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Trecho I “Ao chegarem ao fundo de um valezinho, o Sr. Tumnus voltou-se de repente para o lado, indo direto ao encontro de uma rocha colossal. No último instante, Lúcia percebeu que ele a conduzia para a entrada de uma caverna Mal se acharam lá dentro, ela começou a piscar à vista de uma bela lareira acesa. O Sr. Tmnus tirou do fogo um tição e acendeu um fogareiro. - Não demora – disse, pondo a chaleira no fogo. Lúcia nunca estivera num lugar tão agradável. Era uma caverna quentinha e limpa. (...) Havia ainda uma mesa, uma prateleira e uma chaminé por cima da lareira; e, dominando tudo, o retrato de um velho fauno de barba grisalha. (...) - Vamos, filha de Eva! Foi de fato um chá maravilhoso. Um ovo mal cozido para cada um, sardinhas fritas, torradas com manteiga, torradas com mel em seguida, e depois um bolo todo coberto de açúcar. Quando Lúcia já não podia comer mais, o fauno começou a falar. Sabia histórias maravilhosas da vida na floresta.” (Capítulo II, p. 108)

Trecho II “Eram os passos de Edmundo, que entrou na sala ainda a tempo de ver Lúcia sumir dentro do guarda-roupa. Sem hesitar, resolveu entrar também – não porque considerasse um bom esconderijo, mas porque tinha vontade de continuar a chateá-la com o seu mundo imaginário (...) Chegou a gritar: ‘Lúcia! Lu! Onde você está Sei que está aí, sua boba’. Mas ficou sem resposta (...); depois viu uma luz. - Graças a Deus! A porta de abriu sozinha. Esquecendo-se completamente de Lúcia, começou a andar em direção à luz, julgando ser a porta do guarda-roupa. Mas em vez de dar na sala vazia, ficou espantado ao passar da sombra de umas árvores grossas para uma clareira no meio do bosque. Sentia sob os pés a neve dura (...).” (Capítulo III, pp. 113-114)

Trecho III “- Que cheiro horrível de cânfora! – exclamou Edmundo. - Deve ser dos boldos dos casacos, cheios de naftalina, para espantar traças – disse Susana. - Tem um troço aqui me picando nas costas – disse Pedro. - Não está ficando frio? – perguntou Susana. - E muito – disse Pedro. – E que umidade! Que diabo de lugar é este? Estou sentado em cima de uma coisa molhada. E está cada vez mais úmido. Foi com dificuldade que Pedro conseguiu erguer-se. Edmundo disse: - Vamos sair, eles já foram embora. - Oh! Oh! – gritou Susana de repente. Todos perguntaram o que tinha acontecido. - Estou encostada numa árvore – disse ela. – Olhem! Lá longe está clareando.


- Puxa vida, é mesmo! – disse Pedro. – E olhem pra lá... e pra lá... tudo cheio de árvores! E esta coisa molhada é neve. Agora acredito que estamos no bosque da Lúcia. (...) - E agora, o que vamos fazer? – perguntou Susana. - Ora, vamos explorar o bosque – disse Pedro. - Ufa! – exclamou Susana, batendo com os pés no chão. – Está um frio de doer. E se a gente vestisse estes casacos? Não acham uma boa idéia?” (Capítulo VI, p. 126-127)

Trecho IV “-Aslam?! – exclamou o Sr. Castor. – Então não sabem? Aslam é o rei. É o verdadeiro Senhor dos Bosques, embora já há muito esteja ausente. Desde o tempo do meu pai e do meu avô. Agora chegou a notícia de que vai voltar. Neste momento mesmo está em Nárnia. Ele dará um jeito na Feiticeira Branca, não se preocupem. (...) Assim diz um velho poema que costumamos cantar: O mal será bem quando Aslam chegar, Ao seu rugido, a dor fugirá, Nos seus dentes, o inverno morrerá, Na sua juba, a flor há de voltar. (...) - E ele é um homem? – perguntou Lúcia. - Aslam, um homem! – disse o Sr. Castor, muito sério. – Não, não. Não lhes disse eu que ele é o Rei dos Bosques, filho do grande Imperador de Além-Mar? Então não sabem quem é o rei dos animais? Aslam é um leão... o Leão, o grande Leão!” (Capítulo VIII, p. 137)

Trecho V “Era o tilintar de muitas sinetas. - ( ...) Venham só ver! Que surpresa para a feiticeira! O poder dela já está balançando. (...) Não disse a vocês que, por artes dela, era sempre inverno e o Natal nunca chegava? Não disse? Pois veja, agora! E, de fato, lá em cima todos puderam ver. (...) No trenó estava alguém que todos reconheceram à primeira vista. Era um home alto, vestido de vermelho-vivo como as bagas do azevinho, com um capuz forrado de pele, uma barba branca, tão comprida que lhe cobria o peito como uma queda d’água espumante. (...) - Pedro, Filho de Adão – continuou Papai Noel. - Presente! – disse Pedro. - Presentes para você. São ferramentas, e não brinquedos, Talvez não esteja longe o dia em que precisarão usa-las. Com honra! E entregou a Pedro um escudo e uma espada. O escudo era cor de prata, com um leão rubro no centro, lustroso como um morango pronto para ser comido. A espada tinha punho de ouro, bainha, cinto, tudo, e parecia feita sob medida. Pedro recebeu os presentes em grave silêncio, sentindo que se tratava de uma coisa muito séria.” (Capítulo XI, pp. 149-151)


Trecho VI “- E agora – prosseguiu Papai Noel – vamos aos presentes! (...) Susana! Filha de Eva! Isto é para você. – E Papai Noel entregou-lhe um arco, uma aljava cheia de setas e uma trompazinha de marfim. – Só deve usar o arco em grande risco, pois não quero que você tome parte ativa na luta. Raras vezes falha o alvo. Quanto à trompa, é só levá-la aos lábios e tocar: auxílio lhe virá de alguma parte.” (Capítulo XI, pp. 150-151)

Trecho VII “- E agora – prosseguiu Papai Noel – vamos aos presentes! (...) Lúcia, Filha de Eva! – Papai Noel estendeu-lhe uma garrafinha, que parecia de vidro (houve mais tarde quem dissesse que era de diamante) e um punhal muito pequeno. – Esta garrafa contém um tônico feito do suco de uma flor de fogo que cresce nas montanhas do sol. Se um amigo estiver ferido, bastam algumas gotas para cura-lo. O punhal é para sua defesa, em caso de extrema necessidade. Porque você também não deve entrar na luta. - Por que não, meu senhor? – disse Lúcia. – Acho que... bem, não sei... mas acho que eu era capaz de não ter medo!” (Capítulo XI, pp. 150-151)

Trecho VIII “Ao chegarem à última curva, num vale estreito e sinuoso, Lúcia ouviu um ruído que dominava todos os outros: um ruído que a fez estremecer por dentro. Eram gritos e uivos e o choque de metal contra metal. Ao saírem do vale, viu logo do que se tratava. Pedro, Edmundo e todo o resto do exército de Aslam lutavam desesperadamente contra uma imundície de gente, seres hediondos, como os da véspera. À luz do dia, eram ainda mais estranhos, mais malignos e mais monstruosos. E pareciam mais numerosos.” (Capítulo XVI, p. 180)

Trechos de O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa.  

Leitura de trecho do livro O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa.