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UNIVERSIDADE VILA VELHA

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ARQUITETURA CONTÊINER: UMA NOVA PROPOSTA DE MORADIA ESTUDANTIL PARA A CIDADE DE VILA VELHA UTILIZANDO CONTÊINERES MARÍTIMOS Priscila Dias Fernandes


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UNIVERSIDADE VILA VELHA – UVV CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO

PRISCILA DIAS FERNANDES

ARQUITETURA CONTÊINER: UMA NOVA PROPOSTA DE MORADIA ESTUDANTIL PARA A CIDADE DE VILA VELHA UTILIZANDO CONTÊINERES MARÍTIMOS

VILA VELHA 2015


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PRISCILA DIAS FERNANDES

ARQUITETURA CONTÊINER: UMA NOVA PROPOSTA DE MORADIA ESTUDANTIL PARA A CIDADE DE VILA VELHA UTILIZANDO CONTÊINERES MARÍTIMOS

Trabalho

de

Conclusão

de

Curso

apresentado ao curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Vila Velha, com requisito parcial para a obtenção do título de Arquiteto e Urbanista. Orientadores: Prof. Msc. Augusto Cezar Gomes Braga Prof.

Msc.

Sergio

Skrypnik Michalovzkey.

VILA VELHA 2015

Ronaldo


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PRISCILA DIAS FERNANDES

ARQUITETURA CONTÊINER: UMA NOVA PROPOSTA DE MORADIA ESTUDANTIL PARA A CIDADE DE VILA VELHA UTILIZANDO CONTÊINERES MARÍTIMOS Trabalho

de

Conclusão

de

Curso

apresentado ao curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Vila Velha, com requisito parcial para a obtenção do título de Arquiteto e Urbanista. COMISSÃO EXAMINADORA

Prof. Msc. Augusto Cezar Gomes Braga Universidade Vila Velha Orientador

Prof. Msc. Sergio Ronaldo S. Michalovzkey Universidade Vila Velha Co-orientador

Nathalia Spala Sorte Convidada

VILA VELHA 2015


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AGRADECIMENTOS Primeiramente a Deus, o grande arquiteto do universo, pelo dom da vida, renovado a cada provação que se apresenta e nos sonhos que se concretizam, como este agora que se torna realidade. Aos meus pais, Maria de Lourdes e Sergio, por serem exemplos de vida, dedicação e amor e quem, com muito carinho e apoio, não mediram esforços para que eu chegasse até esta etapa da minha vida. Ao meu irmão, Leonardo, por todo o companheirismo, amizade e, principalmente pelo apoio que sempre me deu. A todos os colegas de faculdade, pelo incentivo e pelo carinho que partilhamos durante nosso caminhar e especial as minhas companheiras, de noites mal dormidas e trabalhos intermináveis: Aida e Luisa. A Nathalia, por toda amizade, força, companheirismo, sabedoria arquitetônica compartilhada, atenção aos detalhes e pelo importante exemplo profissional que se tornou para mim. Aos meus orientadores Augusto e Sergio, por todo o apoio e inspiração no amadurecimento dos meus conhecimentos e conceitos que me levaram a execução deste trabalho.


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“Mas é preciso ter manha È preciso ter graça É preciso ter sonho sempre Quem traz na pele essa marca Possui a estranha mania De ter fé na vida...” (Milton Nascimento)


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LISTA DE FIGURAS Figura 1: Universidade de Bolonha e ao lado a Universidade de Paris. ..................... 20 Figura 2: República Castelo dos Nobres, Ouro Preto..................................................... 24 Figura 3: República Copacabana, São Paulo. ................................................................. 24 Figura 4: Retrato de Malcolm MacLean. E ao lado, um sistema de transporte utilizado anteriormente ao surgimento do contêiner. ...................................................... 30 Figura 5:Cabana do Futuro, primeira vista em contêiner. .............................................. 31 Figura 6: Casa em Almeire, o contêiner como elemento da construção. .................... 32 Figura 7: Holyoke Cabin, uma casa para fins de semana. ............................................ 32 Figura 8: Conteiner City. ...................................................................................................... 32 Figura 9: Redondo Beach House. ...................................................................................... 33 Figura 10: Primeira casa brasileira em contêiner. ........................................................... 33 Figura 11: Casa do arquiteto Danilo Corbas. ................................................................... 34 Figura 12: Perspectiva e vista interna de um contêiner. ................................................ 35 Figura 13: Tipos de Contêineres Marítimos. .................................................................... 36 Figura 14: Ciclo de vida das edificações........................................................................... 41 Figura 15: Comportamento térmico estrutural de um contêiner.................................... 42 Figura 16: Soluções térmicas para a estrutura de um contêiner. ................................. 42 Figura 17: Estrutura metálica para suporte.. .................................................................... 48 Figura 18: Aberturas para entrada de iluminação e ventilação..................................... 48 Figura 19: Fachada do edifício, pintada com tinta cinza. ............................................... 49 Figura 20: Planta e cortes.................................................................................................... 49 Figura 21: Implantação. ....................................................................................................... 50 Figura 22: Corte da edificação ............................................................................................ 50 Figura 23: Keetwonen. ......................................................................................................... 51 Figura 24: Espaço destinado a bicicletario. ...................................................................... 51


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Figura 25: Layout do modulo habitacional. ....................................................................... 52 Figura 26: Vista das aberturas e varandas....................................................................... 52 Figura 27: Estrutura da residência. .................................................................................... 53 Figura 28: Planta do sótão.. ................................................................................................ 53 Figura 29: Planta do térreo.................................................................................................. 54 Figura 30: Planta 1º pavimento. ......................................................................................... 54 Figura 31: Quartos ................................................................................................................ 56 Figura 32: Local propício para amizade ............................................................................ 57 Figura 33: Atividades esportivas ........................................................................................ 57 Figura 34: Atividades de lazer ............................................................................................ 58 Figura 35: Atividade extraclasse ........................................................................................ 58 Figura 36: Escolha do alojamento ...................................................................................... 59 Figura 37: Dimensionamento do contêiner de 40 pés .................................................... 63 Figura 38:Componentes estruturais do contêiner. .......................................................... 63 Figura 39: Localização do terreno ...................................................................................... 64 Figura 40: Vista do terreno .................................................................................................. 65 Figura 41: Vista frontal do terreno ..................................................................................... 65 Figura 42: Detalhe do zoneamento de Vila Velha ........................................................... 65 Figura 43: Quadro V do anexo do PDMVV....................................................................... 66 Figura 44: Quadro: VI do PDMVV ...................................................................................... 66 Figura 45: Estudo das condicionantes ambientais do terreno. ..................................... 67 Figura 46: Módulo habitação bloco A e D ......................................................................... 68 Figura 47: Módulo habitação bloco B e C ......................................................................... 69 Figura 48: Módula cozinha/refeitório ................................................................................. 69 Figura 49: Módulo lavanderia ............................................................................................. 70 Figura 50: Módulo administração e recepção .................................................................. 70


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Figura 51: Módulo sala de estudo coletiva ....................................................................... 70 Figura 52:Setores da implantação ..................................................................................... 71 Figura 53: Fundação - radie ................................................................................................ 73 Figura 54: Tipos de isolantes .............................................................................................. 74 Figura 55: Camadas do isolante térmico e acústico ....................................................... 74 Figura 56: Tipos de revestimentos internos ...................................................................... 75 Figura 57: Cobertura verde ................................................................................................. 76 Figura 58: Piso vinílico ......................................................................................................... 76 Figura 59: Revestimentos externos ................................................................................... 77


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LISTA DE TABELAS Tabela 1: Tipos de Contêineres Marítimos de acordo com a ISO. ............................... 37 Tabela 2: Contêineres standard 20’................................................................................... 37 Tabela 3: Contêineres standard 40’ ................................................................................... 38 Tabela 4: Contêineres high cube 40’ ................................................................................. 38


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SUMÁRIO RESUMO ................................................................................................................................ 13 ABSTRACT ........................................................................................................................... 14 1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 15 1.1.

PROBLEMA ......................................................................................................... 17

1.2.

OBJETIVOS......................................................................................................... 17

1.2.1. OBJETIVO GERAL ......................................................................................... 17 1.2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS ......................................................................... 17 1.3.

JUSTIFICATIVA .................................................................................................. 18

1.4.

METODOLOGIA ................................................................................................. 18

2. MORADIA ESTUDANTIL .............................................................................................. 19 2.1.

BREVE HISTÓRICO DA MORADIA ESTUDANTIL NO EXTERIOR ......... 20

2.2.

BREVE HISTÓRICO DA MORADIA ESTUDANTIL NO BRASIL ............... 23

2.3.

DEFINIÇÕES....................................................................................................... 25

2.4.

PERFIL PSICOLÓGICO E NECESSIDADES DOS ESTUDANTES .......... 25

3. ARQUITETURA CONTÊINER ....................................................................................... 28 3.1.

BREVE HISTÓRICO .......................................................................................... 29

3.2.

O CONTÊINER NA ARQUITETURA ............................................................... 30

3.2.1. NO MUNDO ..................................................................................................... 31 3.2.2. NO BRASIL ...................................................................................................... 33 3.3.

O CONTÊINER ................................................................................................... 34

3.4.

ARQUITETURA CONTÊINER E A SUSTENTABILIDADE.......................... 39

3.4.1. PRINCÍPIOS BÁSICOS PARA UM PROJETO SUSTENTÁVEL ............ 40 3.5.

VANTAGENS E DESVANTAGENS DOS CONTÊINERES ......................... 43

3.6.

TRATAMENTOS E MODIFICAÇÕES ............................................................. 44

4. ESTUDO DE CASO ......................................................................................................... 46 4.1.

CITÉ A DOCK – LE HAVRE – FRANÇA ........................................................ 47

4.2.

KEETWONEN – AMSTERDAM (TEMPOHOUSING)................................... 51

4.3.

ZIGLOO DOMESTIQUE – VICTORIA – CANADÁ (KEITY DEWEY) ........ 53

5. PESQUISA...................................................................................................................... 56 6. ARQUITETURA CONTÊINER: UMA NOVA PROPOSTA DE MORADIA ESTUDANTIL PARA A CIDADE DE VILA VELHA UTILIZANDO CONTÊINERES MARÍTIMOS .......................................................................................................................... 60


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6.1.

DIRETRIZES PROJETUAIS ............................................................................. 62

6.1.1. PROGRAMA DE NECESSIDADES ............................................................. 62 6.2.

CONTÊINER ADOTADO – MODULAÇÃO .................................................... 62

6.3.

LOCAL DE IMPLATAÇÃO ................................................................................ 64

6.3.1. LOCALIZAÇÃO ............................................................................................... 64 6.3.2. PARÂMETROS URBANÍSTICOS ................................................................ 65 6.4.

ANÁLISE DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS .................................................. 67

6.5.

PROJETO CASA CONTEINÊR........................................................................ 68

6.5.1. PARTIDO ARQUITETÔNICO E COMPOSIÇÃO VOL UMÉTRICA......... 68 6.5.2. IMPLANTAÇÃO E SETORIZAÇÃO DOS PAVIMENTOS ........................ 71 6.6.

