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14º Estudo: Credo dos Apóstolos “Creio na Santa Igreja Católica.” Parte 2 As Marcas da Verdadeira Igreja 1 Pedro 2:9-10 Efésios 5:25-27 Pastor Jorge Patrocínio, Ph.D. IPCci 01/05/14 CREDO APOSTÓLICO, O CREDO CRISTÃO 1 Creio em Deus Pai, Todo-poderoso, Criador dos Céus e da terra. 2 Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, 3 o qual foi concebido pelo poder do Espírito Santo; nasceu da virgem Maria; 6 padeceu sob Pôncio Pilatos, 7 foi crucificado, morto e sepultado; 8 desceu à mansão dos mortos, 9 ressurgiu dos mortos ao terceiro dia; 10 subiu ao Céu; 11 está sentado à direita de Deus Pai Todo-poderoso, 12 donde há de vir para julgar os vivos e os mortos. 13 Creio no Espírito Santo; 14 na santa Igreja católica (Universal); 15 na comunhão dos santos; 16 na remissão dos pecados; 17 na ressurreição do corpo; 18 na vida eterna.

Introdução Na semana passada vimos que cada seita clama para si o título de ser “A Igreja Verdadeira”. Hoje vamos continuar estudando esta declaração do credo “Creio da Santa Igreja universal.” Para fazermos esta declaração de forma consciente precisamos analisar duas perguntas: A primeira pergunta é: 1. Quais são as marcas da Igreja verdadeira? Como identificar uma igreja verdadeira? A segunda e igualmente importante pergunta é:


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2. As pessoas estão perdendo a esperança na igreja: Por quê? Porque dizer “Eu creio na santa Igreja Universal” tem sido uma declaração em nossos dias que muitos não querem ou já não podem dizer?

1. AS MARCAS DA VERDADEIRA IGREJA O que o Credo Apostólico faz é suplantar as diferenças doutrinárias que surgiram, principalmente, no período da Reforma (forma de batismo, pneumatologia, etc) para achar um “campo comum” onde todos aqueles que fazem parte da “Verdadeira Igreja” podem se unir. Então, as marcas da Igreja não estão diretamente ligadas a essas doutrinas “secundárias” que não afetam diretamente a salvação, e sim àquelas que definem claramente a Igreja como corpo de Cristo. Portanto, historicamente, as marcas da verdadeira igreja têm sido definidas assim: (1) a genuína pregação da Palavra de Deus, (2) o uso dos sacramentos de acordo com sua instituição e (3) a prática da disciplina eclesiástica.

(1.1) A pregação da Palavra de Deus. 2 Timóteo 4:2-4 diz: “... prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas.” Embora as igrejas difiram entre si em nuances e afirmações teológicas e em níveis de pureza doutrinária, a verdadeira igreja afirma tudo aquilo que é essencial à vida cristã. Semelhantemente, uma igreja é falsa ou apóstata quando nega oficialmente um princípio essencial da fé cristã. Portanto, a Igreja Protestante aprendeu a fazer uma diferença entre doutrinas fundamentais e doutrinas secundárias para a fé cristã. E neste contexto se aplica a afirmação de Agostinho de Hipona: "Nas coisas essenciais, a unidade; nas coisas não essenciais, a liberdade; em todas as coisas, a caridade.".


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As doutrinas essenciais estão exaradas no Credo Apostólico e na 5 declarações fundamentais da Reforma: Ex. a divindade de Cristo, a Trindade, a justificação pela fé, a expiação ou outras doutrinas essenciais à salvação. A Reforma, por exemplo, não deflagrou guerra sobre trivialidades, mas sobre uma doutrina fundamental da salvação.     

Sola scriptura (Salvação somente pelas Escrituras) Sola fide (Salvação somente pela fé) Sola gratia (Salvação somente pela graça) Sola Christus (Salvação somente em Cristo) Soli Deo gloria (Gloria somente a Deus)

