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Ano II

NĂşmero 149

Data 22.03.2012


metro - p.3 - 21.3.12


estado de minas - opinião - p.6 - 22.3.12

EDITORIAL

Juros altos dos cartões

Se o governo pretende baixar o custo do crédito, é hora de focar no dinheiro de plástico A presidente Dilma Rousseff está certa em determinar à sua equipe econômica que estude medidas para provocar a redução das taxas de juros cobradas pelo sistema bancário brasileiro. Enquanto o Banco Central acelera a redução dos juros básicos da economia, devendo baixar a Selic para 9% ao ano em 18 de maio, os bancos comerciais e financeiras continuam causando inveja a seus similares no mundo, ao impor spreads que levam o custo do dinheiro às alturas e engordam com eles seus lucros. Essa é, sem dúvida, uma das pedras no caminho de qualquer iniciativa oficial destinada a animar o investimento na estrutura produtiva do país, além, é claro, de inibir o consumo, com o qual se poderia mover a economia a ritmo mais acelerado e garantir a manutenção dos atuais níveis de emprego. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, já sinalizou que o tamanho e a capilaridade do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal estão no foco desses estudos. Se a ideia é baixar os juros praticados pelos dois bancos oficiais e, com isso, forçar uma queda generalizada do

custo dos empréstimos e financiamentos às empresas e aos consumidores, então está na hora de o governo voltar suas baterias para a farra dos cartões de crédito. Não há estrangeiro que não se impressione – e muitos nem acreditam – ao saber que as taxas anuais cobradas pelo crédito rotativo disponibilizado pelos cartões podem chegar a impensáveis 237,9%. Segundo levantamento da Proteste, entidade defensora de direitos do consumidor, essa taxa é de longe a mais alta da América Latina e corresponde a quase cinco vezes a da Argentina, que fica em segundo lugar, com 50% ao ano. Em seguida vem o Chile, com 40,7%, e o México, com 36,2%. Na Venezuela, de Hugo Chávez, os juros do cartão são em média de 29% ao ano e na Colômbia, 28,5%. Nem vale a pena comparar as taxas praticadas nas economias mais desenvolvidas, que geralmente não passam de 12% ao ano, mas é fácil imaginar a diferença entre o custo pago pelo consumidor brasileiro em relação ao que é cobrado pelo crédito nesses países. E não se trata de um pequeno segmento do mercado brasileiro de crédito.

Pelo contrário. A Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) acaba de divulgar balanço dos negócios do setor em 2011. Os cartões de crédito, débito e de rede de lojas no país faturaram R$ 670 bilhões, representando um crescimento de 24% sobre 2010. Foram 8,3 bilhões de transações, com aumento de 18%. Ou seja, o negócio dos cartões não tomou conhecimento da tibieza do “pibinho” (2,7%), experimentando expansão pelo menos oito vezes maior do que a da economia, enquanto o número de operações realizadas pelo dinheiro de plástico cresceu mais de seis vezes que a expansão do Produto Interno Bruto. E para este ano as projeções mais otimistas do governo para o desempenho da economia (4%) nem arranham o cenário com que trabalha a Abecs, que não deixa suas expectativas por menos de 20%. A propósito, deveria intrigar ao governo a constatação de que, na contramão das mais elementares regras de mercado, quanto maior o movimento dos cartões, mais caro eles cobram da clientela.