SELEÇÃO DE MATERIAIS E TÉCNICAS CONSTRUTIVAS ..................... 72

6.6.1. ESTRUTURA DE FUNDAÇÃO..................................................................... 72 6.6.2. ISOLAMENTO TÉRMICO E ACÚSTICO .................................................... 73 6.6.3. REVESTIMENTOS INTERNOS (PAREDES E FORROS) ...................... 74 6.6.4. COBERTURA .................................................................................................. 75 6.6.5. PISO .................................................................................................................. 76 6.6.6. REVESTIMENTOS EXTERNOS .................................................................. 76 6.6.7. ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS ESTRUTURAIS...................................... 77 7. CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................................... 79 8. REFERÊNCIAS.............................................................................................................. 81 9. APÊNDICES .................................................................................................................. 88


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RESUMO A constante busca por um lugar no mercado de trabalho de forma completa passa necessariamente, nos dias atuais, pela boa formação do indivíduo. A implantação e criação de programas do governo resultaram no aumento da demanda pelas Instituições de Ensino Superior por todo o Brasil. Além deste aumento na procura, cresceu também o número de estudantes que se matriculam fora do seu estado e/ou cidade de origem, o que acarreta na busca por alojamentos. Portanto, a habitação estudantil pode cumprir um papel importante para muitos acadêmicos que não têm condições de arcar com os gastos de um apartamento convencional. Vale lembrar que estamos vivendo em um mundo onde a busca por novas tecnologias aliada a tarefa de inovação encontram-se cada vez mais presentes no contexto construtivo. Incorporar o contêiner no conceito da habitação, vai ao encontro de mecanismos que tendem a dinamizar o processo construtivo, a racionalização, a variabilidade, a sustentabilidade e outros fatores que configuram algumas das propriedades favoráveis na utilização de sistemas modulares. E é a partir deste conceito que surge a ideia da utilização dos contêineres marítimos na arquitetura de habitação para estudantes. Palavras-chave: Moradia Estudantil, Arquitetura com Contêiner, Moradia Estudantil Contêiner.


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ABSTRACT The constant search for a place in full form of labor market passes necessarily, today, the good training of the individual. The introduction and establishment of government programs have resulted in increased demand for higher education institutions throughout Brazil. In addition to this increase in demand, also increased the number of students who enroll out of their state and / or city of origin, which results in the search for accommodation. Therefore, student housing can play an important role for many academics who are unable to afford the costs of a conventional apartment. Remember that we are living in a world where the search for new technologies combined with innovation task are increasingly present in the construction context. Incorporate the concept of the container housing, meets mechanisms that tend to streamline the construction process, rationalization, variability, sustainability and other factors that make up some of the properties favor the use of modular systems. And it is from this concept that arises the idea of using shipping containers in residential architecture for students. Keywords: Student Housing, Architecture with container, Student Housing container.


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INTRODUÇÃO


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1. INTRODUÇÃO A constante busca por um lugar no mercado de trabalho passa necessariamente pela boa formação do indivíduo. A implantação e criação de programas como, Sistema de Seleção Unificado – SISU -, Programa Universidade para Todos PROUNI - e o Fundo de Financiamento Estudantil – FIES – resultaram no aumento da demanda pelas Instituições de Ensino Superior por todo o Brasil. Além deste aumento na procura, cresceu também o número de estudantes que se matriculam fora do seu estado de origem, porém não existem unidades disponíveis para estes estudantes e por isso as moradias estudantis podem cumprir um papel importante para muitos acadêmicos que não têm condições de arcar com os gastos de uma moradia convencional. A moradia estudantil é uma tipologia de habitação temporária, ocupada por estudantes que migram de cidades, estados e até países diferentes. Este tipo de construção tem grande influência na vida dos acadêmicos, pois seu uso não se limita apenas a moradia e pode vir a agregar valor ao futuro profissional. O estado do Espírito Santo conta com apenas uma habitação temporária adequada para estudantes, à mesma se encontra na cidade de Alegre no interior do estado, no Centro de Ciências Agrárias (CCA), uma unidade de ensino descentralizado da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). No entanto vê-se a necessidade da implantação de habitações e infraestrutura para os acadêmicos que procuram moradia com qualidade e segurança em outras cidades, mas que nem sempre podem arcar com custos elevados. Vale lembrar que estamos vivendo em um mundo, onde a busca por novas tecnologias aliada a tarefa de inovação encontram-se cada vez mais presentes no contexto construtivo.

O homem de hoje é caracterizado por um conjunto de

transformações culturais, sociais e econômicas que ditam os novos modos e estilos de vida da sociedade, que como já foi visto, demanda formação universitária. Segundo este contexto a temática principal deste trabalho consiste em desenvolver uma nova proposta de moradia estudantil, que atenda a demanda dos usuários, utilizando o contêiner na construção das edificações.


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Incorporar o contêiner na construção de habitações vai ao encontro de mecanismos que tendem a dinamizar o processo construtivo, a racionalização, a variabilidade, a sustentabilidade e outros fatores configuram algumas das propriedades favoráveis na utilização de sistemas modulares. O contêiner no século XX era utilizado apenas para o armazenamento e transporte de mercadorias, atualmente o mesmo é utilizado na construção civil, e tem alcançado considerável prestígio devido à comprovação de sua versatilidade, flexibilidade, diversidade, sustentabilidade, etc. Em alguns países europeus tais como: França, Alemanha, Dinamarca e Holanda, entre outros, o contêiner possui grande destaque na construção de empreendimentos modulares como hotéis, construções comerciais e residenciais e moradia estudantil. No Brasil, apesar deste tipo de construção ainda ser muito restrita, há alguns profissionais adeptos a este conceito que incorporaram um visual industrial aos projetos e se preocupam com a sustentabilidade. 1.1. PROBLEMA Por que se fazer uma proposta de moradia estudantil na cidade de Vila Velha? Por que utilizar a arquitetura contêiner na execução da moradia estudantil? Como este tipo de construção irá atender às necessidades dos usuários? 1.2. OBJETIVOS 1.2.1. OBJETIVO GERAL O objetivo geral do presente trabalho é desenvolver um ensaio projetual inovador e tecnológico sobre moradias estudantis utilizando contêineres marítimos para a cidade de Vila Velha. 1.2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Os objetivos específicos do trabalho consistem em se fazer o estudo da situação atual, ou seja, as dificuldades encontradas pelos acadêmicos migrantes em encontrar moradias estudantis; o estudo das formas construtivas que melhor se encaixam e adéquam ao local, visando sempre às necessidades dos usuários; a proposta de um projeto utilizando contêineres marítimos como elemento construtivo.


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1.3. JUSTIFICATIVA A proposta de moradia estudantil surgiu devido ao considerável número de alunos que vem de outras localidades em busca de ensino superior. Estes, no entanto enfrentam muitas vezes dificuldades para encontrar um lugar adequado, acessível economicamente e próximo ao local de estudo. A criação de alojamentos universitários minimizaria estes problemas e traria um diferencial para a cidade de Vila Velha, visto que na localidade não consta este tipo de construção. O principal intuito da proposta da moradia estudantil em contêiner é tentar suprir a carência deste tipo de residência na cidade, que seja de fácil execução, com custo baixo, flexível e sustentável, ou seja, recuperar o valor dos recursos contidos nestes produtos fadados ao abandono, transformando lixo em arquitetura, e que de certa forma tivesse “a cara” de seus usuários. 1.4. METODOLOGIA O método de procedimentos adotado para o desenvolvimento do trabalho consiste em quatro etapas: 1. Pesquisa bibliográfica por meio de livros, teses, artigos científicos e informes sobre a arquitetura estudantil e arquitetura contêiner; 2. Levantamento de dados no local e entrevistas com acadêmicos migrantes; 3. Estudo de caso de moradias estudantis, para elencar diretrizes para o projeto; 4. Desenvolvimento do projeto.


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MORADIA ESTUDANTIL


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2. MORADIA ESTUDANTIL Para melhor entendermos a história da moradia estudantil foi necessário buscar suas origens, destacando as primeiras construções de universidades, que se iniciam na idade média no exterior e posteriormente chega ao Brasil, assunto este descrito no decorrer deste capítulo. Vale ainda destacar que, com a vinda das universidades, outras questões foram levantadas, sendo uma delas as moradias para aqueles que saem de suas cidades na busca por um ensino superior. 2.1. BREVE HISTÓRICO DA MORADIA ESTUDANTIL NO EXTERIOR A criação das universidades européias foi uma das grandes realizações da Idade Média. Essas, no entanto, se assimilavam com as escolas atenienses de Platão e Aristóteles, respectivamente a Academia e o Liceu, anteriores à instituição alexandrina (BARRETO e FILGUEIRAS, 2007). Um dos notórios centros de ensino que veio a dar origem a uma universidade foi a Universidade de Bolonha, fundada em 1150 na Itália e posteriormente a Escola Catedral de Paris fundada em 1214 (Figura 1). Antes disso o que existia de mais próximo ao que hoje conhecemos como universidades eram as escolas dos mosteiros e catedrais (BARRETO e FILGUEIRAS, 2007). Figura 1: Universidade de Bolonha e ao lado a Universidade de Paris.

Fonte: MEGA CURIOS O, 2014.


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A palavra Universitas inicialmente era conferida à comunidade de alunos e mestres e o termo Studium era designado às instituições. Com o tempo, contudo, Universitas passou a adquirir a conotação que temos para universidade e Studium passou a se referir a uma faculdade ou a um conjunto delas (BARRETO e FILGUEIRAS, 2007). A universidade se concretizou na Europa como uma instituição com forte capacidade de atração de estudantes de diversas culturas e diferentes locais que vinham atrás de conhecimento e se concentravam nas cidades onde as universidades eram instaladas, alterando assim a dinâmica social da cidade e por isso eram muitas vezes encarados de forma hostil pelos moradores locais (SAYEGH, 2012). Com o surgimento das primeiras universidades européias no século XIII e a vinda de estudantes de diversas localidades, surge a necessidade de construção das casas comunitárias de estudantes (ESTENQUES, 2006). Le Goff (SOUSA, 2005) declara que a necessidade que os acadêmicos tinham em se alojar próximo ao local de estudo fez com que surgissem as moradias coletivas. Estas ao longo dos séculos foram adquirindo o estatuto de instituições e tendo o reconhecimento social na vida dos estudantes. Após a década de 1960, o assunto sobre acadêmicos 1 nas universidades e a necessidade de alojamento para os mesmos tornava-se cada vez mais presente na maioria dos países, não se restringindo somente à Europa como ocorreu nos séculos anteriores. Sendo assim, um dos países que se destacou na construção e oferta de moradias estudantis foi os Estados Unidos, devido à grande proporção de moradias em seu espaço físico e foi a partir deste tema que os arquitetos modernos 2 responsáveis pela construção dos conjuntos residenciais iniciaram suas disputas de ideias com os arquitetos historicistas 3, estes responsáveis pelos planos e pelas arquiteturas dos campi. Um dos principais arquitetos modernos que se destacou no combate às posturas historicistas foi o alemão Walter Gropius (MUTHESIUS, 2000,

1

De acordo com o Dicionário Aurélio ACADÊMICO significa toda pessoa membro de uma academia, estudante.

2

De acordo com o Dicionário Aurélio ARQUITETO MODERNISTA é o nome dado a um conjunto de estilos

arquitetônicos que centrava seus esforços em recuperar e recriar a arquitectura dos tempos passados. 3

De acordo com o Dicionário Aurélio ARQUITETO HISTORICISTA é uma designação genérica para o conjunto

de movimentos e escolas arquitetônicas que vieram a caracterizar a arquitetura produzida durante grande parte do século XX.


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p.32). Vale destacar que foi neste período que o tema das moradias adquiriu maior importância e novos contornos, devido à expansão do ensino superior (ALBERTO, 2010). O especialista em campi Richard P. Dober (DOBER, 1963, p.119) que residia nos Estados Unidos enfatizou a importância da diversidade de grupos de habitantes nas universidades, incluindo assim os estudantes casados, funcionários e estudantes de pós-graduação. Para o autor, a necessidade das universidades de construírem essas habitações em locais capazes de suportar a grande demanda de estudantes era uma necessidade real e conduzia a uma visão comercial destas construções, que deveriam ser vistas como um investimento imobiliário. O ideal da moradia dentro do espaço educacional alcançou as novas universidades na Inglaterra a partir do final da 2º Guerra Mundial, alavancado pela expansão do ensino superior (MUTHESIUS, 2000, p.73). Para Alberto (2010), esse ideal de moradia chegou ao país com duas posturas diferentes em relação ao tema. São elas:  á primeira entendia os usuários como adultos que utilizariam os espaços universitários e deveriam assumir responsabilidades de cidadãos. Os espaços oferecidos para cada aluno eram reduzidos, continham apenas um pequeno local de uso comum e o próprio dormitório.  á segunda postura apontava a universidade como substituta do “lar”. Para esse grupo, as uni versidades deveriam cercar os estudantes de cuidados, e os espaços eram conhecidos como Hall of Residences, ou seja, casas com vasto número de quartos para os estudantes. Inicialmente o conceito das universidades era mais individualista, elas consideravam que os estudantes deveriam resolver os problemas por si só. Um exemplo disso é a moradia estudantil, que nesse momento defendia que o aluno deveria ser responsável pela escolha de um local de moradia fora da faculdade. Entretanto esse pensamento evolui e as universidades passaram a tratar o aluno de forma mais cuidadosa, no qual a universidade iria oferecer recursos e facilidades para a vida dos acadêmicos (CONESCAL, 1970).


