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Ano II

NĂşmero 219

Data 13.7.2012


diário do comérico p.8 13.7.12


estado de minas - edição eletrônica - economia - 13.7.12

Escolha da data e do turno da entrega será garantida por lei Caberá ao Procon fiscalizar o cumprimento da determinação

QUEILA ARIADNE Agora vai virar lei: entrega, só com data marcada. E o consumidor mineiro também escolherá o período que pode receber o produto comprado. A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) aprovou ontem, em segundo turno, um projeto que obriga o fornecedor a fixar o dia e o turno que entregará a compra ou serviço. Pelo Projeto de Lei 367/2011, o cliente poderá indicar se prefere que o produto seja entregue na parte da manhã, da tarde ou da noite. A escolha será assegurada a partir do preenchimento de um formulário, no ato na compra. No texto original, o projeto chegou a cogitar que a hora fosse especificada, mas o texto passou por alterações. "Entendemos que, devido a condições de trânsito, principalmente na região metropolitana de Belo Horizonte, seria de mais bom senso determinarmos turnos, o que não é o ideal, mas ajuda muito, pois impede que o consumidor perca um dia inteiro esperando um produto chegar", afirma a vice-presidente da Comissão de Defesa do Consumidor e do Contribuinte da ALMG, Liza Prado. A professora Regina da Silva já ficou presa dentro da casa da filha, esperando a entrega de um sofá. "Não pude fazer mais nada nesse dia, eles só chegaram à noite, e ainda com uma peça trocada", conta ela.

Segundo o consultor jurídico da Federação do Comércio de Minas Gerais (Fecomércio-MG), Renato Faria Rodrigues, a definição dos turnos é mais sensata. "Fixar um horário específico seria praticamente impossível, já que existem fatores externos como trânsito, acidentes e questões climáticas", observa. Rodrigues lembra que o direito de receber de acordo com a promessa do fornecedor já era assegurado pela lei federal 8.078, que é Código de Defesa do Consumidor (CDC), mas vai ganhar mais força com a nova lei estadual. Pelo artigo 35, "se o fornecedor de produtos ou serviços recusar cumprimento à oferta, apresentação ou publicidade, o consumidor poderá exigir o cumprimento forçado da obrigação, aceitar outro produto ou prestação de serviço equivalente, ou rescindir o contrato, com direito à restituição. Segundo a deputada Liza Prado, caberá aos Procons fiscalizarem o cumprimento da determinação que, para virar lei, só depende da sanção do governador. Empresas terão que avisar antes de incluir A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) aprovou em segundo turno um projeto de lei para obrigar os bancos de dados, cadastros de consumidores e serviços de proteção ao crédito a enviarem aviso antes de incluir o nome do consumidor

inadimplente nas listas de devedores de órgãos como SPC e Serasa. Para virar lei, só falta a sanção do governador de Minas Gerais. O consultor jurídico da Federação do Comércio de Minas Gerais (Fecomércio-MG), Conrado Di Mambro Oliveira, ressalta que o comunicado antecipado já está previsto no Código de Defesa do Consumidor (CDC). "A lei estadual vem corroborar o que o CDC já estabelece e deixar mais claro a necessidade de informar aos consumidores sobre a inclusão do nome nos cadastros negativos, dando a eles a oportunidade de questionar ou pagar antes que o nome vá para a lista", explica. Pelo Projeto de Lei 721/2011, o comunicado deve ser feito com Aviso de Recebimento (AR) para que o fornecedor comprove que o cliente foi comunicado antes de ter o nome sujo. O lançamento negativo só poderá acontecer cinco dias após a devolução do AR. O texto também diz que o AR deverá ser assinado pelo consumidor. Neste caso, o integrante da Comissão de Defesa do Consumidor da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG), Marlus Riani, afirma que haverá conflitos. "O consumidor nem sempre estará em casa e também pode ter mudado de endereço e como o fornecedor vai descobrir?", alerta o advogado.

