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Ano II

NĂşmero 158

Data 10.04.2012


estado de minas - economia - p.12 - 10.4.12

CUSTO DO DINHEIRO

Dada a largada na redução dos juros

Caixa diminui taxas em até 87% e BB fará corte a partir de quinta. Bancos privados ainda avaliam se adotam medida

Marinella Castro e Paula Takahashi No primeiro dia de anúncio do programa Caixa Melhor Crédito – programa da Caixa Econômica Federal de incentivo ao consumo – já era possível contratar nas agências da instituição, linhas de financiamento e cheque especial com encargos até 87% inferiores aos cobrados até a semana passada. O mesmo não aconteceu no Banco do Brasil, que anunciou há quase uma semana sua versão de política para barateamento do crédito, o Bom pra Todos, com redução das taxas a partir de quinta-feira. Para os clientes, o ideal é esperar até que os novos índices de ajuste para financiamento de veículos e bens de consumo além de crédito consignado comecem a valer. Em comum, as instituições públicas lançaram benefícios exclusivos para correntistas que recebem o salário pelo banco, considerados aqueles que detêm o menor risco de inadimplência. Enquanto para esses os juros do cheque especial na Caixa caíram de 8,18% para 3,5% ao mês, para os que não têm os rendimentos depositados no banco o percentual pode chegar a 4,27% ao mês. O mesmo vale para o crédito

pessoal, cuja taxa mensal passou de 5,4% para 3,88% para clientes sem conta salário na Caixa e de 4,65% para 2,39% para os que a possuem. Sem contar o cartão de crédito Azul Caixa – só para quem tem conta salário – com rotativo de 2,85% ao mês, contra os 12,86% praticados anteriormente, redução de 87% na taxa anual. O pacote ainda inclui juros para financiamento de veículos partindo de 0,98% ao mês, podendo chegar a 2,25% de acordo com critérios como idade do veículo e prazo de pagamento. Para crédito consignado, a taxa balcão foi de 2,82% para 1,95% ao mês. No consignado INSS, a redução foi de 2,14% para 1,80% ao mês. Nos prazos menores, a taxa é de 0,84%. Crédito Somente para este ano, a instituição pretende disponibilizar R$ 300 bilhões em crédito, volume 24% superior ao do ano passado, sendo que o programa que envolve o crédito para famílias e financiamento de micro e pequenas empresas vai consumir R$ 71 bilhões. O superintendente da CEF em Minas, Rômulo de Freitas, diz que a redução das taxas de juros começaram a valer ontem e a expectativa da instituição é de consumir todo o volume de crédi-

to destinado ao programa. “Se necessário, esse montante poderá crescer”, afirmou. O técnico em segurança William Mellasso comemorou a notícia. “Vou buscar informações no banco para aproveitar, já que não acredito que isso vá durar muito, principalmente porque os (bancos) privados não devem acompanhar”, prevê. Por meio de suas assessorias de imprensa, Itaú, Santander, Bradesco e HSBC continuaram garantindo que estão avaliando a situação, como fazem desde a última semana. Hoje essas instituições financeiras se reúnem com o governo federal para discutir o corte da taxa de juros para acompanhar Caixa e BB. “Os bancos vão propor ao governo compartilhar os custos da queda dos juros com a redução de impostos e do valor dos compulsórios cobrados sobre os depósitos à vista”, aposta Miguel José Ribeiro, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac). Na opinião do executivo, há espaço para corte de até 20 pontos percentuais na taxa do compulsório. Na reunião de hoje, outra barganha dos bancos deve ser pela redução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

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CUSTO DO DINHEIRO

Taxas resistem a corte na Selic

Apesar de juro básico da economia cair de 34,9% para 9,75% ao ano desde 1998, crédito para consumidor continua caro

Marta Vieira Na contramão da queda da taxa básica de juros, a Selic, que deveria servir de referência para os empréstimos dos bancos, os encargos cobrados do consumidor resistem a cair e seguem descolados também do recuo da inflação. O descompasso é flagrante, independentemente dos períodos de bonança e crise econômica do país, deixando dúvidas sobre a eficácia da estratégia do governo de pressionar os bancos federais a reduzir o custo do dinheiro e, com isso, arrastar os bancos privados. Em Belo Horizonte, o histórico das taxas impostas nas compras com cartão de crédito mostra aumento de 17,3% nos últimos 13 anos entre fevereiro de 1998 e março passado, enquanto a Selic baixou 71,7% no mesmo período, conforme a pesquisa mensal realizada pela Fundação Ipead, vinculada à UFMG, que mede índices próprios do custo de vida na capital mineira. Desde o começo de 1998 a fundação acompanha os juros cobradas pelos bancos nos empréstimos e na captação de dinheiro dos investidores. As taxas do financiamento para as pessoas físicas da linha do CDC com bens alienáveis mostrou redução, mas modesta, de 28,7%. No cheque especial, houve diminuição de 17,9%, e no crédito da linha do CDC financeiro, os custos diminuíram 13,1%. Resultado: a queda da taxa básica de juros superou em cerca de duas vezes e meia a maior redução dos encargos nos bancos, observado no CDC. A Selic, que era de 34,5% ao ano em janeiro de 1998, baixou para os atuais 9,75% ao ano. Já as taxas do cartão de crédito saíram de 10,91% ao mês para 12,80% mensais, as do cheque especial caíram de 10,63% para 8,72% mensais e as do CDC, de 4,11% e 2,61%, dependendo da modalidade, para 3,57% e 1,86% ao mês. Até mesmo para os pesquisadores e analistas acostumados com os

números é difícil explicar por que os bancos não reduzem as margem que apuram, o chamado spread, na mesma proporção da taxa Selic ou no sentido da inflação. “É um mistério no Brasil”, critica o coordenador de pesquisa e desenvolvimento da Fundação Ipead/UFMG, Wanderley Ramalho. A inadimplência e o risco que o banco corre ao emprestar dinheiro não explicam taxas tão altas, para Ramalho. Sem concorrência Espaço não falta para a redução das taxas na oferta de crédito, avalia Juliano Lima Pereira, diretor da corretora de valores Corval e professor de pós-graduação em finanças da escola de administração e negócios Ibmec. “Quando falamos no sistema de empréstimo ao consumidor na Europa e nos Estados Unidos, observamos concorrência no setor financeiro e uma população com cultura financeira desenvolvida. Aqui, grande parte das pessoas não conhece e nem tem informações suficientes para pesquisar e negociar um financiamento”, afirma. O hábito do brasileiro, em geral, se resume a verificar se a prestação cabe dentro da renda mensal. A taxa cobrada nas compras com cartão de crédito alcança 300% ao ano em BH, o que significa que a dúvida quadruplica num período de um ano. O analista chefe da Austin Assis, Alex Agostini, pondera que o governo também tem sua cota de responsabilidade na composição do spread bancário. Os encargos fiscais, impostos diretos e o compulsório exigido das instituições financeiras respondem por um quarto dessa conta. Outros 30% do spread correspondem à margem líquida dos bancos e um terço é a parcela da inadimplência. “A queda das taxas para o consumidor, quando ocorre, não tem sido significativa. Vamos ter de esperar, agora, pelo menos seis meses para ver algum impacto

importante da redução prometida pelos bancos”, afirma.


