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A perseguição é um crime apenas entre os seres humanos. No mundo de uma leoa é chamado de encontro. Jeoff é um pouco desmancha-prazeres, muito atraente que fica peludo nas luas cheias. Mas o mesmo acontece com ela. Luna é tudo o que Jeoff não é. Escandalosa, extrovertida e violenta. Muito violenta, e não tem medo de ir atrás do que quer e o que ela quer é Jeoff. Homem tolo, se acredita que pode resistir, mas uma vez que uma leoa coloca os olhos sobre um homem, mostra suas garras! E se alguém pensa em tentar rouba-lo... Há uma razão pela qual as senhoras do Bando ganham o prêmio anual de “As Cadelas mais Malvadas”. Tenham medo das garras. Rawr!


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Luna Isso que é vida. Luna não se importava com o que os outros diziam. Nada se comparava com a maravilha de tomar um banho de sol, mesmo que a frieza do outono se apoderava de toda a cidade. Estendeu-se sobre uma grande pilha de almofadas, esticando todos os seus membros, praticamente ronronando de prazer quando os raios de sol brilharam através da grande janela de vidro do condomínio. — Que diabos está fazendo? – A voz masculina a chocou, mas não a assustou. Lobo ruidoso. Já tinha escutado os seus passos. Ele realmente precisava trabalhar em sua técnica de passos silenciosos. Exibindo uma preguiça que normalmente só um leão macho poderia ter, Luna abriu um olho e olhou o homem de pé, com os braços cruzados sobre o peito, do outro lado da sala. Era tão bonito. — Olá, Jeoff. — Nada de ‘olá, Jeoff’. O que diabos você está fazendo no meu apartamento? Nua.


Ele tinha percebido. Ponto. — Estou nua porque você possui um lugar maravilhoso para o cochilo da tarde, aqui mesmo. – Ela estava deitada em uma longa pilha de almofadas, que tinha tirado de sua cama e sobre a qual estava com os braços e as pernas estendidas. A pose mostrava toda a sua pele firme e bronzeada. Bronzeado sem marcas, devia acrescentar. Que tinha conseguido recentemente quando trabalhou um tempo em uma praia no sul. Era um local agradável para shifter e as roupas eram opcionais. — Você percebe que as pessoas no edifício ao lado podem vê-la perfeitamente. Que excitante. — Estão vendo, o que você acha? – Luna rolou sobre o seu estômago e se inclinou para a janela que se entendia do chão ao teto. Ela acenou, mas com o sol que entrava, não podia dizer se alguém a olhava ou acenou de volta. Um profundo suspiro a fez perceber que Jeoff ainda estava atrás dela. Como se pudesse esquecer da sua presença. Jeoff não era o tipo de homem que uma mulher podia ignorar. E não só porque cheirava a um cão. Cão que se transformava em um lobo, não um verdadeiro canino, embora as duas espécies cheirassem notavelmente iguais.


Mas podia perdoar seus modos peludos, porque era um suculento bombom que todo mundo queria morder. Sendo assim, qualquer pessoa com um pulso iria querer se despir e montar Jeoff ao estilo vaqueira. A culpa era toda dele. Alto, muito mais alto do que ela, Jeoff tinha ombros largos, mas de uma constituição magra, um corpo atlético com músculos definidos. Ele não era como os leões do bando, todo resmungão e impressionado com ele mesmo. Tinha um toque nerd, com óculos e um terno de três peças: os óculos eram um acessório típico de super-heróis para seu personagem público, Jeoff era todo homem. E um hipócrita. — Se seu traseiro nu acabar na internet, não venha miando para mim. — Não tenho nada do que me envergonhar – disse com um sorriso. — Impossível − murmurou. — É simplesmente impossível tentar argumentar com você. — Não me culpe, se você não é capaz de entender a mente feminina. — A mente feminina é fácil em comparação a de uma leoa. Todas vocês são completamente loucas.


— Puxa, obrigada! – Ele suspirou de novo? Isso poderia ser um recorde, e outro ponto. — Por que você está aqui? − Jeoff perguntou com exasperação que levou menos de cinco minutos para atingir. O lobo mostrou que era tão fácil de perturbá-lo. — Estou aqui a negócios do bando. – Luna ficou de pé e se dirigiu até Jeoff, deixando para trás o seu lugar ao sol. “Não se preocupe, meu precioso. Logo volto.” Os meses de inverno estavam prestes a começar. Iria precisar de todos os raios de sol que pudesse encontrar para um cochilo. — Seu negócio sempre envolve a invasão de domicílio? − Perguntou Jeoff enquanto se afastava dela e foi para a cozinha. — Nem sempre, mas mais frequentemente do que parece. Ele enfiou a cabeça para fora da porta da geladeira para perguntar. — É algo que o trabalho exige, ou porque certa gatinha ficou curiosa? — Jeoff, você é um tipo espertinho. Deveria chutar seu traseiro só por me dizer isso. Ele fechou a geladeira e entregou uma cerveja para ela. — Chute minha bunda depois. Coloque alguma roupa e diga logo que tipo de negócio te trouxe aqui?


— Não preciso de roupas para falar. — Talvez não, mas me recuso a escutar, enquanto os seus seios estão pendurados. Algumas pessoas eram tão hipócritas. — Só para que você saiba, meus seios não ficam pendurados porque faço exercícios Kegel todos os dias. – Luna fez uma posição de agachamento só para vê-lo olhar para o teto. Mas ele não estava completamente desinteressado. A protuberância em suas calças era muito evidente para isso. “Bem, bem. Talvez Jeoff não fosse tão imune quanto eu pensava”. Era realmente estranho. Ela tinha seus olhos sobre o lobo já havia algum tempo, inclusive tinha feito algumas propostas que foram gentilmente recusadas. Segundo ele, saía apenas com meninas humanas porque, “Faziam menos drama.” Era realmente um chato. Mas bem, quem perde é ele. — Ponha alguma roupa. Agora. – Era engraçado como um homem que tinha somente trinta anos poderia imitar perfeitamente o tom de voz de um pai. Luna não era uma menina, apesar de tudo. Não demorou muito para que o atacasse por trás e envolvesse suas pernas nuas em volta dele. Ela gritou, — Uma mulher


nua esta te tocando! − Ela não estava esperando que ele se assustasse. Não esperava ser colocada de costas sobre o sofá sem almofadas e com o peso dele sobre ela. Seus olhos quase queimavam. — Está louca? Ela sorriu. — Puxei isso da minha mãe. — E o que herdou do lado de seu pai? — A capacidade de arrotar o alfabeto de uma vez só. — Isso não é algo de que eu me orgulharia dizer para outras pessoas. — Isso é o que minha tia Zelda diz. Diz que minha avó está, provavelmente, rolando em seu túmulo. O que vejo como uma boa coisa. Tenho certeza que ela quer ficar em forma, caso o Apocalipse zumbi venha e ela precise conseguir alguns cérebros para o jantar. — Já devia saber melhor que tentar e conversar com uma gata. É impossível. – Afastou-se dela e ficou de pé. Manteve uma pequena distância, sentou em uma cadeira estofada. Com a mão livre, puxou o nó da gravata e afrouxou-a. — Diga-me por quê está aqui e depois vá embora. — Não vai pedir para que eu ponha alguma roupa? – Luna se sentou no sofá de frente para ele, com as pernas


cruzadas, mãos sobre o joelho e ombros para trás. A imagem da postura perfeita. Manteve o olhar firme em seu rosto. — Você fica bem nua. Então, não, pode continuar assim. Estou bem. “Oh.” Ponto para ele, já que conseguiu surpreendê-la, e maldito seja, ele sabia jogar pelo brilho em seus olhos e a covinha mortal em sua bochecha. — Você está flertando comigo? – Timidez não era algo de que Luna sofria. — Eu não namoro... — Com shifters, e especialmente leoas. Sei. – Ela revirou os olhos. —Eu ainda não entendo o porquê. Poderíamos nos divertir muito. Sem compromisso. Apenas sexo quente e suado por horas e horas. — Se for preciso algumas horas para fazê-la gozar. Então ele não está fazendo certo. – Por um momento, seus olhos se aqueceram com fogo. — Não me diga que você é uma maravilha de dois minutos. — Se isso foi ajudá-la, não me cobice durante a noite. — Não estou te cobiçando. — Diz a mulher nua sentada no meu apartamento. Conheço um serviço de encontros, se está tão desesperada.


A implicação de que Luna não podia conseguir um homem, deixou-a muito irritada. Ela se inclinou e agarrou sua camiseta e a passou pelos braços, era a mesma que havia tirado anteriormente. Percebeu seu olhar no seu decote quando passou a cabeça pela gola. Sorriu por dentro enquanto endireitava o tecido sobre o seu corpo. Podia continuar fingindo, isso não a incomodava. Apenas teria que jogar mais duro para conseguir. Continuaria tentando, mesmo não estando acostumada a flertar com um homem tão descaradamente. Luna preferia uma abordagem mais direta. Geralmente: “Ei, você é gostoso. Quer ir para minha casa?" Sua casa, ou a dele, qualquer teto sempre funcionava, a menos que ele tivesse ventilador de teto nele. Vê-los girarem a enjoava. — Capitão Hipócrita. Estou vestida. Está feliz agora? — Não particularmente. Viu o que está em sua camiseta? Ela olhou para baixo e sorriu. A camiseta mostrava um castor com dentes de coelho, usando batom, com as palavras estampadas, “Minha mascote castor”. — Não é uma gracinha? — Eu não me lembro da última vez que vi um castor tão peludo. – Absolutamente inexpressivo.


Sim, ele tinha notado completamente o seu decote. — Quer acariciá-lo? Mais uma vez, ele ficou imóvel, com os olhos brilhando com uma selvageria que aparecia em um segundo, e desaparecia no seguinte. — Chega de jogos verbais. Vamos direto ao ponto. Por que está aqui? — Dizem que você está procurando alguns lobos que desapareceram. — Não tenho ideia do que você está falando. O bando esta perfeitamente bem. – Tão bem como o alfa que estava no comando do pequeno grupo de lobos da cidade, saberia. E aparentemente, Jeoff estava mentindo. Luna soltou um bufo com um som estranho. — Merda. Você têm desaparecimentos inexplicáveis, e pelo que eu escutei, os que estão procurando não são os primeiros que sumiram. Não é só o seu bando que tem esse problema. Sua testa enrugou em uma carranca, Jeoff disse: — Como sabe das pessoas desaparecidas? Não compartilhamos essa informação com qualquer pessoa. Ela deu de ombros. — O bando tem seus meios. – Ela balançou as sobrancelhas e sorriu. Seus meios consistiam na nova namorada de Hayder, que por acaso é a irmã de Jeoff, dessa forma os mantinham


bem informados do que ocorria no bando da pequena cidade. — Mesmo assim, não entendo por que você está aqui. As pessoas que desapareceram são lobos, o que faz que sejam assuntos da matilha. — Sua matilha é regida pelas regras do bando. – Quando grupos de predadores compartilhavam o mesmo espaço habitável dentro de uma área, um sempre assumia a posição dominante. Neste caso, um bando governado por um leão, que era Arik, seu líder destemido, sendo o cabeça, e as leoas atuando como os músculos. — Nenhuma regra foi quebrada. Não há nada a informar. Não temos nenhuma evidência de sequestro. Nenhuma pista de por que foram embora. Não vejo o por que do bando se envolver. — Porque temos algumas pessoas desaparecidas também.


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Jeoff — O que quer dizer com alguns do bando desapareceram? – Jeoff perguntou, entretanto, o que realmente queria dizer era: “Tire a camiseta”. Porque, embora tivesse exigido que Luna se vestisse, na verdade, sinceramente a preferia nua. Quando se sentou na frente dela, era tudo o que Jeoff poderia fazer para não saltar através do espaço entre eles. Desde o momento em que tinha entrado em sua casa e sentiu o cheiro da mistura única que era dela, toda mulher: sentiu o impulso de agir da maneira mais inadequada. “Lambê-la de cima abaixo.” Sem lamber. Não esta mulher. Especialmente, não a esta mulher. Jeoff tinha uma posição firme quando se tratava de não sair com ninguém do bando dos leões, apesar das senhoras – algumas não podiam ser classificadas assim – seguiam tentando-o. Não que as leoas não fossem atraentes. Elas eram belíssimas e cheias de vidas e sem complexos.


Também vinham com drama e uma dinâmica familiar que deixaria a sua matilha com vergonha. Estar com uma leoa é concordar que não teria uma vida privada ou momento privado de novo. Jeoff não acreditava que pudesse lidar com isso. Como ele também não achava que poderia lidar com a mulher de boca espertinha diante dele, uma mulher que não se curvava a ninguém, exceto ao rei leão do bando, Arik. E, às vezes, duvidava até mesmo disso. Percebeu que ela estava falando, enquanto ele divagava, e pegou apenas a última palavra do seu discurso. — Sem cauda? – Repetiu com uma pergunta. Ela revirou os olhos e suspirou. — Você não prestou atenção em nada? — Não. — Você deveria ter nascido leão, – ela riu. — Eu disse que tivemos um par de visitas de outro bando, tem um mês que sumiram. — Como só agora ouço a respeito disso? – Parte dos deveres de Jeoff com o bando era proporcionar segurança. Sua empresa contratava seres humanos e lobos como investigadores particulares e guarda-costas.


— Porque acabamos de descobrir. Pensamos que tivessem continuado com sua viagem, na estrada e que foram para casa. Exceto que na semana passada, a irmã da mulher desaparecida nos chamou para procurá-la. Acontece que ninguém a viu desde que registrou sua saída do seu hotel aqui. Isso soava tão estranho quanto seu próprio caso. Faltava um casal de lobos, o apartamento deles estava limpo, não havia sinais de violência, mas também, sem aviso prévio ou uma mensagem sobre seu paradeiro. — Esse é o único caso? Luna sacudiu a cabeça, fazendo com que seu rabo-decavalo desleixado balançasse. — No subúrbio, um casal de tigres recém-casados também desapareceu. A mesma merda. Casa vazia. As contas bancárias apagadas. É como se eles nunca tivessem existido. — Suponho que não foram à polícia? Ela lhe deu um olhar de desdém com um toque de zombaria, respondendo essa questão. — Portanto, parece que temos um denominador comum nos desaparecimentos. Ainda não entendo por que você está aqui. É obvio que não precisava de informação. – Inferno, deveria claramente obrigá-la a dar informações, já que ela parecia saber um pouco.


“Imobilizar ela no chão e fazê-la falar.” De alguma forma, duvidava que se empurrasse certa parte do seu corpo na sua boca como incentivo iria ajudar a falar. A menos que pudesse decifrar murmurações. — O chefe quer que eu trabalhe com você. – O chefe seria Arik. — Ele pensa que você é algum tipo de especialista quando se trata de rastreamento. – Uma revirada eloquente de seus olhos mostrou o que achava disso. As leoas eram grandes caçadoras e não precisavam de ajuda. — Estive perguntando discretamente, mas, até agora, não consegui muito. Os vizinhos não viram ou ouviram nada. E não pudemos encontrar nenhuma pista, principalmente, devido a uma inundação no piso de cima que derrubou o teto e ficou impossível detectar qualquer cheiro. — Os vizinhos não notaram um caminhão e rapazes carregando todas as suas merdas e indo embora.– Luna ergueu as sobrancelhas. — Oh, eles notaram, mas acharam que não era nada demais. As pessoas se mudam, entram e saem o tempo todo. — Então, para onde foi toda a merda? Deu de ombros. — Não faço ideia. Comecei a procurar nas empresas de mudança. Um dos vizinhos do edifício


comentou sobre o nome, “Starting Over Moving Inc.”, mas não fomos capazes de localizá-los. É parte da razão pela qual estou começando a suspeitar de que tem algo sujo por trás disso. – Enquanto Jeoff não exigia que os membros do bando informassem todos seus movimentos, a cortesia comum mandava que os deixassem saber se você estava planejando sair. Por isso que todo mundo se surpreendeu com o desaparecimento deles, chefe e amigos também, assim como a família, além do fato da limpeza de todas as suas coisas, fez Jeoff acreditar que algo tivesse acontecido a esse casal. Algo mal. — Essa é a mesma empresa que fez a mudança dos tigres. Então, obviamente, estamos lidando com uma espécie de conspiração. Eu digo que devemos esmagá-los. – Ela deu um soco na palma da outra mão. — Um grande plano, exceto, que em primeiro lugar, temos que encontrar o responsável. — Algum suspeito? Ele negou com a cabeça e tomou outro gole de sua cerveja antes de responder. — Nada. Por isso posso dizer, não tinham inimigos. Ninguém parecia suspeitar que eram nada menos que humanos. Eles eram muito queridos.


— Quais eram os hobbies deles? O casal que desapareceu não parece ter nada em comum, além do fato que eram jovens. Os que sumiram no hotel eram os dois leões. Em forma, loiros e muito bonitos. O pessoal no hotel em que se hospedaram disse que pareciam muito apaixonados. Mas quem pode dizer se o cara perdeu um parafuso e não a matou antes de limpar todo o seu rastro e desaparecer com seu dinheiro? A olhou por um momento. — Você acha que isso poderia ter realmente acontecido? — É possível, mas não é o que acredito que aconteceu. Eu conhecia o cara. Se algo assim tivesse acontecido, ela que o teria matado e escondido o seu corpo. O cara era um pouco maricas. — Bem, ele era um leão. Tenho certeza que ele não poderia ajudar a si mesmo. – Ele deu uma risadinha. Não pôde evitar um sorriso triste. — Havia uma razão para que Lionel não fosse um competidor para todas as posições no bando. Por isso, duvido que seja o cérebro por trás do desparecimento. Quanto a Kammie – deu de ombros. — Só a vi uma vez. Ela parecia normal para mim. — O que, de acordo com quem você anda, não é exatamente uma garantia.


— Você está difamando as minhas amigas? – Deu um olhar feroz em sua direção. — Nunca se sabe o que farei com seu traseiro, se você cair no meu lado ruim. — Quer dizer, que até agora, eu estive no seu lado bom? – Provocou-a, atiçando intencionalmente à leoa. Ela sorriu. — Você não notou? Não há policiais ou sangue. — Falando de sangue, eu tenho que comer. — Comer? Mas são só cinco horas. – Luna enrugou o nariz. — Já passou do almoço. — Se você é uma coruja. – Ao contrário de algumas espécies mais noturnas, Jeoff tendia a manter uma agenda muito diurna. Corria às seis horas. No trabalho às oito, almoço ao meio dia, e o jantar por volta das cinco. Ele não precisava da sua barriga para lembrar desse fato. — Por que você não veste algo confortável, enquanto eu cozinho alguma coisa para nos comermos?. — Não se atreva a entrar nessa cozinha. – Sim, ele a ameaçou. Tinha ouvido de segunda mão sobre a capacidade culinária de Luna, geralmente acompanhada de gestos de náuseas e sons de asfixia. — Você vai cozinhar para mim? Eu realmente não estou com fome ainda, mas tenho certeza que você pode me fazer


comer se formos para o quarto. – Esqueça suas intenções. Luna corajosamente fez a proposta. — Nós não vamos fazer sexo, nem eu vou trocar de roupa. Estou perfeitamente bem com a que tenho. E já que você não pode chegar ao ponto, vou fazer um sanduíche, enquanto chegamos a um acordo sobre o motivo da sua visita. — Pensei que tinha que dito que estávamos trabalhando no mesmo caso. Isso não é o suficiente? — Você poderia ter ligado. Enviado um e-mail. Enviado mensagens de texto. Feito inúmeras coisas em vez de cruzar meia cidade e me perseguir pessoalmente. — Ninguém nunca te ensinou que a perseguição é melhor quando feita pessoalmente? A piscada manhosa e a inclinação de seus lábios quase fizeram com que deixasse cair os ovos. “Tenha medo, muito medo. Estamos na mira de uma leoa.” E, não, ele não ia rolar de costas e pedir que coçasse sua barriga com as garras. Queria senti-las em suas costas!


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Luna A expressão do seu rosto quando disse que iria perseguilo era muito divertida. Mas o olhar ardente que veio depois realmente a intrigou. Ele entrou na geladeira, escondendo seu rosto, falou do interior da fria maravilha de aço inoxidável que agora tinha a marca perfeita de sua mão, gritando a todos que entrassem que Luna estava aqui. “Devemos colocar, uma marca como essa no lobo também.” A condenada da sua felina interior parecia realmente ter uma coisa pelo canino. O se envolver com o proibido – e o fato que ele continuava resistindo. Ele não sabia que o desafio só aumentava sua curiosidade e determinação feroz? — Então, você queria me perseguir pessoalmente. Bem desesperada, mas acho que se você chegar muito brincalhona, pode se encontrar com um frasco de spray e um borrifo no seu focinho. Ele realmente mereceu o chute na bunda. O que não esperava era que girasse fora da geladeira, agarrasse seu pé, e o segurasse no alto. Cruzou os braços como se não


houvesse nada de estranho em ela estar de pé sobre uma perna vestindo só uma camiseta. Uma camiseta que não caía baixo o suficientemente para cobrir tudo. O que ele notou. O esforço que fez para ser um cavalheiro foi interessante, seu olhar lutando para ficar em seu rosto. — Você não pode se comportar? – Perguntou. — Não. — Eu exijo que pelo menos você pare de me chutar. — Toque-me e farei algo pior do que te chutar. Um sorriso malicioso esticou seus lábios, e foi totalmente erótico, o que fez zumbir seu motor. — Sem tocar? E eu que pensei que esse era o ponto central da sua paquera. Como se atreve a transformar sua frase em uma insinuação sexual? Ela que deveria ter pensado nisso antes. —E você acha que eu que sou difícil de entender? Lembre-se deste momento mais tarde, quando nós dois estivermos nus na mata, rindo e eu te marcar. Deixando cair seu pé, virou e novamente remexeu na geladeira, surgindo dessa vez com vários recipientes fechados, um pacote de queijo, tomate, alface e maionese. —


Haveria algum ponto em perguntar por que exatamente nós dois estaríamos nus na mata? — Por que vamos verificar o local dos tigres nos subúrbios. — Pensei que você disse que estava vazio. — Está, mas dado que a cena ainda é muito fresca, eu quero que dê uma olhada, já sabe, pôr seu nariz para trabalhar. — Eu não tenho que ficar nu para isso. — Bem, o lobo vai achar muito divertido quando estiver correndo pelo bosque em seus calções engomados. Ele acabou batendo seus sanduiches juntos. — Sabe, são momentos como este que me lembro o porquê não gosto de lidar com os leões. — E ainda assim, fica dentro da cidade e continua trabalhando para nós. — Aparentemente, sou um masoquista. − Deu uma mordida em seu sanduíche e gemeu. Infernos, ela queria gemer também. A coisa era uma obra de arte. Uma beleza imponente fixada em um pão, um Panini crocante. Viu-o fazendo, enquanto conversavam, ele fez parecer ser tão fácil e delicioso. Untado com manteiga e


levemente tostado na sanduicheira, o pão crocante foi recheado com finas fatias de carne assada, depois camadas de toucinho carregadas com a gordura da carne. Também colocou um pouco de queijo na parte de cima antes de colocar novamente na sanduicheira. Quando o queijo derreteu, colocou em um prato, adicionou um pouco de maionese com manjericão perfumado na parte de cima do recheio, mais algumas rodelas de tomate, alface, e, voilá, um sanduiche pronto para ser roubado. O que ela fez, dando imediatamente uma dentada. — Humm. Isso é muito bom. Ela perdeu a conta de quantos suspiros tinha dado, mas ele aumentou consideravelmente a contagem quando ele pegou junto, em meio a olhares quentes, um segundo sanduíche. Quando ele terminou, ficou fora de seu alcance. Estava a salvo. O que ela tinha roubado não estava. Ela pulou sobre o balcão, quase fazendo uma careta quando seu traseiro nu golpeou o granito frio. — Agora que nossos estômagos estão cheios, pronto para a aventura? — Eu receio que não haja uma segunda opção?


— Não seja uma princesa. Isto será divertido. A menos que você realmente seja pequeninho, então isso poderia ser um pouco embaraçoso para nós dois. — Há apenas uma coisa pequena em mim e é a minha paciência neste momento, – ele se queixou. —Vamos acabar logo com isto. Quanto antes fizermos, mais cedo posso chegar em casa e relaxar. — Confie em mim, lobinho, prefiro estar pendurada com minhas meninas, bebendo tequila e jogando dardos. — Acredito que o bar proibiu sua entrada e das meninas. — Sim, fizeram. Estraga-prazeres. Não que tenhamos acertado o olho de qualquer pessoa. O ser humano é que teve toda a culpa. Agarrando a bunda de Reba assim. Ele mereceu totalmente. — Dê-me um minuto para eu trocar para algo um pouco mais prático. – Ele saiu da cozinha, e segundos depois, a porta se fechou com um golpe, alguém aparentemente estava em busca de um pouco de privacidade. “Temos que ir até lá e dar uma olhada.” Por que iria provocá-lo totalmente, e por alguma razão, ela adorava fazer isso. Apesar de Luna conhecer Jeoff durante anos, este foi provavelmente o tempo mais logo que já tinha


conversado com ele. Quanto mais a rejeitava, mais quente ficava. Considerando que era superquente antes, agora era uma supernova. Não sabia que jogar duro conseguia ligá-la mais ainda? Quando ele saiu do quarto, não usava os seus óculos. Uma pena, por que ela gostava. Sem eles, seus olhos perfuravam. Verde escuro, o verde da floresta no crepúsculo. Antes, quando Jeoff vestia seu terno, apenas dava uma impressão geral de sua forma, mas em sua camiseta preta justa, sua constituição era magra, bem tonificada e definida. Um homem que estava em forma, mas não volumoso. Sua camiseta agarrou seu peito e pendia sobre a cintura das calças esportivas, do tipo discreto na lateral para facilitar a remoção. — Você vai descalço? – Perguntou com o olhar em seus grandes, sim, grandes pés. — Você vai com a bunda ao vento? — Acho que devo usar calças para nossa viagem. − Virou e soltou um suspiro de frustação, como se ela tivesse sido vencida pela sugestão dele. De certa forma, tinha. Normalmente os meninos não pediam a ela que colocasse


suas calças. Sua tia Zelda, no entanto? – “Se for fazer cambalhotas, vista uma maldita calcinha!” Vestiu suas calças e sua jaqueta, enquanto ele deslizou seus pés nos tênis de corrida e agarrou um casaco para si. Quando ele pegou suas chaves, ela negou com a cabeça. Trouxe minhas rodas. O que ela não mencionou era que só havia duas delas, algo que ele não parecia muito interessado. — Sem chance. − Jeoff sacudiu a cabeça uma vez que estavam na calçada da rua. Já com ambos ao lado da motocicleta, Luna montou no banco, enquanto colocava os óculos sobre a cabeça, sua única concessão à segurança, porque odiava que um inseto entrasse em seu olho. — Suba. Há um montão de espaço. — Eu não vou subir no banco de trás de sua moto. — Isso é uma coisa de macho? − Ela ligou a moto, deixando que o profundo rugido enchesse o ar antes de acrescentar: — Você está humilhado ao pensar que o farei gostar de abraçar esta besta de aço entre minhas pernas? — Não, pergunto-me se meu plano de saúde cobre a visita ao hospital por uma erupção cutânea, que provavelmente vou conseguir se eu a deixar conduzir.


— Vou deixar você saber que tenho um perfeito histórico de condução. Como se eu deixasse que meu bebê caísse no chão. − Ela esfregou o tanque de sua moto, as chamas de cor rosa brilhante, provavelmente, o mais feminino que possuía. — Eu não posso chamar um táxi em vez disso? — Claro. Quer dizer, tenho certeza de que ninguém vai começar rumores sobre o alfa do bando local sendo muito exigente em subir em uma motocicleta. – Oh, ela não conseguiu um suspiro nesse momento, mas sim um rosnado real. Ele passou a perna sobre a extremidade traseira da moto, e ela não pôde evitar a observação, — Tenho que dizer, lobinho, o calor do seu olhar só me faz mais quente por todas as partes. – O que ela precisava. Embora não houvesse neve no chão, o ar estava frio. Muito frio. Mas ele estava quente, Oh, tão quente, especialmente quando se ajeitou e passou os braços em volta da sua cintura. — Pilote. As palavras sussurradas com voz rouca enviaram um arrepio através dela. Talvez tenha acelerado muito sua moto. Disparou, mas ao contrário de seu último namorado, de curta duração, Jeoff se segurou. Havia deixado uma


ferida superficial no quesito sexual. Porra. Não precisava dizer que não tinha funcionado. Manobrou dentro e fora do tráfego, não pôde evitar uma pequena emoção quando o corpo de Jeoff se moveu com o dela, inclinando-se e dobrando quando faziam as curvas afiadas e fez bom tempo através do engarrafamento e nenhuma pessoa gritou que ela era uma cadela louca. Sem dúvida, um recorde. Em menos de trinta minutos, estacionaram na garagem da casa vazia, que pouco mais de uma semana, abrigava um par de tigres felizes e apaixonados. Agora estava vazia e escura. Ela deligou o motor. No silêncio, o único som estragando o silêncio era o tique- taque do metal esfriando. Um olhar para a casa foi o suficiente para que um calafrio percorresse através dela. Normalmente, não deixava que a merda a incomodasse; a violência era um fator em sua vida. Mas isto... Isto de apagar sistematicamente duas pessoas, de maneira completa e totalmente na forma minuciosa como limparam suas vidas, assustou-a. Jeoff não se moveu, seus braços ainda ao redor dela. — Frio?


Ela sacudiu a cabeça. — Não – Mas também não estava disposta a explicar sua inquietação. Ele seguramente iria debochar dela e com razão. Ela que iria tirar sarro desta situação. Isto era apenas uma casa. Nada mais. — Como vamos entrar? — Eu tenho a chave. – Ela teve que sair do casulo quente do seu corpo para que pudesse ficar de pé e tirá-la do seu bolso. Ela segurava a chave reluzente apenas pelo pequeno aro. A maioria dos homens a teria arrebatado – felinos principalmente. Não se pode pendurar nada diante deles sem que eles não pegassem. Entretanto, Jeoff não a tomou. Desceu da moto e foi até a porta da frente, a cabeça inclinada em um ângulo. Com a ponta dos dedos, abriu-a. — Que inferno? Alguém esqueceu de fechar o lugar. Arik vai ficar irritado. – Era propriedade do bando, um de muitos imóveis, haviam mais como este, alugavam para os shifthers a melhores preços do que no mercado. Era sua maneira de ajudar aqueles que estavam começando e queriam algo mais do que a vida no condomínio. — Não foi um acidente. Alguém a chutou. – Apontou para o a estrutura rachada. Abaixou-se, ela observou as


narinas dele dilatadas enquanto respirava dentro. — Só um cheiro. — Humano? — Talvez. Quem entrou tinha uma colônia forte. – Ele se inclinou mais e farejou a escada da entrada, as palmas das mãos no cimento. — Também usava tênis de corrida, bem novos. – Ficando de pé, limpou as mãos nas calças. — Vamos? – Abrindo a porta, entrou primeiro. Imbecil. Estava tentando agir completamente como um herói e ter toda diversão. Ela se juntou a ele de forma rápida dentro da casa. Ambos pararam no corredor. Um penetrante aroma encheu o ar. — Isso é... – ela enrugou o nariz. — Xixi? — Urina e algo mais – ele murmurou, enfiando a cabeça dentro da sala escura, o tapete fofo tinha sido rasgado. — Malditos vândalos. Vamos ter que chamar alguns dos rapazes da manutenção para jogar isto fora e substituí-lo. Mas Jeoff não estava escutando-a ser prática. Entrou no banheiro improvisado e respirou fundo. — Quem fez isto degustou de alguns aspargos antes – Jeoff refletiu em voz alta. — O aroma é muito distinto quando expelido pela urina.


— Então, quem fez isto comeu aspargos? O que isso tem a ver? — Porque foi usada de forma intencional. Este é um dos alimentos que uma pessoa pode ingerir para camuflar sua verdadeira natureza. — E você sabe disso por quê? — Eu dirijo uma empresa de segurança. Às vezes, ocultar-se a plena vista pode ser útil. E o aspargo é muito mais aceitável que pulverizar em mim algum perfume tóxico. — Mascarar seu cheiro é errado, – ela reclamou. — Nunca escondo o que sou. — Isto porque discrição não é uma palavra que você conheça. Oh, ela sabia tudo sobre discrição. Ela simplesmente optava por não usá-la. Luna era tudo sobre a verdade, mesmo que isso a machucasse. Jeoff saiu da sala de estar fedida e entrou ainda mais para dentro da casa, colocando a cabeça por uma porta para conferir o banheiro do piso principal. Ele fez uma pausa na entrada para o escritório vazio, e não era do tipo urso das cavernas. Na parte de trás da casa encontraram ainda mais caos.


Com as mãos plantadas nos quadris, Luna balançou a cabeça enquanto observava os armários, todas as portas abertas, algumas torcidas, penduradas, umas poucas arrancadas das dobradiças e jogadas como lixo no chão. Mais trabalho de restauração. Arik não ficaria feliz, mas, de novo, quem poderia ter previsto este tipo de vandalismo sem sentido? Não era como se alguém, que não fosse do seleto grupo, soubesse que a casa estava vazia. Tinham sido apenas alguns dias desde que o casal desapareceu. O cheiro de urina não era tão forte como na cozinha, especialmente uma vez que se abriu a porta do porão e uma nuvem de gás nocivo flutuou dentro. — Cheira como se o diabo tivesse peidado aqui – disse ela. —Porra! É ovo podre, o que significa que há um vazamento de gás. Vá para a rua. – Ele se aproximou da porta de vidro deslizante e viu uma segunda fechadura antes que a abrisse com um golpe. A chegada súbita de ar fresco a fez se mover em sua direção, ávida por um gole. A partir da extremidade traseira do pátio, algo brilhante veio girando fora da escuridão, indo para a direita deles.


— Saia. − Jeoff gritou, agarrou-a e praticamente arrastou-a para fora. Quando o vidro se estilhaçou com um tinido distintivo, ela teve um momento para pensar, isto não podia ser bom antes de um punho de ar quente bater em suas costas com um golpe.


í Jeoff A força da explosão levantou Jeoff de seus pés e o fez voar. Ele sabia o suficiente para não resistir, por isso caiu no chão parcialmente protegido e imediatamente ficou em pé. Enquanto o lobo nele queria ir imediatamente atrás de quem tinha jogado o coquetel molotov, sua primeira preocupação era Luna. Ao que parece, porém, ele não estava em sua lista. Um rosnado rasgou o ar, e antes que tivesse tempo de se virar, viu sua forma dourada saltar para o bosque. Ela tinha conseguido tirar o casaco, mas seus jeans e a camisa foram arrancadas. Ainda assim, agarrou toda a merda e correu para a beira do bosque, deixando-os em uma pilha fora da vista da casa, onde a fumaça já se levantava e o pátio escuro se acendia com o brilho alaranjado das chamas famintas. Ele se livrou rapidamente de suas próprias roupas, deixando-as cair em uma pilha, com urgência. Seu lobo queria ir à caça, e iriam, mas sua metade humana também era prática. Não gostava exatamente de voltar nu para casa.


Nu, agachou-se e chamou a sua besta. Não que realmente precisasse do impulso. A metade animal de sua psique nunca esteve muito abaixo da superfície. A pele ondulou, pelos brotaram, membros se retorceram e mudaram com uma dor que enviaria um ser humano normal a um estado catatônico. Mas ele era forte. Feroz. “Lobo...” À medida que suas quatro patas tocaram o chão, com a cabeça levantada uivou, um uivo terrível que anunciou, — Vou à caça. Não precisava pressionar o focinho no chão para encontrar uma trilha. Tudo era tão claro para ele nessa forma. O cheiro quase tinha cor e forma, fios distintos visíveis e fácil de seguir. Embora uma parte dele desejasse perseguir o gato e talvez encurralá-lo em uma árvore – ele pegou o chocante sabor no ar, algo que cheirava fora do lugar. A mesma colônia que tinha sentido na varanda da frente. Praticamente flutuava a pé nesta forma, nas quatro patas, limitado pelo bosque, o parque protegido se estendia


em todas as direções, por isso havia muitos lugares para as presas se esconderem. Podia ouvir à distância, as sirenes se aproximando, os bombeiros já estavam a caminho para tentar salvar uma casa que estava irremediavelmente perdida. Mais perto, pôde ouvir o rangido quando suas patas atingiram as camadas de folhas que caíram na terra. As folhas dispersas formavam redemoinhos e se agitavam, marcando seu caminho. Mas ele não estava olhando ou se escondendo. Ele estava caçando. Quem ele estava perseguindo certamente voava. Jeoff era rápido, mas não rápido o suficiente, e nem a leoa era. Alcançou Luna na beira de uma estrada que atravessa a floresta, acompanhava o acostamento de cascalho, o cheiro persistente do escapamento dos carros ainda no ar. Era aonde terminava o rastro. Sua presa tinha escapado. Ela trocou de novo e voltou a sua pele. Uma muito agradável pele nua. — Porra! − Ela repetiu a palavra algumas vezes enquanto desfilava de um lado para o outro em sua agitação. Ele deitou, com a cabeça em suas patas, e ouviu seu discurso.


— Não posso acreditar que ele me deixou para trás. E em dois pés! Isso é incomum. Não deve ser humano. Nenhum ser humano pode me vencer correndo a pé. Ela tinha razão. Mas se não era um ser humano, e não cheirava como shifter, então o que era? Jeoff nunca tinha ouvido falar de qualquer coisa com dois pés que corresse mais que um lobo ou uma leoa. — E que o que há de errado com o cheiro dele? Essa colônia é extremamente forte. Você pode imaginar que ele tomou banho na coisa. Isto levantou a pergunta, por quê? O que o incendiário queria esconder? — O que eu gostaria de saber é por que diabos ele colocou fogo na casa e tentou fazer churrasco de nós juntamente com ela. Estava com medo de que encontrássemos alguma pista? Se o incendiário tinha deixado algo, então tinham perdido. Seja o que fosse virou cinzas, deixando o caso dos tigres que sumiram cheio de mistérios. Ela virou seu olhar irritado para ele, um metro cinquenta e dois de uma loira quase nada irritada. Linda como o inferno, e sim ela era mortal. — E por que diabos


você ainda está na sua forma de cão? Você tem medo de que eu vá apontar e rir das suas coisas? De novo isso? Estava na hora de colocar suas dúvidas de lado. Mudou de forma, o processo inverso não era tão agradável. O que o fez achar divertido foi seus olhos arregalados, enquanto olhava fixamente, sem disfarçar, para sua virilha. — Porra. O que acontece quando essa coisa fica dura?


í

Luna Foi difícil não rir, quando Jeoff, com as costas retas, voltou de novo para a casa em chamas, com os pés descalços pisando nas folhas. — Oh, vamos. Era uma pergunta válida. Quer dizer, você têm sangue suficiente para endurecer, essa coisa é enorme. — Eu não vou com você – sua resposta foi direta. — Você acabou de gemer e rosnar como Frankenstein? — Dou minha palavra de que sou perfeitamente bem durante o sexo. — Sério? Quer dizer, você terá que me desculpar por duvidar. Afinal de contas, tenho somente sua palavra nisso. Eu não me importo em comprovar. Até sacrificaria minha virtude pelo bem maior. — Sua virtude? – ele bufou. — Hey, está insinuando algo?


