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Ano II

NĂşmero 292

Data 17.10.2012


estado de minas - edição eletrônica - economia - 17.10.12

TRÁFEGO AÉREO

Governo já prepara mudança na Infraero

Ministro Pimentel diz que intervenção seria %u2018funcional%u2019, mas incidente em Campinas pode ter feito Planalto agir Deco Bancillon Brasília – Um dia após os pousos e decolagens do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), terem sido restabelecidos, após mais de 45 horas de interrupção, o ministro do Desenvolvimento e Indústria (Mdic), Fernando Pimentel, disse ontem que o governo prepara uma “grande mudança” na Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero). Ainda que não tenha citado o incidente envolvendo um avião cargueiro da companhia aérea Centurion Cargo, que teve problemas ao pousar no interior paulista, a fala do ministro transparece a preocupação do governo com o desempenho da empresa estatal. Internamente, é consenso que a Infraero não conseguiu agir no tempo adequado para resolver o problema, que teve início com um pneu estourado da aeronave que fazia o trajeto entre Miami, nos Estados Unidos, e Campinas, no Brasil. A bronca, inclusive, já partiu de outro braço do governo – a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que já avisou que irá abrir investigação do incidente para saber se a Infraero e a Centurion Cargo cumpriu corretamente o plano de emergência. Falando a jornalistas, o ministro Fernando Pimentel limitou-se a dizer que a intervenção na empresa estatal se limitaria à “mudanças funcionais”, e assegurou que elas nada teriam a ver com o incidente em Viracopos. Uma fonte do governo ouvida pela reportagem explicou que as mudanças as quais o ministro se referiu seriam apenas “adequações” para que a Infraero pudesse desempenhar o seu papel diante do novo modelo de concessões.

A ideia, segundo essa fonte, é garantir que a estatal tenha uma atuação mais condizente com sua participação minoritária nos aeroportos que foram leiloados, entre os quais o próprio Viracopos, em Campinas, além de Cumbica, em Guarulhos, e o Aeroporto Juscelino Kubitschek, em Brasília. Na semana passada, o presidente da Infraero, Atônio Gustavo do Vale, já havia dito que a estatal está estimulando funcionários a migrarem para as empresas privadas vencedoras dos leilões. Ele também assegurou que qualquer funcionário que queira deixar a empresa terá vantagens se aderir ao uma espécie de Programa de Demissão Voluntária (PDV) que a Infraero está preparando. Quem decidir deixar a Infraero receberá indenizações por um período limitado de tempo. Até o período das concessões, a estatal tinha um quadro com cerca de 13,8 mil funcionários.

PROCON PEDE EXPLICAÇÕES À AZUL

O Procon-SP vai enviou ontem à Azul Linhas Aéreas um pedido de informações sobre como a empresa tem atendido aos consumidores prejudicados pelos cancelamentos de voos, ocorridos desde a noite do último sábado, quando o avião cargueiro apresentou problemas na aterrissagem em Viracopos, e a pista foi fechada para pousos e decolagens. A empresa tem de responder ao órgão até amanhã. Em seu site, a companhia informava ontem que, apesar de as operações já terem sido restabelecidas no aeroporto, atrasos e cancelamentos ainda poderiam ocorrer, “como consequência do processo de regularização da malha”.

BOICOTE NA SAÚDE

60 mil cancelamentos

Marinella Castro Balanço preliminar da Associação Médica de Minas (AMMG) aponta que a paralisação dos médicos contra os planos de saúde cancelou até ontem cerca de 60 mil consultas em Belo Horizonte. Entre hoje e amanhã serão mais 30 mil atendimentos cancelados aos usuários dos convênios. Segundo a entidade, a adesão ao movimento variou entre 70% a 80% na capital. Sem especificar nomes, a AMMG apontou que em alguns hospitais de Belo Horizonte 100% das cirurgias eletivas (agendadas) foram adiadas. Em Minas Gerais, o protesto que está fechando os consultórios médicos pode se estender. Segundo o presidente da Associação Médica, Lincoln Lopes Ferreira, amanhã os

médicos vão decidir em assembleia se o protesto em Minas termina na quinta-feira ou se prossegue até o dia 22 de outubro. Ele informou ainda que por enquanto apenas o grupo Unidas, que representa as instituições de autogestão, agendou encontro para discutir a política de reajustes. O cabo de guerra entre médicos e prestadores tem prejudicado o usuário. O engenheiro L.R. conta que foi até uma clínica de ortopedia no Bairro Funcionários e voltou sem ser atendido. “Na portaria, fui informado da greve e não gostei. Meu estado de saúde não era urgente para ir a uma emergência, mas estava sentido dores e tive que dormir com elas”, reclamou.


