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“Como treinador, tudo muda” Domingos Paciência

Entrevista exclusiva

Ano 1 - Dezembro de 2012 | Edição Nacional

(p.10-13)

JORNALISMO EM CRISE DESTAQUE 2-3

Foto: Filipa Sousa

Política

Economia

Gaspar promete país a crescer em 2014

Estivadores em greve, Leixões não adere

O ministro das Finanças encerrou o debate parlamentar do OE 2013 com a promessa que em 2014 o país começará a crescer e o desemprego «recuará». Vítor Gaspar aproveitou o discurso para lançar novo apelo ao PS para participar no debate nacional, que prevê redefinir as funções sociais do Estado. (p.5)

Desde Agosto que os estivadores estão em greve mas a adesão não é total. Já foram responsáveis por uma queda de 6% nas exportações, mas o recuo do governo tarda em chegar. Porém, nem todos os portos aderiram à greve e Leixões tem superado as dificuldades. (p.9)

Desporto

Cultura

Media & Tecnologia

“Recuar para evoluir”

“Sud-express” viaja na Casa da Música

Windows 8: a unificação de pc, tablet e smartphone

A transferência de jogadores de clubes grandes para clubes pequenos influencia e altera várias carreiras. O talento e dedicação são testados e os atletas precisam de se ajustar às mudanças para que possam continuar a crescer na modalidade. (p.14)

A 6 de dezembro, a Casa da Música recebeu um musical da autoria da Academia Contemporânea do Espetáculo. O 1ª Impressão assistiu à primeira aula de preparação para o espetáculo que procura ligar as culturas portuguesa e francesa. (p.16)

O novo sistema operativo da Microsoft foi desenhado para permitir uma experiência tátil que pretende revolucionar o desempenho dos utilizadores de consumo e dos profissionais em qualquer plataforma. (p.18) PUB.


DESTAQUE Uma crise superável (?)

C

omo estudantes universitários finalistas do curso de Jornalismo, assistimos à diminuição drástica das nossas hipóteses em seguir um futuro na área para a qual tanto estudamos e trabalhamos. Os media e o jornalismo vivem momentos difíceis e é fundamental restaurar a credibilidade junto do público. A imprensa está sem soluções para evitar a constante perda de leitores e, consequentemente, de receitas publicitárias, que também não são suficientes para justificar uma aposta exclusiva no “online”. No que toca aos jornalistas, as dificuldades financeiras limitam o trabalho, sobretudo no jornalismo de investigação, tão necessário para dar a conhecer novas realidades. É a liberdade de imprensa e a democracia que são postas em causa, numa fase em que os jornais e os jornalistas parecem pensar mais no “cliente” e menos no “cidadão”. Poderá dizer-se que os jornalistas contribuíram para esta crise, mas também é importante criar uma relação de exigência mútua entre o jornalista e o leitor, para evitar a ignorância e desconhecimento na sociedade. O melhor cidadão é aquele que se informa. O 1ª Impressão acredita que a inovação e o rigor jornalístico devem ser indissociáveis e que é possível produzir informação atual e de qualidade de forma credível e independente.

Ficha técnica Redação: Diogo Fernandes / Fábio Silva / Filipa Sousa / Pedro Ferreira Ciências da Comunicação: Jornalismo, Assessoria, Multimédia

Jornalismo em crise Foto: Filipa Sousa

Editorial

Ano 1 - DEZEMBRO 2012

Só no jornal “Público”, foram despedidos 48 trabalhadores

Cortes, reestruturações, despedimentos e encerramentos – quatro palavras que definem a realidade do jornalismo português na atualidade. A crise económica leva a que os grupos de media tomem maior atenção à rentabilidade dos seus investimentos. Em outubro, grupos de jornalistas mostraram os seu descontentamento, depois de cortes na Agência “Lusa” e despedimentos no jornal “Público”.

Universidade do Porto, 2012

Fábio Silva Passavam vinte e quatro minutos das 13h do dia 10 de outubro quando o “Público”, um dos principais títulos de referência em Portugal, lançava um comunicado a anunciar uma restruturação na empresa. O artigo, publicado no site do jornal, trazia também a notícia do despedimento de quarenta e oito funcionários – jornalistas – como forma de «redução da estrutura de custos», num valor de 3,5 milhões de euros. A reestruturação do “Público” foi apenas um dos acontecimentos que, durante duas semanas, trouxeram ao de cima as grandes dificuldades em que se encontra o jornalismo

português. Poucos dias antes, jornalistas da “Lusa” manifestaram-se hoje em vigília contra o corte de 30% no financiamento da agência pelo Estado. Por sua vez, no dia 15, os órgãos de comunicação social noticiam que a “Impresa” – grupo detentor de diversos meios, como a SIC – iria fechar revistas do ramo da decoração e do setor automóvel. Os problemas económicos causados pela crise e a quebra das receitas nos meios de comunicação são as linhas gerais que desenham esta necessidade em cortar na despesa. A 18 de outubro, trabalhadores da “Lusa” iniciaram uma greve de quatro dias contra os cortes a que a agência será sujeita. No dia seguinte, foi a vez de jornalistas do

“Público” solidarizarem-se e juntarem-se ao protesto, onde também mostraram a sua indignação pelo despedimento de quarenta e oito colegas de profissão. Para ambos os órgãos de comunicação, a manutenção da qualidade informativa é uma necessidade. Uma crise que não é de agora… António Granado, editor Multimédia da RTP e professor na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Univ. Nova de Lisboa, pensa que crise não é assim tão recente. Para o jornalista, estes problemas nos meios informativos «duram há mais de 10 anos» e que, por volta de 2000, «era possível prever que uma situação destas

poderia acontecer» quando a Internet começou a desenvolver o seu verdadeiro potencial face aos meios de comunicação tradicionais da época e os media «não conseguiram contornar todas as dificuldades que a Internet levantou, como o acesso facilitado a múltiplas fontes de informação». Granado refere que era preciso diversificar «urgentemente» as fontes de financiamento dos jornais e encontrar alternativas para a diminuição da publicidade e classificados. Na visão do jornalista, os gestores dos órgãos de comunicação social também tiveram a sua quota de culpa ao não terem «atuado a tempo» nesta necessidade de diversificação. Em vez disso, optam por cortar na despesa em


DESTAQUE

Ano 1 - DEZEMBRO 2012

tempos de maiores dificuldades – o que implica despedir trabalhadores – o que, para António Granado, não é uma solução pois, «despedindo jornalistas, o jornal perde qualidade e vende menos; se vende menos, é preciso despedir mais jornalistas», num círculo vicioso que põe todo o jornalismo em causa. Em entrevista ao 1ª Imp, Amílcar Correia, diretor do P3, fala num «divórcio cada vez mais evidente» entre o que se pensa e produz nas redações e aquilo que, na rua, é esperado de um jornal, rádio ou televisão. Para Correia, é preciso que os meios de informação se consciencializem que aquilo que é «servido» nos seus projetos editoriais pode não ter correspondência na realidade. «Enquanto houver esse fosso entre quem publica e quem lê será difícil aumentar o número de leitores», diz o diretor. A perda da voz do Interior Está previsto que a agência Pressões sobre o jornalismo? “Lusa” receba um corte de 30,9% Em entrevista à “Lusa”, o pres- nos fundos estatais. Apesar de ainidente do Sindicato dos Jornalistas da não se saber ao certo onde vai (SJ), Alfredo Maia, alertava para o ser aplicada tal redução no orçarisco da atividade jornalística pas- mento, Sérgio Soares, coordenador sar a ser um «reduto destinado a da delegação da “Lusa” no Porto, elites». acredita que, com base no serviço Para Amílcar Correia, as pressões presta que a agência presta e com sobre o jornalismo são algo «antigo cortes «tão elevados», não haverá e uma das contrariedades com que mais possibilidades que redução da os profissionais têm que se debater massa salarial ou despedimentos. diariamente» e que, nas democra- No entanto, realça que será a adcias parlamentares, como Portugal, ministração a decidir como aplicar se faz de uma forma mais sublim- este corte no orçamento. inar. Tais tentativas de limitação, Para o coordenador da delegação segundo Correia, podem ser feitas do Porto, é «fundamental que todos através da publicidade, economia, tenham acesso à informação», despolítica, entre outros. Com a cri- de os grandes centros urbanos ao se económica, as empresas podem interior do país. Segundo Sérgio ficar «reféns de pressões externas Soares, a Lusa consegue ir a zoquando necessitam de receitas e nas do país onde outros meios de elas não existem». comunicação não chegam. Com a

possibilidade de redução da rede de correspondentes, o Interior será uma área «ferida», cuja informação «chegará com maior dificuldade aos centros de decisão». No passado dia 9 de Novembro, a administração da Lusa propôs o corte de uma hora de trabalho por dia e de salário correspondente, algo que tem sido recusado pelos trabalhadores da agência. Falta de espírito sindical? Amílcar Correia defende que deveria existir uma solidariedade entre jornalistas de ramos e meios de comunicação diferentes, dando maior representatividade à classe jornalística. No entanto, acha que falta alguma representatividade a nível sindical. «Grande parte dos atuais profissionais não se revê num sindicato, cuja imagem tem vindo a ser mais apodada de anacrónica»,

afirma o diretor do P3. Opinião contrária, é a do presidente do SJ. Ao 1ª Imp, Alfredo Maia refere que existem «jornalistas mais jovens que têm receio de aproximar-se do sindicato, muitas vezes atemorizados por jornalistas mais velhos». Ainda assim, e segundo Maia, o SJ tem afiliados de todas as faixas etárias. Em termos de reivindicações laborais, o presidente diz que o SJ discute com as empresas de media as soluções que estas pretendem implementar. Independentemente dos pontos de vista coincidirem ou não, Alfredo Maia diz que o SJ tem, ao longo dos anos, «apresentado medidas para o fortalecimento económico das empresas». Na visão dos quatro jornalistas, enquanto não for encontrada uma solução economicamente viável, o jornalismo continuará em crise.

«Isto, realmente, está um caos» - Soraia Barros, estudante Jornalismo - 3º ano O 1ª Impressão falou com três alunos do curso de Ciências da Comunicação, da Universidade do Porto. Soraia Barros, aluna do 3º ano, foi uma das entrevistadas. Agora que está a acabar o curso, e visto que é cada vez mais difícil encontrar emprego na área, que perspetivas tem para o futuro com a formação que teve? «De facto, não são as melhores mas acho que temos de lutar e sermos empreendedores. Se não

lutarmos pelo nosso próprio emprego, dificilmente vamos conseguir porque isto, realmente, está um caos. Neste curso estamos a ser formados para fazer um pouco de tudo. É difícil ir para um sítio e ter de filmar, fotografar, entrevistar e chegar a uma redação e ter de escrever para tudo. Apesar disso, quem estudou aqui é capaz de o fazer porque teve formação para isso». // Veja todas as entrevistas em: primeira-impressao.weebly.com


POLÍTICA

Ano 1 - DEZEMBRO 2012

A marca de Jardim

Crónica

Pedro Ferreira OE 2013: o pior que nos podia acontecer

Guterres assumiu que tem quota-parte da responsabilidade pela situação em que está Portugal. No meio de tanta troca de acusações, assumir as responsabilidades é sempre sinal de alguma lucidez perante a crise da dívida portuguesa.

