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Línguas indígenas no passado, hoje em dia e sua contribuição Para a língua portuguesa.


SUMÁRIO

Hoje ainda tem língua indígena? ------------------------------------------------------------- pg. 01 A vida dos índios atualmente------------------------------------------------------------------- pg. 02 a 03 Línguas indígenas no passado------------------------------------------------------------------ pg. 04 a 08 Preservação da língua portuguesa----------------------------------------------------------- pg. 09 a 12 Contribuições linguísticas------------------------------------------------------------------------- pg. 13 Outros legados indígenas------------------------------------------------------------------------- pg. 14 Produções literárias indígenas------------------------------------------------------------------- pg. 15 a 17


Hoje, ainda tem língua indígena? Por: Victor P.

Atualmente no Brasil, são faladas aproximadamente 180 línguas indígenas, mas estas são apenas 15% das mais de mil línguas que se calcula terem existido aqui na época em que os portugueses chegaram em 1500. Podemos citar como exemplo o tupi-guarani, no Amapá e norte do Pará, o Aruak, no oeste e leste da Amazônia, o Karib, ao norte do rio Amazonas, entre outras. Existem mais povos indígenas do que línguas. São 221 povos, ou seja, 160 mil índios, que falam 180 línguas. A língua mais falada é o Tikuna, no alto do rio Solimões, com cerca 30 mil falantes. Atualmente, a média de falantes por língua indígena é perto de 1.500, mas também temos aquelas que são faladas por menos de vinte pessoas. Em qualquer parte do mundo, línguas com menos de mil falantes são consideradas fortemente ameaçadas de extinção. A língua mais distribuída pelo território brasileiro é o tupi-guarani, que está no Amapá, no norte do Pará e Rondônia, além do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. São várias famílias que falam essa língua.

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A vida dos índios atualmente


Hoje, no Brasil, vivem mais de 800 mil índios, cerca de 0,4% da população brasileira, segundo dados do Censo 2010. Eles estão distribuídos entre 683 Terras Indígenas e algumas áreas urbanas. Há também 77 referências de grupos indígenas não-contatados, das quais 30 foram confirmadas. Existem ainda grupos que estão requerendo o reconhecimento de sua condição indígena junto ao órgão federal indigenista. A vida do índio mudo muito dês de 1500, muitos índios já estão usando roupa, morando em cidade com esgoto, luz elétrica, saneamento básico, mas muitos ainda moram em aldeias, reservas do governo. Muitos índios se preocupam com seu futuro já somam 5 mil os índios matriculados em universidades, estudando Medicina e Direito, por exemplo, e 20 mil os professores indígenas que ensinam nas línguas que falam. Pequenas aldeias que morra perto de lugares turísticos vendem seus artesanatos para as pessoas, isso e um sinal de que também se importa com o dinheiro, e de que eles precisam dele para sobreviver e que ele não consegue sobreviver apenas da colheita e da pesca. Outros aspectos que demonstra que o índio ta ganhando seu espaço na sociedade me a FUNAI, A Fundação Nacional do Índio (FUNAI) é o órgão do Governo Federal brasileiro que estabelece e executa a política indigenista no Brasil, dando cumprimento ao que determina a Constituição brasileira de 1988. Mas com todas essas mudanças, não quer dizer que os indígenas tenham abandonado suas tradições, como os rituais religiosos e as danças. 02

Quer ver como é possível? Quando alguém fica doente em uma aldeia, a pessoa é tratada ali mesmo. Isso porque os índios têm muitos conhecimentos para utilizar ervas e plantas no tratamento de moléstias. Além disso, existe o pajé, um curandeiro responsável por cuidar dos


doentes. Mas, quando o caso é grave e não pode ser resolvido dentro da aldeia, o jeito é levar o doente a um hospital. Em lugares como Manaus e São Paulo, eles têm movimentos organizados, assim, conseguem manter uma vida coletiva de cooperação e promover encontros em que mantém suas atividades rituais. Depois de saber de tudo isso, dá para ver que pessoas de diferentes culturas podem conviver em harmonia e aprender uns com os outros. Conviver com índios seria uma experiência maravilhosa para qualquer criança. Eles têm muito a contar e a ensinar.

