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A morte de Cristo Marcos 8:31-33 IPCci 16/1/14 (Sétimo Estudo) Introdução Em nosso último estudo bíblico estudamos sobre a historicidade do sacrifício de Cristo quando o credo diz que “Cristo padeceu sobre o poder de Pôncios Pilatos.” A seguinte declaração é como se segue: “Creio que Jesus foi crucificado, morto e sepultado.” As três declarações – crucificado, morto e sepultado- definem uma só coisa; a saber, que “Cristo Jesus morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras. E que foi sepultado...”(1 Co. 15:3 Em mateus 27:41-42 “os principais sacerdotes, com os escribas e anciãos, escarnecendo, diziam: Salvou os outros, a si mesmo não pode salvar-se. É rei de Israel! Desça dessa cruz, e creremos nele...” Essa foi a última cartada do diabo para fazer Jesus desistir dos planos de Deus para a restauração do homem através de sua crucificação. A primeira foi ainda no início do ministério de Jesus quando o diabo o tentou no deserto. A última seria os homens aos pés da cruz zombando e provocando o Senhor Jesus para demonstrar mais uma vez o Seu poder. Mateus escreve assim para assentuar que Jesus realmente morreu. Mateus 27:50 – Descreve o exato momento em que o espírito deixou o corpo e Jesus morreu. Mateus 27:57-66 – O sepultamento e a guarda do sepulcro – Tudo isso para demonstrar o que o Credo professou: Creio em Jesus Cristo crucificado, morto e sepultado. A cruz foi a forma pela qual Jesus morreu. Ela domina o Novo Testamento.


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A crucificação de Jesus é o último momento da grande semana da paixão. Quando folheamos os quatro evangelhos, que contam a história de Jesus, percebemos a importância que dão a esta última semana: Lucas dedica-lhe um quarto de suas páginas; Mateus e Marcos separam um terço dos seus volumes para contar esta história. E praticamente a metade do Evangelho de João se ocupa desta semana. No cume desta semana, pousa soberana a crucificação, momento dramático na vida de Jesus, pelo sofrimento envolvido e por seu significado, já que era a sua missão. Jesus mesmo disse que deveria ser morto. Relata-nos Marcos: Então Jesus "começou a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do homem sofresse muitas coisas e fosse rejeitado pelos líderes religiosos, pelos chefes dos sacerdotes e pelos mestres da lei, fosse morto e três dias depois ressuscitasse. Ele falou claramente a esse respeito. Então Pedro, chamando-o à parte, começou a repreendê-lo. Jesus, porém, voltou-se, olhou para os seus discípulos e repreendeu Pedro, dizendo: -- Para trás de mim, Satanás! Você não pensa nas coisas de Deus, mas nas dos homens”. A crucificação era a sua "hora", como uma espécie de consumação de sua vida, aos 30 anos (prováveis) de idade. Vejamos aqui três verdades sobre este acontecimento; 1) O GRANDE SÍMBOLO A cruz, com toda justeza, se tornou o símbolo do Cristianismo. Como escreveu Emil Brunner (em 1934), ela é o símbolo da fé cristá, da igreja cristã, da revelação cristã. Por isto, como lutaram os Reformadores, precisamos interpretar corretamente a cruz. Aquele que compreende a cruz corretamente (...) compreende a Bíblia, compreende Jesus Cristo".


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Nas palavras de John Stott, "a cruz é a última revelação do amor de Deus. A cruz é a vitória definitiva sobre o mal. A cruz é o fundamento de nossa salvação. A cruz é o maior exemplo do autossacrifício [já dado]. A cruz é a mais poderosa inspiração para a devoção cristã". (STOTT, John. Evangelical truth..., p. 76) A cruz é um problema para o homem moderno que tentou a todo custo ressuscitar a bondade humana. Como disse o filósofo Indu Swuami Vivekananda (1863-1902) em 1893: "É um pecado chamar um homem de pecador. É um permanente libelo contra a natureza humana."1 A cruz nos confronta porque ela retrata a miséria humana; a saber, que alguém precisou morrer em nosso lugar porque fomos incapazes de salvar a nós mesmos. Mas ela também demonstra a grandeza de Deus, pois nos declara absolvidos dos nossos pecados. A cruz é o grande símbolo do Cristianismo e apesar de por algum tempo os Cristãos primitivos escolherem o peixe como um símbolo secreto de comunicação; a cruz passou a ser vista como a maior das verdades; a saber, o Deus que se encarnou e se ofereceu pela morte atroz em lugar dos que Ele mesmo quiz salvar.

2) O NOSSO PROBLEMA COM A CRUZ – Nós, Cristãos Evangélicos, temos problema com a cruz, ou melhor, com a representação da cruz. Olhemos para a maioria dos nossos templos, externa e internamente. O símbolo do Cristianismo se encontra ausente. Poucos pastores usam uma cruz em seus paletós ou camisas. Fomos profundamente moldados por um sentimento anticatólico, em parte por imposição e em parte por herança. Quando os Evangélicos receberam a permissão de construir templos no Brasil, na constituição de 1824, o decreto Imperial determinava, logo no artigo 5: "A Religião Catholica Apostolica Romana continuará a ser a Religião do Imperio. Todas as outras Religiões serão permitidas com seu VIVEKANANDA, Swuami. Complete works. Vol 1. Disponível em <http://www.advaitaashrama.org/cw/content.php 1


