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que sou”. Hoje posso dizer que o rap me salvou e me politizou. - NOM: Qual mensagem você quer passar para o seu público? - Wesllen: Quero passar a ideia de que mudar o mundo é possível e que se nos juntarmos e nos organizarmos tudo é possível. Quero que as pessoas questionem sua situação, a polícia, o governo e os patrões. Quero passar nossa história, a história de um povo guerreiro e lutador. - NOM: Como o público reage a su­­‑ as letras?

- Wesllen: Eu acho que eles curtem. Muitos vêm falar que gostam, chegam pra troca idéia, pedem cd. Alguns pedem autógrafo e a grande maioria vem somar nas ideias e falam que também lutam contra esse sistema. - NOM: Fale sobre suas referências dentro e fora do rap. - Wesllen: No rap minhas referências são Racionais, Gog, Facção Central, Realidade Cruel, Face da morte e Inquérito. Na política, Mariguella, Malcon X, Mandela, Zumbi dos Palmares, os Panteras Negras e Che Guevara. Na vida, meu pai e minha mãe, e as pessoas honestas e humildes como eles. No dia a dia, meus amigos e irmãos de caminhada. - NOM: Você acredita que o rap perdeu espaço na periferia? Muitos dizem que o rap está sendo elitizado, o que você pensa sobre isso? - Wesllen: Acho que o rap perdeu espaço no mercado musical, mas não na periferia. Ainda se ouve muito rap, inclusive os “funqueiros” têm um respeito pelo rap. Acho que houve uma não-renovação do rap na periferia, mas o rap ainda toca nos barracos e nas quebradas e no coração de todo sujeito periférico, seja em conjunto com o samba, reggae ou funk - o rap já tem seu espaço garantido. Acho sim que há uma tentativa de elitização e uma erudição do rap por alguns setores das classes altas a fim de vender o rap, mas ainda acho que o feito na periferia como ferramenta de transformação não se vende e não se elitiza e isso, pra todos nós, é o que importa.

Wesllen

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- NOM: Sabemos que você desenvolve um belo trabalho de militância política

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Revista Contexto - 9ª edição  

Revista online sobre política, movimentos sociais e cultura, escrita por jovens.

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