— Eu afirmo com certeza. Nós dois sabemos que está longe de ser virgem. — Não há nada mau em ter um apetite luxurioso, – queixou-se mas não podia estar zangada com o movimento do traseiro mais perfeito na frente dela. — Então, qual é o plano quando chegarmos na casa? Encontrar alguns marshmallows? Oh, talvez um bombeiro quente. Têm um cheiro delicioso. Tudo defumado e − Antes de que pudesse completar seu pensamento, encontrou-se presa contra um corpo nu e imprensada contra o tronco de uma árvore próxima. Os olhos verdes, brilhantes e selvagens, olhando para ela. — Já parou? – Jeoff perguntou. — Parou o quê? — De falar. — Se você têm um problema com isso, então, faça com que eu pare. Nós dois sabemos que tem a ferramenta adequada para isso. – Ela não pôde evitar um sorriso travesso. — Quantas vezes tenho que te dizer que isso nunca vai acontecer? Eu não me envolvo com leoas. Duvido que minha saúde mental ou meu seguro possa lidar com isso.


Por alguma razão, sua postura inflexível a incomodava. — Você diz isso, e, no entanto, nunca vai nos dar uma chance. – Nunca tinha dado a ela uma chance, e mesmo sabendo do fato de que a achava atraente. Pergunte à ereção que estava tentando chegar até ela. — Eu não tenho que te dar uma chance, porque sei o resultado. — Você sabe? – Apesar de suas constantes rejeições, não pôde evitar de arrastar suas unhas pelo peito nu dele. Ele prendeu a respiração, seus olhos fechando até a metade, mas mesmo assim não conseguiu ocultar o brilho intenso. As batidas de seu coração, elevou a situação a outro nível. Ele baixou a cabeça e sussurrou: — Temos companhia. Girando para longe dela, ficou meio agachado, preparado para defendê-la. Que lindo. Mas desnecessário. Ela suspirou. — Sua noção de tempo é uma porcaria, Reba. Do meio dos troncos das árvores saiu sua amiga de pele cor de café. Ela trazia pendurada a jaqueta de couro de Luna em uma mão e o resto de suas roupas sob o braço. — Eu diria que meu tempo é mais do que perfeito. Realmente, Luna, brincando com o cachorro num momento como este.


Luna pegou a jaqueta, já que ela jogou. Usá-la seria um pouco estranho, porém, não tinha nada mais com ela. — Como nos encontrou? – Perguntou Luna, disparando sua mão como um dardo para arrebatar a pilha de roupas de Jeoff das mãos dela. Mesmo sua cueca sendo um pouco grande, cobria sua parte inferior, e a camiseta – fazia um bom trabalho escondendo o resto. Não ajudou contra o frio, no entanto. Não estava quente o suficiente para passear no meio do nada, especialmente agora que Jeoff tinha uma expressão tão inacessível em seu rosto. Tão perto de conseguir um sabor. Arruinado por Reba, para quem certamente ser uma “empata – foda” era uma ciência. — Eu estava visitando minha avó. Ela vive só a algumas ruas de distância. Vim dar uma olhada por conta das sirenes e vi o que aconteceu com sua moto. — Aconteceu? – esquecendo que ainda estava descalça e vestida só com a camisa de homem e uma jaqueta, Luna partiu, mas não podia correr rápido o suficiente para salvar sua preciosa moto. Quando Jeoff a alcançou, ela estava ajoelhada ao lado da sua moto, tentando reprimir os soluços. No frenesi dos


primeiros socorros, seu precioso bebê tinha sido golpeada de um lado e arrastada para fora do caminho para dar lugar aos bombeiros e suas mangueiras. Camadas de cinzas como se fosse um filme preto e branco, as brasas tinham marcado o assento de couro costurado à mão, e o tanque arranhado e amassado pelo abuso hediondo. Ela lhe deu uns tapinhas. — Está tudo bem, bebê. Mamãe vai fazer com que tudo melhore. — Ela está bem? – perguntou um estranho. Luna escutou a conversa sussurrada, mas não respondeu. Nada estaria bem até que sua bebê fosse arrumada. Soluçou. — Ela gostava muito de sua moto – respondeu Jeoff. —Eu vi os caras a tirarem do caminho. São os novos inquilinos? Eu acho que não vão se mudar agora. Luna escutava pela metade enquanto abraçava sua moto. — Na verdade, somos amigos do casal que vivia aqui. Estávamos perto e passamos para dar um “Oi”, mas percebi que se mudaram. — Sim, foi estranho como se mudaram rápido. Petúnia nunca disse uma palavra sobre eles nos deixando.


— Então, vocês conversavam? Luna olhou pelo canto do olho e viu Jeoff, vestido com sua calça, jaqueta, e usando sapatos, conversando com uma pequena ruiva vestida com um pequeno robe. Um minúsculo robe. Grrr. — Conversei com Petúnia algumas vezes. Ela era engraçada. Ela e seu marido estavam sempre tentando nos convencer de que eu e meu namorado saíssemos com eles. — Sair para aonde? — Para a festa nos clubes. Mas não fomos. — Não gosta das festas do clube? – ele estimulou. — Oh, eu gosto de festas, não me interprete mal, mas Petúnia não ia nos clubes regulares para dançar. Ela e seu marido gostavam das coisas mais pervertidas. — Como assim pervertidas? – Jeoff perguntou, sua voz num sussurro baixo e rouco, e a pequena desavergonhada ruiva – que aparentemente não era uma namorada muito boa, suspirou. — Como realmente pervertidas, como em clubes de swingers.


Bom Deus, agora havia algo que Luna realmente não sabia. — Sério? Eu não sabia que tinha um desses por aqui. — Não há muitos. A maioria são só uns poucos casais que se reúnem. Mas tem um lugar. É na cidade, no distrito dos armazéns. Ela estava sempre dizendo que deveríamos ir. — Você se lembra do nome desse lugar? Tenho alguns amigos que podem estar interessados. A ruiva tocou o queixo. — Aff. Não me lembro. Eu sei que é um nome estranho. Tipo selva e jardim zoológico mais ou menos simultanemente. Essa foi a única pista que Luna precisava. Ficou de pé e se juntou a conversa. — Rainforest Menagerie te diz alguma coisa? – Luna tinha ouvido falar dele através da rede, mas nunca tinha ido. Ela preferia fazer sua festa de engatinhar e cambalear perto de casa. — Por acaso sabe se eles foram lá dias antes de desaparecerem? – perguntou Luna. Mas ela pode ter feito de forma muito agressiva. A ruiva deu um passo atrás. — Eu não sei. Não é como se estivesse mantendo um registro sobre eles. E o que quer dizer com desaparecer? Pensei que eles tinham se mudado.


Jeoff acalmou a vizinha. — Eles se mudaram. Estão muito bem em seu novo lugar. — Mas você disse... — Oh, desculpe-me? Mas acho que nossa amiga está nos chamando ali na rua. De fato, Reba estava acenando com a mão para eles, Luna permitiu que Jeoff a guiasse até sua moto. Aconchegou-se em sua jaqueta, o calor do interior não fazia nada por suas pernas e pés descalços. — O que é, Gatinha? – perguntou ela. — A polícia quer falar com você e averiguar o que aconteceu. – Reba inclinou a cabeça e Luna não pôde esconder um gemido. — Sem policias. Eles me odeiam. — Puxa, eu me pergunto o por quê – comentou Jeoff. — Não comece, lobinho. Já estou de mau humor. — Sua moto pode ser arrumada. Conheço um cara. Deixe-me ver isso, direi que cuidem dela. — O que acontece com a polícia, entretanto? O que vamos dizer? Porque não podiam exatamente esconder o fato de que estavam só parcialmente vestidos na cena do crime. Sua moto estacionada na frente era a maior pista.


— Eu me encarrego disto.– Entrelaçou seus dedos com os dela, e se aproximou do casal de policiais, um ser humano, o outro não. — Ei, Ralph. Clive. – Jeoff deu aos dois oficiais um aceno de cabeça. — Você os conhece? – Sussurrou. — Claro que sim. Na minha linha de trabalho, às vezes, tenho que colaborar. — Jeoff, eu ia te dar uma ligada e agradecer pela pista no Peeping Tom. Nós nos encarregamos do menino. Agora o único lugar que ele está mostrando seu pênis é para as câmeras da delegacia. — Sem problemas. Estou sempre disposto a ajudar. – Jeoff sorriu. Clive, um urso que Luna já tinha encontrado antes – geralmente porque alguém chamou a polícia para a garota bêbada – segurava uma caderneta e uma caneta. —Pode nos dizer o que aconteceu aqui? — Foi uma coisa do caralho, – disse Jeoff. —Luna e eu estávamos investigando para alugar a propriedade, porque estamos pensando em morar juntos.


— Vocês estão? – As sobrancelhas de Clive se elevaram. Inferno, o rosto de Luna, provavelmente, mostrava o mesmo choque com a boa mentira. — Eu não sabia que estava namorando alguém. — Sim, nós estávamos mantendo em segredo. Mas agora pensamos em dar o próximo passo, por isso estávamos verificando o lugar e testando os aparelhos, já sabe, para nos assegurar de que funcionavam. Como vocês sabem, eu gosto de cozinhar. — Sim, esses bolinhos de rum que fez para a festa de Natal estavam incríveis. – Ralph esfregou a barriga volumosa. — De qualquer maneira, acho que a válvula do gás não estava funcionando bem, e não apagou. Não sabíamos e fomos dar uma olhada no quintal. Quando demos um passo para dentro, Luna ligou o interruptor de luz pela porta de trás e zás. Todo o lugar explodiu. — Então, isso foi um acidente? – Clive escreveu em seu caderno. — Com certeza. Realmente sinto por isso. Desejaria ter cheirado o gás antes que tivéssemos entrado. — Bom, isso parece muito claro. Vou arquivar o relatório. Se conseguirem ir e assiná-los em algum


momento no próximo dia ou dois, seria ótimo. – Clive virou fechando seu bloco de notas, mas Ralph tinha uma ruga entre suas sobrancelhas. — Espera um segundo, parceiro. Tenho algumas perguntas, como, e onde estão o resto de suas roupas? E por que ela está sem sapatos? – Ele apontou para os pés descalços de Luna. Ela tinha uma resposta para isso. — Meu namorado aqui está tentando proteger minha reputação. Tão doce. – Ela riu. — Bem, a verdadeira razão de que o fogão pode ter acidentalmente ficado com o gás escapando é porque eu sem querer girei o botão quando Jeoff me tomou como um animal sobre o balcão.


í

Jeoff “Não posso acreditar que ela disse isso.” Não, podia acreditar com certeza nisso. O verdadeiro problema era que, se fosse um homem com um pouco menos de controle, isso teria acontecido. Com os bombeiros encarregados da cena e os policiais felizes com sua declaração, pediram uma carona para Reba, que os deixou em seu caminho de volta para seu apartamento. Por alguma razão, Luna escolheu ficar com Jeoff, alegando que tinham assuntos a discutir. A única coisa sobre a qual queria falar era um chuveiro para conseguir tirar o cheiro de fumaça de sua pele. Dado que seu cantinho tinha dois banheiros, os dois poderiam tomar banho ao mesmo tempo, um mais rápido do que o outro.


Ele ainda estava enxaguando o sabonete quando ela começou a falar com ele. — Então, você acha que Ralph comprou nossa história? Uma olhada ao redor da cortina do chuveiro e viu que Luna estava sentada sobre o balcão, usando uma toalha e nada mais. — Tenho certeza de que Clive irá garantir que os fatos se encaixem. Realmente precisava vir aqui e falar disso agora? − Ele foi para trás da cortina e fechou completamente a água quente. Não havia necessidade de calor adicional quando ela estava por perto. Sempre que Luna se aproximava, seu corpo tendia a estar febril. — Não me diga que você ainda está tímido? Eu o vi, Lobinho. E não ri. — Não, acusou-me de ficar resmungando, de ser um brinquedo sem vida. — Só porque não me mostra o contrário.


— Não vai acontecer. – Não porque ele não estava tentado. Estava coondenadamente tentado. “Pressione ela contra a parede e a tome por trás” – Seu lobo não se preocupava com as repercussões. Sua necessidade primitiva era muito simples para seu animal interior, e sua necessidade gritava que ele devia reivindicála. Porra, inferno. Ela já estava causando estragos em sua vida – e em apenas um dia! Não podia imaginar em muitos deles, semanas ou meses. Deixá-la em seu mundo em outra coisa que não fosse um trabalho temporário – provavelmente o mataria – “mas eu aposto, que morreríamos sorrindo.” Havia algo em Luna que despertava cada nervo em seu corpo. Era um homem que queria fumar um pouco de erva para amortecer sua reação. — Então, qual é o próximo passo, Lobinho?


— Seu próximo passo é colocar algumas roupas. Pegue uma blusa ou algo assim no meu armário. — Mais uma vez, com a história das roupas. Você é sempre obcecado sobre a nudez? Só quando ela estava perto. Jeoff desligou o chuveiro e procurou às cegas por uma toalha. Seus dedos encontraram o tecido, e a agarrou, envolveu ao redor de sua cintura, uma toalha quente e ligeiramente úmida. — Você me deu sua toalha usada? – Sem pensar, segurou a toalha com uma só mão e puxou a cortina do trilho. E ali estava Luna, posando em sua vaidade total, vestida apenas com um sorriso. Uma Luna muito nua. Sendo um homem, um homem meio coberto, olhou-a por um momento. —Não babe muito, Lobinho. Eu não quero que escorregue e se machuque.


Por que babar quando podia lamber? Ele lamberia esse sorriso de sua cara, lambendo algum lugar ao sul até que ela não tivesse fôlego para falar. “Bem, ela pode dizer o nosso nome.” Os gemidos seriam agradáveis e bem-vindos, mas, às vezes, um homem gostava de ter certeza de que ela sabia a quem agradecer. Sua língua estava em sua boca – gemendo triste – manteve a toalha em volta de sua cintura, sem olhadas distraídas. Enquanto passou por Luna, fez todo o possível para olhar para frente, em vez de seus peitos ridiculamente deliciosos. Como se ela fosse deixar ele escapar com tanta indiferença. Seu pé se moveu. Ele se esquivou para evitar, afrouxando seu agarre sobre a toalha, que ela logo arrancou de suas mãos. Mas, não foi, a nudez repentina o que provocou o estalo. Foi o bater da toalha contra sua bunda nua.


Tecnicamente, não doeu muito, foi apenas uma ligeira picada, mas a pequena pressão da toalha molhada, porém, incomodou seu lobo. Ele se virou, agarrou Luna pela cintura e a jogou por cima do ombro. Voltou para o quarto e se sentou. Brigou um pouco, mas a teve estendida em cima do seu colo, o traseiro para cima, e cabeça para baixo. Havia algumas coisas que um homem poderia esperar na hora que colocasse uma leoa em uma posição – como de punição. Arrependimento: – "Por favor, Jeoff, não me bata. Vou ser uma boa menina". De Luna? Provavelmente, não. Ira: “Seu filho da puta, eu vou te alimentar com suas bolas." Isso era muito mais ao estilo de Luna. Inclusive um ataque, uma luta selvagem pelo domínio, era algo que com certeza esperava dela. O que não esperava era sua curiosidade.


Luna se virou para ele. — O que você está esperando? Faça. — Fazer o quê? – Perguntou para ter certeza de que estavam pensando a mesma coisa. Ela era uma leoa, nunca se sabe. — Bata-me. É por isso que você me colocou assim, não é? — Você já foi punida antes? — Punida? – Ela riu. — Isso é engraçado. E não. Nunca conheci um cara com bolas suficientes para tentar. Então, tenho que admitir que estou um pouco curiosa. Isso acabou completamente com a diversão dele. Para não mencionar que toda essa conversa o fez reavaliar seu plano inicial de bater nessas bochechas com a mão. Devia ter levado em conta que nunca tinha dado uma palmada em uma mulher antes. Nunca. Nem tinha sido surrado quando criança. A única razão pela qual pensou em fazer isso, foi por causa de algo que um dos rapazes lhe contou. Exceto, que no relato de seu amigo, a garota não pediu pelas palmadas e no fim o sexo foi selvagem.


Nada de sexo com esta leoa. Não acabaria bem. “Eu a quero.” Os lobos não deviam fazer olhos de cachorrinho. Isso não estava certo. Toda esta pressão. Não gostava disso. Deixou Luna na cama ao lado dele, levantou e foi até seu armário. — Você está procurando algum tipo de ajuda para as palmadas? Não podemos começar com a mão? Eu não sei se quero ir direito para uma raquete de ping-pong ou um chicote. Virou, jogou uma camiseta para ela. — Ponha isto. Não vai haver nenhum tipo de chicote. — Você é tão Debbie Downer1. — Isso se chama ser responsável. Você deveria tentar algum dia.


Sua cabeça apareceu pelo colarinho da camisa, o cabelo loiro alvoroçado escondendo um olho. Ela estreitou os olhos. — A responsabilidade é superestimada. — Nesse caso, vá para casa. − Você está deprimido? — Não. Estou dizendo que saia porque está mentindo. Você é responsável. Mais do que pensa. Luna sacudiu um punho contra ele. — Retire o que disse. Eu sou um espírito livre. Faço o que eu quero, quando eu quero sem prestar contas a ninguém. — Exceto ao Arik. — Ele é o rei. — E sua família. — Dã.


— Seus amigos. — Qual é o ponto? – Ela perguntou. Ele se inclinou perto e não pôde evitar sorrir quando sussurrou, — Não só obedece ao rei de seu bando, é útil com seus amigos, e está inclusive decidida a ajudar aos estranhos. É uma adulta responsável. — Aaah. – Ela fez o sinal da cruz para ele e franziu o cenho. — Sai pra lá, com suas más palavras. — Você é real? — Cem por cento. Sem silicone nestes. Pode apertar se quiser ter certeza. — Não – era ruim o suficiente que ela oferecesse seus seios no convite. Ele saiu do quarto, descartando pôr uma camisa no momento. Precisava de espaço entre ele e Luna. Álcool também.


Saiu da cozinha, com duas cervejas na mão, porque sabia que ela não o deixaria tão facilmente, ela estava sentada em seu sofá. — Jogue aqui. – Ela levantou as mãos e esperou. Ele a entregou com cuidado. Uma pessoa simplesmente não joga garrafas abertas. Ela tinha seu telefone celular no colo, a tela se iluminou com uma janela de busca. — O que está procurando? – Ele escolheu sentar em um banquinho no balcão da cozinha. Poderia dizer e afirmar, que ficou ali porque seu telefone estava próximo, ao seu lado, enquanto estava ligado ao carregador. Mas, na verdade, precisava de distância. — Estou procurando informações sobre esse clube, mas você acredita que não há absolutamente nada sobre ele? — Impossível. Talvez você esteja escrevendo errado. Ou talvez este lugar se escondesse um pouco mais do que parecia normal.


As próximas horas passaram em um silêncio estranhamente agradável, intercaladas com histórias do que tinham ou não encontrado. Em um dado momento, viu-a dormir no sofá, deitada de bruços, com uma perna penduranda para baixo, a boca aberta em um ronco suave. Ridiculamente linda. Queria acariciar o cabelo na curva de sua bochecha. Deitar atrás dela e abraçá-la contra seu corpo, mantendo-a quente. Ao invés disso, colocou uma manta sobre ela, apagou as luzes e foi para cama. Não dormiu, não imediatamente, em todo caso, e quando o fez, em seu sonho houve uma grande quantidade de perseguição – uma leoa atrás de um lobo, que culminou em uma subida a uma árvore. O mais preocupante, e que era de se estranhar, foi o peso repentino que saltou em seu peito e o, — Acorda, Lobinho, – ele soltou um rugido bestial e feroz?? —Oh, que medo. Agora levante.


— Não há respeito. – Ficou com os olhos fechados, para não vê-la. — Por que você ainda está aqui? — Porque passei a noite. — Não tem uma casa para voltar? — Preocupado que te deixe enquanto ainda estamos nos divertindo? Nunca. Estou aqui pelo tempo que você precisar de mim. — Não há ninguém que precise de você em sua casa? — Não. Todas minhas plantas são de plástico, e o único mascote que tenho é virtual, e provavelmente ele morreu de fome. Não o verifico já faz um tempo. — Você deveria ir para casa. Precisa de roupas. – Porque de repente não queria mais emprestar sua camisa. Não queria o tecido que levava perto de sua pele tocando a dela. Isso mesmo, tire isso. Ela ficaria melhor vestindo nada.


Ciúmes de sua camisa. Deve ter bebido muitas cervejas na noite anterior. — Então você vai dormir o dia todo. — Fomos para cama depois das três. — Isso é o de menos. De qualquer maneira, enquanto você estava dando uma de Bela Adormecida, cheguei a algumas conclusões interessantes sobre nosso clube secreto. — Temos, enfim, algumas informações?, – Ele perguntou. — Não. Ainda estão nos bloqueando. Portanto, vou verificar o lugar pessoalmente. — Está planejando se infiltrar. – A explosão de ciúmes o pegou de surpresa. Por que se importaria se Luna, conseguisse, por si só e fosse disfarçada para um clube de sexo para swingers?


— Esse é o plano, mas aqui está o problema. Se for como a maioria dos lugares habituais, para swingers, então será aberto somente para casais e mulheres solteiras. — E? Não vejo o problema. Você é uma mulher solteira. – Ao menos era o que tinha ouvido. Não que Jeoff tivesse investigado. Ele fez todo o possível para evitar as senhoras do bando, já era ruim o bastante que sua irmã sentisse a necessidade de dar atualizações agora que vivia entre eles. — Isso foi o que eu falei para Arik. Disse a ele que iria verificar as coisas. Mas parece que pensa que devo levar apoio, e a coisa é, que disse que levar as minhas melhores amigas comigo não era um bom plano. Arik era um líder sábio. Enviar uma leoa a qualquer parte era arrumar problemas. Mas, uma vez que se juntavam em um par ou mais? Ninguém estava a salvo. — Então, Arik não quer que vá sozinha. Isso ainda não... – Sua voz sumiu quando o horror o consumiu, um horror que se intensificou quando Luna sorriu mais, de sua posição sobre seu peito. Ele balançou a cabeça em negação


veemente. — Oh, não. É claro que não. Isso não vai acontecer. — Mas eu ainda nem falei para que preciso de você. Além de suas unhas, óbvio para me arranhar. — Você quer ir ao clube e nos fazer passar por um casal. — Não me olhe com esse olhar horrorizado. Isso foi ideia do Arik. — Quando falou com Arik? — Estou acordada desde cedo. E, obviamente, depois de muita cafeína ou algo que ela tomou. — O que mais ele disse? —Ele disse que deveríamos ir juntos como um casal de noivos. Eu quase ri de sua ideia. Como se alguém acreditasse que estou pronta para me estabelecer. – Ela apontou para sua forma, os dedos deslizando sobre seu corpo.


— A parte mais incrível é alguém pensar que você e eu poderíamos passar como um casal. — Fizemos isso ontem à noite com a polícia. — Por alguns minutos. Eles estavam distraídos, e nós saímos. Mas de maneira nenhuma poderíamos levar alguém a acreditar que estamos realmente juntos. — O que quer dizer com isso? – Perguntou Luna, soando mais indignada. — Não poderíamos ser mais incompatíveis. Quer dizer, eu sou o tipo de cara que usa terno, que gosta de ler, de boa comida e uma corrida diária no parque. — Em primeiro lugar, com certeza correria com você. Afinal, alguém precisa segurar a coleira. Acredito que os livros são grandiosos, especialmente durante o tempo em que você correr para fora da caixa de areia para gatos. E eu amo comer. Cada vez que desejar ver minhas habilidades para comer – ela fez uma observação, — Deixe-me saber.


— O chef em seu condomínio esteve colocando erva de gato nos muffins de novo? — Não – Seus lábios formaram um beicinho. — Ao que parece é uma droga de iniciação para os ratos brincalhões que bebem todo o creme. Ele fechou os olhos enquanto apertava a ponta do nariz. — Por que eu? – Murmurou em voz alta, assim, é obvio que ela escutou. — Eu acho que você é uma ótima opção para um namorado falso, porque se alguém tiver que sair e me deixar solta, é você. — Tenho responsabilidades. — Sim tem, e de acordo com você, eu também – Sua voz ficou séria, algo raro para ela, o que tornou tudo mais eficaz. — Preciso da sua ajuda, mas se sente que não pode, então vou encontrar alguém para fazer o papel de namorado.


Alguém mais? É claro que não. Como ia submeter a algum outro pobre diabo a loucura que era Luna? — Farei isso. — De verdade? – Sua exuberante exclamação não o preparou para a maneira que ela o agarrou e puxou-o a uma posição sentada. Mais forte do que parecia. — O que você está fazendo? Ela colocou os braços em volta do seu pescoço. — Como você é meu novo falso namorado terá de se acostumar com meu toque. Não pode pular a cada vez que faço isto. – Aproximou-se, seu hálito quente vibrou sobre sua pele. Ele estremeceu e se afastou. Não porque ele não quisesse. Pelo contrário, queria sentir seus lábios sobre sua pele, e proporcionar o convite a exploração de suas mãos. Explorar levaria a coisas ruins. Prazerosas coisas ruins. Jeoff então tirou Luna de seu colo antes de sair da cama e colocar um pouco de espaço entre eles.


Ela reclamou. — Isso não vai funcionar se continuar agindo de forma tão reprimida. — Eu não sou reprimido. Um brilho desafiante se mostrou em seus olhos. — Então prove. Havia muitas coisas contra o que um homem poderia lutar. Podia se proteger contra a sedução. Manter o controle em vez de atacar. Fazer exercício para queimar calorias depois de uma noite de muitas cervejas. Mas ser atacado em sua virilidade, algo teria que ser feito. Antes que pudesse se dar conta, ele atraiu Luna para perto com um braço enroscado ao redor de sua cintura. Aproximou-a dele e levantou-a nas pontas dos pés para que seus lábios pudessem estar à distância de um fio de cabelo. — Não se preocupe com minhas habilidades de atuar em público, – sussurrou em seus lábios. — Vou desempenhar o papel do namorado amoroso, enquanto você pode


desempenhar o papel de mulher em seu juízo perfeito. De nós dois, acredito que seu papel será o mais difícil de alcançar. Com isso, ele a soltou, notando o “O” de surpresa em seus lábios, junto com o incômodo e o quente – interesse – em seu olhar. “Oh-Oh. Acho que acabo de deixar as coisas piores.” – Que se foda o olhar de um tigre. O olhar de uma leoa era muito mais mortal.


í

Luna Caminhando pelo complexo do condomínio, onde a maior parte dos leões do bando e algumas raças dispersas da cidade escolheram viver – Luna ainda estava desconcertada com Jeoff. O homem sabia como fazer sua gatinha interior ronronar e eriçar seus pêlos, tudo em um golpe só. Falando em coisas fora do comum. Geralmente, era Luna quem colocava os homens fora do equilíbrio. Esta inversão de papéis não caia bem em tudo. Além disso, não duraria muito tempo. Uma vez que descobrissem o que aconteceu com as pessoas desaparecidas, poderia voltar a desejar Jeoff de longe. “Ou posso aproveitar essa oportunidade para matar minha vontade.” – E logo passar a pastos mais peludos. — Luna! − Um coro de vozes gritou o nome dela quando empurrou o segundo conjunto de portas de vidro entrando


no prédio. O complexo de apartamentos era o coração da comunidade de shifters nesta área. A sede, por assim dizer. Mas enquanto que os homens pensavam que faziam todo trabalho em seus pequenos lindos escritórios nos andares superiores, na verdade, o verdadeiro trabalho era feito no piso inferior, no térreo. Algumas poucas cabeças avermelhadas levantaram quando olhares âmbar se focaram em Luna. Ela agitou uma mão em sua direção. — O que há, cadelas? — Já era hora de você aparecer. – Stacey acenou. — Traga sua bunda gorda aqui. Precisamos que veja uma coisa conosco. — Gorda? – Luna segurou ambas as bochechas. — Isto é tudo aço, vaca. — Por enquanto, – disse Nellie em um tom amigável. — Todas nós vimos o que aconteceu com a bunda da sua mãe depois que ela teve você.


O termo voluptuosa veio a sua mente. Também trouxe lembranças traumáticas de seu pai em constante apropriação da bunda de sua mãe – na verdade, ainda fazia isso, mesmo depois de quase trinta anos de casamento. Então talvez ter herdado isso de sua mãe não era uma coisa ruim. Andando em direção a elas, Luna apontou para o grupo que estava amontoado em um círculo e olhava algo no chão. — O que vocês têm aí? – Perguntou, parando do lado de fora do círculo e olhando por cima delas. Dois sapatos estavam no meio do círculo. Um Stiletto vermelho com tiras finas em um estilo perverso. O outro era uma bomba de couro preto mais simples revestido em couro mate, com salto grosso, sólido e uma tira para os dedos do pé. — Qual deles Melly deve usar em seu encontro hoje à noite? — Sério? Isto é o que era tão urgente? – Ela revirou os olhos e apontou os dedos dos pés descalços de Melly. — A resposta é dolorosamente óbvia. Ela tem que usar aqueles,


mas só depois de uma pedicura para que seus dedos dos pés estejam mais decentes. – Porque os encontros estavam supervalorizados. Quando Luna queria um bom momento, saía com suas amigas, e quando queria “um bom momento”, ficava presa com os de suas fantasias. — Ela está certa! O encontro será naquele lugar Chinês no fim da rua. Teremos um bufê. – Melly sorriu e os risos fluíram enquanto sugestões obscenas abundaram. Situação resolvida, Luna pulou por cima do encosto do sofá e conseguiu um lugar para si entre as garotas. Stacey se aproximou e farejou. — Que cheiro é esse? Outra ergueu o nariz no ar e cheirou. — É de cachorro? Alguém está alimentando aquela vagabunda de novo? — Ela não é uma vadia, – Nellie disse. —Ela é Arabella, companheira do Hayder. — Que desperdício de leão – suspirou Stacey.


— Quem se importa? Eu quero saber por quê você cheira a perfume de cãozinho. — A culpa é minha, – admitiu Luna. —Eu estava por aí com Jeoff. – Na verdade, ela tinha passado a noite, mas ia guardar essa bomba maligna para o momento certo. — Por aí com o lobo? Por quê? – Perguntou Stacey, enrugando seu fino nariz. — Ele precisava de um banho anti-pulgas? – Apesar do estreito relacionamento do bando com a pequena alcateia local, havia uma certa animosidade natural entre os grupos felinos e caninos. Um bom relacionamento na maior parte, mas isso não impedia as piadas. Por um momento, Luna quase admitiu a verdade, que ela e Jeoff estavam caçando, o que estava começando a parecer uma verdadeira conspiração para sequestrar pessoas. Talvez fosse a hora de pedir a elas ajuda com o segredo. Mas... Este era um segredo. Arik não só disse a ela que ficasse quieta, mas Jeoff também. E Jeoff, como chefe da empresa de segurança, era o perito. Havia uma pequena chance de que alguém do bando estivesse relacionado com os


desaparecimentos. Se dissesse a seu grupo e elas fofocassem, poderiam afastar qualquer possível suspeito. Manter esse segredo era o certo e tinham a responsabilidade de fazer isso, mas tinha que dizer algo às garotas. — Eu cheiro como um cão porque passei a noite na casa do lobo. – Tecnicamente era verdade. — Em breve eu e Jeoff estaremos passando algum tempo juntos... – Também verdade. — Como um casal. – Imaginou o assobio de uma bomba, caindo em seguida, “Kaboom!” Por um momento, o silêncio chocado prevaleceu, um pequeno silêncio – vivo. Logo os gritos prevaleceram. — Está saindo com o Sr. Calças Exigentes? — Uma gata e um cão? Qual será o próximo que virá para esse bando? – Gemeu outra pessoa. — Quando você tiver terminado com ele, posso ter minha vez?


Uma careta curvou os lábios de Luna antes que pudesse evitar. O ciúme crescente e repentino foi inesperado. Não havia nada de errado com a pergunta de Nellie. Luna era bem conhecida por sua paciência a curto prazo com os homens. Alguns duravam mais do que umas poucas semanas. Seu record com um cara era menos de três meses. “Só porque não encontrei o cara certo ainda.” – Um que não fugiria furtivamente para fora de sua cama e apagaria seu número de telefone. — Então, quando isso aconteceu?? – Perguntou Stacey. — Eu nem sabia, mesmo, que vocês dois conversavam. — Eu aposto que fizeram toda a conversa com a língua. – Nellie fez os sons de beijos e gestos de abraçar um homem invisível, o que fez com que o resto delas caíssem na gargalhada. — Ele está saindo com você? – Joan não conseguiu esconder a surpresa em sua voz. — O que você quer dizer com isso? – Espetou Luna.


— É só que ele é assim, você sabe, certinho e essas coisas. – Joan deu de ombros. — E você é tão... você sabe ... A observação foi assustadoramente próxima a de Jeoff. E por alguma razão, Luna se ofendeu. — Bem, nós estamos namorando, e vamos sair hoje à noite. — Onde? – Algumas delas perguntaram. — Em algum clube elegante. Ele vem me buscar em algumas horas. — O que você vai vestir? — Roupa é obvio. Stacey revirou os olhos. — Dã, roupa, mas de que tipo? — Qual o problema com a que uso agora? Aparentemente, havia um monte de problemas com os itens que tinha roubado do guarda-roupas de Jeoff. Era uma


coisa boa que seu grupo estava mais que disposto a ajudar – também conhecido como torturar e cobrir seu corpo com um vestido estúpido que era preciso depilar suas pernas, de modo que quando ela desceu às 21:00 da noite, ela estava coberta em todos os lugares corretos, penteada, seu cabelo ondulado, sua maquilagem feita à perfeição. Parecia uma garota – de alta classe – em sapatos vermelhos de salto, os que Melly descartou. Saltos estes que pareciam decididos a derrubar Luna de bunda no chão. As coisas que fazia pelo trabalho. Arik iria apreciar isso. Assim como Jeoff a admiraria. Embora não pudesse dizer por que isso importava. Oscilando à beira do salão, o murmúrio das conversas morreu quando seu falso namorado se virou para dar uma olhada. Felizmente ninguém no lobby comentou o fato de que usava um vestido. Ainda mais sorte, nenhuma das leoas estavam tocando em seu encontro. Garras para fora, ele é meu. Ao menos por esta noite era, e não importava admitir que parecia bom o suficientemente para comê-lo. Jeoff parecia


um pão-doce nerd, um garanhão em suas calças justas, em cima uma camisa azul marinho de botões e uma jaqueta escura. Os óculos, que abalaram totalmente o caminho da maneira correta, estabelecidos em cima do nariz. Faltava uma gravata, mas, no geral, estava absolutamente delicioso. Quando desfilou em direção a ele com os saltos que ressoavam obscenamente alto no chão, era impossível se aproximar silenciosamente de qualquer pessoa enquanto usasse esses bebês, ela não mostrou nenhuma expressão quando ele a olhou de cima abaixo, mas inclusive ele não pôde esconder o brilho de aprovação em seu olhar. — Eu não acreditava que fosse dona de um vestido. — Cuidado, cão, ou vai sair daqui sem língua. Ele sorriu. — E isso não seria um desperdício, dado o que sou capaz de fazer? A insinuação a fez tropeçar, ou talvez fossem os saltos. De qualquer maneira, ela caiu para frente, mas não teve que confiar em sua habilidade felina para pousar em seus pés


pois um certo lobo veio em seu socorro. Pegou-a e estabilizou-a, as comissuras de seus olhos se enrugaram em alegria. — Ponto. Acho que ganhei essa rodada. — Você está contando? — Você não? – ele perguntou. É claro que sim, e agora que ele tinha saído na frente por um, ela teria que alcançá-lo. — Vamos? – Ele ofereceu o braço, e ela entrelaçou seu braço no dele, e quando as garotas que estavam ao redor assobiaram e ronronaram, estendeu o dedo médio e soprou uma imitação de peido. — Mais tarde, cadelas! — Isso era necessário? – Ele perguntou enquanto mantinha aberta a porta de vidro para ela. Será que ele achava que ela era incapaz de abrir uma porta?


Isso é chamado de boas maneiras. Os homens arrogantes do seu bando nem sempre demonstravam. — Se isso era necessário? — Esqueça. Estou surpreso de ver que está fazendo todo o possível para esta noite. Como você se sente por ter que usar roupas? — Não é tão ruim quanto eu esperava, já que as meninas concordaram que eu não devia usar sutiã e a calcinha deveria ser a menor que existe. — O quê? – Ele tropeçou na calçada. Pobres lobinhos, eles não eram tão elegantes como os felinos. — Estou praticamente no comando. Isso faz com que seja mais fácil caso decida fugir para um banheiro no clube para ter um pouco de ação. — Não vamos fazer sexo. Vamos lá para fazer um trabalho. – As palavras surgiram entrecortadas.


Ela riu. — Relaxe. Não vou te machucar. – Só mais tarde. Rawr. — Mas tinha que fazer as garotas acreditarem que foi planejado. Se quisermos que esta farsa dê certo, então temos que ser um casal em público, no caso de haver um espião em nosso meio. — Por mais que me doa dizer, esse é, provavelmente, um bom ponto. Embora seja difícil acreditar que alguém do bando pode estar envolvido em fazer com que os de nossa espécie desapareçam. — Eu prefiro não acreditar que seja possível também. – Eu odiaria ter que matar um amigo. Para algumas coisas, não havia perdão, nem acordo. A justiça se aplicava rapidamente aos culpados. — Eu espero que ninguém esteja envolvido, mas até que tenhamos certeza, prefiro jogar disfarçada no momento. — Sendo responsável de novo. Você continua me surpreendendo. Pensei que as leoas gostavam de se arriscar. — Os riscos são bons quando só afetam a nós mesmas. Quando se trata de servir melhor aos que estão sob minha


proteção, então levo a segurança muito a sério. Mas... – se inclinou para perto. — ...quando se trata de prazer, não se preocupe. Sou mais selvagem do que você pode imaginar, – ronronou. Ele cambaleou. Impressionante. Algo também emitiu um sinal sonoro e as luzes piscaram em um carro estacionado perto da calçada. — Não me diga que é seu carro? – Murmurou, totalmente presa em sua adoração da “calcinha molhada”. Amava sua moto, não interpretem mal, mas em noites frias e dias de chuva, seria bom ter a comodidade de um veículo fechado. Como este. — É meu. Porra, seu Ford Mustang 2015, estava pintado em um louco e precioso vermelho cereja e resplandecia com o cromo


brilhante. Era inesperado. Ela tinha imaginado algo um pouco mais simples do lobo sensato. Por outro lado, o que sabia realmente de Jeoff? Claro, ele parecia um cara gostoso no qual praticamente toda mulher queria colocar suas garras, mas, ao mesmo tempo, era bastante distante do bando, especialmente das mulheres. Tinha encontros com humanos. Sua felina interior praticamente zombou da observação. Ou isso é o que acreditou, porque não queria o drama. Um pouco de drama é bom para o coração. Nos mantém fortes. O tédio, por outro lado, era realmente perigoso. Uma besta entediada seria imprudente. Luna ficava entediada frequentemente. Não ao redor de Jeoff, entretanto. Havia um monte de coisas interessantes a respeito dele. Apesar de seu exterior nerd – e realmente estava tendo um momento difícil, como


ver esses óculos como algo mais do que o acessório mais sexy, uma vez que não havia nada mais incrível que ele. Se ela ignorasse os trajes e os óculos, e por fim analisasse os fatos, o que ela sabia dele? Gerenciava uma empresa de segurança que empregava uma interessante mistura de seres humanos e lobisomens, membros de sua pequena alcateia que governava sendo o alfa. Assim tinha bolas, inclusive trabalhava para o bando. Algumas mulheres disseram que tocava guitarra em uma banda, outra coisa no cara que era totalmente quente. Lembra da sua televisão. Como podia ignorar o fato de que seu DVR2 não tinha uma só briga de UFC gravada? Nem as realísticas séries policiais. Nem um só reality show onde os participantes perdiam a cabeça. Sim, ela bisbilhotou. Se não o fizesse, como saberia mais sobre Jeoff? Por que precisava saber mais para poder analisar – enquanto bebia uma cerveja – Seu garçom favorito tinha que fazer parecer como se estivesse trabalhando quando dava um grande conselho de vida.


