Page 26

­­­ba­­­mos escrevendo mais para o público que está no blog. A gente acaba sempre fazendo contos para o blog ou e-books gratuitos. Mas é aquela coisa, não dá pra alcançar um público muito grande. É difícil divulgar além dos círculos feministas. Às vezes no próprio círculo feminista conseguimos mais cliques de indignação do que de aprovação. Eu queria aumentar a abrangência do Universo Desconstruído, acho que temos muito para falar ainda. Aline: Eu estou enveredando nesse caminho difícil de ser autora independente. Já lancei um e-book meu esse ano e tenho outro pra editar e lançar no fim do ano. Estou escrevendo um romance de ficção científica porque é o gênero que eu mais gosto de ler, assistir e pesquisar. Escrevo pra Carta Capital agora, tenho meu blog e ainda tenho a newsletter. O Universo Desconstruído é uma das iniciativas que estão fazendo parte desse meu projeto pessoal de trabalhar com literatura, criando ou editando. -O espaço que vocês criaram com o Universo Desconstruído é importante para falar de questões como o aborto, por exemplo? Aline: Sem dúvidas. Posso usar de exemplo a questão do aborto. No conto que escrevi pra coletânea, foi imaginando um futuro distópico em que o estatuto do nascituro existisse, fosse levado às últimas consequências e que o feto realmente fosse um cidadão desde o momento da sua concepção e de que não pudesse haver aborto. Então usei esse cenário que era um medo meu, de que o estatuto fosse aprovado, pra trazer os questionamentos para o meu próprio 26

conto. A ficção permite que a gente se coloque no lugar do outro, em uma situação que não nos colocaríamos normalmente. Se não adianta debater a questão porque as pessoas já tem suas opiniões formadas, vamos extrapolar um pouco e ver pra onde isso vai levar. Recebo comentários de pessoas que leem o Universo Desconstruído, vão procurar saber mais sobre feminismo pra entender as ideias que tratamos e começam a considerar outros pontos de vista. Acaba sendo uma porta de entrada, um primeiro contato. Tem contos que tocam em pontos muito polêmicos, como a questão transexual e identidade de gênero, então pra muitas pessoas esse primeiro contato com esse tipo de tema é importante para servir de incentivo a se informar mais. Sybylla: Você embalar um assunto desse, que sempre gera polêmica, sempre gera uma reação exagerada das pessoas, em um enredo ficcional pode deixar muito mais fácil. Fica mais tranquilo atingir o leitor, do que se você chegasse com um discurso pronto. Ele vai estar mais aberto a refletir sobre o que está sendo tratado ali. Isso já é ótimo. -Como é a divulgação desse trabalho? Sybylla: Basicamente pela internet, através dos nossos blogs. Com os autores da primeira coletânea combinamos uma blogagem coletiva, assim cada um poderia atingir o seu próprio público. As páginas feministas e de ficção científica compartilharam também. Aline: Os e-books são gratuitos, queremos realmente que mais pessoas leiam. Para baixar, a pessoa precisa antes postar

Profile for Priscila Bellini

Revista Contexto - 9ª edição  

Revista online sobre política, movimentos sociais e cultura, escrita por jovens.

Revista Contexto - 9ª edição  

Revista online sobre política, movimentos sociais e cultura, escrita por jovens.

Advertisement