Pontualidade pode virar ação de marketing

SPC e Serasa terão que avisar consumidor antes de incluir nome O integrante da Comissão de Defesa do Consumidor da Ordem dos Advogados do Brasil (OABMG), Marlus Riani, afirma que a nova lei para fixar o período da entrega de produtos e serviços pode ser usada como estratégia de marketing. "Se o fornecedor cumprir bem os prazos, ele pode mostrar sua eficiência com publicidade", afirm. A vice-presidente da Comissão de Defesa do Consumidor e do Contribuinte da Assembleia, Liza Prado, destaca a importância da lei para melhorar os

serviços. "É um absurdo uma pessoa ficar um dia inteiro esperando por uma entrega que, às vezes, nem acontece. Inclusive, isso já está previsto no artigo 39 do Código de Defesa do Consumidor (CDC), que veda práticas abusivas", afirma. Procon. O Procon pretende recorrer da decisão do Tribunal da Justiça de Minas Gerais (TJMG), que permite o comércio cobrar preços diferenciados no cartão e à vista. O consultor jurídico da Fecomércio-MG, Fábio Cunha, ressalta que a intenção dos lojistas não é cobrar mais caro, mas dar descontos em meios de pagamento que não têm as mesmas taxas dos cartões.


super notícia p.4 13.7.12

estado de minas - opinião - espaço do leitor - 13.7.12

CEMIG

Leitor pede apuração de irregularidades

Paulo Pereira Gontijo Belo Horizonte “Como diretor de imobiliária, estou indignado e assustado com as medidas tomadas pela Cemig. Meus clientes estão com medo e preocupados com os acontecimentos. A empresa retira o medidor de energia e diz que o aparelho apresenta irregularidades. Os responsáveis afirmam que dentro de 30 dias o resultado será divulgado. Com muita insistência, a empresa informa que ‘nenhuma irregularidade foi apurada’. Outro problema sério de abuso é quando um locatário entrega o imóvel, ficando responsável pelo consumo e o desligamento da energia. O usuário vai à Cemig, leva os números anotados, paga o valor do consumo, incluin-

do uma taxa chamada ‘custo de disponibilidade’, que nem sei se é legal. O cliente sai de lá como se tivesse resolvido. Entretanto, a Cemig não desliga a energia, cobrando mensalmente o consumo mínimo da citada taxa. Quando descobrimos que a energia não foi desligada, geralmente mais de um mês depois, ligamos e os responsáveis dizem que não o fizeram porque existe irregularidade no medidor. Enquanto isso, as contas continuam a chegar. Além disso, não aceitam o encerramento de contrato feito por alguém que não seja o titular, mesmo com a apresentação do documento de locação em seu nome. Esse é o preço que pagamos pelo flagelo do monopólio. A quem apelar?”


estado de minas - economia - 13.7.12

PIRãMIDE FINANCEIRA

Filadélphia sob nova suspeita de fraude

Sócios da empresa de empréstimo consignado estariam usando um laranja para camuflar operações irregulares Pedro Rocha Franco ministração de Recursos Financeiros e conhecido pelo apeSob suspeita de que os sócios da empresa Filadélphia lido de Madoff mineiro por ter aplicado golpe da pirâmide Empréstimos Consignados Ltda, investigada por operar es- semelhante ao do norte-americano Bernard Madoff. quema de pirâmide financeira responsável por lesar centenas A Filadélphia era investigada desde 2009 pela Comisde clientes em mais de R$ 100 milhões, estarem novamente são de Valores Mobiliários (CVM) por ofertar empréstimos atuando ilegalmente, a Polícia Federal desencadeou ontem a com juros até 10 vezes acima do rendimento médio. Depensegunda fase da Operação Gizé. A suspeita é que um laran- dendo do valor a ser aplicado, a empresa oferecia de 2,5% a ja estaria sendo usado para camuflar operações irregulares 5% ao mês mais poupança. Mesmo com o alerta da CVM, feitas pela empresa Fator X Consultoria em negócios irre- o EM mostrou que tais acordos continuavam a ser feitos, gulares. principalmente com militares da Aeronáutica, tendo em visA Polícia Federal cumpriu ontem quatro mandados de ta que Carlos Henrique e um irmão são ex-militares. busca e apreensão em imóveis pertencentes ao empresário e Além do empréstimo com remuneração acima do que pastor Carlos Henrique Vieira, um irmão dele, que era ofi- é praticado no mercado, segundo as investigações da PF, a cial da Aeronáutica, e também o laranja em Lagoa Santa, empresa atuava no mercado de seguro automotivo com o além da sede da empresa Fator X. Foram apreendidos do- modelo de “rateio”. Ou seja, captava entre R$ 50 e R$ 100 cumentos que serão analisados nas próximas semanas para por mês dos segurados e, em caso de um deles sofrer acidencomprovar, ou não, a continuidade da atuação fraudulenta tes, todos dividiam o prejuízo. do grupo. À época candidato à Prefeitura de Lagoa Santa, Carlos Quatro meses depois de o Estado de Minas ter feito re- Henrique tinha intenções de entrar no mercado financeiro. portagem denunciando o esquema de pirâmide envolvendo Para isso, reaplicava os valores captados com clientes no o grupo Filadélphia, em janeiro a PF desencadeou a primei- mercado para tentar crescer o montante. Com isso, consera fase da Operação Gizé, prendendo seis pessoas, além de guiu se estabelecer em mais de 50 cidades de quase todos Carlos Henrique, e sequestrando mais de 60 bens, entre imó- os estados do país. Apenas em Lagoa Santa eram mais de 10 veis e veículos. Inicialmente a suspeita era que as fraudes imóveis. Mas todas as operações eram feitas sem anuência tivessem causado rombo de mais de R$ 10 milhões, mas, se- do Banco Central e dos órgãos responsáveis. manas depois, o delegado responsável pela operação e pela Caso condenado, Carlos pode pegar pena que varia de Delegacia de Combate a Crimes Financeiros e Verba Públi- 26 a 90 anos de reclusão, além de multas administrativas. Na ca, Mário Veloso, confirmou que o prejuízo poderia superar lista de delitos: estelionato, formação de quadrilha, falsidade R$ 100 milhões, ou seja maior até que o rombo causado pelo documental, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, e outros investidor Thales Maioline, sócio da Firv Consultoria e Ad- crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. o tempo - edição eletrônica - economia - 13.7.12

