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1 Estética e História da Arte II Prof ª Márcia Metran de Mello Roteiro para aula JANSON, H.W.JANSON, Antony F. Iniciação à História da Arte. São Paulo: Martins Fontes,1966. ROMANTISMO Cronologia – 1804 a 1880 aproximadamente Iluminismo – libertou a razão e, ao mesmo tempo, uma nova onda de sentimentalismo. Portanto, na segunda metade do século XVIII ...”poderiam também tentar uma nova ordem baseada em sua fé no poder da razão, ou poderiam procurar liberação em uma ânsia de experiência emocional”. O Romantismo é a segunda opção. • Denominador comum: desejo de “volta à natureza”: Racionalismo: natureza como a origem primeira da razão. Romantismo: ilimitada, selvagem e em eterna mudança, sublime e pitoresca. • “ O romântico acreditava que se o homem se comportasse apenas de modo natural, dando livre vazão a seus impulsos, o mal desapareceria” • O artista romântico “ deve procurar algum período do passado ao qual se sinta ligado por afinidade eletiva , conceito romântico.” – renascimento de um ilimitado número de estilos.

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ARQUITETURA • Os pintores e os escultores não estavam aptos a abandonar os hábitos renascentistas de representação, e nunca realmente reviveram a arte medieval, ou a antiga arte pré-clássica.” • “ Os arquitetos não estavam sujeitos a essa limitação, e por isso o reflorescimento de estilos persistiu mais em suas obras que nas outras artes.” • Inglaterra – Horace Walpore – 1749 – começou a goticizar sua casa de campo, Strawberry Hill. • Outro exemplo: O Parlamento, Londres, iniciado em 1836 – Charles Barry e A. Welly Pugin. • “Depois de 1800, a escolha entre os estilos clássico e gótico foi resolvida muitas vezes em favor do gótico. O sentimento nacionalista, fortalecido durante as guerras napoleônicas, favoreceu o estilo nativo, pois a Inglaterra, a França e a Alemanha, cada uma delas, tendia a pensar que o Gótico expressava seu gênio nacional particular” – por isso a reconstrução do Parlamento, destruído em um incêndio, em estilo gótico. • “ Em meados do século XIX, o Renascimento e , a seguir, o Barroco voltaram à moda, fechando o círculo do movimento de revivescência estilística” – Apogeu: Ópera de Paris de Charles Garnier (neobarroco, pares de colunas na fachada,citação do Louvre) • Ópera de Paris – “...Reflete o gosto dos beneficiários da Revolução Industrial, recém enriquecidos e poderosos, que se sentiam os herdeiros da velha aristocracia e, por isso, acharam os estilos pré-revolucionários mais atraentes que o clássico e o gótico” • Arquitetura de ostentação consciente / divorciada das exigências da era industrial(fábricas, armazéns, lojas e moradias urbanas) / arquitetura comercial após 1800: introdução de novos materiais e técnicas, ferro para vencer vãos maiores, arquitetura dos engenheiros. ESCULTURA • Uma adaptação do estilo neoclássico com novas finalidades. • Incorporação menos sensual do erotismo do rococó. • Ainda enfrenta o problema: representação x duplicação. • Volta do emocionalismo e teatralidade do barroco. • La Marsellaise, neo barroca. • A Dança, rococó em sentimento, alegre e coquete. PINTURA • A maior realização do romantismo está nas artes visuais. • Inspiração na literatura do passado e do presente. GOYA • Inspiração barroca – Velásquez e Rembrandt • 3 de maio de 1808 – execução de um grupo de cidadãos madrilenhos – “Quando os exércitos de Napoleão ocuparam a Espanha em 1808, Goya e muitos dos seus compatriotas esperavam que os conquistadores trouxessem as reformas liberais que se faziam tão urgentes. O comportamento selvagem das tropas francesas esmagou essas esperanças e gerou uma resistência popular de igual selvageria.


2 • Mais tarde mergulhou em um universo de visões dantescas – Bobalicion INGRES • Sempre sustentou que o desenho era superior à pintura. • “ A pintura histórica, segundo a definição de Poussim e David, continuou sendo a maior ambição da vida de Ingres, mas ele tinha grandes dificuldades com ela, enquanto a pintura de retratos, que ele fingia desprezar, era seu maior talento” JEAN GROS • Cores e dramaticidade do barroco. GÉRICAULT • Emoção irresistível da ação violenta. DELACROIX • Objetivava mais a verdade poética. • Rubenista de primeira ordem. • “Reflete a atitude que terminou por condenar o movimento romântico: seu crescente distanciamento da vida contemporânea.” DAUMIER • “ Honoré Daumier ...praticamente um desconhecido, em sua época, como pintor. Daumier um mordaz cartunista político, colaborou durante a maior parte da sua vida em vários semanários parisienses com magistrais desenhos satíricos. Ele se voltou para a pintura na década de 1840, mas não encontrou público algum para o seu trabalho.” MILLET • Um dos artistas da Escola de Barbizon ...”tinha se estabelecido na aldeia de Barbizon, perto de Paris, para pintar paisagens e cenas da vida rural. ROSA BONHER • “ União harmoniosa do homem com a natureza” – romances pastorais de George Sand CONSTABLE • “dar forma concreta a uma apreensão pura do efeito natural” • Paisagem, expressão mais completa do romantismo, sobretudo na Inglaterra. TURNER • “visões etéreas, pintadas em tons vaporosos” FRIEDRICH • “Na Alemanha, como na Inglaterra, a paisagem foi a realização maior da pintura romântica.” • “Essa técnica, impessoal e meticulosa, é característica da pintura romântica alemã. BINGHAM • Americano. Paisagem e pintura de gênero. SLIDES ARQUITETURA 1- O Parlamento. Charles Barry, Londres, 1836. 2- Ópera de Paris. Charles Garnier, Paris, 1861-74. 3- Av.Central R.J. Reforma de Pereira Passos /1904/Concurso de Fachadas. 4- Av.Central R.J. Reforma de Pereira Passos /1904/Concurso de Fachadas. 5- Av.Central R.J. Reforma de Pereira Passos /1904/Concurso de Fachadas. 6- Av.Central R.J. Reforma de Pereira Passos /1904/Concurso de Fachadas. 7- Av.Central R.J. Reforma de Pereira Passos /1904/Concurso de Fachadas. 8- Av.Central R.J. Reforma de Pereira Passos /1904/Concurso de Fachadas. 9- Av.Central R.J. Reforma de Pereira Passos /1904/Concurso de Fachadas. 10- Av.Central R.J. Reforma de Pereira Passos /1904/Concurso de Fachadas. 11- Av.Central R.J. Reforma de Pereira Passos /1904/Concurso de Fachadas. 12- Av.Central R.J. Reforma de Pereira Passos /1904/Concurso de Fachadas. 13- Av.Central R.J. Reforma de Pereira Passos /1904/Concurso de Fachadas. 14- Av.Central R.J. Reforma de Pereira Passos /1904/Concurso de Fachadas. 15- Mole Antonelliana. Alessandro Antonelli, Turim, projeto 1863/ Construção 1878. Torre Eiffel. Gustave Alexandre Eiffel, Paris, 1887/9. Aço, 300m de altura. 16- Salão de leitura da Biblioteca Nacional de Paris. Henry Labouste, 1858/68. ESCULTURA 17- Massacre. August Préault, 1836. Bronze. 18- A Marselhesa. François Rudi. No Arco do Triunfo de Paris, 1833/36. 19- A Dança (modelo de gesso p/ ópera de Paris) . Carpeaux,1867/69. PINTURA 20- Leão atacando um cavalo. George Stubbs, 1770. 21- Piedade (aquarela). Willian Blake, 1795. 22- Hero e Leandro. Willian Etty, 1828/9


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O 3 de maio. Goya, 1814/15. Retrato da Duquesa de Alba. Goya, 1797. Bobabilicon. Goya, 1818. Odalisca. Ingres, 1814. Napoleão Banaparte na ponte de Arcole. Barão Antoine Jean Gros, 1796/97. Oficial da Guarda Imperial a cavalo. Théodore Géricault, 1812. A Grécia nas ruínas de Missolonghi.Delacroix, 1826. O vagão de terceira classe. Honoré Daumier, 1862. Nadar elevando a fotografia (litogravura). Honoré Daumier, 1862. Queremos Barrabás. Honoré Daumier, 1850. Os colecionadores de gravuras (nanquim e aguada). Honoré Daumier, 1878. Ângelus. François Millet, 1855/57. Arando os campos em Nivernais. Rosa Bonheur, 1849 O navio negreiro. Willian Turner, 1839. O destroço do Esperança. Friedrich, 1824. Negociantes de peles do Missouri. George Caleb Bingham, 1845.