Gaspar representa a falha de toda a ação do Executivo face à crise. A teimosia de Gaspar e Passos Coelho parece ser imune à realidade do país, já que a austeridade não cessa e o Orçamento de 2013 promete agravar a já difícil situação dos portugueses.

MAIS

MENOS

Foto: DR

A

inda tenho na memória a conferência de imprensa que Vítor Gaspar deu no dia 15 de outubro, a anunciar as medidas previstas para o Orçamento de Estado 2013. O ministro das Finanças já tinha admitido que este seria «um brutal aumento de impostos» mas, desta vez, os limites da imaginação dos portugueses foram ultrapassados. Se o ano de 2012 prometia ser um dos mais difíceis e austeros de que há memória, 2013 será o pior que nos podia acontecer. Basta andar pelas ruas e ficar atento às pessoas. Não se vê confiança, não se veem risos e há cada vez mais uma revolta maior. Os portugueses, apesar de unidos, como foi pedido pelo primeiro-ministro, estão fartos de perder rendimentos e não obter resultados. Mas o melhor é mesmo habituarmo-nos a este panorama para os próximos tempos, porque as perspetivas de futuro ficam cada vez mais apagadas. O OE 2013 promete uma sobrecarga fiscal acentuada na classe média (como tem sido habitual), que em muitos casos não deixa espaço para que uma família com dois filhos consiga ter algum dinheiro de parte no final do mês. Esse dinheiro passa agora a ser necessário. Aliás, todo o dinheiro passa a ser necessário. Mas há mais… Tudo indica que vamos ter que trabalhar mais horas, por um salário menor. As razões para sorrir são poucas, mas o pior é mesmo ter um governo em plena crise política e com uma péssima comunicação. É que de cada vez que o ministro Vítor Gaspar decide fazer um comunicado a anunciar novas medidas, não o consegue fazer com uma atitude esclarecedora. Pessoalmente aquilo que quero ouvir quando me dizem que vou perder parte do que ganho é saber porque é que isso vai acontecer. É o mínimo que podem fazer. Além disso o ministro age mal quando em resposta à oposição diz que o povo português é o melhor do mundo. Isto depois de ter dito que os portugueses deviam fazer-se ouvir nas ruas.

AJJ anunciou a saída do cenário político em janeiro de 2015

A 17 de março de 1978, Alberto João Cardoso Gonçalves Jardim tomou posse como presidente do Governo Regional da Madeira, aos 35 anos. Três décadas e meia depois, anunciou que irá abandonar o cargo em janeiro de 2015. Para trás, deixa vitórias, obras e declarações polémicas de um dos líderes mais reconhecidos e controversos da política nacional.

Diogo Fernandes A carreira política de Jardim fica marcada pelas várias vitórias com maioria absoluta que conquistou com intenções de voto elevadas (entre 60 e 70 por cento). Os resultados desnivelados foram uma realidade até os últimos anos e os restantes partidos políticos não tinham capacidade de lutar, ou sequer, de incomodar o Partido Social Democrata. A popularidade do líder madeirense foi conseguida através das diferentes obras concebidas na região madeirense. Para Rómulo Coelho, Presidente da JSD-Madeira, o trabalho desenvolvido por Alberto João Jardim e os diferentes executivos é «louvável» pois a Madeira passou «de uma das regiões menos desenvolvidas da Europa para uma das regiões de excelência». Rómulo Coelho destaca ainda a influência que Jardim tem na vida dos cidadãos e garante que o nome do dirigente «ficará na história da região e do país como um líder que muito fez e lutou pela Madeira, pela democracia e pela autonomia». No entanto, apesar da marca deixada pelo chefe do Governo Regional, «chegou o momento de dar o salto para uma nova fase do desenvolvimento da Região». A mudança é um cenário cada vez mais visível mas pelas piores razões após os resultados mais recentes das eleições legislativas regionais de 2011 e das diretas do Partido Social Democrata da Madeira em novembro de 2012. Nas legislativas, o PSD-Madeira teve dificuldades para conseguir a maioria absoluta (25 deputados contra 22 dos partidos da oposição). As mais recentes para determinar o presidente do partido

na região deram uma vitória ainda mais tangencial a Alberto João Jardim (52% contra 48% de Miguel Albuquerque) nas primeiras eleições diretas disputadas com dois candidatos. A quebra da popularidade de Jardim resulta da controvérsia instalada com o buraco financeiro da Madeira. A dívida global da região ascende a cerca de cinco mil milhões de euros, o que fez com que a população madeirense tivesse aumentos superiores em certos custos como, por exemplo, os combustíveis. Mas a polémica não provém somente do lado financeiro. O líder regional tem mantido nos últimos anos um discurso crítico para com o PSD nacional, o Presidente da República e os executivos de José Sócrates e Pedro Passos Coelho. A discordância na gestão do Estado e na administração da Região Autónoma da Madeira têm sido os pontos de maior fricção entre Jardim e o Continente. Os discursos do chefe do Governo madeirense já lhe valeram duras críticas. Jardim chegou a ser acusado de xenofobia por parte de associações de solidariedade e das comunidades indianas e chinesas presentes em Portugal. O futuro aponta para 2015, ano em que Jardim deixa a cadeira do poder onde se senta desde 1978. O líder madeirense abandona o Governo Regional em janeiro, num ano de eleições legislativas em outubro. A situação foi criticada pelo PS-Madeira por haver uma mudança de governação antes das legislativas, pelo que exige a realização de eleições antecipadas. Certo é que Alberto João Jardim continua à frente do leme com um legado incomparável na política nacional.


POLÍTICA

Ano 1 - DEZEMBRO 2012

Gaspar promete país a crescer em 2014 O ministro das Finanças Pedro Ferreira encerrou o debate parlaApós a votação final da mentar do OE 2013 com a proposta – aprovada com os votos do PSD e do CDS e com vopromessa que em 2014 o país começará a crescer e o tos contra de toda a oposição e de um deputado do CDS/Madeira desemprego «recuará». – Vítor Gaspar prometeu que em

Vítor Gaspar aproveitou o discurso para lançar novo apelo ao PS // Foto: DR

Vítor Gaspar no top 10 do Financial Times Depois do chefe da missão do FMI em Portugal, Abebe Selassie, ter considerado Vítor Gaspar um governante “muito impressionante”, o ministro das Finanças foi estabelecido como o 10º melhor das 19 maiores economias europeias de acordo com o ranking anual do Financial Times. O FT utiliza três classificações específicas para elaborar a lista: ranking de credibilidade, económico e político. Apesar de nos rankings de credibilidade e económico o ministro ter ficado na 15ª e 18ª posição, respetivamente, no ranking político o português atingiu a terceira posição. O ranking é liderado pelo ministro alemão, Wolfgang Schauble, seguido por Anders Borg, da Suécia, e Jaceck Rostowskiu, da Polónia.O grego Yannis Stournanas aparece em 17º e o espanhol Luis de Guindos surge na última posição.

2014 a economia voltará a crescer (0,8% do PIB) e o desemprego «recuará», com a previsão que em 2016 seja de 14,8% (menos cerca de um ponto percentual do que actualmente). O ministro das Finanças realçou que a dívida pública irá diminuir em 2015, sendo que já em 2014 o consumo privado aumentará. Assistiu-se também a um novo apelo ao PS para participar no debate nacional que prevê redefinir as funções sociais do Estado. Gaspar defendeu uma manutenção da fidelidade ao «modelo social europeu», mas acrescentou que «há escolhas importantes a fazer» e que devem ser «alicerçadas nas incontornáveis restrições orçamentais». O princípio geral,

disse, deve ser o da valorização «da igualdade de oportunidades» e «a máxima prioridade deve ser colocada no investimento nas crianças e nos jovens», sublinhando que é preciso um «Estado de investimento social que promova o sucesso». A votação do OE 2013 ficou marcada por dois acontecimentos: o anúncio de quatro deputados do CDS-PP, que pretendem apresentar declarações de voto (José Ribeiro e Castro, Adolfo Mesquita Nunes e João Almeida – que votaram a favor da proposta – e Rui Barreto, do CDS/Madeira, que votou contra) e as explicações que o CDS deu para o facto de, embora contrariado, ter votado a favor. António José Seguro reivindicou para Portugal condições iguais às que foram dadas à Grécia: «mais tempo e menos juros». O secretário-geral do partido aproveitou ainda para insistir na pressão sobre o Presidente da República (PR) para que envie a

proposta do OE 2013 para o Tribunal Constitucional. O PCP passou ao lado do PR. António Filipe explorou as divisões PSD/CDS, «em pré debandada». Já Catarina Martins, nova co-líder (com João Semedo) do BE considerou que «este seria o momento para Cavaco Silva atuar. Porque este orçamento é incompetente e inconstitucional». Pedro Pinto (PSD) e Telmo Correia (CDS), representantes dos partidos de maioria, reagiram de forma diferente à aprovação da proposta de orçamento de Estado. O deputado do CDS fez um discurso de «ou a aprovação ou o caos» e ressalvou que em última instância o chumbo da proposta poderia expulsar Portugal da União Europeia, o que representaria «o fim do financiamento». Já o deputado do PSD, fez um discurso menos distanciado em relação à proposta governamental, dizendo que este é um orçamento «muito duro» que «evita a tragédia».

Liderança bicéfala no BE: João Semedo e Catarina Martins eleitos na VIII Convenção do partido No fim de semana de 10 e 11 de novembro decorreu a VIII Convenção Nacional do Bloco de Esquerda, onde os militantes decidiram o futuro do partido. Fábio Silva Era a última convenção do Bloco de Esquerda (BE) com Francisco Louçã na liderança. Em debate, estiveram duas listas com caminhos divergentes quanto ao rumo futuro do partido. De um lado, a moção A, que propunha uma liderança dupla com os deputados João Semedo e Catarina Martins. Do outro, a

moção B, liderada por João Madeira e defendida pelo jornalista Daniel Oliveira, era a favor do reforço da mesa nacional e que se opunha à divisão da liderança do partido em duas pessoas. No final, João Semedo e Catarina Martins foram eleitos como novos líderes do Bloco, num modelo bicéfalo. A moção A venceu com 348 votos (80,3% dos votantes), face à moção B, que arrecadou 74 votos, existindo ainda 11 abstenções. Nas eleições para a mesa nacional a lista A elegeu 61 membros e a lista B 19. Nas primeiras intervenções como líderes do Bloco, Catarina Martins e João Semedo mostraram uma atitude de rutura com o governo. «Ou vencemos a troika ou ela derrota o país. A escolha

é clara e é para ela que o Bloco convoca toda a luta, todas as convergências», afirma Catarina Martins. Acrescenta ainda que há quatro condições essenciais para formar um governo de esquerda: «Anular o Memorando com a troika e reestruturar a dívida para cortar na despesa; controlar o crédito público para criar emprego; devolver os salários e as pensões; uma reforma do sistema fiscal que garanta justiça na economia». Para João Semedo, pede a demissão do atual Governo e afirma que está disponível para um executivo de esquerda «em função do seu programa». No entanto, realça que tal não é possível enquanto o atual líder do PS tiver alguma relação com memorando da “troika”.