Indo para o lado do carro, ela não pôde deixar de passar os dedos ao longo do capô, acariciando o liso metal pintado. Tinha inveja total do automóvel. Alcançando a maçaneta da porta, Jeoff a abriu, mais uma vez, tratando-a como uma dama – ela riu dissimuladamente. Ele abriu a porta para ela e esperou até que ela colocasse as pernas para dentro antes de fechá-la. Não podia deixar de admirar o interior, talvez um pouco exagerado. Abrindo o lado do motorista, ele se deteve e piscou para ela. — O que você está fazendo no meu assento? Luna sorriu e estendeu a mão. — Eu vou dirigir. — Não, você não vai. Saia. — Ah, vamos. Não seja um cão rabugento. Quero ver o quão rápido este bebê pode ir. — Eu prefiro chegar vivo.


— Vou te mostrar que minhas habilidades de condução são impecáveis. Sei exatamente onde fica a caixa de câmbio. – Sua mão podia estar segurando ao redor da alavanca de marchas, mas seu olhar estava em um ponto abaixo da cintura dele. Ele limpou a garganta. — A resposta ainda é não. E como seu namorado responsável, insisto em que me escute, ou vou pôr fim a esta farsa agora mesmo. — Por causa de um carro? Ele passou a mão pela parte exterior do carro, movendo-a de um modo que ela teve inveja do painel. — Por este carro, sim. — Eu acho que isso é crueldade para com as gatas, só para que saiba – ela reclamou enquanto deslizava de volta para seu assento. — Para compensar, mais tarde te dou um pouco de creme.


— Sério? – Ela se animou em seu assento. — Sorvete de creme. E em público – acrescentou. — E nos chamam de maricas – murmurou. — Cinto. Para um homem que professava um amor por seu carro e temia ferir Luna, ele dirigia como... bem, como Luna. Rápido, furioso, com fortes cortes entre as pistas, explosões súbitas de velocidade e deslizamento em pontos estreitos, perfeitamente sincronizados. Luna o olhava fascinada, seu rosto tenso, com a mão em um firme controle sobre a alavanca de marchas, o leve aperto no músculo da coxa cada vez que tinha que trabalhar a embreagem. — Então, o que acha que vamos encontrar neste clube? – Ela perguntou.


— Não faço ideia. Depois de sair, consegui encontrar outro casal da alcateia que já esteve lá. — O que eles disseram? — Que não há nada estranho no lugar que não seja o fato de que suprem aqueles que procuram acrescentar um pouco de sabor à sua vida sexual. Aparentemente é um catering3 híbrido de seres humanos e shifters. Assim tome cuidado com a exposição de seu lado felino. — O que, sem exibição das minhas garras? Sem ir para baixo e ficar peluda na pista de dança? Ele lhe lançou um olhar. “O olhar”. Não funcionou, e não precisava dele lhe dizendo como se comportar. — O que mais sabemos? — Não estudou o lugar antes? – ele perguntou. Ela apoiou os pés no painel, ignorando o fato de que sua saia curta deslizou para cima e provavelmente deslumbrou a um caminhoneiro, já que eles passavam rapidamente. — O


estudo é para pessoas como você. Eu sou só os músculos aqui. – Melhor tirar isso fora do caminho agora. — Os “músculos” precisam colocar seus pés sujos longe do meu painel. — Está preocupado com meus pés? — Tire. — Se você insiste. – Ela moveu para o lado e os deixou cair em seu colo. — Melhor? Seus lábios apertaram, possivelmente de dor. Os saltos podiam ter cravado um pouco mais forte que o necessário em sua repreensão. — Então, o que mais descobriu? – Perguntou quando ele não disse uma palavra. — Dei-me conta de que é ainda mais irritante em lugares fechados.


Isso teria incomodado mais se ela não tivesse notado a protuberância em suas calças. E, sim, ela tinha olhado. Jeoff podia fingir que não gostava dela, mas uma certa parte dele pensava diferente, e era a única parte que realmente importava em um cara. Exceto por sua língua ... — É um milagre que alguma vez já tenha transado, com esse tipo de atitude, – ela se queixou. — A menos que... – Ela olhou para ele, sem se atrever a pensar nisso, mas ela certamente se atreveu a dizer. — Você é virgem, lobinho? É por isso que você é tão tímido? O carro desviou um pouco mais para o meio-fio do que deveria fazer. — Eu? Virgem? – Balbuciou as palavras com incredulidade. — Nem de perto. — Então você é um prostituto? — Que tal se nos restringirmos a pista que estamos seguindo? Sabe algo a respeito de onde estamos indo hoje à noite?


Claro que ela sabia, mas resumindo isso poderia ter revelado coisas que esqueceu. Dada a insistência, recitou os fatos. — Rain for est Menagerie abriu faz um pouco mais de um mês. De acordo com as pesquisas, é propriedade de um Gastón Charlemagne. Não tenho ideia de quem seja. Ele não se aproximou do bando, e ninguém se aproximou o suficiente dele para saber se é humano ou não. Fizemos algumas investigações de antecedentes, mas acabamos com as mãos vazias. Nos mostrou que emigrou da França, mas além disso, ele é um enigma. Nossas conexões no estrangeiro não têm nada para nós. — Ele estabeleceu seu negócio no centro da cidade. Com base nisso, eu acredito que, se ele fosse um de nós, nesse momento já saberíamos. Certo? Luna não conseguia parar de pensar na pessoa inteligente comendo aspargos para mascarar seu aroma e o cara que perseguiram no bosque. Um tipo que se movia mais rápido em dois pés do que um ser humano deveria, mas não cheirava como um shifter. No entanto, isso não significa que não era algum tipo de shifter. Alguém


determinado a esconder quem é poderia fazer, sobre tudo com a facilidade de conseguir através da Internet. — O que mais descobriu sobre este lugar? As pessoas com quem falei confirmaram que atendem principalmente casais, mas permitem que uma certa proporção de garotas solteiras entre. Quanto à própria clientela, há humanos e shifters igualmente. Felinos e Lobisomens em sua maioria, mas Barry disse que viu um urso em um encontro com uma humana quando ia com sua esposa. Aparentemente, eles voaram para festa no clube. — As pessoas viajam apenas para ver este lugar? – Exatamente que tipo de extras este clube ofertava? — No pouco tempo em que o lugar esteve aberto, ganhou uma boa reputação. — E deixam que qualquer casal entre? — Acho que vamos descobrir agora que estamos aqui.


A rua fora do clube estava lotada, muito cheia. Carros se alinhavam em ambos os lados da rua, o que significava que Jeoff tinha que estacionar a várias quadras de distância, de maneira ilegal se podia acrescentar. — Alguém vai rebocar seu traseiro – ela disse, apontando o hidrante. — Não, eles não vão. – Ele sorriu enquanto inclinou em sua direção, tão perto que seu perfume masculino rodou entorno de uma mistura inebriante. Podia ver refletida em seus olhos quando se lançou entre os assentos para pegar algo. Fale de uma garota com falsas esperanças. Colocou uma placa de serviço no para-brisa. — Eu preciso de um desses. — Não se atreva a pensar em roubar o meu – ele rosnou. Ela sorriu. — Você acha que eu faria uma coisa dessas?


— Sim. – Quão bem ele a conhecia. Antes de ele sair do carro, disse: — Eu acho que você pode aguentar uma pequena caminhada. Nestes saltos? — Eu farei. Ela nem sequer chegou até a calçada. De pé sobre a grade de esgoto, mas bem perto do carro, seu salto prendeu no metal, perguntou-se por que tinha deixado que as malditas felinas a vestissem como uma menina. Provavelmente porque eu sou uma menina. “Escutem ela, Rawr!” Entretanto, deveria ter delimitado a linha nos sapatos. Em geral, os lugares que visitava não se importavam se ela usava jeans, uma camiseta insultando a um grupo de pessoas, em sua maioria loiras como ela, tênis de corrida – ou kickers4 de merda se achava que poderia ter que dar uma patada em alguém.


Porém, para a excursão desta noite, ela queria uma boa aparência... para Jeoff. Tossiu. Apertou a mandíbula. Suspirou. Na verdade, estava com sua respiração ofegante, o suficiente para que quando Jeoff deu a volta ao redor do carro, pôs um braço ao redor dela, perguntasse, — Você está bem? — Sim. – Bem. Muito bem, exceto pelo fato de que ela gostava de um cachorro idiota e queria impressioná-lo. Que vergonha para ela. — Só que meu pé ficou preso. — Você simplesmente não podia esperar para que te desse a mão. – Jeoff baixou o olhar até seu dilema e em seguida para ela com um movimento de cabeça. — Eu sou perfeitamente capaz de abrir a porta do carro e sair por mim mesma. — Aparentemente, não. – Seu olhar zombeteiro foi até seu pé. Ela tirou seu pé livre do carro, deu um passo, e se encontrou com seus dois saltos presos na grade estúpida.


Seu grunhido de aborrecimento o fez rir. — Isto é culpa sua. — Por que diz isso? Não sou eu que estou usando o calçado mais estúpido. — Você estacionou aqui de propósito. — Sim, fiz isso, para que você ficasse presa porque esse é o tipo de pessoa que eu sou. A brincadeira não ajudou, mas sim, intensificou o calor de seu olhar. — Vou te ajudar. – Ele ofereceu, mas ela, sendo uma leoa muito orgulhosa, recusou. Ia conseguir se soltar, muito obrigado. O primeiro salto ficou livre com relativa facilidade. O segundo, nem tanto. Um puxão dela causou um som rangente e não discernível. O sapato se soltou, o salto também o fez, mas caiu com um respingo zombador em algum lugar abaixo da grade.


Agindo tão indiferente como pôde, uma característica de gato que era muito prática, ela subiu na calçada com apenas uma pequena oscilação, desequilibrada. Alguém notou? Clique. Clunk. — Dê-me seu pé – ele ordenou. — Não. — Dê-me. — Não. Estou bem. – Clique. Clunk. Deu alguns passos cambaleantes. — Cabeça dura. Porra, tão teimosa. – Disse ele em um suspiro. Entre uma respiração e outra, viu-se jogada sobre um ombro, cabeça para baixo, bunda para cima, com os punhos cerrados deu murros.


— Ponha-me no chão. — Em um segundo. Fique quieta enquanto tiro estes e ponho outros sapatos em você. Ela se acalmou. — Que outros sapatos? — Os que estão em meus bolsos. Alguém os colocou, lá no condomínio, quando eu não estava olhando. — Deixe-me ver. — Você os verá uma vez que estejam em seus pés. Já que ele parecia decidido, ela o deixou trocar seu calçado. Qualquer coisa era melhor que esses malditos saltos. Ela deveria ter dito a Melly que os usasse. As sandálias de tiras foram retiradas e substituídas por – olhou para seus pés com assombro quando ele a colocou de pé de novo. — Chinelos? – Uns de luxo com imitação de diamantes. — Ao que parece suas amigas previram que poderia ter problemas.


Essa seria Reba. Pelo menos tinha escolhido sandálias que combinavam com o vestido de noite. Não eram, entretanto, para a lama na calçada de uma construção em um terreno baldio. Antes que pudesse desviar para a rua, encontrou-se de novo no ar e carregada ao estilo princesa. A novidade foi divertida. Geralmente, era levada à força, jogada sobre um ombro de Leo ou de algum dos outros meninos do bando com seus insultos e a contra gosto. Mas Jeoff a tratava como se fosse delicada. “Delicada!” – Felizmente, ninguém do seu grupo estava escondido ao redor para apontar e rir. Desde que parecia determinado, aproveitou, e encostou o nariz contra o pescoço dele e aspirou. — O que está fazendo? – Não havia nenhum indício de exasperação que ela amava provocar. — Cheirando você.


— Para quê? — Apenas no caso de você se perder. — Por que eu iria me perder? — Você é um cão. Acontece todo o tempo. Ou não presta atenção aos cartazes nos postes por aí a fora? — Como muitos felinos, você sabe que eu sei. Ela o mordeu. Forte. Deveríamos arranhá-lo também. Deixar uma marca. — Ai, o que foi isso? — Preciso de uma razão? — Leões – reclamou, em vez de responder. Uma vez que chegaram a uma parte limpa da calçada, não a colocou imediatamente no chão.


Ela se retorceu em seu agarre. — Eu posso andar, sabe. — Sim, eu sei, mas se eu te levar é menos provável que tenha problemas. — Saiba que eu não costumo ficar em apuros com frequência. — Fiquei sabendo da briga na casa do bando, na Churrascaria dos leões. — Aquela cadela certamente mereceu a bebida que joguei em sua cabeça. Ela tratou a minha prima de terceiro grau, como empregada e a fez chorar. – Ninguém se mete com a família de Luna. — E a noite que passou em uma cela na delegacia por perturbar a paz? — Você ouviu falar disso? – Ela sorriu. — Não é minha culpa que nós vivemos em uma sociedade reprimida. Tudo o que Joan e eu estávamos tentando ver era se a expressão “os 'mamilos podem cortar vidro” era real. Fazia frio nesse dia.


E ambas estávamos nos divertindo com alguns projetos impressionantes. Estúpidos reprimidos chamaram a polícia. Exibicionismo minha bunda. Ao se aproximarem do clube, a batida distante da música vibrava no ar, ele finalmente a deixou no chão. Entrelaçando seu braço no de Jeoff – conseguiam parecer como um casal real – enquanto caminhavam para o clube, mais do que outro casal sujo que iam para a ação. Situado na zona de armazéns, dois e três edifícios históricos, grandes atarracados e escuros, elevavam-se. A maioria deles pareciam fechados a esta hora da noite, e se não fosse pelo clube, provavelmente estaria deserto. O predador dentro dela se deu conta das sombras e, possíveis pontos de emboscada. O instinto era o caminho mais importante para a sobrevivência. Dado que Jeoff não parecia inclinado a falar, ela o fez. — O lugar parece estar muito cheio. Vi uma fila enquanto nos dirigíamos para cá. – Ela também reparou nas roupas muito mais desagradáveis que as dela.


— Você teme que não vamos ser um dos garotos mais populares que deixem entrar no lugar? — Oh, eles vão me deixar entrar. Exceto que a princípio, o cara da portaria não parecia muito inclinado. Olhou para baixo para Luna, literalmente para baixo de seus dois metros e treze de altura. Construído como uma mega besta, entretanto, não cheirava como um shifter. Sua colônia – que parecia muito a pinho – dos purificadores de ar para automóveis – praticamente queimou seu nariz, e este homem, um passo a cima dos macacos, pensou que deveria impedir sua entrada. — Sem RG. Não entra. – O cara grande cruzou os braços e zombou dela. Desde quando RG era um requisito para entrar em um clube? Luna não trouxe nenhuma com ela. Os shifters não costumavam levá-los para o caso de precisarem correr. Só um idiota deixava seus documentos pessoais por aí para que alguém os roubasse.


Jeoff veio em seu socorro. — Eu te asseguro, que ela é maior de idade. — Geralmente, eu poderia me ofender por alguém me chamar de adulta, mas desta vez, vou permitir, – murmurou. Podia agradecer a ele pela magnanimidade mais tarde. — Talvez ela seja. Mas talvez não seja – rugiu o gorila. — Vi crianças de dezesseis anos parecerem mais velhos que ela. Sinto muito. Ela não entra. Desde que Jeoff parecia decidido a discutir um pouco mais com o cara, porque isso era algo que Luna tentava taaaaaaanto evitar, recorreu a seu modus operandi habitual. Pegando a camisa do grande gorila em dois punhos, ela deu um forte empurrão, o abaixou a seu nível, e o manteve ali. — Escuta, menino grande. – Ela sussurrou as palavras, ditas em voz baixa, com suavidade, mas sabia que a expressão em seus olhos era justamente o contrário. — Vai deixar de me barrar agora e vai me deixar entrar no clube. Você quer me deixar entrar neste clube. Porque, se não o fizer, tenho um


grupo de “gatinhos” que em um acesso de raiva é capaz de lidar com você, que deixará marcas permanentes em suas costas e que vai te arruinar para as outras mulheres. — Como você é tão forte? – perguntou. Ela o puxou para mais perto. —Você não quer saber. — Ela tem razão, você não quer, – acrescentou Jeoff. — Confie em mim nisso. — Agora, você vai parar de me irritar e me deixar entrar? – ela perguntou. Com os olhos arregalados, o porteiro assentiu. Isso poderia ter a ver com a espetada de suas garras. Ou o maço de dinheiro que Jeoff deu para o rapaz. — Obrigado, amigo. – Jeoff manteve a mão com firmeza na curva de suas costas e a empurrou para as portas. — Eu tinha tudo sob controle.


— Você não pode se colocar em perigo com todo mundo com quem temos que conversar. — Eu não estava em perigo. Apenas dava um aviso. — A partir de agora, deixe-me lidar com as conversas. — Posso ver que tipo relação vai ser esta, – ela reclamou. — Uma de vida-curta se você não se comportar. Suponho que não ganhe nenhum ponto em te dizer que se comporte. — Depende, vai bater em mim se não fizer? — Isso importa? Ela piscou. — É obvio que importa. Se prometer surrar minha bunda se não me comportar, então farei o impossível para me comportar mal. Mas estou começando a pensar que você é todo conversa, e nenhuma ação. Com isso, avançou para um beijo, deu-lhe uma piscadela, e em seguida desfilaram através das portas do clube.


O que nรฃo esperava era a forte palmada em seu traseiro quando a alcanรงou!


í

Jeoff Ao contrário da maioria das garotas, Luna não gritou quando dei o tapa que merecia em seu traseiro. Em vez disso, ela soltou uma risada rouca e agarrou seu braço. — Não foi ruim. Eu não me importo nem um pouco. Mas tenho certeza de que você pode fazer melhor. — Você parece um moleque. – Ele estava acompanhando uma Leoa mal comportada - em um clube cheio só para casais, baixo profundo e no auge que chamava seu lado selvagem. Você deve resistir. Nada de bom acontecia quando sua besta assumia e mostrava seu lado mais primitivo. O gorila era aparentemente só a primeira camada de segurança. A próxima envolvia belas mulheres com


pranchetas, que levavam para o lado de qualquer pessoa que entrava e não usava uma pulseira. — Bem-vindos ao clube Rain forest Menagerie, – disse a pequena ruiva. — Meu nome é Candy, e como vocês são novos no lugar, só preciso que preencham este pequeno formulário de interesses, certifiquem-se de que entenderam as regras, e então vocês podem entrar. — Que tipo de regras? Luna perguntou confiante, provavelmente porque as leoas preferiam ir por sua própria conta. — Apenas o básico. O respeito a outros clientes no clube. Prometer não drogar a outros membros ou fazer qualquer coisa que possa obrigá-los a agir de maneira que normalmente não o fariam. As regras se resumiam, a não ser um idiota e não ter nenhuma má intenção. A "lista de seus interesses e atividades físicas", por outro, mostrou-se muito mais interessante.


Jeoff se perguntou como deveriam preencher o questionário. Sentada a seu lado em um banco coberto de couro sintético, Luna se inclinou para sussurrar: — Eles querem saber com que frequência transamos. – Uma das perguntas mais comuns. Ela lançou um olhar astuto ao guarda que mantinha um olho sobre ele. —Eu devo contar as chupadas que te dou no chuveiro ou apenas o sexo? – Ela bateu os cílios para Jeoff, e ele agradeceu pela prancheta estar apoiada sobre seu pênis. Maldita mulher sabia como excitá-lo. E excitá-lo, queria dizer mais duro que as fodidas vigas de aço que mantinham a maioria dos edifícios em pé. A questão do sexo era só a ponta do iceberg. Eles queriam saber de suas orientações sexuais. Se gostavam de troca de casais. Ou de voyeurismo. Era a coisa mais estranha que Jeoff já tinha preenchido. Mas uma vez que o fez, e que tinham pago sua quota no clube – que Luna iria cobrar de Arik – ganharam suas próprias pulseiras e permitiram a entrada ao próximo nível do clube. O lugar estava moderadamente cheio, a tênue iluminação permitiu ver a garota do guarda-volumes. Jeoff optou por


manter sua jaqueta. Luna tirou o casaco, e ele realmente teve uma visão de sua roupa. Acredito que ela perdeu parte dela. Sem dúvida, algo saiu por cima do espartilho, o elegante laço negro firmemente apertado ao redor de suas costelas, deixando seus seios elevados, mal contidos pela regata de seda fina que levava debaixo dele. A parte superior dos ombros nus, assim como a pele entre o espartilho e a saia que abraçava seus quadris. Uma saia a qual levava, segundo suas próprias palavras, somente um pedaço de tecido. Um cão de verdade teria colocado a cabeça sob a tira de tecido para dar uma espiada. Como um lobo com um certo número de anos, ia fazer o correto e esperar até que se inclinasse. Luna e a garota do guarda-volumes trocaram o xale por um ticket, um ticket que conseguiu colocar em seu vale de sombras.


—Tenho bolsos, você já sabe. – Um na frente que ela poderia tatear mais tarde em busca do ticket. Ele enfiou as mãos nos bolsos. — Mas desse jeito você vai ter que me ajudar a encontrá-lo. – Ela piscou os olhos. Ela entrelaçou seu braço ao dele antes de guiá-los para as portas duplas, guardadas por outro gorila, que levava ao clube de fato. — Vamos nos divertir um pouco. — Estamos aqui para procurar pistas. — Isso não significa que não podemos nos divertir enquanto o fazemos. As portas se abriram e um tsunami sonoro se derramou sobre eles, alto e o suficientemente espesso que praticamente os agarrou e sacudiu. Seus dentes vibravam nos graves profundos. A pele zumbia também. Era o ruído, puro e simples e, entretanto, havia algo no pulso que vibrava, um instinto primário dentro de sua percussão que o chamava. Chamando Luna e a todos os outros no lugar.


Os movimentos se converteram em dança, não porque queriam, mas mais porque não podiam evitar a si mesmos. Cada passo tinha uma vibração excessiva. Cada passo a diante um pouco de rebolado. A canção exigia adoração, e o corpo tinha que responder. Não foi a chamada insistente da música que o congelou no lugar, mas sim o que viu além das portas. Por um momento, esteve tentado a ir embora. Ele não pertencia a este lugar. Lembrou da conversa que tinha tido mais cedo com Arik. — Eu não vou levar uma felina psicótica comigo. — Sim, você vai, para suavizar o golpe, vou dobrar sua tarifa habitual. Eu prefiro que ela vá com você do que ir sozinha. Porque Luna por si só não era algo para ser visto. Um lugar como este era um pouco mais do que queria contemplar. Talvez fosse um hipócrita como Luna o acusou de ser. “Isso é um trabalho. Supere isso.”


Luna não parecia preocupada com o ambiente. Ela entrelaçou os dedos nos dele e puxou-o em seu caminho. Fizeram uma distância considerável além da porta, o interior estava cheio, mas não cheio de parede-a-parede. Ainda era possível se movimentar e havia um pouco de espaço disponível entre os corpos que giravam. Enquanto que outros corpos estavam tão perto que pareciam um só. Ficaram na beira da pista de dança. Encostados em uma coluna, Jeoff não ficou tenso – não muito pelo menos, quando Luna se apoiou sobre ele e ficou nas pontas dos pés. Segurou sua cabeça, levando seus lábios até sua orelha. Dava uma impressão de intimidade. — Parece normal até agora. Meio decepcionante, se você me perguntar. Ele acariciou seu pescoço, deixando que o fumê de suas lentes ocultasse o fato de que ele observava com avidez o lugar. Deixou que seus lábios vagassem pela sua orelha, no papel de um amante enlouquecido. Não era difícil de fingir. — Depende do que você considera normal. A maioria dos clubes não tem pessoas que fodem em jaulas. – Talvez levassem em conta que não podiam realmente vê-los. A gaze


fina sobre a gaiola projetava só suas sombras, mas o que as sombras faziam... Sem dúvida era classificação X. O riso borbulhou quando ela respondeu. — Então você não sabe onde passar um bom momento. Não, o que ele sabia é que preferia manter seus assuntos particulares em privado. Não entendia por que as pessoas queriam realizar fantasias íntimas em público. Muitos olhos sobre ele provocavam coceira em sua pele, assim como muitos olhos sobre a figura bem torneada de Luna deixou-o feroz. “Marque-a e eles saberão que ela é nossa.” Seu lobo estava realmente conseguindo ser chato com suas sugestões. — Acho que não vamos encontrar nada aqui de pé. – Além de uma possível necessidade de visitar de repente uma clínica para algumas vacinas, quando um ser humano, usando shorts de couro áspero e uma coleira, tropeçou nele.


Com as mãos pressionadas contra seu peito, Luna apresentou um sorriso para ele, um sorriso doce contaminado por um brilho malicioso nos olhos. — Vejo que o Sr. Prudêncio está de volta. Você está com esse olhar em seu rosto. — Qual olhar? — O olhar que diz que as pessoas que estão se divertindo nessas jaulas devem conseguir um quarto. — Eu não vejo o que há de errado em ter um pouco de privacidade. — A privacidade é para aqueles que têm algo a esconder. – Ela se aproximou mais, o comprimento de seu corpo pressionando contra o dele. Brincadeiras como estas são as que o fazem pensar em mandar a privacidade para o inferno e agir diferente de seu caráter. Como a provocação em seus olhos, que fez com que agarrasse a mão dela e a pressionasse contra a frente de suas calças. — Agora você deve saber que não tenho nada do


que me envergonhar. – Ele deveria saber melhor do que achar que poderia tentar surpreender Luna. Onde outra garota poderia ter gritado, esbofeteado, ou mesmo rido, Luna apenas teve que se ajustar. Ela apertou seu pacote, levantou o queixo, um olhar pensativo em seu rosto enquanto refletiu em voz alta. — Ver e tocar, são duas coisas diferentes. Então vamos ver o que temos aqui. – Apertou. — Circunferência decente. – Esfregou. — Excelente reação ao estímulo. Muito longo também, o que é sempre uma vantagem. Em geral, não é ruim. “Não é ruim.” – Não era um elogio que um homem quisesse para si mesmo. Antes que pudesse envergonhá-lo ainda mais, ou insultar sua virilidade a tal ponto que murchasse sem reparação, ele a agarrou pela mão. — Vamos tomar uma bebida. Desta vez, ele liderou o caminho, tecendo através dos corpos, esquivando-se dos pilares com as prateleiras em volta e sofás onde os homens se sentavam com mulheres montadas em seu colo. Ele tinha certeza de que mais de uma saia escondia alguma ação travessa.


Para sua surpresa, ele notou um garoto de sua alcateia em um dos sofás, junto com uma mulher que não era sua esposa. Isso o incomodava. Nunca entendeu as pessoas que traiam suas companheiras. Em seu mundo, uma vez que se comprometia com alguém, o compromisso significava algo. Sua palavra significava algo. Como você pode trair à única quando a encontra? “Vamos ser fiéis à nossa mulher”. “Que mulher?” – Sério, realmente precisava que seu lobo o respondesse? Ele ainda estava sob a louca impressão de que Luna significava algo. A Leoa seria dele? Só se ele fosse embalsamado e dissecado. Essas mulheres selvagens eram difíceis de controlar, até mesmo se conseguia uma para si mesmo, ele poderia esquecer que tinha uma vida. Iria precisar de outro emprego para pagar a fiança. Chegaram ao bar. Ele pegou uma cerveja do barman exausto, enquanto Luna tinha algo com um guarda-chuva. Virou, e se apoiou no bar para examinar o lugar. Luna se


apoiou contra ele, sua proximidade uma distração da qual não podia se desfazer. — Você vê alguma coisa? – Perguntou em voz baixa, sabendo que ela o ouviria. Excelente audição era algo que a maioria dos shifters tinha. — Muita gente fodendo. Mas nada que grite assassino psicopata sequestrando pessoas. Ele suspirou. — Estamos tendo algumas suposições aqui. Por um lado, não sabemos se existe um assassino. — Mas as pessoas estão desaparecendo, e em circunstâncias estranhas. Você parece estar dizendo que não devemos tirar conclusões precipitadas. Então, o que devemos fazer? Por que estamos aqui, se você não acha que há uma conexão? Por que de fato? Não era como se pudessem mostrar fotos das pessoas desaparecidas e perguntar a todo mundo por aqui. Isso iria derrubar os disfarces deles, e ele não queria fazer isso ainda. — Aquele casal de tigres eram conhecidos por vir aqui, assim como o de lobos desaparecidos. Nós não


temos certeza sobre o terceiro casal. Eu diria que dois em cada três é uma coincidência muito grande, mas ao mesmo tempo, não posso ter como base uma suposição. E se estivermos errados? — E se não estivermos? E se o dono deste lugar está envolvido em algum tipo de esquema swinging para o tráfico de shifters? Era uma possibilidade. Tinha ouvido sobre o tráfico de shifters acontecendo em outros estados, mas não era comum. O fato de que os desaparecimentos tinham começado quase na mesma época em que o clube abriu era interessante, entretanto. — Não vamos descobrir nada aqui de pé – ele observou. Certo. Deixou que o agarrasse pela mão, levando-o desta grande câmara através de um amplo arco a uma segunda, onde a música era ainda mais alta e o espaço ainda mais cheio de corpos. Aqui, não havia cadeiras ou sofás para descansar. As luzes do teto brilhavam coloridas, dançando, projetadas pelas


bolas de discoteca espelhadas. Ao longo da parede esquerda da sala se estendia um longo bar com bancos. As pessoas se apoiavam nela, alguns bebendo, alguns de pé olhando aos que giravam na pista de dança. Aqui a separação de casais era menos distinta, com corpos ondulando em um frenesi em massa, movendo-se livremente com a música. — Eu vou mais para o fundo. Continue assistindo... – Antes que Jeoff pudesse dizer não, Luna mergulhou para longe dele, empurrando-se no meio dos corpos amontoados em movimento. Já que não tinha a intenção de se juntar a ela, Jeoff bebeu o resto de sua cerveja e se dirigiu ao bar. Em sua experiência, era geralmente o melhor lugar para encontrar informações. Encontrou um lugar em uma extremidade do balcão. Levou apenas um momento para que o barman que atendia esta seção – um cara grande de pele negra que usava apenas calças jeans, que pendiam baixo em seus quadris, deixando seu impressionantemente torso musculoso nu – para chamar a atenção.


O barman colocou a mão sobre o balcão e se inclinou para frente com um sorriso, seus dentes brancos brilhantes, com exceção de um coberto em prata com um símbolo gravado nele. Tão perto, que Jeoff podia sentir o cheiro de urso; o barman era sem dúvida um shifter, um urso pardo, apostaria. — O que posso fazer por você? – Perguntou o barman. — Vou tomar o que tiver no barril. – Jeoff apoiou um cotovelo no balcão, a imagem da indiferença enquanto deixava seus olhos dançar sobre a multidão, onde via facilmente a juba loira de Luna batendo no meio deles. Ela não dançava sozinha. Pelo contrário, ela estava cercada por duas mulheres e dois homens. Uma leoa que brincava no meio. Não parecia se incomodar que houvesse uma grande quantidade de toques e roçar ao passar, assim como o inapropriado deslizamento de partes do corpo. Isso não a incomodava, mas com certeza, como o inferno, isso o incomodava. Por quê? Luna era uma mulher adulta. Se ela queria dançar, podia dançar. Se queria deixar que


aqueles pervertidos a tocassem, essa era sua escolha também. “Não toquem. Morda-os.” Seu lobo soava tão irritado quanto ele. Não ajudava que sua mente continuava tentando fazê-lo entender algo. Não. Eu não farei isso. No momento, a negação era sua melhor amiga. O barman colocou um copo diante dele quase cheio até a borda com um líquido dourado coberto com um toque de espuma. Jeoff notou que ninguém mais tentava competir por sua atenção, então ele pensou, esse é o melhor momento para tentar começar uma conversa? — Eu sou Jeoff. — Malcolm – respondeu o homem atrás do balcão. — Hey, Malcolm. Esta é minha primeira vez aqui, e puta merda, eu tenho que dizer, porra, este lugar está cheio.


— Porra. Nos últimos tempos, tem sido assim quase todas as noites. Temos gente vindo para nos ver de todo o país. Aparentemente, somos o número um para os swingers. Suponho que está aqui com sua velha? “Luna enlouqueceria se ela ouvisse Malcolm a chamar de velha.” — Sim. Ela é uma coisa brincalhona. Sempre me arrastando para experimentar novas merdas. – Brincalhona era um eufemismo. — Não há nada de errado com um pouco de tempero. Isto ia um pouco além de tempero para sua mente. — Você trabalha aqui há muito tempo? – Perguntou. O barman sacudiu a cabeça. — Não. Eu comecei na semana passada. Na verdade recebi uma oferta de um lugar que estava trabalhando na Costa Oeste. Fizeram-me uma proposta para vir servir bebidas. Louco como a merda, né? Onde já se viu um barman conseguir uma oferta? Mas o dinheiro é bom. E as gorjetas ainda melhor. – Isso era uma dica sutil? Jeoff jogou uma nota de vinte. O barman sorriu e a colocou na cintura de suas calças.


— Então além desta sala e a que tem os sofás, o que mais se pode esperar? — Você deve explorar e descobrir. Eu odeio estragar a surpresa para você. Este clube é um paraíso para os sentidos eróticos. — Eu pensei ter visto um segundo piso. O que acontece ali? Malcolm negou com a cabeça. — O segundo piso está fora dos limites dos convidados. É o escritório da administração e essas merdas. Coisas chatas. Não se preocupe, há um montão de coisas para te manter entretido aqui. Um montão, de fato, uma vez que Luna veio ziguezagueando seu caminho de volta para ele, os lábios brilhantes e separados, corpo ondulando de maneiras que faziam com que as pessoas a olhassem. Podia mentir tudo o que queria, e a razão pela qual chegou até ela era para demonstrar sua falsa afirmação, para manter a pretensão de sua chamada relação. Na verdade,


atraiu-a para si porque queria. Malditamente simples. Ele gostava de tê-la perto dele, tocando-o. — Eu vejo que alguém está finalmente se soltando. Venha. Vamos dançar. Jeoff realmente não queria, mas Luna não lhe deu outra opção. Ela o puxou pela mão, arrastando-o para a pista de dança. Resistir era inútil, especialmente uma vez que ela pôs suas mãos nos quadris e começou a girar contra ele. As luzes começaram a piscar, refletiam-se e brilhavam enquanto desciam sobre eles uma fina camada de poeira brilhante. O brilho revestia sua pele, entrando em sua boca, inalado em cada respiração. Sem cheiro. Sem sabor. Só mais um truque empregado por um clube para entreter aos clientes. Apesar da relutância de Jeoff, seus quadris se moviam, suas mãos circularam pela cintura de Luna e a mantiveram perto. Seu aroma o cercava. “Porra ela cheira tão bem.”


A proximidade de seu corpo, o calor ardente entre eles, tornava difícil lembrar por que estava ali. Ele tinha um propósito. “Sim. Tome a fêmea. Esse é nosso objetivo.” Não, havia outra razão pela qual estava aqui. Algo diferente que não fosse a forma em que seus lábios se entreabriam convidando-o a moer sua pélvis contra a dele, 0 que o fez querer girar ao seu redor e tomá-la. Aqui e agora. Loucura. Eles estavam em público, um fato ao qual ele se agarrou. Ele tentou se distrair olhando para o outro lado, verificando a multidão, mas em todos os lugares que olhava, pessoas se agarravam, entre beijos e carícias. Por uma questão de fato, ele e Luna eram os únicos que não estavam em um abraço tórrido. Estava excitado. Isso o incomodou. Agarrou-a pela mão e voltou para o primeiro ambiente, a sala com os sofás e, com sorte, uma aparência de sanidade. Não encontrou nenhuma. Na verdade, aqui as coisas tinham se tornado muito nuas e suadas. Sem dúvida, os atos em


curso não eram proibidos por lei? Todo o lugar parecia ter se tornado selvagem, sucumbindo à necessidade carnal. E ainda as luzes cintilavam e o pó brilhava. Ao seu redor, o erotismo abundava, e embora lutasse para reter seus sentidos e a moral, no final, Jeoff descobriu que não era imune. Quando Luna o agarrou pelas bochechas e o beijou, ele não a parou. Pelo contrário, seu sangue aqueceu até o ponto de ebulição quando a língua dela fez uma incursão sensual em sua boca. Rendendo-se ao momento, deixou que suas mãos vagassem. Agarrou seu traseiro cheio, a puxando com força contra ele, apertando contra seu corpo. Um desejo selvagem queimando nele. Uma necessidade de possuir esta mulher. “Tome-a agora.” “Sim. Sim.” – Ela era dele. – “Minha.” – Só precisava se afundar nela.


À medida que suas mãos cavavam debaixo de sua saia curta, deixou que sua boca queimasse um rastro por seu pescoço, chupando a pele sensível. Em um gemido alto, não dele ou de Luna, seus olhos se arregalaram, e ele viu outros casais em torno dele, nenhum deles sequer tinham a pretensão de dançar ao se chocar contra o chão em um frenesi de membros e quadris empurrando. Uma parte dele reconheceu que isto não era normal. Ele não estava no controle de si mesmo, e essa realidade foi suficiente para trazer um pouco de sanidade. “Isto não está certo. Isto não é normal.” Ele agarrou a mão de Luna e se dirigiu para a saída, não pela que eles tinham entrado, mas a mais próxima que viu, letras vermelhas que prometiam uma fuga. Quando ele abriu a porta, um alarme sonoro disparou, mas a corrente fresca de ar frio que fluiu fez muito para ajudar a limpar sua cabeça. Mas não fez nada para ajudar aos que ainda estavam lá dentro.


