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Quatro décadas, três gerações e muitas emoções Em ano de aniversário, o sucesso de público Meu Pé de Laranja Lima ganha nova adaptação nos palcos Priscila Pires O romance infanto-juvenil escrito por José Mauro de Vasconcelos, Meu Pé de Laranja Lima, comemora seu 40º aniversário em grande estilo. Em cartaz até junho no novo teatro Juca Chaves, no Itaim Bibi, a adaptação encanta pelo tom singelo, típico do autor, e não decepciona os espectadores. A história de Zezé, um garoto de quase seis anos, humilde, muito inteligente e precoce, que vive no mundo da imaginação com seu maior amigo, um pé de laranja lima chamado Minguinho, e que encontra no velho português Manuel Valadares o carinho de que tanto é carente, comoveu diversas gerações e teve sua popularidade reconhecida na televisão, no cinema, nas escolas, e agora também no palco. De acordo com Luciano Luppi, responsável pela adaptação da peça, “a qualidade da construção dos personagens”, “humanos, verdadeiros e complexos”, é um dos fatores que levam a obra a receber, ainda hoje, investimentos para adaptações fora da literatura. “Outros motivos são a simplicidade da obra, sua pureza e sua realidade”, discorre o ator. A peça, dirigida por Tatiana Rehder e Marília Miyazawa, ambas do grupo “As Filhas do Palco”, conta com um elenco modesto de quatro atores, mas que, no palco, transformam-se em diversas personagens durante os 60 minutos de peça, alegrando o público. Aline Vianna, que interpreta Zezé, é a única que não sai um minuto de cena, e conta que, para dar mais veracidade ao personagem, chegou a cortar os cabelos. Já Minguinho, personagem central, é vivido com veracidade e dinamismo por Camila Arelaro, que também interpreta Totoca, o irmão mais velho de Zezé. E o mesmo acontece com os outros atores. O ano de comemoração do aniversário da obra lança mão, ainda, de uma série de questões em torno de sua contemporaneidade. A universalidade da obra fica evidenciada com a emoção da plateia, que varia dos 2 aos 90 anos: quase três gerações depois, a história ainda encanta os pequenos e causa nostalgia aos mais grandinhos. Com todas essas características, fica difícil acreditar que José Mauro não foi sempre recebido com elogios. Entretanto, como afirma a professora de Literatura do Colégio Marista Glória, Renata Borelli Valentim, quando do lançamento da obra “alguns críticos foram muito cruéis falando que tinha tornado a literatura muito ‘chão’”, por causa da linguagem mais coloquial, incluindo expressões do dia-a-dia e palavrões. Mal sabiam eles que o livro se tornaria um best-seller brasileiro, que chegaria a ser publicado em 19 países. O poder de encantamento do livro é cercado pela necessidade do humano de receber emoção, completa Borelli. “As pessoas são carentes de exemplos, modelos de vida. Elas necessitam precisar acreditar”. E é justamente isso que acontece quando a peça termina: o gostinho da esperança continua, e deixamos o teatro concordando com Zezé: “viver sem ternura não é lá grande coisa”.

Abril, 2008.

Quatro décadas, três gerações e muitas emoções  

Reportagem. 2008. Sugestão para publicação no site de Cultura Geral da Faculdade Cásper Líbero

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