PF desarticula esquema pirâmide financeira em MG Foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em Lagoa Santa

PEDRO GROSSI A Polícia Federal prosseguiu na manhã de ontem com a operação Guizé, que, desde o começo deste ano vem desmantelando uma quadrilha especializada na prática de crimes financeiros que atua em todo o país. A PF cumpriu três mandados de busca e apreensão em Lagoa Santa, na região metropolitana de Belo Horizonte, na residência de Carlos Henrique Vieira, presidente da Filadélphia Empréstimos Consignados Ltda. A empresa é investigada por crimes financeiros e por lesar mais de 2.000 investidores em um rombo que pode chegar a mais de R$ 50 milhões. Outro mandado foi cumprido na empresa Fator X Consultoria, que estaria funcionando em nome de um "laranja" do presidente da Filadélphia. Em 2009, a empresa já havia sido alertada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de que os três responsáveis por ela, Carlos Henrique Vieira, Rosa Cristina Nagib Vieira e Marilice Pimentel da Silva estavam impedidos de oferecer serviços de aplicações em fundo de investimento. Na época, a CVM chegou a estipular uma multa diária de R$ 5.000 caso a determinação fosse descumprida. Em nota, a CVM explicou que um eventual valor

recuperado não iria ser utilizado na indenização dos investidores. Quem foi lesado pela Filadélphia deve procurar o Poder Judicário. Operação. A ação da PF contra o esquema de pirâmide financeira da Filadélphia começou no dia 31 de janeiro, quando foram expedidos oito mandados de prisão temporária, 18 mandados de busca e apreensão e 60 mandados de arresto de bens e imóveis, veículos e bloqueio de contas bancárias. Os investigados ainda serão indiciados, processados e julgados. Caso condenados, eles poderão pegar penas que variam entre 26 e 90 anos de reclusão, além de multas. Embora tivesse sede em Lagoa Santa, a Filadélphia agia praticamente em todo o Brasil, tendo representantes em 50 cidades de 23 Estados. Evangélicos eram alvo Para atrair investidores, a Filadélphia oferecia rendimentos superiores a juros pela concessão de empréstimos. Como a diretoria da empresa era composta por militares da Aeronáutica e por evangélicos, esses eram o alvo preferido. A empresa convencia novos participantes a pegarem empréstimos em bancos e "investirem" o dinheiro na Filadélphia, que prometia rendimentos mensais maiores que as prestações da dívida. (PG)


estado de minas- economia - giro econômico - 13.7.12

TEMORES

Ações da TIM tem forte queda

As ações da TIM tiveram forte queda na bolsa paulista ontem, com investidores mostrando receio de que a operadora de telefonia sofra sanções do governo devido a reclamações sobre a qualidade de seu serviço. Após ter acenado na quarta-feira com a possível suspensão de novas vendas pela TIM (foto), Paulo Bernardo, ministro

das Comunicações, disse ontem que isso "seria o último recurso". Em comunicado, a empresa disse que vem "cumprindo e segue rigorosamente as orientações" da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) sobre qualidade. As ações da TIM recuavam 7,65% às 16h35, a R$ 9,78

o tempo - edição eletrônica - economia - 13.7.12

Elevado número de queixas pode suspender vendas da TIM Operadora terá prazo para adotar medidas e reduzir reclamações

