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Rebeca Rasel


Repartição

Repartição, de Rebeca Rasel investe naquilo colocado acima como o problema da Repartição invenção contínua de uma linguagem que module o diálogo não mais pelo vocabulário técnico exigido pelo laboratório, mas, ao contrário, num fluxo em que a relação com as coisas e sua maneira de “descrevê-las” sempre renasce, reconquista o ineditismo não da primeira fala, mas da sucedânea. O texto pertence igualmente aos dois participantes, ambos tem a mesma autoridade ou eloqüência. Postos frente a frente em suas respectivas máquinas de escrever, interligados por uma bobina comum, o diálogo transita entre script e improvisação, entre uma fala corporal (o esforço mental e físico exigido para tornar matérico o pensamento) e o texto, as palavras que se tornam corpos. Há a espessura de um diálogo godardiano que, por vezes, sem requerer às palavras, mas aos silêncios, torna cada som ou mudez um percurso, um atravessamento, uma barreira espacial - mesmo que feita só de ar e vazio - pesada e difícil de ser transposta. No caso de Rebeca, contudo, o dispositivo se inverte. É a confusão dos sons do teclar, a progressão coletiva e cúmplice da fala, a partilha igualitária de sua tessitura (a folha comum), no qual o estímulo recíproco ao outro faz aquele espaço “entre” acontecer e transbordar ao seu redor. A possível extenuação dos participantes, pode inclusive ser tomada como uma outra dimensão do estado de entropia segundo o qual o trabalho acontece. É bem verdade que o esgotamento não deixa escapar o quanto este ato envolve negociações com o outro, o quanto ele às vezes demanda resistência e porosidade ao caos transcorrido ao seu redor, ou até a estranha conversão do trabalho em seu próprio aprisionamento - isto é, a atividade exige tanto do indivíduo que pode levá-lo ao desgaste e, a partir daí, tornarse improdutivo. Todavia acaba emergindo disso uma “outra poesia”, a saber, quando as palavras se rompem, seus significados se dissolvem. Quando soçobram ao próprio peso, a que outros códigos elas passam a pertencer? Nesta “outra poesia” perfaz-se o caráter experimental do “laboratório” de Rebeca, aquele no qual a voz poética é sonora, visual, corporal e espacial; no qual o solilóquio e a dicionarização cedem à babélia multireferencial e solidária (sem haver a renúncia das singularidades de cada contribuição a esta escrita), uma poesia / poética intersubjetiva total. A linguagem surge menos da certeza do que do estranhamento. Sua fluência não é tão-somente a da escrita automática ou do fragmento, mas vai além, ao permitir-se irromper mais do que o desconhecido da palavra, e sim com ela mesma enquanto unidade significativa. A sua presença no trabalho é uma possibilidade, do mesmo modo que muitas outras formas de trocas podem ser criadas ali estranhas ao domínio logocêntrico e nisto o exercício experimental atinge uma nova intensidade (“...isaroseisarose...”) e o potencial de agregar expansiva e infinitamente tudo aquilo que o circunda. Guilherme Bueno

Performance de Rebeca Rasel e Douglas Cortes apresentada na exposição coletiva “Elogio ao Tempo Laboratório Autopoiético” (EAV Parque Lage, nov 07 a jan 08) Fotos: Daniela Mattos

Extraído do texto “O PROCESSO: MATERIALIDADE, IMATERIALIDADE, IMANTAÇÃO -1/4 (Ana Angélica Costa, Bianca Bernardo, Cristina Ribas, Rebeca Rasel)”, de Guilherme Bueno, para a exposição “Elogio ao Tempo - Laboratório Autopoiético” (EAV Parque Lage, 2007/8)


Written in Blank

Written in Blank

(dia I)

(dia II)

Intervenção de Rebeca Rasel e Marcia Abreu nos jardins do MAM RJ. Desenho realizado com 60 metros de papel em branco e máquina de escrever vermelha. Fotografias com câmera analógica Lomo Fisheye. RJ, 2008

Intervenção no pátio externo do Paço Imperial - RJ. Desenho realizado com 90 metros de papel em branco e máquina de escrever vermelha. Fotografias com câmera analógica Olympus Trip 35 por Marcia Abreu. RJ, 2008


Written in Blank II

Sutura

Performance de Rebeca Rasel e Marcia Abreu apresentada no evento de Performances “Entre outros Corpos” organizado por Alexandre Sá, Daniella Mattos e Aldo Victório - tal evento integrou a edição de 2008 da exposição UNIVERSIDARTE.

Performance de Rebeca Rasel e Marcia Abreu apresentada na I Mostra de Performances do Barracão Maravilha Arte Contemporânea - RJ. Fotos: Luiz Alberto Guimarães e Pedro Victor Brandão

A Performance se apresenta como um diálogo entre a obra ‘Perto do Coração Selvagem’ (leitura por Rebeca Rasel) e a voz escondida à máquina de escrever (improviso textual por Marcia Abreu). Parque das Ruínas / RJ, Dezembro 2008

- Duas performers e um criado mudo. Uma delas retira da gaveta uma bobina de papel enquanto a outra sai de cena. A performer que permanece na Galeria inicia a leitura de uma suposta carta até jogar pela janela parte de seu rolo de papel; a performer que está do lado de fora do prédio recolhe o papel caído na calçada, incorpora-o à sua Olivetti e começa a escrever. Centro / RJ, Agosto 2008


Lugar

Campo Cego (o personagem que sai continua a viver)