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LÍNGUAS INDÍGENAS NO PASSADO Por Giovana R.


No Brasil, no período da sua descoberta, eram faladas 1300 línguas aproximadamente, mas,

As línguas indígenas, assim como as demais, são divididas em grupos lingüísticos a partir das semelhanças nas suas origens, esses grupos são as famílias linguísticas, que, por sua vez, quando partilham alguma semelhança, fazem parte de grupos ainda maiores, denominados troncos linguísticos. muitas delas foram extintas, hoje em dia há aproximadamente 180 línguas, ou seja, em média 86% delas sumiram, foram aniquiladas cerca de 1100 línguas, entre elas várias de vários grupos indígenas que foram extintos a mesma proporção. Mas, mesmo assim ainda temos um grande número de aldeias e grupos indígenas no Brasil, devido à grande 04

extensão do Brasil e da ajuda de Ongs (organização não governamental) que visa o bem de toda a população e com isso protegendo os índios como um patrimônio brasileiro e agindo contra desatadores. Com isso, ainda há diversas línguas, que fazem parte de grupos lingüísticos, sitiados nas famílias lingüísticas estas por sua vez, fazem parte de grupos ainda maiores, os troncos lingüísticos.


Principais troncos lingüísticos Indígenas e principais povos que falam ou falavam: Tupi ou Macro - Tupi Caetés, tabajaras, tupinaés, Potiguaras, Tupinambás, Tamoios e Tupiniquins. Macro-Jê Bororos, Crenaques, Carajás, Xavantes, Craós Apinajés, e Cricatis.

Principais famílias: A maior parte de seus falantes está no norte do Brasil, na área de fronteira com as Guianas. Aruak Sabe-se que os falantes da língua começaram a se separar em algum lugar a oeste de onde viviam os falantes originais do Tupi e Macro-Jê. Alguns autores apontam a região onde hoje fica o Peru, como esta área de dispersão.

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CARACTERÍSTICAS (TRONCOS LINGUÍSTICOS)

Tupis As aldeias daquela época tinham uma ou duas grandes cercas de madeira, dentro das quais construíam de quatro a sete casas, com um pátio no centro. As casas eram grandes, morando nelas até 40 pessoas. Não havia divisão internas cada família possuía seu cantinho, onde a mulher fazia a comida e onde eram instaladas as redes de dormir. Hoje, os


povos Tupis não fazem a cerca de proteção. Alguns continuam construindo a aldeia em forma de círculo, como os Tapirape. Mas a maioria constrói casas alinhadas ou mesmo sem nenhuma ordem. Os tupis não tinham um chefe da comunidade, mas cada habitação possuía um líder, o mais valente nas guerras. Esta falta de chefe geral não enfraquecia o grupo, todos se reuniam. Assim acontecia na derrubada da mata, na colheita, nas caçadas e nas grandes pescarias. Viviam sempre perto de rios ou do mar, sendo bons nadadores, ao contrário de alguns povos Jê, em que muitos nem sabiam nadar. Foram eles que introduziram a canos de tronco e a jangada, embarcação ideal para o mar. A canoa foi importante meio de transporte para eles, com o qual puderam, talvez, se espalhar com mais rapidez por todo território brasileiro. Convém lembrar que alguns grupos eram nômades ou seminômades, o que ajudou também nessa dispersão. Praticavam a agricultura, plantando mandioca, batata-doce, pimenta e alguns cereais. A mandioca até hoje é à base da sua alimentação - assada, cozida, em forma de farinha ou polvilho.

