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12º Estudo: Credo dos Apóstolos “Creio no Espírito Santo.” Salmo 104:30 Pastor Jorge Patrocínio, Ph.D. IPCci 10/04/14 CREDO APOSTÓLICO, O CREDO CRISTÃO 1 Creio em Deus Pai, Todo-poderoso, Criador dos Céus e da terra. 2 Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, 3 o qual foi concebido pelo poder do Espírito Santo; nasceu da virgem Maria; 6 padeceu sob Pôncio Pilatos, 7 foi crucificado, morto e sepultado; 8 desceu à mansão dos mortos, 9 ressurgiu dos mortos ao terceiro dia; 10 subiu ao Céu; 11 está sentado à direita de Deus Pai Todo-poderoso, 12 donde há de vir para julgar os vivos e os mortos. 13 Creio no Espírito Santo; 14 na santa Igreja católica; 15 na comunhão dos santos; 16 na remissão dos pecados; 17 na ressurreição do corpo; 18 Depois da cruz e de ter deixado o túmulo, Jesus esteve mais 40 dias com seus discípulos. Ele apareceu seis vezes.

Introdução Quais são as implicações de professarmos, como nos orienta o Credo Apostólico, a declaração: “Eu creio no Espírito Santo”? Após as grandes controvérsias sobre a pessoa e obra de Jesus Cristo, o Filho de Deus, nos séculos que se seguiram a ascenção de Jesus; outras surgiram em torno da terceira pessoa da Trindade, o Espírito Santo. Os cristãos primitivos, até o início do quarto século, acreditavam que havia um Espírito Santo, da mesma natureza do Pai e do Filho, pelo qual eles eram, por meio de Cristo, reconciliados com o Pai.


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Os crentes confessavam esta fé no ato do batismo e no recebimento da Bênção apostólica. Não havia entre os teólogos da época uma definição da pessoa e ofício do Espírito Santo, mas no século terceiro a controvérsia ariana tomou vulto, e o Concílio de Nicéia, em 325 d. C., e logo em seguida o Concílio de Constantinopla, em 381 d.C., foi convocado para definir a doutrina do Espírito Santo. O Credo Apostólico afirma laconicamente: Creio no Espírito Santo. Estas mesmas palavras foram afirmadas no Credo Niceno, mas no Credo de Constantinopla em 381 d. C. ficou mais esclarecida a doutrina do Espírito Santo: “Creio no Espírito Santo, o divino, o doador da vida, que procede do Pai, o qual deve ser adorado e glorificado com o Pai e o Filho, e o qual falou por boca dos profetas.” No século IV, o grande Pai da Igreja, Atanásio de Alexandria cunhou um credo que veio completar o Credo de Constantinopla: “O Espírito é consubstancial com o Pai e com o Filho, é eterno e não criado, onipotente, igual em majestade e glória e procede do Pai e do Filho.” Ainda em nossos dias há seitas que rejeitam a doutrina do Espírito Santo. Algumas delas O vêem apenas como uma “força”, um poder que emana de Deus e não uma pessoa. Entre os Evangélicos as dificuldades não estão na pessoa e essência do Espírito; ou seja, na compreensão da doutrina; mas na prática; isto é, na aplicação de Sua obra. O fato é que para os autores do Credo Apostólico é muito importante que a Igreja(1) creia no Espírito Santo, (2) professe que Ele é Deus, e (3) busque um envolvimento com Ele. Corremos o risco de não perceber a “pessoalidade”do Espírito Santo. Isto acontece, em parte porque a Bíblia traz algumas “coisas” como símbolo do Espírito Santo: O vento, a pomba e a água. Mas é preciso que reafirmemos as declarações dos credos já mencionados: “Creio no Espírito Santo, o divino, o doador da vida, que procede do Pai, o qual deve ser adorado e glorificado com o Pai e o Filho, e o qual falou por boca dos profetas.” “O Espírito é consubstancial com