INTERNACIONAL

Ano 1 - DEZEMBRO 2012

Em síntese EUA reduzem presença nos Açores

Foto: DR

Mais quatro anos de Obama

As eleições de 6 de Novembro deram a vitória ao candidato democrata que foi reeleito com vitórias em quase todos os estados decisivos. Barack Obama garantiu que para os EUA o melhor ainda está para vir e insistiu na necessidade de aumentar impostos para os mais ricos. Filipa Sousa O primeiro presidente negro dos Estados Unidos, Barack Obama, conseguiu, depois das eleições de 6 de Novembro, ser o segundo democrata, para além de Bill Clinton, a conseguir a reeleição desde a 2ª Guerra Mundial. Com temas como o estado da economia, sistema de saúde, imigração, impostos, finanças públicas, aborto, a ascensão da China e a ameaça do Irão em destaque na campanha dos dois candidatos, as primeiras sondagens apontavam para um empate técnico entre Obama e o republicano Mitt Romney. Ohio, Florida, Pensilvânia, Virgínia, New Hampshire, Iowa, Colorado e Wisconsin foram os oito estados cruciais na batalha eleitoral entre os dois candidatos. As sondagens, que se viriam a confirmar, davam uma ligeira vantagem a Obama nos oito estados e faziam prever que Romney teria maior dificuldade em atingir os 270 votos votos eleitorais. No entanto, as atenções estavam centradas em Ohio. Desde 1964 que o estado do Midwest tem um historial de votar

sempre no vencedor. Apesar dos republicanos terem garantido uma presença mais agressiva no estado nos últimos quatro anos, tal como aconteceu em 2008, Obama conseguiu a vitória. Às 22h13 (4h13 da manhã em Portugal) a projeção das televisões americanas anunciava a reeleição de Obama. Ainda sem um vencedor oficial na Florida, Obama concluiu o seu discurso de vitória com 98% dos votos contados. Depois de meses perdidos em temas como o nascimento de Obama, Romney apenas ganhou na Carolina do Norte e perdeu credibilidade, não conseguindo os votos daqueles que estavam desiludidos com o primeiro mandato de Obama. «Para os Estados Unidos da América, o melhor ainda está para vir», disse Obama no seu discurso, num tom humilde e optimista. Reavivando memórias do candidato que os EUA viram em 2004, Obama voltou a apelar à união do país e centrou o seu discurso nos pontos comuns entre os americanos. O presidente prometeu trabalhar para todos num país politicamente divido e procurar soluções para su-

perar os desafios que prejudicaram o seu primeiro mandato, insistindo na necessidade de aumentar os impostos para os americanos mais ricos para conseguir uma redução do défice. Com Joe Biden a voltar a ocupar o cargo vice-presidente, para os democratas estas eleições foram mais disputadas que nos últimos quatro anos e vão conduzir a uma inevitável introspeção por parte da direita americana. Uma pesada derrota levou a um breve discurso de Mitt Romney, que felicitou Barack Obama e apelou para que os políticos pusessem as pessoas antes da política nesta fase crítica vivida pelo país. O presidente reeleito aproveitou ainda para agradecer a todos os voluntários que trabalharam na sua campanha e à esposa, Michelle. Barack Obama lembrou a importância da igualdade e patriotismo numa época de grandes dificuldades a nível mundial dizendo-se »mais inspirado e dedicado que nunca» para enfrentar os próximos quatro anos de mandato na Casa Branca.

Em declarações à Lusa, Miguel Guedes, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, disse que o governo dos Estados Unidos já informou o governo português sobre uma proposta que «prevê uma forte redução da dimensão da sua presença na base aérea portuguesa nº4 (Lajes, Açores)». A proposta deve-se a uma diminuição de 500 mil milhões de dólares na segurança e na defesa americanas. Paulo Portas admitiu a importância de «reduzir o impacto da decisão do ponto de vista económico na Ilha Terceira, no concelho da Praia e no emprego».

França e Espanha com Portugal no “sim” à Palestina na ONU

Espanha anunciou esta semana que, tal como Portugal e, mais recentemente, a França, irá votar a favor do reconhecimento do estatuto de Estado observador à Autoridade Palestiniana. Por sua vez, a Alemanha anunciou que irá votar contra. O Reino Unido deverá abster-se. O estatuto de Estado observador na ONU dará aos palestinianos um meio de acesso às agências da organização e ao Tribunal Penal Internacional, podendo começar uma guerra jurídica contra Israel.

Dengue faz 418 mortes na América Latina

A febre da dengue já fez 418 vítimas mortais na América Latina e infetou mais de 161 mil durante o ano de 2012. O Brasil é o país mais atingido pela doença com 247 vítimas mortais, uma redução de 49 por cento face a 2011 e 3,774 casos graves registados entre janeiro e outubro de 2012. A rapidez de diagnóstico e tratamento são as causas para a melhoria. A dengue, causada pelo mosquito Aedes Agypti, pode ser mortal na variante hemorrágica e tem como sintomas febres altas, dores de cabeça, erupções de pele e vómitos.


INTERNACIONAL

Ano 1 - DEZEMBRO 2012

Merkel reeleita com 98% dos votos no congresso da CDU

Foto: DR

Tufão “Bopha” faz mais de 40 mortes nas Filipinas A tempestade provocou estragos em milhares de edifícios. Várias localidades estão isoladas e mais de 50 mil pessoas encontram-se desalojadas.

O principal partido do governo alemão reelegeu pela sétima vez a líder Angela Merkel. A chanceler alemã conseguiu 98% dos votos, o melhor resultado de sempre dos 12 anos de liderança. Pedro Ferreira A chanceler alemã, Angela Merkel, foi reeleita, no dia 3 de Dezembro, líder do partido União Democrática Cristã (CDU) com 97,94% dos votos. Este é o melhor resultado eleitoral desde que está à frente do partido, há 12 anos. A reeleição teve lugar na convenção da CDU que se realizou na cidade de Hannover, durante dois dias, e representa uma melhoria em relação ao resultado obtido pela chanceler no congresso de 2010, em que tinha sido reeleita com 90,4% dos votos, e no congresso de 2000, onde conseguiu uma votação de 96%. Era público que a chanceler queria melhorar a marca obtida nas eleições anteriores.

A reeleição pode significar uma terceira candidatura ao mandato de chanceler nas eleições legislativas que decorrem dentro de dez meses, em setembro, um cargo ocupado pela líder da CDU há sete anos. No discurso de agradecimento, Angela Merkel mostrou-se surpreendida com o resultado e não deixou de alertar os delegados do partido para o trabalho que ainda têm pela frente. A dimensão da votação é um sinal de unidade do partido em torno da que é atualmente a sua maior figura, isto apesar de existir um setor mais conservador que não vê com agrado a viragem do partido para o centro, levada a cabo pela chanceler alemã. Merkel aproveitou também para

sublinhar os sucessos alcançados quando afirmou que o seu governo foi o que teve maior sucesso desde a reunificação da Alemanha. «Conduzimos a Alemanha através da crise e o país está agora mais forte do que quando entrou na crise», disse a chanceler, apontando a diminuição do desemprego e o crescimento económico – que ainda existe, apesar do abrandamento que se tem registado nos últimos meses. Ainda assim, Angela Merkel não conseguiu atingir a maior percentagem de votação de um líder da CDU: em 1990, Helmut Kohl obteve 98,5% dos votos. Entre os alemães, a chanceler goza, neste momento, de uma popularidade de quase 70%.

O tufão “Bopha” já fez mais de 40 mortos e dezenas de feridos na ilha de Mindanau, no sul das Filipinas com ventos que atingiram 200 quilómetros por hora. A tempestade provocou a evacuação de várias localidades, a interrupção do tráfego aéreo e a suspensão dos serviços de “ferryboat” no centro e sul do país. Diversas áreas estão isoladas e sem luz eléctrica com a passagem do tufão que danificou milhares de edifícios. O Ministério da Defesa divulgou que mais de 50 mil pessoas encontram-se desalojadas e a receber assistência dos centros de emergência organizados pelo Governo. Richard Gordon, responsável da Cruz Vermelha nas Filipinas, alertou para a gravidade da situação e relembrou a tempestade tropical “Washi” que atingiu o país no ano passado e causou mais de 1500 mortes. Diogo Fernandes PUB.


ECONOMIA

Ano 1 - DEZEMBRO 2012

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Espanha oficializa pedido de ajuda financeira para a banca O Ministério da Economia espanhol informou oficialmente, a 3 de dezembro, que Espanha solicitou um pedido de apoio à Europa de 36.968 milhões de euros para as entidades bancárias nacionalizadas. O país ibérico espera receber o montante até dia 12 de Dezembro. Filipa Sousa Em comunicado, o Ministério da Economia espanhol explica que o pedido de ajuda é um dos passos da recapitalização do sector financeiro: «o procedimento para a receção dos fundos para a recapitalização do setor financeiro termina hoje com a solicitação formal destas ajudas». Aos 36.968 milhões de euros somam-se ainda mais 2.500 milhões destinados à contribuição do

Fundo de Reestruturação Ordenada Bancária (FROB) para a constituição do “bad bank ” espanhol, o Sareb, sociedade que vai integrar os chamados ativos tóxicos. Deste modo, o apoio irá permitir a transferência através de cinco séries de instrumentos de dívida, que podem trocar-se por dinheiro aquando do seu vencimento, para quatro entidades: 17.960 milhões de euros no grupo BFA-Bankia, de 9.080 milhões na CatalunyaBanc, de 5.425 milhões no NCG Banco e de 4.500

milhões no Banco de Valência. A Comissão Europeia impôs ainda um conjunto de condições às entidades nacionalizadas o que irá obrigar a uma redução da dimensão destas entidades em mais de 60%, segundo Joaquin Almunia. A rede de escritórios das entidades será também reduzida para metade e as atividades do setor imobiliário abandonadas, o que irá conduzir a uma perda de 10.000 milhões de euros por parte dos accionistas e titulares. Os vários bancos comprometeram-se a vender algumas participações industriais e o produto das respetivas vendas ajudará a financiar a reestruturação e limitará a necessidade de ajuda adicional. Em Junho deste ano, os vários países europeus acordaram com o

país ibérico que seria enviado um empréstimo de 100 mil milhões de euros para Madrid para ajudar na recapitalização da banca. No entanto, o valor que na altura foi considerado mais que suficiente para satisfazer as necessidades dos bancos, foi reduzido para 40 mil milhões de euros, que se preveem suficientes. Segundo previsões recentes, a economia espanhola poderá vir a cair mais 1,4% este ano, valor que aumentará em 2013 onde se prevê que a queda vá atingir os 1,6%. O ministro da economia, Luis de Guindos, disse, no início do mês, que os sinais de recuperação começarão a aparecer «no primeiro trimestre de 2013, quando os números serão mais positivos» e realçou que quarto semestre será o pior da atual crise.