Macro-Jê Os Macro-Jê sempre tenderam a valorizar a força física. Os Goitacazes, por exemplo, que habitavam a atual região fronteiriça entre os estados brasileiros do Rio de Janeiro e Espírito Santo, eram tidos como homens de força e coragem sobre-humanas, capazes de caçar tubarões apenas com um pedaço de pau e 06 veados só com as mãos. Os índios aimorés que habitavam o litoral central do estado brasileiro da Bahia, possuíam indivíduos tão altos e tão largos de corpo que mais pareciam gigantes. Nos dias de hoje, os índios Canelas, Craôs, Xerentes, Gaviões e Cricatis realizam competições de corrida em que os corredores, divididos em dois times, têm de carregar troncos pesando entre vinte e 110 kg por um percurso com distância entre 850m e 40 km. Os Caiapós realizam a mesma competição, embora os troncos sejam apenas carregados, sem a corrida. E os índios Fulniôs a realizavam no passado. Os gaviões Kiykatêjês realizam uma corrida de revezamento típica,


o akô e uma luta típica, o aipenkuit. A Carajás também têm uma luta típica, o idjassú. Os Caiapós, até pouco tempo atrás, praticavam uma espécie de hóquei chamado rõkrã. Os Xavantes têm uma típica luta de bastão, o oi'ó e uma típica corrida de revezamento levando aos ombros toras de buriti, o uiwede. Para marcar a entrada dos jovens no mundo adulto, os Xavantes têm cerimônias que exercitam a resistência física dos participantes, como o wai'á e a furação de orelhas.

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Preservação da língua portuguesa Por Laura V. A nova edição do Atlas das Línguas em Perigo no Mundo, publicada em fevereiro de 2009 pela Unesco, traz 190 línguas no Brasil ameaçadas em diferentes níveis de gradação. Tal fato inclui quase todas as línguas indígenas brasileiras. A Unesco aponta como justificativa para essa ocorrência a globalização, que tornou menor o mundo, em que as distâncias espacial e temporal diminuíram e o inglês pelo viés econômico e científico-tecnológico exerce forte domínio. Nosso objetivo é contrapor a extinção de línguas com a preservação, considerando aspectos do direito linguístico do falante e


da cultura como patrimônio imaterial. Vale ressaltar que tais medidas pressupõem e nos impõe um debate ainda maior sobre teoria da cultura e alteridade, vitalidade das línguas e preservação. Palavras-chave: morte de línguas, preservação, patrimônio imaterial, direito linguístico.

A escola e a preservação lingüística Depois da hegemonia do estruturalismo distribucionalista norte-americano importado pelo SIL, nos anos 90, assiste, então, decididamente, a um desenvolvimento gradual e progressivo da área, com uma interessante diversificação de linhas teóricas; convivem (e competem) diferentes paradigmas, num saudável pluralismo científico; amadurece a discussão entre

08 pesquisa descritiva e pesquisa teórica, cujo objetivo é a de inserir os dados de línguas indígenas nos debates e embates da teoria lingüística atual. Foi retomada a investigação histórica e comparativa. Assim, por exemplo, começam a ser divulgados os resultados importantes do projeto "Tupi Comparativo" em andamento no Museu Goeldi, dos encontros de lingüistas especialistas em línguas Tupi-Guarani, das pesquisas sobre línguas da família Pano (UNICAMP, Setor de Lingüística do Museu Nacional/UFRJ), dos estudos de línguas arawak, das línguas karib meridionais (UNICAMP e Museu Nacional-UFRJ), do noroeste e do nordeste amazônicos (Museu Goeldi, Museu Nacional/UFRJ). O diálogo entre etnologia, arqueologia e lingüística está se reconstituindo com base em hipóteses, teorias e metodologias modernas e pesquisas empíricas. Fortalecem-se centros de pesquisa tradicionais e outros despontam. Segundo relatório de Lucy Seki, em 1998 subia para cerca de 80 o número de línguas objeto de algum tipo de estudo por parte de não-missionários.