(1.2) A administração dos sacramentos. Em 1 Coríntios 11:23 o apóstolo Paulo afirma sobre o sacramento da ceia: “Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei...” Negar ou difamar os sacramentos instituídos por Cristo é falsificar a igreja. A profanação da Ceia do Senhor ou o oferecimento deliberado dos sacramentos a pessoas notoriamente não-crentes desqualificaria a igreja de ser reconhecida como igreja verdadeira. Da mesma forma, a respeito do batismo. Batizar não é apenas imergir alguém ou aspergir água sobre essa pessoa. Requer fé, devoção e obediência aos princípios da Palavra. O batismo precisa ser administrado pela Igreja e para a inclusão do fiel à comunidade dos remidos do Senhor. Um exemplo de profanação do sacramento é como os Mórmons administram a Santa Ceia. 1 É uma ordenança fechada para os fiéis, e usam pão e água (e não vinho). Há ainda o batismo póstumo que é administrado, por presumida procuração, aos descendentes dos defuntos. A descendência é meticulosamente examinada em tabelas genealógicas que os mórmons consultam (se necessário) em arquivos espalhados pelo mundo inteiro. Assim os descendentes podem obter a graça de Deus para seus antepassados que não tenham conhecido a Revelação. A ceia do Senhor é celebrada sob duas espécies: pão e água. Não se usa vinho, embora a revelação n° 20 o prescreva. E por que não? -- Muitos crentes respondem:... porque há cerca de cento e vinte anos os adversários dos mórmons tentaram envenená-los com o vinho da santa ceia; contudo água e vinho não fazem grande diferença no caso, porque se trata de meros símbolos destinados a lembrar apenas o Senhor Jesus. http://berakash.blogspot.com.br/2012/01/afinal-de-contas-quem-sao-os-mormons-ou.html 1


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Portanto, a Igreja Verdadeira administra os sacramentos como ordenanças de Cristo “ até que Ele venha” para participar dos sacramentos de novo no Reino de Seu Pai.

(1.3) A disciplina eclesiástica. Embora o exercício da disciplina na igreja às vezes erre na direção ou da complacência ou da severidade, ele pode tornar-se tão pervertida a ponto de não mais ser reconhecida como legítima. Por exemplo, se uma igreja - pública e impenitentemente - endossa, pratica ou se recusa a disciplinar pecados grosseiros e hediondos, ela deixa de exibir esta marca de verdadeira igreja. : Na Bíblia há exemplos claros desse desvio da disciplina: Apocalipse 2:12 o Apóstolo se dirige a Igreja de Pérgamo afirmando a sua fé e a perseverança em meio as perseguições. Mas ele a também a repreende por ser complacente a alguns membros que sustentavam doutrinas apóstatas (a doutrina de Balaão e a obra dos nicolaítas). Outro exemplo clássico é a Igreja de Coríntios (1 Co. 5:1-2). Paulo escreve advertindo enfaticamente a igreja porque havia alguém na igreja que vivia um adultério declarado com a madrasta e ele ainda se surpreende com a própria comunidade: Vr. 2 “E, contudo, andais vós ensoberbecidos e não chegastes a lamentar, para que fosse tirado do vosso meio quem tamanho ultraje praticou?” Embora os cristãos devam ser solenemente advertidos a não nutrirem um espírito cismático ou fomentarem divisões e conflitos, devem ser também advertidos quanto à obrigação de se separarem da falsa comunhão e da apostasia. É preciso ainda tomar cuidado com duas atitudes diante da disciplina: Primeiro é uma atitude de complacência como vimos no exemplo da Igreja em Corinto. Segundo é uma atitude de tirania. A Igreja medieval levou muitas pessoas à morte por causa de sua tirania e rigidez na disciplina. Posteriormente a Igreja teve que reconhecer seus erros. Um exemplo claro é o exemplo de Joana D Arc. Durante a guerra dos Cem Anos na França tomou partido pelos Armagnacs na luta contra os Borguinhões e seus aliados ingleses. Foi acusada de praticar feitiçaria, em função de suas visões, e condenada a morte na


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fogueira. Foi queimada viva na cidade de Rouen, no ano de 1431. Em 1920 a Igreja Católica reconheceu o erro do martírio de Joana D´Arc, cancelou o seu julgamento, sendo canonizada e se transformando na padroeira da França. 2. UMA IGREJA EM DESCRÉDITO Mateus 5 diz: “Vós sois o sal da terra... vós sois a luz do mundo...” Muitas pessoas estão incubando em si a descrença na Igreja. Antigamente falávamos dos cristãos e os não cristãos. Hoje em dia uma terceira categoria tem aparecido no cenário religioso; trata-se dos “desigrejados”, que são pessoas que se desiludiram com a Igreja, se auto-denominam crentes ou evangélicos mas acreditam que podem desenvolver um relacionamento com Cristo sem necessariamente estar em relacionamento com a Igreja. São pessoas que perderam a esperança e a confiança na Igreja. E aqui a pergunta fundamental é: O que faz uma pessoa perder a confiança na Igreja? O que faz uma pessoa se desiludir com a Igreja?