ECONOMIA

Ano 1 - DEZEMBRO 2012

Para tudo? Os estivadores estão em greve, mas Leixões não adere

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Bolsa de Valores 1 de dezembro 2012

Subidas PSI 20: 1. CIMPOR (3.260 [+1.88%]) 2. SEMAPA (5.149 [+1.26%]) 3. REN (1.998 [+0.91%]) 4. BPI (0.808 [+0.87%])

Desde Agosto que estão em greve mas a adesão não é total. Já foram responsáveis por uma queda de 6% nas exportações, mas o recuo do governo tarda em chegar. Porém, nem todos os portos aderiram à greve e Leixões tem superado as dificuldades. Tudo começou quando o governo apresentou uma proposta para a diminuição do número de horas extra estabelecidos para os estivadores, que passariam a ser um máximo de 250 horas por ano, quando, atualmente, alguns estivadores chegam a fazer 2000 horas por ano. A ideia foi mal recebida e a classe uniu-se na luta contra o novo regime jurídico do trabalho portuário, que prevê uma queda de 25 a 30 por cento do custo dos portos, num braço-de-ferro com o governo que já dura desde Agosto. A greve tem penalizado a economia, que sofreu uma diminuição de 6% nas exportações, em Setembro. Mas a adesão não é total. Os portos de Sines e Leixões têm conseguido escoar as cargas, isto apesar das sucessivas paralisações dos portos de Lisboa, Aveiro, Setúbal e Figueira da Foz, que obrigam a reencaminhar grande parte dos navios para o Norte. O porto de Leixões transformou-se num local de trabalho permanente para todos os funcionários, e está agora perto de bater o recorde de mais de 600.000 TEUS movimentados, o que em Outubro, representou um aumento de 22% face ao mesmo período de 2011.

Paulo Ferreira, agente de navegação operacional, afirma que «antigamente os camiões tinham uma média de tempo de espera de 8 a 10 minutos e neste momento já vão em cerca de 40 minutos». A greve está a provocar o congestionamento do porto de Leixões, filas intermináveis de camiões à espera para entrar e um receio crescente das empresas, que não recebem o material a tempo e horas. “Se isto continuar assim, vai ser muito complicado continuarmos a trabalhar”. O planeamento das mercadorias permitiu agendar uma lista de navios para trabalhar nos dias seguintes e permite uma maior distribuição das cargas, “o que faz com que seja mais fácil ao terminal, gerir a entrada das cargas, a arrumação dentro do porto e facilita a movimentação das mercadorias desde o local de receção até ao navio”, diz o responsável da navegação operacional. Já os estivadores estão a trabalhar em pleno e por turnos, no porto de Leixões. O ministro da economia, Álvaro Santos Pereira, já referiu que esta greve custa 400 milhões de euros por dia, o que significa que o prejuízo já pode ascender os 1.200 milhões de euros. No entanto, as paralisações parecem não ter fim e os estivadores recusam-se a baixar os braços, com novos protestos já em Dezembro.

UE falha acordo orçamental

“Black Friday” bate recordes

Pedro Ferreira

A última cimeira europeia resultou em mais um atraso no consenso quanto ao acordo orçamental comunitário de 2014-2020, tendo os interesses nacionais dos diferentes Estados-membros se sobreposto ao acordo europeu. No entanto, Pedro Passos Coelho acredita que esta nova proposta de orçamento é uma boa «base» para um acordo melhor para Portugal. Já Paulo Portas, considera ser importante que «da próxima vez haja acordo e que seja bem negociado para Portugal e para a Europa», no sentido serem encontradas soluções para o emprego e o desenvolvimento económico.

A consultora Comscore avança que os consumidores norte-americanos gastaram um valor recorde em compras ‘online’ de 1,042 milhões de dólares (804,3 milhões de euros) na “Black Friday”, dia seguinte ao dia de Ação de Graças. Este resultado representa um crescimento de 21% face ao ano anterior, a partir de dados divulgados pela consultora IMB. No sentido inverso, o comércio tradicional nas lojas terá recuado 1,8 %, valor avançado pelo ShopperTrak. A “Black Friday” marca o arranque da temporada de compras de Natal, época de forte impacto na economia norte-americana.

5. EDP (1.946 [+0.83%])

Descidas PSI 20: 1. ALTRI SGPS (1.455 [-2.74%]) 2. BES (0.767 [-2.04%]) 3. BRISA (1.940 [-1.52%]) 4. PT (3.572 [-1.33%]) 5. BANIF (0.128 [-0.78%])

Opinião

Diogo Fernandes Troika, para que te quero?

D

esde abril do ano passado que Portugal tem a companhia, mais formal do que amiga, da troika. Mas a verdade é que o caminho continua sem rumo e o país não vê retoma no futuro próximo. Os cortes nos salários e o aumento do IVA não estão a equilibrar as contas do Estado pois as receitas são inferiores ao esperado e a despesa social está acima do suportável. Os bancos portugueses ainda não têm poder para voltar aos mercados internacionais e já há muito que se fala num segundo resgate que terá de ser pedido mais tarde ou mais cedo. Enquanto tudo isto se passa, ouve-se o mesmo discurso da troika nos balanços das avaliações trimestrais “Portugal está no bom caminho mas ainda há muito que fazer”. A classe média, o coração do Estado, não pode aguentar mais austeridade e quando se diz que 2013 não será ano de recuperação como tinha sido prometido, só gera mais pessimismo e regressão na economia. Chegou o momento de haver respostas claras e sinceras do executivo de Pedro Passos Coelho, de Bruxelas e da troika para o povo português. O dom da palavra não está a ser usado da melhor forma e é necessário rigor de quem governa Portugal e a Europa. É o mínimo que podem fazer depois de todos os sacrifícios feitos.


DESPORTO

Ano 1 - DEZEMBRO 2012

Entrevista Com 43 anos, Domingos Paciência descobriu a paixão pelo futebol muito cedo e durante vários anos foi titular no FC Porto, onde venceu uma Bola de Prata, tornando-se um ídolo para vários adeptos. Atualmente, conta com o vasto currículo no mundo do futebol e, depois de passar pelo Braga e Sporting como treinador, aguarda pela oportunidade e momento certo para dar o passo futuro. Filipa Sousa Começou o percurso como futebolista na Académica de Leça. A paixão pelo futebol existe desde criança? Sim, desde que me lembro tinha eu 7/8 anos e gostava de jogar futebol no meu bairro e junto de outras crianças. Aí, começou a aparecer o gosto e mais tarde acabei por participar em torneios pela Académica de Leça, um clube ali da zona, onde comecei a mostrar. Gostei e comecei a sonhar um dia ser jogador de futebol. Com 13 anos foi para o FC Porto. Foi o realizar de um sonho? Sim, nunca pensei que um dia isso pudesse acontecer… ter a oportunidade de ir para um clube grande. Tinha 13 anos e ao chegar pela primeira vez a um clube daqueles foi tudo novidade. É evidente que, depois de lá estar, é uma oportunidade que se abriu e queria aproveitar e agarrar. Felizmente, correu pela positiva. Quais eram os seus ídolos naquela altura? O Frasco, o Nenê… havia jogadores da altura que me marcaram. O próprio Carlos Manuel, o Chalana… jogadores que gostava de ver na televisão e depois mais tarde viria a ter contato. Para um jogador, conseguir jogar com os seus ídolos é um momento de grande realização profissional? É. Acho que é estar a acontecer aquilo que um dia sonhamos. Estar junto dessas pessoas famosas, desses jogadores famosos, era um sinal muito positivo para aquilo que eu pretendia ser como jogador de futebol. Em 90/91 teve uma grande disputa com Rui Águas pela Bola de Prata que viria a ganhar em 95/96. O que teria significado ter ganho ambas? Na altura criou muitas dúvidas porque houve ali um golo que deixou muitas dúvidas e, até à última jornada, atribuíram esse golo que depois retiraram. De qualquer forma, foi bom ter lutado até ao final. É evidente que ter duas não é a mesma coisa que ter uma Bola de Prata ou troféu de melhor marcador mas acho que foi a forma de

me motivar a pensar que era possível voltar a ganhar ou voltar a estar próximo de ganhar. Na sua carreira no FC Porto, teve algum momento que o marcou mais? Tive muitos. Felizmente, em 10 anos ganhei 7 títulos e passei muitos anos a festejar. É evidente que as lesões na carreira de um jogador deixam sempre marcas. e eu tive algumas, mas tive muitos momentos de grande felicidade dentro daquele clube. Nenhum que tenha deixado um sentimento mais especial? O ano em que ganhamos e que coincidiu com a morte de um colega nosso, o Rui Filipe, acho que nos marcou porque foi um momento trágico e negativo nas nossas carreiras e na nossa vida. Sabíamos o quanto gostávamos dele e acabou por ter um significado especial porque queríamos ganhar por ele e isso, felizmente, aconteceu. Em 96/97 a equipa do FC Porto tinha jogadores como Drulovic e chegou o Jardel. A concorrência dentro da equipa é um factor motivacional? Acho que um jogador que tenha que lutar por um lugar e que tem um jogador com quem possa competir, obriga-o a estar concentrado e a trabalhar mais. Quando isso não acontece, não havendo competição, é natural que, às vezes, o jogador se desleixe porque, em termos de trabalho semanal, se calhar, leva a pensar que o lugar está garantido e a forma de abordar os treinos é diferente. Antes de voltar ao FC Porto passou pelo Club Deportivo Tenerife. A experiência foi positiva? Foi muito, porque a experiência acabou por me ajudar em termos de um campeonato diferente. Era outra cultura, outras gentes e acho que me ajudou muito. Enquanto jogador foi convocado à seleção nacional e representou Portugal no Euro 96. Qual a importância de vestir as cores nacionais? Representar Portugal é um sinal de grande

