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11º Estudo: Credo dos Apóstolos “Donde há de vir para julgar os vivos e os mortos.” Atos 1:9-11 Pastor Jorge Patrocínio, Ph.D. IPCci 03/04/14 CREDO APOSTÓLICO, O CREDO CRISTÃO 1 Creio em Deus Pai, Todo-poderoso, Criador dos Céus e da terra. 2 Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, 3 o qual foi concebido pelo poder do Espírito Santo; nasceu da virgem Maria; 6 padeceu sob Pôncio Pilatos, 7 foi crucificado, morto e sepultado; 8 desceu à mansão dos mortos, 9 ressurgiu dos mortos ao terceiro dia; 10 subiu ao Céu; 11 está sentado à direita de Deus Pai Todo-poderoso, 12 donde há de vir para julgar os vivos e os mortos. 13 Creio no Espírito Santo; 14 na santa Igreja católica; 15 na comunhão dos santos; 16 na remissão dos pecados; 17 na ressurreição do corpo; 18 Depois da cruz e de ter deixado o túmulo, Jesus esteve mais 40 dias com seus discípulos. Ele apareceu seis vezes.

Introdução Em nossa última mensagem estudamos sobre a declaração de que Cristo está assentado ao lado direito do Pai. Dissemos que não é uma declaração de uma posição simplesmente física, mas uma declaração que assentua (1) O reinado de Cristo; (2) Que Ele está salvando e (3) Cristo é o nosso advogado. Portanto, declarar que Cristo está assentado à direita de Deus é reconhecer que Ele está numa posição de governo sobre os homens. A nossa próxima declaração, que por sinal é a última no Credo a respeito de Cristo, é esta: De onde virá para julgar os vivos e mortos.


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O que significa declarar que Cristo virá para julgar os vivos e mortos? No texto de Atos que lemos, versículo 11, os anjos disseram aos discípulos que observavam Jesus desaparecer de céu adentro: “...varões galileus, por que estais olhando para as alturas? Esse Jesus que dentro vós foi assunto ao céu virá do modo como o vistes subir.” Veja a comparação com Lucas 2:13-14: “E, subitamente, apareceu com o anjo uma multidão da milícia celestial, louvando a Deus e dizendo: Glória a Deus nas alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem.” No nascimento de Jesus os anjos cantavam advertindo os pastores a olharem para o alto, mas agora na ascenção os anjos advertem os apóstolos a pararem de olhar para o alto e prosseguir na vida cotidiana porque havia muita coisa para ser feita no Reino. Hoje nós chegamos a última declaração do Credo Apostólico sobre a pessoa e obra de Jesus Cristo. Jesus ao fim de 40 dias ressuscitado, voltou para o Pai: A pergunta, portanto, é: Qual é a importância da ascensão de Jesus? Algumas afirmações preliminares: 1. Jesus retornou ao ponto de onde veio. Completou sua obra, feita de descer, estar e, agora, subir. Em João 17:4 Jesus ora ao Pai dizendo: “Eu te glorifiquei na terra consumando a obra que me confiaste para fazer.” 2. Jesus retornou ao Pai com os frutos que colheu em sua missão. Ele não voltou de mãos vazias, mas levando a colheita. Numa profecia referente a Cristo Isaias 8:14 diz: “Eis-me aqui, e os filhos que o Senhor me deu, para sinais e maravilhas...” E ainda em Isaias 53:11 nos dia: “Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito...” 3. Jesus nos deixou uma tarefa. João 13:15 diz: “Por que eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também.” 4. Jesus nos antecedeu em nosso itinerário. Sua volta ao Pai é uma afirmação de uma esperança para nós: Ele voltará. João 14:2-3 diz: “Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo


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teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, que onde eu estou, estejais vós também.” Mas veja novamente a afirmação do Credo Apostólico: Donde há

de vir para julgar os vivos e os mortos. Mas a afirmação do Credo Apostólico não foi apenas que Ele subiu aos céus, mas que retornará do mesmo modo que subiu e vierá para julgar vivos e mortos. Veja três verdades que se misturam nesta declaração: (1) Jesus voltará; (2) Jesus voltará para julgar; (3) Ninguém escapará desse encontro. Pensemos, então, sobre duas verdades nesta declaração: Donde há

de vir para julgar os vivos e os mortos. 1. Jesus voltará - “...esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o vistes subir.”