ANA PAULA PEDROSA Ameaça. O ministro Paulo Bernardo diz que TIM será proibida de vender se não melhorar serviço O grande volume de reclamações dos clientes da TIM pode fazer com que a operadora seja impedida de vender novos planos de telefonia móvel. A declaração foi dada ontem pelo ministro Paulo Bernardo e fez as ações da empresa despencarem 7,55% na Bovespa. "Podemos (suspender as vendas), por que não? Faremos isso se ela não resolver o problema", disse o ministro. Antes da medida extrema, segundo Bernardo, será dado um prazo para a empresa adotar medidas para reduzir número de reclamações. "Não somos radicais e não queremos tomar uma medida duríssima. Mas se tiver que fazer, vai ser feito. Não posso simplesmente fechar os olhos", disse. Segundo o ministro, "em seis ou sete Estados" o serviço da operadora está muito aquém do ideal. "Eu acho que a TIM tem que resolver o problema. Nós não queremos prejudicar a empresa. Queremos que o serviço seja expandido, que seja barato e, se vender, tem que entregar aquilo que vendeu", explicou Bernardo. Em março, foram registradas cerca de 20 mil reclamações contra a empresa na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). No ranking geral de queixas na agência, ela é a terceira colocada. Se não está no topo da queixas oficiais, a operadora é a campeã de reclamações nas redes sociais. No Facebook, a falta de sinal já virou piada. Entre as sátiras postadas pelos usuários está uma montagem com a famosa cena da novela "Gabriela". Em vez

de buscar uma pipa no telhado, a mocinha sobe em busca de sinal para o seu celular. Por meio de nota, a TIM alega desconhecimento da fala do ministro e da motivação para uma possível suspensão das vendas. "A TIM desconhece a existência de medida tão extrema, bem como os fundamentos dela", diz o texto. A empresa alega ainda que tem investido R$ 3 bilhões ao ano, nos últimos quatro anos, incluindo 2012, "sendo quase a totalidade direcionada à infraestrutura e, acima da média do mercado no segmento móvel". Porto Alegre. O Procon de Porto Alegre vai proibir a venda de novas linhas de telefonia móvel pré e pós pagas e determinar que todas as operadoras descontem das próximas faturas o valor correspondente ao tempo no qual o serviço não foi prestado por falhas no sistema. (com agências) Cliente reclama, mas não muda pelo preço O preço baixo - R$ 0,25 por chamada de qualquer ligação em linhas pré-pagas é o que mantém a gerente comercial Kênya Tavares como cliente da Tim, apesar das queixas em relação ao sinal. "A ligação sempre cai no meio", reclamava ela, pouco antes de a ligação realmente cair no meio da entrevista, que era feita entre dois celulares TIM. Ela gasta de R$ 80 a R$ 100 por mês. "Apesar das falhas, ainda gastaria mais em outra operadora", acredita. Proprietária de uma agência de viagens, Patrícia Coutinho, tem a mesma opinião. Na família, são quatro celulares TIM, mantidos pelo preço baixo. "Mas eles ficam pelo menos duas horas por semana sem sinal", diz. Ela também reclama que no trabalho, em plena avenida Afonso Pena, no coração de Belo Horizonte, o si-

nal também é falho. "Acontece muito de um cliente tentar me ligar e não conseguir, ou falar só pela metade. Ainda tenho que ouvir o cliente me xingando", conta. Ela já fez reclamações na operadora e na Anatel e diz que até conseguiu ser ressarcida pelo período em que a linha ficou sem funcionar, mas diz que esta não é a solução que esperava. "O que a gente quer mesmo é usar o telefone quando precisar", afirma. CVM encerra com acordo caso Oi/ BrT Rio de Janeiro. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) fechou termo de compromisso de R$ 700 mil com seis executivos envolvidos em um processo que apurava o vazamento de informações na negociação para aquisição do controle da Brasil Telecom (BrT) pela Telemar, em 2008. A investigação começou após a divulgação de notícias sobre a reestruturação societária e conversas entre Oi/Telemar e BrT em janeiro daquele ano. A operação foi formalmente anunciada três meses depois e concluída em janeiro de 2009 por R$ 5,3 bilhões. Todos os envolvidos eram membros do conselho de administração da Brasil Telecom e executivos da Invitel/Argolis