orgulho porque estar entre os melhores é um reconhecimento. Vestir as cores do país acaba por ser um orgulho, marca a carreira de um jogador. Estar presente num Campeonato da Europa ou num Campeonato do Mundo, para nós, é o patamar mais alto de um jogador de futebol. A mim ajudou-me muito e, acima de tudo, valorizou-me muito. Terminou a carreira na época 2000/2001 no FC Porto. É muito difícil para um jogador saber qual a altura para pendurar as chuteiras? É. Custa muito porque, no fundo, vemos que está a acabar aquilo que tanto gostamos de fazer e o sonho que tanto procuramos realizar. De um momento para o outro, parece que tudo vai desaparecendo mas também são outros momentos. Já estamos com um desgaste muito grande e analisamos bem o que será melhor para nós por uma questão de rendimento e por uma questão de imagem que também queremos deixar no futebol. Analisámos o momento que atravessamos em termos de saúde porque o aspecto físico é muito importante no futebol e a determinada altura sentimos que deixamos de ter determinadas qualidades e capacidades e temos a consciência de que estamos a perder terreno e a perder rendimento jogo a jogo e temos que ponderar bem essa decisão. Eu fiz isso aos 32 anos e foi aquilo que eu projetei: que aos 32 anos deixaria de jogar futebol e foi isso, juntamente com as lesões, que me levou a tomar essa decisão. Como disse, não é uma decisão fácil. Procurou apoio na família e amigos e já sabia o que iria fazer no futuro? Não tinha nada definido. É evidente que quem está à nossa volta vai sentindo a forma como está a decorrer a nossa posição e aquilo que estava a acontecer comigo e é natural que se procure apoio das pessoas que estão mais próximas. A decisão, acima de tudo, foi tomada por mim. Eu sempre gostei de ser eu a decidir por mim, portanto tomei a decisão de deixar a carreira como jogador. De qualquer forma, acho que é um momento sempre difícil de decidir, até porque não temos perspectiva daquilo que é o futuro em termos de continuidade, ligado ao futebol ou a outra profissão. Eu, felizmente, acabei por optar ser adjunto da equipa B do Porto e isso ajudou-me muito naquilo que seria o meu percurso como treinador até hoje, mas nunca numa perspetiva em que pudesse dar continuidade ou pudesse um dia mais tarde ser um treinador de Primeira Liga. Todos ambicionamos isso mas, enquanto treinador, adjunto ainda não tinha bem decidido o que queria ser.


Ano 1 - DEZEMBRO 2012

DESPORTO

Foto: Fテ。bio Silva // DR // DR

DOMINGOS O 1ツェ IMPRESSテグ conversou com o antigo jogador do Porto e treinador do Sporting de Braga e Sporting Clube de Portugal, numa entrevista exclusiva


DESPORTO Os treinadores são muito importantes pela influência que exercem nos jogadores. Qual o treinador que mais o marcou? Tive muitos treinadores que me marcaram, de uma forma positiva e negativa. De uma forma negativa, por aquilo que achava que não era justo, que não era correto e, pela positiva, muitos deles, pela forma de abordar o treino, de passar o futebol. Lembro-me de um treinador com um estilo diferente, britânico, o Bobby Robson. Marcou-nos de certa forma, na medida em que trabalhar por gosto e com prazer era aquilo que ele queria e conseguia de nós. E esses treinadores, nomeadamente o Bobby Robson, influenciaram-no como treinador? Todos eles tiveram uma influência muito grande e que não seria justo mencionar outros nomes que tiveram muita influência na minha carreira com jogador e, mais tarde, como treinador. Estou a falar do Fernando Santos, Artur Jorge, Ivic, Bobby Robson, António Oliveira, Victor Fernández, Juan Manuel Lillo… muitos treinadores tiveram influência porque acabamos sempre por aprender algo. Muito daquilo que hoje sou como treinador deve-se ao facto de ter sido jogador mas também se deve ao fato de ter aprendido muito com os treinadores com quem tive oportunidade de trabalhar. E um treinador com uma carreira futebolística tem mais probabilidade de ter sucesso do que um treinador só com formação? Sim. Eu acho que em determinados momentos, perante diversas situações que nos aparecem para a gestão e liderança de um grupo, é muito importante ser conhecedor. A teoria nas faculdades ajuda em determinados aspetos no futebol. Agora, em determinadas situações que possam aparecer na liderança de um grupo e balneário é natural que a experiência como jogador tenha muito impacto e influência nas decisões a tomar e tenho uma bagagem que me permite actuar e ter algum resultado positivo naquilo que faço. É muito difícil a transição de jogador para treinador? É. Uma preocupação individual como jogador é a análise constante aquilo que fazemos, ao que está a ser o nosso rendimento em termos de jogo e ao que o treinador pensa. Como treinador, tudo muda. O treinador tem que se preocupar com os jogadores disponíveis no plantel, tem que se preocupar com uma estrutura focada no objetivo final que é ganhar. Isso passa pela análise e contato direto com os vários departamentos, no dia-a-dia: o departamento administrativo, que é a gestão e organização de jogos ou o departamento médico, em permanente contato com cada atleta e são funções com que um treinador tem que estar constantemente preocupado.

Ano 1 - DEZEMBRO 2012

Logo aí é tudo diferente e a responsabilidade é muito maior. Para além das camadas jovens do FC Porto passou pelo União de Leiria e Académica de Coimbra. Da Académica para o Braga foi uma sensação de ver o trabalho reconhecido? Sim, sempre que sentimos que vamos para melhor e vamos para um patamar onde as condições e a qualidade são maiores, é natural que se sinta orgulho nisso. Sentimos que a nossa carreira está a andar para a frente mas também que a responsabilidade é maior. Os objetivos passam a ser outros e eu senti isso no Leiria, na Académica e mais tarde no Braga e no Sporting. Sempre com outro tipo de objetivos, mais

ambiciosos, mas valorizando aquilo que foi o meu princípio como treinador no Leiria e na Académica. Foram clubes que me ajudaram a crescer como treinador e não deixei de atingir os objetivos a que nos propusemos mas chega uma altura em que temos que sentir que a nossa carreira tem que andar para a frente e temos que projectar outro tipo de ambições e, se possível, com títulos mais ambiciosos e foi isso que aconteceu na minha carreira. No Braga atingiu vários feitos, como o primeiro apuramento do SCB para a Liga dos Campeões. Isso foi muito importante para si? Isso acaba por projetar um treinador, jogadores, uma estrutura, um presidente, uma equi-

BI. 1ª Impressão Nome: Domingos José Paciência de Oliveira Data de nascimento: 2 de janeiro de 1969 Local de nascimento: Leça da Palmeira Clubes profissionais: FC Porto (1987/97); Tenerife (1997/99); FC Porto (1999/01) Jogos com a seleção nacional: 35 Clubes treinados: FC Porto B - assistente (2001/04); FC Porto B (2004/05); União de Leiria (2006/07); Académica (2007/09); Braga (2009/11); Sporting (2011/12)


DESPORTO

Ano 1 - DEZEMBRO 2012 Foto: Fábio Silva

pa e foi isso que aconteceu porque a nível internacional uma equipa como o Braga ver-se envolvido numa Liga dos Campeões, é natural que chame à atenção de todo o panorama internacional e das pessoas em geral. O Braga acabou por sair beneficiado, e ainda bem que assim é, porque o merece pela qualidade da estrutura, pessoas e pela cidade. Acabou por ajudar muito a valorizar-me e a valorizar toda uma estrutura e os jogadores. Chegou à final da Liga Europa onde acabou por perder com o FC Porto. Foi uma sensação agridoce? Sim. Por um lado foi um jogo muito especial para mim porque foi um clube que representei

Passou largos anos da sua carreira no FC Porto. Esta foto refere-se aos tempos na equipa júnior. Integrou a equipa principal em 1987. No SC Braga, conduziu a equipa à final da Liga Europa em 2010/2011.

durante muitos anos mas era uma prova contra aquilo que falam ou que possam dizer contra a minha pessoa em relação aos anos em que estive ligado ao FC Porto. Colocaram em causa a minha carreira de treinador quando diziam que estava muito ligado ao Porto. Teria de ser um jogo que provasse o quão profissional eu sou, independentemente de quem esteja do outro lado e quem esteja a representar. Naquele momento, estava a representar o Braga e queria que o clube ganhasse por todos os motivos. Infelizmente não conseguimos, tivemos muito próximos mas, de qualquer forma, foi uma época extraordinária e foi bom ter chegado a uma final da Liga Europa.

O sucesso no Braga chamou a atenção de um dos “grandes” do futebol português. Meses depois da final de Dublin, onde perdeu com o FC Porto, Domingos assinaria contrato com o Sporting CP, onde foi demitido por falta de resultados.

Depois do percurso no Braga e com a transferência para o Sporting sentiu que as expetativas aumentaram? Sim, é natural. O Sporting é um clube maior que o Braga pela sua dimensão de adeptos. Eu acho que a grandeza de um clube se vê pelo número de sócios e simpatizantes que tem e tomara que o Braga venha a ter esse número de simpatizantes. Os objetivos eram grandes e senti que os podia alcançar mas o futebol é difícil prever porque toda a gente tem parte da linha da meta com determinado objetivo e determinada ambição mas, a meio ou no princípio, tudo pode ficar para trás. Os clubes são muito assim e o treinador tem que trabalhar a pensar no projeto que tem, onde pode chegar e tem que estar identificado com aquilo que cada clube pretende. Se hoje pudesse escolher um clube ou campeonato para treinar qual seria? Espanha e Inglaterra. Acho que são os campeonatos onde qualquer treinador gostaria de estar presente pela dimensão e impato que têm a nível internacional e, neste momento, são os campeonatos com mais visibilidade. Tenta transmitir aos seus filhos a paixão pelo futebol e pelo desporto? Eles gostam de desporto e sabem perfeitamente que o desporto é importante. Dois deles jogam futebol e não quer dizer que venham a ser jogadores de futebol, mas gostam daquilo que fazem neste momento e um está mais ligado ao bodyboard mas também está na Faculdade de Desporto. Procuro criar homens e fazer com que no futuro sejam homens porque isso é importante. Em relação ao desporto, já têm a responsabilidade de serem filhos de quem são e, normalmente, a primeira pergunta que fazem a um filho de uma pessoa que foi boa em determinada área do desporto é “Vais ser como o teu pai?”, por isso eles já têm essa responsabilidade e essa carga em cima deles. De qualquer forma eu sei aquilo que sofri, que vivi, que o futebol me deu e, por um lado, gostava que eles pudessem sentir isso mas, por outro, se conseguirem ser bons e pessoas capazes naquilo que escolherem fico satisfeito. O que espera que o futuro lhe traga? Procuro sempre que seja melhor que ontem. É evidente que estou à espera que decidam por mim, porque eu acho que temos que esperar que as coisas aconteçam naturalmente na nossa vida e acho que aquilo que aparecer no futuro vai ser bom. Já não treino há algum tempo mas estou convencido que, mais dia menos dia, vai aparecer aquilo que é o ideal para mim e, portanto, sem grande stress, sem grande ansiedade porque foi assim a minha carreira… No momento certo acho que vai aparecer e é assim que penso e que acho que se deve pensar. Filipa Sousa


DESPORTO

Ano 1 - DEZEMBRO 2012

Recuar para evoluir A transferência de jogadores de clubes grandes para clubes pequenos influencia e altera várias carreiras. O talento e dedicação são testados e os atletas precisam de se ajustar às mudanças para que possam continuar a crescer na modalidade. Foto: Filipa Sousa