Quais são, então, segundo as Escrituras, as marcas de sua vinda? 1.1. Esta vinda será visível Apocalipse 1:7 “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o traspassaram...” Mateus 24:27 "Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até o ocidente, assim será também a vinda do filho do homem". 1.2. Esta vinda será física – “... esse Jesus virá do modo como o viste subir...” O que significa isso? Duas coisas: Primeiro que Ele virá fisicamente, pois naqueles quarenta dias com os discípulos Jesus comeu com eles e mostrou-lhes que aquele corpo que estava ali era o mesmo corpo físico que havia sido crucificado e sepultado. Segundo, que Ele, diferentemente da primeira vinda, não virá mais por nascimento e sim pelo retorno glorioso dos céus.


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Talvez a declaração de que a vinda de Jesus será física pareça inoportuna, mas não é. Devemos nos lembrar das doutrinas que foram pregadas ao longo dos séculos. No princípio do século dezenove houve um despertamento de interesse pela Segunda vinda de Cristo entre os cristãos. Em 1818 Guilherme Miller, pastor batista no Estado de Nova Iorque, dedicouse ao estudo detalhado das escrituras proféticas. Convenceu-se de que Daniel 8.14 se referia à vinda de Cristo para "purificar o santuário". Calculando que cada um dos 2.300 dias representava um ano, tomou como ponto de partida a carta de regresso de Esdras e seus compatriotas a Jerusalém e 457 a.C., e chegou à conclusão de que Cristo voltaria à terra em 1843. Por vinte e cinco anos, Miller proclamou a mensagem para classes especiais a cristãos de diferentes Igrejas. O interesse dos crentes em relação à mensagem era crescente e o número deles ia de cinqüenta a cem mil pessoas preparando-se para o fim do mundo. Muito crentes doaram suas lavouras, e se prepararam para receber o Senhor no dia 21 de março de 1843. Chegou o dia e o evento esperado não aconteceu. Miller revisou os seus cálculos, descobriu um erro de um ano. Devia ser no dia 21 de março de l844. Ao chegar essa data, nada aconteceu. Uma vez mais um novo cálculo indicou que seria o dia 22 de outubro de mesmo ano. Porém essa previsão também falhou. Na terceira tentativa, Guilherme Miller acabou confessando que havia se equivocado em seu sistema de interpretação bíblica. Porém nem todos os seus discípulos estavam dispostos a abandonar a sua mensagem. Dos muitos que o haviam seguido, três se uniram para formar uma nova Igreja, baseada numa nova interpretação da mensagem professada por Miller. O dia depois "da grande desilusão", Hiram Edson um fervoroso discípulo e amigo pessoal de Miller, teve uma "revelação". Nela compreendeu que Miller não estava equivocado em relação a data, mas sim em relação ao local.


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Disse que Cristo havia entrado no dia anterior no santuário celestial, não no terrenal, para fazer uma obra de purificação ali. Edson partilhou com outros membros de seu grupo as "boas-novas". Outros dois grupos se uniram a essa nova revelação: um dirigido por Joseph Bates que dava ênfase a guarda do Sábado e outro dirigido por Hellen G. White, que dava ênfase aos dons do Espírito. Dai surgiu os Adventistas do Sétimo Dia e sua doutrina de que Cristo encontra-se agora fazendo a obra de expiação por seus filhos no santuário celestial tal como o Sumo Sacerdote entrava no santo dos santos no Antigo Testamento. O Credo Apostólico nos afirma que a volta de Jesus será visível e física. 1.3. Esta vinda será repentina Mateus 24:36-44 “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai. Pois assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do Homem. Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davamse em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, senão quando veio o dilúvio e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem. Então, dois estarão no campo, um será tomado, e deixado o outro; duas estarão trabalhando num moinho, uma será tomada, e deixada a outra. Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor. Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que hora viria o ladrão, vigiaria e não deixaria que fosse arrombada a sua casa. Por isso, ficai também vós apercebidos; porque, à hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá.” Neste texto temos dois exemplos da volta repentina de Cristo: O primeiro é o acontecimento de Noé. O segundo é o exemplo de um ladrão que vem no horário em que o chefe de família baixa a sua guarda e deixa a casa desprotegida. A idéia dos dois exemplos não é necessáriamente afirmar que Jesus virá numa hora que ninguém estiver esperando, mas afirmar sobre a necessidade de vigilância.