Percebia-se um leve declínio das atividades do SIL (30 línguas em estudo e oito projetos considerados concluídos). É interessante observar o aumento do número de línguas já investigadas por missionários e retomadas por lingüistas brasileiros. Graças ao levantamento feito por Seki de dissertações, teses, publicações e inéditos, podem avaliar, pelo menos quantitativamente, o incremento da produção por parte de pesquisadores brasileiros. Uma série de extensas e cuidadosas gramáticas de referência chegou ao público, como as gramáticas Kamayurá(2) e ainda Tiriyó, Trumai, Karo, Apurinã, Kadiweu, Karitiana, Wanano, Bororo, entre outras. Outras estão prestes a serem divulgadas. O quadro institucional, infelizmente, não melhorou como se esperava. Ainda segundo Seki, no final dos anos 90, dos 66 programas de pós-graduação em Letras e Lingüística, apenas 12 desenvolviam pesquisas sobre línguas indígenas. Não obstante, aumentou, sem dúvida, a presença de trabalhos sobre línguas indígenas em eventos científicos nacionais e, nos internacionais. Os missionários/lingüistas não dominavam mais a cena. Inaugurou-se ou cresceu a participação de brasileiros nos universos eletrônicos especializados, como listas de discussões, como a Etnolinguistica. A isso acrescentamos que, pela primeira vez, informações ricas e razoavelmente fidedignas começaram a aparecer em sites oficiais e não-oficiais e em veículos governamentais e de divulgação científica. A situação no final desta primeira década do século XXI mostra um quadro mais promissor, mas ainda aquém do desejado. Quanto aos conhecimentos produzidos sobre as línguas indígenas, o trabalho de Moore nos permite constatar que: • • •

Apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos); 35 línguas, pelo menos, permanecem amplamente ignoradas; 114 foi objeto de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintaxe. 09

Nota-se um claro desenvolvimento de grupos de pesquisa (Museu Goeldi, UNICAMP, Museu Nacional/UFRJ, USP, apenas para mencionar os mais

organizados e produtivos). Novidade digna de destaque é o desenvolvimento de projetos de documentação nos últimos dez anos e com o apoio de programas internacionais (DOBES ELDP, principalmente). Estes projetos incluem, até o momento, 20 línguas. Programas dessa natureza estão agora em fase de implementação no Brasil e com financiamento brasileiro. A moderna documentação visa não apenas a produção de gramáticas, dicionários e coletâneas de ‘textos’, mas a isso acrescenta uma tarefa fundamental, a construção de acervos digitais, usando métodos e tecnologias de ponta, que possam preservar amostras, as mais exaustivas possíveis, de eventos e gêneros de fala, artes verbais, conhecimentos e tradições orais.


Em suma, muito está sendo feito no Brasil fora da redoma missionária, se pensar na penúria de uns 20 anos atrás. Há, ainda, muito mais a ser feito. Há um excedente de trabalhos descritivos parciais e escassez de gramáticas de referência. Nos domínios dos gêneros de discurso, da arte verbal, da coleta de tradições orais, da elaboração de dicionários, as lacunas são imensas, como nos estudos sociolingüísticos, estes últimos indispensáveis quando se trata de entender as muitas e complexas situações de bilingüismo, multilinguismo e perda lingüística. A escola e a preservação lingüística No campo das línguas indígenas, o lingüista é uma figura de identidade dupla: é pesquisador e assessor de programas educacionais, fonólogo e fazedor-deescritas-de-línguas-de-tradição-oral, professor e redator de material didático em língua indígena. Recebe demandas de organizações não-governamentais, do Estado e dos índios. O envolvimento em projetos de educação (escolar) não significa apenas um exercício de aplicação de conhecimentos científicos, mas deve, hoje, se basear numa capacidade de revisão crítica do modelo dominante da chamada "educação bilíngüe", ainda, em muitos casos, atrelado, apesar de suas diversas versões, a uma matriz missionária ideologicamente civilizadora e integracionista (de novo, o legado do SIL, que monopolizou, até uns 20 anos atrás, a chamada educação bilíngüe também no Brasil). Por outro lado, já há grupos indígenas que percebem "o perigo" que suas línguas correm e, por conseqüência, estão interessados em sua revitalização; em situações desse tipo, são os índios que procuram interagir com lingüistas que possam dedicar-se à documenta��ão de sua língua. Diante de uma tarefa desse tipo – documentar uma língua num projeto conjunto com os índios e propor um trabalho de preservação ou resgate –, começamos somente agora a desenvolver e consolidar instrumentos conceituais e políticos. 10 Como diz Grinevald este linguista de campo é como uma orquestra de um homem só: deve dominar todos os campos da lingüística descritiva, conhecer as principais teorias que podem guiar suas interpretações e explicações, saber o bastante de uma específica lingüística aplicada para se enveredar em projetos de alfabetização ou de revitalização lingüística sem cair na armadilha de achar que os problemas se resolvem na escola, conseguir fazer pesquisa sobre a língua com os índios, ser sensível e esperto, saber que fazer lingüística numa aldeia não é um passeio de algumas semanas. Os índios certamente agradeceriam todos os esforços e iniciativas que