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Calote em queda até o fim do ano

Indicador confirma tendência de regularização das dívidas e barateamento do crédito deve garantir condições vantajosas

Paula Takahashi Os sucessivos cortes da Selic e o acirramento da concorrência entre os bancos iniciado em abril – que fez o custo do cartão de crédito cair pela primeira vez em 33 meses – devem manter a inadimplência em trajetória de queda até o início do ano que vem. Essa é a avaliação do Indicador Serasa Experian de Perspectiva da Inadimplência do Consumidor, que permite antecipar em seis meses o comportamento das taxas de maus pagadores. O resultado de agosto frente a julho revela queda de 1,5% no índice de inadimplência até fevereiro, décima queda mensal consecutiva. “O repique de alta costuma acontecer em março, puxado pelas contas do início do ano. Mas não ocorrerá obrigatoriamente. Apesar da sazonalidade, houve anos em que não subiu, como 2010”, antecipa o economista da Serasa Experian, Carlos Henrique de Almeida. Segundo o especialista, a conjuntura econômica colabora para o cenário positivo que começou a ser traçado em junho, quando as retrações foram iniciadas. Segundo avaliação do especialista, o barateamento do crédito permitiu condições mais vantajosas de negociação das dívidas, contribuindo para que mais pessoas deixassem de figurar na lista de devedores. “O 13º salário que é injetado na economia entre novembro e dezembro certamente ajudará”, afirma Almeida ao lembrar que a primeira parcela costuma ter destino certo: a quitação dos débitos em atraso. Somado a isso, os ganhos salariais acima da inflação nos acordos coletivos e o maior rigor por parte das instituições financeiras nos processos de análises e concessões de crédito, ajudaram a compor o cenário favorável para redução dos níveis de inadimplência dos consumidores. A tendência é de que essa retração gradual dos calotes crie um ciclo virtuoso na economia. “Contribuirá para uma redução dos spreads bancários não apenas neste ano, mas garantirá um horizonte prolongado de juros menores para a economia”, avalia Almeida. Isso porque a inadimplência responde por 29% da composição do spread – diferença entre a taxa de captação e taxa de empréstimo praticada pela instituições financeira. “Tirando a margem líquida do banco, é o principal componente do

custo do crédito”, pondera Almeida. Com calote menor, a oferta de crédito deverá ser ampliada, garantindo injeção de recursos para que os consumidores retomem as compras e imprimam ainda mais ânimo à indústria. EMPRESAS O Indicador Serasa Experian de Perspectiva da Inadimplência das Empresas também caiu 1,5% no mês de agosto sobre julho. A normalização dos níveis de inadimplência dos consumidores, o processo de reaquecimento da atividade econômica iniciado na virada do semestre e os menores custos financeiros provocados pelos cortes da Selic irão contribuir para a manutenção do cenário nos próximos meses. Mutirão para negociar dívidas  A Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) garante ajuda extra para regularizar o nome de milhares de consumidores da capital. A instituição já marcou para a última semana de novembro a tradicional semana de recuperação de crédito realizada há mais de uma década. A intenção é contribuir para a queda da taxa de inadimplência em BH que, ao contrário do Brasil, reluta em cair. Dados de setembro mostram que a taxa de mau pagadores na capital mineira avançou 13,87% na comparação com agosto, a maior alta do ano. “Temos aqui um cenário de vendas maior e uma das menores taxas de desemprego do país. Com isso, os consumidores vão mais às compras, comportamento que traz consigo um percentual de inadimplência mais elevado”, pondera o economista da CDL/BH, Fernando Sasso. O movimento de barateamento do crédito está entre os grandes propulsores do evento deste ano que permite a negociação dos valores devidos a custo reduzido. A campanha começa no dia 26 de novembro e segue até o dia 30 de novembro, na sede da CDL/BH, na Avenida João Pinheiro, 495. As empresas que participarão do mutirão ainda estão sendo definidas. “Grandes redes varejistas, instituições financeiras e operadoras de telefonia estão entre as interessadas e costumam participar”, antecipa Sasso. Na última edição, realizada em 2010, os descontos para quitar as dívidas chegaram a 55% e mais de 10 mil pessoas tiveram as contas regularizadas. (PT)