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1.4. Esta vinda será definitiva Depois de falar sobre a segunda vinda física e repentina de Jesus no capítulo 24, Mateus oferece dois exemplos sobre prestação de contas no capítulo 25 a) A parábola das dez virgens – Versículos 10-12 “E, saindo elas para comprar, chegou o noivo, e as que estavam apercebidas entraram com ele para as bodas; e fechouse a porta. Mais tarde, chegaram as virgens néscias, clamando: Senhor, senhor, abre-nos a porta! Mas ele respondeu: Em verdade vos digo que não vos conheço.” b) A parábola dos talentos – Versículo 30 “E o servo inútil, lançai-o para fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes.” A metade final do capítulo 25 de Mateus é usada para falar sobre o grande julgamento na segunda vinda de Cristo. Versículos 31-34 “Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então, se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas; e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos, à esquerda; então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo.” Portanto, vinda de Cristo será definitiva. Não haverá uma segunda oportunidade. 1.5. Esta vinda será recompensadora – Mt. 16:27 “Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos, e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras.”

2. Para que Jesus virá? 2.1. Julgar vivos e mortos -


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Em Apocalipse 5:6 João tem a visão de um livro. Este livro é o propósito eterno de Deus que engloba toda a Criação. É o mesmo livro sobre o qual profetiza Isaías: “Buscai no livro do Senhor, e lede: Nenhuma destas coisas falhará, nem uma nem outra faltará. Pois a sua própria boca o ordenou, e o seu Espírito mesmo as ajuntará” (Is.34:16). A partir do momento que João vê este livro como toda a história da criação, ele agora vê o passado e o futuro. No passado João vê a primeira vinda de Cristo e seu sacrifício. Versículo 6 “Então vi no meio do trono e dos quatro seres viventes e entre os anciãos, de pé, um Cordeiro, como tendo sido morto...” No futuro João vê a segunda vinda de Cristo e seu triunfo. Versículo 6 “Todavia, um dos anciãos me disse: Não chores; eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro...” Em suma, na primeira vinda ele veio identificado pelo cordeiro: “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.” O cordeiro era o animal perfeito para o sacrifício. Na segunda vinda Cristo é identificado como o Leão. Como Rei, Jesus julgará os vivos e os mortos. Ninguém escapará da prestação de contas. 2.2. Consumar sua vitória sobre a morte e o diabo 1 Corintios 15:51-58 “Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade. E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e


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sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão.” 2.3. Restaurar o reino de Deus Em Atos 1:6, após a ressurreição de Cristo, os discípulos fizeram a pergunta que todos ali queriam saber: “Então, os que estavam reunidos lhe perguntaram: Senhor, será este o tempo em que restaures o reino de Israel?” Segundo Jesus Cristo o reino tem ao menos dois perfis: (a) O perfil espiritual do Reino – Lucas 17:20-21 “Interrogado pelos fariseus sobre quando viria o reino de Deus, Jesus lhes respondeu: Não vem o reino de Deus com visível aparência. Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Lá está! Porque o reino de Deus está dentro de vós.” (b) O perfil físico do Reino – Jesus voltará e consumará o Seu reino. “Onde eu estou estejais vós também...”

Conclusão “Donde há de vir para julgar os vivos e os mortos.”

Estudo 11 donde há de vir para julgar  
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