Holding e foram acusados de não terem divulgado fato relevante ao tomar conhecimento da operação, 48 horas antes do fechamento do negócio. A então diretora de Relações com Investidores da Invitel também foi questionada por não ter exercido seu papel de inquirir os que tinham acesso a essas informações na época do vazamento.


hoje em dia - economia - 13.7.12


o tempo - economia - 17.3.12

ANS está `de olho´ em 14 operadoras de saúde em Minas Gerais Agência decretou intervenção por desequilíbrio nas contas

JULIANA GONTIJO A saúde financeira de 14 operadoras de planos de saúde em Minas Gerais não vai bem. Conforme informações da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), essas empresas estão sob o regime de direção fiscal, estágio em que sofrem intervenção por causa de desequilíbrios em suas contas que, se não forem resolvidos, podem acarretar o fechamento dessas empresas. Essas operadoras têm, juntas, 275.109 beneficiários em Minas Gerais. A lista com os nomes dessas empresas não foi divulgada pelo órgão regulador. Em todo o país, aproximadamente dois milhões de brasileiros podem estar perto de ver seus planos de saúde quebrarem. Não bastasse a suspensão da venda de 268 planos, em todo o país, que desrespeitaram prazos de atendimento definidos por regulamentação, a ANS acompanha de perto 141 empresas de planos médico e odontológico, que correspondem a 10,3% do total de 1.300 em funcionamento no Brasil, com graves problemas financeiros. No Rio Janeiro, 25 operadoras estão nessa situação, com implicações

para 223,2 mil clientes. O Estado só perde para São Paulo, que acendeu o sinal de alerta da ANS por causa de 41 operadoras, com uma carteira total de 515,7 mil pessoas, com a saúde financeira abalada. As empresas, geralmente, são pequenas, mas tiram o sono de muita gente. Entre as regiões, o Sudeste foi mais afetada: tem 84 operadoras no regime de direção fiscal, com 1,05 milhão de beneficiários atingidos. Em seguida vêm Nordeste, com 326,9 mil pessoas atingidas; Norte, com 252,5 mil; Sul, com 194,5 mil; e CentroOeste, com 110 mil. Além de sofrerem com os sistemáticos reajustes acima da inflação (a previsão até 2013 é de 7,93%) e com a grande burocracia para conseguir atendimento, esses clientes, muitos atraídos pelos baixos preços dos serviços, agora se veem às voltas com trâmites administrativos e com a possibilidade de ficar sem plano, caso as empresas fechem as portas. Para evitar o pior, há o regime que consiste em uma apuração das medidas adotadas pelos planos para a melhoria das finanças. (com agências)

cial

Quatro estão em liquidação judi-

Em situação bem pior que o regime de direção fiscal estão quatro operadoras em Minas Gerais que se enquadram na fase de liquidação judicial, cujos nomes não foram revelados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Isso ocorre quando as operações não conseguem se recuperar, mesmo após o acompanhamento da agência reguladora. Em todo o país, são 71 operadoras nessa situação; em 2001, eram cinco. Entre os Estados da Federação, Minas Gerais ocupa a quarta posição. O Rio ficou em segundo lugar, com 15 empresas encerrando operações. São Paulo tem 18 nesse estágio. Segundo a ANS, nesse caso todos os clientes serão repassados para outras operadoras. Elas têm um prazo de 30 dias para vender sua carteira. Se não conseguirem, a própria ANS realiza leilões. Não havendo a venda, o beneficiário pode procurar outro plano sem cumprir carência. O diretorexecutivo da Federação Nacional de Saúde Suplementar, José Cechin, afirma o controle das operadoras ajuda a melhorar o setor.


hoje em dia - economia p.11 13.7.12


continuação - hoje em dia - economia p.11 13.7.12


o tempo - fórum - 13.7.12

Sacolinhas

Carlo Germani Em relação à matéria "Justiça mantém as sacolas grátis nos mercados paulistas" (Economia, 12.7), é preciso parar o tempo - opinião - 13.7.12

com essa história de isso ou aquilo ser grátis. É a velha frase: "Não existe almoço grátis". No caso das sacolas plásticas, o seu valor está embutido nos preços.