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2.2. BREVE HISTÓRICO DA MORADIA ESTUDANTIL NO BRASIL Com relação ao Brasil, a história da origem das universidades é bastante complexa. No século XVI pensou-se na possibilidade de criação de uma universidade, mas somente no século XX ocorreu sua instituição em nosso território (SAYEGH, 2012). No entanto as universidades só adquiriram importância no cenário nacional a partir das décadas de 1920 e 1930, quando iniciaram também os primeiros debates sobre a implantação de cidades universitárias e de moradia estudantil. Na década de 1950 o debate se intensifica, impulsionado pela corrida dos jovens em busca de formação superior, movimento este que ocorreu no mundo inteiro, o que gerou um grupo de expressão política que ganhou visibilidade social, que lutava por moradia estudantil (HOBSBAWM, 1995). Vale destacar que ate à década de 1960, as universidades eram privilégio de poucos. Assim como ocorreu em diversos países, no Brasil apenas os ricos, como altos fundiários da igreja ou da coroa, filhos de burocratas, de grandes latifundiários ou de comerciantes estudavam. Posteriormente os jovens da classe média passam a ter maior acesso a estes recursos (FORACCHI, 1972). De acordo com a Secretaria de Casas de Estudantes – SENCE - as primeiras moradias de que se tem notícia no Brasil foram às famosas “repúblicas”, na cidade de Ouro Preto/MG, sendo destaque no cenário universitário até os dias atuais. O contexto da criação da primeira moradia estudantil ocorre no início do Ciclo da Mineração na região, o que levou o surgimento da Escola de Minas de Ouro Preto, qualificando os serviços de extração, estes no entanto atraíram acadêmicos e isto motivou a construção de moradias estudantis (COSTA e OLIVEIRA, 2012). O que acarretou maior facilidade para a migração de estudantes para a cidade de Ouro Preto vindos de várias regiões foi à criação, em 1888, da estrada de ferro ligando as cidades de Ouro Preto e Rio de Janeiro. A cidade é conhecida como patrimônio cultural da humanidade e também se destaca pelo título de cidadeuniversitária, tendo como uma peculiaridade suas repúblicas estudantis (SAYEGH, 2012).


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Figura 2: República Castelo dos Nobres, Ouro Preto.

Fonte: TRIPLOV, 2010.

A República Castelo dos Nobres (Figura 2), situada na cidade de Ouro Preto, foi fundada por alunos de engenharia da Escola de Minas no ano de 1919, esta é considerada a mais antiga do Brasil. Posteriores a elas têm a República Copacabana (Figura 3) fundada em 1923 em Piracicaba, São Paulo, paralelo a estas repúblicas brasileiras no exterior se destaca a República Kágados fundada em 1933, em Coimbra, Portugal (MORAES e MIRANDA, 2011). Figura 3: República Copacabana, São Paulo.

Fonte: COMO TUDO FUNCIONA s.d.

Durante o século XIX, a saída dos estudantes de suas localidades para ingressar em uma universidade em outra região se tornou cada vez mais freqüente, o que era raro no início do século e nos séculos anteriores, pois poucos eram os jovens que se arriscavam a essa decisão.


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Além de Ouro Preto, foi fundada na cidade do Rio de Janeiro, em 1929 a Casa do Estudante do Brasil e foi a partir da construção dessas moradias que os estudantes das novas universidades que estavam sendo fundadas no governo Vargas reivindicaram a aquisição de casas de estudantes (COSTA e OLIVEIRA, 2012). Atualmente, há varias Casas de Estudantes espalhadas por todo território nacional, as quais se apresentam das mais diversas formas, desde pequenas casas coloniais como as repúblicas estudantis, até modernos conjuntos residenciais.

2.3. DEFINIÇÕES Casa de Estudante é todo o espaço destinado à moradia de estudantes, podendo receber as seguintes denominações: alojamento estudantil, residência estudantil, casa de estudante, repúblicas entre outras. No entanto, a SENCE entende que prioritariamente, o público a ser contemplado por Casa de Estudante são os (as) estudantes em condições de vulnerabilidade socioeconômica e cultural. Existem três tipos básicos de Moradia Estudantil: Residência Estudantil, Casa Autônoma de Estudantes e República Estudantil. São elas: 1 – Residência Estudantil: é a moradia de propriedade das Instituições de Ensino Superior e/ou das Instituições de Ensino Secundaristas Públicas; 2 - Casas Autônomas de Estudantes: é a moradia estudantil administrada de forma autônoma, segundo estatutos de associação civil com personalidade jurídica própria, 3 - República Estudantil: é o imóvel locado coletivamente para fins de moradia estudantil (SENCE, 2011). A experiência de viver em coletividade é um dos resultados de quem busca o ensino superior e precisa deixar sua cidade e família para alcançar o que deseja. 2.4. PERFIL PSICOLÓGICO E NECESSIDADES DOS ESTUDANTES Os moradores de residências universitárias são pessoas que tem por objetivo ingressar numa escola de nível superior, portanto muitos acadêmicos têm a


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necessidade de deixar seus locais de origem para alcançar tal objetivo, se juntando assim a outras pessoas com as mesmas semelhanças (SOUSA, 2005). De acordo com Littlefield (2011), os moradores das residências são classificados como pessoas jovens, solteiros e com poucos recursos financeiros. No entanto, esta diferença cultural e econômica entre a origem dos estudantes faz com que os projetos das residências estudantis tenham tipologias diversas. O que diferencia uma residência universitária de uma moradia convencional é o perfil característico de seu usuário, pois, diferente de um núcleo familiar, o morador estudante possui necessidades e hábitos diferentes (FARIA e BAROOSSI, s.d.). De acordo com Sousa (2005) existem alguns problemas que envolvem este tipo de residência, tais como: a peculiaridade da população jovem; a situação das universidades; os projetos de carreira dos estudantes; o afastamento da família; movimentos estudantis; vida coletiva e a personalidade de cada morador. As casas estudantis servem de aprendizado especial, que vai além do que se aprende dentro da sala de aula. A moradia estudantil se torna um espaço vivo e humanizado, onde os acadêmicos criam novos laços familiares oriundos do convívio com outras pessoas em situações semelhantes às suas (SOUSA, 2005). Segundo pesquisa realizada por Littlefield (2011, p. 146), ele aponta algumas das principais preocupações dos estudantes em relação à moradia estudantil, tais como: 

valor do aluguel e relação custo-benefício;

a proximidade de out ras partes da universidade, da cidade e de amigos;

acesso a internet e a out ros recurs os disponibilizados pela tecnologia de informação;

pouco ruído;

níveis básicos de conforto;

suítes privativas;

equipamentos para auto serviços;

segurança física e patrimonial;


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Vale lembrar que ao elaborar um projeto arquitetônico é necessário antes de tudo, a identificação do usuário e de como o ambiente projetado poderá influenciar na maneira de usar do mesmo.


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ARQUITETURA CONTÊINER


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3. ARQUITETURA CONTÊINER 3.1. BREVE HISTÓRICO No passado da navegação, as mercadorias eram transportadas em tonéis, que por serem embalagens mais resistentes e de fácil manuseio, se tornaram o sistema ideal que nossos antepassados encontraram para enfrentar as grandes dificuldades existentes nas operações de embarque e desembarque. Mas esta realidade não foi muito adiante, visto que a industrialização passou a utilizar cargas fracionárias, ou seja, mercadorias embaladas de diferentes maneiras e formas. Essa conseqüente produção de várias mercadorias manufaturadas, de dimensões diversas e impossíveis de serem embaladas em tonel foi um dos motivos para a abolição do mesmo como a ideal forma de embalar e transportar os produtos. (SANTOS, 1982). Em 1901 o inglês James Anderson já havia divulgado o seu tratado sobre a possibilidade do emprego de "receptáculos" uniformes no transporte internacional, mas somente em 1950 as diversas nações do mundo se conscientizaram desse problema e começaram a ditar normas para essa padronização. Após muitas sugestões e debates, a proposta "embalagem" deveria ser metálica, suficientemente forte para resistir ao uso constante, e de dimensões modulares (ARQUIVO NOVO MILENIO, 2003). Somente no ano de 1968, após anos de discussão entre a American Standards Association – ASA, na America, e a Internacional Standards Organization – ISO, na Europa, foi que tivemos uma unificação (ARQUIVO NOVO MILENIO, 2003). Diante da necessidade em melhorar as atividades envolvendo o armazenamento e o transporte de mercadorias pelo mundo, foi que o contêiner surgiu. O america no e empreendedor dessa nova ideia foi Malcom McLean (Figura 4) dono de uma transportadora nos EUA, teve como objetivo principal a redução de custos e tempo gasto para descarregar os produtos dos caminhões para os navios. Seu uso foi revolucionário na indústria do transporte, substituindo os sistemas existentes anteriormente (KOTNIK, 2008).


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Figura 4: Ret rato de Malcolm MacLean. E ao lado, um sistema de transporte utilizado ant eriormente ao surgimento do contêiner.

Fonte: KOTNIL, 2008

Atualmente, apesar de alguns países ainda utilizarem o padrão e dimensões da ASA, um número considerável deles já utilizam os padrões propostos pela ISO (ARQUIVO NOVO MILENIO, 2003). O Brasil fundamentou toda sua regularização baseando-se nas diretrizes propostas pela ISO, esta regularização, no entanto é controlado pelos órgãos: Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT e Instituto de Metrologia, Normatização Qualidade Industrial – Inmetro (ARQUIVO NOVO MILENIO, 2003). 3.2. O CONTÊINER NA ARQUITETURA O contêiner no século XX era utilizado para armazenamento e transporte de mercadorias, entretanto, atualmente o mesmo agregou uma nova função e vem sendo utilizado também na construção civil, tendo alcançado considerável prestígio, devido

à

comprovação

de

sua

versatilidade,

flexibilidade,

diversidade

e

sustentabilidade. Em alguns países europeus tais como: França, Alemanha, Dinamarca e Holanda, entre o utros, o contêiner possui grande destaque na construção de empreendimentos modulares. Devido à precariedade na manutenção dessas instalações, a imagem do contêiner foi associada a uma arquitetura de baixa qualidade (SLAWIK et al., 2010). No entanto, este cenário vem mudando e soluções criativas com originalidade, vêm dando um novo rumo à arquitetura com contêineres.


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3.2.1. NO MUNDO Como visto anteriormente a tendência da utilização do contêiner na arquitetura se firmou em países da Europa, e isto se dá porque nesses países a cultura de aceitação às novas tecnologias construtivas é mais difundida. Segundo Jodidio (2011), a história da arquitetura em contêiner começa a ser contada em meados da década de 1980, quando Phillip C. Clark, entrou com o pedido de patente descrita como “Método para converter um ou mais contêineres de aço em um edifício habitável num canteiro de obras e o produto resultante” em Novembro de 1987 nos Estados Unidos. Antes disso, em 1985, o arquiteto australiano Sean Godsell começava a trabalhar na sua Cabana do Futuro (Figura 5), casa móvel produzida para fins energéticos (JODIDIO, 2011). Figura 5:Cabana do Futuro, primeira vista em contêiner.

Fonte: SEAN GODSELL, 2014.

Segundo Slawik et al (2010), em meados dos anos 1990 surgiram os primeiros exemplos de contêineres ligados à arquitetura. Na cidade holandesa de Almere em 1992, surge a primeira casa em contêiner (Figura 6). E nos Estados Unidos, a ideia se concretizou em 1997 com a Holyoke Cabin (), uma casa para os fins de semana.