— Hey, você não deveria usar essa porta. – Um sujeito vestido de preto, com uma identificação de segurança e a marca declarando que era da equipe, agarrou a porta e bloqueou sua saída. Olhou Jeoff, a ponta de seu cigarro pendendo de sua boca, fumaça cinza ondulante saía dela. — Justo o que eu preciso – disse Jeoff. Ele agarrou o cigarro aceso e voltou para dentro, ignorando o segurança, — O que diabos você está fazendo? – Disse o sujeito. O que ele estava fazendo era pôr fim à orgia nível cinco pelo que seria declarado um incêndio nível 1. A cidade insistia que as empresas aderissem a seus códigos de incêndio, e um deles insistia em detectores de fumaça, muitos deles, especialmente em lugares como estes, onde às pessoas gostavam de se esgueirar para umas baforadas da Mary Jane ou algo um pouco mais forte. Apanhando um guardanapo perdido do chão, Jeoff o acendeu com a ponta acesa do cigarro. Imediatamente começou a fumar, o fedor acre revivendo a atração erótica que ainda existia no clube. Deixou cair o guardanapo que foi queimado em um cesto de lixo e voltou para a porta para


encontrar Luna e inclinada contra ela, de pé, estava o corpo inerte do gorila. — Por favor, diga-me que você não o matou. – A papelada fedia. — Não, ele só teve que dormir no trabalho. – Ela sorriu. — O idiota nem viu isso acontecer. Os seres humanos não esperavam conseguir ser derrubados por alguém que pensavam ser mais fracos que eles. Eles viam uma pequena loira, com um sorriso diabólico e um corpo delgado, e nunca esperavam seu perverso gancho de esquerda. Aparentemente, Luna era campeã quando se tratava de golpear as pessoas e deixá-las inconsciente. Ou esse era o rumor que se afirmava. Jeoff preferiu não experimentar por si mesmo. Enquanto saía pela porta, um alarme soou, o tom estridente. Mais inesperado, entretanto, foi os sprinklers ligando, regando o lugar em uma ducha de água fria. À medida que a sanidade voltou sob o frio dilúvio, ouviu ao menos uma pessoa exclamar: — Que porra aconteceu?


Uma porra, de fato. Saindo para o beco, deixou a porta bater fechando atrás dele, mas duvidava que permanecesse fechada por muito tempo tendo em conta o que tinha feito. Com os olhos um pouco vidrados e os lábios inchados pelo beijo, Luna franziu o cenho enquanto balançava sobre seus pés. — O que há de errado comigo? – As palavras estavam um pouco arrastadas. —Você me alimentou com um sedativo? — Não, mas eu acho que alguém no clube fez. – Ele passou um braço ao redor de sua cintura. — Venha. Vamos sair daqui. Luna se apoiou nele enquanto se moviam pelo beco entre os edifícios. Atrás deles, ouviu a porta bater aberta, golpeando a parede de tijolo do edifício. Uma cacofonia de ruídos encheu o ar da noite, quando as pessoas derramavam em uma conversa animada.


Ao dobrar a esquina, ele e Luna os deixaram para trás e, pela segunda vez em dois dias, ouviu o som distante das sirenes. Luna tropeçou e ele apertou seu braço ao redor dela. — Você está bem? – Perguntou. — Não. Alguém me drogou. – Ela soava mais sonolenta. — Alguém drogou a todos nós. — Mas como? Quer dizer, eu tomei só alguns goles da minha bebida. Outras pessoas ali estavam bebendo por mais tempo, e mesmo assim, todos começaram a agir como loucos ao mesmo tempo. — Eu não sei o que era. – Mas ele suspeitava de um certo pó brilhante. — Talvez houvesse algo no ar. – Uma coisa que não tinha cheiro, porque todos os perfumes e o suor já mascaravam os odores no lugar.


Ela virou em seus braços, pondo as mãos sobre seu peito. — Você acha que o que aconteceu está relacionado com os casais desaparecidos? — Não sei. Quero dizer, ter uma sala cheia de pessoas que decidem fazer uma orgia, está longe de sequestro e de limpar todos os rastros deles. Seu nariz enrugou. — Eu era como uma gatinha no cio. Se não fosse por você, poderíamos ter feito... Como é que você não foi afetado? Ia culpar as drogas persistentes por dizer: — Afetou-me, mas vou salientar que não preciso de nenhuma droga para conseguir me excitar ao seu redor. As palavras escaparam, e ele queria tomá-las de volta, exceto... por um sorriso brilhante que iluminou rosto dela. — Por que, Lobinho. Essa foi a coisa mais bonita que já disse. Você gosta de mim. — Não gosto. – Mentiu. Logo suspirou. — Ok, eu gosto de você, mas isto não significa que mudei de ideia a respeito de me envolver com você. Eu ainda acho que é uma má ideia.


Ela optou por ignorar sua negatividade. Ela riu enquanto agarrava suas bochechas. — As más ideias são geralmente as mais divertidas. – Ela o beijou, e ele não podia deixar de responder. Não pôde evitar que sua boca se inclinasse sobre a dela, saboreando-a, querendo, precisando dela, perguntou-se, se era realmente o que queria ou eram as drogas falando. Argh. Ele afastou a boca da dela. — Nós não deveríamos estar fazendo isto. Não aqui. Não agora. — Tem razão. Devemos voltar para seu carro. Vai ser mais privado já que é tão puritano. — Nós não vamos fazer sexo no carro. — Sim, suponho que poderia ser um cheiro difícil de tirar dos bancos. Faremos em sua casa, a menos que tenha mudado de opinião e não se importe de usar esta parede? – Ela se estendeu contra ela, um sorriso atraente em seus lábios.


Ele quase mandou tudo à merda e a fodeu. Porra, ela o tentava muito. Ele afastou o olhar dela e deu uns passos na direção de seu carro. A risadinha de sua alegria não retardou seus passos, mas a parada abrupta dela o fez girar. ... A tempo de agarrar o corpo que vinha a toda velocidade em sua direção.


í

Luna Logo que a mão saiu das sombras, o corpo escondido entre os edifícios, ela não pensou; agiu. Ela agarrou o pulso e o puxou, impulsionando-o para frente com mais força que o necessário. Jeoff pegou o rapaz com facilidade e o segurou. Então o sacudiu. — Que diabos você acha que está fazendo? — Eu preciso dela. – O cara com os olhos vidrados praticamente gemeu as palavras. — Não pode tê-la. Ela está comigo. “Palavras sexys. Agora bem, se Jeoff as entendesse.” — Você estava no clube? – Perguntou ela, dando um passo mais perto. As narinas do indivíduo se alargaram e seus lábios se separaram enquanto suas mãos se aproximaram dela.


Elas nunca se aproximaram. Jeoff o bateu contra a parede, com força suficiente para sacudir o revestimento de metal. — Ela te fez uma pergunta, pervertido. Você estava no clube? — Sim. Ótimo lugar. Fiz sexo – confidenciou em um sussurro. — Com a mulher de outro cara. — E sua namorada ou esposa? – Perguntou Luna com o cenho franzido. — Ela estava lá, também, conseguindo sua buceta... Jeoff sacudiu o rapaz antes que pudesse terminar esse pensamento. — Você não tem utilidade para nós. Vá procurar sua parceira e volte para casa. Em um táxi. – acrescentou enquanto enviava o cara tropeçando para seu caminho. Ambos passaram um momento vendo o sujeito se endireitar. Jeoff sacudiu com a cabeça. — Vejo que o ar fresco não limpou sua mente. O que quer que estivera no ar deve atingir aos seres humanos com mais força. — Eu o teria virado do avesso com o punho, já sabe. Não o teria o sacudido como uma boneca de pano.


— Poupe suas juntas. Vamos precisar delas. — Vamos? – Na verdade, quando se aproximaram de seu carro, ela notou o trio de meninos que espiavam fora do Mustang. — Oooh, posso lidar com isto? – Ela perguntou. — Eu tenho um pouco de frustração e preciso de exercício. – Frustração sexual grave, mas bater em algo aliviaria um pouco isso. — É sério, é assim que você quer terminar esta noite? Você, socando os caras? – Suspirou. — Pergunta estúpida. Claro que é. Falando do carro, tinham chegado a ele, pegando as chaves, Jeoff apertou o botão de destrancar, o que fez as luzes piscarem. Ele bem poderia ter agitado uma capa vermelha porque o líder do trio que os esperava se adiantou para pronunciar um ameaçador: — Entreguem as chaves e suas carteiras. — São só vocês três? – Ela perguntou, deixando seus sentidos vagarem para ver se alguém mais se escondia nas sombras. — Isso parece um pouco injusto. — Se seu namorado aqui entregar as chaves e a carteira, então ninguém tem que sair machucado.


— Oh, eu não estava falando sobre isso ser injusto para nós. – Ela sorriu. — Mas bem que eu esperava um pouco mais de esporte. — Você acha que seu namorado insignificante pode lidar com a gente? – o valentão riu. — Eu? – Jeoff negou com a cabeça. —Não. Já disse a moça que ela poderia ter você. Vou apenas cuidar do carro. — Se você acha que usar sua namorada como um escudo vai te proteger... — Espera aí por um segundo. – Luna levantou a mão em direção ao delinquente. Olhando de volta para Jeoff, franziu o cenho. — Você está mais preocupado com seu carro do que eu me emaranhando com estes caras? Ele arqueou uma sobrancelha. — Está tentando me obrigar a te insultar, alegando que não pode lidar com eles? — Escuta, filho da puta, disse para entregar as chaves. Tanto Luna como Jeoff lançaram um olhar ao que queria ser um ladrão de carros. Luna rosnou. — Eu disse para esperar. Eu não terminei de falar com meu amigo aqui. — Fale mais tarde, cadela.


— Oh, você não disse isso. – ela respirou, com os olhos brilhando de emoção. — Oh, você não disse isso. – gemeu Jeoff. — Volto em um segundo. – Luna tirou os chinelos, e em seguida, fez um gesto ao valentão com seus dedos. — Aqui, idiota, idiota. – Cantou uma provocação. — Eu vou te ensinar a argh. Eeee. Ohhhh. Luna nunca descobriu o que ele queria ensinar, a menos que fosse a forma de obter um certo tom crescente quando a dor chegou. Poderia ter tido a ver com o fato de que ela puxou a cabeça dele para baixo e levantou o joelho de encontro com seu nariz. Rangido. As pontas de seus dedos cruzaram com suas bolas quando ela o deixou. Seus amigos lhe deram um novo conjunto de notas quando ela de rabo de olho deu um murro em um deles e derrubou outro na calçada e golpeou sua cabeça no chão algumas de vezes. Esse par teve que sair quando ela ficou de pé. Ela sacudiu as mãos e se virou para Jeoff, só para encontrar ele arrastando o primeiro sujeito pelo pé.


Ele a estava tratando como uma maldita dama de novo? – — O que está fazendo? Eu disse que ia lidar com a situação. — Ele estava olhando embaixo da sua saia. – Grrrr. — Eu deveria comer seus olhos. Luna poderia ter piscado ante a sugestão bastante violenta. — Ouvi dizer que, eles podem parecer uvas, o gosto não é tão bom. Voltou a piscar seus longos cílios quando ele arrancou o olhar do vândalo encolhido para ela. — Não quero nem adivinhar como conseguiu essa informação. Não, provavelmente não queria. Mas sua observação serviu para o distrair do canibalismo, o qual as autoridades pareciam desaprovar totalmente. Soltando o valentão, Jeoff caminhou para o carro, e desta vez, não sentiu vontade de lembrá-lo que as mulheres tinham queimado seus sutiãs pelo direito de abrir suas próprias malditas portas. Ela o deixou abrir a porta do lado do passageiro, assim como o deixou dirigir, mas ela se incomodou quando pensou que ele simplesmente a deixaria no condomínio. Ela cruzou os braços sobre seu peito. — Não estou pensando em descer até que você se comprometa a vir comigo.


— Eu só quero ir para cama. — E pode. Na minha casa. Não terminamos com nossa missão. — Que missão? Não descobrimos absolutamente nada. Pelo contrário, ela sabia que Jeoff a desejava. Isso contava para algo. — Não encontramos uma pista ainda, é o que deveria dizer. Ainda penso que estamos no caminho certo. Esse clube tem algo a ver com o que aconteceu a essas pessoas. Posso te dizer, porém, que certamente não vamos conseguir nenhuma informação privilegiada se parecer que não somos realmente um casal. Ou você esqueceu que os alvos são pessoas em relacionamentos? Temos que manter as aparências. — São mais de onze da noite. – A visita ao clube foi de curta duração. — Ninguém vai notar. Ela bufou. — Talvez os filhotes sejam bons cães que vão para cama cedo. Este é o bando, Jeoff. Você deve saber melhor. Sempre há alguém acordado e olhando. Jeoff suspiro. De novo. O pobre homem. Ela começou a pensar que fazia isso porque gostava do som, mas ao menos sabia quando aceitar a derrota. — Está bem. Eu vou, mas eu não vou dormir aqui. – Ele moveu seu dedo para ela. — Eu


vou ficar por uma hora mais ou menos, o tempo suficiente para que pensem que transamos, e logo vou embora." “Não, não iria, mas ele não precisava saber isso ainda.” Ele estacionou seu precioso carro na vaga de estacionamento subterrâneo dela. Não era como se sua moto precisasse dela durante alguns dias. Suspirou. Como se estivesse lendo sua mente, ele entrelaçou seus dedos nos dela enquanto caminhavam para o elevador e murmurou, — Petrov já está trabalhando nela. Vai ter sua moto de volta como nova. E conhecendo Petrov, vai melhorar seu desempenho. Ela se animou. — Sério? Doce. O elevador chegou imediatamente, abrindo as portas para uma cabine vazia em que entraram. Um silêncio se estendeu entre eles quando o elevador se sacudiu em marcha e imediatamente parou no piso térreo. Antes que as portas terminassem de abrir, ela colou sua boca sobre a de Jeoff, sentindo seu grito de surpresa, amando como sua boca se agarrou a dela. O homem poderia protestar, mas no fundo, ele a queria.


“Ele me quer.” Rawr. — Hey, garotas, vejam. Luna trouxe para casa um animal de estimação. Luna quase rosnou pela interrupção. O beijo que começou como um chamariz para qualquer um que pudesse vê-los rapidamente se transformou em um abraço que precisava de mais alguns minutos para conseguir uma classificação X. Mãos puxaram a ela e Jeoff. Empurrada para o saguão por Stacey, Luna acenou para algumas de suas companheiras estendidas nos sofás. Parecia que não era a única cuja noite tinha sido interrompida. Joan sentou no sofá. — Merda. Luna estava tentando esgueirar Jeoff até seu quarto. Esconder? Ela não tinha vergonha da sua falsa relação. Luna enlaçou seu braço no dele. — Malditamente certo eu estava tentando esgueirá-lo. Sabia que tentaria empatar a foda se tivesse uma oportunidade. Jeoff se engasgou. Coitado. Ela conhecia a dor de ter bolas de pêlos na garganta.


— Você não está dormindo com ele. De jeito nenhum. Eu não acredito. – Melly sacudiu a cabeça. —Não é o tipo dele. Nesse momento, várias de seu grupo assentiram. Isso faz uma garota querer provar que estavam erradas. E um lobo realmente o fez, começou com ele baixando seus lábios até que roçou sua barba nela. O ar quente fez cócegas em sua orelha. — Você vai conversar com as garotas a noite toda, ou vamos para seu quarto? – Todo mundo ouviu o som baixo de suas palavras, e nenhuma só leoa perdeu a mão possessiva em sua bunda. — Adeus, cadelas! – Luna se despediu antes de praticamente arrastar Jeoff para o elevador. Como se isso não bastasse, ela grudou sua boca na dele antes que as portas se fechassem e continuou o beijando depois. Ele finalmente parou para tomar ar quando o elevador se colocou em movimento. — Bom trabalho, mantendo nossa cobertura. — Quer dizer que a língua não era de verdade? — Só para manter o papel. — Você está brincando – reclamou. Por um segundo, com a maneira que ele havia respondido, tinha pensado que ele tinha deixado sua caverna moral.


“Uma noite.” – Só uma noite é tudo o que precisamos para nos curar desta curiosidade doentia. O que ela mais temia? Que uma noite não seria suficiente. “Fique com ele.” Sua felina não tinha nenhum problema com a ideia de mantê-lo por razões egoístas. Luna não gostou do que isso implicava. Permanência. Uf. Que palavra mais desagradável. O elevador soou, dizendo que eles tinham chegado. Quando as portas se abriram, Jeoff nivelou seu olhar sobre ela. — Você realmente tem que parar de fazer isso. — Fazer o quê? — Pare de pensar que as coisas irão além disso. Que maneira de ler sua mente. — Não acho. Eu sei. Você e eu vamos acabar na cama. Ou em algum beco. O lugar não importa. Vamos transar. – Ela sorriu enquanto andava pelo corredor até a porta. Só quando ela entrou se deu conta que ele não a seguiu. Ela colocou cabeça para fora. Jeoff ainda estava junto ao elevador. Assobiou. Seus olhos se estreitaram. Ela voltou a assobiar e estalou os dedos. — Aqui, Lobinho. Venha para Luna para uma boa massagem na barriga.


— Eu realmente odeio quando faz isso. — Eu realmente odeio quando me deixa quente e não continua, então traga sua bunda aqui, certo? — Você não pode me dar ordens. E pensei que já tínhamos concordado que todo esse assunto de mostrar ser um casal era só lá em baixo, não é de verdade. Ela não pôde evitar revirar os olhos. — Talvez se você continuar dizendo isso, acabe acreditando. Mas no momento, é patética a maneira como está mentindo. Posso ver isso. Qualquer um pode. Deseja-me, assim como eu desejo você. Está causando grandes problemas de distração. Especialmente para mim. Então vamos tirá-lo do caminho. Bater as botas e aliviar a tensão. – Ela cantarolou uma melodia harmoniosa, de – garota – Wow – wow, que invocava imagens de um cara grande de bigodes dos anos setenta na porta, que, é obvio, foi respondida por uma mulher vestida de lingerie – uma mulher roliça. Ele não gostou da sua capacidade de alcançar as notas certas. Ele estalou. — E é por isso que não namoro com leoas. Porra, todas são loucas. –Um rugido muito interessante surgiu dele quando ele passou pela porta que levava às escadas e desapareceu.


“Persiga-o.” Persegui-lo? Inferno não. Ela o deixou ir. Está bem. Ela o deixaria ir longe antes de caçá-lo. Ela estava de fato renunciando a seu próprio orgulho por causa de seu desejo por ele. Estava completamente revoltada pelo jeito em que continuava se jogando para ele. Praticamente implorando para que a tomasse só para ele dizer que não e continuar dizendo que não, apesar de que seu corpo dissesse que sim. Que nervoso. Como doía a rejeição constante. “Certamente devemos arrastar nossas garras sobre ele. Rasgar suas roupas. Arranhar a pele doce e suave.” Gatinha má. Esse tipo de pensamento era a razão pela qual se metia em problemas. O que diabos tinha de errado com ela? Jeoff não estava interessado. Simples assim. Por que seguia forçando a questão? Por quê? “Porque eu gosto dele.” Uf.


Certo, realmente gostava dele a queimava ao extremo que ele não sentisse o mesmo, o que significava que a deixou e ela não iria atrás dele. “Sem perseguição?” – Sua felina interior parecia mais do que desiludida, a julgar pela forma como escapuliu de novo para chegar ao seu apartamento. Ela bateu a mão na tela de segurança ao lado dele, a porta que fecharia e trancaria por si mesma. Após o clique, abriu a porta. O interior escuro lhe recebeu, entrou, sozinha, com um suspiro. Não havia nenhum cheiro para avisá-la. Sem som. Nada. E tudo que conseguiu foi um gemido antes que algo espetasse em seu braço.


í Jeoff “Não volte atrás. Não volte atrás.” O mantra fez companhia durante duas ruas abaixo. “Deveria ficar. Só por uma hora. Você não pode deixar que suas emoções fodam com nosso disfarce”. Foi a desculpa que usou ao dar dois passos de uma vez para voltar. O corredor estava vazio, e não sabia o número exato de seu apartamento. Como se precisasse de um detalhe tão mundano. Sabia com exatidão infalível que porta pertencia a ela. Seu cheiro – grama quente e doce no verão com um toque de flores silvestres – permanecia no ar e marcava o lugar. Parou em frente da porta e tentou o botão. Não funcionou, a porta estava selada contra ele. “Está te mantendo de fora.” – Seu lobo não gostava de barreiras. Nem ele.


Uma urgência o possuía, a necessidade de chegar ao outro lado dessa porta. Bateu nela. — Luna sou eu. Abra. Nada. Talvez ela se zangou. “Perigo.” A advertência sussurrada por seu lobo não tinha nenhuma base. Sem cheiro. Nem som, e, entretanto... Bateu de novo e pensou ter ouvido um movimento furtivo lá dentro, mas nada mais. Parecia tão fora do lugar. Luna não fugia de nada. Ela não possuía um osso tímido em seu delicioso corpo dourado. Então por que o silêncio absoluto? “Algo aconteceu.” A sensação de que algo não estava certo poluía o ar, puxou seu sexto sentido. Um puxão insistente que o queria lá dentro, agora. Mas como? As portas estavam equipadas com fechaduras, e as portas eram fixadas em estruturas de aço incrustadas em paredes de concreto. Acrescentando a falta de espaço na sala para chutar ou abrir com uma investida era menos viável. Ele


não entraria assim a menos que alguém abrisse a porta ou uma chave aparecesse de repente. Preciso de outra maneira de entrar. Não era como se pudesse se transformar em um rato e utilizar as saídas de ar ou voar como um pássaro até sua janela. Janela. Pensando nelas se lembrou da disposição dos condomínios e suas varandas. Uma porta a poucos metros o provocou. Pertencia à suíte de hóspedes onde sua irmã ficou quando ela estava tendo alguns problemas um tempo atrás. “Pergunto-me se ainda tenho acesso.” Uma possibilidade remota, mas... Bateu a mão sobre o scanner. A porta fez um clique, ele estava dentro, torceu para não estar prestes a confrontar alguém zangado com sua intrusão. Nada saltou sobre ele. O quarto cheirava a mofo, obviamente, não estava em uso. Não que ele se importasse. Jeoff atravessou correndo o espaço até as portas corrediças e abriu-as para que pudesse sair para a varanda. Uma rápida olhada à sua esquerda mostrou o terraço ao lado de Luna.


O que não esperava ver era um cara grande vestindo um moletom com o capuz puxado para baixo cobrindo seu rosto com Luna pendurada sobre o ombro. “Quem diabos é este?” – Grrr. Seu lobo se eriçou imediatamente, empurrando suficientemente forte a linha entre eles para puxar seus lábios para trás em um grunhido. “Ele se atreve a atacar Luna?” Não em seu turno. — Coloque ela no chão. – Jeoff saltou para a borda da varanda, mantendo o equilíbrio sobre a parte dianteira de seus pés. Medindo a distância entre os terraços. Podia fazer isso. “Com sorte.” Se não... ele olhou para baixo. Sim, vamos tentar não nos espatifar. Ele teria gostado de ter mais tempo para pensar no salto para calcular as leis da física e a cadeia de acontecimentos que levariam ao sucesso, ou ao fracasso, mas o cara grande, não estava obedecendo ao seu pedido de pôr Luna no chão. Ele parecia pensar que poderia simplesmente levá-la.


Quanto a Luna, ela não resistiu; pendurada mole e imóvel. Apertou seu coração. “É melhor que não esteja morta.” Jeoff nem mesmo queira contemplar essa possibilidade. O cara encapuzado subiu na borda larga de concreto da balaustrada. Só havia uma maneira de sair dali, era para baixo, onde não abundavam histórias de sobreviventes. “Porra, você não vai levar Luna com você em seu mergulho suicida. ” Os músculos e os tendões das suas pernas se apertaram. Ele levantou, estendeu-se para frente, as mãos estendidas para alcançar a outra varanda. Mas a gravidade, uma lei que ninguém parecia desafiar, o queria muito. Puxou seu corpo, fazendo com que o seu salto fosse mais baixo. Suas mãos bateram na varanda da outra extremidade, seus dedos lutando para manter o agarre quando seu corpo se chocou contra o lateral e suas pernas ficaram penduradas. — Bastardo! Ele não poderia ter ficado mais satisfeito por ouvir Luna despertar de seu estado inconsciente, se seus dedos não


estivessem o sustentando para salvar sua preciosa vida. Maldito concreto desgastado nas pontas. Ignorando a dor, cerrou os dentes e ergueu seu corpo, revigorado pelos grunhidos e rosnados que aconteciam no outro lado da mureta sólida. Puxando-se para acima alto o suficiente para descansar em seus antebraços, viu Luna em modo leoa, grunhindo e golpeando o cara grande, cujo capuz escondia suas feições. Ainda mais desconcertante, Jeoff não conseguia detectar nenhum cheiro. Saltou para a varanda ao mesmo tempo que Luna se lançou contra o intruso, com as garras estendidas. Sua patada estava fraca, e ainda assim conseguiu dar um golpe que rasgou tecido e fatiou a pele. Um tempo de reação lenta para se recuperar – significava que perdeu o bloqueio da picada da agulha de seu agressor, uma seringa grande que viu com líquido amarelo injetado em seu corpo. Em segundos, a droga entrou em vigor, e Luna vacilou sobre suas quatro patas. Antes que o sujeito encapuzado pudesse se aproveitar dela, Jeoff bateu no chão da varanda e


estendeu os dedos sangrando, acenando. — Por que não enfrenta alguém do seu tamanho, idiota? — Não esta noite. Mas não se preocupe. – A voz baixou. — Eu voltarei por ela. – O garoto o saudou com os dedos e pulou sobre o parapeito. Jeoff não podia entender aonde acreditava que iria. Quanto à leoa irritada e cambaleante, ela não se importava com a falta de uma rede de segurança. Ela passou uma pata com as garras para fora. O indivíduo se inclinou para trás, quase como um movimento estilo quase Matrix. A gravidade o quis, no entanto, ao invés de lutar contra ela, soltou os braços como em uma cruz, o cara encapuzado as estendeu e caiu para trás. “Puta que pariu.” Jeoff correu para o parapeito e olhou para baixo, esperando ver as tripas espalhadas, só para pronunciar um, — Que porra é essa? – Quando algo como asas negras se libertou de sua camisa, e ele saiu voando. Rawr.


Ele espiou por cima de Luna, que tinha duas patas peludas sobre o parapeito e estava vacilante. — Ele te drogou tentando colocá-la para dormir? — Rowr. Rowr. Rowr. – Ele tomaria isso por um sim enquanto cambaleava e caia sentada sobre seu traseiro. — Vamos, vamos entrar. – Já que Luna parecia decidida a dormir onde estava, teve que agarrá-la, e, levando em conta que agora era uma gatinha gigante, agarrou ao redor de sua cintura e a levou com suas pernas penduradas para dentro. Então, onde colocá-la? O sofá estava coberto de lixo. Livros, controles de vídeo game, uma caixa de pizza vazia. O chão não estava melhor, comprovado pela coleção de meias, garrafas vazias de água, e o que poderia ter sido um donut com glacê uma vez, grudado no tapete. — Alguém precisa de uma empregada – ele murmurou enquanto arrastou seu corpo mole para o quarto. Havia uma cama grande que, embora estivesse desarrumada, estava limpa o suficiente para deixá-la cair sobre ela.


Agora o quê? Ele pensou em chamar um médico, mas a respiração de Luna estava tranquila, com um toque de ronco. Ao que parecia muito provável que tinham dado um calmante para ela dormir, ele decidiu manter sua pele intacta já que provavelmente ela a rasgaria se ele deixasse que alguém a examinasse enquanto estivesse vulnerável. O fato de que ela estava vulnerável trouxe à tona um fato importante. Alguém a tinha atacado. E não simplesmente a atacado; tinham invadido o que deveria ter sido um lugar seguro. Era hora de correr para Arik. Os valentões fora do clube que queriam seu carro poderia dar a desculpa de ter sido um crime de oportunidade. Acontecia, especialmente nas partes menos agradáveis da cidade. Mas isto? Um ataque a um membro do bando no próprio território? O rei desta selva de concreto precisava saber, mas Jeoff não esperava o rugido. Os felinos poderiam ser tão ruidosos quando eram ameaçados. Deixou Luna, ainda em sua forma de gatinho, roncando no quarto, fechando suavemente a porta atrás dele. De pé na


sala de estar suja, tentou encontrar sinais do intruso enquanto ligava para Arik. Levou apenas dois toques antes que o chefe respondesse com voz sonolenta. — Espero que seja importante. Tenho uma reunião com alguns babacas às 9 da manhã. — Visitando o dignitário da Europa – Kira interveio no fundo. — Que seja. Preciso dormir. Então, por que me ligou? Levou apenas alguns minutos de explicação antes que um rugido sacudisse o condomínio, o som reverberou através das saídas de ar e puxando a tênue conexão que existia com todos no bando. Inclusive Jeoff não era imune. O rei estava zangado. O rei também estava na porta do apartamento de Luna pouco tempo depois, sem precisar de uma chave ou permissão para entrar. Caminhou como se fosse o dono do lugar – o que, tecnicamente, era. — Onde ela está? – Sem esperar uma resposta, Arik se inclinou sobre Luna e rosnou. — As drogas devem ter sido das boas. Não é fácil derrubá-la.


— Deve ter sido. – Ajoelhado na bagunça, Jeoff levantou uma seringa, apenas uma parte do fluido faltando. — Devem tê-la atingido de longe quando tentou pela primeira vez. É provavelmente por isso que ela se animou um pouco na varanda. Mas recebeu uma segunda dose completa. Vou supor que ela estará apagada durante horas. — E ela vai acordar irritada. – Arik fez uma careta. — Não é algo que estou ansioso para ver. Uma leoa em um acesso de raiva não era algo que alguém queria experimentar. — Surpreende-me de você ter descido. Dado o que aconteceu, eu achei que estaria praticamente sentado em Kira. – Porque dado o absurdo do ataque, certamente Arik tinha certa preocupação com o ser humano que tinha tomado como companheira. — Deixei ela com Leo e Meena. Ninguém passa por esses dois. – Leo sozinho já era uma força a se levar em conta. Acrescentem sua nova companheira e o desastre era garantido. — Não sei se temos que nos preocupar com eles atacando de novo esta noite. Uma vez que o cara perdeu o elemento surpresa, fugiu.


— Tinha asas. Negras, você disse. Mas eu ouvi bem? Não tinha penas? — Não tinha penas. – A lembrança não fazia sentido. Todas as aves shifters tinham penas. Todos eles, e também tendiam a ser muito mais magros e esguios. Aquele cara era grande como uma besta. Como diabos fez para voar e manter uma forma quase semelhante a homem? Quando os shifters tomavam sua forma animal, não havia nada humano sobre eles. Mas este homem... Jeoff sacudiu a cabeça. — Eu não sei o que era aquele cara. Nunca vi nada parecido antes. — E sobre o cheiro? — O cheiro de folhas frescas na primavera e desodorante contam? Se não tivesse visto o filho de puta voar longe, poderia ter se passado por um ser humano. Arik deu alguns passos, sua expressão pensativa e preocupada. — Vou ter que fazer algumas ligações. Talvez alguém nos outros bandos, clãs ou alcateias tenham ouvido falar desse tipo de coisa. — Vou procurar nos registros, mas posso dizer que nunca ouvi falar dele. Mas vou fazer algumas ligações também.


Talvez o conselho Lycan tenha registros ou algo que eu possa identificá-lo. — Informe-me sobre o que encontrar. Agora, qual era o propósito dele? Por que vir aqui? Por que vir atrás de Luna? Uma parte de Jeoff se perguntou se tinha a ver com sua visita ao clube naquela noite. Mas isso seriam apenas suposições. — Não sabemos se ele veio especificamente por ela. Pode ser que tenha sido apenas muito fácil. Quer dizer, se o sujeito pode voar, poderia pousar em qualquer varanda e procurar uma porta aberta. A observação causou um sulco na testa de Arik. — Isso de voar é preocupante. Isso significa que nenhum de nossos lares estão seguros porque não acredito que alguém ponha fechaduras nas malditas portas do pátio. Algo para se mudar esta noite. Vou ter que colocar um aviso para o bando. Acho que não podemos mais esconder o que está acontecendo. — Acha que que há alguma ligação? – Perguntou Jeoff desde que Arik tinha decidido fazer a tênue conexão. — E não é?


Neste ponto, muitas coincidências se acumulavam. — Seja quem for, porra, estão agindo sem vergonha alguma. — Ou estão procurando iniciar uma guerra. – No mundo dos shifters, sempre o que mandava eram os jogos de poder. — O que sabe sobre esse Gastón Charlemagne, que é dono do clube que foram esta noite? Você não disse muito a respeito dele. Qual é o problema? Jeoff deu de ombros. — Não há problema. Pelo menos nenhum que pudemos desenterrar. Praticamente não existe, exceto no papel. — Mude isso. Quero saber mais a respeito desse cara, começando por se ele é um shifter ou humano. Se for um de nós, aparentemente precisa de um lembrete de que ele está em meu território e tem que cumprir com minhas regras. Senão for, então verifique seu pessoal, para ver se algum deles poderia ser nosso culpado. Quero respostas. — Eu vou caçá-lo amanhã. Assim como interrogar sua equipe um pouco mais oficialmente. – O tempo para disfarces tinha chegado ao fim. A merda ficou séria com o fracassado ataque a Luna. Era hora de ir a possível fonte mostrando os dentes e com as garras de fora.


— Faça. Além disso, eu vou querer mais segurança para o bando. — Posso conseguir isso, mas sei que as leoas não vão gostar. – Viam qualquer forma de segurança como uma babá. — Elas vão fazer o que eu digo. – Os olhos do Arik se iluminaram com um brilho duro. — E vou dizer na reunião do bando que vou chamar. É hora de avisá-los do que está acontecendo para que possam estar atentos. — E se nós tivermos um espião? Estaríamos revelando nossas intenções. — Acredito que já o fizemos. E se houver alguém estúpido o suficiente para pensar que pode nos trair, então vamos encontrá-los, e vamos cuidar deles. A palavra de forma permanente não precisava ser dita. A implicação era clara. — Vou atrás dele pela manhã, depois de correr até minha casa para trocar de roupa. — Amanhã? – Arik arqueou uma sobrancelha dourada. —Eu não sabia que iria ficar aqui esta noite. —Só para que possa vigiar Luna. Ela está desacordada por causa das drogas e vulnerável. Pensei em ficar, pelo menos até que acorde.


— Vulnerável? – Arik riu. — Se ela não estivesse dormindo, você veria suas garras por dizer isso. Tudo bem com isso. Jeoff não se importaria com um pouco de ação, que incluísse alguns arranhões dela. Maus pensamentos. Ele realmente precisava manter distância da tentação, razão pela qual não podia entender por que não deixar que Arik se ocupasse disso e aceitava sua oferta. — Você pode ir para casa se quiser. Vou sentar aqui com ela, ou, pedirei que Hayder e Arabella venham. — Não. Deixe eles descansarem. Eu cuido disso. Loucura, foi o que Jeoff pensou enquanto fechava a porta atrás de Arik e a trancou com uma cadeira debaixo da maçaneta. Os sistemas de bloqueio de luxo destes apartamentos estavam muito bem, mas a eletrônica poderia ser cortada. Métodos antiquados, como uma cunha, nunca falhavam. A menos que alguém utilizasse uma caminhonete e a chocasse na porta bloqueada. Mas este caso foi há anos, e não viu nenhum caminhão lá fora capaz de chegar a este andar. Ainda assim, entretanto, precauções deviam ser tomadas.


O mais provável é que o cara voador tivesse descido e entrado através da varanda destrancada. Jeoff não estava cem por cento certo devido à falta de cheiro para que pudesse rastrear. Sem nada para cheirar, usou a lógica, especialmente sabendo o quão difícil seria para um estranho, especialmente um, curiosamente, sem cheiro, se infiltrar no edifício e entrar pela porta. Assumiu que o cara tinha vindo através da varanda, e foi por isso que ele passou pela trava. Ela não deteria qualquer pessoa decidida a entrar, mas ao destravá-la daria um aviso audível. A porta de correr não era o único ponto de entrada. Havia outra janela no quarto. Deveria verificá-la. “Certamente, deve verificá-la” – seu lobo concordou muito ansioso. Não há necessidade de perguntar o porquê. A sua metade peluda gostava de estar perto de Luna. Gostava de seu cheiro. O toque de suas mãos sobre ele. O sabor de seus lábios. Na realidade, seu lobo gostava de quase tudo nela. “E eu também.” – Irritava-o admitir isso, mas ao mesmo tempo, não tinha sido sempre assim, certo? Quantos anos desde que tinha notado Luna pela primeira vez? Desejandoa, mas fazendo todo o possível para ignorá-la? Agora, as circunstâncias haviam os colocado juntos, obrigando-os a se


aproximar. Estar perto. O problema era que agora não seria capaz de escapar. “Eu não quero que ela vá.” – Sua besta interior disse de maneira sucinta. Essa atitude era um problema. Mas teria que aguentar e lembrar que ele tinha prometido a Arik cuidar de Luna. Isso significava entrar nesse quarto e verificar a maldita janela. Então, porque hesitar? Ele a tinha colocado toda peluda na grande cama. Nada que o tentasse. Não havia nada que o provocasse a fazer algo estúpido. Abriu a porta em silêncio, e colocou a cabeça para dentro. E respirou fundo. Em seu sono, Luna tinha mudado, sua leoa tinha ficado para trás para deixá-la nua. “Pare de olhar!” Na verdade, não deveria a comer com os olhos, especialmente tendo em conta sua condição. A janela ainda precisava ser verificada, no entanto, isso significava que tinha que entrar. “Seja corajoso.”


Entrou no quarto, mantendo seu olhar evitando a cama, contornando o pé dela para chegar ao outro lado para verificar a janela. Não mostrava sinais de arrombamento, e a fechadura estava firmemente fechada. Ele queria dar a volta ao redor da cama de novo, com a intenção de escapar para a sala de estar, onde ele poderia lutar contra o fascínio do seu cheiro. Em vez disso, ele se viu parado junto à cabeceira da cama e olhando para Luna. Ela estava estendida sobre seu estômago de novo. O rosto virado para o lado, os lábios entreabertos e roncando suavemente. Na penumbra, ele apenas podia ver o padrão de sardas sobre a ponta do nariz. A pele de seu rosto parecia perfeitamente macia, de alabastro. Ele passou a parte de trás de seus dedos contra ela, sentindo-se atraído a tocá-la. Um suspiro escapou de seus lábios. Tão doce. “Afaste-se. Não fique aqui.” – Não havia nenhuma razão para ficar aqui. Ele podia conseguir um lugar no sofá. “Fique. Ela está vulnerável.” – Não importa o que Arik dissesse, ou pensasse, Luna estava atualmente indefesa. Não deveria ir muito longe. Além disso, esse sofá não foi construído exatamente para um cara do seu tamanho, e a cama era terrivelmente


grande. As desculpas o convenceram a ficar com ela. A porta foi fácil de bloquear com outra cadeira, que serviria de aviso se alguém decidisse passar por ela. Diferente dos filmes onde os heróis se mantinham vigilantes em custódia passando a noite sem dormir, planejava dormir um pouco porque não podia negar a fadiga em seu corpo. Ele não faria nenhum bem a ninguém se não descansasse um pouco. A lógica o fez desabotoar o topo de suas calças, assim como tirar as meias e a jaqueta. Tirou a camisa de seda para colocar sua camiseta, a que ela tinha emprestado dele, e que estava jogada ao pé da cama. Tinha seu cheiro dentro das fibras de algodão. Uma desculpa patética para um lobo, ele cheirou. E, não, não ia abaixar a cabeça de vergonha porque ninguém iria vê-lo. Antes de ir para a cama com ela, com os olhos afastados, levou o cobertor até seu queixo, certificando-se de que ela estava totalmente coberta. Só então se atreveu a deitar sobre o colchão, manteve-se no outro extremo, estendeu-se em cima das cobertas, sem tocá-la absolutamente, mas, plenamente consciente dela. O que havia em Luna que dava vontade de esquecer todas suas promessas? Como podia uma mulher, uma mulher


sensualmente atraente e frustrante, fazer com que quisesse mais do que tinham? Uma parte dele estava cansada de manter seus braços longe. Ele queria fazer algo mais do que ficar ao lado dela, fingindo que não estava a centímetros de distância. Fingindo que não desejava abraçá-la. “Mostre um pouco de respeito.” – Ela foi drogada, e apesar de todas suas investidas, ela não gostaria que ele a tocasse. Usou esses argumentos para adormecer, sozinho, ao lado dela. Mas não foi dessa forma que acordou.