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VAREJO

Dívida menor e sacolas vazias

Endividamento dos consumidores cai este mês, frente a igual período do ano passado, mas indica queda no ritmo de compras Os estímulos que o governo não para de injetar no mercado como forma de recobrar o consumo das famílias só surtirão efeito a partir do segundo semestre. É o que estima a Confederação Nacional do Comércio (CNC) diante dos dados da Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor divulgados ontem. Frente a março do ano passado, o percentual de pessoas que declararam possuir dívidas atuais – não necessariamente em atraso – caiu de 64,8% para 57,8%. O índice está diretamente atrelado à disposição das pessoas para as compras, e consequentemente a incorporação de novas contas ao orçamento. Quanto menor o avanço, maior a contenção dos gastos. Frente a fevereiro, o avanço foi considerado baixo, saindo de 57,4%. “Esperávamos uma alta maior entre fevereiro e março, já que em anos anteriores as pessoas se endividaram mais neste período”, observa a economista da CNC, Marianne Hanson. “Sem contar que houve incentivos para aquisição de bens de consumo duráveis, como para linha branca, que poderiam ter impulsionado a contratação de dívidas”, acrescenta a especialista. As manobras do governo, que incluem redução dos juros básicos da economia, ainda revelam resultados sutis. “A compra de eletrodomésticos, por exemplo, ainda não foi sentida no processo de comprometimento da renda”, analisa Marianne. As mudanças implantadas devem refletir no varejo

entre seis e oito meses. “No segundo semestre pode haver uma reversão com a elevação das vendas no comércio e consequente aumento do endividamento”, avalia Marianne. O fato de boa parte da renda já estar comprometida, especialmente com a aquisição de produtos de alto valor agregado, reforça a cautela dos consumidores. A pesquisa da CNC revela que, entre os endividados, 25,5% têm mais de 50% dos rendimentos destinados ao pagamento de dívidas e outros 50,6% direcionam entre 11% e 50% do salário para quitar débitos. Menos de um quinto das pessoas deve menos que 10% dos proventos. “Existe um acúmulo de dívidas do passado, feitas com produtos duráveis, como automóveis e eletroeletrônicos, cujo prazo de pagamento é dilatado”, avalia a gerente de economia da Federação do Comércio do Estado de Minas Gerais (Fecomércio), Silvânia Araújo, que também espera uma mudança com a retomada da disposição para a contratação de crédito no segundo semestre. Na contramão, o índice de consumidores que declaram não ter qualquer dívida passou de 34,6% em março de 2011 para os atuais 40,9%. A dentista Deborah Athayde reforça as estatísticas. Ela planeja trocar o carro e reconhece que a retração dos juros pode ser um bom estímulo, apesar de ainda dar preferência para as compras à vista. “Podemos avaliar diante de juros mais baixos”, afirma a consumidora, que

se considera extremamente controlada. Mesmo perfil da aeroviária Neuza Chaves, que garante não sofrer influências das políticas do governo para ir às compras. “O negócio é ter o dinheiro na mão.”

Problema maior na baixa renda

A parcela de famílias inadimplentes fechou este mês em 21,8%, contra 20,5% em fevereiro de 2012 e 23,4% em março de 2011. O resultado foi integralmente motivado pelo comportamento de consumo das famílias com faixa de renda inferior a 10 salários mínimos, que interrompeu uma sequência de quatro meses de queda. Nesta parcela da população, o percentual de famílias com dívidas alcançou 58,6% neste mês ante 58,4% em fevereiro e 66,5% em março de 2011. Para quem ganha acima de 10 salários mínimos, os números são menos expressivos, com 50,6% de endividados neste mês. O tempo médio de atraso das contas está em 59,4 dias, ligeiramente superior aos 58,6 dias observados em março de 2011. Ainda que o volume de maus pagadores tenha aumentado, a capacidade de pagamento seguiu o mesmo percurso. Enquanto em 2011, 8,4% dos entrevistados declararam não ter condições de quitar suas dívidas em atraso, o percentual agora é de 6,7% das pessoas. O resultado é o menor para toda a série histórica, iniciada em janeiro de 2010. (PT)


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REPORTAGEM DE CAPA

Consumidor mais exigente

Empreendimentos já oferecem opções de acabamentos e plantas para que o comprador receba o imóvel mais adequado às suas necessidades