4 Estética e História da Arte II Prof ª Márcia Metran de Mello Roteiro para Aula ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna. São Paulo:Cia das Letras,1992. JANSON, H.W.JANSON, Antony F. Iniciação à História da Arte. São Paulo: Martins Fontes,1996. MORAES, Frederico. Panorama das Artes Plásticas /séculos XIX e XX. São Paulo :Instituto Cultural Itaú, 1991. REALISMO • • • •

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Cronologia: 1849 a 1900 aproximadamente Basicamente uma manifestação na pintura 1855: publicação do manifesto realista de Coubert. “Será que Júpiter pode sobreviver ao pára-raios? , perguntou Karl Marx, não muito depois da metade do século. O poeta e crítico francês Charles Baudeleire estava se colocando o mesmo problema quando, em 1846, pediu por quadros que expressassem o heroísmo da vida moderna . Naquele momento, apenas um pintor estava disposto a fazer dessa exigência um credo artístico: o amigo de Baudelaire, Gustave Coubert.” (Janson 1996, p.328) ...”entre 1848 e 1855, Coubert expôs no Salão telas que escandalizaram o público, a crítica e os meios oficiais, porque nelas estavam pintados trabalhadores, camponeses, cenas da vida cotidiana e popular.” (Morais 1991, p.126) Coubert: ascendência rural/socialista. Para Coubert o realismo aproximava-se do “naturalismo “ de Caravaggio. 1848 – Os quebradores de pedra – primeira obra. “ O realismo de Coubert, então, foi mais uma revolução temática que uma revolução de estilo.” (Janson 1996, p.328) “absoluta condenação de todos os assuntos extraídos da religião, mitologia, alegoria e história.” (Janson 1996, p.329)

SLIDES 1- Barroco: A dúvida de Tomé. Caravaggio., 1599. 2- O quebra-pedras. Gustav Coubert, 1849. 3- Bom dia, senhor Coubert. Gustav Coubert, 1854. 4- Interior do meu atelier, uma alegoria real, resumo de sete anos da minha vida de artista. Gustav Coubert, 1854-55. 5- Moças à margem do Sena. Gustav Coubert, 1857. 6- Caipira picando fumo. Almeida Júnior, 1893. 7- Amolação interrompida. Almeida Júnior, 1894. O IMPRESSIONISMO • •

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Cronologia : 1874 a 1908 aproximadamente Primeira exposição dos recusados :“ O movimento impressionista, que rompeu decididamente as pontes com o passado e abriu caminho para a pesquisa artística moderna, formou-se em Paris entre 1860 e 1870; apresentou-se pela primeira vez ao público em 1874, com a exposição de artistas independentes, no estúdio do fotógrafo Nadar.É difícil dizer se era maior o interesse do fotógrafo por aqueles pintores ou dos pintores pela fotografia; o que é certo, em todo caso, é que um dos móveis da reformulação pictórica foi a necessidade de redefinir sua essência e finalidades frente ao novo instrumento de apreensão mecânica da realidade.”(Argan 1996, p.75) “A definição remonta ao comentário irônico de um crítico sobre um quadro de Monet , intitulado Impression, soleil levant, mas foi adotada pelos artistas , quase por desafio nas exposições seguintes.”(Argan 1996, p.75) Integrantes: Monet, Renoir, Degas, Cézanne, Pissaro, Sisley, J.F.Bazille. (Manet não aceitou ser incluído inicialmente, mais velho e já famoso) Escandalizando o público e a crítica os impressionistas continuaram expondo: 1877, 1878, 1880, 1881,1882 e 1886. “Ainda presos à natureza e aos sentimentos por ela despertados, os impressionistas procuram captar em suas telas o fugidio, o efêmero e o fugaz da vida ao ar livre. Expressam o movimento das águas, os reflexos da luz, a dissolução das imagens, a fumaça de um trem que chega à estação, o nevoeiro sobre o rio, a indefinição no contorno das figuras que se


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movimentam no palco, no baile, na relva ou no hipódromo. Trata-se de pintar o que não se repete, o instante. Contra a retórica social dos realistas, contra a hierarquia temática, os impressionistas buscaram o plein-air, substituíram o assunto pelo motivo.”(Moraes 1991, p.51) “Artistas mais destacados: Jonkgind, Boudin, Manet, Degas, Bazile, Renoir, Monet, Pissaro, Sisley, Marie Laurencin e Berte Morizot. No Brasil: Navarro da Costa, Georgina Albuquerque, Marques Júnior, Henrique Cavalheiro, Gutmann Bicho, Garcia Bento e Rafael Frederico.”(Moraes 1991, p.51) “Freqüentemente se diz que o Impressionismo revitalizou tanto a escultura quanto a pintura. Essa afirmação é tão verdadeira quanto enganosa. Auguste Rodin, o primeiro escultor de gênio desde Berninni, redefiniu a escultura nos mesmos anos em que Manet e Monet redefiniram a pintura”...”Assim como para Manet e Monet a mancha de cor constitui a realidade fundamental, o mesmo se dá com as massas informes e maleáveis a partir das quais Rodin constrói suas formas” (Janson 1996, p.340)

SLIDES 1- Fotografia de Sarah Bernhardt. Nadar, 1859. 2- O Rio. Monet, 1868. 3- Almoço na Relva. Eduard Manet, 1863. (provocou escândalo exposto no Salão dos Recusados) 4- O Julgamento de Páris (baseado em Rafael). Marcantonio Raimondi, 1520. 5- O Tocador de pífaro. Eduard Manet, 1866. 6- Um bar no Folies Bergère. Eduard Manet, 1881-82. 7- Olímpia. Eduard Manet, 1863. 8- O Absinto. Degas, 1876. 9- Ensaio de balé. Degas, 1877. 10- A banheira. Degas, 1886. O Moinho de La Galete. Renoir, 1876. 11- A banhista loira. Renoir, 1881. 12- O estúdio do artista na Rue de La Condamine. Fréderic Bazile, 1870. 13- Paisagem em Chaponsal. Camile Pissaro, 1880. 14- Neve em Noveciennes. Alfred Sisley, 1878. 15- O berço. Berthe Morisot, 1872. 16- Noturno em negro e ouro: a queda do foguete. James Whistler, 1874. 17- O banho. Mary Cassat, 1891. 18- O adeus à Inglaterra. Ford Madox Brown, 1852-55. 19- O pensador (bronze). Augudte Rodin, 1879-89. 20- O beijo (mármore). Auguste Rodin, 1886-98.


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Estética e História da Arte II Prof ª Márcia Metran de Mello Roteiro para Aula ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna. São Paulo:Cia das Letras,1992. CAVALCANTE, Carlos.Como Entender a Pintura Moderna. Rio de Janeiro: Ed.Rio, 1981. JANSON, H.W.JANSON, Antony F. Iniciação à História da Arte. São Paulo: Martins Fontes,1996. MORAES, Frederico. Panorama das Artes Plásticas /séculos XIX e XX. São Paulo :Instituto Cultural Itaú, 1991. O Livro da Arte. São Paulo: Martins Fontes, 1996. PÓS IMPRESSIONISMO Cronologia: 1886 a 1900 aproximadamente “...um grupo de artistas que estavam insatisfeitos com as limitações do Impressionismo e o extrapolaram em várias direções ....eles não eram anti-impressionistas . Longe de tentar destruir os efeitos da Revolução de Manet , queriam leva-la ainda mais longe; em sua essência, o Pós-Impressionismo é apenas um estágio posterior...” (Janson 1996, p.342) CÉZANNE • “...via plasticamente a realidade. Para obterem a fugacidade da luminosidade solar, os impressionistas haviam chegado ao extremo da análise da cor, mediante a dissociação ou divisão das tonalidades. Em conseqüência pulverizaram a forma . Reagindo aos impressionistas, Cézane teria de partir do ponto oposto, isto é, da síntese da forma dos objetos. Assim fez. Procurou sintetizá-la ao máximo, reduzindo-a a seus elementos geométricos básicos” (Cavalcante 1981, p.103) • “...tentava reduzir as formas da natureza a cilindros, esferas e cones. Por meio dessa simplificação, esperava obter a sensação da estrutura do objeto e da tonalidade de sua forma, que os impressionistas haviam praticamente destruído.” (Cavalcante 1981, p.103)” • “Com essa liberdade de interpretação das formas, estava abrindo caminho ao que depois os cubistas chamariam a autonomia da pintura, isto é a pintura liberta-se aos poucos da tradição de imitar ou reproduzir as imagens da realidade, para criar formas mais ou menos autônomas, não resultantes diretamente de sensações visuais, mas de elaboração intelectual. • Outros artistas: Van Gogh, Toulouse Lautrec, Picasso (fase azul), Rousseau etc. • Na escultura os artistas sofreram a influência de Rodin, mas buscavam seus próprios caminhos: Aristide Maillol, Wilhem Lehmbruck, Ernst Barlach SLIDES 1- Auto-retrato. Cézanne, 1879. 2- Maçãs e laranjas. Paul Cézanne, 1905. 3- Bosque e Rochedos. Paul Cézanne, 1892. 4- O divã (papelão). Toulouse Lautrec, 1893. 5- A troupe de Mlle Eglantine (cartão). Toulouse Lautrec. 6- Yvete Guilbert que saúda o público. Toulouse Lautrec, 1894. 7- Os Cipestres. Van Gogh, 1889. 8- Trigal com corvos. Van Gogh, 1890. 9- Quarto do artista em Arles. Van Gogh, 1888. 10- As duas irmãs (fase azul). Picasso, 1902. 11- A cigana adormecida. Henry Rousseau, 1897. 12- A cascata. Henry Rousseau, 1910. • •

PONTILHISMO, DIVISIONISMO ou NEO-IMPRESSIONISMO • “Em 1880, Sutter, estudando os fenômenos da visão, sustenta que a arte deve encontrar um plano de entendimento com a ciência, centro vital da cultura da época. Ao mesmo tempo um jovem pintor, SEURAT, começa a elaborar e experimentar uma teoria própria da pintura, baseada na ótica das cores , à qual corresponde uma nova técnica cientificamente rigorosa. Um problema central é a divisão dos tons: como a luz é a resultante da combinação de diversas cores ( a luz branca de todas ), o equivalente da luz na pintura não deve ser um tom unido, nem ser obtido com a misturas das tintas, e sim resultar da aproximação de vários pontinhos coloridos que, a certa distância, recompõem a unidade do tom e tornam a vibração luminosa.” (Argan 1992, p.117) • Principais artistas: Georges Seurat e Paul Signac. SLIDES