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Figura 6: Casa em Almeire, o contêiner como elemento da construção.

Fonte: SLAWINK, 2014.

Figura 7: Holyok e Cabin, uma casa para fins de semana.

Fonte: PROEFROCK, 2010

Em 2001, na antiga zona portuária de Decklands, em Londres, foi construído o Conteiner City (Figura 8), um edifício feito com 80% de material reciclado, e que ficou pronto em cinco meses.

Figura 8: Conteiner City.

Fonte: P T. WIKIARQUITE CTURA, 2014.

Nomeada de Redondo Beach House (Figura 9), inspirou a utilização de contêineres de carga baseado no conceito de casas pré-frabicadas. Foi a primeira casa contêiner construída nos Estados Unidos, pelo arquiteto Peter DeMaria, em 2006, no sul da Califórnia. (PAGNOTTA, 2011).


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Figura 9: Redondo B each House.

Fonte: ZAKI, 2018.

3.2.2. NO BRASIL No Brasil, apesar deste tipo de construção ainda ser muito restrita, o cenário está mudando e estão surgindo muitos profissionais na área de construção civil que estão aderindo a este conceito, incorporando um visual industrial aos projetos aliado aos elementos sustentáveis que o contêiner possui. A primeira casa em conteiner brasileira foi construida em 2009 e projetada pela arquiteta Livia Ferraro, do escritorio Ferraro Conteiner Habitat (Figura 10). A casa conta com soluções sustentáveis, tais como armazenamento de água da chuva, painéis de energia solar, sistema de tratamento de resíduos, paredes com tratamento térmico e acústico (VERA, 2009).

Figura 10: Primeira casa brasileira em contêiner.

Fonte: VERA, 2009.


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A residência construida em 2001, pelo arquiteto paulista Danilo Corbas (Figura 11), é um dos exemplos de arquitetura sustentável utilizando contêineres marítimos, o mesmo

envolve

tecnologia

de

várias

especialidades, a casa

acabou se

transformando em um projeto experimental (DANTAS, 2011). O arquiteto aborda como principais pontos positivos, a economia de aproximadamente 35% em relação à construção convencional, além da economia com relação a revestimentos externos, já que ele assumiu a estética do contêiner como partido, além da rapidez da construção, já que levou de 60 a 90 dias para ficar pronta (TAVARES, 2012).

Figura 11: Casa do arquiteto Danilo Corbas.

Fonte: LIMA, 2011.

3.3. O CONTÊINER De acordo com Ballou (1993 apud Muraro et al, 2006), a definição de contêiner assim se apresenta: "Contêineres são grandes caixas que podem ser transportadas em vagões ferroviários abertos, em chassis rodoviários, em navios ou em grandes aeronaves. É a forma mais apurada de utilização alcançada em sistemas de distribuição. Geralmente, seguem as dimensões de 8 x 8 x 20 pés ou 8 x 8 x 40 pés (padrão ISO). P elo s eu tamanho, ac omodam cargas paletizadas; são estanques, de maneira que não é necessário proteger a carga de problemas meteorológicos, alem de poderem ser trancadas para maior segurança. Normalmente, são carregados e descarregados com o uso de guincho especial."

Conforme o Artigo 4º do Decreto n.º 80.145 de 15 de agosto de 1977 (BRASIL, 1977), que regulamenta a Lei n.º 6.288, de 11 de dezembro de 1975, que dispõe


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sobre a utilização, movimentação e transporte, inclusive intermodal, de mercadorias em unidades de carga, contêiner é definido por “recipiente construído de material resistente, destinado a propiciar o transporte de mercadorias com segurança, inviolabilidade e rapidez”. O mesmo artigo diz que o contêiner deve preencher os seguintes requisitos: A) ter caráter permanente e ser resistente para suportar o seu uso repetido; B) ser projetado de forma a facilitar sua movimentação em uma ou mais modalidades de transporte, sem necessidade de descarregar a mercadoria em pontos intermediários; C) ser provido de dispositivos

que assegurem

facilidade de sua

movimentação particularment e durante a transferência de um veículo para outro, em uma ou mais modalidades de trans porte; D) ser projetado de modo a permitir seu fácil enchimento e es vaziamento; E) ter o seu interior facilmente acessível à inspeção aduaneira, sem a existência de locais onde possam ocultar mercadorias;

De forma resumida, os contêineres são grandes caixas metálicas, com paredes e tetos ondulados e piso de madeira, que circulam pelos modais através de caminhões, navios e vagões por todo mundo, transportando mercadorias diversas as quais consumimos (Figura 12).

Figura 12: Perspectiva e vista interna de um contêiner.

Fonte: EMBRA TE INE R, 2014...

Diversos são os tamanhos e tipos de contêineres encontrados no mercado, o mesmo se diferencia pelo tipo de carga a ser transportado em seu interior, estes, no entanto podem ser citados como:


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 standard – para qualquer tipo de carga, desde que não perecível. Possui portas nas extremidades menores (Figura 13 A);  open top – contêiner com lona no teto, removível, especialmente desenvolvido para cargas com excesso de altura ou que só podem ser acomodadas pela parte de cima com a utilização de pontes-rolantes (Figura 13 B);  flat rack – especialmente para cargas com peso e larguras extra e que não seriam comportadas em contêineres normais (Figura 13 C);  reefer – contêineres com refrigeração própria que pode ser ligado em redes elétricas para manter o produto no seu interior sob temperatura controlada (Figura 13 D);  tank – para transporte de líquidos de qualquer tipo, desde alimentícios até aditivos e diversos materiais químicos (Figura 13 E);  high cube – carga geral não perecível de baixa relação peso/volume. Possui altura maior que os demais (Figura 13 F);

Figura 13: Tipos de Contêineres Marítimos.

Fonte: OCEANICA, 2012.


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Tabela 1: Tipos de Contêineres Marítimos de acordo com a ISO.

Fonte: FIDAS, 2013

A (Tabela 1) acima representa as dimensões dos diferentes tipos de contêineres no mundo, estes, no entanto são normalmente medidos em “polegadas” e “pés” podendo facilmente ser transformados para a medida métrica. Os mais comuns são os de 10 pés (3m), 20 pés (6m) e 40 pés (12m). Dentre todos, os mais apropriados para o uso na arquitetura são os Dry/High Clube, que possuem uma altura maior que os demais (Tabela 2Tabela 3 e Tabela 4). Tabela 2: Contêineres standard 20’.

Fonte: CBF CARGOS, 2015.


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Tabela 3: Contêineres standard 40’

Fonte: CBF CARGOS, 2015.

Tabela 4: Contêineres high cube 40’

Fonte: CBF CARGOS, 2015.

Existem hoje no mundo, mais de 2º milhões de containeres e estima-se que um milhão desses pode estar virando sucata, acumulados em portos por todo planeta (SPOTCOOLSTUFF DESIGN, 2014). Segundo a Câmara Brasileira de Contêineres – CBC, no ano de 2012, a movimentação de contêineres cresceu 3,6% nos portos. E a movimentação de contêineres feita na navegação de cabotagem 4 aumentou 25% no mesmo ano (CBC, 2013).

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Transporte de cargas realizado entre os portos do mesmo país – CBC (2013).


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Mesmo possuindo vida útil, como produto, de aproximadamente 100 anos, a vida útil para o mercado náutico de um contêiner é de aproximadamente 8 anos (PLANETA CONTAINER, 2014). Passado este período de utilização, é feita baixa de seu registro de origem, e o descarte é feito em qualquer país do mundo, pois se torna mais barato abandoná-lo do que custear o retorno ao país de origem, isto devido à falta de programação por parte dos representantes (LEVINSON, 2007). Desta forma, portos de todo o mundo enfrentam o problema do descarte e sucate agem de contêineres, que acabam ocupando espaços dos terminais portuários e, também, acabam acarretando uma serie de inconveniências ao meio ambiente. Com a reutilização desses contêineres, condenados ao abandono, pela indústria da construção civil, pode-se recuperar o valor dos recursos contidos nesses produtos fadados ao abandono, transformando lixo em arquitetura. 3.4. ARQUITETURA CONTÊINER E A SUSTENTABILIDADE Atualmente, é fundamental o conhecimento e a identificação de técnicas apropriadas que caracterizem um edifício como sustentável e minimizem diretamente o seu impacto no meio ambiente. A preocupação acerca deste conceito não está ligada apenas à redução de recursos naturais e descobertas de novos métodos, mas também à preocupação com a geração futura, para que essa consiga exercer com qualidade as atividades básicas de sobrevivência. A construção civil é responsável por qualificar os espaços e o modo de vida das pessoas, mas a mesma também é responsável pelo alto consumo de recursos naturais e pela geração de resíduos sólidos. Algumas obras podem causar impactos que influenciam o ecossistema podendo alterá-lo drasticamente ou até provocar sua extinção. Os impactos, além de ambientais, também influenciam o meio social, econômico e visual. Na construção civil há leis e diretrizes que regem e controlam os impactos gerados por meio de estudos de impacto de vizinhança e ambiental (BARBISAN, 2012). Segundo Agopyan e John (2011, p.14), o impacto gerado no meio ambiente é resultado da união de vários fatores:


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De uma forma resumida, o impacto da Construção civil depende de toda uma enorme cadeia produtiva: extração de matérias-primas; produção e transporte de materiais e componentes; concepção e projetos; execução (construção), prá ticas de uso e manutenção e, ao final da vida útil, a demolição/desmontagem, alé m da destinação de resíduos gerados ao longo da vida útil. A disponibilidade de técnicas e métodos sustentáveis existentes no mercado resulta na construção de edifícios que promovam o baixo impacto ambiental e o incentivo dessas atividades deve ser difundido tanto entre os próprios profissionais quanto entre os usuários. De acordo com Kotnik (2013), a construção em contêiner está em conformidade com os três princípios básicos do design 5R, reutilizar, reciclar e reduzir. Além disso, a construção em contêiner oferece maior rapidez na execução, baixo custo, modularidade, ou seja, possibilidade de adição e subtração de peças e proporciona capacidade auto-suficiente de interação com sistemas coletores de água, telhas verdes, aquecedores solares, entre outros. 3.4.1. PRINCÍPIOS BÁSICOS PARA UM PROJETO SUSTENTÁVEL O projeto de arquitetura sustentável tem o edifício como parte do habitat vivo, ou seja, o empreendimento está diretamente ligado à sociedade, ao clima, à região e ao planeta. A elaboração de um projeto de arquitetura na busca por uma maior sustentabilidade deve considerar todo o ciclo de vida da edificação, incluindo seu uso, manutenção e sua reciclagem ou demolição (Figura 14). (INSTITUTO ECOINOVAÇÃO, 2015).


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Figura 14: Ciclo de vida das edificações.

Fonte: TECHOJE s.d – Editado pelo autor.

Jourda (2012) enumera um conjunto de ações importantes na elaboração de um edifício sustentável tais como: a dinâmica construtiva, escolha dos materiais, conforto termo acústico dos ambientes, entre outros, e estes são facilmente adequáveis na construção e elaboração de uma moradia contêiner. Segundo ele a dinâmica construtiva no canteiro de obra pode contribuir para a sustentabilidade do empreendimento, pois a falta de tempo é considerada a principal vilã na construção, podendo, no entanto, facilmente ser solucionada a partir da utilização de elementos pré- fabricados, o contêiner por sua vez se encaixa perfeitamente nestes elementos. Jourda (2012) ainda ressalta três procedimentos sustentáveis como condicionantes do conforto dos ambientes, tais como: ventilação (redução da ventilação mecânica, visto que esta gera um alto consumo de energia), iluminação (priorizar a iluminação natural de forma confortável e qualificada) e orientação solar (deve ser bem estudada e aplicada, uma vez que cada região esta inserida em uma zona climática). A escolha dos materiais é de extrema importância, sendo assim, devem-se priorizar usos de materiais renováveis, materiais reutilizáveis, materiais recicláveis, materiais derivados de produtos recicláveis, entre outros. Vale lembrar que o isolamento térmico é uma das ações mais importantes a serem resolvidas, já que o contêiner se caracteriza por uma estrutura bruta (metálica) em aço, que facilmente absorve calor e frio do ambiente externo. A (Figura 15) abaixo


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mostra resumidamente como acontece esta ação em relação à mudança de temperatura. Figura 15: Comportamento térmico estrutural de um contêiner.