Filipa Sousa São vários os casos de jogadores que são transferidos de clubes grandes para clubes mais pequenos. Após anos a representar um clube, são obrigados a adaptar-se a métodos e realidades diferentes para conseguirem evoluir e vingar no desporto. O ADA Maia ISMAI é um dos clubes de andebol da Associação de Andebol do Porto que recebe vários jogadores vindos de clubes maiores e de pontos distintos do país prontos para integrar as equipas juniores e seniores e continuar as suas carreiras. Mário Santos, treinador do ISMAI, explica que nos últimos dois anos o clube tem recebido vários jogadores de outros clubes, como o FC Porto, para trabalhar e dar continuidade à sua formação. “A nossa perspetiva é uma perspetiva de desenvolvimento nacional e global do andebol”, realça o treinador, que acredita ser fundamental colaborar no desenvolvimento desses atletas para que no futuro possam ser atletas de alta competição. António Ventura e Carlos Santos são dois dos jogadores vindos

do FC Porto para o ISMAI. Após quatro e dois anos, respetivamente, a jogar no clube portista, ambos consideram que a transição para a equipa sénior num clube como o FC Porto influencia a transferência e empréstimo de jogadores a outros clubes. «Isto acontece com vários jogadores porque tens 20 anos, vais jogar para uma equipa sénior e existem jogadores com 30 anos, com mais experiência e mais desenvolvidos a nível técnico e físico», refere António. Para Carlos, a vinda para o ISMAI foi uma decisão benéfica mas não fácil e que lhe permite «ganhar experiência para no futuro conseguir integrar a equipa sénior do FC Porto», um dos seus objetivos futuros. Na verdade, o balanço feito por estes jogadores é, até ao momento, bastante positivo. António realça «o respeito entre todos, a forma como lidam com as adversidades, a organização do próprio ISMAI, o grupo de trabalho e a compreensão perante os jogadores que são na maioria estudantes universitários». Carlos acredita que jogar no principal campeonato de andebol em Portugal ajuda a sua evolução. A mudança de clube acarreta

também diferenças a nível de treinos e métodos. As exigências que para Carlos “são diferentes e não podem ser comparadas” levam a que os jogadores atravessem períodos de adaptação que muitas vezes não são fáceis. Para além disso, António e Carlos têm idade de juniores mas competem também no escalão sénior, o que lhes permite trabalhar com atletas mais experientes. Mário Santos diz que é necessário olhar para o escalão júnior como o «escalão do futuro» mas sublinha a importância de “testar” jogadores que chegam numa fase final da sua formação no escalão sénior, como António e Carlos. «No escalão júnior e sénior existe um vaivém sistemático a nível de treinos e competição», esclarece o treinador. Após já vários meses no clube maiato, os dois jogadores têm opiniões ligeiramente distintas sobre as escolhas feitas. Para Carlos é difícil dizer se voltaria a fazer as mesmas escolhas, porque «tudo tem o seu momento e os seus altos e baixos». Por outro lado, António, que, por opção, se desvinculou por completo do FC Porto, sente-se bastante feliz

e acredita ter sido a melhor escolha. «Embora no início não tivesse a certeza que poderia ser o melhor para mim, à medida que o tempo passou comecei a perceber isso e hoje sinto que foi a melhor escolha que poderia ter feito», justifica. No futuro, tanto o treinador como ambos os jogadores referem que a subida à primeira divisão da equipa sénior é um dos principais objetivos. No entanto, Mário Santos sublinha ainda o fato de oito jogadores do escalão júnior, atualmente na primeira divisão, estarem a ser observados pelos seleccionadores nacionais, sendo importante ajudar os atletas a evoluir e crescer para serem convocados e no futuro conseguirem representar a seleção A. Individualmente, os objectivos dos jogadores são diferentes. António, já convocado para a seleção nacional enquanto jogador do FC Porto, pretende «ajudar o ISMAI enquanto for possível». Carlos, convocado em Outubro pela primeira vez, continuará a trabalhar para conseguir um dia «regressar ao FC Porto ou outra equipa equivalente». Veja mais em: primeira-impressao.weebly.com PUB.


DESPORTO

Ano 1 - DEZEMBRO 2012

Ainda não foi desta que Portugal aprendeu a lição

Quando o sonho português começava a ganhar forma, mais uma vez, a seleção nacional de futsal foi derrotada pela Itália, nos quartos-de-final do Mundial 2012, na Tailândia. Pedro Ferreira Portugal voltou a ouvir o fado do costume contra uma Itália que é cada vez mais uma “besta negra”. Este jogo não fugiu à regra, mesmo quando parecia que Portugal, por intermédio de um Ricardinho inspirado, preparava-se para surpreender a equipa italiana, logo no primeiro minuto, com um golo do jogador português. Seguiram-se mais dois, um deles de bicicleta e outro após uma grande assistência de Cardinal. Portugal foi para o intervalo a ganhar por 3-0 mas a Itália entrou na segunda parte a reduzir a diferença e no último minuto do tempo regulamentar conseguiu empatar a partida. O jogo seguiu para prolongamento e os italianos marcaram logo no primeiro minuto. Ficava estabelecido o resultado final (3-4), que eliminava Portugal do Mundial da Tailândia.

Com este resultado, Portugal passa agora a ter 8 derrotas e 7 empates em 15 jogos disputados com a Itália. A seleção portuguesa voltou a vacilar em momentos-chave da partida, tal como tinha acontecido no jogo com o Japão, ainda na fase de grupos, em que Portugal esteve a vencer por 4-0 e deixou-se empatar por 5-5. Fica a ideia que Portugal não aprendeu com a lição. «Já cansa sairmos assim dos grandes eventos», afirmou Ricardinho depois da derrota frente à Itália. O jogador foi incansável ao longo da competição e chegou a estar nomeado para os 5 atletas que concorrem à Bola de Ouro, que distingue o melhor jogador do Campeonato do Mundo de futsal. Esperam-se agora novas oportunidades para tentar conquistar um título importante, já com os olhos postos na Sérvia, que organiza o Europeu de 2016.

Opinião

Filipa Sousa Manchetes no feminino

S

ão vários os atletas e equipas de diversas modalidades do sexo masculino que preenchem as páginas dos jornais desportivos enquanto o desporto feminino é completamente ignorado. Apesar dos momentos de exceção (pena serem reduzidos), atletas como Telma Monteiro, Naíde Gomes, Jéssica Augusto e Dulce Félix são dos poucos nomes referidos e aos quais é dado algum espaço. Todas elas, praticantes de desportos individuais, precisam de um apuramento, medalha ou participação numa prova de bastante relevo a nível nacional ou internacional para serem notícia. Então, que espaço é dado ao desporto colectivo feminino? As equipas femininas de diverso desportos. e as suas atletas, são noticiadas em casos completamente excecionais e esporádicos e, enquanto um jogador de futebol precisa apenas de um pequeno acidente para ter direito a meia página de um jornal a relatar algo que em nada tem a ver com desporto. As atletas precisam de conseguir alcançar feitos realmente notórios para conseguirem uma pequena breve. Está mais que na altura de olhar para o desporto feminino de outra forma e não limitar o espaço da mulher nos jornais desportivos a fotogalerias machistas e decadentes.

Amélia Pereira, um sucesso Diogo Fernandes Está nos Estados Unidos há três anos mas em terras do Tio Sam Amélia Pereira, jogadora de futebol nos Estado Unidos, conquistou o prémio de melhor atleta e de melhor avançado da Conferência Este. A atleta, natural da Madeira,destaca a importância do futebol feminino no país e não pensa voltar a Portugal. Foto: DR

já atraiu muitas atenções com os feitos que tem vindo a alcançar. Amélia Pereira, aos 22 anos, ganhou duas distinções ao serviço do Hartford Hawks, clube que representa desde 2010. Amélia venceu o prémio de melhor atleta da Conferência Este pelo segundo ano consecutivo e o de melhor avançado da competição. A atleta portuguesa realça a eleição de melhor avançado pois este é feito «por eleição de todos os treinadores da Conferência, o que torna ainda mais importante». O prémio era um dos objetivos que a jogadora procurava a nível individual. Agora, o desejo é «estar na equipa All-American no fim da época onde estão as melhores jogadoras dos Estados Unidos». O interesse coletivo é ganhar a conferência e participar no NCAA (Associação Atlética Universitária Nacional) onde, segundo Amélia, «as melhores equipas do país são apuradas e jogam em eliminatórias até à final». Após ter atuado em Portugal ao serviço da Escola da Apel, na Madeira, e do Odivelas, a camisola 20 dos Hawks faz uma clara distinção entre os dois países na aposta no futebol feminino. «Nos EUA tenho 7 treinos por semana, incluindo ginasio e os jogos

durante a época são à quinta e ao domingo enquanto em Portugal, as equipas treinam 2 ou 3 vezes e jogam ao domingo». Amélia considera o nível de jogo em Portugal mais técnico mas «não tem comparação, jogar nos Estados Unidos é o sonho de qualquer jogadora de futebol». Mas não é só o futebol que mantém Amélia ocupada. A madeirense estuda Gestão na Universidade de Hartford mas a conciliação entre a vida de estudante e a vida de atleta é gerida da melhor forma. Os professores «estão a par da situação e são compreensivos no caso de eu ter de faltar as aulas para viajar com a equipa quando jogamos fora». O horário é feito em base do calendário desportivo e a fusão institucional entre o futebol e a universidade é, para a futebolista, algo que «deveria existir em todos os países» pois dá a oportunidade aos atletas para seguirem os estudos. Com algumas opções em vista no futuro como fazer mestrado, entrar no mercado de trabalho ou jogar futebol de forma profissional, Amélia Pereira garante que «os planos passam por ficar nos Estados Unidos». Visitar a família em férias é a única razão para voltar Portugal. De outro modo, diz a jogadora, é «impensável».


CULTURA

Ano 1 - DEZEMBRO 2012

“Sud-express” viaja na Casa da Música

Espetáculos

A Casa da Música acolheu, no passado dia 6 de dezembro, o musical “Sud-express”. A obra é da autoria da Academia Contemporânea do Espétaculo (ACE), onde professores e alunos da escola estiveram envolvidos em toda a produção e preparação para o dia de apresentação ao público. Tal como o comboio centenário que liga Lisboa a Paris, “Sud-express” procura ligar duas culturas, a portuguesa e a francesa, sob a alçada de Bertolt Brecht e do teatro épico. Assim como na representação brechtiana, a peça caracteriza-se por um anti sentimentalismo, onde vão sendo colocados os problemas em cena. O encenador, João Paulo Costa, clarifica que a obra dá uma leitura política sobre o olhar entre ambos os países ou, como refere, uma «leitura sobre aquilo que aproxima e separa ambas as culturas».