facilitassem o aparecimento desse novo pesquisador; a lingüística "indígena" deixaria para trás, definitivamente, amadorismo e subalternidade; a sociedade


em geral aprenderia mais sobre um assunto que diz respeito diretamente à salvaguarda de uma riqueza que está em seu seio e que, ou desconhece, ou sepulta, no senso comum dos estereótipos.

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As contribuições indígenas para a formação da língua portuguesa do Brasil. O legado indígena está presente na língua portuguesa em 46% dos nomes populares de peixes e 35% dos nomes de aves, segundo o linguísta Aryon Rodrigues.


“As línguas indígenas, que deram nomes às coisas, guardam informações e saberes, funcionando como uma espécie de arquivo. Por isso, é necessário conhecer a contribuição efetiva que legaram à língua portuguesa e entender como viviam os povos que as falavam, para que a nossa sociedade possa se apropriar, de forma inteligente, da experiência milenar arquivada nessas línguas. Este conhecimento, certamente, pode ajudar o brasileiro a viver melhor hoje, tornando-o menos ignorante e mais capaz para respeitar e valorizar as sociedades indígenas atuais”. (Bessa, J. e Malheiros, M. em “Aldeamentos Indígenas do Rio de Janeiro”). Os termos de origem indígena aparecem em: nomes de utensílios, objetos, comidas, crendices, seres fantásticos, moléstias, fenômenos naturais, nomes de lugares, nomes de pessoas e outros nomes próprios, espécimes da fauna e da flora, frases feitas e ainda termos de uso geral. Além disso, há numerosos casos de verbos híbridos, formados com raízes indígenas, principalmente tupis, e terminações portuguesas.

Algumas palavras de origem indígena Abacaxi; Açaí; Aí; Piracicaba; Maracujá; Guaraná; Aipim; Fubá;

Caboclo; Sergipe; Tapioca; Mandioca; Cuíca; Paraná; Lobo guará; Carioca; 12

Outros legados indígenas

A colonização do território brasileiro pelos europeus representou em grande parte a destruição física dos indígenas através de guerras e escravidão, tendo sobrevivido apenas uma pequena parte das nações


indígenas originais. A cultura indígena foi também parcialmente eliminada pela ação da catequese e intensa miscigenação com outras etnias. Atualmente, apenas algumas poucas nações indígenas ainda existem e conseguem manter parte da sua cultura original. Indígena brasileiro, representando sua rica arte plumária e de pintura corporal. Apesar disso, a cultura e os conhecimentos dos indígenas sobre a terra foram determinantes durante a colonização, influenciando a língua, a culinária, o folclore e o uso de objetos caseiros diversos como a rede de descanso. Um dos aspectos mais notáveis da influência indígena foi a chamada língua geral (Língua geral paulista, Nheengatu), uma língua derivada do Tupi-Guarani com termos da língua portuguesa que serviu de língua franca no interior do Brasil até meados do século XVIII, principalmente nas regiões de influência paulista e na região amazônica. O português brasileiro guarda, de fato, inúmeros termos de origem indígena, especialmente derivados do Tupi-Guarani. De maneira geral, nomes de origem indígena são frequentes na designação de animais e plantas nativos (jaguar, capivara, ipê, jacarandá, etc.), além de serem muito frequentes na toponímia por todo o território. A influência indígena é também forte no folclore do interior brasileiro, povoado de seres fantásticos como o curupira, osaci-pererê, o boitatá e a iara, entre outros. Na culinária brasileira, a mandioca, a erva-mate, o açaí, a jabuticaba, inúmeros pescados e outros frutos da terra, além de pratos como os pirões, entraram na alimentação brasileira por influência indígena. Essa influência se faz mais forte em certas regiões do país, em que esses grupos conseguiram se manter mais distantes da ação colonizadora, principalmente em porções da Região Norte do Brasil.

