira vez tocando no País, no Hollywood Rock de 1988, e o show de São Paulo. Desde então, temos visitado o Rio de Janeiro e a capital paulista e sempre nos divertimos. Na última turnê, passamos por Brasília pela primeira vez e eu achei a cidade fascinante. Quero conhecer mais do Brasil, especialmente a Bahia e o Amazonas. Talvez eu tenha de ir para a copa do Mundo!

P.: O seu livro está sendo lançado e m d i f e r e n t e s p a í s e s . Vo c ê esperava esse sucesso todo? J. T.: Eu realmente não crio expectativas. Estou feliz por ter feito isso (escrito o livro). Muitas pessoas me disseram que o adoraram, que foi uma experiência e tanto lê-lo. Para mim, foi um esforço que valeu a pena.

FoTo: DivulGação Da baNDa/KRisTiN buRNs

P.: Existe algum capítulo de que você gosta mais? J. T.: Eu gosto dos capítulos de viagem, como, por exemplo, a ida com minha mãe à igreja ou quando peguei o ônibus rumo a Birmingham. Depois de tantos anos, foi divertido mapear esses acontecimentos para além da minha memória.

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O musical de Andrew Lloyd Webber e Tim Rice chega a São Paulo com direção de Jorge Takla e o ator Igor Rickli como protagonista

Superstar no Brasil

Jesus Cristo

fotos: João Caldas

Rock ’N’Roll. Esse é o elemento primordial que mantém contemporâneo o espírito de um dos mais aclamados musicais de todos os tempos: “Jesus Cristo Superstar”, de Andrew Lloyd Webber e Tim Rice. E é explorando as qualidades características do gênero como atitude, irreverência, contestação, agressividade e liberdade – que o diretor artístico Jorge Takla traz sua versão atualizada deste clássico musical que está em cartaz no Teatro do Complexo Ohtake Cultural (São Paulo/SP). A ópera-rock conta com a participação de Igor Rickli no papel de Jesus Cristo e de Negra Li como Maria Madalena. A adaptação do musical norte-americano tem uma duração mais curta (dois atos com um total de 130 minutos) que o espetáculo original. “Muito bacana interpretar o papel de Jesus, é como dirigir uma Ferrari. É um personagem bastante complexo. Nós tentamos fazer um Jesus forte, idealista, líder político e rigoroso. Para um ator, é um papel muito rico, que te dá asas, um prêmio! Eu estou amando e literalmente nas nuvens”, contou Igor Rickli à Profashional.


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fotos: João Caldas

Mesmo 44 anos após seu début, na Broadway, “Jesus Cristo Superstar” continua causando desconforto em alguns religiosos. Na noite de estreia em São Paulo, algumas instituições católicas se reuniram na porta do teatro. Mas a manifestação foi pacífica. “O Brasil é um país laico. Eu sou cristão e praticante. Essa peça não fere em nada a minha fé. Pelo contrário, reanima a minha fé, o meu questionamento. É transgressora, sim na linguagem e como toda obra de arte de valor faz a gente pensar um pouco. Acho que todo mundo tem direito de não gostar ou de se sentir pessoalmente atingido, assim como nós também temos o direito de nos expressar. Isso é normal e eu acho saudável”, defende o diretor Jorge Takla. A narrativa apresenta a última semana de vida de Jesus Cristo, desde sua chegada em Jerusalém até o dia em que foi crucificado. O elenco traz ainda Alírio Netto, como Judas, Fred Silveira, como Pilatos e Wellington Nogueira, como Herodes.

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arremate

Memórias sempre presentes

Fernanda Langhammer, para sempre Profashional e editora de moda e beleza da revista Woman this Month (www.womanthismonth.com)

FOTO: ACERVO FERNANDA LANGHAMMER

Por Fernanda Langhammer

Difícil encontrar outra forma de explicar o que é conviver em um ambiente onde seu lado mais criativo e sensível encontra liberdade para se expressar. Onde bonecas Barbies, arte e riqueza de detalhes inspiram o teu dia a dia

Hoje sou editora de moda e beleza de uma revista feminina no Oriente Médio. O caminho até esse canto do mundo teve um elemento fundamental no início desta caminhada. E muitas características foram conquistadas quando há dez anos vivi nesse mundo chamado Profashional. Mundo sim! Difícil encontrar outra forma de explicar o que é conviver em um ambiente onde seu lado mais criativo e sensível encontra liberdade para se expressar. Onde bonecas Barbies, arte e riqueza de detalhes inspiram o teu dia a dia. Um local onde o mundo das ideias anda de mãos dadas com o mundo da razão. Esse era o meu local de trabalho. Aprendi a ser flexível, a procurar soluções sempre que esbarrava em um grande desafio, a acreditar que, sim, tudo é possivel (ou quase tudo) e que quando se quer de verdade, o poder acontece. Ser positiva e trabalhar com seriedade e amor é algo que desde então tem me acompanhado em todos os meus outros locais de trabalho. Impossível não sentir saudade, impossível não sentir aquela sensação boa de felicidade quando leio sobre as novas conquistas ou as palavras de nossa publisher (para sempre minha publisher). Infelizmente não tenho mais acesso à forma física, mas o mundo virtual

que nos cerca colabora para que esteja sempre perto do coração. Essa semana recebi dois convites que serão inesquecíveis. Um para escrever este Arremate, pedido que fiz a tantas outras pessoas que eram especiais a esta revista na época em que estava do lado de lá. Entendo bem o valor das palavras de quem aqui escreve. Obrigada! O segundo foi para participar das semanas de Moda de Nova York, Paris e Milão, com direito a ingresso nominal, números da seção, fileira e cadeira. Um sonho para quem trabalha no universo fashion. A moda entrou na minha vida pela Profashional que ainda ficava numa salinha na Jandira onde eu não tinha nem uma mesa para chamar de minha (risos). Como é bom olhar para trás e ver tantas conquistas. Ainda lembro onde estava e o que estava fazendo quando recebi o telefonema para a entrevista de emprego, que bom que atendi! Um grande abraço saudoso.

Revista Profashional Ed.106  

A Profashional é a única revista que é referência nacional para o público acadêmico e lojista. No nono ano editorial, conta com a colaboraçã...

Revista Profashional Ed.106  

A Profashional é a única revista que é referência nacional para o público acadêmico e lojista. No nono ano editorial, conta com a colaboraçã...

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