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o Pai e com o Filho, é eterno e não criado, onipotente, igual em majestade e glória e procede do Pai e do Filho.” É muito apropriado que a Igreja Presbiteriana do Brasil tenha consagrado ao longo dos anos um Congresso que denomina de “Avivamento e Evangelização.” O Congresso acontecerá em Águas de Lindóia nos dias 30 e 31 de maio e 01 de junho do corrente ano. Dentre os preletores teremos a presença do Rev. Jung Ho Oh, Pastor Titular da "SaRang Community Church", de Seul, Coréia do Sul. A Igreja Sarang ("amor ágape") tem 30.000 membros e a frequência dominical, em seis cultos, é de 45.000 pessoas. Eu não poderei ir porque exatamente no sábado será o casamento de Lucas e Thamila, mas daqui de nossa igreja estarão participando do Congresso o irmão Pb. Rui Pereira e as líderes de GCen Lucrécia e Cecilia Patrocinio. Como um Congresso sobre avivamento deve sempre acontecer, as atividades começarão bem cedo, mais precisamente as 5h da manhã com um tempo de oração. Por causa da ênfase pneumatológica no último século pela vertente cristã pentecostal, nós presbiterianos acabamos nos retraindo no nosso envolvimento e busca do Espírito Santo. Por isso, a declaração do Credo Apostólico é ainda mais relevantes para nós presbiterianos do século XXI. Pneumatologia é a doutrina do Espírito Santo. Como se estuda a pessoa e obra da terceira pessoa da Trindade. O Espírito Santo é, portanto, uma das três pessoas da Trindade Divina, sendo constituído da mesma essência da divindade e plenamente Deus, como o Pai e o Filho. As doutrinas da Trindade e das pessoas da divindade não são fáceis para o nosso entendimento racional, para a mente finita do homem; mas são claramente reveladas nas Escrituras Sagradas.


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Na economia divina, vemos claramente a ação poderosa de todas as pessoas da Trindade: O Pai é o Criador; o Filho o Salvador e o Espírito é Aquele que aplica a salvação. O Filho é a perfeita imagem de Deus (Jesus disse: Quem me vê a mim, vê o Pai) e o Espírito é a operação do poder de Deus. Falamos que na economia divina o Pai é o Criador; o Filho o Salvador e o Espírito o que aplica a salvação. Mas as Escrituras demonstram perfeita unidade e unicidade da Trindade em todas as áreas. Por exemplo, o texto que lemos inicialmente em Salmo 104:3o nos afirma que o Espírito age na criação. Não vamos nos ater a pormenores e detalhes da obra do Espírito Santo. Esta é uma área com vasto material que apenas em um estudo ela pode ser tocada em termos fracionários. Deixe-me afirmar, no entanto, algo importante: A pessoa e obra do Espírito Santo não é um assunto particular aos tempos neotestamentários (do Novo Testamento), como o é, por exemplo, o batismo, a escatologia, etc. Há, no entanto, uma diferença clara da ação do Espírito Santo no povo de Deus no Antigo Testamento e no Novo Testamento.

No AT o Espírito Santo agia de forma temporária capacitando, habilitando e ungindo os filhos de Deus. Em Êxodo 32:1-5 nos é dito: “Disse mais o SENHOR a Moisés: Eis que chamei pelo nome a Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá, e o enchi do Espírito de Deus, de habilidade, de inteligência e de conhecimento, em todo artifício, para elaborar desenhos e trabalhar em ouro, em prata, em bronze, para lapidação de pedras de engaste, para entalho de madeira, para toda sorte de lavores.” O Espírito capacitava os profetas para pregar a salvação: Isaias 61:1 “O Espírito do SENHOR Deus está sobre mim, porque o SENHOR me ungiu para pregar boas-novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados;”


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Ele também produzia o arrependimento no povo: Ezequiel 36:26-27 “Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis.” Mas esta ação do Espírito Santo no Antigo Testamento era temporária e por causa disso podemos compreender, por exemplo por que o Espírito Santo agiu na vida de Saul e depois se retirou dele.