Instalação com bobina de papel de 90 metros, cadeira e banquinho de 3 pernas, mesa e livro. Trabalho apresentado na Galeria do Ateliê do Instituto de Artes da UERJ como parte de minha defesa de mestrado. RJ, Março 2008

Fotografia com câmera analógica Lomo Actionsampler RJ, 2008/2010


Temporal

Ou mera paisagem

Série fotográfica com câmera analógica Zenit 122 Dimensões: 50 x 70 cada (tríptico) RJ, 2008

Série fotográfica com câmera analógica Zenit 122 Performer: marcia Abreu Dimensões: 50 x 70 cada (políptico) RJ, 2008


Como se esperasse alguém, como se espelhasse alguém

Fotografia digital Dimensões: 50 x 70 cm cada (políptico) RJ, 2008/2009

Você me procura?

Work in progress + série fotográfica apresentada no 1º Salão de Artes Plásticas de Petrópolis Performer: Marcia Abreu | Fotografia com câmera analógica Lomo Actionsampler. Centro Cultural Raul de Leoni, Petrópolis/RJ, 2008


Retratos

Retratos

de uma espera

de uma espera

sem título

sem título

(cena 1)

(cena 2)

Instalação com móvel “faladeira”, diário com páginas arrancadas, chão de folhas secas, retrato e página de diário em moldura. Trabalho apresentado na exposição coletiva Que segredos tem o Castelo?, com curadoria de Lúcia Avancini, no Castelinho do Flamengo - RJ RJ, 2009

Série fotográfica apresentada na exposição coletiva Traços Miúdos em Cenas Fugidias, com curadoria de Rafael Vicente, na Fundação de Arte de Niterói - FAN-RJ Dimensões: 30 x 45 (cada) Niterói/RJ, 2009


Amaro (amá-lo)

(detalhe)

Série de 9 colagens apresentada na Exposição coletiva NÀU, com curadoria de Franz Manata, no Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-RJ) Dimensões: 13 x 18 cm (cada) RJ, nov/dez 2008


(Da série)

Folhetim

(detalhe)

Pintura e Colagem s/ páginas de diário e livro Dimensões: 51 x 43 cm RJ, 2009/2010

(detalhe)

(Da série) Folhetim Pintura e Colagem s/ páginas de diário e revista Dimensões: 42 x 29 cm RJ, 2009/2010


Stricto Sensu

O Cortejo

Colagem s/ recorte de revista Dimensões: 20 x 30 cm cada (díptico) RJ, 2009/2010

Colagem s/ páginas de diário Dimensões: 41 x 38 cm cada (díptico) RJ, 2009/2010


O Cortejo II

Adoraria poder esperá-lo

Pintura e Colagem s/ páginas de livro Dimensões: 12 x 16 cm RJ, 2009/2010

Pintura e Colagem s/ páginas de livro Dimensões: 30 x 30 cm RJ, 2009/2010

(vou embora)


Rebeca Rasel (Carioca, 29, vive e trabalha no Rio de Janeiro) Formação: 2007 - 2009 | EAV Parque Lage Desenvolvimento de Projetos Orientador: Franz Manata 2006 - 2008 | UERJ Mestrado em Artes Visuais | Processos Artísticos Contemporâneos Orientador: Rogério Luz 2000 - 2005 | UERJ Graduação em Educação Artística | Licenciatura em História da Arte Orientador TFG: Ricardo Basbaum

Participação em Exposições e eventos: 2010 / Traços Miúdos em Cenas Fugidias - exposição coletiva (Kreatori Coletivo de Arte - RJ) 2009 / Traços Miúdos em Cenas Fugidias - exposição coletiva (Fundação de Arte de Niterói - RJ) 2009 / Que segredos tem o Castelo? - exposição coletiva (Castelinho do Flamengo - RJ) 2009 / NOISESCAPES - concerto audiovisual (Sérgio Porto - RJ) 2009 / ArteGaragem - exposição coletiva (Centro Cultural Raul de Leoni - Petrópolis/RJ) 2009 / SoundArt | ArteSonora no Parque Lage - ocupação artística / happening (EAV Parque Lage - RJ) 2009 / Um vazio que me pare - ocupação artística (Largo das Artes - RJ) 2008 / Entre outros Corpos - evento de performances (Parque das Ruínas - RJ) 2008 / NÀU - exposição coletiva (Instituto dos Arquitetos do Brasil - IAB - RJ) 2008 / MAC-Filé - ocupação artística (Pátio do MAC Niterói - RJ) 2008 / Condição da Escuta - concerto audiovisual (SESC Vila Mariana - SP) 2008 / 1º Salão de Artes de Petrópolis (Centro Cultural Raul de Leoni - Petrópolis/RJ) 2008 / 1ª Mostra de Performances do Barracão Maravilha - evento/happening (Barracão Maravilha - RJ) 2007/8 / Elogio ao Tempo - exposição coletiva (EAV Parque Lage - RJ) 2007 / Operação Master: Laboratório Autopoiético - exposição coletiva (Galeria do Instituto de Artes da UERJ - RJ) 2007 / Exchange - exposição coletiva (Camberwell College of Arts - Londres)

Contatos: (21) 7689-1894 rebecarasel@gmail.com http://unhearts.wordpress.com http://rebecarasel.blogspot.com


Rebeca Rasel - Portfolio 2007-2010  

Early Photography/Installation/Collage works by Rebeca Rasel (Rio de Janeiro, Brasil)

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