7 1- Domingo à tarde na ilha da Grande Jatte. Georges Seurat, 1884-6. 2- La parade ou prelúdio do espetáculo. Georges Seurat, 1887-88. 3- O palácio papal, Avignon. Paul Signat, 1900. NABIS • Nabi :profeta em hebraico, nome dado pelo próprio grupo. • “Pequeno grupo de artistas franceses que atuaram nos anos 1880, inspirados pelo método de pintura em cores puras de Paul Gauguim. Sua abordagem é sintetizada pela afirmação de Maurice Denis, um dos membros do grupo: Lembremos que uma pintura – antes de ser um cavalo de guerra, uma mulher nua ou um episódio – é essencialmente uma superfície plana com cores reunidas numa certa ordem. Seus quadros caracterizam-se por amplas superfícies de cores ou padrões chapados. Além da pintura, o grupo se interessava por gravura, cartazes, ilustrações de livros, tecidos e desing para teatro.”(O Livro da Arte 1996, p.506 ) • GAUGUIN “...abandonou a carreira de negociante e a família...Gauguim acreditava que a civilização ocidental estava desconjuntada , tendo forçado o homem a uma vida incompleta e dedicada ao ganho material, enquanto suas emoções eram negligenciadas. Para redescobrir por si mesmo o universo oculto do sentimento, Gauguim foi viver entre os camponeses da Bretanha, no oeste da França, onde a religião ainda fazia parte da vida cotidiana....O modelado e a perspectiva foram abandonados por formas planas e simplificadas, delineadas fortemente em preto, e as cores brilhantes são igualmente não-naturais .”(Janson 1996, p.346) • Mais tarde mudou-se para o Taiti para aprender com os nativos. SLIDES 1- O Cristo amarelo. Gauguim, 1889. 2- Duas mulheres na praia. Gauguim, 1891. 3- Retrato de Yvone Lerole. Maurice Denis, 1897. 4- Mãe e menino. Éduard Vuilard, 1899. 5- A toalete da manhã. Pierre Bonard, 1914. 6- A janela aberta. Pierre Bonard, 1921. SIMBOLISTAS • “ Movimento artístico e literário que floresceu na França no final do século XIX. Os artistas simbolistas rejeitavam o realismo, acreditando que a pintura deveria transmitir idéias e estados de espírito, e não simplesmente descrever o mundo visível. Seus estilos variavam desde a riqueza preciosista até a pálida serenidade, mas seu interesse comum era transmitir uma sensação de sobrenatural. Motivos de sabor religioso ou mitológico eram apreciados, e seus temas mais comuns eram o erotismo, a morte e o pecado”(O Livro da Arte 1996, p.507) SLIDES 1- A aparição (dança de Salomé). Gustave Moreau, 1876. 2- Salomé. Aubrey Berdsley. 3- Salomé. Aubrey Berdsley. 4- O ciclope. Odilon Redon., 1898-1900.


8 Estética e História da Arte II Prof ª Márcia Metran de Mello Roteiro para Aula ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna. São Paulo:Cia das Letras,1992. MOTTA, Flávio et alli. Vila Penteado. São Paulo: Usp, 1976. PRÉ-RAFAELITAS Cronologia – iniciou-se em 1848 “JOHN RUSKIN (1819-1900), o maior crítico europeu do século, estreara em 1843 saudando em Constable e Turner os pintores modernos por excelência, os únicos dignos entre os primitivos; a seguir apercebe-se que naquela sociedade moderna, não podia existir uma arte moderna. Para que a arte pudesse sobreviver era preciso mudar a sociedade e tal devia ser a missão dos artistas. Assim como defende o retorno do Gótico para a arquitetura, da mesma forma defende para a arte figurativa o retorno dos primitivos, os artistas anteriores a Rafael e Michelangelo, isto é, antes do pecado do orgulho que transformara a arte numa atividade intelectual.Ruskin será o conselheiro e defensor da Irmandade dos Pré-Rafaelitas, formada em 1848 por três jovens pintores: Holman Hunt (1827-1910), John Everett Millais (1829-96) e Danti Gabriele Rossetti (1828-82).” (Argan 1992, p.175) • “O movimento pré-rafaelita também está indiretamente ligado à corrente religiosa do chamado redespertar católico.”(Argan 1992,p.176) • Escolha de pintores do passado com características de narradores: Gozzoli, Carpaccio, Ghirlandaio – pintura como narração figurada. • “Afirma-se a necessidade de um novo naturalismo, pois reconhece-se à natureza uma poeticidade intrínseca própria e um sentido de misteriosa mensagem divina; contudo, o meio indicado para decifrá-lo não é o sentimento da natureza, e sim uma técnica pictórica humilde, honesta, precisa, semelhante à dos antigos mestres e artesãos” ( Argan 1992, p.176) • “Willian Morris (1834-96), pintor, escritor, polemista e propagandista, mas também homem de ação.” (Argan 1992, p.179) • Willian Morris defendia uma cultura artesã contrapondo-se à desprofissionalização causada pela produção fabril mecanizada formando o Arts and Crafts Movement. • Encomenda de Morris a Philip Web – Red House 1859 - agrupamento de artistas: MORRIS, MARSHAL, FAULKNER E Co / móveis, decoração, forrações , prataria, vidros, tapeçarias, etc. • “...a corrente pré-rafaelita e morrinista, por seu lado, visa à eliminação da especificidade das artes, à inserção direta da experiência estética na práxis da produção econômica e da vida social”- estilo artístico:estilo de vida. (Argan 1992, p.182) • “...da empresa de Morris deriva o modern stile, que se difundirá rapidamente na Europa e nos Estados Unidos, em todos os níveis sociais: com o nome de Art Nouveau na França; Jugendstil, na Europa central; Liberty, na Itália.” (Argan 1992, p.182) SLIDES 1- Renascimento:Duas mulheres venezianas num balcão. Vittore Carpaccio, 1500. 2- Renascimento:Duas mulheres venezianas num balcão(painel completo). Vittore Carpaccio, 1500. 3- Renascimento: Retrato de Giovanna Tornabuoni. “Pudesse esta arte retratar seu caráter e sua virtude, nenhuma pintura do mundo seria mais bela”.Domenico Ghirlandaio, 1488. 4- Ecce ancilla domini. Dante Gabriele Rosseti, 1850. 5- O rei Cophetua e a pequena mendiga. Eduard Burne Jones, 1884. 6- Red House, Bexley Helth , Kent. Philip Web, 1859. Cadeira de balanço. Peter Cooper, 1860. 7- Papel de parede. Willian Morris, 1875. 8- Tecido. Willian Morris, 1883. • •

ART NOUVEAU • Cronologia: 1900 a 1914 aproximadamente • “ A casa de Horta surge, entretanto, com formas novas, profundamente decorativas, nas grades de ferro retorcido ou nas linhas curvas, harmoniosas e ritmadas que se desenham pelas paredes, pelos tetos, pelas colunas e pelos portões. Horta realizou o primeiro e ao mesmo tempo o mais puro exemplo de art nouveau.”(Motta 1976, p.89.) • Na Alemanha – Jugendstil (Jugend , revista alemã) • Na Áustria – Sezession • Na França – Art Nouveau ( nome de uma loja francesa) • Na Itália – Floreal ou Liberty (Liberty and Co – firma inglesa de fabricação de objetos e móveis no estilo)


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“ A designação floreal refere-se à inspiração constante que os artistas italianos e franceses encontravam , para criar novas formas, nos elementos da flora. Os belgas como Horta e H. Van de Velde se dedicaram mais ao emprego de linhas abstratas e ritmadas simbolizando uma espécie de sistema de decomposição de forças. Todavia l’art nouveau era sempre a manifestação de um grafismo delicado e sensível.” ( Motta 1976, p.89) “ tendo como precedente significativo uma exposição internacional, o art nouveau haveria de ser consagrado numa outra grande exposição internacional, cinquenta anos depois: a Exposição de Paris de 1900. Outras exposições como a Exposição de Turim, em 1902, a de St. Louis, em 1904 e no Brasil, a Exposição Nacional de 1908, demonstraram o prestígio do art nouveau....Estas exposições , que se tornariam características da civilização industrial, assinalaram conquistas fundamentais para o progresso. A exposição de Paris em 1900, estava destinada também a registrar um fato técnico e científico de importância – a eletricidade. Coube ao art nouveau compor o ambiente para valorizar , entre outras coisas, a nova e misteriosa descoberta.” (Motta 1976, p.89) “Do ponto de vista sociológico, o Art Nouveau é um fenômeno novo, imponente, complexo, que deveria satisfazer o que se acredita ser a necessidade de arte da comunidade inteira . Interessa a todos os países europeus e americanos onde se alcançou certo nível de desenvolvimento industrial . Instaura entre eles um regime cultural e de costumes quase uniforme, apesar das ligeiras variações locais, e de caráter explicitamente moderno e cosmopolita. É um fenômeno tipicamente urbano, que nasce nas capitais e se difunde pelo interior. Interessa a todas as categorias dos costumes : o urbanismo de bairros inteiros, a construção civil em todas as suas tipologias, o equipamento, urbano e doméstico, a arte figurativa e decorativa, as alfaias, o vestuário, o ornamento pessoal e o espetáculo....Pelo modo que se propaga, é uma verdadeira moda, no sentido e com toda a importância (já intuída e explicitada por Baudelaire) que a moda assume em uma sociedade industrial, inclusive em termos econômicos, como fator de obsolência e substituição dos produtos. É o gosto da burguesia moderna, sem preconceitos, adepta do progresso industrial, que considera como um privilégio intelectual próprio a que também correspondem responsabilidades sociais. Penetra, na verdade, em todas as camadas da sociedade burguesa: a alta burguesia possui os arquétipos, trabalhados por artistas e artesãos em materiais nobres; a média e a pequena burguesia consomem produtos do mesmo tipo, mas banalizados pelos processos repetitivos da produção industrial e pela qualidade inferior dos materiais. Apresenta-se como estilo moderno, isto é, de moda. Como a indústria acelera o tempo da produção, é preciso acelerar o tempo do consumo e da da substituição. A moda é o fator psicológico que desperta o interesse por um novo tipo de produto e a decadência do velho. Assim, o Art Nouveau, enquanto estilo moderno, corresponde ao que, na história econômica da civilização industrial, é chamado de o fetichismo da mercadoria.” (Argan 1996, p.199)

