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Ano II

NĂşmero 287

Data 09.10.2012


aqui - p. 11 - 09.10.12


estado de minas - edição eletrônica - economia - 09.10.12

FINANÇAS

Guerra aos bancos chega agora às tarifas

Depois de forçar a baixa dos juros, governo volta a se valer de uma instituição pública para diminuir custo financeiro. Banco do Brasil vai cortar valor de serviço em até 37,5% Carolina Mansur, Paula Takahashi e Paulo Henrique Lobato Primeiro as taxas de juros, depois as de administração de fundos de investimento e agora as tarifas bancárias. O governo iniciou nova empreitada para redução dos custos financeiros para o consumidor que, mais uma vez, começa pelos bancos públicos. Ontem o Banco do Brasil anunciou redução das tarifas prioritárias que chega a 37,5% no caso do fornecimento de segunda via de cartão de crédito, que passou de R$ 8 para R$ 5. As novas tarifas entram em vigor na segunda-feira. Ao todo, 24 tarifas foram revistas e sete pacotes de serviços barateados. À semelhança do que ocorreu com o corte de juros iniciado em abril deste ano, a expectativa dos especialistas é de que as instituições privadas reajam com anúncios semelhantes nos próximos dias. O esforço não é por acaso. Nos nove primeiros meses do ano, as tarifas cobradas pelos bancos públicos e privados para produtos e serviços tiveram aumento de até 191% nas operações para pessoa física. O fornecimento de extrato mensal, por exemplo, subiu 49,5%, passando de uma média de R$ 2,48 para R$ 3,71, segundo dados informados pelas instituições financeiras ao Banco Central. O corte das taxas de juros justifica boa parte deste movimento. “O fato é que os bancos tiveram queda nas receitas com redução do spread, o que os fez buscar uma compensação, seja por meio de aumento das vendas de títulos de capitalização ou concessão de empréstimos, seja a partir do aumento das tarifas e custos de manutenção das contas”, pondera Miguel Ribeiro de Oliveira, conselheiro e coordenador da área de pesquisas da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). O professor de economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/IBS) Mauro Rochlin considera praticamente certa a movimentação dos concorrentes. “Hoje, a Caixa Econômica e o Banco do Brasil têm a maior participação no crédito concedido. Ou seja, se eles se mexem, os privados também têm que se mexer para não perder participação”, explica. O Santander informou em nota que está “analisando todos os movimentos de mercado de forma a garantir para seus clientes o melhor conjunto de oferta e preços.” As demais instituições também avaliam o cenário. NA PONTA DO LÁPIS Cheque, saques, depósitos, consultas e transferências são alguns dos serviços do Banco do Brasil que ficam mais baratos a partir de segunda-feira. Somado a isso, o banco vai isentar os novos clientes da tarifa de confecção de cadastro, que hoje é de R$ 30, valor semelhante ao cobrado pelos concorrentes. Quanto aos pacotes de serviços, haverá opções gratuitas e aquelas que vão variar de R$ 3,80 a R$ 38 ao mês. Hoje há pacotes que custam até R$ 49,90. O pacote padronizado,

que dá direito a oito saques, quatro extratos do mês corrente, dois extratos do mês anterior e quatro transferências ao mês entre contas do mesmo banco passa de R$ 13,50 para R$ 9,90. Com os novos valores, o Banco do Brasil passa a deter as melhores tarifas em praticamente todos os serviços (veja quadro), à exceção daqueles que não são cobrados nos demais, como o depósito identificado, gratuito na Caixa e HSBC. A diferença dos valores cobrados pelo serviço que exceder o pacote mensal pode chegar a 75% no caso do saque no caixa eletrônico que passa a R$ 1,20 no BB e a  R$ 2,10 no Santander.

