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regional e setorial do território-rede de cadeias de negócios e territórios-zona de micro e mesoregiões e estados ou províncias, o que caberia ao territóriozona da escala nacional e dos territórios-zona e rede da escala internacional. E, fundamentalmente, ao que caberia na composição das partes elementares da família e comunidades que abrigam seres humanos. O livro Territories of Social Responsibility: Opening the Research and Policy Agenda, publicado pela Editora Ashgate (Reino Unido) em 2012, que pude editar em conjunto com Prof. David Crowther, nos permitiu publicar uma posição em prol de escala multiatores e multinível para a responsabilidade social, a partir da contribuição conjunta de diversos colegas em universidades e organizações da sociedade civil no Brasil, Camarões, Nigéria, Holanda, Inglaterra, Portugal e China. Deslocamos a crença no voluntarismo baseado no individualismo possessivo como mola mestra e exclusiva do sentido societal. No livro, optamos pelo caminho da fraternidade pelo trabalho coletivo em múltiplas escalas como princípio e sentido de organização societal orientada para a sustentabilidade. Acenamos para a inclusão e qualificação social pelo respeito aos direitos humanos que dignifica o sentido do (con)viver humano e o cuidado ambiental como princípio e caminho das políticas, o que passa pelo gesto diário de cada uma das ‘partes’, inclusive na faxina do que não é mais do nosso tempo ‘futuro atual’. FAXINA DO QUE NÃO SERVE MAIS PARA O NOSSO TEMPO ‘FUTURO ATUAL’ Práticas rotineiras de transporte individual no deslocamento de casa para o trabalho, de casa para o comércio, de casa para a escola, por meio de veículo motorizado em carros é algo que não é mais do nosso tempo ‘futuro atual’. É cultura do individualismo possessivo. Políticas de transição nas alternativas de mobilidade urbana,

fomentando a ciência, tecnologia e indústria para uma economia baseada em transporte coletivo com energia renovável e limpa são parte do tempo ‘futuro atual’. Embalagens de unidades de produto também são hábitos do passado que insistimos em adotar nos modelos de negócio. Resgatar a economia de embalagens em escalas maiores, reutilizáveis, retornáveis ou degradáveis ou em venda a granel é adotar políticas para o tempo ‘futuro atual’. Leis ultrapassadas, que só enxergam aspectos financeiros ou fiscais, sem considerar as dimensões social e ambiental das atuais e futuras gerações estão fora de nosso tempo ‘futuro atual’. Se a proposta do novo marco legal da mineração só olhar o quanto será gerado a mais de CFEM – Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais, está fadada a nos arrastar de volta a um tempo ultrapassado, fora de nosso tempo ‘futuro atual’, pois não associa em seu conteúdo requisitos ambientais e sociais para as responsabilidades sociais das empresas, das Prefeituras, dos estados e da União na concessão de áreas para exploração de recursos minerais e no uso das receitas da CFEM. O Estado tem que reconhecer, pelas políticas públicas e planos de governo, em todas as suas escalas (municipal, estadual e nacional), que a agenda do desenvolvimento sustentável requer uma total faxina do que não nos serve mais em leis, decretos, portarias e resoluções. Não precisamos de mais leis e normas, mas de melhores leis e normas, antenadas com o nosso tempo ‘futuro atual’. O Girassol da Chácara, em sua Maestria, nos ensina.

Sigo agora a tratar do que o Girassol da Chácara me ensinou e pude refletir desde então no campo de conhecimento de responsabilidade social. Professora Associada e Coordenadora do grupo de pesquisa e extensão Rede EConsCiencia e Ecocidades, do Departamento de Análise Geoambiental do Instituto de Geociências, Universidade Federal Fluminense. Contato: www.econsciencia.uff.br.

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Plurale em Revista ed. 37  

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