1. Quando esta igreja confunde a sua missão – Ela pensa estar pregando o Evangelho, mas está primariamente envolvida com a mídia, com a política, com os programas sociais, com o comércio, com o dinheiro. Ex. A Igreja medieval é um bom exemplo disso – Ela se envolveu tanto com política que em alguns momentos a liderança da Igreja passou mais poderosa do que a liderança do Estado. E, neste ponto, uma página negra da história da Igreja foi o lançamento das cruzadas. De 1096 a 1270, expedições foram formadas sob o comando da Igreja, a fim de recuperar Jerusalém (que se encontrava sob domínio dos turcos) e reunificar o mundo cristão, dividido com a “Cisma do Oriente”. Essas expedições ficaram conhecidas como Cruzadas. A primeira das nove cruzadas que aconteceram foi deflagrada pelo Papa Urbano II e aquilo que deveria ser uma invasão pacífica pela evangelização se tornou um verdadeiro genocídio através da invasão armada pela Igreja com duzentos anos de roubos, crimes e


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assassinatos. Não há números exatos, mas se estima que cerca de 3 milhões vidas foram mortas pelo exército liderado pela Igreja.

2. Quando esta confundida Igreja também confunde sua disciplina – Como falamos anteriormente, esta igreja sem uma visão clara de sua missão de pregar o Evangelho, ela deixa a desejar em muito no exercício da disciplina, às vezes sendo complacente outras vezes sendo tirana. E esta confusão de disciplina, manifestada pela complacência ou, diametralmente oposta pela tirania, traz vergonha ao Evangelho e causa a desesperança das pessoas.

3. Quando esta Igreja deixa de ser relevante – O que é uma igreja relevante? É uma igreja que ouve os gritos do homem moderno sem comprometer a voz do Espírito que fala a Ela través da Palavra. Uma Igreja relevante é aquela que vive as Escrituras e sua voz tem a ver com a realidade das pessoas ao seu redor. Por isso, eu gosto sempre de dizer que a Igreja precisa ser histórica e contemporânea: Ela precisa ser histórica por estar ancorada nos irremovíveis pilares da Palavra e contemporânea por fazer essa Palavra ser relevante para o homem atual. Para ser uma Igreja relevante precisamos revisar a nossa história a cada momento. Aqui o lema da Reforma combina: Uma Igreja reformada sempre reformando. A Igreja não é peça de museu. Não pode haver teias de aranha na prática da Igreja. Romanos 12:1 nos diz: “Não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente...”

4. Quando a pessoa como Igreja está confundida e, por isso, perde a confiança na Igreja – Quando uma pessoa perde a confiança na Igreja, ela na verdade perdeu a confiança em si mesma. Quando alguém se decepciona com


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a Igreja, na maioria absoluta dos casos, essa pessoa perdeu a compreensão do que é ser Igreja. Veja: Jesus disse que não é possível está ligado à cabeça sem estar ligado ao corpo. Quando falamos em “Igreja” (no singular) ressaltamos que uma pessoa pode perder a confiança numa denominação ou numa Igreja local, mas ela precisa ter a consciência de que precisa estar numa denominação ou numa igreja local. Nesta era pós-moderna não é difícil encontrarmos pessoas que se aproximam da Igreja na busca de satisfazer seus anseios pósmodernos – relativismo, sentimentalismo e utilitarismo- Quando esses anseios não são atendidos, a pessoa se decepciona com a Igreja.

Conclusão Toda igreja verdadeira exibe as genuínas marcas de uma igreja, em grau maior ou menor. A reforma da igreja é uma tarefa interminável. Buscamos mais ser fiéis à vocação bíblica para pregar, ministrar os sacramentos e a disciplina eclesiástica. 1. A verdadeira igreja tem marcas visíveis que a distinguem de uma igreja falsa ou apóstata. 2. A pregação do evangelho é necessária para que uma igreja seja legítima. 3. A administração correta dos sacramentos, sem profanação, é uma marca da igreja. 4. Disciplina contra heresias e pecados grosseiros é uma tarefa necessária da Igreja. 5. A igreja é sempre carente de reforma de acordo com a Palavra de Deus para ser relevante à sua geração.


Estudo 14 creio na santa igreja catolica 2