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educar a população a respeito dos métodos contraceptivos e sobre o planejamento familiar. A legalização do aborto seria uma excelente medida para trabalhar diversos problemas reprodutivos no Brasil. Essa medida certamente salvaria milhares de vidas femininas e contribuiria com o estímulo do pensamento crítico, reforçando a obrigatoriedade da laicidade do Estado e assegurando o respeito à diversidade de opiniões, crenças e escolhas.

Enfrentando o retrocesso É extremamente improvável que candidatos como Eduardo Jorge (PV), Luciana Genro (PSOL) ou Mauro Iasi (PCB), que defendem abertamente a legalização do aborto, conquistem votos que garantam uma participação notável sequer no primeiro turno. Porém, parte do que causa essa realidade é a falta de motivação que toma os próprios eleitores, que apesar de se identificarem com propostas mais assertivas e laicas, temem a tomada do poder por governantes ainda mais retrógrados do que o Governo Dilma. Assim, a cultura do voto no “menos pior” continua forte e dominante, tirando a força dos votos de quem poderia representar as demandas feministas de forma íntegra e politizada. Não seria fácil causar mobilização suficiente para demonstrar nas urnas a quantidade de pessoas a favor da legalização do aborto. É necessário que as pessoas se conscientizem a respeito da importância do voto e se engajem politicamente, questionando criticamente o

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próximo governo a ser eleito. Enquanto população, cabe nos perguntarmos até que ponto estamos nos acovardando e, principalmente, por que motivo a legalização do aborto não tem sido nossa prioridade política. O fato é que enquanto as demandas femininas forem consideradas pautas secundárias – algo recorrente inclusive nos movimentos sociais e grupos de esquerda -, continuaremos contabilizando mortes de mulheres devido à clandestinidade do aborto. O movimento feminista também precisa de mais autocrítica, para que aprenda a avançar mais não somente como reação contra os conservadores, mas tomando também ações preventivas de protesto e campanhas de conscientização política. Apesar do quadro negativo, ainda há outras candidatas a deputadas estaduais e federais, por exemplo, que priorizam a causa feminista e são defensoras da legalização do aborto. A página no Facebook “Vote numa feminista” (https://www.facebook.com/votenumafeminista) é um excelente ponto de partida, listando mulheres abertamente comprometidas com os direitos femininos em cada estado do Brasil. Sem o apoio das massas feministas, jamais conseguiremos levar candidatas comprometidas com os direitos das mulheres ao congresso. Precisamos insistir para que o aborto se torne mais do que um calo nos pés dos candidatos omissos, mas sim um direito legítimo das mulheres brasileiras - que merecem ter suas vidas protegidas e o direito de fazer escolhas preservado.

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Revista Contexto - 9ª edição  

Revista online sobre política, movimentos sociais e cultura, escrita por jovens.

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