DEBATE

A propaganda direcionada às crianças deve ser proibida? Um dos temas da atual geração dos direitos humanos é a proteção devida à criança dos apelos do consumismo. Como seres ainda sem total capacidade de discernimento, as crianças - e, por extensão, suas famílias - estão expostas aos interesses que se expressam por meio do universo do marketing e da publicidade. O discurso mercadológico dirigido à criação de desejos de consumo entre as crianças é um discurso feito por adultos altamente especializados, dotados de capacidade econômica e instrumental midiático, contra o qual a comunidade, a família e a própria criança estão indefesas. Segundo pesquisa divulgada pelo Instituto Alana, as crianças brasileiras influenciam 80% das decisões de compra de uma família ("TNS/InterScience", outubro de 2003). Essa realidade factual levou os países de democracia consolidada a criar legislações que buscam o equilíbrio nessas relações de consumo. É um movimento contínuo, inclusive nos países que mais valorizam a livre iniciativa e ganham com a globalização econômica, como os Estados Unidos da América e os da Europa, que são dotados de legislação protetiva, ainda inexistente no Brasil. Nosso país já conta com massa crítica, conhecimento acumulado, experiências de debate e mobilização capazes de gerar um diálogo de alto nível que venha a resultar numa proteção legislativa da criança frente aos apelos mercadológicos. Não se trata de proibir a propaganda de produtos infantis, mas de direcionar a propaganda para pais e mães, que têm capacidade de discernir sobre a importância ou não de determinado brinquedo, alimento, serviço etc. O tema ganha destaque no Congresso Nacional e a cada legislatura cresce o número de proposições visando à regu-

Proteção à criança

lamentação do tema, ao cumprimento da Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança, dos preceitos constitucionais que protegem explicitamente a criança e o consumidor (artigos 227 e 5º, inciso XXXII) e ao reforço do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/90). A Comissão de Direitos Humanos e Minorias, com a exitosa experiência da campanha pela ética na televisão, denominada "Quem financia a baixaria é contra a cidadania", no intuito de contribuir para o debate e promover os direitos da criança e do adolescente, aprovou o requerimento do 1º Seminário Infância Livre de Consumismo, a ser realizado em agosto deste ano. O olhar dos direitos humanos deve ser protagonista nesse sentido. É proibido proibir Atualmente, existe no Brasil uma epidemia. Querem proibir o que você come, onde você fuma, o que você assiste... É o que pretendem perto de 200 projetos de lei em tramitação no Congresso acerca dos produtos que lhe são oferecidos através da publicidade. Quando digo produtos, não me refiro a drogas (sejam elas lícitas ou ilícitas) ou a armas, mas a alimentos, brinquedos, acessórios... Enfim, produtos infantis. Políticos e alguns grupos tentam barrar a veiculação de anúncios de produtos voltados para as crianças e, até mesmo, qualquer tipo de publicidade durante programas infantis. Como se barrar essas propagandas fosse diminuir a obesidade infantil, o desejo de compra ou o nível de informação das crianças. Falamos de um público que recebe uma verdadeira enxurrada de informações através dos mais variados meios, desde a mais tenra idade! Não raramente vemos crianças que mal saíram das fraldas manuseando celulares ou acessando a inter-

net, com mais facilidade do que muitos adultos. Em todos os meios de comunicação, há propagandas voltadas para os mais diversos públicos. A publicidade não existe apenas na forma de anúncios. As pessoas, em fóruns de discussão, por exemplo, ao decretarem a preferência por esse ou aquele produto, já estão lhe dando visibilidade. Ingenuidade nossa pensar que a mera proibição tenha o efeito sonhado por esses utopistas. Tudo o que uma eventual coibição pode causar é uma penalidade monumental para toda uma indústria, colocando em risco milhares de postos de emprego criados por ela. Sugerir ações efetivas, como campanhas de massa a favor da alimentação infantil saudável ou a implantação de disciplinas como a economia doméstica - o que já existe em países desenvolvidos, como os EUA, nas grades curriculares de nossas escolas, não é discutido. Só procuram um caminho fácil e, consequentemente, menos eficaz. A publicidade direcionada ao público infantil não é uma vilã. Pode, e deve, ser bem utilizada pelos especialistas da área e seus clientes. Caso não o seja, existe uma entidade responsável pela sua fiscalização, o Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar), que vigia, de perto, a atuação dos profissionais publicitários. O órgão, inclusive, pode ser acionado por qualquer pessoa que se sinta lesada por uma propaganda, como o cidadão comum. O Brasil não precisa de mais uma proibição. Precisa de atitudes tomadas no seio do problema e de discussões baseadas na razão. Proibir é fácil. Difícil é criar soluções efetivas, que vão gerar uma sociedade melhor para todos.