SLIDES 1- Victor Horta. Vão de escada da entrada da casa Tassel em Bruxelas, 1893. 2- Victor Horta. Espelho de uma das paredes da entrada da casa Tassel em Bruxelas, 1893. 3- Victor Horta. Entrada da casa do arquiteto em Bruxelas, 1898-1900. 4- Victor Horta. Parte superior do vão da escada da casa do arquiteto em Bruxelas, 1898-1900. 5- Victor Horta. O hall central da casa Van Eetvelde em Bruxelas, 1899. 6- Ludwing Von Zumbusch. Capa da revista Judgend. Munique, 1896. 7- M.F.Bellenger (aquarela). Entrada principal da Exposição Internacional de Paris, 1900. 8- Bernhard Pankok. Capa do catálogo do departamento alemão na Exposição Universal de Paris, 1900. 9- Charles Plumet e Tony Selmersheim. Toucador exposto em 1900 na Exposição Universal de Paris. 10- Peter Bherens. Candeeiro de secretária em bronze e vidro pintado, 1902. 11- Luis Comfort Tiffany. Jarra de vidro irisado e copo ornamental em forma de tulipa. N.Y.,1900. 12- Friedrich Adler. Serviço de café de estanho. Munique, pouco depois de 1900. 13- Lucien Gaillard. Gancho de cabelo em ouro. Paris, 1906. 14- Gustav Klimt. A espera (mosaico), 1906-1907. 15- Gustav Klimt As três idades da vida,1908. 16- Gustav Klimt Retrato de Fritza Riedler,1908. 17- Gustav Klimt Dânae. 18- Gustav Klimt Judite (Salomé)II. 19- Antoni Gaudi. Banco de pedra com mosaico de azulejos partidos e pedaços de vidro no Parque Güell em Barcelona, 1900-1914. 20- Antoni Gaudi. Telhado da Casa Batlló em Barcelona, 1904-1906.


10 Estética e História da Arte II Prof ª Márcia Metran de Mello Roteiro para Aula

MELLO, Márcia Metran de. Moderno e modernismo: arquitetura dos dois primeiros fluxos desenvolvimentistas de Goiânia. Dissertação de mestrado, apresentada na Faculdade de Arquitetura da Universidade de São Paulo, em 1996. ART DÉCO • Cronologia:1925 a final dos anos 40. Características do estilo no mundo: Tem por referência temporal a Primeira Guerra Mundial, considerada como um divisor entre o Art Nouveau e o Art Déco. O surgimento desse estilo objetivava eliminar seu antecessor. Entretanto, ambos não são o oposto, e em muitos de seus aspectos, o Art Déco é uma extensão do Art Nouveau. Esses argumentos, não se sustentam. O termo Déco foi generalizado após a exposição realizada em Paris, em 1966: “Os anos 25” dedicada ao Art Déco, à Bauhaus, de Stijl e Espíto Nouveau. Entretanto, o lançamento do estilo ocorreu em Paris, em 1925, na “Exposition des Arts Décoratifs et Industriels Modernes, irradiando-se para o mundo, muito particurlarmente para os EUA. Definição estilística: influências múltiplas, ecléticas e híbridas, tais como: * inspiração nas vanguardas do século XX, Cubismo, Futurismo; * motivos decorativos de influência egípcia, a partir da descoberta da Tumba de Tutankhaman, em 1922, por Haward Carter; * inspiração nas esculturas africanas, em motivos decorativos de culturas mais antigas - Assíria, Babilônia, Maia, Asteca, Persa - lacas japonesas; * inspiração no mundo da moda e no desenho dos transatlânticos; *na década de 30, com o maior impacto da máquina, as formas desse estilo ganham suavidade e expressão aerodinâmica. Os focos mais importantes de irradiação do estilo: França - edifícios efêmeros EUA - os arranha-céus de Nova York: Crysler e Empire State O cinema foi um grande difusor do Art Déco, na Era Jazz. No Brasil O estilo Déco popularizou-se nos anos 30 e 40. Os artistas brasileiros que criaram ambientes Déco, nos anos 40: Antônio Gomide, Regina Gomide Graz e John Graz - desenharam tapeçarias, vitrais, tapetes, esculturas, afrescos e pinturas. Na arquitetura, o nome de Jaques Pilon é uma referência desse estilo, em São Paulo. Em Goiânia O Art Déco vigorou nos principais edifícios públicos das décadas de 30 e 40 1) O Grande Hotel 2) O Palácio das Esmeralda 3) Museu Zoroastro Artiaga ( construído para abrigar o DIP, projetado pelo polonês Kazimierz Bartoszenvski, em 1945) 4) O Cine-teatro Goiânia ( 1937-38, inaugurado em 42, de autoria de Jorge Féliz de Souza e coautoria de José Nedermeyer. De inspiração nos Odeons britânicos, cinemas que marcam a décad de 30. Características: curvas ondulantes, torre central, linhas quebradiças.) 5) Estação Ferroviária ( autor desconhecido, inspirado nas estações de metrô inglesas - o tema da torre única, da qual partem volumes escalonados.) 6) Residências das classes mais abastadas. Ex.: Residência Pedro Ludovico Teixeira. Esses edifícios, cujos riscos originais são de Atílio Corrêa Lima, não podem ter suas fisionomias déco atribuídas a esse artquiteto, tendo em vista que Corrêa, em 34, já não mais trabalhava na construção de Goiânia. Possivelmente o desenvolvimento de suas idéias originais tenha sido realizado pelos arquitetos que trabalhvam para a Firma Coimbra Bueno. O Aspecto Déco dos edifícios mencionados é estilizado, fato devido à falta de verbas e a rapidez da execução das obras. Porém, em termos técnicos-construtivos, representaram um salto valioso, pois, empregavam alvenaria de tijolos no lugar da taipa de pilão, estruturas mistas em concreto e alvenaria portanto, lajes e escadas em concreto, terraços impermeabilizados. Além dessas conquistas, eram abastecidos de água quente e fria e de elevador elétrico. Em seu conjunto, é possível falar de um ar de goianidade nesses edifícios déco.


11 7) O Déco esteve presente também nos equipamentos urbanos: passeios, bancos, fontes, luminárias, no coreto ( projeto do engenheiro Jorge Félix de Souza), na Av. Goiás, no relógio dessa avenida e no guardacorpo do Lago das Rosas. SLIDES 1- Metrópolis, filme de Fritz Lang’s , 1926. 2- Cenário de 1978 para o filme musical The Wiz. 3- New York’s Chrysler Building, 59 andares de William Van Alen, 1928-31. 4- Fachada do Niagara Mohawk Power Corporation Building. N.Y., 1930-32. 5- Motivos nativos americanos no Kimo Theater, Albuquerque. 6- Edifício na 5ª Avenida, NY. 7- Painel Floral. Polish National Home, Connecticut. 8- Apartamento em Paris. 9- Manhattan’s Rocfeller Center, 31-40. Arte, ciência, comércio e indústria. 10- Painel mostrando trabalhadores da agricultura em um prédio de apartamentos em Paris. 11- Natinal Radietor Building. Raymond M. Hood e Gordon Jeeves, Londres, 1928.Inspiração mourisca e persa. 12- Torre Cross e Cross’s,1931. Neo gótico com características déco, NY. 13- Teatro Folies Bérgere, Paris. 14- Cinema Orinda.-1941. 15- Earl Buther e George Kraetsch. Iowa, 1935-36. Casa na Ilha do Caribe em Porto Rico, 193536. 16- Apartamento no subúrbio da cidade do Cairo. Anos 30. 17- Hotel em Miame, 1932. 18- Apartamento em Miami. 19- Hotel em Miami, 1930. 20- Móvel déco inspirado nos arranha-céus déco, 1928-29. 21- Tiffany and Company, serviço de coctail,1939.