estado de minas - opinião - 5.4.12

Jovens e já endividados

Mais da metade dos devedores mineiros têm de 16 a 24 anos

Aquiles Leonardo Diniz - Vice-presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi) O perfil dos jovens de hoje é muito diferente do da geração de seus pais. Eles vivem em um mundo mais veloz e exigente, no qual construir uma carreira é uma das principais metas, precisam estar preparados para entrar em um mercado acirrado e, quando conseguem um emprego, devem encarar muito trabalho para conquistar seus bens e começar sua vida. Nesse contexto, os pais, mais experientes, podem preparar psicologicamente seus filhos para os desafios que surgirão no meio do caminho, ajudá-los a construir um futuro sólido e, muito importante, educá-los também financeiramente. De acordo com sondagem feita pelo Departamento de Economia da Federação do Comércio de Bens e de Serviços (Fecomércio) no final de 2011, 38,5% dos inadimplentes de Minas Gerais estão na faixa etária de 25 a 34 anos, seguidos pelos jovens entre 16 e 24 anos (23,1% do total). Dados que mostram que o uso do crédito sem critérios aliado à falta de planejamento financeiro pode ocasionar um descontrole no orçamento e evidenciam a importância da participação dos pais na educação financeira dos jovens. Desde pequenos, os filhos precisam ser orientados sobre a maneira saudável de lidar com dinheiro, alertados para o quanto é trabalhoso ganhá-lo e para a necessidade de administrá-lo com consciência. A regra máxima é ensinar que a família não pode gastar mais do que ganha e que é possível realizar seus sonhos de curto e longo prazo planejando e poupando. A mesada (ou a semanada) para crianças com

mais de sete anos é um bom mecanismo para iniciá-las em sua vida financeira, propiciar os primeiros contatos com dinheiro e, assim, levá-las a descobrir formas inteligentes para se relacionar com ele no futuro. É também uma ferramenta interessante para os pais, que podem, dessa forma, compreender os hábitos de consumo e acompanhar as decisões dos filhos. Na adolescência, é interessante que a mesada seja liberada com a condição de que o jovem estude e se empenhe, pois, assim, ele perceberá que ganhar dinheiro é uma consequência do esforço pessoal, além de aprender na prática a gerir seus próprios recursos. Os pais devem deixar claros os custos com os quais continuarão a arcar e quais deverão ser assumidos pelo filho com a mesada que ele recebe. A presença e o estímulo dos pais também são válidos quando o filho inicia no mercado de trabalho. Embora os jovens estejam permanecendo mais tempo na casa dos pais, o que lhes permite fazer um pé de meia antes de se lançarem à vida independente, esse é também um contexto propício para o consumismo exacerbado e o endividamento. Afinal, é grande a tentação de gastar toda sua renda consigo mesmo, muitas vezes com compras supérfluas. Enfim, a maneira como os adultos administram suas finanças reflete o tipo de educação financeira que receberam dos pais. Com orientações, estímulo, bom exemplo e participação ativa dos pais na vida financeira desde a infância, é possível formar pessoas organizadas, precavidas e conscientes quanto a seus gastos e investimentos, e que, certamente, se tornarão também consumidores responsáveis.

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SACOLAS PLÁSTICAS Leitor questiona cobrança

Marco Antônio S. Viana Sete Lagoas – MG “O modismo do momento são as sacolas de plástico fornecidas pelos supermercados. Colocaram sobre elas o ônus de todos os problemas de inundação causados pelas chuvas. A inércia e incompetência das prefeituras para realizar obras eficientes e a falta de uma política de industrialização do lixo e coleta seletiva parecem não ser as causas desses desastres ambientais, segundo os bem-remunerados vereadores que aderiram à campanha ‘Sacolinha Não!’. Devemos nos lembrar de que, ao se implantar o uso de sacolas plásticas em substituição ao

saco de papel e garrafas PET no lugar das de vidro, os ambientalistas e indústrias argumentavam que era preciso cortar muitas árvores para fazer papel e que a fabricação de garrafas de vidro consumia muita energia elétrica. A mídia deu crédito e valorizou tais posições sem se preocupar com o que realmente era pretendido: diminuir custos. Como sempre, a bomba estoura na mão do cidadão. Claro que o uso da sacola plástica não é adequado. Então, que se forneça alternativa gratuita para o cidadão para que ele não tenha de pagar por sacolas cuja eficácia ainda não está comprovada. Nos países civilizados continuam usando sacos de papel. Como somos roubados!”


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Reeducação é nova bandeira contra as sacolas de plástico

Flávia Milhassi SÃO PAULO - A partir de hoje os supermercados de São Paulo deixam de disponibilizar as sacolas plásticas que são utilizadas pelos consumidores para carregar suas compras. O intuito da iniciativa é degradar menos o meio ambiente e se enquadrar a nova realidade: ser sustentável. O projeto, que inicialmente passaria a valer em janeiro deste ano, foi prorrogado por 60 dias. Primeiro, pela desinformação da população e, segundo, por medidas judiciais que ainda tramitam nos tribunais. Após muitos impasses, a Associação Paulista de Supermercados (Apas), o órgão de defesa do consumidor Procon-SP e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), trabalham em conjunto desde então, para que o Tratado de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado pelo setor supermercadista seja posto em prática. O primeiro passo foi a ação promovida no Dia do Consumidor, 15 de março, em que os supermercados associados à Apas distribuíram aos seus clientes as sacolas retornáveis. “Na data foram entregues mais de 5 milhões de sacolas para que o consumidor crie o hábito de usá-las”, afirma o presidente da Apas, João Galassi. Ainda segundo o presidente da entidade, as redes devem ajudar o consumidor que não tenha uma sacola própria no momento da compra. “A Apas recomenda aos seus associados que continuem com a distribuição das caixas de papelão e que façam campanhas para informar a melhor forma de reutilizá-las”, diz. Além disso, a entidade realizará novas ações para tornar mais fácil essa transição. Novas medidas Está em negociação com o Procon-SP o projeto ‘Vai e Vem’ de saco-