Fonte: GARRIDO, 2011. Editado pelo autor.

Em relação à qualidade externa dos ambientes, esta pode ser solucionada através, de estratégias de conforto térmico natural ou induzidas, juntamente com a utilização de materiais isolantes. Como mostra o esquema (Figura 16) feito por Garrido (2011): Figura 16: Soluç ões térmicas para a estrutura de um contêiner.


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Fonte: GARRIDO, 2011. Editado pelo autor..

3.5. VANTAGENS E DESVANTAGENS DOS CONTÊINERES Dentre

as

vantagens

da

construção

em conteiner, destacam-se

(ESSER

ENGENHARIA, 2012):  Economia de aproximadamente 35% no custo tot al da residência, desde a fundação da casa até o revestimento externo.  A estrutura é muito forte, pois é projetada para resistir às divers as intempéries e suportar grandes cargas, sua vida útil em construções pode durar até 90 anos.  Para a arquitetura, permite modularidade e grande flexibilidade, dado que as dimensões são padronizadas. O que facilita a construção e/ ou mont agem, permitindo diversas configurações.  Agilidade na construção, leva geralmente entre 60 a 90 dias para ficar pronta.  Reutilização de materiais nobres descartáveis (containers), o que proporciona economia de rec ursos nat urais que não foram utilizados na construção da casa: areia, tijolo, cimento, água, ferro etc. Isso gera uma obra mais limpa, com redução de entulho e de outros materiais;  São leves, com isso podem s er facilmente transportados para qualquer lugar;


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 Podem ser facilmente levantados sobre estacas acima do nível do solo, útil principalment e em áreas com risco de inundaç ão ou com dificuldades para aterrar/ fazer piso;  Reus o de água da c huva: Os projetos podem captar água da chuva pelo telhado, armazenada e filtrada em reservatório próprio, para uso na irrigação do jardim, limpeza externa, lavagem de carro e máquina de lavar roupa.

Dentre as desvantagens, embora ja existem algumas soluções para tais, destacam-se (ESSER ENGENHARIA, 2012):  O fato de ser fabricado em aço, que é um bom condutor de calor e péssimo isolante ac ústico exige acabamentos e revestimentos para garantir o conforto do usuário;  Por ser um material cujo manuseio e corte exige mão-de-obra especializada, isso pode encarecer os custos, porém, o custo tot al da obra continua sendo inferior a uma obra tradicional;  Necessita-se de equipamento especializado, como empilhadeiras e guindastes, para transportar, movimentar e auxiliar na montagem;  O uso de estrut ura metálica em residência não é muito comum, o que pode dific ultar na obtenção do aval de construção em alguns países. Além da inexistência de legislação e normas que regulem o uso de container para esse fim;  Possibilidade de contaminação tanto com relação à manutenção e produção do contêiner, como t ambém em relação à carga que transportava anteriormente. Por isso é necessário exigir do vendedor um documento que certifique que o c ontainer adquirido nunca transportou produtos tóxicos ou prejudiciais a saúde e mesmo assim recebeu trat amento adequado.

3.6. TRATAMENTOS E MODIFICAÇÕES Para ser utilizado como elemento de arquitetura, o contêiner deve passar por alguns procedimentos. O primeiro passo corresponde à verificação de danos existentes. É nessa etapa que se verifica a condições do uso do contêiner, já que o tempo e o custo investidos nos reparos podem não valer a pena economicamente. Outro passo corresponde à limpeza, podendo ser realizado por pulverização ou, o mais comum e seguro, por jateamento.


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Depois da limpeza, inicia-se a aplicação das tintas ou esmaltes, sendo que as tintas a base de água são consideradas muitas vezes melhor opção,

pois são mais

duráveis, seguras e de fácil aplicação (ISBU ASSOCIATION, 2010). Com as partes internas e externas do contêiner tratados, o próximo passo é fazer as modificações de acordo com o projeto arquitetônico. Para a execução dos cortes no aço, a fim de se fazer as aberturas dos vãos de portas e janelas, faz-se necessário a utilização de algumas ferramentas (ISBU ASSOCIATION, 2010), tais como, a serra metálica circular e/ou o maçarico de plasma. Outro importante passo a ser dado na transformação do contêiner em um módulo habitável é isolar o interior do contêiner, visto que ele é um condutor de calor e péssimo isolante acústico (ESSER ENGEHARIA, 2012). Existem várias técnicas e materiais para esse procedimento. No Brasil, o sistema dry wall, juntamente com a aplicação de lã de PET e a lã de rocha, é um dos mais comuns adotados como divisórias e para o tratamento termoacústico.


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04

ESTUDO DE CASO


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4. ESTUDO DE CASO Para entender e desenvolver uma nova proposta de moradia estudantil em contêiner para a cidade de Vila Velha, foram analisados três projetos realizados na Europa. Com enfoques diferenciados, que proporcionaram a identificação de elementos e deficiências de projeto, os estudos de caso analisados serviram de aprendizado. Os projetos foram: Cité a Dock - Le Havre, França; Keetwonen, Amsterdam (Tempohousing) e Zigloo Domestique, Victoria – Canadá. Cité a Dock é uma tipologia de moradia estudantil em contêiner, assim como o projeto Keetwonen, estes, foram escolhidos para melhor entendimento da funcionalidade deste tipo de construção. O projeto Zigloo Domestique, Victoria – Canadá é uma tipologia de habitação multifamiliar. Em todos os projetos estudados foram analisados os itens: conforto termo acústico, circulação, disposição dos contêineres, estrutura, disposição dos ambientes (área comuns e cômodos), entre outros. Com as informações retiradas dos estudos de caso, espera-se melhor compreender a arquitetura em contêiner, principalmente nos projetos de habitação estudantil, para desenvolver projetos mais completos, oferecendo melhores condições ao usuário. 4.1. CITÉ A DOCK – LE HAVRE – FRANÇA Localizado no distrito sul da cidade de Le Havre na França, Cité a Dock é o resultado da transformação de contêineres marítimos em unidades de alojamento modulares. Montados em uma grade de estrutura metálica, os contêineres formam um edifício composto de quatro pavimentos, que abrigam cem apartamentos de 24m² cada.


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Figura 17: Estrutura metálica para suporte..

Estrutura metálica para suporte.

Fonte: CONTEMP ORIS T, 2010. Editado pelo autor

A solução para este projeto foi uma estrutura metálica que serve de suporte para os contêineres (Figura 17), o que permitiu o escalonamento das unidades, criando um novo espaço para pátios e varandas. As seqüências dos corredores transversais dão acesso aos apartamentos na fachada, criando espaços cheios e vazios. Todos os apartamentos têm vista para um jardim interno e ambos possuem um fechamento em vidro para facilitar a entrada de iluminação e ventilação natural (Figura 18). Figura 18: Abert uras para entrada de iluminação e ventilação.

Fonte: CONTEMP ORIS T, 2010

Para assegurar o conforto térmico e o isolamento acústico, as paredes externas das unidades foram revestidas com paredes corta fogo em concreto armado, e ainda são revestidas com camadas de borracha para amortecer as vibrações.


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A fachada desfruta da própria composição tipológica dos contêineres, “caixas” pintados com tinta cinza (Figura 19). Figura 19: Fachada do edifício, pint ada com tinta cinza.

Fonte: CONTEMP ORIS T, 2010

No interior dos módulos, encontramos paredes brancas e móveis de madeira, além de cada cômodo possuir um banheiro e uma área comum, pequena sala.

Figura 20: Plant a e cortes

Fonte: CONTEMP ORIS T, 2010


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Figura 21: Implantação.

Fonte: CONTEMP ORIS T, 2010

Figura 22: Corte da edificação

Fonte: CONTEMP ORIS T, 2010


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4.2. KEETWONEN – AMSTERDAM (TEMPOHOUSING) Considerado um dos maiores do mundo, a Keetwonen é um conjunto habitacional para estudantes, formados por 1.026 contêineres, organizados em doze gra ndes edifícios locados em pares, tendo seus acessos feitos através de escadas externas. As habitações possuem sistemas de serviços como restaurantes, lavanderias, cafés e áreas para pratica de esporte. As coberturas são simplificadas, dispostas por duas águas (Figura 23).

Figura 23: Keetwonen.

Fonte: TEMPOHOUSING, 2014.

Outro diferencial deste projeto são os espaços destinados a áreas verdes e bicicletários, visto que o principal meio de transporte dos estudantes são as bicicletas (Figura 24). Figura 24: Espaço destinado a bicicletario.

Fonte: TEMPOHOUSING, 2014


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Cada unidade possui cerca de 30m², e todas possuem aberturas para a entrada de iluminação e ventilação natural. Sua configuração interna é formada por um banheiro, que subdivide a unidade em duas partes conectando-se através de um corredor, cozinha, área comum e o quarto (Figura 25). Figura 25: Layout do modulo habitacional.

Fonte: TEMPOHOUSING, 2014. Figura 26: Vista das aberturas e varandas.

Fonte: TEMPOHOUSING, 2014.

Os revestimentos internos e o teto são feitos com gesso e isolamento do tipo XPS a prova de fogo, o piso recebe uma camada de revestimento contra ruídos e posteriormente a madeira.


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4.3. ZIGLOO DOMESTIQUE – VICTORIA – CANADÁ (KEITY DEWEY) Zigloo diferente dos outros estudos de caso é uma tipologia de habitação familiar localizado num pequeno terreno no Canadá, cujo foco foi à reciclagem de cargas marítimas. A casa, no entanto foi executada sobre uma base de concreto com a junção de oito contêineres, organizados em três pavimentos, originando ambientes pré-fabricados (Figura 27). Figura 27: Estrutura da residência.

Fonte: ZIGLOO, 2006..

No sótão estão à lavanderia, quatro banheiros e uma sala de estar, no térreo, há uma sala de jantar, um salão e outro banheiro, e por fim, no primeiro piso estão os dois quartos (Figura 28). Figura 28: Planta do sótão. .

Fonte: ZIGLOO, 2006.


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Figura 29: Plant a do térreo.

Fonte: ZIGLOO, 2006.. Figura 30: Plant a 1º pavimento.

Fonte: ZIGLOO, 2006..

Internamente toda sua superfície é coberta com gesso. Já na parte externa privilegiou-se evidenciar o caráter natural da estrutura, recebendo, no entanto apenas uma camada de verniz industrial.