12 Estética e História da Arte II Prof ª Márcia Metran de Mello Roteiro para Aula ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna. São Paulo:Cia das Letras,1992. CAVALCANTE, Carlos.Como Entender a Pintura Moderna. Rio de Janeiro: Ed.Rio, 1981. JANSON, H.W.JANSON, Antony F. Iniciação à História da Arte. São Paulo: Martins Fontes,1996. MORAES, Frederico. Panorama das Artes Plásticas /séculos XIX e XX. São Paulo :Instituto Cultural Itaú, 1991. A ARTE COMO EXPRESSÃO “Comumente chamada de expressionista é a arte alemã do início do século XX. O Expressionismo, na verdade, é um fenômeno europeu com dois centros distintos: o movimento francês dos fauves (“feras”) e o movimento alemão Die Brücke (a ponte). Os dois movimentos se formaram quase simultaneamente em 1905 e desembocam respectivamente no cubismo na França (1908) e na corrente Der blaue Reinter (“o cavalheiro azul”) na Alemanha (1911). A origem comum é a tendência antiimpressionista que se gera no cerne do próprio Impressionismo, como consciência e superação de seu caráter essencialmente sensorial, e que se manifesta no final do século XIX com Toulouse Lautrec , Gauguim , Van Gogh, Munch e Ensor....Literalmente, expressão é o contrário de impressão . A impressão é um movimento do exterior para o interior: é a realidade (objeto) que se imprime na consciência (sujeito). A expressão é um movimento inverso, do interior para o exterior: é o sujeito que por si imprime o objeto. É a posição oposta a Cézanne, assumida por Van Gogh. Diante da realidade, o Impressionismo manifesta uma atitude sensitiva, o Expressionismo uma atitude volitiva, por vezes até agressiva. Quer o sujeito assuma em si a realidade, subjetivando-a, quer projete-a sobre a realidade, objetivando-se, o encontro do sujeito com o objeto, e, portanto, a abordagem direta do real, continua a ser fundamental. O Expressionismo se põe como antítese do Impressionismo, mas o pressupõe: ambos são movimentos realistas, que exigem a dedicação total do artista à realidade, mesmo que o primeiro a resolva no plano do conhecimento e o segundo no plano da ação. Exclui-se, porém, a hipótese simbolista de uma realidade para além dos limites da experiência humana, transcedente, passível apenas de ser vislumbrada como no símbolo ou imaginada no sonho. Assim se esboça, a partir daí , a oposição entre arte engajada, que tende a incidir profundamente sobre a situação histórica, e uma arte de evasão , que se considera alheia e superior à história. Somente a primeira (a tendência expressionista) coloca o problema da relação concreta com a sociedade e, portanto, da comunicação ; a Segunda (a tendência simbolista) o exclui, coloca-se como hermética ou subordina a comunicação ao conhecimento de um código (justamente o símbolo) pertencente a poucos iniciados.” (Argan 1996, p.227) SLIDES 1- As máscaras estranhas. Ensor, 1892. 2- Esqueletos que procuram aquecer-se. 3- A morte de Marat. Edward Munch, 1906. 4- O viandante noturno. Edward Munch, 1939. FAUVISMO • Cronologia: 1904 a 1907 • “No Salão do Outono de 1905 em Paris, vários jovens pintores ocuparam uma sala. Entre outros, Henry Matisse, Raoul Dufy, Albert Marquet e Maurice Vlaminck....Na sala havia pequena estátua de cupido, em estilo renascentista, que lembrava trabalho semelhante do do escultor pré-renascentista florentino Donatello. Comentando a exposição desses novos artistas, ainda inteiramente desconhecidos, escreveu um crítico que Donatello se achava uma verdadeira cage aux fauves , isto é, numa jaula de feras. O crítico falou assim pela violência e, mesmo, ferocidade com que aqueles pintores empregavam as cores, utilizando-as nos tons puros, sem misturas e nuanças. Eram vermelhos, azuis , verdes, amarelos estridentes, que pareciam doer nos olhos....A denominação pegou fez sucesso e universalizou-se, para designar aquela gente nova , realmente atrevida nas cores. Assim nasceu o fauvisme, fovismo, que recebia diretas influências de Van Gogh e Gauguin desaparecidos recentemente....os fovistas estabeleceram o princípio de que o ato da criação artística nada tem a ver com as faculdades intelectuais, nem tampouco com os sentimentos, mas exclusivamente, com os impulsos instintivos ou as sensações vitais primárias.”(Cavalcanti 1981, p.121) • Matisse: apóstolo das formas otimistas. SLIDES 1- A Dança. Henry Matisse, 1910. 2- Natureza morta com melancias. Matisse, 1911-12.


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Natureza morta com peixes vermelhos. Matisse, 1911. Figura decorativa sobre fundo ornamental. Matisse, 1927. Retratro de Henry Matisse. Alain Derain. Mulher de combinação. Alain Derain, 1906. Retrato de um jovem com camisa estampada. Ilia Machkov, 1909.

EXPRESSIONISMO • Cronologia:1905 a 1933. • Suas manifestações iniciais datam de 1905, sob influência direta de Van Gogh e do noruegues Edward Munch (1863-1944). Naquele ano, na cidade alemã de Dresden, reúnem-se vários jovens pintores, Ernest Ludwing Kirchner, Eric Heckel, Karl Schmidt Rottuff, Max Pechstein e Emil Nolde. Organizam-se num grupo, Die Bücke (A Ponte), denominção simbólica, isto é a ponte entre o visível e o invisível. Recebem, mais tarde, a denominação de Expressionistas, dada por Herward Walden, poeta e editor da revista Der Stürmer (A tempestade)....Realizam diversas exposições até 1913, quando, por dissidências internas e aproximação da Primeira Grande Guerra, o grupo se dispersa.....Depois da guerra, os expressionistas alemães ressurgem mais numerosos. O advento do regime nazista, em 1933, decreta-lhes o desaparecimento. Suprimindo todas as liberdades, Hitler suprimiria também a da criação artística. Considera-os degenerados, expressão da decadência capitalistas, persegue-os, expulsa-os da Alemanha. Fez-lhes grande exposição coletiva, para mostrar ao povo alemão a degenerecência da arte no regime capitalista, que demagogicamente fingia perseguir.” (Cavalcante 1981, p.115) • “...o movimento se formou a partir de dois grupos, Die Brücke (A Ponte), de Dresde , Em 1905, eo Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul), de Munique, em 1909. Os integrantes do primeiro grupo(Kirschner, Heckel, Schmidt, Rottluff, Nolde, Otto Muller, entre outros), eram todos inquietos, de uma sensibilidade doentia ou mórbida, atormentados por problemas religiosos, sexuais políticos, sociais e morais. Eram agressivos e politizados. Diferentemente, os cavalheiros azuis (Kandisky, que deu nome ao grupo, Marc, Macke e Jawlensky) tinham uma visão mais espiritualizada do universo manifestando-se sobretudo através da cor.” (Moraes 1991, p.41) SLIDES 1- A última ceia. Emil Nolde, 1909. 2- Rosas vermelhas e amarelas. Emil Nolde, 1907. 3- A partida. Max Beckmann, 1932-35. 4- Marcella. Ernst Ludwing Kirchner, 1910. 5- Auto retrato com modelo. Ernst Ludwing Kirchner, 1910. 6- Chamonix, Monte Branco. Oskar Kokoschka, 1927. 7- Retrato de Dolly. Kess Van Dongen, 1911. 8- O pequeno confeiteiro. Chaim Soutine, 1922. 9- Aves mortas. Chaim Soutine, 1926. 10- O velho rei. Georges Rouault, 1916. 11- Figura com peças de carne. Francis Bacon, 1954. ABSTRACIONISMO • Cronologia:1910..... • “Em termos muito gerais, o abstracionismo pode ser considerado uma pintura cujas formas e cores não possuem qualquer ligação com as imagens ou aparências da realidade exterior...Não importa tenha o pintor partido das formas objetivas para chegar às formas abstratas. Para ser considerado abstrato, importa é não possuirem suas formas qualquer relação com as formas exteriores da realidade. Ao invés de representar as formas exteriores, visuais dos seres e objetos, o pintor abstracionista cria formas por assim dizer interiores, inexistentes visualmente na realidade.”(Cavalcanti 1981, p.139) • “Através dos próprios fatos artísticos, o caminho do abstracionismo veio sendo assim preparado desde o Impressionismo. Vários artistas na Europa faziam pesquisa no plano da abstração, isto é, no plano da criação de formas e cores, sem relação com as imagens das realidades exteriores. Os historiadores e críticos concordam, porém, em atribuir a primazia dos resultados nas pesquisas abstracionistas ao pintor Vassily Kandisnsky (18661944)”(Cavalcanti 1981, p.142) • Kandisnsky pertencia à Bauhaus, escreveu sobre pintura abstrata em seu livro O Espiritual na Arte, que influenciou e ainda influencia muitos artistas. • “Bauhaus – Funda pelo arquiteto Walter Gropius, em Weimar, em 1919, a Bauhaus(casa da construção) foi sucessivamente transferida para Dessau (1926) e Berlim(1933), onde, um ano depois, foi fechada a mando de Hitler, sob acusação de ser um covil de bolchevismo soviético”(Moraes 1991, p.33)


14 SLIDES 1- Cossacos. Vassily Kandinsky, 1910-11. 2- Primeiro esboço para composição VII. Kandinsky, 1913. PRIMEVARISMO • “ O Expressionismo, por exemplo, é uma corrente muito menos importante na escultura que na pintura-o que é um tanto surpreendente, já que se poderia esperar que a descoberta da escultura primitiva pelços fauvistas evocasse uma forte reação entre os escultores. Somente um importante escultor participou dessa redescoberta: Constantim Brancusi, um romeno que chegou a Paris em 1904. Mas estava mais interessado na simplicidade formal e na coerência das esculturas primitivas do que em sua rústica expressividade...O primevarismo de Brancusi foi o ponto de partida de uma tradição escultórica que continua viva até hoje.”(Janson 1996, p.402) • Primevo – referente aos tempos primitivos. SLIDE 1- O Beijo, Brancusi, 1909. Duas formas. Henry Moore, 1936. Figura Reclinada. Henry Moore, 1938.