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Sujeito e objeto

A indústria há tempos aprendeu que o consumidor é irracional, não se move por princípios, e sim por efeitos

Frei Betto - Escritor, autor de A obra do artista %u2013 uma visão holística do universo (José Olympio), entre outros livros O consumismo neoliberal gera, hoje, uma proeza que deixa os filósofos mais encucados: o sujeito humano passa à condição de objeto e o objeto – a mercadoria – ocupa a condição de sujeito. O consumo já não é determinado pela

necessidade. Depende, sobretudo, do sonho do consumidor de alcançar o status do produto. Isso mesmo: a mercadoria tem grife, status, agrega valor a quem a porta. Ao obtê-la, o consumidor se deixa possuir por ela. O valor que ela contém, criado pela mídia publicitária e pela moda, emana e impregna o consumidor. No universo consumista, se alguém deseja ser bem acei-


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to entre seus pares, no círculo social que frequenta, precisa equipar-se com todos aqueles objetos de luxo que o revestem de uma auréola capaz de sinalizar socialmente o alto nível de seu status. Ai dele se não ostentar certas marcas de carro, relógio e roupa. Ai dele se não frequentar restaurantes seletos. Ai dele se não viajar em classe executiva para Nova York, Paris ou uma ilha do Pacifico apontada como o novo point. Caso o sujeito se recuse a ostentar a lista de objetos considerados requintados, corre o risco de ser excluído, deletado do círculo social, que estabelece como código de identificação certo nível mínimo de padrão de consumo. Em suma, o sujeito passa a ser tratado como objeto. Duplo objeto: por se sujeitar à mercadoria e por ser rechaçado por seus pares. Porque no sistema consumista só é aceito quem transita despudoradamente no universo do luxo e do supérfluo. Esse processo de desumanização estimula a obsolescência das mercadorias. Agora se produz para atender, não uma necessidade, mas a um sonho, um desejo, um anseio de alpinismo social. O produto adquirido hoje – carro, computador, iPad – estará obsoleto amanhã. Você pode até insistir em conservar o mesmo equipamento eletrônico, suficiente às suas necessidades atuais. Todos à sua volta constatarão o seu anacronismo. Você perdeu a identidade da tribo, que avança para a aquisição de mercadorias ainda mais sofisticadas, com design mais arrojado. O único modo de ser aceito na tribo é se revestindo dos mesmos objetos que, atuando como sujeitos, o resgatam do cinzento e medíocre universo do comum dos mortais. Essa inversão do sujeito humano tornado objeto e do objeto transformado em “humano” ou mesmo “divino”. Isso se dissemina por meio da publicidade – que não faz distinção de classes. O apelo é igual para todos. Tanto o biliardário em

seu jato executivo quanto o jovem da favela semianalfabeto sofrem o mesmo impacto publicitário. A diferença é que o primeiro tem fácil acesso aos novos ícones do consumismo. O jovem absorve os ícones em seu embornal de desejos e reconhece o quanto ele é socialmente descartado e descartável por não se revestir de objetos que imprimem valor às pessoas. Daí a frustração e a revolta. A frustração pode ser compensada pela sadia inveja dos espectadores de brilho alheio: leitores de revistas de celebridades e internautas que navegam atraídos pelo canto da sereia de seus ídolos. A revolta leva ao crime – “não sou como eles, mas terei, a ferro e fogo, o que eles têm”. Haverá limites à obsolescência? Um dia, a superprodução fará com que a oferta seja assustadoramente superior à demanda? Tudo indica que não. A indústria há tempos aprendeu que o consumidor é irracional, não se move por princípios, e sim por efeitos. É a emoção que o faz aproximar do balcão. Aprendeu também a fazer a produção acompanhar a concentração de renda. Já não se fabricam carros populares. Quem mais adquire veículos são as famílias que já têm ao menos um. Agora, na pós-modernidade, as pessoas já não se relacionam, se conectam. Os encontros não são reais, são virtuais. Já não se vive em sociedade, e sim em rede. Ninguém é excluído, e sim deletado. A intimidade cede lugar à extimidade, na expressão de Bauman. Faz desabar todos os muros da privacidade. A ponto de as pessoas se tornarem mercadorias vendáveis, vitrines ambulantes que esperam ser admiradas, desejadas, invejadas e cobiçadas. Daí o oneroso investimento em academias de ginástica, cosméticos, plásticas etc. Muitos buscam ansiosos ser objetos de desejo. Porque a sua autoestima depende da opinião alheia. E o mercado sabe muito bem manipular essa autoestima em baixa.