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05

PESQUISA


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5. PESQUISA O presente trabalho até o momento debateu sobre a moradia estudantil e a arquitetura em contêiner, abordando conceitos, contexto histórico, as necessidades, dificuldades, vantagens e desvantagens de cada tema. Mas para melhor entendermos a interface da real necessidade dos usuários, e propor um projeto de moradia estudantil em contêiner para estudantes da cidade de Vila Velha, foi necessário uma pesquisa de carater qualitativo com academicos de diferentes localidades, cursos e estilos, com o objetivo de buscar a melhor composição dos espaços e de atender tais necessidades. Dentre o número de aproximadamente 16.000 mil alunos obtidos na amostra, 150 pessoas foram entrevistadas possuindo idade entre 18 a 30 anos, estes são alunos da Universidade Vila Velha - UVV e Faculdade Novo Milênio. O alojamento será mantido através do pagamento mensal dos aluguéis e por atividades propostas pelo próprio condomínio. O alojamento contará com um condomíno, que será responsável pela manutenção e administração do conjunto. A primeira pergunta seria se os quartos deveriam ser coletivos ou individuais e com quantas pessoas por quarto? Figura 31: Quart os

Fonte: Arquivo pessoal


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Na questão de quantos moradores seria o ideal por quarto, 40% dos entrevistados preferem quartos individuais e 34% quartos para duas pessoas, como mostra a Figura 31 Vale lembrar que 90% dos intrevistados solicitaram banheiros indididuais, ou seja, privados, e 80% solicitaram áreas de lazer e refeitório de uso coletivos. A segunda pergunta é a respeito de qual seria o ambiente mais propício para se fazer amizade? Figura 32: Local propício para amiz ade

Fonte: Arquivo pessoal

As universidades foram vistas como o principal local para se fazer amizades, surgindo então a necessidade de integração entre os alunos do alojamento e os demais alunos das universidades. A pesquisa ainda mostra que os outros ambientes como área de lazer e salas de uso comum (multimídia/ uso coletivo) também oferecem esta troca. Quando se pergunta a respeito de que atividade esportiva nao poderia faltar no alojamento? Figura 33: Atividades esportivas

Fonte: Arquivo pessoal


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26% dos intrevistados diz que jogos ao ar livre não podem faltar, já no lazer os itens destacados foram jogos de mesa e piscina. Figura 34: Atividades de lazer

Fonte: Arquivo pessoal

Como mencionado por Vilela Junior (s.d..) uma das necessidades de uma residência de estudantes é que tenha atividades que supram essas necessidades. Abaixo foi apontado pelos alunos quais seriam a maior necessidade deles e o que gostariam que tivesse no alojamento para suprir a necessidade extraclasse. Figura 35: Atividade extraclasse

Fonte: Arquivo pessoal

Verificou-se que os alunos precisariam de salas coletivas de estudo/ multiuso para exercer algumas atividades Para as prioridades na escolha do alojamento as respostas se coincidiram em quatro pontos: qualidade do ambiente, questões de conforto e habitação; locali zação, levando em consideração a vizinhança; segurança e colega de quarto, sendo que


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todos que apontaram essa prioridade achavam importante ter amizade com quem iria dividir o apartamento. Figura 36: Escolha do alojamento

Fonte: Arquivo pessoal

Na questão relacionada a se morar em um conteiner marítimo os alunos em sua maioria aceitam muito bem essa nova proposta, mas ambos questionam a respeito do conforto, visto que o contêiner é metalico e a probabilidade de esquentar é muito grande. Concluimos então que trazer este conforto na composição dos modulos é muito importante. Vale destacar que os estudantes entrevistados questionaram a respeito de garagem, o que resulta na elaboração de uma área de estacionamento que atenda essa necessidade, não podendo esquecer da elaboração de bicicletários, meio de transporte mais utilizado pelos estudantes de acordo com a pesquisa.


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06

ARQUITETURA CONTÊINER: UMA NOVA PROPOSTA DE MORADIA ESTUDANTIL PARA A CIDADE DE VILA VELHA UTILIZANDO CONTÊINERES MARÍTIMOS


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6. ARQUITETURA CONTÊINER: UMA NOVA PROPOSTA DE MORADIA ESTUDANTIL PARA A CIDADE DE VILA VELHA UTILIZANDO CONTÊINERES MARÍTIMOS A proposta de moradia estudantil para a cidade de Vila Velha utilizando contêineres marítimos é o projeto do qual trata este trabalho. Este será localizado em um terreno próximo a universidade Vila Velha - UVV e Faculdade Novo Milênio. Como visto no decorrer deste trabalho, uma casa contêiner para ser considerada habitável necessita passar por alguns processos e receber soluções técnicas ao longo de sua concepção, pois este tipo de construção compreende muito mais do que simples amontoados de grandes caixas metálicas. A arquitetura contêiner está relacionada a edifícios de caráter temporários, provisórios e emergenciais. Entretanto, encontramos atualmente modelos que comprovam inúmeras soluções que atendem aos padrões arquitetônicos. Além disso, o contêiner passou a traduzir originalidade e singularidade em um projeto, a partir do momento que deixou de ser um simples recipiente produzido em massa para ser tornar um módulo construtivo arrojado, flexível e ousado. Vale ainda destacar que um centro residencial para universitários se diferencia dos outros tipos de residências, principalmente por proporcionar aos moradores uma vida em coletividade. O conceito criado para este tipo de construção se desenvolve com base no convívio social, estimulando a integração entre os moradores para troca de experiências e criação de laços afetivos. Este capítulo aborda as informações necessárias para o desenvolvimento de um projeto arquitetônico de moradia estudantil, em nível de estudo preliminar planejado e destinado a estudantes migrantes de outras localidades, na tentativa de criar espaços onde o estudante possa ter condições de aprender fora de sala de aula, conviver em grupo, agregando assim uma visão diferente de moradia sem que sua privacidade seja nula.


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6.1. DIRETRIZES PROJETUAIS As diretrizes projetuais principais constituíram-se principalmente para balizar a criação de um espaço qualificado e dentro das exigências condicionadas pelo terreno e pelo tipo de usuário. E para alcançar tal objetivo, algumas ações foram determinantes para o processo de desenvolvimento do projeto, tais como:  Adotar um contêiner padronizado;  Escolher um terreno próximo às escolas de nível superior;  Atender as necessidades dos usuários de acordo com os estudos realizados;  Escolha de materiais para o tratamento do contêiner; 6.1.1.

PROGRAMA DE NECESSIDADES

A partir das diretrizes, pesquisas e conceitos mencionados anteriormente viu-se a necessidade da elaboração de um programa de necessidade que assim se dispõem:  Recepção / administração  Quarto individuais ou coletivos (Má ximo 2 pessoas)  Refeitório  Sala de estudo coletiva  Sala de jogos  Academia  Lavanderia  Churrasqueira / piscina  Quadra  Salão de festas 6.2. CONTÊINER ADOTADO – MODULAÇÃO O contêiner pode ser encontrado em diversos tamanhos e versões , como já dito no decorrer deste trabalho. O arranjo do projeto baseou-se inicialmente em procurar atender a uma modulação, sendo utilizado o contêiner de 40 pés do tipo hign cube. Os contêineres de 40 pés pesam 27.00 kg e suportam uma carga de até 100 t além de sustentar um balanço de ate 2/3 do seu próprio comprimento.


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Figura 37: Dimensionamento do contêiner de 40 pés

Fonte: Bloco do sketchup

Os módulos são padronizados de acordo com o sistema ISO, medidos em unidades “pés”, que podem ser convertidos em m (metros). O tipo high cube é o mais apropriado e comumente utilizado para desenvolver espaços habitacionais, possuindo 2,89 m de altura, permitindo com isto trabalhar com um pé direito confortável. Ele também possui 2,44m de largura e 12,19m de comprimento, como mostra a Figura 37 acima.

Figura 38: Componentes estrut urais do contêiner.

Fonte: Bloco do sketchup

O contêiner é formado basicamente por perfis tubulares metálicos revestidos com um piso de chapas compensadas navais, e vedados por paredes em chapas metálicas de aço corten corrugado além de possuir duas grandes portas de acesso como mostra a Figura 38. É esse conjunto reforçado que sustenta, dá resistência e estabilidade para os módulos.


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6.3. LOCAL DE IMPLATAÇÃO 6.3.1. LOCALIZAÇÃO O terreno escolhido para a implantação do ensaio pojetual para proposta de moradia estudantil utilizando contêiner em sua execução situa-se no bairro de Itapuã em Vila Velha no E.S. O bairro é margeado pela Rod. do Sol ao oeste e esta situado a duas quadras da praia (Figura 39), podendo ser classificado como um bairro de classe média do município, basicamente possui um uso residencial, comportando principalmente edifícios residenciais e casas. O terreno tem testada para a Rua Ayrton Senna da Silva seguindo para a Rua Itaquari. Ele possui uma área de aproximadamente 27.370m², sendo totalmente plano e livre de vestígios construtivos em sua extensão.

Figura 39: Localização do terreno

N

Fonte: Arquivo pessoal


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Figura 40: Vista do terreno

Figura 41 : Vista frontal do terreno

Fonte: Arquivo pessoal

Fonte: Arquivo pessoal

6.3.2. PARÂMETROS URBANÍSTICOS Para dar inicio as atividades projetuais da edificação, fez-se necessária a consulta do Plano Diretor Municipal da cidade de Vila Velha, na tentativa de entender e explorar os limites estabelecidos para a elaboração do projeto. Como o PDMVV não traz especificamente a atividade de alojamento estudantil, a atividade em questão será enquadrada na Atividade hotel, pensão, pousada, por ser próximo da atividade proposta por esta pesquisa. De acordo com o PDM de Vila Velha, o terreno está situado na zona ZOP5 (Zona de Ocupação Prioritária). Figura 42: Detalhe do zoneamento de Vila Velha

N

Fonte: Disponível no P DM de Vila Velha


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De acordo com os quadros V e VI do anexo I do PDMVV apresentados, o coeficiente de aproveitamento básico do terreno em questão é de 3,0, a taxa de ocupação é de 60% a taxa de permeabilidade é de 10%. O gabarito apresentado na tabela não limita a quantidade de pavimentos para a ZOP 5 . Quanto aos afastamentos, estes estão apresentados na Figura 43 e Figura 44 a seguir.

Figura 43: Quadro V do anexo do PDMVV

Fonte: Disponível no P DM de Vila Velha

Figura 44: Quadro: VI do PDMVV

Fonte: Disponível no P DM de Vila Velha

Para a adequação ao que a norma diz a respeito ao numero de vagas de estacionamento de acordo com o PDMVV, lembrando que estamos nos baseando a um hotel visto, que no PDMVV não possui residência universitária, será adotado 01


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vaga de veiculo a cada 03 unidades de hospedagem, contendo esta até 35,00m². Se este valor exceder os 35,00m² será destinado 01 vaga a cada 105,00m². 6.4. ANÁLISE DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS A fim de garantir maior conforto, foi realizada uma rápida análise das condicionantes ambientais, analisando a insolação, ventos e principais acessos. O terreno possui um formato irregular fazendo com que suas faces tenham tamanhos diferentes. Com base na orientação solar e localização do terreno é possível afirmar que a melhor face do terreno, no quesito insolação, é a face voltada para o leste acessada pela Rua Itaquari. A maior face do terreno esta voltada para o Sul, onde se deve um maior cuidado na escolha dos ambientes, pois como há uma menor incidência solar estes ambientes estão propícios à umidade o que favorece o aparecimento de fungos e mofo. O vento predominante vira do nordeste e atingirá a face oposta a Rua Ayrton Senna da Silva. A volumetria, implantação e localização dos ambientes foram feita de modo que estes sejam confortáveis para que estímulo a utilização destas áreas pelos usuário. Figura 45: Estudo das condicionantes ambientais do terreno.

Fonte: Arquivo pessoal


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6.5. PROJETO CASA CONTEINÊR 6.5.1. PARTIDO ARQUITETÔNICO E COMPOSIÇÃO VOLUMÉTRICA Para a definição do partido arquitetônico, o objetivo inicial foi trazer uma variabilidade na utilização e composição dos módulos de contêineres. Neste caso, o desafio central está em desenvolver uma nova proposta de moradia estudantil utilizando o contêiner como principal elemento construtivo, o telhado verde aparente será um diferencial importante para o projeto. A escolha dos materiais também foi importante. Eles foram empregados de maneira a dar um conforto térmico à edificação. Após a conclusão das pesquisas em que foi definido principalmente, o terreno, a dimensão do módulo adotado e o partido, foi possível iniciar um estudo para definir as volumetrias dos módulos. Desta forma, a configuração resultante para o módulo habitação foi à junção de dois em dois contêineres, tendo um afastamento de 3m entre eles, totalizando uma quantidade de 21 módulos por bloco. O terreno possui um total de 4 blocos nomeados como A, B, C, e D. Os módulos dos blocos A e D no entanto foram sobrepostos em quatro níveis. Figura 46 Figura 46: Módulo habitação bloco A e D

Fonte: Arquivo pessoal

O primeiro e segundo pavimentos foram formados pelos módulos individuais e os níveis seguintes foram adotados os módulos duplos.