15 Estética e História da Arte II Prof ª Márcia Metran de Mello Roteiro para Aula CAVALCANTE, Carlos.Como Entender a Pintura Moderna. Rio de Janeiro: Ed.Rio, 1981. MORAES, Frederico. Panorama das Artes Plásticas /séculos XIX e XX. São Paulo :Instituto Cultural Itaú, 1991. . CUBISMO CUBISMO ANALÍTICO • Cronologia: 1908 a 1911 • Deriva diretamente de Cézanne- reduzir as formas a elementos geométricos básicos. • “As pesquisas e experiências de Picasso e Braque começaram a interessar outros pintores . Entre 1910 e 1911, aderiram ao cubismo Robert Delaunay, August Herbin, Fernand Léger, Henri de Fauconnier, André Lhote, Jean Metzinger, Gino Severini, Francis Picabia, Roger de La Fresnay, Jacques Villon, Duchamp Villon, Marcel Duchamp, Diego Rivera, Piet Mondrian e os escultores Alexander Archipenko e Louis Marcoussis. É verdade que alguns tomariam depois rumos diferentes, expressando-se de modos diversos e mesmo antagônicos, mas todos tiveram sua fase fecunda de experimentações cubistas.....Representou uma reação de natureza intelectual e, portanto, disciplinadora, à verdadeira indisciplina contida no emocionalismo do Expressionismo e no instintivismo do Fovismo....Decidiram os cubistas restabelecer a ordem do espírito onde havia a desordem dos sentimentos e dos sentidos, programa este resumido nas frases de Braque:Eu penso em termos de formas e cores e de Severini: Formas não sentidas, mas pensadas.”(Cavalcanti 1981, p.128) • realismo visual-representação do que é visto / realismo intelectual-representaçãodo que se sabe que existe, embora sem ser visto. • “Com a decomposição das imagens dos objetos em áreas e ângulos e a organização destes – conforme as exigências da sensibilidade, os cubistas acabaram realizando o que os fovistas haviam iniciado – a autonomia da pintura.....Essa primeira fase de decomposição minuciosa da forma dos objetos chama-se Cubismo Analítico, que se distingue ainda pela discrição do colorido....As formas são decompostas, arbitrária e curiosamente, em múltiplos elementos.”(Cavalcanti 1981, pgs.130 e 131) SLIDES 1- Natureza morta com estatueta de cupido. Paul Cézanne, 1895. 2- Les Demoiselles D’Avignon. Picasso, 1907. 3- A fábrica de Horta de Elbo. Picasso, 1909. 4- Moça com bandolim (retrato de Fanny Tellier). Picasso, 1910. 5- Nu descendo escada n.2. Marcel Duchamp, 1912. Lápis e pastel sobre papel fotográfico. Crítica ao cubismo analítico, introduz elemento cinético. O homem transformado em máquina. CUBISMO SINTÉTICO • Cronologia: 1911 a 1914 • Picasso, Braque e Juan Gris • “No sintético são mantidos os princípios gerais do analítico inclusive a negação do realismo visual e dos processos ilusionistas de representação do espaço e do volume, mas diminui a decomposição da forma, que se faz, agora, com maior síntese e, finalmente, restabelecem-se as imagens visuais, embora bastante geometrizadas e deformadas.”(Cavalcanti 1982, p.131) • algumas inovações a partir de 1914: introdução de letras tipográficas e colagens. SLIDES 1- Mulher sentada em poltrona. Picasso, 1913. 2- Três bailarinos. Picasso, 1925. 3- Natureza morta espanhola. Picasso, 1912. 4- Natureza morta com às de paus (óleo e colagem). Georges Braque, 1911. 5- Natureza morta com bufê (óleo e areia). Georges Braque, 1919. 6- Natureza morta com fruteira e garrafa d’água (colagem). Juan Gris, 1914. 7- A cidade. Férnand Léger, 1919. CUBISMO ÓRFICO • Nem analítico, nem sintético sem lógica de pesquisa. • “ Na Grécia significava culto ao Dionísio, o qual se acreditava Ter sido instituído por Orfeu. A palavra foi empregada por Apollinaire, em 1912, para denominar as obras de Robert e Sonia Delaunay, nas quais ele via o primado da cor na construção pictórica. Seria uma tentativa de fusão do Cubismo (estrutura) (ver) com Fovismo (cor) (ver), provocando no


16 espectador uma sensação derivada da interação simultânea dos valores prismáticos, segundo Joshua Taylor.”(Moraes 1991, p.63) SLIDE 1- Tour Eiffel. Robert Delaunay, 1910. FUTURISMO • Cronologia:1909 a 1916 • “Em setembro de 1909, o jornal parisiense Le Figaro publicava o Manifesto Futurista, assinado pelo escritor italiano Marineti. Um ano depois, no teatro Ghiarela de Turim, lançavase o manifesto dos artistas, subscrito, entre outros por Umberto Boccioni, Carlo Carrá, Luigi Rossolo, Giacomo Balla e Gino Severini...Os dois manifestos exaltavam a velocidade e a força, negavam o passado e glorificavam o futuro.....Inspirando-se no dinamismo universal e na vertiginosidade da vida moderna, os futuristas cantavam a velocidade e as conquistas humanas que a representavam -–os aviões, os automóveis e as locomotivas.”(Cavalcanti 1981, p.135) • “Caracterizavam-se pela agressividade na propaganda do movimento. Personalidade realmente fascinante Marinetti percorreu a Europa, fazendo conferências ruidosas pelo radicalismo e tom polêmico. Esteve no Rio de Janeiro, tendo falado no desaparecido Teatro Lírico. Quando Mussoline e o Facismo apareceram, considerou-os conseqüencias do Futurismo. Essa tomada de posição em favor de um regime de força não foi muito bem recebida entre os aderentes de vários países ....Estava superado, pertencia agora, ao passado, que infatigavelmente condenara.”(Cavalcanti 1981,p.136) • “Os objetos não existem . Não se trata de representar o automóvel em movimento, mas a velocidade do automóvel....A velocidade deu-nos uma nova noção do tempo e do espaço e, conseqüentemente, da vida mesma.” Gino Severino, teórico do movimento. • “Boccioli, outro futurista, dizia que um cavalo parado é uma coisa completamente diferente de um cavalo em movimento. Considerava a velocidade um novo absoluto, que um temperamento verdadeiramente moderno não pode ignorar.”(Cavalcante 1981,p.137) SLIDES 1- Dinamismo de um cão na coleira. Giacomo Balla, 1911. 2- Automóvel correndo. Giacomo Balla, 1913. 3- Vôo das andorinhas. Giacomo Balla, 1913. 4- A Ponte do Broklyn, 1917. 5- Formas únicas de continuidade no espaço. Boccioni, 1913. Pássaro no espaço. Brancusi, 1919. PURISMO • “O manifesto, publicado em 1918, com o título Após o Cubismo, de autoria de Ozenfant e Le Corbusier, defende a restauração de uma arte sadia, sem fantasias e preciosismos, ao mesmo tempo que se propõe a restituir aos objetos sua simplicidade arquitetônica. Le Corbusier criou em 1920 a revista Espirit Nouveau, anunciando que há um espírito novo: é um espírito de construção e de síntese, guiado por uma concepção clara.”(Moraes 1991, p.66) SLIDES 1- Violão, copo e garrafa. Ozenfant, 1920. 2- Natureza morta com pilhas de pratos. Charles Edouard Jeanneret (Le Corbusier), 1920.


17 Estética e História da Arte II Prof ª Márcia Metran de Mello Roteiro para Aula ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna. São Paulo:Cia das Letras,1992. CAVALCANTE, Carlos.Como Entender a Pintura Moderna. Rio de Janeiro: Ed.Rio, 1981. METAFÍSICA Cronologia: 1916 a 1920 “Os intelectuais italianos haviam esperado que, com a participação na Guerra Mundial ao lado da França e Inglaterra, teriam acesso a uma Europa progressista. Tendo sido a Itália relegada ao nível de uma província, exaurido o ímpeto renovador do Futurismo, ela mostra uma intenção de se apartar e reafirmar uma autonomia e originalidade próprias....Desde 1910, DE CHIRICO vinha opondo ao tumultuado precursionismo futurista a uma idéia de uma arte da história, metafísica, de uma classicidade absoluta, exterior ao tempo. Não há aí sequer uma sombra de nacionalismo, mas apenas o desejo de uma dimensão interior inalcançável no alarido das fábricas, dos negócios e das guerras. A arte, em suma, não quer manter qualquer relação com o mundo presente, não quer combater por causa alguma, não quer esposar nenhuma ideologia; quer ser apenas ela mesma, mesmo que sua ausência manifesta dê uma sensação de morte a um mundo até agora demasiado vivo....De Chirico se opõe ao Futurismo (desde suas primeiras atuações) não por receio à novidade, mas por uma outra poética, que se poderia dizer da negatividade. A arte é pura metafísica, não possui vínculos com qualquer realidade natural ou histórica, nem mesmo para transcendê-la. Não tem finalidades cognitivas nem práticas, não tem qualquer função. Sua presença é ambígua, inquietante, contraditória. Coloca formas sem substância vital num espaço vazio e inabitável, num tempo que não é eterno, mas imóvel. Como uma esfinge, coloca enigmas facílimos e insolúveis aos homens que crêem saber tudo. É um elemento perturbador, que desambienta e provoca estranhamento; sem um gesto, pode comprometer tudo....Muito antes dos dadaístas, De Chirico sentiu e denunciou a incongruência da arte na civilização moderna; inútil procurar remédios impossíveis, sua razão de ser é o ser-em-contradição.” (Argan 1992, p.372) SLIDES 1- As musas inquietantes. Giorgio de Chirico, 1916. 2- A incerteza do poeta. Giorgio de Chirico, 1913. 3- Mistério e melancolia de uma rua. Giorgio de Chirico, 1914. 4- A musa metafísica. Carlo Carrà, 1917. 5- A amante do engenheiro. Carlo Carrà, 1921.

