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Marcelo Solá, 1971, vive e trabalha em Goiânia, GO. Sua linha de ação transita entre desenho, desenho-pintura, por vezes, desenho instalação e instalação com o uso de objetos. Orientado para uma nova área limítrofe do desenho, seus trabalhos ganham uma notoriedade e se destaca por suas características fora do gênero. Sua obra tem ganhado atenção da crítica de arte.

Marcelo Sola, 1971, lives and works in Goiânia, GO. His line of action moves between drawing, painting drawing and sometimes drawing installation and installation of objects. Driven to a new area bordering of the drawing, the works of Sola earn a vnotoriety and has stood out for characteristics out of the genre. His work has gained attention of art criticism.


“Panorama da Arte Brasileira Contemporânea sobre Papel” Museu de Arte Moderna de São Paulo | São Paulo - SP | 1999 “Desenhos” - Drawing Center | Nova Iorque - USA | 2001 “XXI Bienal Internacional de São Paulo” | São Paulo -SP | 2002 “Desenho Traço e espaço.” - Instituto Tomie Ohtake | 2003 “Novas Aquisições Coleção Gilberto Chateaubriand” - Museu de Arte Moderna Rio de Janeiro - RJ | 2004 “Desenhos Inéditos” - FUNARTE | Brasilía - DF | 2005 “10+1: Os Anos Recentes da Arte Brasileira”- Instituto Tomie Ohtake São Paulo - SP | 2006 “Heteronímia Brasil” - Museu de America | Madrid - Espanha 2007 “Nova Arte Nova” - CCBB | Rio de Janeiro - RJ | 2008 - CCBB | São Paulo - SP | 2009 “Desenhos Inéditos” - Centro de Cultura Laura Alvim | Rio de Janeiro - RJ | 2010 “7 x Cidade” - Caixa Cultural | São Paulo | 2012


Utopias íntimas. O risco está no centro da poética de Marcelo Solá. Suas anotações velozes são lançadas no vazio aberto por cada página de um diário inventado. Arquiteturas improváveis, bichos híbridos e substâncias que prometem a cura do sofrimento tornam o desenho um ponto de partida para alcançar o mundo, imaginá-lo e viver nele. Referências planetárias, como o Hemisfério do Nunca, e estranhas instituições, como o El Museo Cromagnolia, têm evidentes interseções com situações existentes no campo da arte. Frases partidas, estrangeiras, desenhadas, reescritas, empilhadas, parecem ter a mesma matéria que as coisas. Os nomes, em suas combinações, erguem espaços metafóricos e cortam a dureza de muros que remetem aos limites que regulam o mercado e o sistema da arte. Escadas, portas, empenas, projetam uma geometria urbana que não será construída; capturam uma dinâmica emocional surgida no encontro e no conflito entre o institucional (que implica em permanência) e a produção da arte (onde o interesse pelo transitório é fortalecido). Se surgem abismos e distâncias a serem vencidas entre as construções da cultura (dominantes ou periféricas), no desenho de Solá, aberturas e escadarias arriscam criar ligações entre compartimentos vizinhos, imaginam passagens onde há bloqueio e conversas entre idiomas sem tradução. Campos de cor derramam renovada intensidade em torno das palavras, criam grandes rasuras, velam a escrita. Por vezes, constituem um plano ou recortam um quadro em que o texto é sobreposto. As palavras ganham ambigüidade e indeterminação quando transpostas para a tela em grandes dimensões. Mas, a conquista de significados é contida, contrariada, pela pintura que os apaga e comprime. Os trabalhos de Solá aludem ao regime de mobilidade do artista contemporâneo cuja produção é vinculada à renovação constante de seu mapa de viagem. Evocam tanto a festa como o desengano de Chanterclayson, um motoboy de nome híbrido (uma irônica e sonora combinação de Chanteclair, que foi um prostíbulo de Recife, e Clayson, um cara da periferia). Esse duplo do artista é o autor de um conjunto de desenhos em que especulações sobre o nada arrastam all dusted souls – expressões graficamente articuladas que convivem com quimeras de orelhas pontudas, cuecas e sexo aguçado. Afastado dos centros econômicos e culturais funciona o Hidrolands Grafish Atelier, um anexo poético do ateliê do artista em Hidrolândia. A produção de serigrafias sobre imagens existentes (mapas, papel de parede) acontece na pequena cidade em Goiás, que é o ponto fora do mapa para onde o artista retorna e de onde novamente parte para Oslo, Nova York, Recife, Berlim, Amsterdã, Rio de Janeiro. Essas expedições exploratórias reaparecem no desenho que captura e instiga os limites institucionais da arte, enquanto um lobo-guará rastreia a paisagem. Vivências locais, à margem, íntimas, tornam-se públicas constituindo um tempo e lugar em que a circulação poética pretende vencer bloqueios ou distâncias. Então, talvez seja possível uma tradução para fuck neuza, fragmento que


aparece em um dos desenhos de Chanterclayson. O negro recorrente sobre o qual o artista lança cores escorridas, rabiscos e letreiros, indica um interesse no que aparece em negativo, na ausência. Assim são as utopias. Conquistas improváveis (o pleno acesso institucional, o trânsito livre entre fronteiras, um tradutor universal) continuam anunciadas para um futuro próximo, uma outra modernidade. Esse tempo, porém, escapa. Costurando o fluxo, entre uma entrega e outra Chanterclayson possivelmente advertiria: é preciso arriscar, com certo ceticismo e humor agudo. Luiza Interlenghi