 Cliente deve ficar atento

 Apesar de estar na mira do governo, as tarifas estão longe de ser a principal preocupação dos consumidores na hora de escolher o banco. O coordenador do Procon Assembleia, Marcelo Barbosa, observa que hoje o correntista está muito mais atento aos juros cobrados do que às tarifas, ficando sem informação sobre o que de fato paga por algum serviço contratado. “Não adianta ficar monitorando queda de juros porque reduziram de um lado, mas aumentaram de outro. Os bancos tiram de um lado e ganham de outro”, frisa. Ele alerta ainda que ao contratar um serviço, seja empréstimo, abertura de conta ou utilização de cheque especial , o cliente deve conhecer as tarifas bancárias. Correntista do Santander e do Itaú, o engenheiro Inácio Vale Ribeiro diz que no último ano, principalmente, percebeu no extrato o aumento das tarifas. “Não sei mensurar o quanto as tarifas aumentaram, mas sei que no acumulado pagamos muito para fazer saques, transferências e qualquer outra movimentação”, reclama. Ribeiro, no entanto, tem como expectativa que as mudanças anunciadas pelo BB pressionem os bancos privados a também reduzir as tarifas. “Foi assim com os juros e imagino que também será com as tarifas porque os bancos não querem perder clientes”, diz. A autônoma Cissa Nunes Soares, cliente do Banco do Brasil mantêm a desconfiança e acredita que os bancos darão um jeito de ganhar de outra forma. “É preciso buscar mais conhecimento para saber os impactos disso na administração do banco porque não adianta pagar tarifas mais baratas, mas pagar isso em outro serviço”, observa. (PT e CM)  

Calote sobe na capital, mas recua no país

 Pela primeira vez em 2012, o percentual do aumento de consumidores com o nome negativado no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) da Câmara de Dirigente Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH) atingiu dois dígitos. No confronto entre setembro e agosto, o indicador avançou 13,87%. Em relação a setembro de 2011, o crescimento foi de 8,48%.


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Por sua vez, no país, a inadimplência recuou 12,02% entre setembro e igual mês de 2011, segundo o SPC Brasil. A CDL-BH e o SPC Brasil usam metodologias diferentes. A principal é que o resultado da entidade nacional reflete o saldo entre nomes negativados e excluídos do cadastro dos maus pagadores. Outra diferença é que o SPC Brasil não divulgou a comparação entre setembro e agosto de 2012, ao contrário da CDL. A alta da inadimplência em setembro na capital mineira, apurada pela CDL, interrompeu duas quedas consecutivas e foi atribuída pela economista Ana Paula Bastos, da CDL-BH, a um conjunto de fatores. Um deles é o descontrole dos gastos de muitos consumidores. As políticas do governo em estimular as vendas de alguns setores, como a redução do Imposto de Produtos Industrializados (IPI), “ajuda” a agravar esse problema. Outro motivo é o crescimento das vendas a prazo em agosto, devido ao Dia dos Pais, uma das melhores datas para o varejo brasileiro. “Nesse sentido, o uso inadequado do crédito e o consumo de forma inconsciente contribuíram para um crescimento dos índices de inadimplência”, reforçou Ana Paula. Cabe ressaltar, acrescenta a especialista, “que mui-

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tos empresários aproveitaram a injeção de capital extra na economia, por meio da primeira parcela do décimo terceiro salário dos aposentados, para registrar os débitos dos consumidores”. A estratégia, nesse caso, é forçar o inadimplente a quitar a dívida em atraso. No acumulado dos nove primeiros meses de 2012, o indicador expandiu 1,53% em BH. Esse índice só não foi maior em razão de, em setembro, também ter crescido o percentual de consumidores que regularizaram suas dívidas. Tal expansão foi de 11,36% na comparação com agosto passado. Uma das explicações é a chegada do Dia das Crianças. A data tem forte apelo consumista, estimulando devedores a regularizarem suas pendências financeiras em busca de novos créditos. “Também a aproximação do Natal incentiva as pessoas a regularizarem suas dívidas”, acrescentou a economista da CDL-BH. Há, porém, outros motivos, como a redução da taxa de desemprego e o aumento da renda média do brasileiro. Para se ter ideia, o desemprego entre a população economicamente ativa na Grande Belo Horizonte fechou agosto em 4,3%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Há 10 anos, a taxa era de 11,3%.


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Médicos de planos de saúde param por oito dias em Minas Agendamento já feito será remarcado e só as emergências foram mantidas