Humberto Siqueira ro residencial no Sion. “Foi o Edifício Los O padrão de exigência do mineiro Angeles, com muitas opções de lazer, num também percebido na culinária, na produ- terreno enorme. Tudo muito inovador e de ção da cachaça ou no famoso pão de queijo alto padrão. Mas não revestiram o prédio. faz com que tudo o que é bem aceito aqui Lembro que, na primeira reunião de assemseja bem recebido também fora do estado. bleia dos moradores, já solicitaram a cria“O mercado mineiro e o paranaense são ção de um fundo para revestir o prédio em considerados pilotos. Se der certo em Mi- granito. Isso retrata bem o comportamento nas, assim como no Paraná, é fato que vai do mineiro em relação aos imóveis”, cofuncionar no Rio, São Paulo, Brasília e em menta todo o país. Mas nem sempre a recíproca Buscando agradar ao consumidor, é verdadeira”, garante Jorge Luiz Oliveira a Even criou um sistema batizado de Exde Almeida, diretor de comunicação social cluseven. “Oferecemos algumas opções de do Sindicato da Indústria da Construção plantas e acabamentos para que o cliente Civil no Estado de Minas Gerais (Sindus- receba seu apartamento mais adequado às con-MG). suas necessidades. Entendemos que itens Um exemplo do padrão mineiro de de decoração são muito pessoais”, alega qualidade é a exigência do uso de mármo- Carlos Eduardo Terepins, diretor-presidenre ou granito pelos públicos A e B. “Minas te da Even Construtora e Incorporadora. sempre foi campeã nesse quesito. Exigia O diretor de comunicação do Sindusas pedras como piso, nas bancadas, no ba- con garante que o mineiro quer tudo aquinheiro. Isso é algo que vem de longa data. lo que agrega valor. “Quer boas vagas de Agora é que tem começado a aceitar ou- garagem, praticidade, varanda, ambientes tro tipo de acabamento, porque surgiram arejados e tudo o mais.” A varanda, por cerâmicas de ótima qualidade, que não exemplo, pode não ser algo decisivo na arranham e com dimensões grandes, como hora da compra. “Mas, se o consumidor 1,2m. Mas em bancadas a exigência ainda gostar de dois apartamentos e apenas um é de mármore.” tiver varanda, pode ser um diferencial na O presidente da célula Belo Horizonte tomada de decisão”, pontua De Filippo. da Rede Netimóveis, José De Filippo Neto, DIFERENCIAIS Ainda segundo lembra que, quando a construtora Gafisa ele, as construtoras que vieram de fora só começou a atuar em Minas, fez seu primei- agora começam a ter seu trabalho julgado o tempo - edição eletrônica - opinião - 22.3.12

pelos mineiros. “Elas chegaram há quatro, cinco anos. Então, somente recentemente começaram a entregar seus imóveis para os compradores. É importante para as construtoras que eles gostem dos imóveis e recomendem. Mas muitas delas apostaram em empreendimentos de alto luxo, em grandes terrenos, de alto padrão. Por outro lado, muitas também tiveram problemas com atraso na entrega das chaves e isso implica uma série de desconfortos. Muitas vezes, quem está comprando um imóvel já planeja a venda daquele em que mora de acordo com a data de entrega das chaves do novo. Então, quando ocorre um atraso, há desgaste e prejuízo”, avalia. Para Carlos Terepins, quando o cliente está bem informado sobre as causas do possível atraso, a relação de transparência permanece, mesmo que a situação não agrade a nenhuma das partes. “Em decorrência da falta de mão de obra, alguns projetos enfrentam atrasos na entrega em todo o país. Para amenizar essa questão, o importante é a informação. A construtora deve manter uma comunicação permanente com seus clientes, pois sabe qual é o impacto de uma reprogramação. Quanto antes informar o cliente sobre os acontecimentos, melhor”, pondera.