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Produções Literárias Indígenas: Por Rafael T.

Método Moderno de Tupi Antigo - A Língua do Brasil dos Primeiros Séculos


Essa obra tem por finalidade, ensinar a língua indígena clássica do Brasil, o tupi antigo. A língua de maior importância na construção espiritual e cultural de nosso país. O objetivo é capacitar o aprendiz a ler os textos quinhentistas e seiscentistas nesse idioma, por meio de vocabulário e muitos exercícios. O autor teve a preocupação em mostrar a penetração do tupi antigo no estudo linguístico e histórico da origem brasileira, na língua portuguesa e em nossa literatura.

Dicionário Tupi – Português Para se aprender novas palavras, nada como um bom dicionário. O dicionário Tupi – Português possui os principais verbetes da língua Tupi, que atualmente está extinta, porém a partir dela geraram-se duas línguas descendentes: Língua Geral Paulista (que também está extinta) e o Nheengatu ( Tupi Moderno). Cada palavra é uma verdadeira frase, o que, aliás, é um dos grandes prazeres do estudo da língua.

14 APRENDER NUKINI O livro tem como propósito auxiliar os Nukini na revitalização de sua língua falada por apenas seis pessoas, de uma população estimada em 425 pessoas. Por meio de metodologia de estudo de segunda língua, os Nukini estão se apropriando da escrita como instrumento de valorização e ampliação dos usos sociais da língua materna. Este povo habita a região do Vale do Juruá, município de Mâncio Lima, na margem esquerda do rio Moa, no estado do Acre.


LIVRO DE SAÚDE Material elaborado por professores indígenas que participam do Curso de Formação de Professores Mebêngôkre, Panará e Tapajúna Goronã, durante atividades de ciências e oficina de livros didáticos, nas línguas Mebêngôkre, Panará e também na língua Portuguesa e seu objetivo é proporcionar aos professores e alunos um material que colabore nas aulas de ciências e na melhoria da saúde das comunidades, discutindo a prevenção das doenças, as conseqüências da alimentação não tradicional e conceitos e métodos tradicionais dos cuidados com a saúde.

IKJEMÊRA JÔ KÃPREPA Material didático produzido na língua Panará por professores e alunos da Escola Matukre e resultado do Projeto de Formação de Professores Mebengokre, Panará e Tapajúna, para aprendizagem inicial da matemática.

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MEBÊNGÔKRE KABEN – Ã PI’ÔK KAM MYJ JÁ KWY Ã UJAREJ Elaborado durante etapas de estudo das línguas maternas no Curso de Formação de Professores Mebengokre, Panará e Tapajúna, o livro foi escrito e ilustrado por falantes Mebengokre, residentes em sete aldeias das Terras Indígenas Kapôt/Jarina, Mekragnotire, Baú e Kayapó, localizadas nos estados do Mato Grosso e Pará. Esse material vem comprovar os resultados de um enorme salto qualitativo ocorrido nas tentativas de implementação da escrita na língua materna, desde o início da formação dos professores, que


desencadeou um processo de reflexão sobre a língua, a cultura, a escrita com domínio de conteúdos e conceitos lingüísticos.

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