í

Luna Não há nada melhor que acordar em cima de um cara, olhando-o fixamente e esperando que acorde. Ao contrário de alguns de seus amigos anteriores, de festas do pijama, Jeoff não gritou quando abriu os olhos e a viu. Tão pouco sorriu. Mas, menino, ohh menino, estava duro como uma rocha debaixo dela. Ela se moveu. — Bom dia, lobinho. Vejo que alguém está no humor para fazer algumas coisinhas. — Sim. Xixi. O homem insistia em se fazer de difícil. — É isso o que está passando com o...?− Ela lhe fez cócegas na altura dos rins, tentando conseguir uma reação. Ele a olhou fixamente. — Ah, qual é, pare de jogar duro e admita que você me quer. — Quero que você venha.


— Caramba, eu também, mas alguém não quer dar uma ajuda para a garota aqui. − Ela deu uma piscada. Ele ainda a olhava mantendo uma expressão fria, mas seu corpo não podia esconder o calor crescente. — Entendo com isso que já se sente melhor? − — Se por melhor quer dizer acordada. − Ela fez uma careta. — Por falar em uma luta desigual. Nem sequer cheirei o bastardo antes que me golpeasse com uma agulha. Isso é absolutamente mortificante. — É óbvio que não fez isso fácil para ele. Eu percebi que não aplicou a dose toda em você. Ela sorriu. — Uma menina desenvolve um sexto sentido com o tempo quando se trata de meninos fazendo seus movimentos. Não esperava a agulha, entretanto. Isso é novo. Seus medicamentos eram bons, mas não é a primeira vez que alguém tentou me drogar. É certo o que dizem. Nunca descuide de sua bebida. O maldito sedativo me deixou lenta. Eu tentei lutar. − Seus lábios se voltaram para baixo. — Ele conseguiu me acertar com o punho na cabeça, e por isso me deixou fora de primeira. Ela se perguntou se ele perceberia o muito que o rosto dele demonstrava a preocupação ante suas palavras. Ele espalmou sua mão em concha ao lado de sua cabeça.


— Como se sente agora? — Fresca e pronta para ir. − Para enfatizar, fez um movimento um pouco indiretamente. Soltando um pequeno gemido, ferido. — Pare. — Não. − Ela se moveu outra vez até que ele a deteve com as mãos em seu quadril, parando seus movimentos. — Ooh, passamos para o físico. Se me perguntar, eu mereço totalmente uma surra por isso. — Não deveria pedir uma surra. — Por que não? — Tem que ser espontânea. — Um dia você vai me surrar − declarou. — Provavelmente. Mas enquanto isso, você terá que esperar... Ele lhe deu uma palmada no traseiro e piscou, seu olhar severo mudou de forma rápida para um sorriso zombador.


O homem soprava do quente para o frio de forma rápida. Sério. Ela realmente não sabia o que esperar dele. E é por isso que é tão divertido. A réplica descarada merecia uma resposta, mas antes que pudesse pronunciar algo chamativo ou mordaz, Luna se encontrou de barriga para cima olhando para o teto, quando Jeoff a derrubou sobre suas costas. Levantou-se da cama, vestindo suas calças da noite anterior, pendurada na curva superior de seu apertado traseiro. O cavalheiro estupido também levava a sua roupa de cama. Ainda mais horrível, as malditas calças insistiam em se agarrar ao invés de cair para baixo e mostrar seu doce traseiro para ela. — Onde você está indo? − Ela não podia deixar de perguntar. O que realmente queria dizer era: “Traga seu traseiro de volta para cá.” Ela estava quase miando. Aparentemente ele tinha outros planos. A cadeira que estava trancando a porta, sob a maçaneta, tinha mais atenção que ela. Ele a tirou e a pôs de lado antes de abrir a porta, deteve-se antes de sair, finalmente se dignando a responder. — Em primeiro lugar, vou fazer xixi. Depois vou atrás de alimentos. Então preciso ir para minha casa trocar de roupa, antes de voltar para o Rain forest Menagerie para dar uma olhada ao redor. Depois disso, tenho a intenção de perseguir o Charlemagne.


— Eu? O que aconteceu com o “nós”? − Ela apertou os lábios em uma linha teimosa. — Não vai sem mim. — Então esteja preparada para sair nos próximos dez minutos. — Dez minutos? Ele sorriu para ela da porta de seu quarto. — Sim, dez minutos se está planejando vir comigo. Eu não tenho tempo para essas bobeiras de meninas. Arik me deu a tarefa de conseguir respostas, e é isso o que vou fazer. — Não, não sozinho, porque eu vou com você − murmurou enquanto saltava da cama. Se ele pensava que ela era uma dessas garotas que demorava uma hora para estar pronta, então ele ia aprender rapidamente. O problema é que ele conseguiu uma vantagem já que utilizou o único banheiro para fazer xixi. O ferrolho só precisou de uma faca de manteiga para que soltasse, entrando no banheiro, o que o fez gritar, — Que diabos − e parando imediatamente seu fluxo de xixi. Controle impressionante. — Hey, lobinho. − Ela entrou vestindo nada.


Ele manteve os olhos à sua frente. — Não me ouviu. Fechei a porta por uma razão. Chama-se privacidade. — Não conheço essa palavra. — Não comece com isso, Luna. Não podia esperar até que eu fizesse? — Não. Eu tenho um prazo, que eu gostaria de assinalar, estabelecido por você. Mas não me importa. − disse com um sorriso travesso enquanto parava atrás dele e dava uma olhada em volta no seu corpo. — Vá em frente e termine de fazer xixi, enquanto eu tomo minha ducha. Como era de se esperar, ele não terminou seu negócio e manteve sua mão em concha sobre seu membro. Ponto. Passando rente a ele, levantou o pé sobre a borda da banheira e entrou. Inclinada, esticou-se para frente para abrir a água e logo se voltou para trás de modo que o jorro frio inicial não a molhou. Como não havia cortina no chuveiro, a barreira de vidro agiu como uma proteção contra os respingos e dava uma visão perfeita a Jeoff, que ainda estava de pé em frente ao vaso sanitário, com o pescoço tenso e olhando boquiaberto para ela.


Ela acenou e sorriu. — Por que você não se junta a mim? Ruborizou, um brilho intenso e quente, com uma postura tensa. Bom. Não lhe faria mal sentir um pouco de desconforto. Homens, não os machos do bando, porque estes aprenderam desde o início a não mijar com as leoas, mas outros homens, os outros tipos de shifters, sempre pensavam que podiam controlar as situações. Eu entendi que... As mulheres eram recatadas e que eles não as ouviam... Não levavam em conta a opinião delas... Onde Luna sempe foi livre e pouco feminina... Tia Zelda muitas vezes se lamentou “June, como você pode deixá-la correr como uma selvagem?” Ao que sua querida mãe respondia, “Isso não é selvagem. É força e caráter”. O que ela queria dizer é que Luna não sentia a necessidade de se curvar aos padrões e status. Ela agia como queria, o que às vezes, acabava por ser um pouco exagerado. A maioria dos caras não poderia lidar com isso. Havia uma razão para que Luna tivesse uma série de “ex-namorados”. Não era que ela os fodia e os deixava, era mais um caso de que eles não podiam lidar com ela. Não podiam lidar com o fato de que não era frágil e delicada. E não atendia a seus egos. Não precisavam lutar suas batalhas. E também os interrompia quando estavam fazendo xixi.


Entretanto, devo acrescentar, que não tinha nenhum problema em fazer xixi na frente de um menino. Não era sua culpa se eles agiam como se isso fosse um grande negócio quando tinham que ficar em uma posição de agachamento, durante uma caminhada no bosque. Eles estavam é com inveja que sua pontaria era melhor que a deles. Para aqueles que se perguntavam, quão bom era seu controle? Ela respondia, que poderia escrever perfeitamente o seu nome em letra cursiva e em itálico. O que foi interessante, é que apesar de ser ela mesma, Jeoff ainda não correu. Claro, que a tinha rejeitado, mas eram palavras. Só palavras. Suas ações eram muito mais reveladoras, e ela não se referia só a sua quase constante dureza quando estava ao redor dela. Jeoff passou a noite. Passou aqui com ela porque estava preocupado. Não tinha por que. Ele poderia ter chamado alguém facilmente. Qualquer um do bando teria vindo e vigiado seu traseiro roncando. Mas Jeoff não encontrou um substituto. Ele escolheu protegê-la ele mesmo, e acordou para encontrar-se em seu peito, seu coração sob sua orelha e os braços enrolados em torno dela. Já que nunca tinha dormindo com ninguém desse jeito antes, só poderia supor que ele havia iniciado o contato. Passaram a noite toda enroscados e agora estava tentando ser o Sr. Puritano com ela. Ela não tinha nenhuma simpatia por ele. — Vai terminar esse xixi? − Perguntou, levantando seu rosto para o spray.


— Não− Ele não conseguia fazer o número um, e também não saia. Ele não estava devidamente encarando, mesmo com seu corpo se movendo sob o spray do chuveiro. Ficou ali com o olhar desfocado, franzindo a testa. Ela se virou no chuveiro, abaixando-se para pegar seu gel de banho. Não demorou muito tempo para formar uma espuma da cabeça aos pés. Durante todo o tempo ele a observou, no entanto, ela não poderia dizer se ele percebeu, obviamente, que sua atenção estava em outro lugar. Não pôde completar sua fuga, só quando ela se enxaguou completamente e fechou a água. Ele pegou uma toalha da barra na parede e entregou para ela antes de girar sobre seus calcanhares e retornar ao quanto. Ela agarrou sua escova de dentes, colocou um pouco de pasta nela, e o seguiu. Escovou os dentes enquanto Jeoff pegava sua camisa, mostrando seus impressionantes abdominais perfeitos, coberto por uma pele lisa onde a única melhoria seria colocar umas marcas de dentes nela. Enquanto mastigava as cerdas de sua escova de dentes, viu ele passar os braços pelas mangas da camisa, com uma só mão, tirou a própria roupa. Para retardá-lo, deixou cair a toalha e fez todo o possível para manter a sua atenção. Teve muito êxito uma vez que


ficou em um pé para conseguir colocar sua roupa íntima, espumando a pasta de dente pela boca e tendo o cabelo molhado colado ao rosto. Que forma de seduzi-lo. Por outro lado, esta era a verdadeira Luna. Ela não acreditava em artifícios. Poderia ser por isso que ainda estava solteira. No entanto, ela não se via jogando alguns dos jogos que as outras mulheres conheciam e faziam. Não perdia uma hora do seu dia em maquiagem ou penteados para o cabelo. Ela era de secar seu cabelo loiro com uma toalha, torcê-lo em um coque, e prendê-lo em um clipe. Usava um sutiã, somente para que seus seios não saltassem quando tinha de correr, roupas debaixo de suas calças jeans para que o tecido não esfregasse em sua pele, e uma camiseta que tinha um par de corujas sobre seus peitos que diziam: "Para de olhar meus peitos". É obvio que nunca funcionava. Jeoff a olhava fixamente. — Não possui uma camiseta não ofensiva? − Olhou em sua gaveta aberta. Sacudiu a cabeça. — Não. — Bem, não pode usar isso. Não se quiser vir comigo para caçar o Charlemagne. — Sério que está me dizendo o que devo usar?


— Sim. Seu olhar se estreitou. — Obrigue-me. − Um bom desafio que teve um brilho de antecipação. O que Jeoff faria então? Girou sobre seus calcanhares e foi embora. Ia deixá-la? Ele fez o mesmo na noite passada. E se fizesse de novo? Não podia deixá-lo ir assim, por conta própria. O maldito faria com que ela o perseguisse. — Onde você está indo? − Soltou em suas costas. — Disse que tinha dez minutos. Não está pronta, por isso vou. — Estou muito pronta. — Não nessa camiseta, não está. — Porra você é um babaca, lobo, − rosnou. — Estou bem com isso, − gritou de novo. —Tenha um ótimo dia. − Saiu batendo a porta. O condenado a tinha deixado. — Oooh, às vezes, eu poderia estrangulá-lo – ela se queixou enquanto corria para seu


armário e pegava uma das temidas camisas bonitas, que sua tia Zelda tinha conseguido para ela. Era de manga comprida, só um pouco justa, coberto com um padrão feminino de flores. Colocou-a por cima da camiseta, já que não tinha tempo a perder. Ela alcançou Jeoff quando estava esperando o elevador. Apoiou-se contra a parede, vendo-o deliciosamente desalinhado, sua mandíbula ostentando uma sombra de barba, com o cabelo desgrenhado. Ele arqueou uma sobrancelha. — Você trocou. − Ele entrou na cabine aberta e ela o seguiu. — Claro que sim − ela reclamou quando ele apertou o botão para o térreo. — Nós temos que ir para o meu carro − disse ele enquanto pressionava para o estacionamento. — Vamos chegar lá, mas primeiro ... − As portas do elevador se abriram no pátio onde um par de leoas descansava. — Se você vai me fazer colocar algo respeitável, então devo recuperar o investimento, lobinho. Bem-vindo à caminhada da vergonha. Tendo em conta toda sua postura sobre a coisa de nãoconseguir- se envolver, ela esperava que ele resistisse. Mas Jeoff continuava lhe surpreendendo.


Não pôde evitar a crescente irritação pelo seu interesse, quando passou um braço ao redor de sua cintura e, com uma facilidade casual, iluminou-se quando se pavoneava com Luna. — Muito bom dia, senhoritas. O apelido educado fez algumas delas sorrir. — Parece que alguém teve uma festa do pijama − comentou Stacey enquanto segurava seu café com as duas mãos e tinha o pressentimento de que tinha tido uma boa noite. — Quem disse que dormimos? − Jeoff deu uma risada malvada que fez coisas realmente inadequadas às regiões inferiores de Luna. Bem, agora só faltava ele continuar com a brincadeira. Entretanto, dois podiam jogar nessa brincadeira. Deixou cair uma mão em taça no seu traseiro. — Talvez da próxima vez, eu te deixe ficar por cima. — Por que fazer isso, quando você estava muito feliz em fazer todo o trabalho, gatinha? Ele disse. A palavra que Luna mais odiava. O que deixava o seu lado feminino em fúria. Antes que ela pudesse morder a língua, colou seus lábios nos dela. Beijou Luna derretendo sua raiva, mesmo no meio dos comentários.


— Não posso acreditar que ela não o matou por isso. — Maldita seja, quase me faz querer ter um cachorro para mim. — Consigam um quarto. Com uma câmara de vídeo configurada para a transmissão ao vivo. Sem fôlego e confusa - provavelmente um efeito persistente das drogas - saíram, com tesão. Atravessaram a garagem, ficando uns passos mais lentos e atrás de Jeoff enquanto ele se mantinha indiferente. Como ele se atreve, não foi afetado pelo beijo? Não era justo. Uma e outra vez, ele se manteve enviando sinais mistos. Manteve-se insultando-a. Fazendo-a pensar que a queria e logo puxando os lençóis de seda debaixo dela. Sentia a frustração nela? Culpa dele. Tudo o que a incomodava nesse momento era culpa dele. E se atrevia a se exibir. Ela se lançou sobre ele, grunhindo enquanto saltava. Queria machucá-lo nesse momento. Levá-lo para o chão e golpeá-lo várias vezes. Era o que ela esperava. Ele virou no último segundo parando e, puxando seu corpo para ele. — Há algum problema? — Sim há um problema, − retrucou. — Você é um palhaço.


— E você não? — Eu não seria se você se deixasse ir por um maldito minuto. Então poderíamos ter toda essa tensão sexual fora do caminho. — Você realmente acha que uma vez seria o suficiente? − Suas mãos apertaram seu traseiro, empurrando-a contra ele, destacando sua flagrante ereção. — E se deixarmos ir, como você diz, e não for o suficiente? E se você quiser mais? E se eu quiser mais? Ela olhou para ele. — Você está falando sobre namoro? — Sim, namoro. Um compromisso com o outro. — Você está falando de um relacionamento real? − Ela torceu o nariz e se afastou dele. — Espera um segundo aí. Quem disse alguma coisa sobre isso ser mais do que sexo? Melhor reduzir a velocidade aí, lobinho. — Você está me acusando de ir rápido demais? Você é a única que está me empurrando para tirar minhas calças e tomar seu corpo. — Bom, sim, eu faço, porque o sexo é fácil. Você nu, eu nua, e está feito. O que você está sugerindo... − Ela fez uma careta. — Isso nunca acaba bem. − Ela tinha uma história para provar isso também.


— Exatamente. Pelo menos nós dois concordamos que isso não vai acabar bem. Por isso... nada de sexo. — Porque você tem medo de se apaixonar por mim? − A ideia parecia muito absurda para se contemplar, no entanto, ele parecia completamente sério. — Muito medo. E eu não acho que nenhum de nós quer isso. Ele estava certo. Tinha toda razão. Pense nisso, ela e o lobo um verdadeiro casal? Que piada. Isso nunca funcionaria. Cães e gatos no andam de mãos dadas. Funcionava para Arabella e Hayder. Claro, mas eles eram feitos um para o outro. Enquanto ela e Jeoff não. Verdade? Certo? Ela se perguntou mentalmente, mas sua leoa interior não respondeu. Isso foi o suficiente para mantê-la quieta durante a viagem para a casa de Jeoff, passaram apenas alguns minutos, Jeoff trocou seu terno desalinhado pelo sono por um novo impecável, com um par de óculos combinando, o que o deixava ridiculamente atraente. Rawr.


De carro o caminho da sua casa até o clube não demoraria muito tempo, o que significava que não teria muito tempo para apagar essa estranha tensão entre eles. — Então, agora que você já teve a oportunidade de pensar sobre isso, você quer transar? − Ela fez a pergunta a ele dando um apertão em sua coxa. Ele suspirou. — Será que vamos ter essa conversa de novo? — Sim, porque parece que você tem a impressão que vai cair apaixonado por mim, que estará preso a mim como sua parceira para a vida. − O que totalmente assustava suas calcinhas também. — Mas pergunte a qualquer um dos meus ex-namorados, e lhe dirão que não sou feita para namorar. — Porque eram uns idiotas. — Desculpe? — O fato de que não podiam lidar com você é uma merda. — Este é o seu modo de dizer que pode lidar comigo? Afastando a vista da estrada, lhe deu um olhar que dizia, "Dã". Ela suspirou. — É uma pena que você não seja um leão.


— Se eu fosse um leão, não estaríamos tendo esta conversa. — O que estaríamos fazendo ao invés disso? Não respondeu, apenas estendeu a mão em sua coxa, deslizando sobre sua virilha. Mais uma vez estava lhe enviando sinais mistos. Perguntou-se porque ainda tentava entrar nas calças dele. Desde que parecia determinado a mantê-la fora de equilíbrio, ele mudou de assunto. — Então, o que você acha? Esse Charlemagne é algum tipo de gênio do mal? Está sequestrando os shifters para fazer coisas vis?

— Não faço ideia, mas considerando o que aconteceu no clube ontem à noite, há algo em marcha. Algo está acontecendo, e quero descobrir o que. — Ainda não entendo por que encharcaram o quarto com a droga. Não faz nenhum sentido absolutamente. — Não faço ideia porque eles fariam isso. Talvez fosse um truque para que a notícia se espalhasse, comprometendo o clube. — Mas esse tipo de notícias, é o tipo que traria os policiais para vasculhar. Um clube infligindo algumas leis poucas leis é uma coisa; uma orgia gigante é outra. Mesmo a polícia não


pode fechar os olhos para isso. E mesmo eu não sendo um homem de negócios, não posso ver como seria sensato querer esse tipo de atenção. — Assumindo que seja inteligente. — Certo. − Seus dedos tamborilavam sobre o descanso de braço da porta. — Já que não pude encontrar nenhuma direção para este Charlemagne, que não seja o clube, como você vai encontrálo? — Eu estou esperando que possamos espremer um ou dois funcionários, para conseguir algumas informações. — A essa hora da manhã? — Depois da confusão de ontem à noite, eles terão de fazer a limpeza. — Falando de limpeza, temos que comer. — Como limpar fez você pensar em seu estômago? — Porque eu gosto de limpar os pratos. − Ela fez o gesto de uma longa lambida. Gemida. — Pare. — Faça-me parar. Ou, melhor ainda, castigue-me.


Não o fez. Em vez disso, foi para um restaurante de fast food com self-service, pedindo alguns sanduíches e suco para o café da manhã. — Nenhum café? − Ela torceu o nariz. — Você de todas as pessoas não precisa de cafeína. — Sem cafeína? − ela engasgou. — Isso não é crueldade com os gatos? — Não, bater em seu traseiro seria crueldade. Isso é ser honesto. — Seria honestidade se acabasse cedendo ao inevitável. Isso vai acontecer − declarou, enquanto saía do carro, seus tênis de corrida golpeando firme no asfalto. Tome isso, grande cara mau. Não haveria nenhuma infelicidade hoje em seu caminho. O caminho estava bem tranquilo, sem a multidão a espera para entrar no clube, já que era domingo, especialmente a essa hora do dia. Uns poucos carros e caminhões zumbiam ao longo da estrada. Uma pessoa em calças de cor cáqui e uma camisa solta, carregava uma grande madeira caminhando ao longo da calçada no outro lado, balançava a cabeça no ritmo de alguma música.


O exterior do clube parecia menos que impressionante à luz do dia, o sinal de néon escuro, a superfície exterior do edifício pintado de um preto mate. A noite passada, as luzes estroboscópicas5 ao nível do solo, pintadas brilhantemente, davam um aspecto deslumbrante. Emocionante, que acelerava os batimentos, mas durante o dia era um pouco triste a necessidade de uma cor forte. As portas de entrada, um conjunto de metal com costuras arrebitadas e resistentes, estavam fechadas, uma corrente e um cadeado atravessavam através das suas junções. — Eu não acho que alguém esteja aqui − disse ela, dando um puxão e tentando escutar algo contra a porta metálica. — Nem todo mundo vem pela porta da frente, − observou ele. Franzindo o cenho. — O que é estranho. Ou seja, o lugar estava molhado ontem à noite. Você pensaria que teria uma equipe de limpeza de algum tipo ali dentro, no entanto, ainda não há caminhões ou carros estacionados nas imediações. Ela não tinha nem pensado em olhar. Que predador que era. Ei, você não me disse para verificar qualquer coisa. Sua gata deu um bufo mental e virou-se.


Descarada. Ainda assim, no entanto, você devia realmente prestar mais atenção. Na noite anterior as coisas tinham ficado sérias, com aquele cara tentando pegá-la. Que diabos foi isso? Estava malditamente feliz que Jeoff voltou por ela. “Ele nos salvou.” Devemos recompensá-lo. O tipo de prêmio que sugeria lambê-lo e que não tinha nada a ver com o asseio, por sua higiene. — Temos que verificar o beco e a parte de trás desse lugar. − Talvez eles não vieram por este lado. Uma caminhada pelo armazém não revelou nenhuma porta aberta, a que tinham saído na noite anterior, estava fechada. O caminho de ida ou de volta na parte traseira estava ocupado com caminhões, mas nada mais. Ao que tudo indicava, o lugar parecia deserto. Estranho porque, como Jeoff disse, depois dos danos causados pela água da noite anterior, certamente teriam de limpar o interior cedo, a fim de preparar o espaço para o reabrir mais rapidamente possível. Voltando para a frente do edifício, ambos se apoiaram no carro, com cuidado para não riscá-lo, mas perto o suficiente para acariciá-lo, fecharam o clube. — E agora o que, lobinho? Lá se vai nosso plano para questionar alguém que trabalhe aqui. — Talvez tenha sido melhor.


— O que você quer dizer? − Perguntou ela, seguindo-o até o porta-malas de seu carro. Ele se inclinou, puxando para fora um conjunto de alicates. — É melhor, porque a qualquer um que perguntasse, provavelmente teria mentido. As pessoas que fazem merda sempre sabem que não deveriam fazer. — Eu faço coisas que não deveria, mas não minto sobre isso. Colocando os alicates no bagageiro. — Não, você diz a verdade, o que, às vezes, é ainda mais assustador. — Você tem medo, de verdade? Ele olhou fixamente em seus olhos. — Sim. Muito. Curioso, porque na verdade estava com medo também. Bom Jesus, um monte de coisas que Jeoff lhe disse a assustava. Temia especialmente, a verdade de que uma vez juntos não seria o suficiente. Assim, devemos ter relações sexuais duas ou três vezes. Em um dado momento, estariam saciados. Jeoff iria perceber que não era delicada ou feminina. Iria querer alguém que acreditava não ser divertido armar uma luta pela posse do controle remoto. Que não caísse, enquanto estava na ducha, de propósito só porque escutou um grito.


Com o tempo, as coisas que Luna fazia chegariam a ele. Deixariam ele louco. Ele a deixaria. Ou ela viria isso chegando e o deixaria primeiro. Uma vez que um menino chorava porque ela vencia em seu próprio jogo, não havia como voltar atrás. Mas e se Jeoff não a deixasse? E se ele ficasse ? E se ela ficasse ao redor. E se eles ficassem... Corte. Os cortes através dos elos da corrente de metal, chamou sua atenção. Outro corte e as separaram por completo. — Estamos invadindo. − Uma vez que reconheceu o delito em curso, sentiu a necessidade de falar disso. — Você se sente desconfortável com a infração de algumas leis humanas? — Não − Isso a deixava com as calcinhas molhadas. Levou um momento para olhar para os dois lados. Não vendo ninguém, puxou a barulhenta corrente de metal através das alças. — Já que o lugar está vazio e não podemos interrogar ninguém, tenho uma maneira melhor de obter informação. Ele colocou o cadeado e a corrente no porta-malas de seu carro, junto com o alicate. Antes de fechá-la, pegou um


pequeno conjunto de ferramentas. Ele abriu a jaqueta e as guardou no bolso interno. Ela agarrou a borda da jaqueta dele antes de deixá-la cair de novo no lugar. — O que é isso? − Era uma arma que no coldre amarrado ao redor de seu corpo. Ele ficou surpreso. Luna era o tipo de garota de mãos livres. — Não é um toque anti-deportivo? − Ela preferia um par de garras por si mesma. — Eu o chamo de estar preparado às probabilidades, para garantir que eles não empurrem suas margaridas em mim. Tenho a intenção de estar preparado no caso de você encontrar seu novo amigo morcego. — Amigo morcego? É assim que você o está chamando? − Enrugou seu nariz pela mesma ideia. — Nunca ouvi falar de um. — Eu tampouco. Mas, de novo, quantos shifters na comunidade realmente se reúnem para discutir o que são? Somos um grupo secreto. Pelo que sabemos, pode haver shifter rena ou alces no Norte. — Alguns castores também! — Bem, agora está sendo tola. — Diz o cara que estava falando de um morcego.


— Bom, o que mais quer que eu diga? É o que mais se parece. — Diga você. Eu acho que ele parecia como... − Sua mente nublou tentado se lembrar da noite passada, buscando por uma imagem. Ela tinha uma, um rato gigante com asas. — Sabe o que. Não importa o que parecia. O ponto é que tem uma arma de fogo . — Eu tenho. — E eu não tenho. — O que é provavelmente mais seguro para o mundo em geral. Ela bateu o pé e empurrou o quadril para fora, não por causa de sua observação rude, bem, talvez um pouco, mas principalmente porque ela queria entrar primeiro no galpão. Alguns homens iriam fazer uma careta ou ficar de mau humor, ou pior, mas Jeoff disse com sarcasmo. — Primeiro as damas. Ela lhe deu o dedo do meio, porque não era uma dama, enquanto lutava contra um sorriso, por ele ter lhe chamado de uma.


De costas para ele, tomou um momento para olhar a seu redor. Não havia muito para ver. Apenas uma pequena câmara interna com o banco da noite passada, onde ele tinha preenchido de forma estúpida o formulário. Quantas vezes por semana o seu parceiro se masturbava? Nenhuma, porque ele preferia se torturar. Desde que duvidava os segredos que ocultava, o que resultou ser o pequeno quarto da entrada do clube, deu um puxão no segundo conjunto de portas. Elas estavam trancadas. Outra fechadura. — Hey, lobinho. Tem um grampo? — Abrir fechaduras é um pé no saco. – Ele passou as mãos sobre a porta, dando uma olhada. Então, deu alguns passos para trás e levantou o pé. Bang. A grosa sola da bota golpeou a porta, e algo estalou. A porta se abriu de repente, outra fechadura aberta. Seguido de silêncio, eles pararam e escutaram. Se alguém estava no edifício, teria ouvido. Prenderam a respiração e a língua enquanto ouviam. Nada. — Eu diria que está limpo. Depois de você. − Ele fez um grande gesto. — Você primeiro. − Ela repetiu seu gesto e sorriu.


— Você está me usando como escudo caso tenha alguém apontando uma arma para nós agora? Ela piscou com falsa inocência e apontou para si mesma. — Quem, eu? Ele riu e entrou, nem uma vez piscando ou parando. Um lobo com as bolas de um leão. Rawr. Ao entrar no lobby rapidamente atrás dele, Luna foi atingida pela mudança ainda mais decepcionante. Ontem à noite, com a iluminação suave e a música zumbindo, o quarto parecia um lugar tão exótico. O brilho das luzes dispersas tinha dado ao espaço uma sensação de outro mundo. No clarão da luz do dia que entrava pela porta, os óculos de cor de rosa se foram deixando a pura verdade. Observou o chão de cimento cheio de vultos, pintado de uma cor vermelha escura, riscado pelos saltos e solas de sapatos. O que parecia ser um céu estrelado, eram apenas painéis com isoladores acústicos, parafusados à parede e pintado de um preto fosco. Adesivos metálicos nas formas de estrelas estavam espalhados sobre eles. Parecia brega, como o próprio bar. Entrou na primeira câmara cavernosa e não pôde deixar de notar que não parecia nada impressionante. Ontem à noite o longo bar, parecia um lugar legal, superior, com sua tampa de cristal


iluminado por abaixo que parecia fazê-lo flutuar. A mudança de luzes dirigidas de acima do piso de concreto pintado em padrões variados de cores. Até mesmo as luzes indiretas, as sombras escuras em cada uma das portas não escondiam os estragos do chão ainda molhado em alguns locais da noite anterior. Queria saber se a falta de janelas e ar neste lugar era a razão para o cheiro de umidade. Já não cheirava a calor, gente, sexo quente, ou a adrenalina. — É difícil acreditar que este é o mesmo lugar. É tão chato... — É a realidade. A realidade horrível. Ela olhou e percebeu que algo estava faltando. O quarto parecia vazio de alguma forma, não só vazio de pessoas. Esta era a área com os sofás e ela achou interessante não os encontrar mais lá. — Vejo que fizeram alguma limpeza. Acredito que os móveis não sobreviveram à água. — Espero que os queimem depois de ontem à noite. As coisas que as pessoas estavam fazendo neles. − Ele estremeceu. — Não há nada de errado em ter relações sexuais − respondeu ela, entrando no centro da sala que tinha uma vista panorâmica.


— Eu estava errado. E não me refiro a parte do sexo. E sim à parte em que as pessoas começaram a brincar sozinhas, sem controle, e não necessariamente com as pessoas que deveriam ter feito. — Essa é a sua forma de dizer que queria fazer com outra pessoa? − Ciúmes, estirou suas garras! — Não. Estou contente que era você e não outra pessoa. E uma boa coisa que ninguém te assediou. Teria sido difícil de esconder um corpo naquele momento. — Por que você teria que esconder um corpo? — Não importa. O que estava tentando dizer é que algumas coisas devem ser feitas na privacidade, pelas razões certas. — Porque você é um hipócrita. Suspirou. — Bem. Sim. Sou um hipócrita, e caramba, não vou pedir desculpas por isso. − Ela lhe deu um sorriso. — Bom, você não deve. É frustrante, mas bonito. Deixando de olhar para ele, girou e continuou com sua inspeção até o teto. Abria-se em uma estrutura alta, vigas de metal, com bolas de discoteca amarradas e espessos cabos de fiação.


— É difícil acreditar que este é o clube mais quente no momento. — É incrível o que escassez a iluminação e o álcool podem fazer. Agora devemos seguir com a verificação, antes de que nossa sorte se esgote e alguém apareça. — Onde devemos olhar primeiro? Duvido que haja algo exposto. Arquivos pessoais e outras coisas precisam de um lugar mais seguro. — Concordo. Tem que ter um escritório por aqui. De fato, havia, no segundo andar, com vistas para todo o clube. A porta só precisou de um empurrão firme para abrir. No interior, o espaço se manteve seco, obviamente era uma zona separada da outra parte do clube. Passaram por gavetas, analisando os documentos que ali se encontravam, em sua maioria eram pedidos de álcool, folhas de horário para os empregados, e outros papéis que eram para o funcionamento de um clube. Não havia agendas secretas do tráfico de shifters. Não havia um compartimento secreto na gaveta, USB salvos com as memórias ocultas, com filmes comprometedores. Nem mesmo esposas. O escritório e os gabinetes não eram o único lugar que não tinha informações. O computador estava bloqueado com três contra-senhas, todas não válidas,


Douchenozzle, Lunaisdaddomb, e Lovemonkey não estavam sendo aceitas. Não, essas não eram suas contra-senhas. Não mais. Eles não encontraram uma só pista, além do fato de que a tequila não era do México. Um horror. Saltou para trás pelas escadas, ela não pôde evitar voltar para a pista de dança, algo que a incomodava. O pó de fadas da noite anterior, não deixou nenhum vestígio, nenhum rastro, provavelmente foi lavado pela água. Tudo parecia limpo, lavado, mesmo todo o aroma. Então, por que sentia que estava deixando passar algo? Oculto. Sua felina fez alusão a algo, mas o quê? Na realidade não havia muito o que ver neste lugar. Um hall de entrada, as principais áreas do lugar, uma área de armazenamento atrás do bar com um banheiro para os funcionários e um lugar para pendurar. A cabine do DJ, que ficou fechada e seca durante dilúvio. O que tinham esquecido? — Vocês se importariam de me explicar por que estão invadindo?

A pergunta repentina a sobressaltou e arrancou um grito de ambos. Não era de admirar. Aparentemente, ambos tinham perdido o cara que deslizou entre eles.


í

Jeoff O mais humilhante que pode acontecer a um caçador, é alguém raspar seu pelo enquanto dorme? Alguém furtivamente entrar sem ele perceber. Como ele não havia percebido. Nada. Falhou Lobo. Gemeu. Não importava que Luna parecia tão surpresa. Que porra embaraçosa, especialmente quando ele uivou como um filhote de cachorro assustado. O instinto assumiu, gritando perigo. Girando, Jeoff fez um balanço rápido do estranho que entrou fazendo menos barulho do que uma aranha no teto, que, de acordo com sua irmã, era errado dizer que as aranhas não faziam ruído. Ela afirmou que os distintos cliques de suas oito patas sempre faziam um ruído. Ele já tinha percebido isso já que ela gritava aos céus todas vez que ele tinha deixado sua tarântula peluda solta no quarto dela quando eram crianças. Ele tinha amadurecido desde então, por isso não entendia como de repente se sentia como criança pequena na presença de algo grande, tão grande que seu lobo se perguntou se devia mostrar sua barriga. Desculpe? Que merda.


O impulso perturbador para submeter-se não fazia sentido. Não era como se o macho que enfrentava apresentasse um perigo claro e presente. Por uma questão de fato, ele não o fez, parecia que seria preciso muito para acabar com ele. Um tipo magro, provavelmente dois ou cinco centímetros a mais de um metro oitenta. Cabelo negro, com toques de vermelho, penteado para trás, rosto pálido, um nariz fino e penetrantes olhos que pareciam muito impressionantes. O estranho não possuía nenhuma arma e não tinha um corpo volumoso de um boxeador. No entanto, havia algo que não lhe caia bem. Um grunhido baixo retumbou por seus lábios quando seu lobo se arrepiou por dentro, não gostava do estranho absolutamente. Respirou fundo para obter mais pistas, e foi então que ele percebeu a agitação de seu lobo interior. Quem era este cara, ele não apresentou um aroma além do amaciante de roupa usada em sua camisa Henley cinza escura. Como o cara da noite passada. Exceto, que este tipo não era do tamanho certo. Mais um sem um aroma natural? Isso era algo preocupante, como a batalha pelo domínio que estava acontecendo no momento. Com os olhos fixos, fizeram um baile com a postura silenciosa. Quando os homens se reuniam pela primeira vez, animal ou humano, não importava. Uma certa postura era necessária já que cada homem avaliava e media o outro.


Olhavam de cima a baixo. Enganchando os polegares nos passadores de suas calças. Uma sugestão de desdém ao redor dos lábios. Era parte de estabelecer quem era o mais dominante. O que acabou por ser Luna. — Oh! Dêem um tempo. Vocês podem deixar de olhar um para o outro. Já sabemos quem manda aqui. − Um par de olhos giraram em sua direção, a tempo para recuperar seu sorriso. — Não faça te mostrar. — Ela é sempre tão descarada? − Perguntou o rapaz. — Ela está aqui. E ela quer saber quem é você − anunciou com um desdém digno de uma rainha. Arqueando uma sobrancelha. — Quem eu sou? Acredito que eu deva perguntar primeiro, e diferente de vocês, tenho direito a estar aqui. Assim, quem são vocês e por que estão invadindo? — Estamos investigando o que aconteceu na noite passada. − Jeoff tinha uma resposta pronta. — E você está fazendo em nome de quem? − O homem coçou o queixo. — Você não é da polícia. A polícia precisa de um mandato para entrar, não pode entrar sem permissão. E por que a polícia voltaria quando ficaram mais que satisfeitos em dizer que foi um acidente que ativou o alarme. Certamente não estão com a companhia de seguros, já que não os chamei. Assim o que é que resta? − Fixou um olhar sombrio sobre eles, um olhar estranhamente convincente que fez com que Jeoff quase deixasse escapar todos seus segredos.