las. O cliente que porventura esquecer a sua sacola poderá optar por comprar uma nova sacola e posteriormente devolvê-la ao supermercado e receber de volta o valor gasto na próxima compra. Outra iniciativa é tornar essas eco bags (sacolas ecológicas) mais baratas para o consumidor. A Associação Paulista de Supermercados se reunirá com os produtores desse produto para reduzir o preço a R$ 0,59, valor sugerido pelo TAC. A entidade também se posicionou ao governo para ajudar na redução do Imposto Sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS) para a indústria que fabrica sacos de lixo - que atualmente é de 18% -, além de cobrar uma resposta sobre a menor tributação para as empresas que produzem as sacolas reutilizáveis. “Ainda não tivemos uma resposta, mas acredito que o governo vai se posicionar positivamente ao nosso pedido. Reiteramos nossas solicitações”, afirma João Galassi, que completa: “Estamos solicitando ao governo iniciativas para não desfavorecer as indústrias”. De acordo com o presidente, todo o ganho de eficiência é revertido ao consumidor, e, com a economia gerada pelo fim das sacolas plásticas, as redes brasileiras poderão, sim, reduzir os preços dos produtos. “Não é possível prever quando, mas de alguma forma o consumidor pode vir a ser beneficiado com isso”, enfatiza. Justiça A TAC, segundo José Eduardo Lutti, promotor do Ministério Público do Meio Ambiente, não é uma lei, apenas tem força de lei, pois faz com que as empresas que firmaram o acordo não deixem de cumprir o que foi aceito. “O que temos feito não é inconstitucional. A discussão está entre o município e a União, para saber

quem é que vai tomar conta disso”, afirma. Ainda para o promotor, o Ministério Público (MP) poderá intervir nessas redes supermercadistas caso as iniciativas do Procon-SP em coibir o uso não seja eficiente. “As ações do Procon não sendo suficientes, o Ministério Público poderá entrar com uma ação”, diz. Empresas Grandes players brasileiros se posicionaram positivamente sobre a iniciativa. Paulo Pompílio, diretor de Relações Institucionais do Grupo Pão de Açúcar (GPA), em entrevista ao DCI, informou que os clientes da rede aceitaram bem a proposta e que não houve reclamações quando o grupo pôs em prática a extinção das sacolas plásticas. “Distribuímos 1 milhão de sacolas e foram recebidas apenas 20 reclamações de clientes que não acham a iniciativa correta, “diz. Ainda de acordo com Pompílio, em dois meses de Tratado de Ajustamento de Conduta já foi possível sentir a redução de 90% do uso de sacolas plásticas na rede, e existem outras iniciativas já em prática para tornar as lojas mais sustentáveis, o que tem sido discutido há mais de uma ano. “Toda a cadeia produtiva tem estudado formas de melhorar essa questão”, afirma. Outra rede que também já é adepta da não-utilização das sacolas é o Walmart, como informou Carlos Ely, diretor de Relações Institucionais do grupo. “Temos um programa antigo no Walmart pelo qual o consumidor que comprar mais de cinco produtos e não quiser utilizar as sacolas plásticas recebe o valor da sacola em descontos na compra efetuada”, afirma o diretor.


conamp - folha de s paulo - 4.4.12

Supermercados vão dar ‘sacola vaivém’

Consumidor poderá levar embalagem para casa e devolvê-la na próxima compra; sacolas plásticas acabam hoje

Associação paulista também estuda o barateamento das reutilizáveis, que têm de ser oferecidas

CLAUDIA ROLLI TONI SCIARRETTA DE SÃO PAULO A partir de hoje, o consumidor que for ao supermercado em São Paulo deverá levar sua sacola de casa. É que terminou o prazo de 60 dias acertado entre a associação de supermercados paulistas, o Procon-SP e o Ministério Público estadual para o consumidor se adaptar à mudança. Quem se esquecer de levar a sacola de casa poderá comprar um modelo reutilizável “vaivém” e devolvê-lo na próxima compra. O consumidor poderá pegar o dinheiro de volta ou abater o valor da sacolinha “vaivém” na conta. A alternativa deve chegar aos supermercados de São Paulo em um mês e é uma das ações em estudo pela Apas (Associação Paulista de Supermercados) em parceria com técnicos do Procon. “Ainda não temos todos os detalhes de como será essa operação. A ideia é atender ao consumidor que já tem sacolas reutilizáveis em casa, mas esquece, na última hora, de levá às compras”, diz João Galassi, presidente da Apas. Outra ação que será feita é o barateamento das reutilizáveis. Pelo acordo feito em fevereiro, as lojas têm de oferecer até agosto ao menos um modelo de sacola retornável por R$ 0,59. Os supermercados também reiteram o pedido ao governo de São Paulo para reduzir o ICMS para sacolas reutilizáveis e sacos de lixo produzidos com material reciclado.

Para a Plastivida (Instituto Socioambiental dos Plásticos), a redução não é “o caminho correto”. “O Estado não pode abrir mão da receita de arrecadação para justificar uma campanha feita pelos supermercados que querem substituir a sacolinha por saco de lixo”, diz Miguel Bahiense, presidente da Plastivida.

RESPONSABILIDADE

Segundo o promotor José Eduardo Ismael Lutti, do Ministério Público estadual, os supermercados que continuarem distribuindo sacolinhas descartáveis poderão ser obrigados a fazer a coleta desse material. “Pela lei de resíduos sólidos, deverão recolher essas embalagens. Quem distribuir as sacolas descartáveis está sujeito às sanções do termo de ajustamento de conduta, feito pelo setor.”