Foto: Diogo Fernandes

A 6 de dezembro, a Casa da Música recebeu um musical da autoria da Academia Contemporânea do Espetáculo. Semanas antes, o 1ª Impressão assistiu à primeira aula de preparação para o espetáculo que explora as ligações entre as culturas portuguesa e francesa. Fábio Silva

Agenda

O projeto corresponde ao primeiro momento de formação em contexto de trabalho dos alunos do 3º ano da ACE. Para João Paulo Costa, representar na Casa da Música é «um estímulo» que traz uma maior responsabilidade por o espetáculo ser «fora de portas e numa casa de prestígio», o que obriga a uma maior assertividade. Para conseguir o melhor espetáculo possível, são precisas semanas de trabalho. O 1ª Impressão assistiu à primeira aula/reunião de prepraração para a peça. Os alunos entraram na sala, onde já estavam os professores das três áreas leccionadas na ACE: interpretação, cenografia e luz, som e efeitos cénicos. Os estudantes, descalços, sentaram-se em redor de uma cadeira vazia no centro da sala. Aí, e de uma forma descontraída, escutaram a palestra de João Paulo Costa sobre o teatro épico de Brecht. «Não trabalhamos com

uma ideia vertical, mas com um clima de cumplicidade total», explicou o encenador ao 1ª Imp. Aqui, a palavra professor parece não existir. Os alunos ouviram-no como um companheiro que lhes passa a sabedoria da sua experiência teatral. Não tiveram receio em colocar dúvidas ou participar. À vez, a cadeira no centro do círculo foi sendo ocupada por alunos que se ofereceram para participar numa leitura relacionada com a palestra. Por sua vez, João Paulo não deu corpo a qualquer hierarquia professor-aluno. Interpretava as suas explicações, não tendo receio nas palavras que usava. Em suma, incorporou o assunto a abordar e transmitiu-o da forma mais exemplificativa possível: atuando. Toda esta cumplicidade cria mais respeito. Para o encenador de “Sud-express”, «quanto mais informal se torna a relação, maior é o respeito que se estabelece».

Louvre em Abu Dhabi

Pink Floyd Show em Portugal

O novo pólo do Museu do Louvre vai começar ser construído no início de 2013. O projeto de Jean Nouvel é o primeiro museu universal do mundo árabe e é descrito pelo arquitecto como «uma ilha dentro de uma ilha». O Guggenheim, a Universidade de Nova Iorque e o museu parisiense são as âncoras do projeto, com um investimento estimado de 27 milhões de dólares. Depois de vários atrasos e de uma revisão por parte do governo face aos custos envolvidos , a ilha de Saadiyat será um montra cultural e económica de Abu Dhabi com residências de luxo, centros empresariais, empreendimentos turísticos e um museu nacional em honra de Zayed bin Sultan al-Nahyan.

O espetáculo que encantou mais de 25 milhões de espetadores por toda a Europa, chega este mês a Portugal. Criado pelo diretor musical dos “Brit FLoyd | The World’s Greatest Pink Floyd Show”, Damian Darlington, para comemorar o lançamento do “best of” homónimo da lendária banda britânica, “A Foot In The Door”, chega aos palcos do Campo Pequeno, em Lisboa, e do Pavilhão Rosa Mota, no Porto, para encantar os amantes de Pink Floyd. A performance inclui as melhores músicas, selecionadas pela banda, entre as quais: Money, Echoes e Eclipse. Os espetáculos estão marcados para o dia 13 e 14 de dezembro, primeiro em Lisboa e depois no Porto. O preço do bilhete varia entre os 22€ e os 35€.

Billy Talent 18 janeiro 2013 Hard Club 21h00 Ana Moura 26 janeiro 2013 Coliseu do Porto 21h30 “As Mulheres Não Percebem”, com Rui Unas, Aldo Lima e André Nunes 1, 2 e 3 fevereiro 2013 Teatro Sá da Bandeira 1 e 2 fev. - 21h30 3 fev. - 16h00

Exposições “Uma Vida em Fotografias” Fotografias de Linda McCartney Até 15 janeiro 2013 Mar Shopping “Dennis Hopper, o Mito Sobrevive” Fotografias de Dennis Hopper Até 25 janeiro 2013 NorteShopping “Rostos do Humano Timor” Fotografias de Pedro Sottomayor Até 23 fevereiro 2013 GaiaShopping

Estreias “O Hobbit: Uma Viagem Inesperada” Peter Jackson 13 de dezembro “Hotel Transylvania” Genndy Tartakovsky 26 de dezembro Monsters University Dan Scanlon 10 de janeiro


CULTURA

Ano 1 - DEZEMBRO 2012

Box-office 1. “Twilight: Amanhecer Parte 2”

Crítica Cinema Ted (Seth McFarlane) Quando era criança, John Bennett desejou que o seu ursinho de peluche, Ted, ganhasse vida. O pedido foi atendido e eles tornaram-se grandes amigos. O tempo passa e John e Ted crescem juntos. No entanto, agora adulto, John (Mark Wahlberg) precisará de se decidir entre manter a amizade de infância com Ted ou o namoro com Lori Collins (Mila Kunis).

2. “007 - Skyfall” Sam Mendes 3. “Força Ralph” Rich Moore 4. “Argo” Ben Afleck 5. “Aristides de Sousa Mendes” Luau Santana

Top Música 1. “Ao Vivo” Paula Fernandes

2. “As Canções da Maria” Maria de Vasconcelos 3. “En Acustico” Pablo Alboran 4. “The 2nd Law Box” Muse 5. “Quando chega a noite” Luau Santana

Fábio Silva “Family Guy”, a série de animação norte-americana que faz as delícias de muitos, encontrou o seu parente no cinema live-action com um pequeno urso chamado Ted. Realizado por Seth MacFarlane, que também dá voz ao protagonista, o filme conta a história de John Bennett, um rapaz solitário que, durante o Natal, recebe um ursinho de peluche ao qual dá o nome de Ted. Na mesma noite, John deseja que o seu urso ganhe vida para poderem ser amigos. O pedido é acedido e Ted passa a conseguir falar, caminhar e sentir emoções como um ser humano. O tempo passa e ambos crescem.

John entra num relacionamento de longa data com Lori Collins. No entanto, a amizade com o irresponsável Ted trará problemas a John, que terá de abraçar as responsabilidades da vida adulta. Pelo sucesso de “Family Guy”, “Ted” recebeu uma especial atenção por ser a estreia de MacFarlane no como realizador de longas-metragens. Infelizmente, Ted não oferece nada mais que uma história reciclada vezes e vezes sem conta. O filme não surpreende a nenhum nível e deita por terra qualquer esperança num argumento fresco e irreverente. Em vez disso, o espetador facilmente descobre o desfecho nos primeiros quinze minutos e encontra

Música

Livros

Music From Another Dimension!

A Rapariga Que Sonhava Com Uma Lata de Gasolina e Um Fósforo

Aerosmith

Top Livros 1.“As cinquenta sombras livre” E.L. James 2. “As Cinquenta Sombras de Grey” E.L. James 3. “A Mão do Diabo” José Rodrigues dos Santos 4. “As Cinquenta Sombras Mais Negras” E. L. James 5. “Dentro do Segredo” José Luís Peixoto

um leque de piadas que não passam de situações semelhantes a “Family Guy”, mas com pessoas reais envolvidas. No entanto, isto não é animação mas sim imagem real. Não temos nenhum Brian ou Stewie e seus comportamentos irreais. Em vez disso, deparamo-nos com um par de atores (Wahlberg e Kunis) sem expressão, sem piada e, sinceramente, sem vontade em melhorar o filme. O próprio Ted é um personagem aborrecido e nada mais que um Peter Griffin encarnado em urso de peluche. No final, “Ted” é um filme que pode ser agradável para quem não for muito exigente, mas que não vale o tempo de quem procura um bom filme.

Depois de 11 anos de conflitos e contratempos “Music From Another Dimension!” marca o regresso da banda originária de Boston. O décimo quinto albúm dos Aerosmith volta às raízes 8 anos depois de “Honkin’ on Bobo”, o último albúm gravado em estúdio. Com uma energia surpreendente para um grupo de músicos nos sessenta anos, o nome do albúm não justifica o seu conteúdo. A música é um rock bem à moda de Aerosmith com um tempero moderno que conta com convidados como Russ Irwin, Julian Lennon, Johnny Depp ou Carrie Underwood. “LUV XXX”, “Legendary Child”, “Out Go the Lights” ou as baladas “What Could Have Been Love” e “Can’t Stop Loving You” são alguns dos êxitos que mostram ser possível variar e, simultaneamente, manter uma identidade que dura há várias décadas. “Music From Another Dimension!” reúne todas as condições para agradar aos fãs da banda e mostra que Steven Tyler, apesar de tudo, foi capaz de preservar o seu grande amor: a sua voz. Filipa Sousa

Stieg Larsson

No segundo livro da trilogia “Millenium” consolidam-se as personagens e a história tem novo impulso. O jornalista Dag Svensson e a companheira Mia Johansson entregam à revista Millenium documentos que provam o envolvimento de personalidades importantes numa rede de tráfico de mulheres para exploração sexual. Pouco tempo depois, são assassinados e tudo aponta para uma suspeita: Lisbeth Salander, que regressa à Suécia depois de passar algum tempo no estrangeiro. O passado de Lisbeth é examinado pela polícia e nada abona a favor da sua inocência. Só uma pessoa parece disposta a ajudá-la: o jornalista Mikael Blomkvist. O segundo capítulo da trilogia permite ao leitor conhecer melhor as duas personagens principais: Salander e Blomkvist. Não se pode dizer que Larsson escreva com grande ritmo porque por vezes prende-se nos pormenores das histórias paralelas, mas o segundo livro consegue ser melhor que o primeiro e torna obrigatória a leitura do terceiro. Pedro Ferreira


MEDIA & TECNOLOGIA

Windows 8: a unificação de pc, tablet e smartphone

Foto: DR

O novo sistema operativo da Microsoft foi desenhado para permitir uma experiência tátil que pretende revolucionar o desempenho dos utilizadores de consumo e dos profissionais em qualquer plataforma. Pedro Ferreira O Windows 8 é a nova aposta da Microsoft para os próximos anos, numa altura em que o objetivo principal da empresa norte-americana é comercializar mais dispositivos de ecrãs táteis, um mercado que tem vindo a ser dominado pela Apple. Com o novo sistema operativo a ser disponibilizado para computadores, tablets e Windows Phone, a unificação da mesma experiência em diferentes plataformas está garantida. Com dois ambientes de trabalho distintos, o utilizador apenas terá que optar por aquele que lhe agrada mais. Ao ambiente de trabalho do Windows é agora retirado o botão Iniciar, que passa a ser substituído pela nova interface Metro (Modern UI): fluída, atraente e muito simples de utilizar. Foi criada a pensar na experiência tátil, mas também permite a integração com rato e teclado. Esta é a grande novidade do novo Windows. Este novo ambiente de trabalho é altamente personalizável e é aqui que ficam alojadas todas as apli-

cações retiradas da Windows Store, que já conta com mais de 20.000, das quais 18.000 são gratuitas. Esta loja é o principal trunfo da nova era da Microsoft. O objetivo é rivalizar com o Android e o iOS e isso só será possível se o número de aplicações da Windows Store continuar a aumentar. Uma das grandes vantagens em relação ao Android e ao iOS é que a loja Windows permite experimentar antes de comprar. A Microsoft garante que todos os computadores com Windows 7 são capazes de correr o Windows 8 e promete que, uma vez atualizado o sistema operativo, o pc será capaz de gerenciar melhor a memória ram, o que equivale a um melhor desempenho. As maiores diferenças registam-se nos softwares de edição e criatividade, sendo que nos programas de processamento de texto ou folhas de cálculo e nos jogos não se registam grandes diferenças. Para garantir a unificação foram também lançados o Windows 8 RT, para tablets, e o Windows Phone 8 para smartphone. Quarenta milhões de utilizadores já atualizaram para a nova versão. O número de atualizações foi elevado nos primeiros dias de comercialização do Windows 8, mas teve uma quebra significativa que não era esperada pela empresa. Em Portugal, o Windows 8 está a ser vendido a 70€, mas a atualização pela internet fica apenas por 30€, até 31 de janeiro de 2013.