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DADAÍSMO • •

Cronologia: 1916 a 1922 “Surgira na cidade suíça de Zurique em 1916. Ali se encontravam como refugiados escritores e artistas de várias nacionalidades. Nos países de origem, alguns haviam-se manifestado publicamente contra I Guerra mundial (1914-1918). Acusados de impatriotismo e traição, cadeia ou pelotão de fuzilamento à vista, fugiram e acabaram reunindo-se em Zurique. No grupo destacavam-se o poeta húngaro Tristan Tzara, o pintor alsaciano Hans Arp, o poeta alemão Richard Huelsenbeck, Hugo Ball, Emny Hennings, Walter Serner, Hans Richter e Viking Eggeling.....Estavam dominados pelo sentimento de inutilidade da civilização, incapaz de evitar que os povos mais adiantados da terra se empenhassem naquela insensata luta de morte e destruição.”(Cavalcante 1981, p.165) “Para denominar o novo movimento, abriram ao acaso um dicionário Larousse. Fechando os olhos, o poeta Tristan Tzara deixou cair o dedo sobre uma palavra qualquer. O dedo caiu sobre a palavra Dadá, designação infantil francesa de cavalo....Quando perguntaram aos organizadores do movimento o que significava a palavra dadá ou dadaísmo, responderam simplesmente: Nada! Alguma coisa, cultura, religião, arte, beleza e bondade, amor e justiça, alguma coisa pode ter significação diante do horror da guerra, os homens enlouquecidos matando e destruindo?” (Cavalcante 1981, p.166) “Nada de pintores, nada de literatos, nada de músicos, nada de escultores, nada de religiões, nada de republicanos, nada de realistas, nada de imperialistas, nada de anarquistas, nada de socialistas, nada de bolcheviques, nada de políticos, nada de proletários, nada de burgueses, nada de aristocratas, nada de exércitos, nada de polícia, nada de pátrias, enfim, basta de todas essas imbecilidades, nada mais, nada mais. Nada, nada, nada.” Aragon, poeta dadá.


18 “Fiseram do automatismo psíquico, por seu acentuado teor de irracionalismo, o princípio básico de sua estética, transformando-o em fonte de criação artística. “(Cavalcante 1981, p.166) – influência da doutrina de Freud – atos, palavras e idéias que emergem do subconsciente. • 1920 – primeira reunião em Paris no Salão dos independentes e festividade na sala Gaveau. • “O programa anunciava, segundo Michel Seuphor, que os dadaístas cortariam os cabelos em cena e seria mostrado o sexo de Dadá. Os círculos conservadores chocaram-se. Numa dessas reuniões, o manifesto do movimento foi lido, ao mesmo tempo, por vinte pessoas, num falatório incompreensível, acompanhado de matracas e outros ruídos......A imprensa assim noticiava uma dessas reuniões: Com o mau gosto que os caracteriza, os dadaístas apelaram desta vez para o terrorífico. O cenário era um sótão de luzes quase apagadas. Por um alçapão, subiam gemidos. Escondido atrás de um armário, um engraçado injuriava as personalidades presentes. Sem gravatas e de luvas brancas, os dadaístas iam e vinham de um lado para outro. André Breton mastigava fósforos. Ribemont-Dessaignes clamava a cada momento, a cada momento – Chove sobre uma caveira! Aragon miava, Philippe Soulpault brincava de esconder com Tzara, enquanto Benjamin Péret e Chouchou apertavam-se as mãos, cumprimentando-se continuamente. No primeiro plano, Jacques Rigaut contava, em voz alta, as pérolas dos colares das senhoras presentes.”(Cavalcante 1981, p.167) • “Na Alemanha, arruinada e exasperada pela derrota, o Dadaísmo assumiu certamente os seus aspectos mais agudos....Mesmo antes de terminada a Guerra, Dadá chegou a Nova Iorque, levado por Marcel Duchamp, Picabia e Man Ray, este, pintor e fotógrafo da Filadélfia.”(Cavalcante 1981, p.167) • Marcel Duchamp – “Em 1917, participava do júri do Salão dos Independentesde Nova Iorque. enviou, sob pseudônimo, um urinol com o título Fonte . Como naturalmente o júri o recusasse, pediu demissão sem qualquer explicação, no mais perfeito gesto dadaísta. Enviava a uma exposição parisiense admirável cópia da Gioconda, de Leonardo, mas com o título L.H.OQ. e dois enormes bigodes. Era a desmoralização da pintura, numa de suas obras mais famosas.”(Cavalcante 1981, p.168) SLIDES 1- Fonte. Marcel Duchamp, 1917. 2- L.H.O. O. Q. (ready mady retificado), 1919. Roda de bicicleta (ready made), 1913. Marcel Duchamp. 3- Porta garrafas. Marcel Duchamp, 1914. 4- Exibição amorosa. Francis Picabia, 1917. 5- O crítico de arte. Raoul Hausmann, 1919-20.

SURREALISMO Cronologia: 1918 a 1939......... Em 1924, escrito pelo poeta André Breton, adepto e experimentador de métodos psicanalíticos, aparecia em Paris o manifesto do novo movimento artístico. Estava assinado por numerosos intelectuais e artistas....Nele se definia o surrealismo como automatismo psíquico puro, por meio do qual se expressa o funcionamento real do pensamento, sem qualquer fiscalização da razão e qualquer preocupação estética e moral...Inspirados em Freud, os surrealistas fizeram do subconsciente a fonte exclusiva da criação artística. As manifestações subconscientes devem ser expressas livremente, por mais irreais absurdas e ilógicas, sem qualquer interferência da reflexão intelectual. No meu entender, dizia André Breton, nada existe de inadmissível. O irreal é tão verdadeiro quanto o real. O sonho e a realidade são vasos comunicantes.”(Cavalcante 1981, p.174) • AUTOMATISMO PSÍQUICO • “....o Surrealismo define-se como movimento eminentemente literário, embora tenha se estendido às artes plásticas, ao cinema e teatro. Os poetas foram seus grandes capitães – Louis Aragon, André Breton, Guillaure Apollinaire, Paul Eduard..... • SURREALISMO FIGURATIVO E SURREALISMO ABSTRATO • “Como acontece geralmente com as tendências da pintura moderna, o Surrealismo tem sido, também, bastante discutido e recebido restrições, mesmo entre artistas de vanguarda. Sobretudo o figurativo, pela contradição entre a concepção ou invenção da obra, que pode ter caráter de automatismo psíquico, e a execução, que só poderá ser refletida e racional....quando o pintor vai executá-la está em plena consciência, utilizando recursos técnicos e expressivos que se fundam na razão e no conhecimento intelectual do mundo, como a perspectiva científica, o claro-escuro, a cor local e o desenho de detalhe.”(Cavalcanti 1981,p.179) SLIDES 1- Sono. Salvador Dali, 1937. 2- Fascinação. Brauner, 1939. 3- Vênus adormecida. Paul Delvaux, 1944.

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Ubu Imperador. Max Ernst, 1923. À primeira palavra límpida. Max Ernst, 1923. O vestir da noiva. Max Ernst, 1939. Capricórnio. Max Ernst, 1948. Composição. Joan Miró, 1933. Os invisíveis. Yves Tanguy, 1951. Sem Título. Roberto Sebastian Echaurren, 1950. Eu e a aldeia. Marc Chagall, 1911. O aniversário. Marc Chagall, 1915. As três velas. Marc Chagall, 1938-40. Lua cheia. Paul Klee, 1919. A máquina de trinados. Paul Klee, 1922. Paisagem com pássaros amarelos. Paul Klee, 1923. Parque junto de Lucerna. Paul Klee, 1938.