SEM VENDA EM SP

Os supermercados não vão mais vender sacolinhas descartáveis biodegradáveis por R$ 0,19 cada uma. Desde o acordo feito em fevereiro, os mercados abandonaram a ideia de vender as embalagens, bombardeadas por consumidores e opositores do fim da sacolinhas. Depois dos supermercados, feiras livres e padarias deverão adotar a iniciativa. A negociação com as associações já está a cargo do Ministério Público de São Paulo. “Essa é uma campanha mais ampla do que simplesmente uma sacolinha. O consumo, do jeito que está hoje, com a geração de resíduos, é insustentável. O país vai para o buraco se não mudarmos nossas atitudes”,


conamp - O Dia - PI - 4.4.12

MPF-PI recorre na Justiça por melhorias nos serviços da Claro, após relatório apontar má qualidade Segundo procurador, novo relatório da Anatel mostra que clientes do Piauí são lesados

O Ministério Público Federal pediu à Justiça que reaprecie e defira os pedidos de liminar na ação civil pública que apura a má qualidade dos serviços prestados pela operadora Claro, bem como a omissão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) na fiscalização dos serviços oferecidos pela empresa. Anteriormente, o pedido havia sido indeferido. Contudo, o procurador da República Kelston Lages decidiu requerer uma nova análise à Justiça após a Anatel divulgar um relatório segundo o qual a operadora de telefonia móvel continua lesando os consumidores piauienses. Produzido a partir de fiscalização realizada no período de 25 de abril de 2011 a 23 de março de 2012, o relatório aponta que a Claro não armazena os dados necessários para viabilizar as fiscalizações por parte da Anatel e presta um serviço de má qualidade aos consumidores do Estado. Segundo o procurador Kelston Lages, o relatório recém concluído pela Anatel “demonstra claramente a inadequada prestação de serviços pela empresa, em evidente afronta à Constituição Federal e ao Código de Defesa do Consumidor”. O membro do MPF-PI acrescenta que o novo documento ratifica análise feita anteriormente, referente aos anos de 2009 e 2010, que já havia sido acostada nos autos do processo. Na nova manifestação o MPF-PI exige que a Claro S.A. mantenha armazenado, por um período mínimo de 30 meses, os dados primários coletados mensalmente para o cálculo do valor de cada indicador de qualidade do Serviço Móvel Pessoal (SMP), especificamente os indicadores relativos às taxas de chamadas originadas completadas, de estabelecimento de chamadas e de queda de ligações.

Além disso, o Ministério Público Federal quer que a operadora abstenha-se de comercializar novas assinaturas ou habilitar novas linhas (ou códigos de acesso) e de realizar portabilidades de códigos de acesso de outras operadoras, persistindo tal proibição até que comprove a instalação e funcionamento dos equipamentos necessários e suficientes para atender às demandas dos consumidores que ela possui atualmente no Piauí, inclusive quanto à demanda reprimida em função da má prestação do serviço, com o ateste da Anatel. Na ação, o procurador da República requer que a Claro S.A. seja condenada ao pagamento de multa diária no valor de R$ 100 mil, para cada nova linha habilitada, nova assinatura comercializada ou portabilidade realizada em descumprimento com o que for decidido quanto aos itens listados acima. Conforme requisição do MPF, a Claro S.A. deverá apresentar, no prazo máximo de 30 dias, projeto de ampliação da rede, de maneira a atender a demanda dos clientes. Segundo a requisição do procurador Kelston Lages, o projeto deve ter a anuência da Anatel, considerando-se os atuais níveis de bloqueios e quedas de chamadas, bem como a demanda reprimida. Por fim, a ação do MPF-PI pede que a implementação do projeto ocorra no prazo de até 30 dias subsequentes à apresentação, ou em outro prazo que a Justiça entender adequado. Caso a Justiça atenda a nova solicitação do MPF-PI, caberá também à Anatel supervisionar a execução do projeto pela operadora reclamada, emitindo relatório trimestral, a ser encaminhando a Justiça. Fonte: MPF-PI Repórter: Cícero Portela (redacao@portalodia.com)


estado de minas - nacional - p.10 - 10.4.12

PRÓTESES DE SILICONE Definidas regras para implantes

Brasília – O Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) publicou ontem o detalhamento de como devem ser feitas as análises de próteses mamárias para liberação no país. Em março, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) definiu que todos os implantes comercializados no Brasil deveriam ter uma chancela de qualidade do Inmetro. Na ocasião, listou quais tipos de avaliação deveriam ser feitos nos produtos. Ontem, o Inmetro detalhou as duas formas possíveis de análise desse material: lote a lote dos produtos que ingressam no mercado ou por análise de gestão da empresa e, periodicamente, dos produtos. Segundo o instituto, cabe à empresa optar entre os modelos. Mesmo que analisados apenas periodicamente, os produtos disponíveis no mercado estarão sujeitos a análises eventuais e espontâneas pelo Inmetro, diz Alfredo Lobo, diretor de Qualidade do instituto. Lobo explica que os dois

modelos garantem a segurança mínima do implante. Segundo as definições divulgadas ontem, o modelo que analisa a empresa deve constatar, entre outros itens, se essa empresa preserva bem as próteses e se desenvolve ações corretivas e preventivas com relação aos produtos. Esse modelo de avaliação prevê novas auditorias a cada 6 ou 12 meses – a depender da existência de problemas na primeira avaliação. MAIS RIGOR Os testes, segundo Lobo, são pagos pela empresa e podem ser feitos por laboratórios chancelados pelo Inmetro no Brasil ou fora dele, desde que sigam o novo modelo nacional. “Antes o sistema era menos rigoroso, a Anvisa simplesmente fazia o registro do produto com base no atestado de conformidade do fabricante”, diz ele. A mudança ocorre depois do escândalo das próteses francesas PIP, que continham material diferente daquele informado pela empresa e que levaram mulheres à substituição dos implantes.

estado de minas - superesportes - coluna do jaeci - 5.4.12

Retrocesso

As autoridades que aprovarem a liberação de bebida alcoólica durante os jogos da Copa do Mundo de 2014 cometerão grave erro. A proibição da venda do produto reduziu sensivelmente a violência dentro dos estádios. Que se

o tempo - chico maia - 5.4.12

dane a Fifa com seus interesses comerciais. A segurança da população deve estar acima de qualquer tipo de transação financeira. Que se dane a fábrica de cerveja que patrocina o evento. O que ela faz de bom para o povo brasileiro?

A volta da cerveja

O deputado Alencar da Silveira Junior entrou com projeto na Assembleia Legislativa de Minas Gerais para que a cerveja seja liberada no estádio Mineirão, antes, durante e depois da Copa, porém, com algumas ressalvas: a venda seria até o intervalo, somente poderá ser tomada na área dos bares e apenas duas por cada comprador de cada vez. Além das conversas com seus colegas deputados, ele vai tentar se entender com o Ministério Público para tentar facilitar um acordo que envolva outros segmentos da nossa sociedade. Presenciei uma conversa entre os deputados Gustavo Correia e Gustavo Valadares, que são a favor

dessa ideia e senti que as chances de aprovação são grandes. Para a liberação durante a Copa das Confederações no ano que vem e a Copa de 2014, o governo federal lavou as mãos na Lei Geral da Copa e deixou o abacaxi com os 12 Estados, cujas capitais serão sedes da competição. Em 2007, o então presidente Lula se comprometeu com a Fifa para trazer a competição para o Brasil e assinou contrato com todas as exigências da entidade. Agora, que cada Estado se vire. E certamente já está funcionando a velha história de se “criar dificuldades para vender facilidades”.