ARIOSTO DA SILVEIRA É praticamente impossível debater esse tema sem ferir o lado ideológico. Os partidários do Estado mínimo têm sido muito eficientes na campanha pela privatização, concessão ou parcerias entre público e privado. Lembrando líderes parlamentares dos velhos tempos, falam muito mais alto que o outro lado, o rotulado estatizante, sobre o qual cantaram vitória no ato de concessão dos aeroportos de Guarulhos, Campinas e Brasília. Comemoraram por verem os defensores da tese contrária, tendo eles mesmos de esquecer a sua posição histórica e, como governo, conduzir o processo de desestatização. E se animaram a anunciar novo esforço, agora, para estender o procedimento aos demais aeroportos que ofereçam perspectivas de bons lucros para empresas particulares. Criou-se um otimismo generalizado quanto aos resultados dessas concessões. Contudo, quem viaja com frequência e não se empolga com as aparências desconfia que alguns pontos negativos do sistema de transporte aéreo do país

foi exceção, hoje se tornou rotina, de modo que, para um voo de menos de uma hora, passageiros permaneçam embarcados várias horas, ouvindo explicações esfarrapadas dos constrangidos tripulantes. Da lista de desconfortos, consta o reduzido espaço entre os assentos, o que, sem pudor, pelo menos uma companhia propõe atenuar vendendo lugares bem-localizados, seja na primeira fileira ou naquelas das saídas de emergência. À semelhança de certa empresa de baixo custo (e baixo nível) da Europa, que pretendeu cobrar até pelo uso dos sanitários (mas reconsiderou, devido à reação dos passageiros), uma transportadora nacional já vende lanche a bordo, e outra, das maiores do país, tem servido não barrinhas de cereal ou pacotinhos de amendoim. Em voos recentes de Porto Alegre a São Paulo e de São Paulo a Belo Horizonte, ofereceu sucos acompanhados de picolé. O passageiro podia, no entanto, escolher o sabor. De uva ou de laranja.

Cereal, amendoim, picolé permanecerão, porque independem do estado físico dos aeroportos. A questão é muito mais de gestão - ou fiscalização - das empresas, no tocante específico ao respeito ao passageiro, aspecto que não entra no jogo de transferência de responsabilidades para a iniciativa privada. Já não se pretende mais a mordomia dos velhos tempos. O ambiente aéreo mudou, não só no Brasil, como no mundo todo. Comida de boa qualidade, bebidas finas e outros luxos são coisas passadas. Outras, no entanto, poderiam muito bem estar em vigor. No rol de questões responsáveis pela redução drástica da qualidade dos voos, está o respeito aos horários. Cancelamentos, atrasos, fusão de voos, tudo tem ocorrido. Provavelmente por falta de atenção e autoridade da Anac. Sem falar no expediente adotado até pela maior transportadora: admitir os passageiros na aeronave e deixá-los parados no pátio - até oito horas, num voo para Londres -, sem que saibam a razão e respirando o ar viciado por estar o sistema de renovação de ar funcionando no mínimo. Isto já


o tempo - edição eletrônica - economia - 22.3.12

Combustíveis

PF e MP fazem operação contra sonegação fiscal

Curitiba. Pelo menos 300 policiais federais, civis, militares e agentes da Receita Federal e da Secretaria da Fazenda do Paraná cumpriram 93 mandados de busca e apreensão de documentos em 16 cidades do Paraná, quatro de Santa Catarina e duas de São Paulo, com vistas a coletar mais provas contra quadrilha acusada de adulteração de combustíveis, sonegação de impostos, falsificação de documentos e lavagem de dinheiro, entre outros. Ninguém foi preso na operação, apesar de o Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), do

hoje em dia - economia p.11 - 22.3.12

Ministério Público do Paraná e a Polícia Federal (PF) já terem informado que identificaram os líderes da quadrilha. O coordenador do Gaeco em Guarapuava, Tadeu de Góes Lima, disse em entrevista ontem, que as investigações começaram em 2006, em inquérito na Polícia Civil para investigar denúncias de estelionato envolvendo proprietários de postos de combustíveis.