Sim, não. Jeoff apertou os lábios e olhou para trás. O homem deu uma dica de um sorriso na curva de seus lábios, antes de virar seu poderoso olhar para Luna. Jeoff quase riu. Como se algo assim a intimidasse. Com os punhos plantados nos quadris, ela lhe devolveu o olhar. — Melhor que saiba agora. Eu não vou tremer. E, além disso, pensei que já tivéssemos decido quem estava no comando aqui − respondeu Luna. O homem suspirou. —Animais malditos. Seu tipo é sempre uma dor a ser considerada. — Desculpe? − Disse Jeoff. Com a cabeça inclinada para o lado, Luna examinou mais de perto o tipo. — Você sabe o que somos, certo? — Uma leoa e um lobo, se metendo em meus assuntos. Nossa, isso faz com que me sinta tão sortudo. − Destilava sarcasmo. — Você tem sorte pois esqueceu de informar ao rei da cidade. − Continuou com a leitura e tentando pegar o cheiro do rapaz, isso ainda não permitia a Jeoff identificar o tipo. Estranho, para caralho, porque nunca tinha encontrado uma pessoa que não tivesse um aroma, exceto o de detergente em sua roupa. Cada animal tinha um buquê único que lhes era próprio, até agora. — Quer que me reporte a seu rei? − Uma rica risada deixou um calafrio em sua pele. — Por que eu faria isso? Estas regras se aplicam apenas ao seu tipo. Quanto a mim, não


informo aos animais. − Era claro o desprezo em suas palavras. Cada vez menos as coisas não se encaixavam. — O que você é? − Devido à forma como o homem falava, sua atitude e mesmo seu conhecimento aparente, era mais que humano, mas se não era um shifter, o que era? Ao contrário da crença popular, só porque lobisomens e outros shifters existiam, não significava que uns montes de outras criaturas de contos de fadas existiriam. Ou pelo menos isso é o que haviam ensinado a Jeoff. — O que eu sou não é de sua conta. Engraçado como essas palavras pareciam se repetir, provocando no limite de sua mente, repetindo uma e outra vez, um mantra sussurrado. Ele deixou de lado. — Eu estou fazendo disso meu assunto. − Rosnou as palavras, inclinando-se para frente, sua posição demonstrava uma clara ameaça. O cara permaneceu impávido, firme. — Você realmente acha que pode me forçar? — Talvez ele não possa, mas eu posso. Diga. Agora. Quem é você? − Luna perguntou, invadindo o espaço do homem, ele não se afastou e manteve sua expressão fria, enquanto ela andava ao seu redor. Ele tinha bolas. Uma leoa caçando não era algo para brincar. — Esse interesse no que eu sou. Além disso, acredito que não há nenhum mal nisso, em lhe revelar. Afinal de contas tenho planos de residir aqui em um futuro próximo. Sou


Gastón Charlemagne. O proprietário do clube Rain forest Menagerie em que estamos conversando. Como eu sou o proprietário, digam-me por que estão invadindo. — O que acontece se não dissermos? — Então, talvez eu permita que as autoridades perguntem por mim. — Acredito, sem dúvidas, que podemos resolver as coisas como adultos. − A última coisa que Jeoff queria era trazer a polícia para um possível assunto shifter. Luna já tinha o suficiente contra ela, mas isso não significava que ela sabia quando segurar sua língua. — Resolver as coisas como adultos? − Ela bufou. — Fale por você. Eu digo que devemos levar o traseiro dele para o chão e começar a torturá-lo até obter nossas respostas. — Tsk. Tsk. − Charlemagne sacudiu cabeça. — Animais. Sempre pensando que a violência é a resposta. E assim desnecessária, especialmente tendo em conta que não tenho nada a esconder. — Se você não tem nada a esconder, então não há mal nenhum talvez responder a algumas perguntas. − Jeoff jogou como sugestão. — Se com isso eu consiga que vocês saiam, então pode perguntar. — O que você sabe sobre os casais que desapareceram no seu clube? — Pessoas desaparecidas? Essa é a primeira vez que escuto isso. Tem certeza que aqui é onde ocorreram? − Normalmente era um bom juiz de caráter, mas Jeoff não podia ler esse homem. Sem aroma ou linguagem corporal para avaliar, só podia levar em conta as suas palavras. —


Todos eles vieram aqui. E estão desaparecidos desde então. − Era em parte verdade, queria ver se teria alguma reação do homem. Charlemagne não vacilou. Respondeu com um aceno de cabeça. — Por que está mentindo? Tem certeza que essas pessoas vieram aqui, ou está apenas pescando informações? − Como o bastardo sabia? — Você reconhece essas pessoas? − Luna pegou seu telefone e mostrou algumas imagens salvas nele. Uma após outra, Charlemagne negava com a cabeça. — Sua persistência é louvável, mas fora de lugar. Não recebo pessoalmente a todos os que passam pelas minhas portas. Eles poderiam ter sido clientes. Poderiam não ser. Temo que não posso ajudar, e me pergunto o que pensavam encontrar invadindo meu clube. — Estávamos procurando por pistas, − Disse Luna de forma audaz. — Será que encontrou alguma? Talvez um pouco de sangre no banheiro? Uma lembrança no escritório? Um corpo no porão? — Este lugar tem um porão? — Um pequeno, um utilizado pelos funcionários, mas esse não é o ponto. Sua investigação é infundada e ilegal. — O que é ilegal foi o que aconteceu aqui a noite passada. Estávamos aqui. Vimos o que aconteceu. − Sim, e como sentia. A questão era que as drogas tinham saído, mas seu desejo por Luna permaneceu. Inferno, ele estava lá antes


das drogas também. Quase cedeu, não estava certo de que jamais teria o suficiente. — Estão procurando algum tipo de reembolso porque alguém encurtou sua noite por ativar os aspersores? — Estou tentando descobrir por que todos no clube estavam drogados. Nessa acusação, os lábios do Charlemagne se dividiram quando ele soltou uma risada em voz alta. — Drogados? E o que os fez pensar em uma coisa tão tola? Mais uma vez, Luna não mediu suas palavras. — Todo o lugar virou uma orgia gigante. — Sim, eu ouvi que na noite passada os clientes estavam mais divertidos do que o normal. E o quê? −Levantando uma sobrancelha em uma resposta altiva. — Foi induzido por drogas − Jeoff acusou, porque de que outra forma poderia explicar a perda de controle que quase o levou a tomar Luna no chão, como um animal? — Essa acusação é infundada. As pessoas são inspiradas a deixarem suas inibições de lado. Você foi pego da mesma forma, uma versão sexual que exalava da multidão. Agora você se arrepende de suas ações e quer culpar alguém. − Seus olhos escuros brilhavam. — Nada aconteceu aqui ontem à noite. E não aconteceu nada àquelas pessoas desaparecidas. A menos que venham com a polícia e com um mandato, vou pedir que saiam. Estou cansado de responder às suas perguntas. A saída é por aqui. − O homem afirmou, Jeoff se arrepiou. Uma coisa era receber ordens de Arik, e outra muito diferente deste esnobe que acreditava estar acima dele.


Quanto a Luna, não era de admirar que não tinha intenção alguma de lhe ouvir. —Você pode parar com as ordens. Eu não terminei com você. — Sim. Você. Terminou. Durma. − A mão do homem se levantou e soprou um pó que estava na palma de sua mão. Jeoff prendeu a respiração, determinado a não inalar, mas as partículas finas picaram seus olhos e penetraram sua pele. Em um piscar de olhos, no minuto seguinte, encontrou-se na calçada, desabou sentado com Luna a seu lado. — O que diabos aconteceu? − Perguntou Jeoff quando se levantou. Luna avançou e puxou a porta, no entanto, apesar das correntes não estarem trancadas, não se moveram. Algo a prendia por dentro. — Como chegamos aqui? Não sei. Era uma admissão humilhante que ele não poderia fazer. — Eu acho que esse cara fez algo com a gente. De alguma forma nos drogou, com um pó que soprou em nossa direção, e logo nos tirou de lá... — Então, não imaginei o que acabou de acontecer? − Ela lhe deu uma olhada. — Você viu e falou com ele também? — Sim. E tenho que dizer que eu não gostei absolutamente. — O que diabos foi isso?− Perguntou ela enquanto se afastava da porta. Sua cabeça esticou para trás, olhou para o edifício fechado, as janelas pintadas, sem oferecer uma olhada do interior, mesmo que pudessem alcançá-las. — E eu sei lá. − Ele deu de ombros. — Eu esperava que você soubesse. — Não. Mas ele não é, definitivamente, um ser humano.


Nisso eles estavam de comum acordo. — Você acha que está aqui sozinho? − Se o cara não tivesse segurança, então talvez pudessem entrar no lugar e ... o que? Não tinha razões para atacar o cara. Era evidente que não poderiam ignorar Charlemagne. Ela tocou o lábio inferior, com o olhar distante. — Ele é forte, tudo o que é, ou pelo menos é astuto. Quanto à segurança, eu acho que tem pelo menos um, talvez mais, de seu tipo com ele. Sua falta de aroma corporal é real, e me faz pensar nesse gorila da noite passada. Que estava na porta e o derrubei. Para não mencionar o cara que me atacou em meu apartamento. — Qual de nossos tipos é o do bosque? Ela encolheu os ombros. — Poderia ser um dos que conhecemos, ou um novo. Sem aroma, não posso ter certeza. O que eu sei é que existem muitos deles, e eu não gosto. Temos que voltar lá − observou ele. — De alguma forma, eu não acho que Charlemagne vá responder se o chamarmos. — Então não bata. − Ela sorriu. —Voltaremos esta noite e vamos esperar que abram as portas. Ele não pode evitar que tenhamos um bom tempo em seu clube. Exceto, aparentemente, que poderia. Apesar do acidente com a água no dia anterior, o clube estava aberto essa noite, mais cheio do que nunca. Mas não era essa a razão para que o guarda, o mesmo da noite anterior, não os deixassem passar.


Os braços cruzados sobre o peito, o bruto, tomou um banho de colônia, provavelmente um frasco, o suficientemente para penetrar e queimar todos os pelos do nariz, de pé no seu caminho. — Vocês não têm permissão. — Por que não? Você nos deixou entrar na noite anterior. — Isso não vai acontecer hoje. — Mas olhe ... − Luna tirou uma carteira de identidade e acenou na frente de seu nariz. — Eu trouxe minha carteira de habilitação. — Ainda não estará acontecendo. Ordens do chefe. — Charlemagne nos vetou? − Isso explica muita coisa, não que Luna fosse aceitar. — Este é um país livre. Não pode me manter de fora. Na verdade, ele poderia, e podia chamar a polícia. Pelo menos pensou que Jeoff poderia ouvir as sirenes distantes. — Vamos. − Jeoff puxou a mão de Luna. — Vamos para outro lugar. O rosto dela estava com uma carranca, arrastando suas botas de vaqueira, que para ele pareciam completamente adoráveis, junto com sua saia jeans e blusa baixa amarrada sob seus seios, Luna pisava forte atrás dele em direção a seu carro. — Não posso acreditar que estamos saindo. Ou seja, poderíamos ter armado uma tremenda briga ali. Ou pelo menos eu poderia distrai-lo e você poderia ter deslizado para dentro e encontrado seu pessoal e coisas dos tipos mais simples. − Tipos simples eram sua nova palavra para os tipos sem perfume. — Armar uma briga não teria funcionado.


— E sair com o rabo entre as pernas, sim? − Replicou de forma sarcástica. Sua falta de fé o espetou. — Eu não posso acreditar que você acha que eles me assustam tão facilmente. − Ele fez um som a repreendendo. — Não vou desistir. Mas vou usar algo chamado subterfúgio. Permitindo que Charlemagne e sua equipe pensem que nos mandaram embora, mas na realidade... − Ele deu um sorriso. — Vamos dar uma volta e entraremos de outra maneira. — Eu gosto da forma como a sua mente funciona. Só que sua mente não podia mover os homens que estavam parados na frente e na parte traseira do edifício, e outro par para proteger cada extremidade da pista. Contava com mais no exterior das portas e saídas. — Eu não acho que eles vão sair − queixou-se Luna, de onde estava esparramada no banco do passageiro do carro dele. — Aparentemente, nós assustamos Charlemagne. — Devíamos ter pendurado ele pelos calcanhares quando tivemos a chance. — Provavelmente, mas não fizemos. E todo esse poder extra não significa que seja culpado de nada. Ele poderia simplesmente ter reforçado a segurança por causa do que dissemos. — Você acha que de repente ele se preocupa com o bem estar de seus clientes? − Um sorriso puxou seus lábios. — Não, mas eu aposto que você está preocupado com isso mesmo. Gostaria de saber onde ele está hospedado.


— Você não tem o endereço de sua casa? — Nada. Mas ele disse que era novo na área. Pode ser que esteja alugando ou mesmo ficando em um hotel. Muitos deles se adaptam para todos os tipos de empresas. — Você pode verificar com os hotéis, confirmando se eles o admitiram. Vou esperar e ver se há uma possibilidade de entrar no clube. — Você não vai se livrar de mim tão facilmente. Sei que a coisa do hotel é um palheiro, para me enrolar. Estou de acordo com seu plano de esperar para ver. Charlemagne terá que sair com o tempo, e quando isso acontecer, vamos segui-lo e em seguida encurralá-lo. − Desta vez, não seriam pegos de surpresa. Por isso se preparou para observar, uma missão de vigilância, era algo que ele tinha feito centenas de vezes, mas era totalmente diferente quando feito com Luna por perto. Por um lado, os limites de seu carro eram muito apertados. Não podia fugir de sua fragrância. Girava ao redor dela em uma mistura inebriante. Ela cheira tão bem. E sei que seus lábios tem um sabor ainda melhor. Talvez uma rapidinha. Ela estava ali. Tão perto. Precisava de ar. Quando saiu do carro, Jeoff a ouviu dizer, — Onde você está indo? Não importa. Vou com você. Porra, sim, quero que venha comigo. Em meu pênis, gritando o meu nome. O desejo por ela pulsava com vida própria. Necessidade fez querer pegá-la e fechar...


— Eu tenho uma ideia. Assim como ele. Ele queria dizer foda-se a operação vigilância e procurar uma cama. Ela tinha razão. Esta atração entre os dois precisava ser resolvida. Não podia se concentrar. — O que você está fazendo? − Perguntou quando ela o agarrou pela camisa e puxou-o para o lado em um beco estreito. — Siga-me e verá. Nenhuma luz brilhava entre os edifícios, no entanto, ela deslizou pelas placas de madeira e restos abandonados com facilidade. A visão noturna era uma vantagem, mas também mostrou a crueza do lugar. Não havia uma cama de solteiro ou um pedaço suave de grama para os olhos. — Espero que essa coisa seja a chave. − Luna sussurrou, soltando-o e dando um passo para a escada, seu pé aderiu ao primeiro degrau. — Não podemos ir lá. − O cheiro rançoso do beco fez muito para reavivar seu estado mental e apontar os problemas com o seu plano atual. — Devemos ficar no carro para que possamos estar preparados e sair a qualquer momento se precisarmos seguir alguém. —... Oh, por favor. Duvido que saiam tão cedo. O clube está recém esquentando. As chances são de que Charlemagne vá demorar um pouco lá dentro. Pelo menos aqui, podemos ter uma boa visão do que está indo e vindo. Por não falar, de que não vão nos ver como suspeitos. Quero dizer, vamos lá, você acredita que não irão notar que estamos sentados no carro?


Eles não pensariam nada disso se as janelas ficassem embasadas e o carro sacudisse sobre suas molas. — Acredito que podemos subir e dar uma olhada. − Uma parte dele sentia como se devesse assinalar que estaria frio na parte de cima. Se eles iriam perder tempo, estariam mais quentes em seu carro. Seu lado racional ganhou não permitindo mais discusso. Se ficasse no carro com ela tão perto, ele não seria capaz de parar o que inevitavelmente aconteceria. Por outro lado, poderia ter chegado a um ponto de não retorno de qualquer maneira. Luna moveu seu traseiro, e ele a seguiu. Neste caso, seguiua por uma escada, uma de madeira e metal, parafusada ao lado do edifício. Rangia e estremecia quando subiam os degraus estreitos. Não se incomodou em evitar a visão de seu traseiro arrebitado à medida que avançava na frente dele, flexionando na mais alta perfeição. Poderia ter babado um pouco com o pensamento de estar em movimento da mesma forma, porém nua. Aparentemente, quando se tratava de Luna, sua resistência desaparecia quase totalmente. Precisava só de um ligeiro empurrão sobre o limite. Em vez disso, esse empurrão o aproximou de uma chaminé que irradiava calor no teto e, sentou-se tão perto da borda, isso significava que poderiam ficar quentes enquanto estiverem assistindo.


— Você sabia que isto estava aqui? − Perguntou, apontando para as caixas de leite colocadas ao contrário no espaço entre a calha e a chaminé. — Uma tentativa. A maioria dos edifícios têm algum tipo de sistema de aquecimento, e nesta época do ano, estão bombeando calor em seus depósitos tentando manter a temperatura dos produtos. — Sabe, em todos meus anos de vigilâncias, nunca me ocorreu ter uma vista dessa aérea. Eu costumo ficar em um carro. Mais fácil de seguir. — Você tem que pensar fora da caixa, lobinho. Neste caso, você está assumindo que há algo a seguir. No caso de não ter notado, no entanto, o clube não tem carros estacionados em qualquer lugar. Nenhum. Nada. Nada de nada. Assim, ou Charlemagne caminha para todos os lugares, ou tem de chamar um táxi. O que significa que temos um minuto mais ou menos quando o táxi chegar para obter nossos traseiros de volta a suas rodas. Temos tempo, e se nós não lhe lançamos o desafio esta noite, vamos fazer amanhã. — Já estamos pensando em outro encontro? − Ele não podia deixar de provocá-la, sabendo como ela se apavorava com a ideia de algo um pouco mais sério. — Se esta é a sua ideia para um encontro, tenho que admitir que não estive perdendo nada. − Seus lábios se separaram em um amplo sorriso. — Na verdade, está é uma visão melhor de toda a ação. Ela ganhou nesse argumento. Ser discreto significava que não podia estacionar à direita do clube. Eles teriam percebido imediatamente. Mas aqui, escondido nas


sombras? Era um ótimo lugar para espiar e para os amantes. Sozinhos. Finalmente. Você deve resistir. Foda-se. Jeoff estava cansado de resistir. Cansado de suas próprias regras e malditos costumes. Ele não havia sentido desde que começou a passar algum tempo com Luna. Pelo contrário, sentiu-se frustrado e ansioso, excitado e vivo. Tão fodidamente vivo. Não eram só os gatos que sofriam com a curiosidade. Ele também sofria. Queria saber como se sentiria quando acabasse de gozar com ela. Se mandava tudo aos infernos e a amava como tinha fantasiado. Aqui e agora. Por que esperar? Antes que sua lógica pudesse frustrar sua necessidade, puxou Luna para ele, arrastou-a em seus braços, encostou sua boca sobre a dela, buscando os lábios flexíveis e dispostos. Uma parte dele reconheceu que o que faziam era perigoso, não porque a beijou e sim porque estavam à vista do clube que poderia estar envolvido no sequestro e desaparecimento de pessoas. O abraço limitava o perigo, porque sabia que não podia parar e sabia que ia querer mais. Tudo dela. Ia querer tudo dela. Dava adeus ao celibato. Não importava que Luna pensasse que só desfrutariam de uma


aventura, isso seria algo que iriam fazer um par de vezes até se cansarem. Ele sabia. Ela é para mim. Na verdade, continuou negando isso, era o que tinha lutado por tanto tempo. Uma vez que se afundar nela, tomaria Luna e os fatos, e isso foi tudo. Ela o arruinara totalmente para as outras mulheres. Não havia nenhuma dúvida sobre isso. Ele vai arruinar qualquer um que pensasse que poderia têla, com os punhos. Se orgulhava por ter uma cabeça fria, mas isso não se aplicava no que dizia respeito a Luna. Toquem-na, e ele ficaria louco.


í Luna Luna já havia mais ou menos se convencido de que levaria algum tempo para tentar seduzir Jeoff. O homem parecia satisfeito em torturar aos dois, determinado a enviar sinais mistos, por isso quando tomou seu rosto e colou os lábios nos seus, estava pronta esperando um beijo tórrido seguido de uma intensa frustração sexual. Saber disso não significava que ela o rejeitaria. Ela não podia. O toque de sua boca na dela acendeu um fogo dentro dela, um impulso primitivo selvagem para colocar sua marca neste macho, para torná-lo dela. Havia uma diferença de altura entre eles que foi resolvida quando a ergueu. Já que ela não queria que ele caísse, envolveu suas pernas ao redor de sua cintura. Essa era sua lógica, mas a realidade era, que não só levou seus lábios aos dele, mas também pressionava seu centro, contra sua frente, em sua parte mais dura. Não podia negar sua excitação por ela. O que ele fez foi deixá-la preocupada se isto seria outro exercício de frustação. Não eram só os homens que ficavam com algumas de suas partes azuis. Entre beijos, afastou-se e conseguiu perguntar: — O que estamos fazendo? — O que parece que estamos fazendo? − Foi sua resposta.


Não era exatamente a resposta mais reveladora. — Parece que estamos nos beijando, −mordiscou e chupou — mas a última vez que chegamos tão perto – deu um puxão em seu lábio inferior. — Você foi embora. − Ela morreria se ele fizesse isso de novo com ela. — Parei de lutar contra isso. Eu não vou a lugar nenhum, não desta vez. Nem nunca. O que significava isso? Teria que esperar para pedir uma explicação. Aprofundou o abraço, reclamando a boca dela com um toque de fogo, uma fome possessiva que ela também sentia. Beijar Jeoff era diferente de tudo que já havia experimentado, e ela havia experimentado muito. Por que era diferente? Por que tinha essa sensação de estar sentada a beira de um precipício? A intensidade do momento a assustou. Aterrorizava-a pensar que isso implicava em algo mais. Ela estaria pronta para isto? Pronta para Jeoff e tudo o que prometia? De todas as piadas que tinham feito, nunca imaginou realmente que isso aconteceria. Esperava que sim, mas nunca pensou além da fantasia. O que vai acontecer depois que fizermos sexo? Jeoff já não resistia. Pelo contrário, ele a seduziu, mas deixou claro quais eram suas intenções. Ele queria um relacionamento. A pergunta era, ela o queria? Talvez ela pudesse convencê-lo a ter algo mais informal? Isso seria suficiente para ele, ou esperaria algo mais dela, um pouco mais profundo? O que eu quero dele? Sempre foi mais?


Uma coisa chamada dúvida, não era algo que sentia com muita frequência, pensou em se afastar, pôr um pouco de espaço entre eles. Ter algumas respirações e limpar sua cabeça. Parar. Não. De maneira nenhuma ela se afastaria dos lábios que se inclinavam sobre os seus. Como se ela pudesse resistir às provocações e mordiscadas, a exploração sensual de sua boca? A resposta foi que não podia, e não o faria. Mas ele sentiu sua retirada, e parou o abraço tempo suficiente para dizer, — Você está bem? Quer que eu pare? — Você quer parar? — Eu perguntei a você. Porque a respeitava. Porra isso era quente. — Não se atreva a parar agora. − Ela nunca quis tanto um homem. — Ou o quê? − Brincou, seu fôlego tocando seus lábios. Ela jogou os braços em volta de seu pescoço e o puxou para perto, apertando suas bocas juntas. Jeoff gemeu, um murmúrio de reconhecimento absorvido pelos lábios entreabertos que permitiram uma incursão sinuosa por sua língua. A intimidade do beijo fez seus dedos dos pés enrolarem, o gosto dele a deixava louca. As pontas de seus dedos cravaram em suas costas enquanto se aferrava a ele. As roupas que os separavam irritavam a sua pele. O horror. Irritação. Ela arrastou seus lábios ao longo de seu pescoço, mordiscando seu queixo limpo. De alguma forma, ele tinha arrumado tempo para fazer a barba. Uma pena, ela não se imporia com a aspereza de seus pelos. Seus lábios estavam


se movendo, ele inclinou a cabeça para trás, deixando a mostra sua garganta em um último gesto de confiança. Deixou que sua língua deslizasse sobre o pulso rápido da veia do pescoço dele. Ela apertou os lábios ali, o predador nela ficou feliz que ele não tentou dobrá-la à sua vontade. Nesse momento, ele pertencia a ela. Devemos marcá-lo. Agora. Sua coluna lisa ficaria tão bem com um conjunto de marcas de dentes. Seu. O pensamento a fez ofegar e se afastar para trás. Precisava colocar algum espaço entre eles antes que fizesse algo que iria se arrepender mais tarde. No entanto, ele não sabia dos maus pensamentos que flutuavam em seu cérebro e não viu sua batalha mental travada dentro de sua cabeça. Ele a puxou para outro beijo tórrido, acabando com sua resistência. Sua resistência inexistente. Ela queria isto. Só teria que ter certeza de não mordê-lo. Deveria ter trazido uma focinheira. Mantendo-a no ar pela metade significava que ele podia andar e apalpar, mas não permitia a ela que suas mãos vagueassem por seu corpo. Talvez isso explica por que se afundou bruscamente no terraço, dobrando as pernas para que ela sentasse em seu colo, escarranchada sobre ele. Ela puxou o tecido de sua jaqueta para que seus dedos ficassem livres para passear acima, peneiração através dos finos fios de seu cabelo. Ele demonstrou ser menos sutil na sua exploração, apertou as palmas das mãos em seu


traseiro. Ele a apertou contra seu corpo, sua posição decadentemente íntima. Sua saia se amontou ao redor de seus quadris, deixando apenas sua minúscula calcinha como uma barreira para seu sexo, encharcando irremediavelmente o material. Podia sentir um pouco dessa umidade, em seu jeans, mesmo o tecido grosso impenetrável, absorveu alguma coisa. Ele podia sentir o calor que irradiava dela? Ele apertou seu traseiro, e ela não pode deixar de provocálo, — Essas não são laranjas. Não precisa testá-las. — Não é tanto para testá-las, é algo mais como admiração. Tem alguma ideia de quanto tempo quis pegar esse traseiro? Sentiu um jorro quente de prazer pela sua admissão. — Se você acha que ele é bom, espere até que fique entre minhas coxas e eu te esprema entre eles. – Perguntou-se, tarde demais, se ela iria assustá-lo com seu descaramento. Ele soltou uma risada baixa entre os lábios. — Estou ansioso para que faça isso. A resposta dela se converteu em um suspiro quando ele deixou seus lábios no lóbulo de sua orelha. Mordendo a ponta e lhe arrancando um gemido de prazer. Tinha encontrado seu ponto fraco. E ele o explorou completamente. Enquanto torturava sua orelha, teve de apertar-se mais forte contra ele, as pontas de seus mamilos roçavam a malha que os cobria. Ela estava queimando de necessidade. Queria tocá-lo.


Inclinando-se para trás, abriu sua camisa, abrindo os botões, ficando livres, ele a despiu, deixando-a em seu colo, de saia, e apenas de calcinha e sutiã. Mesmo sem a chaminé quente na parte de trás, teria ficado quente com o que viu em seus olhos. Ele a devorava com os olhos, o olhar quente queimava sua pele de forma consciente. Deslizando suas mãos para cima de suas nádegas, por suas costelas, parando na beira de seu sutiã. Não era a primeira vez que um homem a tocava, mas Luna não podia deixar de tremer sob seu toque. Suas mãos deslizaram ao redor procurando suas costas. Com dedos hábeis, desabotoou e tirou seu sutiã, liberando seus peitos. Ele inclinou para trás e lambeu os lábios em um convite. O indício de um sorriso espreitava ao redor de seus lábios, mas seus olhos estavam firmemente no prêmio. Seus seios, um punhado perfeito para cada uma de suas palmas. Seu polegar roçou o pico de seu mamilo, o bico já duro, ficou ainda mais tensa. Beliscou entre os dedos e os rodou, gemendo. No puxão de seus mamilos, ela sentiu um choque entre suas coxas. — Porra, você é tão linda. − Praticamente rosnou as palavras. Não tinha que se preocupar. Podia ler a adoração quente em seus olhos, mas queria fazer mais que olhar. Ele queria honrá-la com sua boca. Quando abaixou a cabeça para frente, ela arqueou suas costas para apresentar seus seios para ele. Jeoff tomou o que lhe foi oferecido, com a boca pegou um dos mamilos, chupando em sua boca quente e úmida. O outro broto tenso não ficou para trás enquanto seus dedos brincavam com ele, provocando um alto prazer.


Não podia evitar de desfrutar dos seus sons de prazer, gostava do seu estímulo audível, que crescia a medida que ficava mais ousado em suas carícias. Quando ele afundou o rosto em seu decote, ela o abraçou e desejava que enfiasse sua cara em outra parte. Humm. Só a ideia a tinha o empurrando. — O que você está...− Ela parou sua pergunta cavando sua mão em seu cabelo e puxando-o até o V de suas coxas. Ele entendeu o recado e empurrou seus joelhos, um desejo suplicante para adorá-la. Sua saia se manteve enrolada ao redor de sua cintura, deixando descoberta sua calcinha encharcada. Colocou seus dedos e puxou, empurrando para baixo no comprimento de suas pernas, mas deixando-as atadas ao redor de seus tornozelos em suas botas. Seus dedos cravaram em suas coxas, mantendo-a aberta, expondo-a para sua visão. Acariciou-a, esfregando o rosto contra seu monte, provocando com seu hálito quente. Conseguiu encaixar a língua entre suas coxas, a ponta dela tocando seus lábios inferiores. — Sim. − Ela praticamente ronronou a palavra uma e outra vez enquanto ele a lambia, nas passadas insistentes de sua língua úmida. Ela estremeceu, toda preparada e pronta para mais. Mais dele, afundando-se nela. Agora. Sem mais demora. Ela o empurrou, e ele rosnou. — Eu não terminei.


— Não, você não terminou. − Ela conseguiu girar sem cair, seus tornozelos ainda presos por suas calcinhas. Abaixou-se e apoiou suas mãos no parapeito, sabendo que expôs seu núcleo. Ouviu-o sugar respiração. Olhando por cima do ombro, em um claro convite "Foda-me", era tudo o que ele necessitava para tomar o que ela oferecia. Ele se levantou no terraço, com as mãos sobre o zíper de sua calça. Desabotoou e empurrou suas calças até que saltou gloriosamente livre, seu grosso pênis balançando em apreço. — Sabe? Você tinha razão. Isso não acontece quando você está duro. — Você está realmente brincando num momento como este? − Ficou de pé atrás dela e bateu a cabeça de seu pênis em sua bunda. — Você percebe que está à minha mercê. — Já era hora, então, se importaria de parar com a conversa e partir para a ação? — Não há respeito − ele se queixou. Continuou movendo seu eixo duro entre suas nádegas, sentia-o também entre suas coxas, a ponta dos dedos deslizando-se ao longo de seu sexo. Quando pensou que iria gritar se não fizesse algo, passou os braços ao redor de sua cintura e a levantou um pouco mais. Só então empurrou a ponta de seu pênis em sua fenda molhada. Sentindo seu grosso pênis, não pôde evitar estremecer, o tremor fez que encolhesse seu já estreito canal, por isso foi mais difícil para ele empurrar dentro. — Não vai encaixar − ela não pôde evitar dizer com incredulidade. — Vai encaixar. − Disse as palavras determinado.


Ele caiu de joelhos, e com ela ainda inclinada, passou sua língua contra ela, chicoteando de forma rápida seu sexo e fazendo-a gemer. Quando voltou sua atenção para seu clitóris, empurrou seus dedos dentro de seu sexo, fazendo-a ofegar, especialmente quando ele pôs dois, três, quatro, em seu canal, que se estendeu. Ela gemia enquanto bombeava sua carne doce. Desta vez, quando ele se levantou bruscamente e empurrou a ponta, não estava tensa, e ele se acomodou em seu apertado canal. E era muito apertado. Jeoff a estirou, seu pênis tinha um tamanho considerável e foi estirada tão deliciosamente. Seus dedos apertavam o parapeito enquanto se empurrava contra ele. Podia sentir que ele estava se segurando, provavelmente por achar de forma errada, que a tinha machucado. Ele ia aprender que ela poderia lidar com um pouco áspero. Na verdade, ela gostava quando um amante não a levava muito lentamente e suave. Que melhor maneira de lhe mostrar que gostava de um pouco duro, do que se empurrar contra ele, se embainhando profundamente em seu pênis. Mesmo sem poder vê-lo, pode ouvir quando Jeoff deixou escapar um uivo, não foi o som mais discreto, mas foi incrível. Foi profundamente satisfatório. Ela o fez perder o controle. Bom, porque ele fez o mesmo com ela. Quando Jeoff se manteve enterrando, empurrando seu pau uma e outra vez, em uma cadência que a fez perder o fôlego, só podia tomar o êxtase iminente, sentindo as ondulações que


o apertava, a tensão de cada nervo, culminaria no mais absurdo orgasmo. Se ele não se segurasse, e deixasse ir. — Tome-me − ela rosnou. Empurrando. — Porra, me tome, lobinho. Tome-me duro e rápido. Foda-me e me faça sua cadela. Eu quero que você me faça gritar. − As palavras sujas saíram dela, mas não podia detê-las. A questão era, o assustaria? Como o inferno. Jeoff soltou outro uivo de prazer. Seus dedos a agarraram e a mantiveram perfeitamente preparada para o rápido bombeamento de seus quadris. Ele bateu nela, um atrito constante que a deixou gemendo. Pela primeira vez, um homem deu a Luna o que ela realmente queria. Ele bateu em sua carne, acertando um ponto ideal, com cada golpe profundo. Seu corpo batia contra seu traseiro com um estalar da carne. Ela o apertou, seu corpo tão em sintonia com ele, inclusive até mesmo seu espírito, sua própria essência, parecia ter se estirado para se envolver ao redor de Jeoff, alimentando suas emoções. Podia sentir sua resposta a seus suspiros e gemidos, sua intensa satisfação por estar com ela. Ele a fez chegar ao clímax, apertando seu pênis, enterrado dentro dela, ainda mais duro. Enterrado até o punho, agora ela entendia o significado disso, era perfeito, tremia ao seu redor. Agarrando-se a isso. Ela o fez cair até o limite, gozando uma e outra vez, o primeiro orgasmo rolou sobre ela, pulsando, o calor de sua essência enchendo-a, deixando-a quebrada.


Ela poderia ter entrado em colapso se não tivesse sido envolvida ao redor de seu corpo tremente. Ele a segurou perto dele, deixando ela se recuperar enquanto lutava para acalmar suas respirações duras. Foi um momento estranhamente íntimo. E ele o arruinou ao falar.


í Jeoff — Você está bem? − Parecia uma pergunta razoável, uma vez que havia perdido completamente o controle. Como pode fazer isso com ela, liberar em sua doce carne, golpeando seu sexo com seu pênis, incapaz de resistir ao abrigo úmido e sem nenhuma consideração por ela? Não importava que ela pediu no final. Um cavalheiro devia, pelo menos, perguntar se sua amante tinha ficado ilesa através dessa experiência. Mas esta era Luna, e ela não gostou de sua cortesia. — Se estou bem? De verdade? − Luna se endireitou. — É obvio que estou bem. Não sou uma fodida flor delicada, sabe.− Ela o atacou com palavras, e algo lhe acertou nesse momento. Quantas vezes Luna atirava suas chocantes acusações ou pedidos? Esse descaramento poderia ser parte de um mecanismo para se proteger? Aqui enfrentavam um momento de intimidade, e não sabia como reagir. Ela temia se permitir desfrutar disso. Mas por que? Por que ela faria isso? — Eu não sei por que você está com raiva. Só estava mostrando um pouco de cortesia básica. — Como um show para qualquer um. − Os ombros de Luna caíram em derrota. — Você provavelmente é simpático com todas quando você fode. Não significa nada. − Era quase como se estivesse falado para si mesma.


— O que diabos você está falando agora? Eu não estou sendo amável com você porque tenho que fazer. Porra, eu estou sendo amável com você porque eu me importo. Entendeu, Luna? Você. Porra. Importa. – Ele se importava, mais do que poderia ter imaginado. — Se você se importa tanto, por que se empurrou longe? − Ele passou uma mão pelo cabelo. — Por quê? Eu te disse o porquê. Porque eu sabia que ter sexo com você faria as coisas complicadas. — Como? Eu não estou pedindo nada de você. — Você não fez, e ainda assim você quer mais. E isso me assusta. Estar com você é como convidar um furacão para minha vida. Ela plantou as mãos nos quadris e deveria parecer ridícula com seu cabelo loiro com cachos tênues desalinhados todo bagunçado. Ficou de pé de topless, com o peito arfando, seus mamilos em apertados casulos que tinha vontades de chupar, e a saia ainda ao redor de sua cintura, expondo seu bem aparado monte. — Então, eu sou uma força destrutiva da natureza? Caramba, encha-me de elogios, por que não? — Eu faria, mas é mais provável que me castre se o fizer. — Você está certo. Eu não preciso de você para me dizer o quão maravilhosa eu sou. Sei que sou impressionante. − Seu queixo inclinado teimosamente. — Sim, você é. − Ele concordou, e ainda assim ela o queimou com um olhar ardente. — Impressionante, mas ainda não boa o suficiente para o Sr. Calças Exigentes.


— Oh, gatinha, você é mais do que suficiente e perfeita para mim. – Chamou-a pelo apelido que sabia que ela odiava, mas não pôde resistir, não quando parecia tão linda zangada e bufando. Puxou-a para ele, mas ela não estava tomando nada disso. — Oh, não, você não pode. Você não tem permissão para me abraçar. Não pense que eu não vejo o que está tentando fazer. — Tentando ter sorte pela segunda vez? Ela balançou a cabeça. — Isso não vai acontecer. Eu disse que só tínhamos que fazer uma vez, arranhar nossa coceira. Eu, por exemplo, sinto-me perfeitamente saciada. − Ela se deleitou com a maior mentira do mundo. — Estou completamente satisfeita agora que o conseguimos fora do caminho. Com a tensão sexual fora, poderemos nos centrar em nosso trabalho. — Você se dá conta de que estar de pé semi nua não é algo que me convence disso? Ele estendeu a mão e tentou beliscar um mamilo. Ela salto fora de seu alcance, as mãos já abaixando sua saia amassada. — Eu acho que não devemos fazer isso. — Wow, isso soa como algo que eu diria. – Ele não pôde evitar o sorriso zombador. A careta que ela fez, fez seu sorriso mais largo. — Eu acho que você tem razão. Devemos manter a distância. — O que é isto? Rechaçando-me depois de ter se aproveitado do meu pobre corpo, indefeso?


Bufou em descrença. — Whoa, espere um segundo. Que corpo indefeso? Não há nada em você que precise de proteção. — E o meu coração? —Não o confunda com seu ego. Acredito que só está esmagado por que tinha razão. Um golpe rápido e esmagador, disposto, e estou curada de você. Ele não podia dizer que ela queria mais, porém não acreditou. Cruzou os braços sobre o peito. — Você está mentindo. — Não estou. — Você faz muito isso. — Bem, você não pode provar. − Ela sacudiu a cabeça com uma obstinação que esperava e desfrutava. — Eu acho que posso. Se você não me quer nunca mais, então venha aqui e me dê um beijo. — Não haverá beijos. Não se envergonhe mendigando. — Eu não mendigo. — Então essa conversa terminou. − Luna agarrou sua camisa e passou seus braços através dela. — É hora de voltar ao trabalho. — Que se foda o trabalho. – Resolver esta questão de repente parecia um inferno muito mais importante. — Nós já fodemos por tempo suficiente. Olhe, acho que o clube está começando a diminuir o ritmo. Há um montão de carros saindo e...