Estado de minas - superesportes - p.6 - 10.4.12

INDEPENDÊNCIA

Pronto? Só acredito vendo

Cercada por sucessivos atrasos e silêncio, inauguração da arena vira motivo de piada no Twitter. América ainda escolhe o rival da estreia

Bruno Freitas A tão esperada reinauguração do Independência já foi definida pela Secretaria de Estado Extraordinária da Copa do Mundo (Secopa): será na noite do dia 25, com um jogo entre o América e um time sul-americano. Só que, depois de 10 adiamentos, 18 meses de atraso em relação ao projeto original e consequente prejuízo para torcedores e clubes – que tiveram de continuar recorrendo à Arena do Jacaré, a 70 quilômetros de Belo Horizonte –, ainda há quem duvide que a última data prevista será mesmo cumprida. No Twitter, a desconfiança em torno de um possível novo atraso acabou virando motivo de piada. Por meio de diferentes frases, torcedores questionam com muito bom humor a demora e os problemas da construção da nova arena, tratada em tom de sigilo pelo Departamento de Obras Públicas (Deop) e a construtora Andrade Valladares. Rubro-negro de coração e frequentador do antigo Raimundo Sampaio na companhia dos filhos, o empresário Tales Sarmento Lacerda discorda da forma como a modernização tem sido retratada pelo governo. “Enquanto o Independência está ridiculamente atrasado, com erros de projeto e custo três vezes maior, a obra tem sido apresentada como modelo de gestão. Se um dia ficar pronto, tenho vontade de ir lá”, brinca ele, que postou um comentário na rede social questionando a qual ano o anúncio de reinauguração se refere. A visibilidade afetada pelos guarda-corpos de ferro em cerca de 6 mil cadeiras das arquibancadas superiores é outro ponto que incomoda o empresário. “ É

um erro de projeto tão grave que mostra que ninguém está tendo preocupação técnica, somente política, deixando o conforto do torcedor em segundo plano.” A presença das grades de ferro é igualmente questionada pelo jornalista Roberto Caiafa: “Agora vai? Com os famosos 2 mil lugares para cegos, será que agora o campo do Horto será finalmente reinaugurado?”, postou ele no microblog. Para o analista de sistemas e redes Raphael Hagi, a dúvida é se o estádio ficará pronto a tempo da Copa’2014. Torcedor do Cruzeiro, ele reclama da distância do estádio de Sete Lagoas. “Nos jogos à noite, fica praticamente impossível de ir lá acompanhar a Raposa”, lamenta. Ele também contesta o valor e o prazo necessários para o término da modernização, o que aumentará a capacidade da arena para 25 mil pessoas. “O valor da obra ficou muito maior que o planejado e o prazo também. Espero ir lá assistir a um jogo apenas pela curiosidade.” O cantor Beto Guerra, por sua vez, crê que grande parte do público vai ignorar o jogo de abertura. “Quer apostar que no jogo de inauguração do Independência o estádio vai estar lotado... de lugares vazios?”, cutuca, no Twitter. RIVAL INDEFINIDO Procurada pelo EM para falar sobre as críticas, a Secopa não se manifestou até o fechamento desta edição. Já o Coelho, que estuda trazer um clube, provavelmente argentino, para o jogo inicial, ainda não definiu quem será o oponente. “Estamos em reunião, mas ainda não

há nada decidido. Também acho difícil que o nome do rival saia hoje (ontem)”, afirmou o conselheiro da administração Francisco Santiago, no início da noite.

LICENÇA AMBIENTAL

Pelo menos na visão do Conselho Municipal de Meio Ambiente, o Independência está apto a ser inaugurado. Licença de Operação (LO) 0169/12 expedida pelo órgão especifica 12 condicionantes para o funcionamento a partir do dia 25. Entre elas estão a regulamentação do espaço para eventos não esportivos, implantação de projeto operacional de transporte e trânsito e a implantação de um prédio de apoio para uso da comunidade do entorno. A medida que mais chama atenção, no entanto, é a criação de 503 novas vagas de estacionamento – o que deixa claro que as 422 do projeto original são insuficientes para atender a demanda.

NA REDE

“De que ano? Leio isso há 2 anos” Tales Sarmento Lacerda (@taleslacerda), engenheiro e professor de Belo Horizonte “Quer apostar que no jogo de inauguração do Independência o estádio vai estar lotado... de lugares vazios?” Beto Guerra (@BETOWRG), cantor de Belo Horizonte “Será que fica pronto para a Copa?” Raphael Hagi (@raphaelhagi), analista de sistemas e redes “Agora vai? Com os famosos 2 mil lugares para cegos, será que agora o campo do Horto será finalmente reinaugurado?“ Roberto Caiafa (@beto_caiafa), jornalista de Belo Horizonte


estado de minas - superesportes - 5.4.12

INDEPENDÊNCIA

Fim da novela

Reabertura será dia 25 num amistoso do América, cinco dias antes do centenário do clube. Adversário será uma equipe sul-americana

Bruno Freitas Torcedor mineiro voltará a ver futebol no estádio do Horto, completamente reformado, mas ainda com problemas de falta de visibilidade em alguns locais (Alexandre Guzanshe/ EM/D.A Press) Torcedor mineiro voltará a ver futebol no estádio do Horto, completamente reformado, mas ainda com problemas de falta de visibilidade em alguns locais Depois de mais de dois anos de obras de modernização, sucessivos atrasos e muito mistério envolvendo o dia de abertura, o Independência enfim teve sua reabertura definida. Em entrevista coletiva na tarde de ontem, a Secretaria de Estado Extraordinária da Copa do Mundo (Secopa) anunciou para a noite de 25 de abril a data de reinauguração da arena do Horto, com direito a jogo amistoso entre o América e um time sul-americano ainda não escolhido. O confronto será cinco dias antes de o Coelho comemorar a festa de centenário e enterra de vez as chances de América e Guarani jogarem no local no dia 15, pela última rodada da primeira fase do Campeonato Mineiro. Em vez disso, o secretário extraordinário da Copa, Sérgio Barroso, promete deixar o estádio à disposição para que clubes como Atlético e Cruzeiro decidam jogar a segunda partida das semifinais e as finais do Estadual na capital. “A data de abertura está programada. O América vai jogar com um clube do exterior cujas negociações estão sendo fechadas, assim como o horário da partida”, declarou o secretário que, novamente, fez questão de enaltecer que o estádio é um dos que tiveram menor custo de construção do Brasil: cerca de R$ 6 mil por cadeira. Ao explicar os atrasos no cronograma em relação ao projeto inicial (10, segundo levantamento do Estado de Minas), Barroso também apelou