Flash

Forma. A quadrilha agia a partir da criação de empresas em nome de laranjas.


o tempo - edição eletrônica - brasil - 22.3.12

Saúde

Anvisa suspende a venda de silicone nacional e importado Proibição vale, pelo menos, até abril; material de estoque poderá ser usado

JHONNY CAZETTA A venda das próteses mamárias, importadas ou nacionais, está suspensa em todo o país, pelo menos, até abril. A decisão foi anunciada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), na noite de anteontem, e vale a partir da publicação no “Diário Oficial da União” - o que está previsto para hoje. A comercialização ficará suspensa até que o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) defina como será o processo de certificação desses produtos e comece a liberar o selo exigido. Nesse intervalo, os médicos apenas poderão usar o silicone em estoque ou que já havia sido solicitado às fábricas. Na tarde de ontem, a Anvisa informou que vai publicar, até o dia 31, uma portaria definindo como será a certificação. As próteses terão que

passar por análises que checam a resistência do material e a composição do silicone. A certificação vai incluir ainda uma inspeção na linha de produção do material - o que já é feito com os preservativos importados. Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), regional Minas Gerais, Cláudio Salum, a proibição pegou muitos médicos de surpresa. “Muitos amigos me ligaram querendo saber o que aconteceu. Faltou a Anvisa nos avisar sobre isso antes, para entendermos melhor sobre o processo a partir de agora”. Salum disse que a expectativa é que a Anvisa agilize o procedimento para que não faltem próteses no consultório. “Existe um estoque, porque as compras costumam ser feitas quando a cirurgia é marcada. Nossa sorte, também, é que a demanda nessa época

não é tão grande, pois as clientes nos procuram mais entre junho e julho”. Segundo o cirurgião plástico, a dificuldade agora será explicar aos pacientes que as próteses anteriores à proibição também são de qualidade. “Elas (próteses) são seguras. O que ocorreu foi um erro no passado, mas isso não quer dizer que tudo seja ruim”, afirmou. A estudante de engenharia elétrica, Caroline Narzano, 20, está com cirurgia marcada para o dia 23 de abril e, apesar de estar receosa, não pretende cancelar a operação. “Eu pesquisei muito sobre o assunto, ouvi três especialistas e todos me falaram que aquilo foi um problema isolado. Estou confiando na palavra deles”, conta ela, que ainda não tinha procurado o médico para se informar sobre a proibição da venda. (Com agências)

Antes da cirurgia

Médico deve informar riscos

A norma da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) define, ainda, quais informações de esclarecimento os médicos devem prestar aos pacientes antes de marcar a cirurgia. Pela nova resolução, o cirurgião deverá dizer, com antecedência, quais são os riscos potenciais para o paciente, as possibilidades de interferência na amamentação, a necessidade de avaliação médica periódica e a expectativa de uma nova cirurgia quando o produto chegar ao fim de sua vida útil.

No Brasil, há 50 tipos de próteses mamárias certificadas pela Anvisa e 24 fabricantes credenciados – três brasileiros e 21 estrangeiros. Pesquisa da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) mostra que, das 629 mil cirurgias plásticas feitas em 2008 (dado mais recente), 151 mil foram de mama – sendo 96 mil implantes de silicone. “Esse número está defasado, e o número atual é muito maior”, diz Cláudio Salum, presidente da SBCP, regional Minas Gerais. (JC com agências)


estado de minas - nacional - 11 - 22.3.12

SAÚDE

Anvisa suspende a venda de próteses de silicone

Não há prazo definido para que implantes voltem ao mercado, mas agência acredita que não haverá desabastecimento porque há estoque