Intimate Utopias Risk is at the core of artist Marcelo Solá’s poetic. His brisk comments are launched in the open void on each page of his invented diary. Improbable architectures, hybrid animals and substances that promise the cure to sufferance turn the drawing into the point of departure to reach out to the world, to imagine it and live within it. Planetary references, such as the Never Hemisphere, and strange institutions, such as El Museo Cromagnolia, indicate clear intersections with existing cirmcumstances in the domain of Art. Broken, foreign phrases, drawn, rewritten, piled up, appear to be made of the exact same matter as things in general. The names in its combinations build up metaphoric spaces and slash the rocklike hardness of the walls in reference to the limits that regulate the market and the art system. Stairs, doors and gables project an urban geometry that will never be built; capture an emotional dynamic brought about by the encounter and conflict amidst the institutional (which implies permanence) and the production of art (where interest over the transitory aspect is enhanced). In Solá´s drawings, if abysses and distances emerge to be overcomed among buildings of culture (dominant or peripheral), openings and staircases take a chance while creating links among neighbouring compartments, imagening passages where there are barriers and conversation in languages with no translation. Areas of colour overflow renewed intensity amongst words, create large erasures, safeguard the written word. Every now and then, they constitute a plane or cut out a picture in which the text is overlaid. Words gain ambiguity and indetermination while transposed to the large dimension of the canvas. Nevertheless, the mastery of the meanings of the words is contained and contradicted by the painting that erases and constricts it. Solá´s works refer to the state of moblity of the contemporary artist whose production is connected to constant renewal of the map in quest of his personal journey. They evoke the celebration as well as the disillusion of Chanterclayson, a motorcycle courier with a compound name (an ironic and sonorous combination of Chanteclair, an old brothel in Recife, and Clayson, name of a guy born in the city outskirts). This double psyche of the artist is the author of a series of drawings in which speculations over nothingness haul all dusted souls – expressions graphically articulated that coexist with demons with pointed ears, underwear and craving sex. Far from all financial and cultural hubs rests Hidrolands Grafish Atelier, a poetic appendix inside the artist´s studio in Hidrolândia. The production of serigraphy of existing images (maps, wallpaper) is put together in a small town in Goiás state, a place outside the map where the artist returns to frequently only to travel again to Oslo, New York, Recife, Berlin, Amsterdan, Rio de Janeiro. These exploratory expeditions reappear in


drawings that capture and incite the institutional limits of art, while a lobo-guarå (an indigenous species of wolf) tracks down the landscape. Local, borderline, intimate, experiences become public and constitute a time and place where poetic imagery aims at overcoming barriers or distances. Maybe then it will be possible to fully translate fuck neuza, a fragment that appears in one of Chanterclayson´s drawings. The color black over which the artist splashes dripping colours, doodles and billboards, indicate an interest on what can be seen in negative, in absence. Such are the utopias. Improbable conquests (full institutional access, free transit across borders, a universal translator) are still announced at a near future, another sort of modernity. Time, however, escapes. Tailoring the flow between one delivery and the next, Chanterclayson would possibly warn us: one must take risks with a certain skepticism and an acute sense of humor. Luiza Interlenghi


60x42cm Desenho Sobre Papel


60x42cm Desenho Sobre Papel


84x62cm Desenho Sobre Papel


60x42cm Desenho Sobre Papel | 70x50cm Serigrafia sobre Mapa Edição 2 Exemplares


70x50cm Serigrafia sobre Mapa Edição 2 Exemplares


70x50cm Serigrafia Edição 2 Exemplares


160x150cm Desenho sobre papel


160x150cm Desenho sobre papel


200x170cm Desenho sobre papel


200x170cm Desenho sobre papel


200x170cm Desenho sobre papel


200x170cm Desenho sobre papel


200x170cm Desenho sobre papel


Equipe Galeria Luciana Caravello Arte Contemporânea Staff gallery Luciana Caravello Arte Contemporânea Luciana Caravello Ronaldo Simões Valéria Teixeira America Cavaliere Renato Cecílio Francinato Araujo Diego Martins

Luciana Caravello | Arte Contemporânea Horário:

Segunda a sexta, de 10h às 19h e Sábado de 11h às 14h Endereço:

Rua Barão de Jaguaripe, 387 – Ipanema – Rio de Janeiro – RJ – 22421-000 Tels.:

55 21 2523-4696 | 2512-9637 Emails:

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Marcelo Solá  

Catalogo Virtual da exposição Casa das Prima + Hidrolands Grafisch Atelier - Chanterclayson/ Dusted Souls | Marcelo Solá

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