ANA ARSÊNIO Especial para o Tempo Os 170 mil médicos que prestam serviços a 48 milhões de pacientes por meio de planos de saúde no Brasil prometem paralisar os trabalhos de 10 a 25 de outubro. Em Minas Gerais, o movimento acontecerá por período menor, de oito dias, 10 a 18 de outubro. No Estado, 28 mil médicos atendem a planos de saúde. Somente na capital são assistidas pelos convênios 1,28 milhão de pessoas. Os médicos reivindicam, principalmente, melhores honorários e assistência à saúde mais qualificada. De acordo com o Sindicato dos Médicos de Minas Gerais, o valor repassado aos profissionais pelos planos de saúde por uma consulta, por exemplo, é de R$ 46,12. Em nota aos usuários dos planos de saúde, a Associação Médica de Minas Gerais informa que, entre os dias 10 e 18 de outubro, os médicos não realizarão consultas e nem outros procedimentos eletivos pelos planos de saúde, seguindo orientação das entidades nacionais, Conselho Federal de Medicina (CFM), Associação Médica Brasileira (AMB) e Federação Nacional dos Médicos (Fenam). "Os pacientes previamente agendados serão atendidos em nova data, mas caso optem pelo atendimento neste período, informamos que os mesmos serão atendidos mediante pagamento com valores de referência nacional (R$ 80 por consulta). Destacamos ainda que os casos de urgência e emergência serão todos atendidos normalmente", diz a nota. Com os recibos, os pacientes poderão pedir reembolso. De acordo com o coordenador da Comissão Nacional de Saúde (Comsu), Aloísio Tibiriça, o movimento médico brasileiro tem buscado o diálogo com as empresas da área de saúde suplementar, mas os avanços ainda são insatisfatórios. "O sistema suplementar de saúde passa por crises e nós devemos buscar juntos as melhores soluções, especialmente as que contemplam melhorias e crescimento sustentável", completa o presidente da AMB, Florentino Cardoso. Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) indicam que, entre 2003 e 2011, a receita das operadoras cresceu 192%, enquanto o valor médio pago por consulta aumentou 65%. Cálculos da própria categoria, entretanto, mostram que o reajuste foi de 50%. "A ANS suspendeu mais alguns planos por conta do tempo de espera. As emergências estão superlotadas, praticamente igual ao Sistema Único de Saúde (SUS). O mercado de saúde suplementar não atrai mais os médicos, eles estão saindo. A situação vai piorar", disse Aloísio Tibiriçá. Para o vice-presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), Lairson Vilar, as operadoras têm "boicotado" tratamentos de alto custo, reduzindo períodos de internação e dificultando exames mais caros. Segundo ele, estudo feito em São Paulo, por exemplo, indica que dois em cada dez usuários de planos de saúde têm procurado o serviço público no lugar das clínicas cre-

denciadas. "É impossível oferecer um serviço de qualidade face a um desequilíbrio tão grande", disse.

Norte-americana compra Amil

SÃO PAULO. O grupo norte-americano UnitedHealth selou sua entrada no mercado brasileiro de saúde ao fechar a compra da Amil Participações. A maior companhia de planos de saúde dos Estados Unidos desembolsará R$ 6,5 bilhões por quase 60% da Amil nas mãos dos controladores e cerca de até R$ 3,4 bilhões por outros 30% da companhia que estão com acionistas minoritários na Bovespa. O valor pago pela ação da Amil, de R$ 30,75, representa um prêmio de 21,5% sobre o fechamento do papel na Bovespa na última sexta-feira, de R$ 25,30. A operação está condicionada à verificação de determinadas condições suspensivas e aprovação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Edson de Godoy Bueno continuará como diretor-presidente e presidente do conselho de administração da Amilpar. Ele e sua sócia, Dulce Pugliese, continuarão a ter participação de 10% na Amil por ao menos cinco anos. O executivo usará cerca de US$ 470 milhões da venda das ações para adquirir papéis da UGH nos Estados Unidos, tornando-se o maior acionista pessoa física da norte-americana e membro do conselho de administração.

Consumidor se torna refém

O gerente do Procon da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Gilberto Dias, sem informar números exatos, disse que o órgão registra um alto índice de reclamações relacionadas a planos de saúde. Ele considera justa a mobilização dos médicos brasileiros por melhores remunerações, no entanto, teme pelo consumidor. "Essa queda de braço entre os médicos e as operadoras de planos de saúde é antiga. As mensalidades dos planos são reajustadas todo ano, mas os valores não são repassados aos médicos, o que prejudica a qualidade do serviço prestado ao consumidor", disse. Segundo Gilberto Dias, o consumidor que não conseguir atendimento por meio dos planos de saúde durante o movimento dos médicos deve pagar a consulta, pegar o recibo e cobrar dos planos de saúde. "Os consumidores não contratam os serviços dos médicos, mas dos planos de saúde. As operadoras devem responder pela falta de assistência". Se o dinheiro da consulta não for repassado ao consumidor, o gerente do Procon da ALMG sugere que a Justiça seja acionada. A Unimed-BH, que reúne 5.200 médicos, informa que seus serviços de saúde próprios funcionarão normalmente, e os atendimentos de urgência e emergência não serão afetados pela mobilização. Ressalta ainda que coloca à disposição do cliente o contato por meio da Central de Relacionamento Unidisk, no telefone 0800 303003, disponível por 24 horas. (A.A)


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