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Os blocos B e C assim como os anteriores também foram sobrepostos em quatro níveis se diferenciando apenas no deslocamento horizontal de um pavimento para o outro, formando um balanço de 3m. A disposição dos pavimentos ficou da seguinte forma: o primeiro e terceiro pavimento , módulos individuais e o segundo e quarto pavimento módulo duplos, como mostra a Figura 47. Figura 47: Módulo habitação bloco B e C

Fonte: Arquivo pessoal.

Para o módulo da cozinha foi necessário a junção de dois contêineres, para isso foi preciso eliminar uma das laterais de ambos os módulos, para totalizar numa dimensão de aproximadamente 48m². Este módulo ainda é agregado a um refeitório de 308m² feito em alvenaria como mostra a Figura 48. Figura 48: Módula cozinha/refeitório

Fonte: Arquivo pessoal.

O módulo lavanderia é resultante de um contêiner, composto por 3 tanques, 8 máquinas de lavar e duas áreas para passar roupa. Este módulo foi colocado no final de cada bloco como mostra a Figura 49.


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Figura 49: Módulo lavanderia

Fonte: Google imagens

Para o módulo da administração e o da recepção foi utilizado um contêiner para cada setor, estes foram agrupados formando um módulo único como mostra a Figura 50. Figura 50: Módulo administração e recepç ão

Fonte: Arquivo pessoal

O módulo da sala de estudo coletiva foi feita a partir da junção de dois contêineres deslocados horizontalmente 3m, totalizando uma área de 48,48m² como mostra a Figura 51 abaixo. Figura 51: Módulo sala de estudo coletiva

Fonte: Arquivo pessoal.

Os demais ambientes como churrasqueira, piscina, guarita, salão de festas, academia e sala de jogos foram feitos de alvenaria convencional, pois demandam


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vãos superiores aos permitidos pelos módulos, passando ser inviável sua execução com contêineres. 6.5.2. IMPLANTAÇÃO E SETORIZAÇÃO DOS PAVIMENTOS A implantação do projeto se fez a partir de áreas setorizadas e com a combinação de diferentes módulos, obedecendo aos afastamentos mínimos estabelecidos pelo município e a uma boa orientação solar. O projeto buscou uma integração entre os blocos habitacionais com as áreas de lazer, paisagismo e serviços prestados no próprio condomínio. Figura 52:Setores da implantaç ão HABITA ÇÃO LAZE R PRAÇA EDUCAÇA O SERVIÇO

Fonte: Arquivo pessoal.

O paisagismo basicamente foi trabalhado através da demarcação dos passeios além de valorização de pisos, plantios de arbustos e grandes porções gramadas. O projeto ainda conta com áreas de permanência feitas com decks e pergolados além de uma praça central para integração dos usuários. Para a área de lazer foi inserida uma piscina envolvida por um grande deck nos fundos do terreno, ao leste, encontramos os blocos habitacionais, a oeste duas quadras, vestiários e sala de jogos e ao sul temos as churrasqueiras. Privilegiando os alunos, a edificação ainda é provida de salas de estudo coletivas que estão localizadas na fachada principal do condomínio, além de um grande


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refeitório, e um local para a prática de exercícios situada mais ao leste na parte superior próximo as habitações e um salão de festas situado abaixo da academia. O condomínio ainda conta com um estacionamento e um bicicletário que se encontra a esquerda do terreno. A distribuição dos pavimentos se dá através de quatro níveis, onde estes são intercalados com módulos individuais e duplos. O acesso a estes módulos é feito por uma escada central que dá acesso a uma passarela. 6.6. SELEÇÃO DE MATERIAIS E TÉCNICAS CONSTRUTIVAS Existem inúmeros materiais e técnicas construtivas no mercado que podem ser utilizadas em uma construção do tipo contêiner. Em sua grande maioria, são os mesmo materiais e técnicas adotadas em uma casa convencional. A seguir serão apresentados os materiais utilizados. 6.6.1. ESTRUTURA DE FUNDAÇÃO O módulo já vem estruturado de fábrica com quatro arestas que atuam como apoio. Edificações contêineres assim como qualquer outro tipo de construção necessitam de um sistema de fundação para assegurar que as cargas transmitidas sejam devidamente suportadas. Apesar da estrutura do contêiner ser rígida e robusta, é de grande importância a execução de uma base sólida acima do nível do solo, que conjuntamente auxiliará na prevenção dos agentes de corrosão e umidade ao longo do tempo (SHIPPING CONTAINER HOUSE, acesso em novembro de 2015). Inúmeros são os fatores que influe nciam na escolha do tipo de fundação a ser adotada, como por exemplo: tipo de construção, condições do local, clima e custo (OAK RIDGE NATIONAL LABORATORY, acesso em novembro de 2015). Em geral, as fundações são classificadas de acordo com a NBR 6122/2010, em superficiais (ou rasas ou diretas) e profundas (indiretas). Nas superficiais as cargas são transmitidas ao terreno pela base de fundação. Nas profundas, as cargas são


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transmitidas ao terreno pela base, pelo atrito da superfície lateral, ou ainda pela combinação das duas. Esta análise da NBR (6122/2010) serve como auxilio na escolha de um tipo de fundação para ser aplicada nos módulos. Sugere-se então pela utilização do radie Figura 53, caracterizada por uma grande laje de concreto armado, que possui contato direto com o solo. A rapidez com que é executada foi uma das características para a tomada de decisão. Figura 53: Fundação - radie

Fonte: Google imagens

6.6.2. ISOLAMENTO TÉRMICO E ACÚSTICO O isolamento é um dos assuntos mais discutidos a cerca deste tipo de construção além de compreender uma ação importante no projeto. Assim como em qualquer construção convencional, este tipo de edificação também necessita de estudos de insolação para um bom posicionamento solar e das aberturas, buscando promover uma boa ventilação. Independentemente da forma que a edificação for construída, se não houver um bom planejamento poderá ter sua estrutura e conforto comprometidos. Atualmente são vastos os critérios e materiais disponíveis no mercado para se fazer um bom isolamento térmico e acústico. Dentre os mais utilizados estão: isopor, lã de rocha, lã de vidro e lã de pet (Figura 54).


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Figura 54: Tipos de isolantes

Fonte: Google imagens

Este isolamento térmico e acústico, entretanto acontece através da combinação entre o isolante e parede. O material é fixado com a ajuda de perfis metálicos e envolvido com placas, geralmente de gesso acartonado, drywall, etc. Toda essa camada formará um “sanduíche” Figura 55, que será revestida a parede interna. Figura 55: Camadas do isolante térmico e acústico

Chapa contêiner Lã de pet Chapa drywall

Fonte: Arquivo pessoal.

6.6.3. REVESTIMENTOS INTERNOS (PAREDES E FORROS) A escolha dos revestimentos é comum e possuem uma série de modelos. Os mais utilizados são: PVC, gesso, OSB, fibrocimento e drywall (Figura 56).


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Figura 56: Tipos de revestimentos internos

Fonte: Google imagens

Entre esta gama de materiais apresentados optou-se pelo drywall para cumprir tal função, a escolha está ligada a rapidez na montagem, facilidade em possíveis reparos e manutenção, pela precisão, qualidade e compatibilidade de acabamento diversificada (textura, pintura e cerâmica). 6.6.4. COBERTURA O contêiner já possui sua própria cobertura, mas é adepto a telhados metálicos e coberturas verdes. No entanto optou-se pela cobertura verde, que auxiliará no tratamento térmico, além de ser uma opção sustentável visto que a água captada passa por um processo de filtração, e pode ser reutilizada


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Figura 57: Cobert ura verde

Fonte: Arquivo pessoal/ Google imagens

6.6.5. PISO O módulo já possui um piso de compensado naval, que poderá ser mantido, ou agregar a um novo. Normalmente para este tipo de construção são utilizados pisos do tipo vinílico, cerâmico e laminado. Para o projeto optou-se pelo vinílico nas áreas comuns e o cerâmico nas áreas molhadas . Figura 58: Piso vinílico

Fonte: Google imagens

6.6.6. REVESTIMENTOS EXTERNOS Na grande maioria dos projetos já realizados, a estrutura das chapas metálicas está aparente, recebendo apenas uma camada de tinta refletiva a base de água. No projeto optou-se por deixar a estrutura em sua forma original, se diferenciando apenas nas cores.


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Figura 59: Revestimentos externos

Fonte: Google imagens

6.6.7. ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS ESTRUTURAIS Alguns processos serão necessários ao longo da execução, os módulos passaram por adaptações ate chegar a produto final como: 

Cortes/aberturas de portas e janelas

Empilhamentos e soldas

Tubulações


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07

CONSIDERAÇÕES FINAIS


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7. CONSIDERAÇÕES FINAIS O

presente

buscou

informações

que

fundamentassem

e

norteassem

o

desenvolvimento de uma proposta de moradia estudantil em contêiner. A pesquisa tem início buscando-se levantar alguns aspectos sobre a origem das universidades bem como das moradias estudantis. Com este estudo observa-se que os estudantes vindos principalmente de outras regiões, desde o começo, sofrem com dificuldades na busca por um lugar onde morar, muitos deles não propiciam condições adequadas, e muitas vezes os custos exigidos são altos. O estudo prossegue, com ênfase no levantamento de questões importantes sobre o contêiner. Observou-se que a ISO é um dos norteadores na elaboração de contêineres e a qualidade de modelos é vasta, porém, não é todos que atendem as necessidades para serem utilizados na construção de moradias, seja por questões dimensionais ou por questões de conservação. A utilização do contêiner como elemento da construção civil tem se consolidado nos últimos anos em todo o mundo. Dentre as principais características deste tipo de construção se destaca a sustentabilidade, um importante assunto na atualidade, já que construção com contêiner gera menos impacto ao meio ambiente, pois reaproveita um objeto que se tornaria “lixo”, gerando assim menos resíduos. Além de diminuir a interferência no relevo do terreno de implantação. A pesquisa se encerra com a análise de alguns exemplos da utilização do contêiner na arquitetura. Destacando as diferentes maneiras e formas de implantação, além de abordar a variedade de soluções disponíveis no mercado visando à melhoria do desempenho termo acústico, já que este é um dos principais problemas apresentados por este tipo de construção.


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REFERÊNCIAS


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APÊNDICES


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9. APÊNDICES Nome: Leandro Curs o: engenharia civil 01) Os quartos deveriam ser coletivos ou individuais? Quantas pessoas por quarto? 2 pessoas 02) Qual ambiente seria mais propício para se fazer amizades. Ex. refeitório, área de lazer...? Refeitório 03) Que atividade esportiva não poderia faltar? Academia 04) Qual atividade de lazer não poderia faltar? Futebol 05) De acordo com seu curso, qual atividades, ou salas, seria necessário nesse alojament o? Área de estudo 06) O que não pode faltar no alojamento? Biblioteca 07) Que espaços poderiam ser coletivos e quais deveriam ser privados? Comum: refeitório Privado: estudo 08) Na busca por um alojamento, o que considera mais importante na tomada de decisões? Atendimento de necessidade 09) Você moraria em um alojamento feito em contêineres marítimos? De sua opinião sobre este tema. Sim, se me atendesse.