para uma velha justificativa: as chuvas entre o fim do ano passado e o início deste ano. Além do problema climático, o secretário apontou a falta de mão de obra especializada como agravante no ritmo dos trabalhos, iniciados em 22 de janeiro de 2010. “Atualmente um operário faz no máximo uma hora extra por dia, mas o maior limitador foram as chuvas que castigaram BH entre 15 de novembro de 2011 e 15 de janeiro deste ano. Outro entrave da obra foram os R$ 30 milhões prometidos pelo Ministério do Esporte, que acabaram não sendo liberados pela Caixa Econômica Federal”, cobrou o secretário. Já o custo anunciado para a obra, que até então vinha sendo anunciado pelo governo como sendo de cerca R$ 136 milhões, pulou para R$ 148 milhões. Diferença súbita que foi explicada pela Secopa com o argumento de que o valor é o total final da reconstrução. Cauteloso, o diretor-presidente do consórcio Arena Independência, responsável pela administração do estádio nos próximos 10 anos, Ricardo Azevedo, disse que a comercialização dos ingressos ficará a cargo dos clubes. Toda a equipe de operação da empresa, segundo ele, estará a postos no dia 25, incluindo seguranças e atendentes para o estacionamento, cuja capacidade ficará restrita a 422 vagas. VISIBILIDADE Perguntado sobre a substituição dos guarda-corpos na arquibancada superior – o que atrapalha a visibilidade de 6 mil torcedores ou 24% da capacidade –, Azevedo reconheceu que as obras podem atrapalhar o cotidiano do estádio, mas elas seriam pontuais. “Obra sempre atrapalha um pouquinho, mas o incômodo vai ser pequeno. A qualidade operacional aos poucos vai ser esmiuçada.” Estudadas pela Secopa e Arena Independência, as soluções técnicas para corrigir o problema serão apresentadas

ao Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea), Ministério Público e Corpo de Bombeiros em 7 de junho. Quem vai bancar a substituição das grades, porém, ainda não está definido. “Até agora três reuniões foram feitas para discutir esse assunto. Estádios mundo afora têm sido visitados como referência. Mas quem vai bancar a troca dos guarda-corpos (estado, concessionária ou a construtora Andrade Valladares) ainda não foi definido, até porque os valores não estão fechados”, explicou Barroso. Também convidado para a coletiva, o conselheiro de administração do América, Marcus Salum, comemorou o anúncio e a preferência dado ao Coelho para o jogo inicial. “É uma satisfação muito grande, ficamos agradecidos ao governo e tão logo definirmos a partida de abertura passaremos os detalhes”, disse Salum. O conselheiro fez questão de lembrar as dificuldades do clube para jogar na Arena do Jacaré, a 70 quilômetros da capital. “O sofrimento para jogar em um estádio menor foi grande, mas agora é comemorar.” Com a confirmação da reinauguração do Independência, o jogo entre América x Guarani deverá ir mesmo para a Arena do Jacaré. O estádio de Sete Lagoas ficou disponível depois que a Federação Mineira de Futebol (FMF) remarcou Cruzeiro x Uberaba, na mesma data, para a Arena do Calçado, em Nova Serrana. As obras do Independência alcançaram 98% de execução, faltando a instalação de detalhes elétricos e hidráulicos, vidros, cadeiras, piso do estacionamento e término da fachada, embora a Secopa não tenha revelado quando a Andrade Valladares entregará o estádio pronto. Tanto a construtora, quanto o Departamento de Obras Públicas (Deop) vêm mantendo silêncio quando o assunto é a reforma da arena.


estado de minas - superesportes - 4.3.12

ARBITRAGEM

Sorteio na marca do pênalti

Ludymilla Sá Por meio de liminar, o juiz da 5ª Vara Cível de Belo Horizonte, Antônio Belasque Filho, determinou que os sorteios da arbitragem para as partidas promovidas pela Federação Mineira de Futebol (FMF) e Confederação Brasileira de Futebol (CBF) devem respeitar o número mínimo de quatro árbitros. O magistrado atendeu à Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público Estadual (MPE), que indicava irregularidades na seleção para os jogos do Campeonato Mineiro de 2010. Para ele, a forma como é feita a escolha, com apenas dois pré-selecionados por sorteio, viola os princípios da transparência, imparcialidade e publicidade previstos no Estatuto do Torcedor. Nenhuma das entidades foram notificadas. Mas a FMF, entendendo que não há irregularidade no processo, vai recorrer da medida tão logo seja comunicada judicialmente, conforme antecipou o secretário-geral da entidade, Rodrigues Pires Diniz – o presidente Paulo Schettino passou o dia de ontem no Rio, em reunião com o presidente da CBF, José Maria Marin. Já Rodrigo Paiva, diretor de comunicação da entidade máxima do futebol brasileiro, afirmou que a CBF só vai se pronunciar oficialmente quando receber a notificação. Para justificar a concessão da liminar, Antônio Belasque Filho também sustenta que as entidades não justificam o motivo da exclusão de outros árbitros igualmente aptos. “A ampla participação dos árbitros nos sorteios propicia trans-

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parência e imparcialidade, evitando escolhas dirigidas, que possam influenciar no resultado das competições.” PUBLICIDADE Na ação, o MPE requereu a retirada de qualquer tipo de publicidade nos uniformes dos árbitros sob alegação que nas duas últimas temporadas um dos patrocinadores também era parceiro – e ainda é – de Atlético e Cruzeiro, além de outros clubes do país. Mas o jurista considerou necessário examinar os contratos com as empresas para verificar a extensão dos acordos e, assim, evitar eventual impacto na organização das competições. ENCONTRO NA CBF Preocupados com o predomínio paulista na CBF, presidentes de cinco federações reuniram-se na tarde de ontem com o mandatário da entidade, José Maria Marin, no Rio. Paulo Schettino (MG), Francisco Novelletto (RS), Rubens Lopes (RJ), Ednaldo Rodrigues (BA) e Hélio Cury (PR) reivindicaram igualdade política na confederação, uma vez que os paulistas ocupam 10 dos 19 cargos de diretoria. Os rebeldes temem que o presidente da Federação Paulista, Marco Polo Del Nero, assuma como vice-presidente pela Região Sudeste, cargo vago desde que Marin substituiu Ricardo Teixeira – Del Nero sucedeu Teixeira no Comitê Executivo da Fifa. Ainda está indefinida a data para a indicação, que será feita pelas federações paulista e carioca. Minas Gerais e Espírito Santo fazem parte da Região Centro-Oeste conforme divisão da CBF. A proposta é um carioca seja o representante do Sudeste.