— Eu não me importo um caralho. Eu quero lidar com isso. Você e eu. Agora mesmo. — Não existe você e eu. − Ela começou a se afastar dele em direção ao corrimão da escada, curvada acima do parapeito. — Oh, não, você não vai. − Levou apenas um par de passos para estar dentro de seu alcance. Ele a agarrou pelo braço e girou. —Por que você está determinada a evitar falar sobre nós, continuar o que começamos e ter um relacionamento? Você foi a única que seguiu empurrando até que cedi. Agora, você está me afastando. — Um relacionamento? − Enrugou seu nariz. — Uma garota não pode apenas querer arranhar sua coceira? Ela estava sendo deliberadamente dura, tentando se distanciar dele. Mas ele não a deixaria sair. — Bem. Não vamos chamar de uma relação. E se nós chamarmos de um lucro apenas por um tempo? Pense nisso como uma economia de tempo. Eu tenho necessidades. Você tem necessidades. Por que não cuidar dessas necessidades juntos? − Ele usou sua própria lógica contra ela. — Isso não vai funcionar. — Por que não? − Patético, sim, mas não podia parar de perguntar. Uma parte dele sabia que devia se afastar. Deveria deixá-la sozinha. Deixá-la negar o que poderiam ter. Mas se saíssem, ia perder a oportunidade de ver se eles poderiam se tornar algo grande? O que aconteceria se Luna saísse? E se ele nunca encontrasse outra mulher para sua vida? Quem lhe faria querer como ela, um futuro, uma família, um para sempre, assim com tanta força?


Em virtude obstinada no dicionário, você encontraria Luna. Ela se empurrou mais alto. — Porque. E antes de continuar incomodando, já lhe ocorreu que talvez não esteja interessada porque o sexo não foi bom? Talvez eu esteja tentando te descartar suavemente. Um homem mais fraco poderia ter fugido, esmagado pelo simples pensamento. Jeoff sabia melhor. Um sorriso zombador surgiu em seus lábios. — Essa é uma mentira tão grande que estou surpreso que seu nariz não cresceu. Você amou o que aconteceu entre nós. Não se esqueça, eu senti a força com que você gozou no meu pau. A julgar pelo fôlego contido e o tamborilar repentino de seu coração, ela também o fez. — Ok, talvez o sexo foi bom... Ele arqueou uma sobrancelha. — Ok, foi ótimo, mas eu estou descartando. Isto é muito intenso para mim. Não preciso ou quero um homem pegajoso estragando minha vida. — Pegajoso? − Soprou. — Agora está realmente agarrando a um prego ardendo. Acredito que você está com medo de que vá gostar e vai acabar querendo ficar comigo. Eu prometo que não é tão assustador quanto parece. Se ajuda, eu sei como cozinhar e limpar. — Não me suborne. Não é justo. — Você me tentou até que me levou fora da minha mente,− e calças — isso tampouco foi justo. — Bom, terminei de fazer isso. É melhor não levar as coisas ainda mais à frente. Trabalhar em estreita colaboração com


o bando, e quando não está trabalhando, você vai achar desconfortável. O pessimismo lhe incomodava. — Por que você acha que não vai funcionar? — Por que supor que funcionaria? Porque é minha. Uma crença que ela não compartilhava. Ela começou a se afastar dele novamente. Ela se deu por vencida. A leoa, que normalmente lutava até seu último suspiro, desistiu sem sequer tentar. Ela estava tomando o caminho dos covardes. E lhe exortou. Um ruído de cacarejo preencheu a lacuna de silêncio entre eles. As mãos estendidas no modo de ataque, virou-se e perguntou: — Que som foi esse? Ele estalou de novo e agitou seus braços. Olhos de cor âmbar se estreitaram. — Você está me chamando galinha? Cacarejo. — Se galinha se encaixa. − Cacarejo. —Não teve nenhum problema em pedir, por isso, agora estou devolvendo o favor. É uma covarde quando se trata do conceito de ter uma relação de compromisso. − Ele não adoçou. Luna iria ver através dele em um segundo. Ela era uma mulher que gostava da verdade, sem adornos e real. — Por que você está tão teimoso sobre isso? — Talvez por que estive pendurando em torno de uma certa leoa por muito tempo e eu gostei. − Ele gostou de tê-la ao


redor mais que sua saúde mental, ao que parece. Um estado mental sereno e estável era superestimado. O caos é o que realmente fazia com que a vida valesse a pena viver. — O que diabos eu faço com você? “Pegue-me”− era o que ele pretendia dizer, mas o rugido repentino de advertência do seu lobo interior o alertou para o perigo. Ele gritou, — Cuidado! Do céu escuro, algo mergulhou, um silvo de ar deslocado foi a única advertência antes que mãos se estendessem cravadas, para chegar a Luna. Seus reflexos foram rápidos e práticos. No seu grito de alerta, ela se abaixou e pulou para o lado. Bem a tempo também! A criatura agarrou o ar vazio e parou, grandes vibrações de asas para mantê-lo no alto. — Que diabos é isso? − Espetou Luna. Ficou meio agachada, joelhos dobrados e as mãos levantadas, com os punhos preparados e prontos para se defender. — Condenem-me se eu sei. − Na penumbra, enquanto era difícil distinguir os detalhes, o que lhe fez conseguir uma forma geral, a não ser uma forma que não fazia sentido. O que ele viu parecia como um híbrido entre um morcego e um ser humano. Quase como se a criatura tivesse conseguido uma meia mudança muito controlada. Impossível. Os shifters ou eram animais ou homem. Não havia um meio termo. Claro, que poderiam mudar de vez em quando uma garra ou dentes que se estendem, talvez em um menino brotaria uma barba de repente, mas essas eram


pequenas mudanças fugazes, que geralmente eram causadas por uma forte emoção. Esse tipo de pequenas mudanças esporádicas não eram nada se comparado com o tipo morcego. Meio morcego, ou meio homem. Deveria ter sido impossível. No entanto, a evidência caia no piso do teto, enormes asas retráteis de couro a um ponto atrás de suas costas, a ponta se sobressaía alta. Mesmo sem o lembrete em ascensão, dois pés gigantes vestidos com botas de pontas no chão, tinha um comportamento ameaçador com ombros largos, um físico pesado, e uma musculatura aparente. Um tipo de morcego com esteróides. Bonito. Ele trancou o olhar com a coisa. Em quase todas as culturas, homem ou animal, existia uma certa tradição. Jeoff o comparou com a Síndrome de "Quem é o homem?". Encarando-o fixamente, no entanto, sua intenção era de examinar realmente o cara diante dele, um rosto que resultava em grande parte humano, entretanto, ao mesmo tempo, obtinha um aspecto estranhamente arrepiante. A pele cinza, uma sombra escura úmida, a superfície infestada de espirais e linhas, um motivo que recordou ao Jeoff uma intrincada impressão digital. Fascinante, perguntava-se se eram desenhos naturais ou criados. Seus olhos pareciam extravagantes. A fenda carmesim da pupila brilhava com funesto fogo, o brilho vermelho de um farol à noite. O cabelo escuro, curto, exibia orelhas pontudas. Mas este não era um duende.


Se Jeoff fosse fazer qualquer comparação, diria demônio, e todo mundo sabia para qual equipe os demônios jogavam. Passado o momento de choque ante a aparição da criatura, que não parecia inclinado a fugir da vista de Jeoff. Uma briga? Que assim seja. Jeoff saltou em movimento. Deslizou sua mão dentro de sua jaqueta, agarrando sua arma que estava no coldre, não tinha sido retirada durante esse momento frenético de fazer amor. Tirou-a e com uma prática que ganhou com o tempo, apontou e disparou. Bang. Disparou, ecoando alto, provando ser um desperdício, já que sua bala foi desviada. Jeoff teria que ter em conta que não só tinha falhado em seu alvo, mas também não o havia atingido, mas sim pelo fato inesperado que o tipo morcego se moveu mais rápido que o olho podia seguir. Um segundo ali, diante dele, e o seguinte quase uma dúzia de pés à sua esquerda. Antes de que ele pudesse piscar e ajustar a distância, outro borrão. Luna gritou. — Nem mesmo pense em tocar, amigo. − Uma advertência que a maioria dos seres que valorizavam sua vida inteligentemente escutariam. Não seu agressor. O tipo morcego parecia determinado a ir para Luna. Lançou-se rapidamente mais uma vez em movimentos que eram apenas um leve borrão apenas perceptível, mas Luna conseguiu enganá-lo. Evitar, entretanto, não queria dizer que ela escapou. Ela tinha muita coragem e teimosia para isso.


O efeito colateral de girar ao redor era que sua proximidade o impedia de atirar. O plano de Jeoff era bom, mas não podia, pois tinha a possibilidade de acertá-la acidentalmente. Ele correu para a ação, com a esperança de uma melhor oportunidade. Com um grito, — Eu não gosto de ratos, especialmente aqueles com asas − Luna se lançou sobre o tipo morcego, provavelmente, com a intenção de aplicar um pouco de suas artes marciais. Luna era uma mulher capaz, uma que você não poderia lidar, a menos que você fosse uma espécie de morcego gigante com super velocidade. A mesma surpresa que Jeoff sentia se refletia no rosto de Luna, quando o tipo morcego acabou atrás dela com um braço ao redor de sua garganta. Seus dedos arranharam o braço que a asfixiava, e seus pés se agitavam. Fez todo o possível para acertar de repente suas botas de vaqueiro abaixo nos pés do tipo, mas suas pernas eram muito curtas o que a colocava em desvantagem. O revés a levou a tentar um golpe estúpido, que se conseguisse poderia fazer com que caísse podendo quebrar seus joelhos. O que não conseguiu porque o tipo morcego era grande o suficiente para deixar ela pendurada fora de seu alcance. — Pare. − A palavra de comando teve como reflexo um aperto do braço do tipo morcego sobre a garganta de Luna. Jeoff deteve sua louca corrida e tomou controle da situação, o que significava olhar ao rapaz e ser atingido de novo pela forma humana que o tipo parecia ter apesar do seu couro,


de pele escura e as pontas de suas asas enormes que saíam de suas costas. — Deixe-a ir − ordenou. Você nunca perde quando tenta utilizar a razão. — Vou levar a garota. Largue a arma ou ela morre. − Com uma voz grave, as palavras foram pronunciadas perfeitamente. Não havia entonações guturais ou animal. — E como é que eu sei que você não vai matá-la de qualquer maneira? Perversos dentes afiados apareceram em um sorriso feito para os pesadelos. —Você não vai. E eu provavelmente vou. − Flexionou o braço no pescoço, ele podia ver os de Luna se arregalarem. — Mas depois, primeiro vou jogar um pouco com ela. − O tipo morcego se moveu rapidamente como uma serpente, abrindo muito a boca e suas largas presas afundaram na carne de seu ombro exposto pelo pescoço aberto de sua camisa. Chupou, emitindo pequenos grunhidos. Estava completamente louco, e foi tão inesperado que Jeoff congelou. Hesitou em vez de agir por medo que o monstro ficasse furioso e rasgasse sua garganta. Mas talvez deixá-lo mordê-la não era muito melhor. Observou como Luna ficou inicialmente rígida logo se suavizando, fechando os olhos, em uma sensação de consentimento para a ação. Isso foi o suficiente para arrancá-lo de seu estupor porque sabia que Luna não estaria disposta a permitir que isto acontecesse. Jeoff gritou enquanto corria para frente, só para ver com frustração como o tipo morcego se lançou para o ar, com uma Luna desmaiada em seu peito. Ele apontou e


disparou, as asas em movimento, asas em movimento, o que significava que a bala se perdeu. A risada zombadora da criatura alimentou sua raiva, mas estava vendo o tipo de morcego voar fora, com uma Luna desacordada em suas costas, vendo-os Jeoff soltou um uivo que ressoou. Era um grito bestial de raiva ante sua impotência. O uso de quatro pés ou dois, não importava, ele não poderia perseguir um inimigo com essas asas. Com seu inimigo no ar, nem sequer tinha uma pista para seguir. Essa besta está levando minha mulher. A realidade o irritou. Como podia mantê-la a salvo se não tinha nenhuma maneira de saber onde o monstro levaria Luna? Mas eu aposto que sei quem saberia. Alguém do clube estava envolvido. Ficou por cima do parapeito, olhando uma fila de táxis na frente quando clientes se dispersavam, alguns deles muito bêbados para conduzir. Também viu Charlemagne de pé em frente, atuando indiferente. Não o comprou nem por um minuto. Poderia não ter sido Charlemagne quem sequestrou Luna, mas ele sabia de algo. Vamos à caça. Agarrá-lo pelo pescoço e sacudi-lo até que fale. Parecia um plano tão ousado e maravilhoso, mas também, provavelmente, asseguraria o desaparecimento de Luna. Esse tipo de mentalidade primitiva não ajudaria Luna. Você pode, bola de pelos. Enviou um impulso mental empurrando seu lobo, podia sentir sua besta furiosa arranhando os limites que o mantinham enjaulado.


Normalmente era um bom comportamento, seu lobo estava praticamente espumando, fora de sua mente e tentando assumir o controle de seu corpo. Ele entendia sua frustração. Luna tinha sido levada e ele tinha que encontrá-la, mas para fazê-lo, precisava de um lugar por onde começar. Jeoff observou o clube. O clube parecia estar envolvido em tudo. Seu instinto dizia que Charlemagne estava consciente do que estava acontecendo, e o maldito ia ter que revelar tudo. Ele poderia precisar de um pouco de ajuda, especialmente porque o homem entrou novamente no clube, rodeado de paredes e, provavelmente, de alguns seguranças. Apesar dos grunhidos de seu lobo que pedia para ir atrás de Charlemagne, fez a coisa certa, chamou Arik. — O que aconteceu? − Foi a primeira coisa que Arik perguntou. Tanto Jeoff como seu lobo abaixaram a cabeça com vergonha, pois teriam de admitir seu fracasso. Esta noite, não haveria o rugido do líder do bando, só uma, apenas uma fria promessa tranquila. — Caça, hoje à noite. Os leões não iriam dormir esta noite, até encontrar Luna e seu captor. Mostrar paciência depois da chamada não foi fácil. O Jeoff normalmente controlado e meticuloso queria correr para esse clube e começar a sacudir as pessoas em busca de respostas. Seu lado racional o lembrava de que o superavam em número.


Aqueles que guardavam os cantos e a porta principal do clube o viram. Não que ele estivesse se escondendo. Jeoff se plantou justo em frente ao clube, encostado na bodega fechada e olhando para a porta. Como se estivesse esperando que Charlemagne saísse. Mesmo com um grande número de seres humanos saindo, onde a maioria apresentava algumas restrições em seus movimentos devido as suas atividades durante a noite, não havia sinal do homem que ele queria. Alguns dos que saíram do clube optaram por ficar do lado de fora, fumando seus cigarros, enviando nuvens de fumaça que mascaravam os aromas. O sequestrador de Luna caminhava entre eles? Era tarde demais? Por que esperar? Um lobo podia ter paciência para perseguir, mas neste caso, empurrava-o a fazer algo. Qualquer coisa. Não podia agir impulsivamente, mesmo se quisesse descartar as cadeias de civilidade. Só podia esperar por reforços, quanto mais, melhor, para melhorar as chances de Luna. Felizmente para ele, Luna tinha um monte de amigos. O desfile dos carros se deteve, uma gana da brigada - de sérios - grandes – e altos – veículos pararam e deles desembarcaram todo um exército dourado. Variando em altura e tamanho, a legião avermelhada tomou a calçada com o cabelo vermelho escuro adicionando um toque de cor. Quando Arik, com um movimento de sua juba dourada, saiu de um chamativo SUV negro, Jeoff se empurrou fora de seu lugar contra a parede. O líder vaidoso do bando tinha


deixado crescer seu cabelo depois de um acidente com a cabeleireira - que agora era sua esposa. Os rumores diziam que ela carregava o próximo herdeiro, mas contra isso, as leoas estavam convencidas de que se você ganhasse algum peso já estava grávida. Junto com Arik estavam Hayder e Leo, beta e ômega do bando, para dar apoio a um dos seus. Dos outros veículos saíram especialmente as leoas, verdadeiras caçadoras do bando e uma força feroz quando irritadas. Jeoff detectou algumas como Reba, de pele cor de café, e de cabelos vermelhos como Stacey. Podia quase ter certeza que vieram porque queriam. Não havia necessidade de pedir a esta equipe que fizesse seu trabalho. Os leões eram muito leais, especialmente neste bando, os laços que os mantinham unidos sob o domínio de Arik eram os mais fortes, isso era o que Jeoff tinha ouvido. No entanto, não era só a amizade e a lealdade que iriam lhe ajudar. Havia um indício de violência tingindo o ar, uma isca que partia das mulheres. Adoravam uma boa briga em um bar. Quando as mulheres do bando tomaram a calçada, os retardatários que estavam no exterior do edifício, fumando ou esperando um taxi, se dispersaram. Humanos inteligentes. Ninguém queria ficar no caminho dessa onda dourada. Jeoff atravessou a rua para cumprimentar Arik e os demais. — Você viu alguma coisa? − Arik perguntou com um olhar no clube. — Nada. — Temos certeza de que Charlemagne está lá?


— Não − Jeoff podia ver apenas uma porta de cada vez. — Mas você está convencido de que ele sabe o que levou Luna? — Sim. − Chame de instinto ou de esperança desesperada. Charlemagne foi o único que esteve com o Jeoff e poderia dar uma pista sobre o paradeiro de Luna. — Bom o suficiente para mim. − Arik se dirigiu para a porta, só para que os dois seguranças parando na frente da porta criassem uma barreira. O maior dos dois bloqueou seu caminho. — Nós não estamos permitindo a entrada de mais ninguém esta noite. Arqueou uma sobrancelha dourada. — Está me impedindo de entrar? − Os braços cruzados sobre o peito pareciam ser a sua resposta. Jeoff quase riu porque sabia o que iria acontecer. Arik estalou os dedos, com uma graça furtiva que só os felinos poderiam ter, chamou as leoas que desfilaram até ele. — Já que não me rebaixo a cuidar de subordinados... − Arik cheirou o ar. — Senhoras, se importariam? Antes que os caras que bloqueavam a entrada pudessem reagir, um contingente de leoa os varreu. Pobres diabos. Jeoff e Arik passaram um momento assistindo a luta. — Eles são rápidos para humanos. Porém os shifters são mais − Arik observou como um dos sujeitos conseguiu se esquivar de Reba, o que só serviu para enfurecê-la. — E sem perfume. — Estranho. Eu me pergunto se isso é parte de seu sistema de camuflagem − Arik refletiu em voz alta. — Isso não explica a mordida. − Jeoff não podia tirar isso de sua mente.


— Talvez sejam vampiros. − Interrompeu Hayder. — Eles gostam de chupar pescoços, certo? Todos eles estremeceram quando Stacey dobrou um joelho e acertou as bolas do gorila menor. — Os vampiros não existem − murmurou Leo. — Nem os tipos morcegos − replicou Jeoff. Reba acertou o cara grande no rosto, quando ele cambaleou para trás, Joan travou seu pé fazendo-o tropeçar. Momentos depois, a porta para o clube estava limpa. — Vamos? − Como líder da manada, não permitiam Arik liderar o caminho, não porque temiam por sua segurança, já que todos sabiam que ele podia cuidar de seu próprio pelo. Entretanto, enviando seus soldados na frente, enviava uma mensagem de ‘eu sou importante’. Como Arik tinha explicado uma vez para Jeoff, às vezes, não se tratava de força real, mas a impressão que passava acabava por ter um resultado mais eficaz. Com o caminho livre, as leoas empurraram para conseguir passar através da primeira porta, decididas a fazer frente a qualquer perigo que encontrassem. Clara decepção brilhou em seus rostos quando entraram no primeiro anel e não encontraram nada. O lobby exterior vibrava enquanto o clube ainda sacudia as melodias cativantes, em um ritmo baixo e animado. O ritmo pulsante desta vez não teve nenhum efeito sobre ele. Como se pudesse dançar, enquanto que Luna estava em perigo. O bando fluiu através do próximo conjunto de portas e passaram pela área, à direita, onde ficava o local no clube em que guardavam os casacos. Espalharam-se por toda a pista de dança, comandando o espaço ao redor e os poucos


humanos que permaneceram. Muitas testemunhas para o que poderia acontecer. Os seres humanos precisavam sair, e de uma forma que não deixassem sinais. Para ajudar nesse processo, Stacey assumiu a cabine do DJ. A música parou de forma repentina. No vazio deixado para trás, as pessoas se perguntavam, — O que aconteceu? Onde está a música? Microfone na mão, Stacey acenou por trás da janela da cabine enquanto falava com sua voz rouca para a multidão. — Desculpe pessoal. Departamento de saúde, estamos aqui para uma inspeção. Pedimos que gentilmente peguem seus casacos e saiam de maneira ordenada. Poderia ter funcionado se algum idiota brilhante não tivesse gritado: — É uma batida! A horda de lobos observava com desdém como os seres humanos corriam para as saídas. Aparentemente, mais do que alguns estavam preocupados em serem pegos na batida. Jeoff nunca entendeu o apelo para drogas que alteravam a mente. Você bebe cerveja. Isso é totalmente diferente. E, sim, estava sendo hipócrita. As travessuras dos seres humanos que fugiam não lhe diziam respeito. Ele notou um par de shifters - não do bando - que já estavam no clube, e permaneciam nas sombras, ficaram para trás. Aparentemente, eles achavam que deveriam testemunhar o que iria acontecer em seguida. O que aconteceu depois foi que o clube esvaziou, deixando só aqueles que podiam mudar sua pelagem. Nem mesmo um único funcionário poderia ser visto ou cheirado. Jeoff


não gostou disso. Onde tinha ido todo mundo? Certamente não tinham fugido como covardes de barrigas amarelas? Arik colocou as mãos nos quadris e gritou, — Gastón Charlemagne, você está sendo convocado pelo rei desta cidade. Mostre-se. − Falando sobre anúncios pomposos, Arik conseguia ter o tom certo de arrogância. Mas não houve resposta. — Tem certeza que ainda está aqui? − Perguntou Arik, com o cenho franzido. — Sim. − Insistiu o instinto do Jeoff. — Mas, aparentemente, ele faz isso como frente ao que ele chama de animais. — Quem é um animal? − Perguntou Leo. — Aparentemente, você é, na cama. Sua mulher não é tímida na hora de compartilhar informações. − Hayder fez um som de “tique” com a boca, acrescentou o piscar de um dos olhos, seguido pelo movimento de bombear os quadris. Apesar de Meena ser extrovertida, Leo conseguiu corar de vergonha. — Eu não acredito em uma palavra do que diz.− — Quem se importa se Leo é “o homem” no quarto? Devemos nos separar e encontrar Charlemagne − Respondeu Reba. — Como é que vamos encontrá-lo se ele não tem cheiro? − Perguntou Hayder. — Rasguem o lugar em pedaços. Se ele estiver aqui, vamos encontrá-lo. Aparentemente, a ameaça da destruição foi suficiente para chamar sua atenção. — Você se importaria de não enviar seus capangas felinos para destruir o meu lugar de trabalho? Tal como estamos, suas travessuras custariam aos


meus cofres a renda desta noite. − Nas palavras pronunciadas no meio delas, mais de uma leoa mostrou suas presas, seu lobo interior empurrando seu domínio para também descobrir seus dentes. Arik e seu círculo íntimo eram os únicos que não foram afetados - ou se foram fingiam muito bem. Os gatos eram conhecidos como mestres na arte da indiferença. Jeoff não reagiu muito, já que ele esperava uma entrada espetacular, dramática. Ainda assim, entretanto, como diabos o homem conseguia deslizar entre eles sem que ninguém percebesse? E onde ele conseguiu suas bolas para fazer isso? Apenas um suicida se colocaria no meio de alguns leões irritados. — É Charlemagne, suponho. − Arik o examinou da cabeça aos pés. — Belo terno. De fato, de manhã estava vestindo uma roupa esporte. Charlemagne agora estava trajado com um terno, que lhe dava uma certa elegância que os deixava com vergonha. — Não acredito que veio até aqui para discutir o quão perfeitas são minhas roupas. Exponham suas questões e saiam. − As palavras foram pronunciadas pausadamente com máxima confiança. Talvez funcionasse com outras pessoas, mas agora estava tratando com leões. Arrogância era o segundo nome de Arik. O rei leão rondou ao redor do Charlemagne, que, para seu crédito, não se moveu ou ficou tenso, mesmo quando o predador ficou atrás dele. Retornando até sua frente, Arik se deteve. — Jeoff me disse que você sabe sobre nossa espécie.


— Sim, sei tudo sobre seu reino animal e particularmente não me importo. Os assuntos dos animais não me interessam. — Talvez isso fosse uma atitude aceitável de onde veio, mas aqui... − Arik sorriu, um sorriso frio de um predador. — Temos regras. Minhas regras. — O que me importam suas regras? — Você deveria se importar porque esta cidade é minha. Sou dono dela, e isso significa que tem que me obedecer. E uma das regras diz que se você não é humano, então deveria me informar. — E o que te faz pensar que não sou humano? Mais de um bufo de incredulidade se ouviu, Arik fez o mais forte de todos. — Nós não vamos jogar este jogo. Sei que você não é um humano. — Talvez não, e ainda assim posso te assegurar que eu não compartilho minha mente com qualquer criatura primitiva. — Você está dizendo que não está relacionado com aquele tipo morcego? − Pressionou Jeoff. — Tipo morcego? − Rica risada fluía do Charlemagne, aveludada fazendo cócegas em seus sentidos. Mais de uma pessoa não gostou do som. — Eu realmente gosto disso e você poderia usá-lo. E para responder a sua pergunta, eu não sou um whampyr. — Um Wham o quê? − Perguntou Hayder. — Whampyr. Isso é o que se chama os servos com certas habilidades. — Servos de quê? O sorriso satisfeito no rosto do Charlemagne poderia ter rivalizado com o de Arik.


Tudo o que ele fez foi irritar Jeoff. — Eles vão servir, obviamente. Mas o mais importante é que se souber o que são então isso significa que sabe quem levou Luna. — Um whampyr levou à fêmea que esteve comigo esta manhã? − A expressão do Charlemagne passou de provocadora a séria. — Quando? Onde? — Quase do outro lado da rua do terraço onde vigiávamos. — Sequestrada em plena vista? Inaceitável. − Charlemagne virou-se e estalou os dedos. Um grande brutamontes flutuou para baixo do teto, grandes asas de pedra cinza desacelerando em sua descida. Parecia que Jeoff não era o único que não tinha percebido o que estava empoleirado em cima de suas cabeças. O grupo de leoas se agacharam e rosnaram com descontentamento. — Milord, o que deseja? − Perguntou o grandalhão. — Contagem de cabeças. Agora. Quero saber quem está faltando. Baixos grunhidos ameaçadores e silvos encheram a sala com ameaça iminente, quando corpos vestidos em roupa pretas com o logotipo do clube em seus peitos saíram dos bolsões de sombras. Sem perfume e calmos, uma dúzia perfeita ao todo, com Charlemagne como o décimo terceiro. Dos doze, só três levavam forma de morcegos, o capitão dos whamps e dois mais, nenhum dos quais eram do tamanho correto ou pareciam como o tipo morcego que Jeoff tinha visto no telhado. — Está faltando alguém do seu pessoal? − Perguntou Arik a Charlemagne enquanto Jeoff examinava as expressões nos rostos humanos. Será que todos poderiam se transformar


em morcegos gigantes? E eles não são realmente shifters como disse Charlemagne? — Todos meus servos estão aqui. Talvez seu cão tenha se equivocado. — Eu sei o que vi. − Jeoff se empurro para frente. — A menos que haja mais tipos morcegos circulando ao redor da cidade, então alguém aqui o fez. — Se o que você diz é certo, então um de meus servos cometeu uma insubordinação das mais perigosa. − Charlemagne fixou seu olhar em seu povo. — Não é insubordinação querer se alimentar. − Um dos servos de repente levantou a cabeça de sua posição insubordinada, e seus olhos brilharam. A semelhança era fraca, sua aparência humana mais clara com seu rosto esguio e o nariz aquilino, mas não havia dúvida em sua expressão ou palavras. O rosto do dono do clube se transformou, duro e frio. — Não nos alimentamos de animais. — Muito tarde. Já tivemos um gosto. − O garoto lambeu os lábios. — E eram deliciosos. E você, professor que acha que sabe tudo, nunca teve uma pista. Roubamos os animais debaixo de seu nariz, aqui mesmo em seu clube. Na sua admissão, muitas das leoas rosnaram e avançaram. Arik levantou a mão, e as deteve, mas seus olhares prometiam vingança. — Você que esvaziou suas casas e limpou-as? − Perguntou Arik. Um sorriso curvou os lábios dele pelo reconhecimento masculino. — Meus amigos e eu aprendemos algumas coisas sobre cobrir nossas pistas. Esta não é a primeira cidade


onde jogamos, mas foram os primeiros de seu tipo. E não serão os últimos. Era tudo o que Jeoff podia fazer para não mergulhar para o cara e arrancar sua garganta. Só sua morte poderia assegurar que Luna continuaria sobre suas patas. Paciência, meu lobo. Parecia que Charlemagne estava menos que impressionado por saber que seus servos tinham agido sem sua permissão. — A traição contra o seu mestre é punida com a morte. — O que temos feito não é traição, mas sim uma mudança no comando. Cansamos de suas regras. É hora de comandar os fracos na Terra, ao que estávamos destinados. — Nós? Quem são os “nós”? − Zombou Charlemagne. — Vejo que o sangue que tem ingerido apodreceu seu cérebro, porque parece que você esqueceu que eu te criei. Posso me desfazer de você. — Não, se o matarmos primeiro. Matem-no! − Gritou o fodido. E foi então que o mundo desabou. Especialmente porque as leoas reconheciam uma provocação quando escutavam uma. Tecidos negros voaram quando corpos se transformaram em morcegos gigantes. Parecia que a maioria dos servos do Charlemagne eram parte desta rebelião. Eles vaiavam, mostrando presas longas e ameaçadoras antes de se lançarem sobre Charlemagne, que, em um piscar de olhos, não estava mais lá. Mas os whamps que atacaram, encontraram alguém disposto a lutar. Leoas voaram para as asas dos morcegos, era mais negócio, mais pele suave para um melhor agarre. Aqueles que queriam a rebelião lutaram com grande intensidade, sua


incrível força e velocidade fazendo com que as leoas realmente usassem suas melhores habilidades. Uma dupla de whamps parecia ter cercado Charlemagne, que franziu o cenho, mas não fez nada para deter o massacre de seus servos traidores. O resultado esteve muito perto disso, com o exército dourado superando em número aos whamps, provavelmente por isso, que Jeoff observou que um deles tentava escapar. O único que Jeoff necessitava vivo. Passou depois para o líder da rebelião, sua voz um grunhido gutural. — Onde está Luna? Onde você a deixou? — Em nenhuma parte que possa chegar, cão − foi a resposta zombadora. À medida que o cara de morcego se virou, procurando por uma saída que não fosse morrer, Jeoff se aproximou o suficiente para alcançá-lo. O filho de puta era muito rápido. A besta levantou o vôo, elevando-se a um ponto muito alto para que Jeoff saltasse e o alcançasse. Pela segunda vez no dia, teve que ver como o monstro o superou. Ele está se afastando. E não havia nada que pudesse fazer sobre isso. No alto, o monstro quebrou uma das janelas escuras, escapando para o céu noturno. Apesar da rapidez com que Jeoff correu para fora, não podia ver para onde o cara morcego foi. E não estava mais perto de encontrar Luna. Porra.


í Luna Essa porra dói. O lado da cabeça de Luna latejava, um aviso doloroso e ignóbil de sua derrota. Isso foi suficiente para ela querer voltar a dormir. Acorde. Sua leoa interior deu um tapa nela. Ela torceu o nariz. Não faça isso. Quero dormir. A letargia de seu corpo era muito atraente para ser ignorado. Vamos. Estamos em perigo. Um grito insistente de sua leoa fez com que Luna respondesse lentamente. Ela só não era capaz de fazer algo para reagir. Pode não ter sido drogada, só tivesse que tirar um cochilo, mas definitivamente havia algo forçando-a a manter os olhos fechados e relaxar. Não podemos descansar. Ele vai voltar. Quem? Jeoff? Não se importaria se viesse para se aconchegar com ela. Poderia até compartilhar com ele seu lugar preferido ao sol. Especialmente se estivesse nu. Era muito divertido assistir Jeoff quando estava nu. Era ainda melhor ao tato. Sério? Sua felina parecia menos do que impressionada com seus pensamentos agradáveis sobre Jeoff. Continuou rosnando sobre o perigo. Eu vou te dizer o quê. Por que você não lida com ele? Enquanto flutuava sobre as ondas preguiçosas. Ugh. Tal era o desgosto de sua leoa, mas, ao mesmo tempo, se acalmou. Aparentemente, se Luna não estava em


condições de seguir, em frente, sua gata estava. Sem mais delongas, sua parte besta bateu além do fraco escudo humano explodindo suas extremidades livres das roupas tolas que a prendiam, suas patas saíram do confinamento das botas. Sacudindo a cabeça avermelhada, a leoa ficou de quatro e olhou ao redor. O doloroso ato da mudança ao que parece foi o tapa que faltava, ela observou que, dentro de sua mente, sua outra metade lutava para eliminar as cadeias que a entorpeciam e não permitiam prestar mais atenção. Espera um segundo. Onde estamos? Em um lugar muito ruim. A leoa não pôde evitar um bufo. O mau despertou a sua curiosidade. O que aconteceu aqui? Com o focinho no chão, verificou o espaço, observou que o quarto era grande o suficiente para caminhar, mas não muito. A única luz vinha de um buraco na parede que permitia uma iluminação escassa. Já que era o mais próximo, observou primeiro e recuou ao notar que a borda da abertura se destacava. Olhando às escondidas para baixo, fez uma careta irritada. Era alto demais para pular, como não sabia quantas vidas tinha perdido, achou melhor não arriscar, visto que não era sua melhor opção. Girando, permitiu que seus olhos se acostumassem à escuridão. As aberturas nas paredes, que seriam as janelas, estavam cobertas com madeira, seu outro lado miou, impedindo sua fuga. Uma porta aberta conduziu-a a outra sala também coberta, não muito grande, outra grande concha seca, outro esqueleto duro, com apenas um resquício de umidade.


Não cheirava nada bem. Outra porta a levou a uma sala sem saída, igual a que estava quando acordou. Até agora, havia um monte de salas pequenas que pareciam zombar dela, como se a desafiassem a conseguir sair. Este lugar achava que poderia derrotá-la. Mas se render não era uma opção. Tinha que haver outra saída. Os hábitats cavernosos, inclusive os abandonados, sempre tinham uma entrada. Voltando para a primeira sala, a que tinha um buraco aberto na parede, que era muito alto para saltar, parou e deixou sua cabeça girar de lado a lado, com os olhos filtrando a luz ambiente e as sombras para conseguir enxergar. A cozinha não mostrou nenhuma saída. Os armários de armazenamento estavam quebrados, as portas penduradas tortas ou completamente arrancadas. Deu um passo ao lado oposto da sala, fez uma careta quando ouviu um alto estalo. Parou, distribuindo seu peso nas quatro patas e sentindo sua posição. Não houve nenhum outro rangido, baixou seu focinho e farejou. Putrefação. Tanta putrefação. Olhou para o piso. Era precário, partes dele estavam podres, as placas afundando sob seu peso. Depois de explorar a parte de trás, de forma lógica, observou que agora só havia uma abertura para verificar. Mais uma chance para encontrar uma maneira de escapar que não implicasse em pular de uma superfície extremamente alta. Era como se todas as outras aberturas, com uma porta e barreira nas paredes – porta, recorda que já passamos por isso? Tinha uma porta na parede à sua frente. Enfiou o nariz só para encontrar mais ruínas e outras aberturas para explorar. Acima, o telhado tinha ruído parcialmente,


escombros e material de cor rosa se empilhavam bloqueando o caminho naquela direção. Olhando para o outro lado, viu uma abertura escura que emanava um fedor, pesado que pairava no ar, sufocante, quase impedindo de respirar. Oh, o que é isso? Enquanto não se importava de dar uma olhada, a voz interna, suave, recomendava precaução. A leoa poderia ter ignorado se não fosse pelos pequenos sons bem atrás dela. Quem se atreve a chegar tão perto? Preservando e controlando seus movimentos, ela virou e saltou sobre a figura escura volumosa ali de pé, só para perdê-lo em um batimento cardíaco, enquanto ele saltava agilmente fora de seu alcance. Volte. Ela não tinha terminado de jogar. Aparentemente ele também não. A coisa que não tinha nenhum cheiro estendeu a mão e puxou a ponta de sua cauda, um duro puxão em desafio. Ele se atreve a tocar minha cauda! A voz suave em seu interior estava absolutamente enfurecida. Um grunhido baixo retumbou entre seus lábios abertos quando ela se virou e estreitou seu olhar âmbar para o que se atreveu a trazê-la aqui. Que coisa se atreveria a mexer com uma leoa. Rawr! Mantendo seu olhar fixo na coisa, lançou-se contra ele novamente, mas não chegou a fazer todo o caminho, quando parte da parede se estilhaçou e sua pata transpassou através das fibras podres. Deixou escapar um grito assustado, na dor aguda quando seu impulso se deteve


bruscamente. Para piorar a situação, estava presa. Ela puxou a pata presa, só para sibilar de dor quando lascas de madeira cravaram em sua pele. Sua voz interna suave acalmou seu pelo arrepiado. Deixeme ajudar. — A garota está presa??− O rato com asas, em forma humana - porque se negava a chamá-lo de morcego! Caminhou até ela. Havia algo incongruente em um monstro que tinha a pele curtida, usando calças jeans e tênis de corrida, sem camisa. As roupas normais só pareciam enfatizar sua aparência estranha. Diz a mulher que pode se transformar em uma leoa. Falando de leão, melhor soltar a pata para não ficar em completa desvantagem. A mudança de forma foi muito rápida, e ainda melhor, ela sobreviveu. Esperava que não usasse o tempo utilizado pela mudança para matá-la. Boas notícias, sua mão deslizou livre do buraco, embora ainda tendo algumas partes de madeira encravadas. Com todas as suas extremidades livres, entretanto, não significava que mudaria de novo para sua besta. Se não podia dominá-lo como um animal, então talvez pudesse pensar mais como seu inimigo. E que melhor maneira do que em sua forma humana? O brilho de seu olhar, por baixo de uma mecha de cabelo Que nunca vejam seu medo. Era uma regra para viver. — Quem é você? Como vim parar aqui? − Tipo, sério, como tinha chegado até ali? A última coisa que Luna lembrava, era do rato voador a estrangular e em seguida chupar seu pescoço. O lembrete fez com que batesse a mão sobre o local. As bordas irregulares de um par de presas marcavam


sua pele, seca e curando, mas a pele estava visivelmente inchada. — Você me mordeu! — Tenho a intenção de fazer mais que isso, menina. Sempre me perguntei por que o professor disse que sua espécie estava fora dos limites. Supus que deviam ser menos saborosos. Mas agora eu sei a verdade. − O tipo com caracinza que enfrentava apertou a virilha coberta pelo jeans e olhou de soslaio para ela. — Seu sabor é delicioso. Especialmente quando fresco. − Lambeu os lábios, e Luna sabia que a resposta apropriada para uma pessoa normal era tremer, talvez até se encolher. Normal. Era uma palavra superestimada. Luna lhe deu o dedo. — Pra você. Ninguém vai dar qualquer mordida neste corpo. − A menos que seu nome seja Jeoff. Para ele, haveria uma exceção, se ainda a quisesse. Ela lembrou que o desprezou antes de sua captura acidental. Eu poderia ter me precipitado. Talvez devêssemos ir um pouco mais longe. Ou pelo menos ter o sexo mais incrível. É claro, o sexo só aconteceria se vivessem além dos próximos minutos. — Sua natureza guerreira é tão atraente. Os outros casais com os quais nos enredamos, meus companheiros e eu, não tinham o mesmo fogo que você e o cão. Bom saber que sua atitude deixava sua carne mais saborosa. E pensar que todo este tempo, as pessoas pensavam que era o alho que os mantinha afastados. — Se somos tão deliciosos juntos, então por que se acovardou e trouxe só a mim? Você não tinha bolas para isso? Não podia lidar com os dois?