Brasília – A comercialização de próteses mamárias de silicone nacionais e importadas no país está suspensa temporariamente. A interrupção passou a valer na terça-feira e as novas normas serão publicadas hoje no Diário Oficial da União. Pela nova medida, torna-se obrigatória a certificação dos produtos pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). Porém, como as regras para coleta de amostras e concessão do certificado de qualidade pelo Inmetro ainda estão em análise, não há prazo definido para que os implantes voltem ao mercado. As novas regras foram definidas depois dos problemas com a marcas francesa Poly Implant Prothese (PIP) e a holandesa Rofil, acusadas de usar silicone inapropriado aumentando o risco de o implante romper ou vazar. Calcula-se que 20 mil brasileiras têm implantes das marcas estrangeiras. As novas exigências incluem, por exemplo, a realização de análises laboratoriais para checar a resistência do material e a composição do silicone. Atualmente, a empresa precisa apresentar apenas um certificado do país de origem para ter autorização de venda no Brasil. Os lotes não são testados. As clínicas que já tiverem comprado a prótese poderão usá-la em futuras cirurgias. No entanto, até que o Inmetro defina como será sua atuação, as importações ficam suspensas. Para voltar a entrar no país, os produtos estrangeiros já deverão ter pas-

sado pela vistoria e credenciamento do Instituto, processo que inclui até inspeções na linha de produção do material, semelhante ao que ocorre com os preservativos importados. Ao todo, no Brasil, existem 50 tipos de próteses mamárias certificadas pela Anvisa e 24 fabricantes credenciados. Três deles são brasileiros e 21 estrangeiros. Nacionais Quanto às próteses nacionais, o gerente-geral de Tecnologia de Produtos da saúde da Anvisa, Joselito Pedrosa, disse que todos os implantes que forem fabricados até a data de publicação da norma no Diário Oficial poderão ser vendidas. Depois disso, é preciso esperar a certificação começar a ser feita para que o mercado seja normalizado. Além do prazo para a realização dos exames de segurança, os procedimentos também dependem da capacidade de coleta de amostra das empresas. Pedrosa não soube precisar quanto tempo isso vai levar, mas descartou o risco de faltarem implantes no mercado nacional. “Os médicos têm próteses em estoque, e não temos certeza da quantidade de pessoas que estão com cirurgias programadas para esse período. Mas o risco de desabastecimento é relativo”, afirmou o representante da agência. A norma da Anvisa define ainda que o cirurgião deverá dizer aos pacientes, com antecedência, quais são os riscos potenciais, as possibilidade de interferência na amamentação, neces-

sidade de avaliação médica periódica e a expectativa de uma nova cirurgia quando o produto chegar ao fim de sua vida útil.

Palavra de especialista

Cláudio Salum Castro Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica – Regional Minas Gerais

Brasil enfim assume a responsabilidade

“O que parece, com essa decisão, é que a Anvisa agora vai tomar as devidas atitudes de controle da prótese. Em vez de ratificar ou de pedir a documentação de que a prótese é isso ou aquilo, ela vai passar para o Inmetro fazer os testes no território nacional. De alguma forma, eles vão testar a prótese, o grau de silicone, se o silicone é puro, se é próprio para uso médico e se deve ser liberado para comercialização no Brasil. Foi a sensação que eu tive. Antigamente isso não era feito assim. Até onde sei, existe uma comissão de silicone da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica que nos dava a informação de que essas próteses tinham a documentação de alvará sanitário do país de origem e que um técnico da Anvisa ia visitar a fábrica para ver como essa prótese era feita, qual o rigor de assepsia, o grau de pureza. Parece que agora o Brasil está querendo assumir essa responsabilidade. É mais proteção para o paciente e até para os médicos também. Em última análise, está caindo no bolso deles a troca dessas próteses.”

o tempo - edição eletrônica - Forum - 22.3.12

Páscoa

João Dias Em relação à matéria “Preço de ovo irrita internauta” (Economia, 21.3), se a população endurecer o jogo com as lojas, deixando para comprar na última hora, com certeza, os preços vão cair. As lojas terão de promover liquidações, com medo de ficar com o estoque encalhado, pois sabem que,

depois da Páscoa, ninguém compra. Fábio Alves Cirino Em algum ano isso foi diferente? Sempre existiu o abuso, todo mundo reclama, mas, nos dias que antecedem a Páscoa, todo mundo está lá, lotando os shoppings, para garantir os ovos para seus filhos.


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