20 Estética e História da Arte II Prof ª Márcia Metran de Mello Roteiro para Aula CAVALCANTE, Carlos.Como Entender a Pintura Moderna. Rio de Janeiro: Ed.Rio, 1981. STANGOS, Nikos. Conceitos da Arte Moderna. Rio de Janeiro:Jorge Zahar Editor, 1988. SUPREMATISMO Criado pelo russo Casemiro Malevich em 1913. Escreveu o livro O mundo sem objeto lançado em 1915 na Rússia e em 1927 na Alemanha. “ Em 1913 pintava uma composição constituída de um quadrado preto sobre fundo branco. Mais tarde, um quadrado branco, ligeiramente diferenciado em tonalidade, sobre um fundo também branco.”( Cavalcante 1981, p.157) • “ Reduzindo as formas a simples figuras geométricas, quadrados, círculos, retângulos dispostos diagonalmente, reduzia também as cores aos seus elementos igualmente os mais simples ou à sua própria negação – preto, branco e cinzento. Desse modo, subitamente, Malevich pula ao extremo mais rigoroso da abstração, eliminando por completo qualquer representação figurativa ou associação, mesmo remota, com as imagens da realidade. Era o Suprematismo.” (Cavalcante 1981, p.157) • Malevich: “ Por suprematismo entendo a supremacia da pura sensibilidade na arte” • “Do ponto de vista dos suprematistas, as aparências exteriores da naturaza não apresentam qualquer interesse; essencial é a sensibilidade em si, independente do ambiente no qual tomou vida.” (Cavalcante 1981, p.157) • “ Para o suprematista, no entanto, o meio de expressão será sempre o dado que permita à sensibilidade exprimir-se como tal e plenamente e que ignora a representação habitual. O objeto, em si, nada significa para ele. A sensibilidade é a única coisa que conta e, por este caminho, a arte chega ao suprematismo à expressão pura sem representação. A Arte chega a um deserto onde de reconhecível existe apenas a sensibilidade.” (Cavalcante 1981, p.158) • “ Na realidade, como tem sido observado, Malevitch era um místico e as suas composições possuem um mínimo de plasticidade, forma e cores, para que possam exprimir o máximo de experiências ou projeções espirtuais, verdadeiras transfigurações simbólicas ou iluminações. Tanto que, para o fim, mesmo nas composições geométricas coloridas, evitava a impressão de opacidade e de peso das próprias tintas.” (Cavalcante 1981, p.157) • Marcel Brion: “Malevich é sem dúvida o mais abstrato dos pintores, porque eliminou a forma figurativa e depois a forma geométrica. Tendo desmaterializado o que restava da forma, nas suas obras, teria pretendido a uma forma imaterial, que não poderia ser senão uma nãoforma.” • “ Devemos notar, ainda, que recusando as imagens das aparências exteriores, recusava também qualquer influência histórica ou social na pintura suprematista. O suprematista isolase por completo da natureza e da sociedade. Volta-se para dentro de si mesmo, a fim de que possa expressar-se absolutamente purificado, em formas geométricas puras e cores, por assim dizer, também geometrizadas, em outras palavras, intelectualizadas ou espiritualizadas. O artista paira, portanto, num mundo intocado de qualquer ilusão ou contato com as realidades exteriores, naturais ou sociais. É a clausura absoluta da torre de marfim.” (Cavalcante 1981, p.159) • “ Malevich não deixou a rigor discípulos, senão continuadores de suas pesquisas, como Rodchenco, Lissitzky, Tathin, Mohol-Nagy e outros...O neoplasticismo ou Concretismo (Mondrian e Van Doesburg) è aplicação mais prática e conseqüente de suas idéias.” (Cavalcante 1981, p.159) SLIDES 1- Suprematismo. Kasimir Malevich, 1915. 2- Composição. El Lissitzky, 1920. • • •

NEOPLASTICISMO, CONCRETISMO OU DE STIJL •

“É certamente a manifestação mais importante do Abstracionismo Geométrico. Vem diretamente das pesquisas cubistas. Foi lançado (1917) pelos holandeses Theo Van Doesburg e Piet Mondrian (pintores), George Wantongerloo (escultor), J.J. Oud, Rietvelt e C. Von Eesterem (arquitetos)....Organizaram-se num grupo De Stijl (O Estilo), denominação dada também a uma revista para divulgação de suas idéias.” (Cavalcante 1981, p.160) Doesburg: “Nossa pintura é uma pintura concreta e não abstrata, porque superamos o período das pesquisas e experiências especulativas. Na procura da pureza, os artistas eram obrigados a


21 abstrair-se das formas naturais que mascaravam os elementos plásticos, a eliminar as formas natureza e substituí-las pelas formas arte. Pintura concreta e não abstrata , porque nada há mais real que uma linha, uma cor, uma superfície. É a concretização do espírito criador.” • Teosofia: “conjunto de doutrinas religioso-filosóficas que têm por objetivo a união do homem com a divindade, mediante a elevação progressiva do espírito até à iluminação. Doutrina espiritualista iniciada por Helena Petrovna Bravatsky, mística norte-americana (1831-1891), ligada ao budismo e ao lamaísmo.”(Aurélio) • Mondrian não chegara diretamente às suas formas geométricas. Quando pela primeira vez esteve em Paris (1912-14), abandonou o figurativismo simplificado de coloração fovista que havia adotado, para aderir ao Cubismo. Ao regressar à Holanda, verificou que o Cubismo estava assumindo aspectos simplesmente decorativos. Faltava-lhe, dizia, profundidade de expressão...Nessa época lera bastante Teosofia e ligara-se a teosofistas, inclinação natural de seu espírito, que se havia formado sob rigores paternos da disciplina calvinista. Resolveu, então, levar os processos de abstração, contidos na geometrização cubista das formas, às últimas conseqüencias, para obter a expressão do que chamava de realidades puras, absolutas e universais. Essas realidades, afinal simples especulações filosóficas, só poderiam naturalmente expressar-se por meio de formas e cores também puras, absolutas e universais, livres de qualquer subjetivismo individual e de alusões às imagens da natureza....Deveriam ser, conforme dizia, formas neutras, que não evocassem sentimentos ou idéias individuais, nem tampouco o movimento e a transitoriedade da vida orgânica. Todo o problema estaria, portanto, em libertar as formas particulares ou representativas das aparências da natureza de suas limitações e reduzi-las a elementos mais essenciais e universais, dotando-as ao mesmo tempo de valores de vitalidade....As formas geométricas por sua tensão, pureza dos contornos e abstração profunda, pareciam-lhe as mais adequadas à expressão do essencial e permanente que o seu espírito perseguia.....Observou, ainda, que, inconscientemente, todo artista verdadeiro tem sido comovido pela beleza da linha e da cor, nas suas relações intrínsecas e não pelo que possam representar das aparências visuais da realidade. Considerava que, com esses únicos meios, o artista verdadeiro sempre tratou de expressar toda a energia e riquezas vitais, criando ritmos e tensões, que não devem ser representados com as imagens da vida real, mas sugeridos e evocados por meio de símbolos e signos.....Isso era o reconhecimento do valor da Forma sobre o Conteúdo.” (Cavalcante 1981, p.161) • Kandinsky – efusão emocional / Mondrian – disciplina intelectual. SLIDES 1- Composição em vermelho, azul e amarelo. Mondrian, 1930. 2- New York City. Piet Mondrian, 1942. 3- University Hall (colagem, bico de pena e nanquim). Theo Van Doesburg, 1923. 4- Poltronas com elementos em negro, vermelho e azul. Tomas Gerrit Rietvelt, 1917. 5- Casa Schröder. Gerrit Rietvelt, Utreque, 1924. Louis Sullivan, Missouri, 1890-91. CONSTRUTIVISMO • •

Fundado na Rússia em 1913. “ O Construtivismo não pretendia ser um estilo abstrato em arte nem mesmo uma arte per se. Em seu âmago, era acima de tudo a expressão de uma convicção profundamente motivada de que o artista podia contribuir para suprir as necessidades físicas e intelectuais da sociedade como um todo, relacionando-se diretamente com a produção de máquinas, com a engenharia arquitetônica e com os meios gráficos e fotográficos de produção. Satisfazer as necessidades materiais, expressar as aspirações, organizar e sistematizar os sentimentos do proletariado revolucionário – eis o objetivo: não a arte política, mas a socialização da arte....Para os construtivistas, um novo mundo tinha nascido e acreditavam que o artista, ou melhor, o designer criativo devia ocupar o seu lugar ao lado do cientista e do engenheiro...Não queremos fazer projetos abstratos, mas tomar problemas concretos como ponto de partida , escreveu Alexei Gan, um dos teóricos do movimento. Conveniência social e significação utilitária, produção baseada em ciência e técnica, em lugar das atividades especulativas dos artistas antecedentes, eram os princípios básicos do construtivismo. A nova ordem social dá necessariamente vida a novas formas de expressão, acreditavam eles; e o comunismo baseiase no trabalho organizado e na aplicação do intelecto. Estava o construtivismo, então, inteiramente desprovido de arte? Iconoclastas, rejeitaram a preocupação burguesa com a representação e a interpretação da realidade. Repudiaram a idéia da arte pela arte. A direção materialista de suas obras desvendaria, acreditavam eles, estruturas formais, novas e lógicas, as qualidades e a expressividade inatas dos materiais. E na fabricação de coisas socialmente úteis, a própria objetividade dos processos revelaria, além disso, novos significados e novas formas.”(Stangos 1988, p.117) Estética formada por estruturas inspiradas na tecnologia das máquinas


22 • Utilização de materiais e técnicas industriais na escultura. SLIDES 1- Monumento à Terceira Internacional (maqueta- deveria Ter o dobro da altura do Empire State). Vladimir Tatlin, 1919. 2- Composição(vermelho dominante). Alexander Rodchenko, 1918. 3- Construção de espaço-forma. Ljubov Popova, 1920-21. Ela dizia: “Nenhum sucesso artístico me proporcionou tanta satisfação quanto a visão de um camponês ou um operário comprando um material desenhado por mim.” 4- CHX. Lásló Moholy-Nagy, 1939. 5- Construção linear no espaço n.2. Naum Gabo, 1957-8. Para ed. Esso em N.Y.

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