No Novo Testamento o Espírito Santo passa a agir de forma permanente na vida dos filhos de Deus. As páginas do Novo Testamento estão cheias da ação do Espírito Santo de um canto a outro. Não é sem razão que alguém sugeriu que o livro de Atos dos Apóstolos deveria se chamar de Atos do Espírito Santo. Encontramos alí o Espírito agindo e falando de forma verdadeira e soberana. Atos 13:2, nos diz: “E servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Separai-me, agora, a Barnabé e a Paulo para a obra que os tenho chamado.” E para o estudo propriamente da obra e pessoa do Espírito Santo, as palavras da boca do apóstolo Pedro são fundamentais: Ao questionar Ananias e Safira em Atos 5, Pedro diz: “Disse Pedro: Ananias, porque encheu Satanás teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo... Não mentiste aos homens, mas a Deus” (Vrs.3-4). Igualmente Jesus, o grande Senhor, e Paulo, o grande doutrinador do Novo Testamento, devotaram muito ensino sobre a pessoa e obra do Espírito Santo. Para nós, hoje declarar “Eu creio no Espírito Santo” é lembrar, viver, praticar e buscar o envolvimento com uma pessoa; a terceira pessoa da Trindade.

O que precisamos saber sobre esse envolvimento?


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1. O Espírito Santo aplica a Obra da redenção de Cristo João 16:6-11 “Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, porque não crêem em mim; da justiça, porque vou para o Pai, e não me vereis mais; do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado.” Sabendo disso, toda a obra da Igreja de evangelização, missões e ensino deve ser feita banhada por oração. O Hino 86 é apropriado neste contexto: “Espírito do Eterno Deus, Opera em nós. Espírito do Eterno Deus, Opera em nós. Quebranta-nos, consola-nos, transforma-nos, transborda-nos! Espírito do Eterno Deus, opera em nós.”

2. Fomos selados com Espírito de Deus Efésios 1:13 “Em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa;” Mas existem algumas implicações nesta afirmação de termos sido selados com o Espírito Santo:

2.1. O nosso corpo passou a ser templo do Espírito Santo e quando pecamos contra o nosso corpo, pecamos contra o Espírito Santo 1 Corintios 6:17-20 “Mas aquele que se une ao Senhor é um espírito com ele. Fugi da impureza. Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo. Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo.”

2.2. O Espírito não é removido do crente, mas Ele pode diminuir a Sua ação por um “breve” tempo 1 Tessalonicences 5:19 “Não apagueis o Espírito.”


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2.3. Se ninguém pode receber o Espírito por si mesmo, nem os que O recebem perder; mas ainda assim eles podem diminuir a sua ação; a terceira verdade é que podemos e devemos buscar um envolvimento com o Espírito Santo Efésios 5:18-20 “... mas enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo,”

Conclusão Gostaria de concluir lembrando-lhes uma história. Os Estados Unidos passaram por dois grandes avivamentos: O primeiro grande despertamento aconteceu em 1733–35 e foi liderado por um grande pastor presbiteriano reformado Jonathan Edwards. O segundo grande despertamento americano aconteceu cem anos depois na década de 1825-1835 sendo liderado pelo pastor presbiteriano Charles Finney que posteriormente deflagrou o movimento pentecostal. Mas vinte anos depois, talvez de proporções menores mas extremamente significativas, aconteceu um avivamento no Seminário em Princeton. Em 1855 Ashbel Green Simonton teve profunda experiência religiosa durante este avivamento e ingressou no Seminário Princeton. No primeiro semestre de estudos, ouviu na capela do seminário um sermão do Dr. Charles Hodge, um dos seus professores, que despertou o seu interesse pela obra missionária no exterior. Este foi um período em que o Seminário Princeton experimentou um grande avivamento e milhares de estudantes foram despertados para missões estrangeiras. Eu tive a oportunidade de ver um livro de um amigo meu quando estava em Saint Louis que conta esta história. Infelizmente não me lembro mais os números exatos, mas estima-se que a metade dos estudantes do Seminário foi para missões estrangeiras. O Brasil recebeu Simonton e a partir dele as agências missionárias “despejaram” missionários americanos. Nos próximos


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50 anos apĂłs a chegada de Simonton o Brasil recebeu em torno de duas famĂ­lias de missionĂĄrios por ano. Somos uma Igreja que nasceu no enfervecer de um grande avivamento.

Estudo 12 creio no espirito santo  
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