diário do comércio - legislação - p.26 - 10.4.12


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estado de minas - gerais - 4.3.12

BOTOX FALSIFICADO EM BH

Um golpe na beleza

Nove pessoas são presas no país, incluindo uma em Minas, por distribuir mistura de álcool e água como toxina botulínica. substância adulterada pode causar necrose

Guilherme Paranaiba O comércio ilegal da toxina botulínica, substância conhecida como botox e usada em larga escala em todo o país para tratamentos estéticos e médicos, chegou a BH. Duas pessoas foram surpreendidas ontem pela Polícia Federal por suspeita de envolvimento na distribuição irregular. Na clínica de uma delas foram encontradas unidades sem rótulo, validade ou nota fiscal, o que motivou a prisão em flagrante. No ponto comercial do segundo suspeito nada foi encontrado e não houve prisão, mas ele foi levado à delegacia para prestar depoimento. A operação batizada de Narke, palavra grega que tem relação com narcisismo, foi deflagrada pela PF em oito estados. Em Minas, São Paulo, Pernambuco e Paraíba o alvo dos policiais foram fornecedores da substância ilegal. Em Alagoas, Sergipe, Rio Grande do Norte e Piauí, há suspeita de receptação do produto. Nove pessoas (incluindo três médicos) foram presas e 13 mandados de busca e apreensão cumpridos em todo o país. A PF não informou os endereços e os nomes dos suspeitos. De acordo com o delegado da PF em Pernambuco que coordena a operação, Humberto Freire de Barros, as investigações começaram há nove meses, quando surgiram indícios de que a toxina botulínica falsificada era comercializada em Recife. “A partir daí, descobrimos ramificações de fornecedores da substância em Minas, São Paulo e Paraíba. Temos informações de que algumas pessoas vendiam a toxina ilegal havia cinco anos”, informou o delegado. Um dos carregamentos encaminhados pelos Correios foi interceptado pelos investigadores para perícia. Ficou constatado que a maioria das unidades continham apenas uma mistura de álcool e água, enquanto a minoria tinha pouquíssima quantidade da toxina. A operação deflagrada ontem se dividiu entre fornecedores e profissionais de saúde que repassavam o produto irregular aos pacientes. Foram expedidas

66 intimações para médicos e esteticistas para prestar esclarecimentos em todo o país. As investigações mostraram que as unidades da toxina eram vendidas aos médicos por valores que giram entre R$ 350 e R$ 400. Mas o produto era comercializado com os pacientes pelo valor da substância legal, autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de cerca de R$ 1 mil. O trabalho da polícia ainda não esclareceu qual a procedência da substância. Há possibilidade de o material ter origem estrangeira, mas também não está descartada a hipótese de os próprios fornecedores criarem a fórmula para distribuição em várias partes do Brasil. Esse é um dos pontos a serem levantados na continuação da investigação. O segundo objetivo dos policiais é ouvir os médicos, para ter ideia do tanto que a substância ilegal pode ter se espalhado. “Os médicos também deverão ser responsabilizados, pois ninguém compra um produto desse tipo num valor muito menor achando que é normal”, avaliou o delegado que comanda as apurações. Depois de ouvidos os médicos, também será possível chegar até prováveis vítimas que tiveram efeitos colaterais da aplicação da substância ilegal, que ainda não são de conhecimento da PF. “O menor malefício do uso indiscriminado desses produtos é a ineficiência para os tratamentos médicos ou estéticos. Temos relatos de que isso pode causar necrose, pálpebra caída, migração da substância para outras partes do corpo e feridas e úlceras nos lábios”, concluiu o delegado. Os envolvidos vão responder por crimes contra a saúde pública, contrabando e formação de quadrilha. Somadas, as penas máximas podem chegar a 22 anos de reclusão. Procura cresce nos consultórios O número de pacientes em busca da toxina botulínica para manter aparência jovem e deter os efeitos do tempo é cada vez maior. Nos consultórios dermatológicos e de cirurgia plástica, um novo perfil se consolida: os homens têm engordado

a clientela. O cenário econômico e as facilidades técnicas são apontados como motivadores. Em alguns consultórios, a procura dobrou nos últimos cinco anos, caso do cirurgião Cláudio Salum Castro, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica/ Regional Minas Gerais. “Agora, não preciso mais esperar dois a três pacientes, posso aplicar quando quiser, pois houve melhorias na durabilidade e na ação. Hoje, há produtos mais estáveis que podem ficar fora da geladeira. Além disso, as mudanças na economia deram às classes mais baixas condições de parcelar e fazer o procedimento também”, afirma. A toxina botulínica é uma substância que paralisa os músculos. Usada inicialmente na oftalmologia, sua aplicação foi estendida e, atualmente, tem uma série de indicações clínicas e estéticas. Além do uso mais conhecido, para o controle de rugas e de linhas de expressão, ela é aplicada também para controlar diversos tipos de espasmos (na face, no pescoço e ombros e nas pálpebras), estrabismo, incontinência urinária e sudorese na palma da mão, axilas e plantas dos pés. Há um ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) o incluiu também nas indicações para tratamento de cefaleia com enxaqueca crônica. A substância é apontada por profissionais como algo incapaz de matar. “Não existe superdosagem para ela. Na área estética ou na reconstrutiva, só se sabe a quantidade correta quando se injeta a substância. A toxina compete com receptores motores do músculo e demora de sete a 10 dias para agir. É uma ação progressiva”, informou Salum. O médico lembra que a validade do efeito depende de cada organismo, mas dura, em média, quatro meses. O único efeito colateral é o desenvolvimento de anticorpos em alguns casos, o que acarreta menor tempo de ação. O produto é vendido em frascoampolas, em pó para ser diluído em soro fisiológico. Cada ampola custa entre R$ 600 e R$ 700.