estado de minas - edição eletrônica - superesportes - 13.7.12

INDEPENDÊNCIA

Só falta educação

Hábito de torcedores assistirem aos jogos na arena de pé é agravado pela ocupação de áreas de passagem. BWA reconhece problema, mas para PM falta conscientização

Bruno Freitas Bem aceito pelo torcedor, que logo se identificou com o conceito de arena após dois anos de ausência do futebol em Belo Horizonte, o novo Independência está cada vez mais cheio. Embora haja limitação na capacidade, para 23.018 espectadores, e venda de ingressos – devido a reservas operacionais de cadeiras, para programas de sócio-torcedor e setores mais caros (de R$ 100 e R$ 200) –, o que se tem visto nos últimos jogos de Atlético e Cruzeiro são arquibancadas lotadas, repletas e fortalecidas pelo bom desempenho dos clubes mineiros no Campeonato Brasileiro’2012. Ao mesmo tempo, o caldeirão tem sido palco de verdadeiros exemplos de falta de civilidade, prejudicando não só a circulação e a visibilidade durante os jogos, como também a segurança. O hábito de a torcida ocupar corredores e escadas agrava o problema, iniciado por aqueles que insistem em assistir aos jogos de pé. Operando o estádio desde a reinauguração, em 25 de abril, a BWA acredita que o comportamento é cultural. Contando com o auxílio de stewards (monitores de torcida), a concessionária que administra o Raimundo Sampaio aponta que o torcedor necessita de reeducação, mas reconhece que o mineiro parece estar disposto a colaborar. “Estamos mostrando ao usuário que dependemos de sua colaboração, pois o estádio é lugar de lazer e diversão. Um número razoável gosta de assistir à partida de pé e este é um fator que trabalhamos neste momento. Já houve evolução”, garante o presidente da Arena Independência, Bruno Balsimelli. Ele explica que existe um steward a cada 100 visitantes para orientá-los a localizar seu assento, tirar dúvidas e fiscalizar seu comportamento. Uma ação efetiva para evitar o mau uso dos assentos e do estádio, entretanto, de-

pende da atuação da PM. “Como os stewards são civis, eles não podem ter a mesma característica de um policial”, reforça Balsimelli, revelando ainda que os monitores foram treinados por dois coronéis e ficam distribuídos no estádio, ao longo da partida, para evitar aglomerações. MEDIDAS O acúmulo de pessoas é uma das maiores preocupações do Batalhão de Polícia de Eventos (BPE), reforça o tenente-coronel Cícero Cunha. Um dos responsáveis pela segurança interna do Independência, o policial ressalta que a PM tem conversado com a BWA em busca de uma sinalização para estes locais. “Não dá para ir de pessoa em pessoa conversando. Durante as reuniões de Federação Mineira de Futebol (FMF) também temos sugerido informativos ao público com orientações à segurança. Parece que o torcedor não está habituado a usar esse tipo de estádio”, aponta. O policial ratifica que a ocupação inadequada de corredores e das cadeiras, utilizada como apoio para assistir aos jogos de pé, é uma questão de educação. “Essa é uma característica principalmente das torcidas organizadas, que gostam de assistir aos jogos de pé, vibrando”. E indica a necessidade de uma campanha de conscientização. “É preciso uma campanha para mostrar ao visitante como se comportar no estádio. Também temos sugerido formas de comunicação em massa, usando o painel eletrônico, para chamar a atenção dessa questão”, finaliza Cunha. ENQUANTO ISSO... ...BWA questionará desconto Depois de o Ministério Público Estadual ter emitido nota adiantando que nenhuma das três opções de substituição para as atuais grades de ferro do ponto cego – problema que atinge cerca de 6 mil torcedores do Independência – será adotada, a concessionária