— Eu não sou covarde. Escolhi não trazer o lobo por uma questão de gosto. Enquanto a espécie dele é boa para comer, um pouco melhor do que os humanos, definitivamente não tem o mesmo sabor de mulher. Acontece que eu gosto de boceta. − Ele queria que soasse sujo, e o fez. Totalmente bruto. Ela fez uma careta de desgosto. — Se isto for um exemplo de seus galanteios, não me surpreende que tenha dificuldades em conseguir uma garota para um encontro. Ainda assim, sequestrou a mulher errada. Você não vai receber nada disto. − Ela apontou para o seu corpo, o que chamou sua atenção. Bom, se ele estava olhando seus seios, então não estaria prestando atenção ao que realmente havia planejado. — Você não pode evitar que eu faça o que quiser contigo. — Isso é o que você pensa. Não vejo nenhuma droga por aqui. − Não havia agulhas, isso significava que tinha uma chance de lutar. Desta vez ela não iria subestimar sua velocidade e força. Ela tinha que lutar contra ele de forma inteligente. E não deixar que a morda. A perda de motivação e controle não era algo que queria repetir. Seu captor a provocou. — Eu não vou precisar de drogas para se que submeta. Eu só as uso quando pego um casal. É mais tranquilo dessa forma. Dois é muito mais trabalho. O voar de ida e volta para levar os corpos. É muito mais fácil roubar apenas um e realmente saboreá-la. Se bem, vou sentir falta do pranto e das súplicas. As mulheres realmente não se dão bem comigo comendo seus companheiros na frente delas. − Ele mostrou seus dentes afiados. Também mostrou um ego mal que gostava de falar sobre si mesmo. Continue assim. Dava a Luna a oportunidade de


explorar as coisas. Claro, que a única opção real estava atrás dela. Mas não tinha certeza se o quarto a levaria a uma possível fuga ou era simplesmente uma sala que levava a um lugar ainda pior. Ela nunca descobriria de pé ao redor do cinzento. Inclinando-se, ela pegou sua blusa do chão e conseguiu deixá-lo irritado, — O que você está fazendo? — Vestindo-me. Desde que você está tomando seu tempo doce para expor seu ponto, eu estou me esfriando. − E se ela tivesse que lutar, queria mais uma camada para proteger sua pele. Os pelos eram melhores. Você nunca iria convencer um felino do contrário. — Ponha estas também. − Jogou a saia para ela. — Você não vai querer que eu me distraia durante o vôo. — Eu não estou voando com você. — Nós vamos. Agora mesmo, Charlemagne está, provavelmente, me seguindo. Mas ele acredita que estou em outro lugar. Desempenhei o papel de servo e sabotador. — O que diabos você está latindo? − Ela perguntou, sentindo um pouco mais de confiança agora que seus seios como diria Jeoff - não estavam mais saltando. — Pare de falar e venha aqui. — Sinto muito, mas já tenho um cara, um amigo, mais ou menos, talvez. − Era complicado. — Venha aqui. Agora. Deu um passo para trás e sorriu. — Obrigue-me. Ele pisou para frente, e seu pé direito atravessou o chão, prendendo-o.


Era o momento que esperava. Ela correu passando pelo corredor como em um filme de terror, correndo pela sombra escura, encontrou o poço do elevador. Um caminho para baixo. Atrás dela, seu captor, gritou enquanto seu jantar escapava. Corra. Bufando. Sua leoa expressou sua insatisfação. Fique de mau humor o tanto que queira. Luna preferia viver. As leoas poderiam ser loucas, mas não eram estúpidas. Elas sabiam muito bem quando as chances estavam contra elas. Quando as chances eram ruins era melhor enfrentar em grupo. E quando encontrasse com suas amigas, iria caçar este bastardo e lhe mostrariam o que acontecia com aquele que machucava alguém do bando. Sim, ela escapou.


í

Jeoff Porra!! Não posso acreditar que o idiota escapou. O pensamento fez Jeoff andar até a parte detrás do clube, procurando alguém para culpar. Infelizmente para ele, a luta dentro parecia ter terminado com a maioria dos gatos caídos no chão. Não deixaram ninguém para que ele pudesse golpear. Porra. Só uns poucos estavam de pé, Charlemagne era um deles, assim como Arik. Reba e o tipo morcego grande também pareciam ilesos, olhando um ao outro. Os corpos inertes o irritaram. — Estão todas mortas? − Não pôde evitar um tom aterrorizado. Tinha se afeiçoado muito Às fêmeas do bando – inclusive as que quase arrancaram suas bolas - e odiaria se elas morressem.


— Apenas dormindo. − Charlemagne mexeu os dedos. — Às vezes, é mais inteligente evitar uma batalha. Evitar uma batalha quando Jeoff precisava de algo para socar? — Mas eu pensei que você havia dito que a traição se castigava com a morte. Por um momento, os olhos do outro homem ficaram um negro profundo, e por negro, Jeoff se referia a todo o globo. — Oh, eles serão castigados. Não duvide. Não há segundas oportunidades para os whampyr que traem a seu mestre. — Por isso você mesmo vai castigá-los. Uhuuull. E quanto ao que escapou? O líder do motim ainda está por aí, e ainda não sei onde a Luna está. — Ela provavelmente está em sua cova. — Cova? − Arik repetiu a palavra. Era uma palavra estranha de se usar e remetia a imagens de uma caverna escura e com um forte odor de mofo. — Cova. Esconderijo. Chamem do que quiserem. Os whampyr podem ter sido criados para atuarem como servos, mas uma parte de sua natureza é de manter uma


cova de algum tipo, um esconderijo que podem utilizar em caso de necessidade. — Necessidade de quê? — Isso não é algo que você precise saber. − Charlemagne inclinou a cabeça. — E enquanto discutimos os hábitos whampyr, estamos dando tempo para que troquem a sua localização. Se nos apressarmos, podemos encontrá-lo. — Sabe onde fica o esconderijo? — Na verdade, lobo, eu sou um mestre não apenas no nome. Porém, dez minutos mais tarde, de pé na frente de um edifício condenado, Jeoff se perguntou se Charlemagne havia fodido com ele. Nenhum um único traço do aroma de Luna estava nos arredores. As diversas entradas par ao edifício estavam bloqueadas, fechadas e não mostravam sinais de arrombamento ou de que alguém tenha entrado. — Tem certeza que estão aqui?− Perguntou Jeoff. Ou era a maneira de Charlemagne os tirar do caminho e permitir que o monstro machucasse Luna? — Quanto ceticismo. — Você pode me culpar?


— Nem um pouco. Você tem razão em ter cuidado. É, depois de tudo, sua natureza. Os animais sempre sabem quando se deparam com um predador . — Eu deveria te matar − Jeoff rosnou, porque certamente Arik tinha uma lei contra permitir que estúpidos pomposos vivessem. — Nada de matar.− Arik declarou enquanto saía de seu carro, o telefone preso a sua orelha. — Aparentemente, ele tem amigos importantes, que ficariam muito chateados se algo acontecesse com ele. — Quem caralhos te diz o que fazer? Você é o rei − Jeoff perguntou com o cenho franzido, só para murmurar quase imediatamente um "Oh" de entendimento. Só um grupo tinha o poder de ordenar algo a Arik. O Conselho Superior, era um grupo de shifters que nunca foi visto, e entretanto, das sombras, comandavam e controlavam as cordas de suas marionetes mantendo a sua civilização segura. Rebelar-se contra eles significava desaparecer na noite, sem deixar rastros, e ninguém mencionava seu nome outra vez. Ou assim diziam os rumores. Ninguém falava sobre os desaparecidos.


— Agora que tenho o apoio que precisava, talvez seja possível acelerar as coisas. A única que procura está lá dentro, mas você tem que parar de perder tempo. Não acredito esteja pensando de forma racional. A menina pode estar sofrendo nas mãos dele. Rosnou. A menção de Luna em perigo não caiu bem a ninguém. Também não ajudava o fato de que o edifício estava todo selado. Franzindo o cenho, Jeoff verificou as bordas dos compensados de madeira que bloqueavam o caminho. Como entrar? Alguém queria impedir que ninguém entrasse, dada a quantidade absurda de pregos utilizados para fixá-los. — Acredito que ninguém tenha um pé de cabra? Aparentemente, o bando tinha um bom número de ferramentas em seus veículos. Stacey lhe entregou um, Jeoff o colocou, entre as fendas da madeira e empurrou. O chiado dos pregos saindo livre se mesclou com o estalar e quebrar da madeira. Da pequena fresta que abriu flutuou um fedor absurdo. Morte. Podridão.


Seu lobo se perguntava por que Jeoff preferia escolher colônia quando ia às compras. A evidência olfativa da violência não deteve Jeoff ou os outros. Em pouco tempo, o compensado de madeira estava todo quebrado no chão e o miasma da carne em decomposição impregnava o ar. Com tantos pontos de entrada, que penetraram no andar inferior do edifício, trouxe uma triste lembrança do passado. Uma vez, há muitas décadas, este lugar tinha servido como um complexo de apartamentos para famílias de baixa renda. Era de linhas simples. Longos corredores com portas de cada lado. Numa extremidade havia um elevador, no outro, uma escada.

Por onde devia ir? Além disso, dada a falta de energia, a escolha parecia evidente. Exceto... as escadas não tinham cheiro, e Jeoff estava trabalhando com gatos curiosos que queriam ver o que havia no elevador. Com esse fedor, Jeoff poderia quase garantir que não seria nada bom. Inclusive Hayder, um leão geralmente duro,


empalideceu ante o que viram seus olhos quando conseguiram abrir as portas. Ninguém poderia não ser afetado pela pilha de cadáveres jogados no interior, muitos deles estavam parcialmente comidos, torpemente empilhados dentro da cabine do elevador que se deteve de forma permanente no andar de baixo. Sua descoberta explicava a fonte do cheiro. Sua maior preocupação, apesar do dano, foi quando Jeoff reconheceu um dos corpos na parte superior da pilha. — Esse é o membro do bando de lobos que faltava. E Reba assinalou o casal de tigres que faltava. Quanto ao resto... Talvez um DNA e seus registros dentários dariam um encerramento para suas famílias. Um grande alívio o tomou quando não encontrou nenhum cadáver mais recente, mais especificamente, não havia nenhum cadáver de Luna. Teria ficado louco se o tivesse encontrado. O som fraco de luta chegou até eles da parte de cima. Muito acima. As leoas, algumas presentes pela segunda vez na noite, se apressaram para as escadas, um mini exército dourado determinado a chegar ao topo da torre.


Mas Jeoff notou os degraus de metal presos na parede de concreto do elevador. Um caminho para cima e, possivelmente, mais sólido que as outras rotas. Antes que pudesse falar para si mesmo para não fazer, bateu no ombro de Leo. — Preciso que me dê um impulso. — Impulsioná-lo para onde? − Perguntou o grande leão. Amava os amigos que não perguntavam o “por quê”. Jeoff mostrou. — Através dos corpos. Preciso chegar até a escada . — Feito. Em pouco tempo, com um poderoso impulso de Leo, Jeoff estava subindo pelas barras oxidadas, empurrando seu corpo, sabendo que cada segundo contava. O árduo caminho contava várias histórias que aconteceram há muito tempo e, às vezes, assustadoras, especialmente quando uma das barras soltou de suas mãos, ficando livre da parede. Jeoff a deixou cair, só para fazer uma careta de dor ao imaginar ela cair no meio dos cadáveres.


Desde que não seja eu a utilizá-los como uma rede de segurança. Estremeceu. Continuou a subir, observou que, além do som de sua dura subida, mais à frente podia ouvir uma luta acontecendo. Uma luta como que se Luna estivesse fazendo todo o possível para se salvar. Subiu mais rápido e colocou apenas a cabeça por cima da borda do poço quando observou uma Luna meio nua correndo para ele, e, logo atrás dela, o tipo morcego. Isso lhe deu uma ideia. — Suba nas minhas costas – ele gritou se apoiando contra os degraus, na esperança de que fosse aguentar não só a ele, mas agora o peso de Luna também. — Você está me tratando e me salvando como uma menina? – ela gritou enquanto deixava suas pernas caírem pela borda. — Totalmente. Isso é o que os namorados fazem. — Nós não estamos namorando. − Ela espiou pela borda.


— De acordo com você. No entanto, só para que saiba, eu sou tenaz. — Eu achei que esta era uma característica dos cães bull terrier. — E dos lobos − ele brincou, mantendo seus olhos no tipo morcego, que soltou um grito de raiva quando Luna colocou os braços ao redor do seu pescoço e se acomodou em suas costas. Suas coxas ao redor de seus quadris, segurando, mesmo assim ainda a avisou, — Segure firme. − O caminho para baixo poderia ter buracos. Descer sempre era muito mais rápido, especialmente porque ele poderia saltar alguns dos degraus mais abaixo, e mesmo assim manter o ritmo. Em cima, o tipo morcego reclamou, — Você não vai chegar muito longe. Eu vou encontrá-la. Tenho seu gosto agora. Você nunca vai escapar. Jeoff não viu necessidade de punir Luna ao soltar um dos braços o suficiente para mostrar o dedo do meio e pronunciar um muito eloquente, — Foda-se. O que funcionou muito bem para antagonizar a “psicocriatura”. O monstro gritou, uma série de palavras sem sentido, mas mais preocupante foi que se deteve de


repente. O que significava isso? As leoas tinham chegado ao piso superior pelas escadas? Não. — Está nos seguindo− murmurou Luna. E, por seguir, Luna não quis dizer que utilizava a escada. O monstro se deixou cair e agarrou Luna ao passar, arrancando-a das costas de Jeoff. — Luna! − Gritou seu nome, a escuridão zombando dele. Não enxergava nada abaixo, só sombras. Desceu os degraus a uma velocidade vertiginosa e quase perdeu o rastro. Ali, no terceiro andar, através das portas parcialmente abertas do elevador, o cheiro de Luna se agarrou às bordas. Jeoff se empurrou através da abertura e podia ver o tipo morcego e Luna na outra extremidade. A luz fraca iluminava a borda do compensado de madeira que cobria a janela para o exterior, delineando-a claramente. Jeoff rosnou e correu, sua raiva poderosa, o suficiente para conseguir baixar suas garras e suas largas presas. Uma raiva feroz e primitiva vibrava através dele.


A criatura mantinha Luna ao seu lado, com um só braço, cuspindo sua irritação. Zás, utilizou a mão livre para golpear o compensado de madeira que cobria a janela, que estilhaçou sob seu ataque, descobrindo e deixando livre a parte exterior. Ele vai voar. Porra, não. Se o tipo morcego escapasse com Luna agora, poderiam nunca mais encontrá-los novamente. Jeoff em uma explosão de velocidade, estava determinado a chegar até ele antes que isso acontecesse. Assim como Luna que se arrastava, ela reagiu afundando seus dentes no braço dele, com força suficiente para arrancar um pedaço. Com um grito de raiva, ele a soltou, com sangue escorrendo de sua ferida. Luna cuspiu. — Você tem gosto de merda. — Sua puta fodida! − Gritou o monstro. — Você vai pagar por isso. Por um momento, Jeoff pensou que agarraria Luna de novo, mas seus olhos se encontraram, e o tipo morcego, no entanto, colocou sua cabeça e ombros através do buraco que se abria para fora.


Perfeito. Jeoff saltou a distância que os separava, suas pernas humanas carregadas com energia renovada. Estendeu as mãos e agarrou as asas do monstro antes de que pudesse saltar através da janela. A criatura rugiu de raiva enquanto Jeoff o segurava e puxava, o som distinto e perturbador de cartilagem carnuda sendo rasgada e de ossos sendo quebrados. Mesmo com as asas destroçadas o monstro demonstrou ainda ser muito poderoso e jogou Jeoff com tanta força que bateu na parede, afundando no gesso úmido. Virou-se e pôde ver como o monstro vacilou em frente da janela aberta, provavelmente se perguntando se devia voar, uma vez que suas asas foram gravemente feridas. Isso não importava. Luna, com um poderoso empurrão, enviou a besta através do espaço aberto. Ela imediatamente enfiou a cabeça por ela. — Merda,− murmurou. — Ele ainda pode usar essas coisas. Jeoff correu para seu lado, ambos olharam pela janela, observando que o tipo morcego tinha estendido suas asas e tentava voar. Cambaleou e hesitou. O monstro se endireitou e voou mais e mais alto. Fora de alcance, conseguindo se


afastar, poderia ter fugido voando se outras sombras, aladas, de repente não houvessem convergido de várias direções. O tipo morcego mesmo ferido poderia ter tido uma oportunidade contra um só shifter, ou dois, mas contra sua própria espécie e ao mesmo tempo tentando se manter no ar sobre as asas danificadas? Foi difícil manter o controle da ação, mas todos eles escutaram o guincho estridente de triunfo, viram sua cabeça cair, com a boca muito aberta pela surpresa. Virando pó quando bateu no chão, seguido momentos depois pelo seu corpo. Acabou. Luna estava a salvo e o monstro morto.


í

Luna Nem todos os monstros estavam mortos. A realidade tirou um grunhido de Luna quando se soltou das garras de Jeoff no momento que chegaram a calçada. Ela mergulhou para o tipo morcego de pé atrás de Charlemagne. O que não podia entender era por que ninguém mais estava tentando matá-lo também. — Luna, eu ordeno que pare agora mesmo. — A voz do Arik soou alta e clara. — O quê? − O guincho dos freios mentais parou seus pés, virou com um olhar de descrença para seu líder. — Por quê? — Pare porque você não pode matar Gastón Charlemagne ou seus servos. Virou a cabeça e olhou para trás para o tipo com terno. — Eu tenho certeza que posso sim.


— Não importa se pode ou não. Você não tem permissão para matá-lo. — O quê? − Ela não pôde evitar de choramingar. — Por que não posso matá-lo? − Luna escutou a ordem de seu rei mas não queria obedecer. — Ele está de conluio com aqueles ratos voadores assassinos. — Ratos? − A risada suave veio do dono do clube. — Essa é uma comparação engraçada, você não acha engraçado, Jean Francois? Jean Francois cruzou os braços sobre seu enorme peito peludo cinza. — Talvez a mulher precise de óculos. — Talvez os brinquedos sibilantes não devessem falar, ao menos que estejam sendo mordidos, − Luna declarou. — Alguém pode me dizer o que demônios está acontecendo? Por que não estamos transformando estes caras em restos de carniça? −Arik explicou o que descobriu durante seu sequestro, o que acabou por ser algumas informações cruciais. Em poucas palavras, Charlemagne tinha vindo para a cidade buscando um novo recomeço com seu grupo de whampyrs – embora preferisse o nome whamp como


Hayden os chamava. Um dos whamps mais antigos ficou louco. Passou a comer pessoas às escondidas. Aparentemente, os shifters eram como um manjar para a população de ratos com asas. O sangue era como um bom vinho. Normalmente bebiam em um copo, ao menos se fosse da velha escola, aí tomavam da veia, como o tipo morto fazia. Embora ninguém tenha dito, entretanto Luna sabia, logo que voltaram para seu apartamento, que os rumores começaram e diziam que os vampiros tinham chegado à cidade. Os vampiros foram proibidos de matar. Como poderiam permitir que fiquem? Como eles não afiavam suas garras e os tiravam deste mundo? Eles são predadores como nós. Não, não como nós. Os leões matavam para se alimentar e proteger. Exatamente. Explica a seguir, os corpos no poço. Exceto que Charlemagne tinha uma explicação. Basicamente, seu servo ficou louco. Aparentemente, ele estava com o mais velho de sua espécie, e perdeu os sinais. No entanto, o tipo rato louco e os que se rebelaram agora estavam mortos. E o que


acontecia com o resto? Os do clube, seu proprietário e os que seguem vivos a seu lado? Rolou teatralmente seus olhos, e suspirou: — As coisas que faço para manter a fauna feliz − Charlemagne concordou em acatar as normas da cidade de Arik por cortesia, Luna se perguntou quanto tempo duraria esta incômoda trégua. As pessoas que tinham vindo a seu resgate subiram em seus veículos e fizeram planos para ir procurar um lugar que servisse o café da manhã às 04 a.m., Charlemagne sacudiu o pó das lapelas. — Agora que terminamos, se me desculparem, tenho que fazer arranjos para contratar novos funcionários. Acho que desta vez, vou contratar funcionários humanos. À medida que o dono do clube se virou para ir embora, Arik rosnou. — Não terminamos. Ainda tenho perguntas. —Tenho certeza que você tem, e posso decidir em responder. Com o tempo.

— Você terá... − Não havia nenhuma razão para Arik terminar a frase, pois Charlemagne já tinho ido. Desapareceu no ar.


— Porra, como ele faz isso? − Pois Luna não acreditava em magia. E ao que parece, Jeoff acreditava em milagres, porque não sabia o que o fazia pensar que não morreria quando anunciou, — Hayder, vou pedir seu carro emprestado para levar Luna para minha casa. — Oooh, alguém vai ter sorte − cantou Stacey. — Você tem manteiga de amendoim suficiente? − Outra de seu grupo riu de maneira maliciosa. Luna a – sem vergonha - do bando, quase corou ao se lembrar de uma conversa que teve uma noite no bar, de que a única maneira de conseguir que um homem lambesse sua boceta corretamente era colocando manteiga de amendoim sobre ela, e se assegurariam de que o lobo usasse. — Eu não tenho nenhuma roupa em sua casa. − ela argumentou. — Impressionante. — Ou uma escova de dentes. — Devo ter uma para lhe emprestar, com certeza. — Acho que disse a você que não nos envolveríamos mais.


— Não me faça cacarejar na frente de seus amigos. Luna observou as ardilosas mulheres dando uma olhada nela e em Jeoff. Olhando para seu homem. Ele não é meu. Mas pode ser. Stacey se pavoneou perto, usava um vestido solto que delineava seu corpo e mostrava que não usava um sutiã. Luna sentiu que sua estreita amizade poderia chegar ao fim. — Se Luna não quiser ir com você, eu vou. − Stacey piscou para ele. Luna se perdeu. Somente os braços do Jeoff presos ao seu redor evitaram que Luna pulasse em Stacey, que saltou fora de seu alcance com uma risada. — Eu sabia que você gostava dele. Luna gosta do Jeoff. E isso foi o que precisou, — Luna e Jeoff sentados em uma árvore, aconchegados nus como vieram ao mundo. − As letras cada vez mais sujas, e as bochechas de Luna ficavam mais vermelhas a medida que Jeoff a arrastava para fora. Ela não estava envergonhada pela canção ou mesmo o toque suave e intrigante de Jeoff. O que avermelhava suas bochechas era o fato de que ela o queria. Ela queria Jeoff.


E isso a assustava pra caralho. No entanto, desde quando, deixava que o medo ditasse suas ações? Se ela via uma montanha, ela subia. Via uma caixa de bolachas na parte de cima da geladeira, saltava para pegála. Apaixonou-se por um lobo de um metro e oitenta e três, que parecia decidido a se tornar alguém importante em sua vida, ele deveria fugir o mais rápido possível. Pois ela não tinha medo. Mas e amanhã? O que aconteceria então? Ela girou no hall, a poucos passos de sua porta, as calças esportivas que tinha conseguido no carro, estavam soltas, deslizando sobre seu traseiro, enquanto ela tentava correr de volta para o elevador. Jeoff a apanhou facilmente, e desde aparentemente ainda estava sobre o efeito de drogas, deixou que ele a levasse de volta para sua casa. — Não deveríamos estar fazendo isto. Não sei se estou pronta para um compromisso. — Então não se comprometa. Deixe que eu faça isso.


— Deixar você fazer isso? − Ela parou de lutar em seus braços, já que aparentemente, queria ser pega. — Eu acho que isso deveria soar de maneira sexy? — Parece-me sexy quando você diz. Diabos, eu achei sexy a maneira que você falou. E, para sua informação, sim, eu faria. Como não derreter quando um homem diz algo assim a uma mulher? Alguns poderiam resistir a dura realidade da mesma, mas Luna viu a razão da questão. A verdade nua e crua. Jeoff a queria. Ela o desejava, por isso deixou que a despisse, amando o lento passar dos dedos sobre sua pele enquanto ele puxava o pano que a escondia. Mal podia esperar para sentir o toque ardente de suas mãos, quando a palma encontrasse contra sua pele. Em lugar de tocá-la, levou-a até o banheiro. A água do chuveiro não precisou de muito tempo para aquecer, entrou primeiro, sem soltar sua mão, logo puxou-a para dentro. Falar, provavelmente arruinaria o momento, Luna se manteve em silêncio. Falar sujo também tinha seu tempo e lugar. No entanto, em alguns momentos, alguns momentos


íntimos, onde as opções giravam sobre um precipício, não era preciso nenhuma palavra. Toques suaves e olhares intensos, lábios que a devoravam em um beijo ardente. Jeoff deu um grunhido suave quando ela mordeu seu lábio inferior e logo o chupou. — Você me deixa selvagem. − As palavras vibraram e tremeram contra lábios úmidos dela. — Idem, e não porque você tem problema de incontinência quando bebe. − Ela riu, especialmente quando suas mãos agarraram suas nádegas nuas e puxou contra ele. — Essa é a última vez que me compara com qualquer outra pessoa. Porque não haverá mais ninguém. Só eu. E você. Ele a prendeu com suas palavras, e ela lutou contra a vibração de pânico. Jeoff queria possuir ela. Assim como nós o possuiremos. Lembre-se de que uma relação monogâmica tem dois caminhos. Ele te reclamando, ela também poderia reclamá-lo, e ninguém mais o tocaria. Sem tocar. Sem compartilhar. Ninguém a não ser ela poderia tocar sua pele, estremeceu quando passou os dedos


por ele e no pensamento dele em marcar era uma coisa inebriante. — Eu vou foder você − ele disse enquanto suas mãos saíram do seu traseiro para cobrir sua cintura. Ela engasgou com suas palavras. Tão sujo. E tão Jeoff. — Talvez eu vá te foder primeiro. − Ela adorava ficar por cima. Ele a fez girar e se apoiou em suas costas, pressionando-a contra a parede fria. — Está bem se você deixar ir. Deixar que alguém assuma. — Eu não tenho problemas em deixar que assuma. − Ela se empurrou contra ele, só que ele a prendeu na jaula de seus braços, seu corpo quente atrás dela, a evidência de sua ereção apontando para cima e pressionando contra a fenda de seu traseiro. Decadente e quente. Ela quase perdeu suas seguintes palavras enquanto segurava a respiração enquanto esperava, esperava seu próximo toque. — Eu vou ter você Luna. Vou fodê-la. Não só uma vez, nem duas, mas muitas vezes, tantas vezes quanto necessário até que você se dê conta de que estou aqui para ficar.


— Isso poderia demorar um pouco. — Eu sei. Isso prova meu ponto. — Não pode provar seu ponto de outra maneira? − Ela moveu sua bunda contra ele, o que fez com que se inclinasse para baixo e mordiscasse sua orelha. Ela engasgou. Adorava uma boa dentada na orelha. Derreteu-se em uma poça contra ele enquanto seus lábios e língua exploravam a concha e o lóbulo de sua orelha. Ela se moveu contra ele, sua quente respiração suave, seus dedos arranhando a parede de azulejos. Com as mãos na sua cintura, virou-a para encará-lo de novo, ele a elevou com facilidade. Seus lábios duros se encontraram com os seus em um beijo quente que lhe roubou o fôlego, mas acendeu cada terminação nervosa. O frio azulejo da parede pressionado contra suas costas quando ele a apoiou contra ela, era uma marca contra sua pele quente. Falando de pele, queira seu toque em muitos lugares, não queria perdê-lo, por isso o puxou com os braços ao redor de seu pescoço enquanto suas pernas se fecharam ao redor de sua cintura.


Seus lábios úmidos deslizaram e acariciaram com abandono. Sua língua deslizou em sua boca, devolvendo o favor. Seu gemido de prazer causou calafrios que aqueceu seu sangue. Bocas intimamente entrelaçadas, deixando as mãos livres para deslocar de sua cintura para a parte inferior de suas coxas. Isto permitiu movê-la até que seu pênis se balançava um pouco mais perto de seu sexo. A cabeça do pênis acariciou seu sexo, separando seus lábios inferiores inchados, empurrando nela. Não pôde evitar de jogar a cabeça para trás, respirando com dificuldade, fez um som quando ele a penetrou, esta segunda vez, possivelmente, melhor que a primeira. Embainhou-se nela, uma barra de aço fundido, agarrou seus ombros. Ele começou a se mover, girando seus quadris, lento, lentamente girando e empurrando. Profundo no seu interior. Ela apertou. Uma ligeira retirada e em seguida um impulso duro. Ela engasgou e apertou com mais força ao redor de seu pênis. Uma e outra vez, ele brincava com ela, torturando-a até que ela implorou por alívio. — Por favor. Oh, sim.


Ele atendeu seu pedido. — Goza para mim − ele sussurrou. Sim. Sim. SIM! Seus dedos cravaram em suas coxas, mantendo seu agarre enquanto batia seu eixo profundamente em seu canal. Uma vez e outra e outra vez. Ela chegou ao ponto de perder a voz, seu corpo ficou tenso e pronto para gozar. Mais duro, como um pistão golpeando dentro e fora de seu canal, a fricção escorregadia foi o suficiente para empurrá-lo sobre ao limite. E levá-lo com ela. Finalmente caíram na cama, nus, em uma pilha de membros que ela adorou profundamente, mesmo quando ele arruinou o momento dizendo: — Isto foi bom. — Bom, é para os gatinhos. — Então acho que estamos bem. — O fato que dormi com você outra vez, não nos faz um casal. — Se você o diz.


— Estou falando sério. — Eu sei. — Você quer foder de novo? Claro que sim, eles transaram. Poderiam falar de manhã, sobre isso ser uma coisa apenas temporária.


í

Uns meses mais tarde ...

Os quentes raios de sol foram bloqueados por uma sombra. Ela abriu um olho para ver seu corpo coberto pelo de Jeoff, os antebraços estirados sustentados por cima de seu corpo nu, pressionando-a de uma maneira muito interessante. —Você está bloqueando meu sol, lobinho. − Apesar que o calor que irradiava de sua expressão mais que compensava por isso. — Já que você acordou. Eu pensei que poderíamos fazer algo antes de ir trabalhar. − Deixou sua intenção clara impulsionando seu quadril para frente. O quão longe tinham chegado, no tempo que tinham estado juntos, admitia abertamente seu desejo por ela nas formas mais agradáveis. Ela o desejava também, e isso funcionava. Ajudavam-se mutuamente, coçavam um ao outro. Ela ainda esperava que isso acabasse a qualquer momento.


Bufou. Ok, ela não acreditava mais nisso. Ela se mexeu contra sua ereção, amando como seus olhos se dilataram em resposta. — Tem certeza que você tem tempo? Talvez isso seja apenas vontade de fazer xixi. — Isso não é vontade de fazer xixi. Eu já fiz na varanda. — Você o quê? — Marquei seu balcão. — Para quê? Ele rodou os olhos. — Porque sou um cara e mijo nas coisas. — Mas você não está bêbado. Meu ex só fazia isso quando estava bêbado. Um sorriso surgiu em seus lábios. — Pelo que ouvi, você terá que se desfazer da cadeira da sala de estar, eu farejei xixi nela, deixe que eu faça xixi nela, ou se livre dela, ou viva comigo. A resposta era fácil iria se livrar da cadeira ofensiva. Mas estava muito chocada com a sua exigência de compromisso. — E por que deveria ir viver com você? Por que você não


vem viver comigo? Eu tenho um lugar perfeito que podemos compartilhar. — Ok. Ela piscou. — Ok? — Sim, eu venho morar com você. Isso é formal o suficiente?? — Sério? Você realmente quer morar comigo? — Está um pouco lenta esta manhã, sim? — Só estou me assegurando. Ele sorriu. — Estou muito certo. Assim como estou certo quanto ao dia que é hoje. — Que dia é? − Ela enrugou o nariz. O Natal já tinha passado. Assim como o Ano Novo. E tinha certeza que seu aniversário foi no verão. O que sobrava? — Merda, esqueci de pegar algo bonito para o Dia dos Namorados? Ele suspirou. — Oh, pare já com isso e cuspa? O que eu me esqueci? — Você se lembra que uma vez disse que nunca tinha ficado por mais de três meses com um cara?


— Sim. − Ela recordou. —Esta é sua maneira tirar sarro da minha cara, pelo fato de termos feito quatro? — Você sabia! — Claro que sim. É obvio que sabia. Mas se você me perguntar, não é um negócio tão grande assim. — Diz a mulher com o medo de compromisso. — Não comece, lobinho. Eu lembro de alguém que não estava muito interessado em estar com uma leoa. — Eu admito que estava errado. — Assim como eu admito que talvez isso não seja uma má ideia. — Eu te amo muito. – ele disse sem o menor sarcasmo, e ela franziu a testa. — O fato de que ainda estamos juntos não significa que temos que fazer uma grande coisa sobre isso. Quer dizer, você e eu, essa coisa que temos, talvez fosse uma coisa destinada a ser. Eu... − Ela respirou fundo. Poderia fazer. Eram só três pequenas palavras. — Eu te amo.


— Até que enfim, ela admite. − Seus olhos brilhavam. — Já era hora. — Não espere que eu admita isso em público. Eu não quero arruinar minha reputação na rua com o grupo. — Tarde demais. − Ele levantou seu smartphone. — Eu tenho isso gravado em vídeo. Ela estreitou seu olhar. — Dê-me isso. — Obrigue-me. E ela fez. Nus. Depois o montou, parecia justo dar outro aviso às cadelas de que Jeoff estava tomado. Tirem suas patas ou enfrentem as minhas garras. Rawr.


As pontas do Stiletto, seus elegantes saltos, bateram e os amplos quadris de Reba balançaram enquanto ela passava pela fila esperando para entrar pela porta. As filas eram para ovelhas. E essa leoa não estava prestes a esperar sua vez. Ignorando os protestos daqueles que não tinham sido maravilhosamente agraciados, ela se colocou à frente deles, apenas para encontrar sua entrada bloqueada. Faltar uma certa vantagem de altura não significava que Reba não


olhasse para cima e agraciou o segurança com um olhar. O olhar. O tipo que dizia: "Mexa o seu cu, irmão." Neste caso, o irmão era um grande e velho humano, e ele era bobo o suficiente para segurar a mão, bloqueando seu caminho. — Você não pode entrar lá. — Eu espero - ela anunciou. — Ninguém me disse nada sobre nenhum convidado especial, para chegar à parte de trás da fila. Esse ser humano estava se atrapalhando seriamente? Num bote rápido, ela estendeu a mão, agarrou o pulso dele e puxou-o para perto, perto o suficiente para ele ver o âmbar primal de sua besta brilhando em seus olhos. — Não fique no meu caminho. Eu fiz homens maiores gritar. Uma reviravolta da mão e o cara atingiu o chão, seu rosto redondo empalideceu de dor. Ela o fez esquecer sua própria força, às vezes, ao lidar com as ovelhas. Arik disse para não chamá-los assim. Arik também disse que não devia atacar o entregador de pizza até que ele gritasse. Como se ela e o bando ouvissem. Fazia parte de seu ritual de sexta à noite. Ao avistar o fone de ouvido que o segurança usava, ela se aproximou e sussurrou: — Pronto ou não, aqui vou eu - antes de soltar o humano. Ele balançou para trás em seus calcanhares e disparou-lhe um olhar sombrio, mas ele não tentou detê-la quando ela entrou. Ela se encontrou em uma câmara exterior com


bancos que alinham as paredes e outra porta. Um par de fêmeas vistosas - mais humanos - boquiaberta. Elas abraçaram pranchetas em seus peitos. Elas também usavam receptores auriculares. Reba lhes deu um beijo e riu enquanto recuavam. O que era sobre sua aparência que os fazia tão desconfiados com ela? Quem se importava? Ela caminhou para o segundo conjunto de portas. Ao abri-las, ela notou mais funcionários vestidos de camisetas pretas que convergem para ela. Pelo menos eles mostraram respeito suficiente para enviar mais de um. Uma mulher gostava de pensar que ela era apreciada. Antes que ela pudesse fazê-los cantar soprano, eles pararam, de forma abrupta, e se viraram, derretendo nas sombras que costumavam se esconder. Provavelmente porque um certo tipo furtivo estava atrás dela. — Você não podia ter esperado mais alguns minutos? Eu estava esperando algum exercício — ela reclamou. — Se eu soubesse que você estava vindo, eu teria mandado meu pessoal traçar um caminho de pétalas de rosa e cumprimentá-la na porta - disse uma voz que pertencia ao rádio tarde da noite, dizendo coisas sujas quando ela estava sozinha na cama com seu amigo operado a bateria. — Por que perder tempo? - Reba anunciou. Arik tinha lhe dado um trabalho a fazer e não havia tempo como


o presente para lidar com isso. Girando sobre o calcanhar, ela encarou a aparência esbelta de Gaston Charlemagne, e assim como a primeira vez que ela o conheceu, ela teve que se perguntar o que diabos todo mundo estava falando quando eles disseram que ele não tinha perfume. Ele cheirava perfeitamente bem para ela. Mais do que bem. Chocolate com uma pitada de mistério fumegante. O aroma fazia com que ficasse com água na boca. Quero dar uma mordida. — Vá em frente. − Ele descobriu sua garganta. — Tenha uma mordidela. − O convite era menos estranho do que o fato de que... ELE LEU A PORRA DA MINHA MENTE!

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Debbie Downer: personagem feminina de uma conhecida série de televisão (Saturday Nigth Live) que sempre está deprimida. 2 DVR :é o aparelho gravador para câmeras de segurança. O nome DVR significa Digital Video Recorder, ou seja, Gravador de Vídeo Digital. Atualmente é o sistema mais utilizado em todo o mundo para gravação de imagens de câmeras de monitoramento. 3 Catering: fornecimento de comida pronta e alguns serviços correlatados (copos, louça, toalhas, etc.) para festas, banquetes, restaurantes, companhias de aviação, etc.; serviço de refeição coletivas. Catering é o termo usado para promover serviços alimentares em lugares remotos. Um bom exemplo de catering foi o, serviço prestado durante a 2ª Guerra Mundial, onde milhares de pessoas escondidas em abrigos do Metrô de Londres foram alimentadas. 4 Kicker: no inglês pode também significar chutador, no geral são botas, estilo militar, ou motoqueiros. 5 Estroboscópio. ... Quando é utilizado com uma lâmpada estroboscópica permite determinar a frequência de rotação de corpos, pois fazendo coincidir a frequência da iluminação com a do movimento, cada feixe de luz ilumina a mesma fase do movimento, resultando numa aparente imobilidade do corpo em rotação.

Profile for Priscila Vicentim

When a Lioness Snaris- Eve Langlais ( A Lion's Pride #05)  

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