hoje em dia - edição eletrônica - política - 17.10.12

Audiência discutirá problemas dos planos de saúde odontológicos

Agência Câmara A Comissão de Legislação Participativa realizará audiência pública na quarta-feira (17), às 14h30, no Plenário 3, para discutir os problemas dos planos de saúde odontológicos e o papel do Estado na sua regulação e fiscalização. O deputado Dr. Grilo (PSL-MG), que solicitou a audiência, quer evitar uma paralisação dos odontólogos prevista para este mês. Segundo Dr. Grilo, os profissionais programaram a paralisação para o período de 22 a 26 de outubro. Seria o segundo protesto deste ano – em abril, os profissionais já passaram dois dias sem atender aos usuários dos planos de saúde. “Os odontólogos se sentem vítimas dos planos odontológicos, denunciando abusos e ilegalidades, bem como da falta de fiscalização e regulamentação, além da formação de cartel pelas empresas do setor”, afirma o deputado. O parlamentar acredita que o debate pode ajudar em um entendimento entre as empresas, as agências reguladores e

os órgãos de fiscalização e controle. “Poderemos evitar a realização de novas paralisações, com prejuízos aos usuários dos planos de saúde odontológicos, que são os maiores prejudicados”, diz. Foram convidados para a audiência o representante da diretoria da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Bruno Sobral de Carvalho; o presidente do Sindicato dos Odontólogos de Minas Gerais (Somge), Luciano Eloi Santos; a presidente da União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde (Unidas), Denise de Brito; o presidente da Federação Interestadual dos Odontologitas (FIO), Welington Moreira de Mello; o chefe da Assessoria Jurídica do Sindicato Nacional das Empresas de Odontologia de Grupo (Sinog), Dagoberto Lima; o secretário-geral do Conselho Federal de Odontologia (CFO), José Mário Morais Mateus; um representante da Associação Brasileira de Odontologia (ABO); e um representante da Sociedade Cooperativa de Serviços Odontológicos (Uniodonto).


o tempo - edição eletrônica - opinião - 17.10.12

Direito de reclamar

Com problemas com o celular, uma cliente recorreu, há poucos dias, pela internet, ao Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa telefônica responsável. A resposta que ela recebeu do funcionário que a atendeu foi: "Pega o telefone e arremesse contra a parede. Resolve na hora". O fato veio a público, demonstrando que o próprio serviço encarregado de receber as demandas dos clientes começa também a gerar reclamações. Nessas condições, a alternativa é recorrer aos Procons e entrar na Justiça com uma ação por danos morais. Consequência de seu gigantismo, a telefonia móvel é o principal alvo de reclamações nos Procons. No ano passado, as quatro principais operadoras lideravam a lista de reclamações. Segundo um representante do órgão, as operadoras só querem saber de novos clientes. Confiando na expansão desse mercado, elas negligenciam a fidelização dos clientes. Obter solução para um problema demanda paciência. Cerca de 115 milhões de brasileiros, ou 69% da população, têm celular. Em agosto último, minas gerais - p. 7 - 17.10.12

havia no país 258 milhões de aparelhos. As reclamações representavam apenas 0,05% da base de assinaturas. Segundo a Anatel, das seis operadoras, quatro cumpriam mais de 90% das metas de qualidade, e duas, mais de 80%. No entanto, em julho, a agência suspendeu a venda de novas linhas. As operadoras se comprometeram a realizar mais investimentos. Estão assentadas sobre um dos melhores e maiores mercados de telecomunicações do mundo. O do Brasil é o quarto mais rentável, só perdendo para o dos Estados Unidos, o do Japão e o da China. O brasileiro emprega 7,3% de sua renda em ligações de celular. No entanto, o custo delas tem decrescido gradativamente, permitindo ao usuário falar mais tempo ao telefone. Em 2005, o custo médio mensal por usuário era de R$ 28. Hoje, é de R$ 19,30. Se o serviço não existisse e não estivesse tão universalizado, não haveria do que reclamar. Portanto, vamos continuar reclamando.

17.10.2012  

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