que administra a arena declarou que as soluções apresentadas não foram plenamente satisfatórias. Acatando a decisão do MPE em manter a venda de ingressos do setor com 50% de desconto, a BWA ressaltou, contudo, que pretende questionar os dirigentes dos clubes e o grupo consultivo da arena se o percentual pode ou não ser alterado. “Caso surja uma nova proposta, ela será levada à apreciação do MPE para discussão”, acrescentou a BWA, em nota. (BF) ANÁLISE DA NOTÍCIA Erro desde a origem . Cláudio Arreguy Que o novo Independência mexeu positivamente com o astral do futebol mineiro, contribuindo para a boa arrancada dos times do estado nas séries A e B do Campeonato Brasileiro, é indiscutível. Moderno, arejado, com assentos confortáveis, apesar dos problemas de visibilidade, é digno de uma das principais cidades do país. Mas, em nome dessa sensação de bem-estar, é fundamental que certos requisitos sejam cumpridos à risca. Se o torcedor compra um ingresso numerado, tem de encontrar vazio o lugar correspondente. O que não tem acontecido, pelo contrário. São tantos os assentos ocupados indevidamente que, diante da proximidade do jogo, o torcedor acaba se sentando no degrau entre duas alas de cadeiras. Algo inadmissível em estádio inaugurado há menos de três meses. Que o comprador tenha à disposição o mapa de assentos, como já ocorre nos cinemas, com boa assimilação por parte do público. Que ao entrar na arena encontre monitores a orientá-lo até o lugar de direito. Que as áreas de circulação sejam preservadas para a finalidade a que se destinam, em vez de se transformar em obstáculos que obrigam o frequentador a verdadeira ginástica para se instalar. Nada complicado, como se vê.


o tempo - edição eletrônica - esportes - 13.7.12

INDEPENDÊNCIA.

Torcedores continuarão de pé

Alternativas para o nível superior do novo estádio não foram consideradas satisfatórias

BRUNO TRINDADE Os problemas de visibilidade em cerca de 6.000 lugares do estádio Independência, onde foram instalados parapeitos com grades que atrapalham a visão de quem acompanha a partida no local, permanecem sem solução. Durante 30 dias, a questão foi discutida e propostas foram analisadas, mas, mesmo assim, nada será feito. Um grupo de estudo foi criado e chegou a apresentar três alternativas para que o problema fosse sanado. A primeira proposta seria a redução das grades, de 1,10 m para 1 m, com o custo de R$ 1,2 milhão. A segunda alternativa era retirar todas as grades e colocar no lugar uma proteção de vidro da mesma altura, com um custo de R$ 8 milhões. E a terceira tentativa de corrigir o problema seria manter a altura das grades em 1,10 m, porém, elas seriam cortadas, produzindo vãos de 35 cm que permitiriam

a visão, com um custo estimado de R$ 3,2 milhões. Entretanto, nenhuma das alternativas será adotada, conforme anunciado ontem pela Secretaria de Estado Extraordinária da Copa do Mundo (Secopa-MG) e pelo Consórcio Arena Independência. Isso porque as soluções técnicas apresentadas não foram consideradas "plenamente satisfatórias". "Caso surja uma nova proposta, a mesma será levada à apreciação do Ministério Público para rediscussão", informou a BWA, empresa integrante do consórcio que administra o estádio, por meio de uma nota. A partir de hoje, o Ministério Público terá dez dias para analisar as alternativas apresentadas, mesmo sabendo que elas já foram descartadas. Após o período, será marcada uma reunião entre o MP, a Secopa e a Arena Independência, com data ainda a ser definida. Na nota, a BWA relatou que manterá a decisão inicial do MP,

que estabelece exigências para que o setor possa ser utilizado pelos torcedores nos dias de jogos. "A Arena Independência acata a decisão, com o respeito que lhe é devido, salientando que a submeterá aos membros do Grupo Consultivo da Arena Independência e aos clubes afetados, no intuito de que possam, em conjunto, analisar se o percentual estabelecido como redução (nos preços dos ingressos para o setor) não pode ou deve ser alterado". Na época da reinauguração do estádio Arena Independência, a colocação das grades foi justificada, pelo governo, por questões de segurança aprovadas pelos órgãos competentes. Após muito alarde da imprensa, de deputados e vereadores que visitaram o local, foi adotada uma medida paliativa, com redução dos preços dos ingressos, e prometida uma possível solução para o setor, mas que, por enquanto, permanecerá sem alteração.


hoje em dia - opini達o - 13.7.12


3.7.2012