estado de minas - economia - 4.3.12

ELETRICIDADE CARA

Mineiros vão pagar 3,71% a mais pela luz

Aneel autoriza reajuste da conta de energia. Alta será de 3,88% para outros clientes de baixa tensão e de 3,79% para indústria

Zulmira Furbino A conta de luz do consumidor residencial mineiro vai ficar 3,71% mais cara no domingo. Para outros consumidores de baixa tensão, como grande parte do comércio que funciona fora de shoppings e outros pequenos estabelecimentos, o aumento da tarifa de energia será de 3,88%. Já para os que trabalham em alta tensão, como as indústrias, grandes shopping centers e estabelecimentos de maior porte, a conta ficará 3,79% mais salgada. O reajuste, que na média vai gerar uma alta de 3,85% para todas as classes de clientes da concessionária, foi autorizado ontem pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e vale para 7 milhões de unidades consumidoras, localizadas em 805 municípios de Minas Gerais. Em 2011, a estatal mineira solicitou 8,8% de reajuste médio e a Aneel concedeu 7,24%. No período, a conta dos consumidores residenciais foi reajustada em 6,61%. Os industriais, porém, amargaram aumento de 9,02%. Segundo a Cemig, os consumidores só vão percebe a variação plena do novo aumento na fatura de maio. Apesar de uma correção praticamente três vezes menor do que a do ano passado, a indústria mineira, castigada pelo dólar alto e pela falta de competitividade com os produtos importados, reagiu ao reajuste da tarifa. Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e da Cedro, Aguinaldo Diniz filho, a energia representa 10% dos custos de produção do segmento. “Lamento profundamente esse reajuste. A energia no Brasil é uma das mais caras do mundo. Mais um aumento vem contra a melhoria da competitividade do setor.” Com isso, outro segmento da cadeia, o de confecções, pode sofrer, ainda que indiretamente. “A energia elétrica não é um peso muito grande no nosso custo. O reajuste deve ter impacto em 1% o

caixa das empresas. Mas para a indústria têxtil, a situação é muito pior. Pode ser que o preço do tecido que nós compramos fique mais caro em decorrência disso”, pondera o presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário no Estado de Minas Gerais (Sindvest-MG), Michel Aburachid. PRESSÃO NOS CUSTOS Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o custo da eletricidade no Brasil pode ser atribuído em grande parte aos encargos setoriais, taxas e tributos incidentes sobre a energia elétrica, que somam 45% do preço que chega ao consumidor industrial ou residencial . “São mais de 15 encargos, taxas e tributos diferentes”, diz estudo realizado pela instituição. Entre 2001 e 2010, segundo o levantamento, a arrecadação com encargos setoriais subiu de R$ 5,5 bilhões para R$ 17,7 bilhões. No mesmo período, enquanto os preços industriais cresceram 119% a tarifa de energia para a indústria aumentou 190%. Em 2008, ainda segundo a CNI, para um grupo de 28 países, o preço da eletricidade para a indústria brasileira só era inferior ao vigente na Itália. A tarifa brasileira é três vezes maior do que a da França e a do Canadá, informa a CNI. O alto impacto da tarifa nos custos gerais da indústria já fez setores da indústria mineira, como o de ferro-gusa, investirem na geração própria de energia. É o que vem ocorrendo desde 2006 entre as maiores empresas do segmento no estado – oito num universo de 64. Antes disso, a energia chegava a representar 8% do custo total. Agora essas companhias aproveitam o gás, que é subproduto do processo industrial, para gerar energia e até vendem as sobras para a Cemig. “Para nós, como para toda a indústria, o peso da energia elétrica é muito elevado”, afirma Fausto Varela, presidente do Sindicato da Indústria de Ferro do Estado de Minas Gerais (Sindifer).

o tempo - edição eletrônica - economia - 10.4.12

Veículos

Fornecedores chineses da JAC virão para o Brasil para atender exigências do governo

São Paulo. Com o intuito de cumprir as exigências instituídas pelo novo regime automotivo, publicada na semana passada, a chinesa JAC Motors planeja trazer para o Brasil fornecedoras de autopeças chinesas que já atendem a montadora. “Queremos trazer alguns fornecedores da JAC que querem trabalhar no país”, disse o presidente da empresa, Sergio Habib, que participou do III Fórum da Indústria Automobilística. O executivo disse que a companhia conseguirá seguir o novo regime automotivo e assim obter o benefício para a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). “Nós não conseguiríamos chegar em 65% no primeiro ano, mas agora nos foi dado um prazo de três anos”, disse Habib.

A fábrica da companhia chinesa será instalada no polo industrial de Camaçari, na Bahia, e as operações estão planejadas para começar em 2014. A unidade da JAC Motors receberá investimento de R$ 900 milhões, com uma capacidade produtiva estimada em 100 mil veículos por ano. Além da ideia de buscar os fornecedores na China, o executivo disse que está atento às oportunidades da cadeia de fornecimento em Camaçari. Como a Ford já está situada no local, Habib disse que as operações na JAC poderão se beneficiar dessa cadeia já consolidada em Camaçari. Flash Volume. No primeiro trimestre do ano, os licenciamentos de veículos somaram 818.364 unidades no país.


conamp - Correio da Bahia - BA- 10.4.12

Cirque du Soleil pode ter apresentações comprometidas em Salvador MPE deu ultimato a Sucom desautorizando a realização de eventos no Parque de Exposições, local que sediará as apresentações do circo Da Redação A esperada vinda a Salvador da turnê do espetáculo Varekai do Cirque du Soleil, com estreia prevista para o início de maio, pode estar comprometida. A Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo do Município (Sucom) recebeu um ultimato do Ministério Público Estadual (MP/BA) estabelecendo que não seja mais autorizado a realização de qualquer evento no Parque de Exposições Agropecuárias de Salvador (PEAS), até que o estabelecimento obtenha seu Habi-

hoje em dia - economia - p.10 - 10.4.12

te-se. A emissão do documento é condicionada a resolução das irregularidades sanitárias e estruturais do Parque. “Nós estamos comunicando imediatamente a situação à produção do Cirque du Soleil para que encontre um caminho junto ao Ministério Público. Uma realização como essa, de grande porte e apelo cultural, é de extrema importância para a cidade”, afirma o superintendente da Sucom, Cláudio Silva. Com o intuito de reprimir as irregularidades existentes no Parque de Exposições, o Ministério Público Estadual requisitou à Sucom, por meio da 2ª Promotoria de Justiça do Consumidor, a imposição de penalidades apropriadas.


continuação - hoje em dia - economia - p.10 - 10.4.12


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10.04.2012  

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