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culto doméstico, ou particular em casas para isso destinadas, sem fórma alguma exterior do Templo". Nós Evangélicos acabamos gostando dessa idéia de não construirmos local de culto com formato exterior de Igreja (Torres, sinos e cruz) Por esta razão e em defesa do princípio de separação entre igreja e estado, os Evangélicos se uniram contra a construção do monumento ao Cristo Redentor, pago com recursos públicos e inaugurado em 1932. Em 23 de março de 1923, seguidores da Igreja Batista declararam, em nota publicada em O Jornal Batista, órgão oficial da Convenção Batista Brasileira, seu desgosto quanto à construção do Cristo Redentor. A nota afirmava que a construção "será, a um tempo, um atestado eloquente de idolatria da Igreja de Roma". Ademais, o catolicismo acabou transformando o crucifixo como um objeto de veneração e proteção, e não apenas um símbolo do maior gesto de Deus por nós. Na verdade, "a centralidade da cruz teve origem na mente do próprio Jesus. Foi por lealdade a ele que seus seguidores se apegaram com tanta tenacidade a esse sinal". Os primeiros cristãos estavam certos em escolher a cruz como seu símbolo? Eles poderiam escolher a manjedoura onde Jesus nasceu mostrando como Deus se torna como um de nós; Ou o barco onde Jesus ensinava, indicando como podemos pensar como ele pensou; Ou talvez o pão que Jesus multiplicou para as multidões, por mostrar seu interesse pelas necessidades humanas; Ainda mesmo a toalha com que Jesus lavou os pés dos discípulos, por seu convite à humildade;


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O túmulo vazio onde Jesus ressuscitou, demonstração de sua vitória sobre a morte; O peixe que Jesus comeu com os discípulos antes da ascensão; Ou ainda a pomba que noticiou a plenitude do poder do Espírito Santo aos primeiros cristãos, confirmando a promessa que fizera; o trono em que Jesus está assentado ao lado do Pai. Como escreveu John Stott, "qualquer um desses poderia ter sido um símbolo apropriado da fé cristã". No entanto, os primeiros cristãos colocaram todos esses símbolos um ao lado do outro, mas abaixo da cruz, pondo em evidência a indiscutível "a necessidade e a centralidade da morte de Jesus". (STOTT, John. Porque sou cristão. Viçosa: Ultimato, 2004, p 36.) A filosofia moderna tendo o filósofo britânico Alfred Ayer como representante, afirma que o Cristianismo é a pior das religiões, porque se fundamenta "sobre as alienadas doutrinas do pecado original e da expiação vicária, que são intelectualmente desprezíveis e moralmente ultrajantes". (STOTT, John. Evangelical truth..., p. 84) Essas ofensas não são atuais. Paulo demonstra que em seus dias a cruz era um símbolo vergonha (1 Co. 1.18), de escândalo para os judeus e loucura para os gentios (1 Co. 1.23).

3) O SIGNIFICADO DO SÍMBOLO – A cruz significa que Jesus morreu por nossos pecados (Romanos 5.8, 1Coríntios 15.3), de uma vez por todas, isto é, de modo completo, definitivo e suficiente (1Pedro 3.18); A cruz nos mostra que Jesus que se entregou por nós (Gálatas 1.4) por amor, amor que o levou a fazer o sacrifício que nós precisaríamos fazer e não precisamos mais (1João 4.10); Na cruz fomos comprados para Deus pelo sangue de Jesus (Apocalipse 5.9); na cruz Jesus perdoou os nossos pecados (Efésios 1.7); por causa da cruz, nós podemos nos aproximar de Deus sem barreiras (Hebreus 10.19-22). Em resumo, na cruz fomos justificados, isto é, declarados salvos, para uma vida digna deste sacrifício. "A justificação é completa. Não


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tem degraus. No dia em que morrermos não seremos mais justificados que no dia em que nos convertemos. A santificação, contudo, é incompleta. Embora comece quando somos convertidos e regenerados, continua ao longo de nossa vida na terra e será completada quando Cristo aparecer "seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é" (1João 3.2). Por tudo isto, "Cristo é aquilo que sua cruz é. Tudo o que Cristo era no céu e na terra foi colocado naquilo que fez aqui. Você não pode compreender Cristo sem compreender sua cruz. A MENSAGEM DA CRUZ Um hino nos ajuda a compreender o significado existencial da cruz para as nossas vidas. "Rude cruz se erigiu, dela o dia fugiu, revelando vergonha e pavor. Mas eu amo a Jesus, que morreu nessa cruz, dando a vida por mim, pecador. Sim, eu amo a mensagem da cruz; suas bênçãos eu vou proclamar. Levarei eu também minha cruz 'té por uma coroa trocar. Lá da glória dos céus o Cordeiro de Deus ao Calvário humilhante baixou; e essa cruz tem pra mim atrativos sem fim porque nela ele me resgatou. Eu, aqui, com Jesus a vergonha da cruz quero sempre levar e sofrer. Ele vem me buscar, e com ele no lar sua glória pra sempre vou ter". (Harpa Cristã, 291)

CONCLUSÃO O que faremos com a mensagem da Cruz? Precisamos aceitar a cruz, recebendo-o o presente de Deus para nós. Merecíamos a cruz, mas Jesus, que não a merecia, livrou-nos dela, ao morrer uma vez por todas em nosso lugar.


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Paulo diz em Gálatas 2:19-10: “... estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmos se entregou por mim.”

Estudo 7 a morte de cristo  
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