Ano 1 - DEZEMBRO 2012

Governo alemão quer boicotar Google

Surface Pro chega a Portugal em janeiro

O governo alemão quer obrigar os motores de busca a pagarem aos meios de comunicação social pela publicação de links que contenham mais do que os títulos de notícias que nestes se encontram. Um tweet da secretária de Estado da Justiça alemã aponta para a possibilidade de boicote. Na rede social, Sabine Leutheusser-Schnarrenberger escreve que «Há outros motores de busca alternativos ao Google». Por sua vez, a Google apela aos alemães para defenderem o direito à liberdade na Internet e se oporem a esta proposta de lei.

É já em janeiro que chega a Portugal a versão mais completa do Surface, o tablet da Microsoft que irá concorrer com o iPad e os equipamentos com sistema operativo Android. O Surface Pro corre o Windows 8 Pro, a versão mais poderosa do mais recente sistema operativo da Microsoft. Assim, os utilizadores poderão correr qualquer programa compatível com o Windows 8 no Surface, ao contrário da versão RT, que estabelece algumas limitações. Quanto a preços, o Surface Pro ronda os 690 euros na versão 64 GB e 770 euros com 128 GB.

Portugal renuncia ao Festival da Canção

Receitas online ultrapassam edições impressas nos EUA

Portugal não vai participar na edição 2013 do Festival Eurovisão da Canção, que se vai realizar em Malmö, na Suécia. O anúncio foi feito pela RTP, que divulgou na página que, “a atual conjuntura orçamental, que não permite que se possam acumular eventos de montra”. O canal de televisão pública pretende criar um evento que promova «o lançamento de novos valores» e que «traga, de novo, dignidade à participação de intérpretes e compositores nacionais». Portugal participou pela primeira vez no Festival da Canção em 1964 e conseguiu o melhor resultado (6º lugar) em 1996.

As receitas publicitárias nas edições ‘online’ deverão este ano superar o número de venda de edições impressas nos jornais e revistas norte-americanas. Os investimentos publicitários em meios digitais vão ultrapassar os 37 mil milhões de dólares, superando os mais de 34 mil milhões de dólares de receitas em vendas de jornais e revistas, segundo dados da consultora eMarketer. A revista “Newsweek”, que celebra 80 anos de existência, vai deixar as bancas e migrar para a internet, um exemplo que poderá vir a repetir-se nos próximos tempos.

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OPINIÃO

Ano 1 - DEZEMBRO 2012

Carlos Flórido Uma troika para o basquetebol

G

astar acima de um milhão para festejar o título é inviável numa modalidade sem receitas. Mas os clubes teimam em adiar a solução, que é simples: apostar em jovens portugueses

O basquetebol português está a empobrecer, mas mesmo assim necessita de uma troika que o obrigue a descer até encontrar o seu patamar de sustentabilidade. É esta a triste conclusão a que se chega quando se observa uma Liga Portuguesa reduzida a 11 equipas, não por desistências de última hora – que as houve –, mas porque não surgiram mais clubes com capacidade financeira para jogar no campeonato maior. É sabido que a crise não explica na totalidade as desistências de FC Porto e Barreirense, que ajudaram à tal descida de competitividade. Os dragões também deixaram a Liga de Basquetebol na sequência dos acontecimentos que marcaram a última final, perdida para o

Benfica, enquanto o clube do Barreiro, e apesar de ter uma das melhores escolas nacionais, continua a atribuir mais importância a uma equipa de futebol que milita na III Divisão. Mas o que se gasta no basquetebol sénior não pode ser esquecido. A verdade é que numa modalidade em que não existem receitas de televisão e as de bilheteira são simbólicas não é possível existirem jogadores com salários acima dos 10 mil euros nem o orçamento de quem pretende discutir o título superar o milhão de euros. O basquetebol, e apesar de as equipas portuguesas estarem há muito afastadas das competições europeias – por questões financeiras, veja-se só a contradição – insistiu em autorizar três estrangeiros (vulgo norte-americanos) por equipa, inflacionando os orçamentos acima do razoável. Foi também essa a mensagem que o FC Porto pretendeu passar com a sua saída. O basquetebol, curiosamente, até possui um bom exemplo numa outra modalidade de pavilhão, o andebol. Este, antecipando a sua crise em quase dez anos, devido à falência da sua Liga profissional e ao diferendo desta com

a federação, que afastou durante alguns anos as equipas das provas europeias, foi obrigado a abdicar dos estrangeiros e a apostar em jovens saídos da formação. O resultado está à vista: o andebol é, das quatro modalidades coletivas de pavilhão, aquela que está a resistir melhor à crise, tendo entretanto transformado em estrelas os novos talentos em que a maioria das equipas teve de apostar. Parece simples, realmente. Se o basquetebol fechar as portas aos estrangeiros, baixar orçamentos e nivelar as suas equipas pelo que cada um dos clubes conseguir produzir na formação terá no curto e médio prazo um campeonato mais interessante, financeiramente viável e, última mas talvez mais importante das consequências, dará à Seleção Nacional o sangue novo que o técnico Mário Palma tanto procura. Por que não se deu ainda este passo? Mistério. Talvez alguns clubes precisem mesmo que lhes imponham uma troika!

fútil às propostas sérias. As ‘jotas’ confundem-se com o pior da política, fértil em ideias desprovidas de sentido, actos suspeitos e ambições desmedidas. O 8.º deputado eleito pelo PSD na Madeira, ex-líder da ‘jota’ laranja, comprova esta triste realidade. Não se trata de um delinquente gerado pela pobreza e que nasceu sem berço, mas do mais jovem cadastrado político regional, pois sobre ele recai suspeitas de vandalismo, mas também agressões, ofensas, mentiras e até gritos de ordem contra um jornal que queria ver arder. Dizem-me que os danos ao bom nome, os atentados à qualidade da democracia e outras pérolas inqualificáveis são coisas de gente nova, logo, genuínas. É que, uma vez em grupo, não pensam e, pior, reproduzem as circunstâncias. Nem comento as desculpas, como não generalizo. As generalizações sempre penalizaram mais os que apanham por tabela do que os autores das patifarias alvo de reparo. Nas ‘jotas’ não falta gente de valor, que pensa em soluções, que não se mistura com a violência gratuita, que não se pendura em autocarros e que tem da política uma visão

lúcida e consciente. Acredito que são estruturas compostas por pessoas bem intencionadas, munidas de valores éticos que tanta falta fazem à actuação política e convictas que importa honrar a responsabilidade cívica neles depositadas. Que se cheguem então à frente e ocupem as vagas naturalmente deixadas por aqueles que a democracia adulta dispensa, os que entram de pés juntos na vida pública, desrespeitando tudo e todos, humilhando quem faz por viver com dignidade e ultrajando a memória colectiva.

Carlos Flórido O JOGO - editor de Modalidades

Ricardo Miguel Oliveira Filhos da “Jota”

P

ortugal tem como primeiro-ministro um filho da ‘jota’. Para quem não se lembra, Passos Coelho foi em tempos líder da JSD. Portugal tem como hipotético futuro chefe do governo outro filho da ‘jota’. Para que conste, António José Seguro foi durante algum tempo líder da JS. Foi a jota que os pariu politicamente, tal como muitos outros, hoje com poder associativo, clubístico, autárquico ou parlamentar, com mediatismo nem sempre pelas melhores razões, ou com o nome inscrito nas listas de espera do futuro e do sucesso. Mas o que são as ‘jotas’, para que servem e como se posicionam actualmente? Por dentro, não faço ideia. Pelo que se dão a ver, não deixaram de ser o que sempre foram, espaços de afirmação da irreverência, agências de emprego, escolas de valores, universidades de Verão, centro de estudos, lavandarias cerebrais, carreiras de tiro…É possível que sejam um pouco de tudo e de nada, tal é a fragilidade que denotam em casos comprovados e públicos, nos quais a mediocridade se sobrepôs ao mérito, a arruaça ao talento e o palavreado

Ricardo Miguel Oliveira Diretor do “Diário de Notícias” (Madeira) e diretor da TSF-Madeira


Cara a Cara Precisamos de austeridade para convencer o mundo de que vale a pena investir na Europa. Angela Merkel Austeridade sincronizada na Europa é «espiral mortal». Jorge Nascimento Rodrigues (Expresso)

“O Sofá do Zé”, por António Ventura Autor: António Ventura

Cartoon

“Gangman Style” é número 1 no Youtube O vídeo do sul-coreano PSY tornou-se no mais visto do Youtube com mais de 850 milhões de visualizações.

Lançado a 15 de julho, pelo rapper coreano Park Jae-Song, mais conhecido como PSY, “Gangman Style” conseguiu ultrapassar “Baby” de Justin Bieber que reuniu 804 milhões de visualizações. Com mais de 850 milhões de visualizações, que continuam a aumentar, o vídeo é hoje um fenómeno global e marcou o lançamento da música “K-pop” no mercado americano e mundial. Com um olhar crítico mas

humorístico daqueles que querem subir na vida e de parte da sociedade coreana, “Gangman Style” é nitidamente feito a pensar no mercado sul coreano. Gangman é o nome de uma região luxuosa da Coreia do Sul, considerada a Beverly Hills de Seul, onde a maioria das empresas estão instaladas, as casas têm preços extravagantes e é de Gangman que vêm mais de 40% dos estudantes da Universidade de Seul. “Gangman Style” venceu já o prémio para melhor vídeo nos MTV European Music Awards e até o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, imitou os passos de dança ao receber o artista sul-coreano.

na Web

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