Nome: Ester Curs o: arquitetura e urbanismo 01) Os quartos deveriam ser coletivos ou individuais? Quantas pessoas por quarto? Individuais, ou no máximo para duas pessoas 02) Qual ambiente seria mais propício para se fazer amizades. Ex. refeitório, área de lazer...? Área de lazer 03) Que atividade esportiva não poderia faltar? Eu gosto de correr, se o loc ar dispor de uma estrutura que atenda isso 04) Qual atividade de lazer não poderia faltar? Vôlei 05) De acordo com seu curso, qual atividades, ou salas, seria necessário nesse alojamento? P refiro estudar no meu quarto. 06) O que não pode faltar no alojamento? Espaço de convivência 07) Que espaços poderiam ser coletivos e quais deveriam ser privados? Refeitório e áreas de lazer comum, se o local dis por de salas de estudos, essas deveriam ser privadas 08) Na busca por um alojamento, o que considera mais importante na tomada de decisões? Localização. 09) Você moraria em um alojamento feito em contêineres marítimos? De sua opinião sobre este tema. Sim, se atender minhas necessidades e for confortável


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Nome: Nayara Oliveira Curs o: Arquitetura e Urbanismo 01) Os quartos deveriam s er coletivos ou individuais? Quantas pessoas por quarto? Individuais são muito melhor, mas se tiver que dividir 2 pessoas por quarto. 02) Qual ambiente seria mais propício para se fazer amizades. Ex. refeitório, área de lazer...? Refeitório e Á rea de Lazer. 03) Que atividade esportiva não poderia faltar? Quadras para diversidades de esportes. 04) Qual atividade de lazer não poderia faltar? Áreas para churrasco e eventos. 05) De acordo com s eu curso, qual atividades, ou salas, seria necessário nesse alojamento? Áreas para estudo como bibliot eca. 06) O que não pode faltar no alojamento? Diversidade de atividades e usos como lavanderia e restaurantes. 07) Que espaços poderiam ser coletivos e quais deveriam ser privados? Privados só a parte do quarto e banheiro. 08) Na busca por um alojamento, o que considera mais importante na tomada de decisões? Localização e segurança. 09) Você moraria em um alojamento feito em contêineres marítimos? De sua opinião sobre este tema. Sim, caso seja bem projet ado e com boas soluções de projeto.

Nome: Matheus Curs o: Medicina Vet erinária 01) Os quartos deveriam s er coletivos ou individuais? Quantas pessoas por quarto? Individuais 02) Qual ambiente seria mais propício para se fazer amizades. Ex. refeitório, área de lazer...? Refeitório e Á rea de Lazer. 03) Que atividade esportiva não poderia faltar? Quadras. 04) Qual atividade de lazer não poderia faltar? Áreas para churrasco. 05) De acordo com s eu curso, qual atividades, ou salas, seria necessário nesse alojament o? Áreas para estudo. 06) O que não pode faltar no alojamento? Lavanderia e restaurantes. 07) Que espaços poderiam ser coletivos e quais deveriam ser privados? Privados só a parte do quarto e banheiro. 08) Na busca por um alojamento, o que considera mais importante na tomada de decisões? Localização e segurança. 09) Você moraria em um alojamento feito em contêineres marítimos? De sua opinião sobre este tema. Sim,se tiver o que preciso.


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Nome: Laís Curs o: odontologia 01) Os quartos deveriam s er coletivos ou individuais? Quantas pessoas por quarto? Coletivo com duas pessoas 02) Qual ambiente seria mais propício para se fazer amizades. Ex. refeitório, área de lazer...? Refeitório 03) Que atividade esportiva não poderia faltar? Academia 04) Qual atividade de lazer não poderia faltar? Piscina 05) De acordo com s eu curso, qual atividades, ou salas, seria necessário nesse alojament o? Sala de informática 06) O que não pode faltar no alojamento? Refeitório 07) Que espaços poderiam ser coletivos e quais deveriam ser privados? Privados só a parte do quarto e banheiro. 08) Na busca por um alojamento, o que considera mais importante na tomada de decisões? Segurança. 09) Você moraria em um alojament o feito em contêineres marítimos? De sua opinião sobre este tema. Sim, sem nenhum problema.

Nome: Lucas Curs o: odontologia 01) Os quartos deveriam ser coletivos ou individuais? Quantas pessoas por quarto? Individuais 02) Qual ambiente seria mais propício para se fazer amizades. Ex. refeitório, área de lazer...? Faculdade. 03) Que atividade esportiva não poderia faltar? Vôlei 04) Qual atividade de laz er não pod eria faltar? Filmes 05) De acordo com seu curs o, qual atividades, ou salas, seria necessário nesse alojamento? Áreas para estudo. 06) O que não pode faltar no alojamento? Fitnes e SKY 07) Que espaços poderiam ser coletivos e quais deveriam ser privados ? Privados só quarto e banheiro. 08) Na busca por um alojamento, o que considera mais import ante na tomada de decisões ? Localização e segurança. 09) Você moraria em um alojament o feito em contêineres marítimos? De sua opinião sobre este tema. Sim,se tiver o que preciso.


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Nome: Igor Curs o: direito 01) Os quartos deveriam s er coletivos ou individuais? Quantas pessoas por quarto? Coletivo 02) Qual ambiente seria mais propício para se fazer amizades. Ex. refeitório, área de lazer...? Refeitório 03) Que atividade esportiva não poderia faltar? Academia 04) Qual atividade de lazer não poderia faltar? Churrasqueira 05) De acordo com s eu curso, qual atividades, ou salas, seria necessário nesse alojament o? Sala de estudo 06) que não pode faltar no alojamento? Refeitório 07) Que espaços poderiam ser coletivos e quais deveriam ser privados? Privados quartos e banheiros. 08) Na busca por um alojamento, o que considera mais importante na tomada de decisões? Segurança. 09) Você moraria em um alojamento feito em contêineres marítimos? De sua opinião sobre este tema. Sim

Nome: Adriana Curs o: psicologia 01) Os quartos deveriam s er coletivos ou individuais? Quantas pessoas por quarto? Individuais 02) Qual ambiente seria mais propício para se fazer amizades. Ex. refeitório, área de lazer...? Faculdade. 03) Que atividade esportiva não poderia faltar? Academia 04) Qual atividade de lazer não poderia faltar? Espaços de convivio 05) De acordo com s eu curso, qual atividades, ou salas, seria necessário nesse alojament o? Áreas para estudo. 06) O que não pode faltar no alojamento? Refeitório 07) Que espaços poderiam ser coletivos e quais deveriam ser privados? Privados só quart o e banheiro. 08) Na busca por um alojamento, o que considera mais importante na tomada de decisões? Localização e segurança. 09) Você moraria em um alojament o feito em contêineres marítimos? De sua opinião sobre este tema. Sim, se tiver o que preciso.


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Nome: Bianca Curs o: direito 01) Os quartos deveriam s er coletivos ou individuais? Quantas pessoas por quarto? Individual ou 2 pessoas no Maximo 02) Qual ambiente seria mais propício para se fazer amizades. Ex. refeitório, área de lazer...? área de laz er 03) Que atividade esportiva não poderia faltar? Academia 04) Qual atividade de lazer não poderia faltar? Piscina 05) De acordo com s eu curso, qual atividades, ou salas, seria necessário nesse alojamento? S ala de informática/área de estudo 06) O que não pode faltar no alojamento? Refeitório 07) Que espaços poderiam ser coletivos e quais deveriam ser privados? Privados só a parte do quarto e banheiro. 08) Na busca por um alojamento, o que considera mais importante na tomada de decisões? Segurança. 09) Você moraria em um alojament o feito em contêineres marítimos? De sua opinião sobre este tema. Sim, sem nenhum problema.

Nome: Leonardo Curs o: direito 01) Os quartos deveriam ser coletivos ou individuais? Quantas pessoas por quarto? Individuais 02) Qual ambiente seria mais propício para se fazer amizades. Ex. refeitório, área de lazer...? Faculdade. 03) Que atividade esportiva não poderia faltar? Academia 04) Qual atividade de laz er não poderia faltar? Churrasqueira e quadras 05) De acordo com seu curs o, qual atividades, ou salas, seria necessário nesse alojamento? Áreas para estudo. 06) O que não pode faltar no alojamento? Refeitório e SKY 07) Que espaços poderiam ser coletivos e quais deveriam ser privados ? Privados só quarto. 08) Na busca por um alojamento, o que considera mais import ante na tomada de decisões? Segurança. 09) Você moraria em um alojamento feit o em contêineres marítimos? De sua opinião sobre este tema. Sim


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Nome: Janaina Curs o: arquitetura e urbanismo 01) Os quartos deveriam s er coletivos ou individuais? Quantas pessoas por quarto? Uma pessoa por quarto, devido a privacidade que cada um possui para executar suas tarefas. 02) Qual ambiente seria mais propício para se fazer amizades. Ex. refeitório, área de lazer...? área se lazer. 03) Que atividade esportiva não poderia faltar? Academia 04) Qual atividade de lazer não poderia faltar? Bancos em local arborizado para permanência 05) De acordo com s eu curso, qual atividades, ou salas, seria necessário nesse alojamento? S eria necessário um quarto maior com es paço para uma bancada de estudo. 06) O que não pode faltar no alojamento? Uma varanda (sinto necessidade disso). 07) Que espaços poderiam ser coletivos e quais deveriam ser privados ? Coletivorestaurante universitário, lavanderia, privados-apartamentos 08) Na busca por um alojamento, o que considera mais importante na tomada de decisões? Um apartamento que tenha quart o individual, próximo a faculdade e o preço em conta. 09) Você moraria em um alojamento feito em contêineres marítimos? De sua opinião sobre este tema. Sim, acredito que pode ser uma moradia com o custo baixo, com desenho moderno. Só me preoc upo com o conforto termino, pois pelo meu conhecimento sobre o tipo de edificação, teria que usa ar c ondicionado, e isso encareceria os custos.


VISTA DO EIXO PRINCIPAL DOS MÓDULOS HABITACIONAIS 94


VISTA DA FACHADA DOS MÓDULOS HABITACIONAIS 95


VISTA DA FACHADA PRINCIPAL - ENTRADA 96


VISTA DA PRAÇA 97


VISTA DO CAMINHO E AO FUNDO EM BRANCO O REFEITORIO 98


VISTA DAS QUADRAS – ÁREA DE LAZER 99


VISTA DA PISCINA – ÁREA DE LAZER 100


VISTA DA PRAÇA 101


VISTA AÉREA - IMPLANTAÇÃO 102


CORTE AA Escala : 1/200

A

A

PLANTA DE LOCALIZAÇÃO S/ Escala

DETALHE MÓDULO HABITAÇÃO Escala : 1/125

N


A

DETALHE COBERTURA MÓDULO HABITAÇÃO Escala : 1/125

A

PLANTA DE LOCALIZAÇÃO S/ Escala

N


A

DETALHE COBERTURA MÓDULO HABITAÇÃO Escala : 1/125

OBS.: A PLANTA DE COBERTURA É PADRÃO PARA TODOS OS MÓCULOS, CONFORME "DETALHE COBERTURA MÓDULO HABITAÇÃO".

A

PLANTA DE LOCALIZAÇÃO

S/ Escala

CORTE/DETALHE 1 COBERTURA VERDE Escala : 1/10

VEGETAÇÃO

SUBSTRATO LEVE 3CM

CAMADA FILTRO 1CM

MEMBRANA ALVEOLAR 2CM

MANTA IMPERMEABILIZANTE

CAPTAÇÃO DA ÁGUA

N


CHAPA CONTÊINER

LÃ DE PET

CHAPA DRYWALL

DETALHE 2 PAREDE CONTÊINER Escala : 1/10

PLANTA DE LOCALIZAÇÃO S/ Escala

N


S/ Escala

PLANTA DE LOCALIZAÇÃO

N


PLANTA DE LOCALIZAÇÃO S/ Escala

N


S/ Escala

PLANTA DE LOCALIZAÇÃO

N


PLANTA DE LOCALIZAÇÃO S/ Escala

N


PLANTA DE LOCALIZAÇÃO

S/ Escala

N


Escala: 1/75

PLANTA BAIXA - ACADEMIA

PLANTA BAIXA - SALÃO DE JOGOS Escala: 1/75

PLANTA BAIXA - VESTIÁRIO Escala: 1/50

PLANTA DE LOCALIZAÇÃO

S/ Escala

N


Escala: 1/75

PLANTA BAIXA - SALÃO DE FESTAS

PLANTA DE LOCALIZAÇÃO

S/ Escala

N

TCC arqurbuvv Arquitetura Contêiner:Uma nova proposta de moradia estudantil para a cidade de V.V.  

2015-02 - Priscila Fernandes

TCC arqurbuvv Arquitetura Contêiner:Uma nova proposta de moradia estudantil para a cidade de V.V.  

2015-02 - Priscila Fernandes

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